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GOVERNOS DEVEM LIMITAR O USO DE AGROTÓXICOS ENCONTRADO EM HUMANOS

18, junho, 2013 Sem comentários

Amigos da Terra Internacional

COMUNICADO DE IMPRENSA

17 de Junho de 2013

WASHINGTON / BRUXELAS (BÉLGICA) 17 de junho de 2013 – Amigos da Terra Internacional demandou hoje aos governos do mundo a que limitem o uso do pesticida glifosato, depois que resultados de análises de laboratório publicados na semana passada demonstraram a presença de restos do pesticida em pessoas de 18 países europeus. [1]

As análises sem precedentes, que realizou Amigos da Terra Europa, revelaram que 44% das amostras de 182 voluntários de 18 países europeus continham restos do pesticida[2].

O glifosato é um dos pesticidas mais utilizados no mundo por agricultores, governos locais e jardineiros, e se aplica de forma extensiva nos cultivos geneticamente modificados (GM).

Nos Estados Unidos e na América Latina, os agricultores estão utilizando cada vez maior quantidade de pesticidas (entre eles o glifosato), em grande medida devido a adoção em grande escala de cultivos geneticamente modificados [3].

A empresa de biotecnología estadunidense Monsanto, a maior produtora de glifosato no mundo, vende o produto com o nome de “Roundup”.

Lisa Archer, diretora do programa Alimentos e Tecnología de Amigos da Terra Estados Unidos, declarou:

“Descobrir restos de glifosato e, pessoas na Europa nos coloca varias perguntas graves: Como chegou lá? Por que os governos não estão analisando sua presença em humanos? Também pode encontrar-se em cidadãos americanos? A diferença de Europa, os Estados Unidos planta grandes quantidades de cultivos resistentes ao glifosato, o que tem provocado uma utilização massiva de pesticidas e as denominadas ‘superpragas’. Algumas delas já estão fora de controle. A recente descoberta de trigo geneticamente modificado (não autorizado) da Monsanto em plantações nos Estados Unidos soou o alarme e confirma a necessidade de impor controles mais estritos aos agronegócios”.

Em maios de 2013, um tipo de trigo geneticamente modificado resistente ao glifosato foi encontrado em uma granja em Oregon, Estados Unidos. O trigo foi desenvolvido pela Monsanto, que o submeteu a análises entre 1998 e 2005, mas nunca foi aprovado nem comercializado. Desde então os sócios comerciais dos Estados Unidos tem imposto restrições ou tem submetido a análises o trigo importado de Estados Unidos [4].

Adrian Bebb, porta-voz de Amigos da Terra Europa, afirmou:

“O agronegócio que promove os cultivos geneticamente modificados e os pesticidas quer fazer de conta que tem a situação sob controle, mas a descoberta de restos deste pesticida na urina de pessoas sugere que estamos sendo expostos ao glifosato em nossas vidas cotidianas e, assim mesmo, não sabemos de onde vem, que tão ampla é sua presença no meio ambiente, nem como está afetando nossa saúde”.

“Os governos de todo o mundo devem limitar o uso de glifosato, aumentar as investigações e garantir que se coloquem os interesses das pessoas e do meio ambiente frente aos de algumas poucas empresas”, acrescentou.

Segundo cifras de 2010, 70% de todo o milho plantado nos Estados Unidos foi modificado geneticamente para resistir ao pesticida, igual que 78% do algodão e 93% da soja [5].

Na Europa tem havido oposição generalizada aos cultivos transgênicos. Se bem somente um cultivo geneticamente modificado tem sido cultivado para fins comerciais, há 14 solicitações para a plantação de cultivos resistentes ao glifosato que a Unión Europea está considerando.

Na Argentina se utilizam 200 milhões de litros de pesticidas a base de glifosato ao ano, somente em plantações de soja[6]. O Brasil é o maior consumidor agrotóxicos do mundo desde 2009, quando o volume de herbicidas vendidos no país foi de 430 milhões de litros, sendo 280 milhões de litros apenas de glifosato.

PARA MAIS INFORMAÇÃO CONTATAR:

Adrian Bebb, Amigos da Terra Europa, Tel: + 49 1 609 490 1163, email adrian.bebb@foeeurope.org

Lisa Archer, diretora do programa de alimentos e tecnologia de Amigos da Terra Estados Unidos, Tel: +1 510 900 3145, email larcher@foe.org

O Informe sobre o glifosato e os motivos de preocupação está disponível em: www.foeeurope.org/glyphosate-reasons-for-concern-briefing-130613

 

NOTAS

[1] É a primeira vez que se realiza um seguimento em toda a Europa da presença do l pesticida em humanos. Os participantes do estudo, que proporcionaram amostras de forma voluntaria, vivia em cidades e nenhum dele havia manipulado nem utilizado produtos com glifosato antes das análises.Para mais informac a leia o aetigo de Wall Street Journal: http://blogs.wsj.com/brussels/2013/06/13/study-youre-in-trouble-roundup/

[2] Foram coletadas amostras de urina de 182 voluntários da Alemanha, Áustria, Bélgica, Bulgária, Chipre, Croácia, Espanha, França, Geórgia, Holanda, Hungria, Letônia, Macedônia, Malta, Polônia, Reino Unido, República Checa e Suíça. Os voluntários viviam em cidades e tinham dietas vegetarianas e não vegetarianas. Nao foram tomadas duas amostra de um mesmo lugar. As amostras foram analisadas pelo Dr. Hoppe de Medizinisches Labor Bremen na Alemania (http://www.mlhb.de/).

[3] Leai o artigo da Reuters (en inglés): “Pesticide use ramping up as GMO crop technology backfires: study” em: http://www.reuters.com/article/2012/10/02/us-usa-study-pesticides-idUSBRE89100X20121002

[4] USDA APHIS, 29 de maio de 2013. ‘USDA Investigating Detections of Genetically Engineered (GE) Glyphosate-resistant wheat in Oregon”, em: http://content.govdelivery.com/bulletins/gd/USDAAPHIS-7d0c5e

[5] Para mais informação, visite: http://usda.mannlib.cornell.edu/usda/nass/Acre/2010s/2010/Acre-06-30-2010.pdf

[6] Para mais informação, consulte:http://www.keine-gentechnik.de/fileadmin/files/Infodienst/Dokumente/2012_08_27_Lopez_et_al_Pesticides_South_America_Study.pdf

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Mais pragas já resistem a plantas com gene transgênico, diz estudo

13, junho, 2013 Sem comentários

Plantas com mutação que repelem insetos já não são tão eficazes.

