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Arquivo da Categoria ‘transgênicos’

Livro reúne mais de 750 estudos que apontam riscos e incertezas dos transgênicos

21, março, 2017 Sem comentários

Rede Brasil Atual, 21/03/2017

por Cida de Oliveira

Desprezadas por autoridades de saúde e meio ambiente de vários países, essas pesquisas científicas desmascaram o mais poderoso e perverso ramo do agronegócio e a mitologia que sustenta sua propaganda

São Paulo – Cada vez mais comum em todo o mundo, a doença celíaca é causada por inflamações intestinais que levam a deficiências nutricionais, alterações no sistema reprodutivo, inclusive infertilidade, e aumentam as chances de desenvolvimento de doenças na tireóide, insuficiência renal e câncer. Estudo publicado em 2013 pelo pesquisador independente Anthony Samsel e Stephanie Seneff, do Laboratório de Inteligência Artificial do Instituto de Tecnologia de Massachusets (MIT), ambos dos Estados Unidos, sugere que o glifosato, ingrediente ativo do herbicida Roundup, da Monsanto, é a causa mais importante nessa epidemia. Os pesquisadores perceberam que as inflamações que levam à doença celíaca são muito semelhantes àquelas encontradas por outros estudos, que constataram alterações em bactérias intestinais de peixes expostos a esse herbicida.

O glifosato, agrotóxico mais usado em todo o mundo, é famoso também por inibir a ação de algumas enzimas digestivas, levando à deficiência em ferro, cobalto, molibdênio, cobre e outros metais raros, associada a distúrbios como infertilidade, abortos e malformações congênitas, comuns à doença celíaca.

Segundo pesquisadores, a presença de resíduos do herbicida no trigo e em outras culturas aumentaram provavelmente devido ao uso de produtos, entre eles o próprio glifosato, para uniformizar a maturação das plantas e facilitar a colheita. Nesse processo tecnicamente chamado de dessecação, as plantas absorvem muito mais venenos. Esse amadurecimento artificial é comum em muitas culturas, e pode ter ligação, por exemplo, com o aumento de insuficiência renal entre os trabalhadores da cana de açúcar da América Central.

O trabalho dos norte-americanos Samsel e Seneff é um dos mais de 750 estudos científicos internacionais reunidos no livro Lavouras Transgênicas – Riscos e Incertezas. Fruto da pesquisa de Gilles Ferment, Leonardo Melgarejo, Gabriel Bianconi Fernandes e José Maria Ferraz, está disponível para download gratuito desde 2015. A obra foi patrocinada pelo Núcleo de Estudos Agrários e Desenvolvimento Agrário do extinto Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA).

Embora os links sejam direcionados para bases de referência estrangeiras, com artigos escritos em inglês, as apresentações dos tópicos sobre impactos ambientais e à saúde, especialmente, são escritos em português. Com texto acessível e claro, é uma alternativa para pessoas que queiram exercer seu direito à informação. Especialmente em relação a um outro direito humano: o da alimentação adequada e segura.

Ao longo de seis meses, com ajuda de colaboradores em universidades, centros de pesquisa e organizações, esses especialistas em agroecologia – tema que atrai cada vez mais o interesse de pesquisas científicas – e em agricultura convencional, transgênicos, agrotóxicos e toda sua relação com saúde e meio ambiente catalogaram toda a pesquisa internacional. E constataram o tamanho do descaso das autoridades reguladoras do setor.

Sistematizaram estudos sobre os riscos à saúde e ao meio ambiente, chegando ao ponto de questionar impactos na interação entre as plantas transgênicas e convencionais, com outros organismos, a sobrevivência de transgenes à digestão e inúmeros outros processos químicos e biológicos. Não é à toa que esses estudos sejam desprezados por autoridades reguladoras: em geral, seus autores, com o rigor científico, desmentem o discurso hegemônico de que os transgênicos não apresentam perigos.

No final de fevereiro, foi lançada a edição em inglês. A exemplo da versão original, Transgenic Crops foi bem recebida por entidades nacionais e estrangeiras porque traduz os argumentos para o bom debate para o idioma dominante nos meios acadêmicos e científicos, além de poder subsidiar organizações em vários países. E a exemplo da primeira edição, esta também foi execrada pelo agronegócio e setores por eles controlados.