Estudos foram feitos em oito países, de cinco continentes.

Da France Presse, via G1, 12/06/2013

Mais espécies de pragas têm se tornado resistentes aos tipos mais populares de cultivos transgênicos que repelem insetos, exceto em regiões onde os fazendeiros seguem os conselhos dos especialistas.

Um estudo publicado na edição da revista “Nature Biotechnology” desta semana aborda um aspecto importante dos chamados milho e algodão Bt – plantas que carregam um gene cuja finalidade é exalarem uma bactéria denominada Bacillus thuringiensis, tóxica para os insetos.

Cientistas franceses e americanos analisaram as descobertas de 77 estudos realizados em oito países de cinco continentes, a partir de dados de monitoramentos de campo.

Das 13 principais espécies de pragas examinadas, cinco eram resistentes em 2011, em comparação com apenas uma em 2005, afirmaram. O marco de referência foi uma resistência em mais de 50% dos insetos em uma área determinada. Das cinco espécies, três eram pragas de algodão e duas, de milho.

Três dos cinco casos de resistência foram registrados nos Estados Unidos, que respondem por menos da metade dos cultivos de Bt, enquanto os outros foram encontrados em África do Sul e Índia.

Sinais de alerta

Os autores disseram ter descoberto um caso de resistência precoce, em menos de 50% dos insetos, em outra praga de algodão americana. E houve “sinais de alerta” precoces (1% de resistência ou menos) em outras quatro pragas de algodão e milho em China, Estados Unidos e Filipinas. Os cientistas encontraram grandes diferenças na velocidade com que se desenvolveu a resistência Bt.

Em um caso, levou dois anos para os primeiros sinais aparecerem. Em outros, os cultivos Bt permaneceram tão eficientes em 2011 como eram 15 anos atrás. O que fez a diferença foi que os fazendeiros separaram “refúgios” suficientes de cultivos não Bt, afirmaram os autores do estudo.

A ideia por trás deste refúgio vem da biologia evolutiva. Os genes que conferem resistência são recessivos, o que significa que os insetos podem sobreviver em plantas Bt só se tiverem duas cópias de um gene resistente, uma de cada progenitor.

Possível solução

Plantar refúgios perto de cultivos Bt reduz as chances de dois insetos resistentes copularem e passarem o duplo gene para seus descendentes. “Modelos de computador mostraram que os refúgios devem ser bons para retardar a resistência”, afirmou o coautor do estudo Yves Carriere, entomologista da Universidade do Arisona, em Tucson, em um comunicado.

A evidência prática disto é demonstrada no caso de uma praga do algodoeiro denominada lagarta rosada (Pectinophora gossypiella), explicou seu colega, Bruce Tabashnik. Os cultivos Bt no sudoeste dos Estados Unidos, onde os fazendeiros trabalham com cientistas para projetar uma estratégia de refúgio, não têm problema de resistência.

Na Índia, no entanto, as lagartas rosadas se tornaram resistentes no prazo de seis anos, simplesmente porque os fazendeiros não seguem as diretrizes ou obtêm aconselhamento. Os cientistas alertam que a resistência a cultivos Bt é mera questão de tempo, pois todas as pragas acabam, eventualmente, se adaptando à ameaça que enfrentam. Mas os refúgios foram feitos para retardá-la.

Só em 2011, 66 milhões de hectares de terra foram cultivadas com plantios Bt. Naquele ano, o milho Bt respondeu por 67% do milho plantado nos Estados Unidos e o algodão Bt entre 79% e 95% do algodão cultivado em Estados Unidos, Austrália, China e Índia.

Os plantios transgênicos encontram oposição na Europa e em outras partes do mundo, onde ambientalistas afirmam que são uma ameaça potencial à saúde humana e ao meio ambiente.

Monsanto afirma que revê valor de royalty

12, junho, 2013 Sem comentários

Entenda-se por “segunda geração de transgênicos de soja” o mero cruzamento da soja Roundup Ready com uma soja que leva o Bt, toxina que mata alguns tipos de lagarta. RR e Bt respondem por 100% dos transgênicos cultivados desde sua introdução na agricultura em meados da década de 1990. Portanto, para além da marquetagem, onde está de fato a inovação? Com a forcinha que deu o ministro da agricultura a Monsanto ganhou novo prazo de validade de suas patentes sobre a soja transgênica para cobrar royalties dos produtores.

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VALOR ECONÔMICO, 12/06/2013

Por Fernando Lopes e Luiz Henrique Mendes | De São Paulo

O presidente da Monsanto no Brasil, Rodrigo Santos, declarou ontem que a companhia está revendo o valor dos royalties que pretende cobrar sobre o uso da segunda geração de transgênicos de soja no Brasil. A declaração foi dada ontem durante o seminário “Caminhos da Soja”, promovido pelo Valor em parceria com a multinacional.

A nova tecnologia, que recebeu o nome comercial de Intacta RR2 PRO, começa a ser comercializada na safra 2013/14, com pelo menos um ano de atraso em relação à meta inicial, devido à demora da China em aprovar o produto. A liberação foi anunciada na segunda-feira.

Em 2012, a Monsanto manifestou a intenção de cobrar o equivalente a R$ 115 por hectare pelo uso da semente, que torna as plantas resistentes ao herbicida glifosato e ao ataque de algumas lagartas. Segundo Santos, o valor refletia as condições do mercado à época e, por isso, está sendo revisto. A nova quantia deve ser anunciada até a semana que vem.

O executivo disse ainda que a Monsanto e as sete sementeiras hoje autorizadas a reproduzir a tecnologia dispõem de aproximadamente de 3 milhões de sacas da variedade a nova safra, que começa a ser plantada. O volume deve ser suficiente para cobrir uma área de 2,5 milhões de hectares (pouco menos de 10% da área total cultivada em 2012/13).

A adoção da segunda geração de transgênicos pode gerar um ganho médio de produtividade de aproximadamente 5,84 sacas de 60 quilos por hectare, de acordo com estudo de campo apresentado durante o evento pela consultoria MB Agro (braço de agronegócios da MB Associados) e patrocinado pela Monsanto.

De acordo com a MB Agro, o acréscimo de produtividade levaria a um aumento de renda ao produtor de R$ 292 por hectare, mantidos os atuais níveis de preço. Ainda segundo a consultoria, a adoção da nova tecnologia em pelo menos metade da área plantada aumentaria em 4,8 milhões de toneladas a produção potencial do país e em R$ 4,2 bilhões o valor bruto da produção, mantidos os patamares atuais de área e preço.

Ainda durante o seminário, o secretário-executivo do Ministério dos Transportes, Miguel Masella, declarou que, no que depender da infraestrutura rodoviária, o Brasil poderá começar a exportar grãos por meio de corredor BR-163-Tapajós já em 2014. Segundo ele, até o fim deste ano, 90% da rodovia estará pavimentada no trecho até o distrito de Miritituba, no Pará, um entreposto para o escoamento da produção por meio de barcaças para os portos da Região Norte.

“Com 90% asfaltado, já podemos exportar na próxima safra”, disse Masella. O novo corredor é visto como a principal esperança para aliviar os portos de Santos (SP) e Paranaguá (PR), por onde sai a maior parte da produção.

Já o diretor do departamento econômico do Itamaraty, Paulo Estivallet, afirmou, no seminário, que a Rússia pode se tornar um mercado “interessante” para a exportadores de grãos do Brasil. Segundo ele, a busca dos russos pela autossuficiência na produção de carnes pode abrir espaço para as importações de grãos.

“Há potencial para que a Rússia se torne um mercado interessante, mas ainda está em fase de elaboração do processo regulatório para aprovação de transgênicos”, disse Estivallet.

 

Auxílio de Brasília na liberação de soja da Monsanto pela China

11, junho, 2013 1 comentário

VALOR ECONÔMICO, 11/06/2013

Por Mauro Zanatta | De Brasília

Na liberação comercial da soja Intacta, produzida pela americana Monsanto, sem dúvida pesou o lobby favorável dos produtores rurais do Brasil, que foram à Pequim solicitar o sinal verde do gigante asiático. Mas a situação só mudou realmente quando o governo brasileiro, por meio do Itamaraty, resolveu intervir e negociar com autoridades chinesas.

A visita do ministro Antônio Andrade ao país, sobretudo pelo “timing”, além das gestões do Ministério do Desenvolvimento, também contaram a favor, apurou o Valor. O chanceler Antonio Patriota entrou pessoalmente nas conversas. Nem mesmo a troca do embaixador do Brasil em Pequim atrapalhou – Valdemar Carneiro Leão substituiu Clodoaldo Hugueney.

O principal argumento das autoridades brasileiras nas negociações bilaterais foi que a variedade beneficiaria especificamente o mercado nacional, ainda que algumas áreas do norte da Argentina possam utilizar a nova semente. Além disso, os argentinos também entraram na arena para reivindicar a liberação. Isso pesou de forma significativa para a aprovação, segundo fontes brasileiras.

No início, os chineses encaravam a nova tecnologia como um assunto de interesse restrito apenas dos Estados Unidos. O governo brasileiro relatou o avanço da variedade Cultivance, desenvolvida pela estatal Embrapa em parceria com a alemã Basf, para realçar se tratar de uma questão de Estado para o país. Esse “escudo” teria auxiliado a arrefecer a rejeição do governo chinês.

Mesmo com a demora na aprovação pelo principal cliente das exportações brasileiras, a Monsanto teria condições de atender, já na safra 2013/14, a 10% da área plantada de soja aqui, ou algo próximo de 2,8 milhões de hectares. Haveria 1,8 milhão de sacas disponíveis no Brasil. O principal atrativo da variedade é a resistência ao herbicida glifosato e a lagartas, cujo prejuízo acumulado superou R$ 1 bilhão na safra 2012/13, segundo os produtores.

A semente está aprovada no Brasil desde agosto de 2010. Mesmo com a aprovação, a China ainda precisa emitir um certificado de biossegurança para sacramentar a decisão e abrir caminho ao produto nacional. Normalmente, uma autorização comercial demora 270 dias.

No início de maio, uma comitiva oficial que deveria ter sido liderada pelo ministro Antonio Andrade fez, sem sucesso, gestões junto a autoridades chinesas. Estiveram no grupo, chefiado pelos secretários Celio Porto (Relações Internacionais) e Enio Marques (Defesa Agropecuária), o diretor-executivo da associação dos produtores de sementes, José Américo Rodrigues, e o gerente de assuntos industriais da Monsanto, Otávio Cançado.

China libera importação de 3 tipos de soja transgênica

11, junho, 2013 Sem comentários

Ministério da Agricultura, 10/06/2013

O governo chinês aprovou três variedades de soja geneticamente modificadas de interesse do Brasil [????], conforme informou nesta segunda-feira o ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Antônio Andrade, que está em visita oficial à China. Ele participou, neste domingo, em Beijing, do Foro China-America Latina e Caribe de Ministros da Agricultura.

A aprovação das variedades geneticamente modificadas foi comunicada à Andrade pelo ministro da Agricultura da China, Han Changfu, durante encontro bilateral. Foram aprovadas a Intacta RR2 PRO [Monsanto], que tem a propriedade de supressão da população de lagartas que causam muitos danos às lavouras de soja no Brasil e a CV127 [BASF/Embrapa] e Liberty Link [Bayer], tolerantes a herbicidas.

O ministro brasileiro, que fez o pedido da liberação, agradeceu a decisão das autoridades locais e aproveitou para esclarecer ao seu colega chinês que a agricultura tropical é mais sujeita ao ataque de pragas e ervas daninhas, por essa razão é mais dependente da contínua introdução de novas tecnologias.

Antônio Andrade lembrou, ainda, que a aprovação torna-se ainda mais significativa em função da propagação da lagarta Helicoverpa armigera em vários Estados do Brasil [só faltou dizer que o uso de sementes transgênicas é apontado como fator que desencadeou a explosão dessa praga]. Conforme o ministro, as novas sementes aprovadas pelo governo chinês já tinham seu uso autorizado no Brasil e em outros mercados, mas os produtores de soja e a empresa detentora da tecnologia estavam aguardando a aprovação chinesa, pelo fato de a China ser o principal mercado comprador da soja brasileira [e porque não há segregação].

Em abril de 2013, o Brasil exportou 7,154 milhões de toneladas de soja em grãos, equivalente a US$ 3,797 bilhões. Deste total, 5,604 milhões de toneladas (US$ 2,966 bilhões) tiveram a China como destino.