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Com edições em português e em inglês, Lavouras Transgênicas está disponível para download gratuito

Soja “Maradona”

A chegada de Transgenic Crops marca os 20 anos das primeiras sementes de soja contrabandeadas da Argentina, a famosa soja “Maradona”. Tidas como mais baratas e mais produtivas que as convencionais comercializadas no Brasil, seduziram agricultores do Rio Grande do Sul.

De lá para cá, o país foi se tornando terreno cada vez mais fértil para a lucratividade das transnacionais. E com as bênçãos da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNbio), tem aprovado todos os pedidos para pesquisa e comercialização de novas plantas geneticamente modificadas, além de estudos com animais e vacinas, com uma facilidade jamais vista em outros países.

O resultado é que o Brasil  tem aumentado sua área cultivada com transgênicos. Em 2015, eram 44,2 milhões de hectares, 5% maior que a do ano anterior, conforme o Serviço Internacional para a Aquisição de Aplicações em Agrobiotecnologia (ISAAA). De toda soja produzida no país, 94% é transgênica. No caso do milho, esse percentual é de 84%, e 66% nas culturas de algodão.

“A liberação dos transgênicos ameaça o direitos do agricultores de seguirem plantando as sementes de sua preferência, ameaçando também a base genética da qual depende o próprio futuro da nossa alimentação. Uma plantação contaminada não pode produzir sementes para plantio no ano seguinte pois assim espalhará a contaminação. O agricultor deve recorrer a colegas, feiras de sementes ou pesquisadores que tenham aquela semente para poder voltar a plantá-la. No caso das plantações certificadas como orgânicas o agricultor ainda enfrentará um prejuízo econômico por não poder vender sua plantação como orgânica”, alerta o agrônomo Gabriel Fernandes, da equipe executiva da AS PTA Agricultura Familiar e Agroecologia, do Rio de Janeiro.

Em duas décadas, os transgênicos “inovaram” ao introduzir plantas resistentes a herbicidas, que exigem mais e mais agrotóxicos, e plantas que produzem seu próprio inseticida. É a soja, exportada principalmente para a produção de ração animal; o milho, que vai ser usado em alimentação infantil e até na produção de cerveja; o algodão, usado para a fabricação e óleos e outros subprodutos. Eventuais ganhos de produtividade resultam mais da planta em si do que da modificação genética que sofreu.

De lá para cá, o que se assiste é a crescente pressão do agronegócio, que conquista espaço no parlamento, no governo e nas agências que deveriam regular o setor, e não serem controladas por ele. O interesse da indústria e de ruralistas é defendido, entre outras coisas, com o falso consenso da falta de estudos que comprovem os seus prejuízos à saúde e ao meio ambiente – daí a importância de Lavouras Transgênicas.

“Há muitos cientistas, inclusive dentro da CTNBio, que fazem vista grossa para publicações científicas que sustentam a dúvida e, ao mesmo tempo, enaltecem os argumentos de propagandas veiculadas em campanhas de marketing, que reafirmam bobagens com a ilusão de que as lavouras transgênicas teriam provocado redução no uso de agrotóxicos, quando este quadruplicou. O avanço dos transgênicos ampliou e amplia mais, ano a ano, o uso no Brasil de venenos cada vez mais tóxicos, com impactos sobre a saúde e o ambiente”, afirma o coordenador do Grupo de Trabalho de Agrotóxicos e Transgênicos da Associação Brasileira de Agroecologia (ABA), Leonardo Melgarejo, e ex-membro da CTNBio.

 Parcerias

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Ferraz, Gilles, Melgarejo e Gabriel (sentido horário): seis meses de pesquisa em bancos de dados estrangeiros

As instituições que produzem pesquisa para embasar os pareceres favoráveis à indústria das sementes e dos venenos são universidades, empresas de pesquisa públicas. São as mesmas que produzem o conhecimento que contesta esses dados. Como há diminuição do financiamento público para pesquisas, as empresas de organismos geneticamente modificados e agrotóxicos seduzem pesquisadores com verbas. E tem crescido o número de empresas privadas constituídas por pesquisadores egressos de universidades e empresas de pesquisa pública, com a finalidade específica de elaborar experimentos que dão pareceres favoráveis às empresas.