“Essa decisão era ansiosamente aguardada pelos sojicultores brasileiros, visto que as empresas têm poucas semanas para embalar e distribuir o produto, a tempo do plantio da nova safra”, destacou Andrade.

O ministro propôs ainda a Han Changfu o aumento da cooperação entre a Embrapa e a Academia de Ciências Agrárias da China no campo da biotecnologia e falou sobre as oportunidades de investimento para empresas chinesas nas novas fronteiras agrícolas do Brasil, principalmente no Mato Grosso e na região conhecida como Matopiba.

A região traz novas opções de escoamento da produção no sentido norte, por hidrovias e ferrovias, viabilizadas a partir da recente aprovação da Medida Provisória dos Portos. Esses temas serão novamente abordados por ocasião da visita do vice-ministro da Agricultura da China ao Brasil, nos dias 20, 21 e 22 deste mês. Leia mais…

Ministro da Argentina também faz lobby por transgênicos na China

10, junho, 2013 Sem comentários

Argentina diz que China aprovou compra de mais soja e milho transgênicos

BUENOS AIRES, 8 Jun (Reuters) – O ministro da Agricultura da Argentina disse neste sábado que a China aprovou três nova variedades de soja geneticamente modificada (GM), e uma nova variedade de milho transgênico para importação, o que deve impulsionar o comércio entre os dois países. [sojas resistentes a imidazolinonas e glufosinato de amônia e milho 1161 - as duas variedades de soja já foram liberadas no Brasil mas não estavam sendo plantadas justamente pelas restrições dos compradores, sobretudo a China. Se a informação da matéria estiver correta, tudo indica que essas variedades passarão a ser cultivadas por aqui. Já o ministro da agricultura Antonio Andrade pede na China a liberação da soja RR2, da Monsanto]

O argentino Norberto Yauhar fez o anúncio após uma reunião com o ministro chinês da Agricultura, Han Changfu, em Pequim, segundo um comunicado publicado no website da presidência da Argentina.

O país sul-americano é o terceiro maior exportador mundial de soja e milho, e o principal fornecedor de óleo e farelo de soja. Praticamente toda a soja argentina é transgênica, assim como boa parte do milho do país.

(Reportagem de Hilary Burke)

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China aprobó tres sojas transgénicas y un maíz de Argentina

http://www.lapoliticaonline.com

Fue en un encuentro entre Norberto Yauhar y su par de China, Han Chang Fu. Las sojas son resistentes a la imidazolidonas y al gufosinato y el maíz el 1161. “Es una de las noticias más importante para el país en términos de comercio exterior de los últimos tiempos”, dijo el ministro de Agricultura.

El ministro de Agricultura, Ganadería y Pesca de la Nación, Norberto Yauhar, informó hoy que la República Popular de China aprobó tres sojas transgénicas y un maíz, que incluyen la soja RR2BT, una soja resistente a las Imidazolidonas, una resistente al glufosinato y el maíz 1161.

Lo hizo al término de un encuentro mantenido con su par chino, Han Chang Fu, durante la jornada inicial del Primer Foro de Ministros de Agricultura entre China y América Latina, que se realiza en el país asiático.

Al respecto, Yauhar expresó que: “Es una de las noticias más importante para el país en términos de comercio exterior de los últimos tiempos”, y agregó que “el Ministro chino nos acaba de confirmar la aprobación de todos los eventos de maíz y de soja que teníamos pendientes, incluida la Intacta de Monsanto”.

Estos nuevos eventos permitirán producir y comercializar nuevos productos como estas tres variedades de soja y una de maíz que derivarán en significativos beneficios para la cadena productiva argentina.

Asimismo, el funcionario nacional confirmó la compra por parte de China del primer barco de maíz argentino, lo que implica la venta de las primeras 60.000 toneladas de este cultivo a través de una empresa privada nacional.

“En la próxima campaña ya vamos a poder estar utilizando estas semillas aprobadas y obviamente podremos comercializar más producción”, manifestó el jefe de la cartera agropecuaria nacional.

Por otra parte, en el marco de este foro internacional de agricultura, ambos funcionarios analizaron la relación bilateral, las oportunidades de inversión y comercio, y los estudios de factibilidad para construir zonas de desarrollo y procesamiento de productos agrícolas.

Al respecto Yauhar expresó que “se hizo una revisión de todos los programas que estamos llevando adelante.

En la mañana de hoy tuvimos una muy buena reunión con el vicepresidente del Banco de Desarrollo de China y todo su equipo con miras a futuros emprendimientos”.

El funcionario argentino adelantó que la entidad bancaria “está de acuerdo en acompañarnos en un proyecto que estamos presentándoles para reconvertir un millón de hectáreas alternativas a través de la aplicación de nuestros equipos de riego y toda la tecnología para que comiencen a ser productivas.

Para ello estaremos presentándole al Banco de Desarrollo de China un programa del que a priori hemos interiorizado al ministro Han Chang Fu, que dio su aval para que podamos seguir adelante con el proyecto”.

 

Milho transgênico causa danos no Paraná

7, junho, 2013 Sem comentários

por Rafael Zanvettor | Caros amigos, 06/06/2013

Um dos principais debates que ressoaram no Brasil e no mundo na última década foi o da produção e uso de alimentos geneticamente modificados, os chamados transgênicos. No decorrer dos anos o debate foi se tornando cada vez mais silencioso, enquanto que, por outro lado, a produção de alimentos transgênicos aumentou. O Brasil promulgou uma série de leis, como a 11.150/05, que reestruturou a Comissão Técnica Nacional de Biosegurança (CTNBio), responsável por emitir pareceres autorizando ou não o uso comercial de transgênicos; através das monoculturas de soja e milho geneticamente modificado, o País passou a ocupar o segundo lugar mundial na prdução de alimentos transgênicos, ficando atrás apenas dos EUA.

A fim de trazer este importante debate de volta ao espaço público, o site da Caros Amigos publica uma série de 3 reportagens sobre os transgênicos no Brasil, abordando diferentes temas, para que se possa medir as consequências do uso desses alimentos para a agricultura e saúde do País.

Confira a primeira das reportagens: http://carosamigos.terra.com.br/

 

Lobby de alto nível

7, junho, 2013 2 comentários

Dilma ainda não teve uma audiência sequer com os indígenas desde que assumiu seu mandato. Enquanto isso, a alta cúpula do governo realiza sua segunda missão à China em menos de dois meses para viabilizar aqui os interesses da Monsanto. Como indica a matéria abaixo, a empresa não pode mais cobrar royalties sobre sua soja RR, apesar das tentativas pela via judicial. Criou então a soja RR2, com novas promessas tecnológicas, mas com o fito de ganhar novo prazo para cobrança da taxa.

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Ministro visita o país asiático

VALOR ECONÔMICO, 06/06/2013

Por Gerson Freitas Jr. e Tarso Veloso | De São Paulo e Brasília

O ministro da agricultura, Antônio Andrade, vai engrossar o lobby dos produtores rurais pela aprovação de uma nova variedade de soja transgênica da Monsanto pela China. Andrade embarca para o país asiático no fim de semana em uma viagem oficial de dois dias.

Andrade vai pedir que o governo chinês libere o consumo da soja “Roundup Ready 2 Intacta”, uma variedade resistente à aplicação do herbicida glifosato e ao ataque de lagartas, desenvolvida pela Monsanto para substituir a soja Roundup Ready – sobre qual está impedida de cobrar royalties – no país.

A aprovação da China, maior importador mundial de soja, é o último obstáculo para que a múlti comece a vender as novas sementes. A Monsanto esperava lançar o produto ainda a tempo do plantio do ano passado, mas teve de adiar os planos diante da demora chinesa. Agora, corre contra o tempo para não perder também o cultivo da safra 2013/14.

Em nota, o presidente da Aprosoja, Carlos Fávaro, afirmou que a intervenção do ministro da agricultura era um pleito da entidade. “É de extrema importância que novas tecnologias estejam acessíveis e com garantia de venda ao produtor”.

Leia mais…

Etanol celulósico é crucial para atender a demanda

5, junho, 2013 Sem comentários

Valor Econômico, 05/06/2013

A demanda brasileira por etanol só poderá ser atendida ao longo desta década se o país fizer deslanchar a produção do etanol celulósico – o chamado etanol de segunda geração -, afirmou o empresário Bernardo Gradin, no seminário “agricultura como Instrumento de Desenvolvimento Econômico”, realizado ontem pelo Valor e pela Bayer CropScience, braço agrícola da multinacional alemã, em São Paulo.

Citando projeções da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), o executivo disse que o consumo de etanol saltará dos atuais 22 bilhões de litros para algo entre 47 bilhões e 68 bilhões de litros em 2020. Nessas estimativas, a Unica considera que os carros flex representarão entre 80% e 85% da frota do país. “Mas o etanol de primeira geração não vai conseguir suprir essa demanda”, afirmou Gradin.

Gradin é um dos fundadores da GranBio, empresa que detém um megaprojeto de produção de etanol celulósico. A companhia é uma das maiores apostas dos Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES)* para tornar viável economicamente a produção de etanol de segunda geração. A empresa está construindo uma unidade de etanol celulósico no Estado de Alagoas. Com previsão de entrar em operação em fevereiro de 2014, a planta terá capacidade para produzir 82 milhões de litros de etanol por ano, segundo o empresário. Trata-se da maior unidade voltada à produção de etanol celulósico do país.

Bernardo Gradin acredita que o etanol de segunda geração terá viabilidade econômica num prazo relativamente curto – de três a cinco anos. “A tecnologia já está mais presente do que os formuladores de políticas públicas pensam”, disse o empresário.

Nesse contexto, projeta ele, o biocombustível de segunda geração contribuirá com um aumento de 45% na produção de etanol. O executivo faz esses cálculos considerando uma colheita de 80 toneladas de cana por hectare. Atualmente, essa quantia é capaz de produzir 3,3 mil litros de etanol. Com o celulósico, o bagaço dessa mesma cana produziria 500 litros, enquanto que a palha da cana contribuiria com mais 1,1 mil litros.

Mas o otimismo do fundador da GranBio não é compartilhado por Pedro Mizutani, vice-presidente de etanol, açúcar e bioenergia da Raízen (joint venture entre Cosan e Shell), líder na produção de açúcar e etanol no país. Segundo ele, a tecnologia pode levar até dez anos para se tornar viável, uma vez que os custos, principalmente de enzimas, ainda são impeditivos. (LHM)

* Não custa lembrar outra grande aposta como essa em que o Estado brasileiro injetou muito dinheiro e o resultado final foi parar na mão da Monsanto:

Ministro Sérgio Resende critica venda de Alellyx e Canavialis para a Monsanto

“Não sei quanto a Votorantim colocou nessas empresas ao longo desses anos, mas o setor público colocou muito dinheiro”, disse Rezende. “A venda para qualquer grupo estrangeiro é decepcionante. Como é que eles foram vender duas jóias como essas, tão importantes para o País?”

Segundo Rezende, a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), aprovou R$ 49,4 milhões em subvenção econômica (investimento a fundo perdido) para pesquisas nas empresas nos últimos três anos – dos quais R$ 6,4 milhões já foram desembolsados. “São duas empresas que receberam investimentos do governo e, justo quando esse investimento estava amadurecendo, foram vendidas por um preço bastante módico”, disse. A venda para a Monsanto foi fechada por US$ 290 milhões (R$ 616 milhões).

O investimento público já desembolsado representa cerca de 6% do que foi investido pela Votorantim nas empresas – entre R$ 95 milhões e R$ 100 milhões. Os convênios com a Finep foram firmados por meio de editais públicos, em que muitas empresas foram beneficiadas. (…)

O Estado de S. Paulo, 05/11/2008.

“A transgenia está mudando para pior a realidade agrícola brasileira”. Entrevista especial com Leonardo Melgarejo

3, junho, 2013 2 comentários

por IHU – Unisinos, 03/06/2013

“Existem abordagens contraditórias. De um lado há unanimidade quanto à importância dos avanços científicos e do potencial da engenharia genética para o futuro da humanidade. De outro lado, há uma grande divisão relativamente aos resultados obtidos até o presente momento”, pontua o engenheiro agrônomo.

Confira a entrevista.