“Pesquisas feitas com verbas de empresas em parceria com órgãos públicos geralmente têm contratos com cláusulas que proíbem a divulgação dos dados obtidos sem a autorização da contratante. Ou seja, só serão divulgados dados se os resultados forem favoráveis. Se forem desfavoráveis,  não serão publicados. Assim, temos empresas públicas e universidades públicas trabalhando para o interesse das empresas privadas. Uma parceria interessante para as multinacionais, que apenas pagam os salários dos pesquisadores e professores”, afirma o pesquisador aposentado da Embrapa José Maria Ferraz, pesquisador convidado do Laboratório de Engenharia Ecológica da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp0 e ex-membro da CTNBio.

Para os autores de Lavouras Transgênicas, o avanço dessas culturas e a perspectiva do uso de agrotóxicos cada vez mais potentes para romper a resistência de algumas plantas – uma reação da natureza – apontam para tempos ainda mais sombrios. No entanto, essa perspectiva sustentada por uma conjuntura favorável apenas para os que lucram com o envenenamento do meio ambiente e com a doença das pessoas, não é inexorável.

A transição de volta à agricultura livre de transgênicos é perfeitamente possível. Basta consciência e mobilização social para exigir o abandono dessas sementes, e apoio técnico e financeiro para o agricultor passar a adotar sistemas de rotação de culturas, consórcios, plantios intercalados ou cultivos de cobertura e adubos verdes. Com isso é possível recuperar a vida do solo e dar os primeiros passos rumos a uma agricultura sustentável para todos.

Os alimentos do mundo têm dono, na GloboNews

13, março, 2017 Sem comentários

 

Assista aqui: https://youtu.be/So01xsMjdtw

 

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CIDADES E SOLUÇÕES

Os alimentos do mundo têm dono

Você sabia que um grupo muito pequeno de empresas controla os alimentos do mundo, produzindo a maior parte das sementes, os fertilizantes e até os agrotóxicos para combater as pragas?! Essas gigantes do mercado definem o que você encontra com mais facilidade no supermercado ou no hortifruti. Nos últimos anos, fusões e incorporações, como o anúncio da compra da Monsanto pela Bayer, tornaram esse mercado ainda mais restrito. No Cidades e Soluções dessa semana, você vai ver como isso pode afetar a sua vida e o alimento que vai para sua mesa.

Segunda-feira, 21h30, na GloboNews

 

Transgenic crops hazards and uncertainties: more than 750 studies disregarded by the GMOs regulatory bodies

10, março, 2017 Sem comentários

This new book edited by the former brazilian Ministry of Agrarian Development (currently Special Secretariat for Family Farming and Agrarian Development) compiles the omitted science in the approval of GM seeds

“Transgenic Crops: hazards and uncertainties” has a different format from the conventional ones that propose to present a bibliographic review of scientific publications related to a certain subject. It innovates by placing questions about aspects of the scientific debate on the genetic modification of living organisms for, subsequently, presenting a list of references opposed to the versions adopted by regulatory agencies such as the National Technical Biosafety Commission (CTNBio) and disclosed in marketing campaigns sponsored by the GM industry.

download: http://bit.ly/750studies

 

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Soja convencional é alternativa em áreas com plantas daninhas resistentes ao glifosato

21, fevereiro, 2017 Sem comentários

Antes era aplicar o glifosato para economizar outros produtos, agora é aplicar outros produtos para economizar no glifosato…

 
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Buva viceja em meio a campo de soja transgênica em Alto Paraná, Paraguai. Resistência de plantas espontâneas a herbicidas aumenta o uso de químicos e enseja novos pacotes pela empresas, como  o2,4-D, da Dow, e o Dicamba, da Monsanto. Foto: AS-PTA

 

 

 

 

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Embrapa, 20/02/2017

Soja convencional é alternativa em áreas com plantas daninhas resistentes ao glifosato

A praticidade do uso de glifosato no manejo de plantas daninhas em soja RR é um dos motivos que fazem com que produtores optem por cultivares transgênicas. Porém, com o aumento da incidência de ervas tolerantes e resistentes a esse herbicida, o cultivo de soja convencional passa a ser uma boa alternativa.