Após retornar de uma série de reuniões sobre o desenvolvimento dos transgênicos no Brasil na CTNBio, Leonardo Melgarejo concedeu a entrevista a seguir à IHU On-Line por e-mail. Nela questiona o que chama de “decisões polêmicas” tomadas pelo colegiado que tem a finalidade de prestar apoio técnico ao governo federal na formulação, atualização e implementação da Política Nacional de Biossegurança relativa aos Organismos Geneticamente Modificados – OGM. De acordo com ele, entre os temas em pauta estava o sigilo sobre informações referente “à performance agronômica das lavouras transgênicas”. Ele explica: “Há um entendimento, entre os membros da maioria, de que até mesmo as informações sobre o rendimento das lavouras transgênicas devem ser mantidas em sigilo. Aliás, o entendimento é de que todas as informações obtidas nos ensaios de campo devem ser sigilosas. Há dois anos isso não era assim. De lá para cá, na opinião da minoria crescem as evidências de efeitos colaterais e, ao mesmo tempo, crescem os receios – das empresas – de que ocorra divulgação destes efeitos. Possivelmente, as campanhas de marketing seriam prejudicadas pelas evidências de campo caso isso se tornasse de conhecimento público. Assim, algumas empresas pedem sigilo sobre todos ou quase todos os resultados de boa parte de seus estudos. Alegam que o registro de novas cultivares só será possível na medida em que todas as informações sobre estas cultivares sejam sigilosas, desconhecidas, completamente inéditas”.

Melgarejo também chama atenção para uma nova agenda que está sendo trabalhada pelas empresas, referente à introdução de novas espécies transgênicas no mercado, como cana, sorgo, laranja e eucalipto. “Atualmente estão sendo criadas regras para testes de campo dessas culturas, que são etapas necessárias à posterior comercialização. Se tomarmos como exemplo soja, milho e algodão, a experiência mostra que esses milhares de experimentos realizados, sobretudo no centro-sul do país, geraram pouquíssimos dados sobre os potenciais impactos dessas plantas modificadas no ambiente e sobre a saúde. Até agora não há indicativo de que o quadro mudará para essas novas espécies. Como preocupação neste caso, temos a expectativa triste de que deverá se repetir a tendência de geração de dados agronômicos de interesse das empresas, mas que oferece escassa ou mesmo nula utilidade para as análises de biossegurança, que – afinal de contas – correspondem à razão de ser da CTNBio”, lamenta.

Leonardo Melgarejo é engenheiro agrônomo, mestre em Economia Rural e doutor em Engenharia de Produção pela Universidade de Santa Catarina – UFSC. É membro do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária – Incra, no Rio Grande do Sul.

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Monsanto sofre nova derrota nos tribunais

3, junho, 2013 2 comentários

Confirmada decisão que negou extensão de patente de soja transgênica da Monsanto

STJ, 03/06/2013

A Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ), em julgamento de agravos regimentais, referendou decisões que haviam negado recursos interpostos pela Monsanto Technology LLC para ampliar a vigência da patente de soja transgênica no Brasil. Seguindo jurisprudência consolidada pela Segunda Seção, a Turma confirmou que a patente expirou no dia 31 de agosto de 2010, ou seja, 20 anos após a data do seu primeiro depósito no exterior.

Em dois recursos especiais, a Monsanto questionou entendimento do Tribunal Regional Federal da 2ª Região no sentido de reconhecer o vencimento da patente. Sustentou que o prazo de validade de patente estrangeira – a chamada pipeline – deve corresponder exatamente ao prazo remanescente de proteção no país estrangeiro onde foi concedida, para que caia concomitantemente em domínio público.

Alegou, ainda, que no caso específico o prazo remanescente de proteção para os pedidos de patente pipeline deve ser contado da data de depósito do pedido da patente estrangeira no Brasil e não do depósito realizado no exterior. Também sustentou que o julgamento do caso pelo STJ deveria ser suspenso porque tramita no Supremo Tribunal Federal (STF) uma ação direta de inconstitucionalidade (ADI 4.234) dos artigos 230 e 231 da Lei 9.279/96 (Lei de Propriedade Industrial), que tratam do depósito de patentes.

Unanimidade

Um dos recursos da Monsanto foi inicialmente rejeitado em decisão monocrática do desembargador convocado Vasco Della Giustina; o outro, por decisão do ministro Villas Bôas Cueva, que assumiu o acervo de processos do desembargador após ele deixar o STJ. Na sessão da Terceira Turma, Cueva foi o relator dos agravos interpostos pela empresa contra as duas decisões.

Acompanhando o voto do relator, apoiado em precedentes já consolidados na Corte, a Turma derrubou todos os argumentos da Monsanto. Sobre o pedido de sobrestamento do feito, Villas Bôas Cueva ressaltou que a pendência de julgamento no STF de ação que discute a constitucionalidade de lei não suspende os recursos que tramitam no STJ.

No mérito, a Turma reiterou que a Segunda Seção, que reúne as duas Turmas de direito privado, uniformizou o entendimento de que “a proteção oferecida às patentes estrangeiras, as chamadas patentes pipeline, vigora pelo prazo remanescente de proteção no país onde foi depositado o primeiro pedido, até o prazo máximo de proteção concedido no Brasil – 20 anos –, a contar da data do primeiro depósito no exterior, ainda que posteriormente abandonado”.

Assim, “as alegações postas em agravo regimental são incapazes de alterar os fundamentos da decisão impugnada”, concluiu o relator, em seu voto.

Parcerias entre rivais marcam investimento em transgênicos

3, junho, 2013 Sem comentários

VALOR ECONÔMICO, 03/06/2013

Por Gerson Freitas Jr. | De São Paulo

Com a patente do primeiro transgênico de soja prestes a vencer – e, com ela, a hegemonia da tecnologia Roundup Ready (RR), da Monsanto – o mercado de sementes geneticamente modificadas aponta para o acirramento da concorrência entre as gigantes do setor, com o lançamento esperado de uma série de novas sementes geneticamente modificadas nos próximos anos. Contudo, a nova era da transgenia impõe uma lógica aparentemente estranha ao mercado: para sobreviver à disputa, as rivais vão ter, cada vez mais, de cooperar em si.

O fenômeno não é novo, mas vem ganhando força: desde o fim do ano passado, o mercado tomou conhecimento de pelo menos cinco acordos de cooperação nas áreas de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) e comercialização em nível global, envolvendo as americanas Monsanto, DuPont e Dow AgroSciences, a alemã Bayer CropScience e a suíça Syngenta. Juntas, essas empresas buscam racionalizar custos, acelerar o desenvolvimento e assegurar acesso a mercado para seus novos produtos.

A tendência é favorecida pela própria natureza desse negócio – sobretudo no atual estágio de evolução da tecnologia. De modo geral, as biotecnologias são complementares e não concorrentes. Um transgênico feito para resistir à aplicação de um herbicida não disputa mercado com um transgênico resistente ao ataque de insetos ou tolerante à seca. Pelo contrário, sua eficiência – e o apelo junto aos agricultores – será significantemente maior se as três características forem combinadas.