Para o pesquisador da Embrapa Sidnei Cavalieri, como muitas vezes o produtor já precisa utilizar outros mecanismos de ação na soja RR, o manejo e o custo operacional acabam não sendo muito diferentes daqueles empregados em lavouras convencionais.

“Optando pela soja convencional, o produtor vai utilizar herbicidas tradicionalmente usados, sem o glifosato. Ele vai economizar essa aplicação do glifosato. Então, entrando com uma soja convencional, seguida da aplicação de um pré-emergente ou de pós-emergentes com outros mecanismos de ação, realiza o controle da mesma forma, possibilitando ter maior ganho financeiro, comparado à soja transgênica, por conta do prêmio”, afirma o pesquisador se referindo ao maior valor pago pela soja convencional. Atualmente, o bônus chega a R$ 10 por saca em algumas trades.

Conhecimento da área

Para cultivar soja convencional, uma das exigências é que o produtor conheça muito bem sua área, quais as espécies de plantas daninhas mais comuns e qual o grau de infestação delas. A partir daí é que poderá definir a forma de manejo dessas invasoras e quais herbicidas utilizar.

O pesquisador ressalta ainda a importância de sempre se trabalhar com herbicidas pré-emergentes, garantindo maior segurança no controle das plantas daninhas.

“No caso de soja convencional, gosto de recomendar a aplicação de herbicida pré-emergente para possibilitar que a cultura se desenvolva no limpo desde o início. Até porque temos uma limitação quanto ao estádio de controle com pós-emergente. Se, por ventura, começar a chover muito na época em que a soja está se desenvolvendo e passar o ponto indicado para o controle, muito possivelmente o produtor terá dificuldade de controle usando somente pós-emergentes. Dai então a aplicação fundamental dos pré-emergentes, com os pós-emergentes entrando para complementar o controle”, orienta o pesquisador Sidnei Cavalieri.

Soja livre

Estas e outras orientações o pesquisador Sidnei Cavalieri passou aos produtores e técnicos que participaram do Dia de Campo do Programa Soja Livre realizado na Embrapa Agrossilvipastoril, em Sinop (MT), nessa segunda-feira, dia 20.

O evento apresentou oito cultivares de soja convencionais desenvolvidas pela Embrapa, Agronorte e TMG e que são recomendadas para o cultivo em Mato Grosso. Entre os materiais há diferentes características de ciclos produtivos e de resistência a nematoides. Todos, contudo, com alto potencial produtivo.

O dia de campo ainda abordou o grande mercado da soja convencional, atendendo, sobretudo, aos países Europeus e, em demanda crescente, a China e a Rússia.

O Programa Soja Livre é coordenado pela Aprosoja e Embrapa, juntamente com uma rede de parceiros e busca garantir a oferta de sementes de soja convencional no mercado, mantendo o direito de escolha do produtor.

Além do evento em Sinop, outros dez eventos estão sendo realizados em todas as regiões de Mato Grosso nesta safra. A programação de dias de campo segue esta semana com eventos em Sorriso, no dia 21, em Tangará da Serra, dia 22, e em Deciolândia no dia 24.

Conheça as cultivares de soja convencionais da Embrapa e saiba mais sobre o Programa Soja Livre

Gabriel Faria (mtb 15.624 MG JP)

Embrapa Agrossilvipastoril

agrossilvipastoril.imprensa@embrapa.br

Telefone: 66 3211-4227

– Mais informações sobre o tema

Serviço de Atendimento ao Cidadão (SAC)

www.embrapa.br/fale-conosco/sac/

 

 

 

 

 

 

 

 

Estudo aponta conflitos de interesse em pesquisas sobre cultivos OGM

19, dezembro, 2016 Sem comentários

casa branca e cientistas

Mais de metade dos estudos financiados pelas empresas de biotecnologia apresentou resultados favoráveis às plantas Bt.

via UOL, 16/12/2016

Washington, 16 dez 2016 (AFP) – Pelo menos 40% dos artigos publicados sobre estudos com cultivos de organismos geneticamente modificados (OGM) mostraram conflitos de interesse financeiros, afirmaram pesquisadores franceses.