Eduardo Leduc, da Basf: união é necessária pois custo de tecnologia é grande

“As parcerias nos permitem oferecer uma gama de soluções mais ampla, abrir novos programas de pesquisa e avançar sobre a base existente. Assim aceleramos o desenvolvimento de tecnologias com horizontes diferentes”, afirma André Buran, gerente de licenciamento da Monsanto no Brasil.

Eduardo Leduc, vice-presidente sênior da unidade de Proteção de Cultivos da Basf no Brasil, afirma que o processo de descoberta, desenvolvimento e registro de um único princípio ativo ou semente geneticamente modificada pode consumir até € 250 milhões e uma década de trabalho para chegar aos consumidores, o que inviabiliza uma corrida solo. “O custo de gerar uma tecnologia é muito grande, então as empresas precisam se unir para otimizar os recursos, maximizar os lucros e garantir acesso a mercado”, afirma.

No mais emblemático dos acordos anunciados nos últimos meses, a Pioneer (divisão de sementes da DuPont) aceitou pagar US$ 1,75 bilhão em royalties à arquirrival Monsanto em troca do acesso à segunda geração de soja transgênica da companhia de Saint Louis. O pacote inclui a soja “Genuity Roundup Ready 2 Yield”, uma variedade resistente ao herbicida glifosato e com maior potencial produtivo, e a “Roundup Ready 2 Xtend”, resistente também ao herbicida dicamba. O acordo também dá à Monsanto acesso a algumas patentes da DuPont.

Brett Begemann, da Monsanto: busca de ações para complementar oferta

Em troca, as duas companhias concordaram em colocar fim a uma longa disputa sobre patentes na Justiça. “Queremos focar no mercado e fugir dos tribunais” declarou na ocasião o presidente da Pioneer, Paul Schickler, em entrevista reproduzida pela Dow Jones Newswires. Em agosto do ano passado, a DuPont havia sido condenada a pagar US$ 1 bilhão para a Monsanto por fazer testes não autorizados com a soja RR, cuja patente expira em 2014. A DuPont, por sua vez, acusava judicialmente a Monsanto de adotar práticas anticoncorrenciais.

Em abril, a Monsanto fechou ainda acordos para a troca de tecnologias com a Dow e Bayer. Em meio aos problemas crescentes com a resistência de ervas daninhas ao seu herbicida, o glifosato, a companhia tem procurado ampliar o acesso a genes que tornem as plantas resistentes a outros produtos químicos. Pela parceria firmada com a Dow, a Monsanto terá acesso à tecnologia do milho “Enlist“, um transgênico resistente ao herbicida 2,4-D. Em contrapartida, a Dow poderá licenciar uma nova tecnologia da Monsanto para o combate de pragas do milho.

O acordo é, na verdade, a segunda etapa de uma parceria iniciada em 2007, quando Dow e Monsanto deram início ao desenvolvimento do “SmartStax“, uma variedade de milho na qual as empresas “empilharam” oito diferentes tipos de genes resistentes a insetos e defensivos. “Continuamos a procurar por modos adicionais de ação que ofereçam benefícios para nossos clientes e complementem nossa oferta atual”, declarou Brett Begemann, presidente global da Monsanto.

Paul Schickler, da DuPont: com foco nos mercados e distante dos tribunais

A Monsanto também licenciou sua segunda geração de transgênicos de soja para a Bayer, que busca de todas as formas crescer no mercado de sementes e reduzir a distância em relação às principais concorrentes. “Estamos empolgados com o fato de que, com a combinação de tecnologias das duas companhias, seremos capazes de oferecer opções adicionais de controle de pragas e um pacote completo de resistência a herbicidas na soja”, declarou, em nota, Rudiger Scheitza, chefe de estratégia e gerenciamento de negócios da companhia alemã. Em troca, os alemães concederam à Monsanto licenças para avaliar tecnologias para o controle de pragas no milho e de resistência a herbicidas.

Vários desses acordos começam a render frutos. Na semana passada, Basf e Monsanto anunciaram que pretendem lançar até 2014, nos Estados Unidos, a primeira variedade geneticamente modificada de milho com tolerância à seca. O produto é fruto de um acordo nas áreas de pesquisa e desenvolvimento firmado em 2007 com o objetivo de desenvolver tecnologias nas áreas de tolerância à estiagem com investimentos conjuntos da ordem de US$ 2,5 bilhões.

A Basf também pretende colocar no mercado brasileiro, até 2014, a soja “Cultivance“, um transgênico resistente a herbicida desenvolvido em parceria com a Embrapa – empresa com quem mantém ainda acordos de cooperação nas áreas de defensivos biológicos e absorção de nutrientes. Finalmente, Syngenta e Bayer anunciaram em março que deram início ao processo de registro de uma nova soja geneticamente modificada para resistir a três diferentes herbicidas, fruto de uma parceria firmada em 2011.

Para o presidente da Embrapa, Maurício Lopes, as parcerias também são uma forma de atrair recursos privados e driblar o orçamento apertado para pesquisa. Segundo ele, dos 980 projetos atualmente em desenvolvimento pela empresa, 350 são financiados com dinheiro de fora do setor público. “Somos provavelmente a única empresa pública do mundo a ter desenvolvido e registrado um transgênico comercial, e que é fruto de uma acordo de inovação aberta”, afirma, referindo-se à parceria com a Basf.

Lopes também aposta na integração com a universidade. “Trata-se de um movimento inevitável. Nos programas mais sofisticados de pesquisa, centrados em mercados competitivos, o custo inicial de desenvolvimento é gigantesco. Para reduzir o custo, é preciso acessar o conhecimento fundamental, que é o mais caro e está na academia”. Em dezembro, a Embrapa firmou um acordo com a Unicamp para a criação de uma unidade de pesquisa mista com foco no desenvolvimento de genes destinados a melhorar a adaptação das plantas a condições climáticas desfavoráveis.

 

México forma parte de Mesoamérica región Centro de Origen del Maíz

1, junho, 2013 Sem comentários

maiz-cenami

 

  • Los Pueblos Mesoamericanos son pueblos de maíz, proceso civilizatorio vigente y amenazado.
  • Los cultivos transgénicos forman parte de esta amenaza.
  • Dentro de la imposición sistemática e histórica de una civilización occidental hegemónica con sus sentidos dados a la tecnología y su desarrollo urbano industrial.
  • La Tecnología al servicio de monopolio, despojo, obsolescencia, dependencia económica y uniformidad.