As conclusões, publicadas na edição de 15 de dezembro da revista US Journal PLOS ONE, se baseiam em centenas de artigos de pesquisas difundidas em publicações científicas.

“Encontramos que foram comuns os vínculos entre os pesquisadores e a indústria do cultivo OGM, com 40% dos artigos considerados em conflitos de interesse”, destacou o estudo.

Os pesquisadores franceses encontraram que os estudos que têm conflitos de interesse foram mais favoráveis às empresas do setor de cultivos geneticamente modificados que os estudos que não receberam financiamento que pudesse interferir.

O estudo se concentrou em artigos sobre a eficácia e a durabilidade dos cultivos que são modificados para ser resistentes a pragas com uma toxina chamada Bacillus thuringiensis.

Thomas Guillemaud, diretor do estudo do Instituto de Pesquisas Agronômicas da França (INRA), disse à AFP que a equipe revisou originalmente 672 estudos antes de reduzi-los a um lote de 579 que mostrou claramente se havia ou não um conflito de interesse com o financiamento.

“Deste total, 404 foram estudos americanos e 83, chineses”, disse.

Para determinar se houve conflito, os pesquisadores examinaram a forma como os estudos foram financiados.

Os conflitos de interesse se determinaram nas pesquisas nas quais um dos autores declarou ter filiação com uma empresa de biotecnologia ou de sementes ou nos que receberam recursos para a sua realização.

“O ponto mais importante foi como nós também mostramos que existe um vínculo estatístico entre a presença dos conflitos de interesse e um estudo que chegará a uma conclusão favorável para o cultivo OGM”, disse Guillemaud.

“Quando os estudos apresentaram conflito de interesse, isto aumentou em 49% a probabilidade de que suas conclusões fossem favoráveis a colheitas de OGM”.

Entre os 350 artigos que não apresentaram conflito de interesse, 36% foram favoráveis a empresas do setor de cultivos OGM.

Enquanto isso, de 229 pesquisas com conflito de interesse, 54% se mostraram favoráveis a este tipo de companhias.

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OAB/RJ discute danos dos agrotóxicos e retrocessos na legislação ambiental

19, dezembro, 2016 Sem comentários

 

AS-PTA, 18/12/2016

A Comissão de Bioética e Biodireito da OAB/RJ promoveu, no dia 9 de dezembro, um debate sobre os danos dos agrotóxicos ao meio ambiente e à saúde humana, durante o qual também foi discutida a questão dos transgênicos e os retrocessos na legislação ambiental.

Com o tema “Agrotóxicos – uso, exposição e legislação: avanço ou retrocesso?”, o evento reuniu especialistas em direito e meio ambiente, que destacaram a importância da população ter mais informações sobre as consequências do uso de pesticidas. “É importante a sociedade saber o que está acontecendo em relação a essa questão. Precisamos ampliar o debate e a mobilização, e tomar medidas concretas para reverter o quadro atual”, afirmou Mariana Picanço, secretária-geral da Comissão de Bioética da OAB/RJ.

A defensora pública Elida Seguin concordou: “Estamos jogando para debaixo do tapete a discussão sobre os efeitos do uso de agrotóxicos. E quando não conhecemos algo, somos presas fáceis de manipulação. É através da informação que capacitamos as pessoas a debater essas questões”.

Para ela, não existe a menor dúvida que os agrotóxicos afetam a saúde das pessoas, direta ou indiretamente, e que seus efeitos nocivos passam, inclusive para os descendentes, com a malformação de fetos. “Paramos de falar em justiça ambiental!”, lamentou. Também destacou que os trabalhadores são os mais afetados pela falta de uma Política Nacional de Saúde Ambiental: “Não há interesse em jogar luz sobre doenças profissionais resultantes de problemas ambientais”, afirmou Elida.

Durante o debate, Virgínia Guimarães, professora da PUC-RJ de Direito Ambiental, criticou a PL 3.200/2015, que pretende mudar a atual legislação sobre os agrotóxicos. “A atual lei, promulgada em 1989, um ano após a Constituinte, foi uma conquista dos movimentos sociais”, lembrou. E destacou que ela estabelece, entre outras medidas, o registro prévio de todos os agrotóxicos; a proibição das empresas de substituírem no mercado um pesticida por outro, que seja mais maléfico; a garantia dos direitos difusos; o descarte adequado das embalagens; e regras para a publicidade desses produtos.

Segundo explicou, nesse PL estaria incluída a criação de uma Comissão Nacional de Fitossanitários, nos moldes da CTNBio, que teria a competência exclusiva de opinar sobre a liberação de agrotóxicos: “Um órgão assim teria os mesmos problemas que já vemos na CTNBio: falta de transparência e de independência”, afirmou Virgínia.

A professora da PUC também criticou que, nesse projeto de lei, esteja previsto o conceito de “risco aceitável”: “Isso é uma novidade, já que essa ideia não existe na atual legislação sobre agrotóxicos. E aí surgem duas questões: o que é ´risco aceitável´? E quem vai defini-lo?”, questionou. E acrescentou: “Se esse PL for aprovado, a primeira mudança será a substituição do termo ´agrotóxico´ por ´defensivo fitossanitário´. Essa mudança teria várias consequências práticas. Vou citar apenas duas: afetaria a forma como a comunicação seria feita ao consumidor e tiraria vários produtos da lista de agrotóxicos regulados hoje em lei”, destacou.

Fernanda Bianco, presidente da Comissão de Bioética e Biodireito da OAB/RJ (CBB), também criticou a PL 3.200 e assinalou que “a expressão ´fitossanitário´ dá a conotação de que é saudável, para o meio ambiente e o homem”. Lamentou ainda que a Adin (Ação Direta de Inconstitucionalidade) que questionou no Supremo Tribunal Federal a criação da Lei de Biossegurança esteja aguardando há mais de dez anos a designação de um relator para ser analisada.

Na sua opinião, “não podemos esquecer que o país é recordista no uso de agrotóxicos. E não é só o trabalhador rural que sofre os impactos do seu uso. Os efeitos são sentidos, em alguma medida, por toda a população. Infelizmente, temos lidado com a lógica do ´fato consumado´. Mas não podemos pensar que este é um problema sem solução”, afirmou a presidente da CBB.

A questão dos transgênicos

O agrônomo da AS-PTA Gabriel Fernandes durante o debate destacou que, em relação aos transgênicos, há muitas controvérsias, incertezas, ocultamento de informações, medidas insuficientes de controle e de acompanhamento, além de avaliações científicas contraditórias. “Vários estudos mostram que os resultados da modificação genética são diferentes dos esperados. A hipótese do determinismo genético é polêmica. É muito difícil controlar e prever como o metabolismo das plantas modificadas vai funcionar. Por exemplo, no caso do feijão transgênico, apenas dois tipos, dos 22 desenvolvidos ´funcionaram´. No entanto, essas duas espécies, após serem aprovadas pela CTNBio, foram posteriormente deixadas de lado pela Embrapa”.

Gabriel assinalou que, segundo a Agência Internacional de Pesquisa do Câncer, órgão ligado à Organização Mundial da Saúde (OMS), o “Roundup é potencialmente cancerígeno. E, apesar disso, é o mais usado no Brasil”, acrescentando que as regiões onde há avanço da monocultura baseada no uso de sementes transgênicas é “onde mais se usam agrotóxicos”.

Também chamou atenção para a iniciativa de revisão do papel regulatório da Anvisa e para a proposta que está na Câmara dos Deputados no sentido de converter em PL uma Política Nacional de Redução de Agrotóxicos, apresentada aos congressistas por iniciativa da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida.

O agrônomo contestou a ideia de que os produtos orgânicos são, necessariamente, mais caros: “O preço tem a ver com sistemas de transporte e de logística, entre outros fatores, e não com o fato de serem orgânicos”. Mas reconheceu o desafio de tornar esses alimentos mais acessíveis à população, sobretudo nas grandes cidades. Para isso, na sua opinião, entre outras medidas, é preciso mudar nossos hábitos cotidianos. “Temos que repensar a lógica da praticidade, que nos faz querer comprar todos os alimentos no mesmo lugar e ao mesmo tempo, ou seja, tudo em um grande mercado, que muitas vezes não oferece produtos orgânicos”.