Por CENAMI – Centro Nacional de Ayuda a las Misiones Indígena, México

Monsanto perde processo criminal contra movimentos sociais

29, maio, 2013 Sem comentários

Terra de Direitos, 27/05/2013

A transnacional entrou com processo criminal contra integrantes de organizações e movimentos sociais em 2005. A decisão do TJ demonstra o reconhecimento da legitimidade dos sujeitos coletivos de direitos em meio ao processo de democratização da sociedade brasileira.

A transnacional Monsanto está em mais de 80 países, com domínio de aproximadamente 80% do mercado mundial de sementes transgênicas e de agrotóxicos. Em diferentes continentes, a empresa acumula acusações por violações de direitos, por omissão de informações sobre o processo de produção de venenos, cobrança indevida de royalties, e imposição de um modelo de agricultura baseada na monocultura, na degradação ambiental e na utilização de agrotóxicos.

No Brasil, a invasão das sementes geneticamente modificadas teve início há uma década, com muita resistência de movimentos sociais, pesquisadores e organizações da sociedade civil. No Paraná, a empresa Monsanto usou a via da criminalização de militantes como forma de responder aos que se opunham aos transgênicos.

Na última quinta-feira (23), desembargadores do Tribunal de Justiça (TJ) absolveram por unanimidade cinco militantes acusados injustamente pela Monsanto de serem mentores e autores de supostos crimes ocorridos em 2003. A transnacional entrou como assistente de acusação na ação criminal em resposta à manifestação de 600 participantes da 2ª Jornada de Agroecologia, na estação experimental da empresa, em Ponta Grossa, para denunciar e protestar contra a entrada das sementes transgênicas no estado e as pesquisas ilegais e outros crimes ambientais praticados pela empresa.

Foram acusados Célio Leandro Rodrigues e Roberto Baggio, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra – MST, José Maria Tardin, à época integrante da AS-PTA – Assessoria e Serviços em Agricultura Alternativa, Darci Frigo, da Terra de Direitos, e Joaquim Eduardo Madruga (Joka), fotógrafo ligado aos movimentos sociais. Em claro sinal de criminalização, a transnacional atribuiu à manifestação, feita por mais de 600 pessoas, como responsabilidade de apenas cinco pessoas, usando como argumento a relação genérica dos acusados com os movimentos sociais.

Em sentido contrário, a decisão do TJ demonstra o reconhecimento da legitimidade dos sujeitos coletivos de direitos na sociedade brasileira. Segundo José Maria Tardin, coordenador da Escola Latina Americana de Agroecologia e da Jornada de Agroecologia do Paraná, o ato na sede da Monsanto em 2003 e posterior ocupação permanente da área chamaram a atenção em âmbito nacional e internacional para a ilegalidade das pesquisas com transgênicos.

Nos anos seguintes às denúncias, a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) e equipe técnica ligada ao governo do estado realizaram vistorias detalhadas nos procedimentos da transnacional. Foram confirmadas ilegalidades que violavam a legislação de biossegurança vigente.

A área ficou ocupada por trabalhadores sem terra durante aproximadamente um ano. Neste período, os camponeses organizaram o Centro Chico Mendes de Agroecologia e cultivaram sementes crioulas. Para Tardin, a agroecologia é o “caminho da reconstrução ecológica da agricultura, combatendo politicamente o modelo do agronegócio e do latifúndio”.

Manifestação global pró-rotulagem

29, maio, 2013 Sem comentários

rotulagem

Por AP de Los Angeles | Via Valor Econômico, 28/05/2013

Milhares de pessoas foram às ruas no sábado em 436 cidades de 52 países para pressionar pela rotulagem de alimentos processados contendo ingredientes transgênicos. As demonstrações tiveram como alvo a multinacional americana Monsanto, uma das líderes mundiais no desenvolvimento de sementes modificadas geneticamente de modo a tornar as plantas mais resistentes a herbicidas, insetos e outras pragas, além de tolerantes a estresse hídrico e calor [estas últimas estão apenas na promessa, e as primeiras geram plantas e pragas resistentes].

Sob o slogan “É meu direito saber”, os manifestantes da “Marcha contra a Monsanto” demandaram a identificação da transgenia nas embalagens, apesar de muitos governos federais e cientistas afirmarem que a tecnologia é segura.

O debate tem ganhado fôlego sobretudo nos Estados Unidos, país com a maior adoção da biotecnologia nas lavouras de milho, soja e algodão. Atualmente, o FDA, órgão do governo americano que regulamenta medicamentos e alimentos, não exige a rotulagem.

A principal argumentação para a identificação é que as sementes modificadas estão sendo carregadas pelo vento e contaminando lavouras convencionais e orgânicas. Na semana passada, o Senado americano rejeitou por maioria uma emenda que requeria a rotulagem. A Organização das Indústrias de Biotecnologia, lobby de Monsanto, DuPont Pioneer, Syngenta e outras, afirma que a identificação obrigatória confundiria os consumidores, levando-os a pensar que o produto não é seguro.

Iniciativas estaduais, no entanto, apontam para o caminho inverso. Em Vermont e Connecticut, os legisladores decidiram que cabe às empresas alimentícias fazer a distinção nas embalagens. Paralelamente, a Whole Foods, gigante varejista de alimentos orgânicos e naturais nos Estados Unidos, afirmou que todos os produtos vendidos nos seus supermercados do país passarão a adotar o mesmo procedimento a partir de 2018.

No Brasil, a rotulagem é obrigatória desde 2003, com a publicação do decreto nº 4680, que obrigou empresas da área da alimentação a identificarem – com um “T” preto sobre um triangulo amarelo – o alimento com mais de 1% de matéria-prima transgênica.

Sediada em St. Louis, a Monsanto afirma que respeita o direito de expressão pública, mas mantém que suas sementes ajudam os agricultores a elevar a produtividade no campo (produzir mais alimentos) na mesma área plantada, o que permite conservar recursos naturais como água e energia. Mas críticos à tecnologia argumentam que as alterações genéticas podem levar a problemas de saúde e ao meio ambiente. Não há ainda, porém, uma série histórica longa o suficiente para permitir conclusões definitivas sobre o assunto.

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