Retrocessos na legislação ambiental

Para Virginia Guimarães, o PL 3.200, sobre os agrotóxicos, se insere em um conjunto de iniciativas que pretendem desmanchar a legislação de proteção ambiental, que vem da década de 1930. “O discurso, nos últimos anos, é de ´aperfeiçoamento´ da legislação. Falam em ´flexibilização´ e ´regulamentação para diminuir a burocracia´. Na verdade, o que vemos é uma ofensiva contra os direitos sociais e os direitos difusos. São tantas iniciativas com esse objetivo que a sociedade mal consegue acompanhar”, lamentou.

Destacou que os setores mais conservadores “estão a cada dia mais fortes no Congresso e pautando a agenda ambiental do país. Não é ´teoria conspiratória´. Eles são muito organizados. E não participam só das comissões que tratam de temas diretamente ligados à questão ambiental, como a de Meio Ambiente ou Saúde. Também estão em outras comissões, como a de Educação. O fato é que setores da economia entendem que o direito de propriedade é absoluto”.

Virginia Guimarães também lembrou que a primeira grande vitória dos que defendem esses retrocessos na legislação ambiental foi a aprovação da Lei de Biossegurança, em 2005, “que tem servido para liberar o uso e comercialização de transgênicos”. E acrescentou que, “sete anos depois, a bancada ruralista ruralista teve uma nova vitória, com a aprovação do Código Florestal, apesar da rejeição da área acadêmica e científica e da própria população, como mostraram pesquisas de opinião na época”, afirmou.

Por último, criticou a PEC 65/2012, que “pode detonar o licenciamento ambiental no Brasil. É um retrocesso enorme. E não se trata de ´apego a leis antigas´. A questão é que esse PL coloca em risco direitos sociais e difusos arduamente conquistados”, destacou a professora da PUC.

 

– por Cláudia Guimarães

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OAB-RJ convida: Agrotóxicos – uso exposição e legislação

2, dezembro, 2016 Sem comentários

agrotoxicos-oab-rj-09dez2016

 

MPF debate transgênicos

25, novembro, 2016 Sem comentários

mpf2016

Glifosato é disparado o agrotóxico mais vendido no Brasil

19, outubro, 2016 Sem comentários

Glifosato, ingrediente do Roundup, é o veneno usado nas sementes transgênicas e de longe o agrotóxico mais comercializado no Brasil. É pra isso que servem as sementes produzidas por Monsanto, Syngenta, Bayer, Basf, Dow e Dupont.

Os dados são do Relatório Nacional de Vigilância em Saúde de Populações Expostas a Agrotóxicos, divulgado pelo Ministério da Saúdeagrotoxicos-mais-comercializados

Governo aprova importação de milho transgênico

17, outubro, 2016 Sem comentários

Golpe da CTNBio passa por cima de pareceres técnicos e autoriza a importação de 1 milhão de toneladas de milho transgênico dos EUA com variedades que não foram aprovadas no Brasil.

A manobra mesma manobra já havia sido tentada também em 2000, 2003 e 2005:

http://aspta.org.br/campanha/boletim-44-15-de-dezembro-de-2000/

2003

http://aspta.org.br/campanha/boletim-156-25-de-abril-de-2003/

http://aspta.org.br/campanha/boletim-157-30-de-abril-de-2003/

http://aspta.org.br/campanha/boletim-158-07-de-maio-de-2003/

2005

http://aspta.org.br/campanha/boletim-253-13-de-maio-de-2005/

http://aspta.org.br/campanha/boletim-267-26-de-agosto-de-2005/

http://aspta.org.br/campanha/boletim-277-04-de-novembro-de-2005/

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Liberação de consumo pode gerar plantio irregular de grão ainda não testado no país

Rute Pina

Brasil de Fato | São Paulo (SP), 11 de Outubro de 2016 às 20:46

Na última quinta-feira (6), a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), instância colegiada multidisciplinar integrante Ministério de Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) aprovou a importação de três variedades de milho transgênico cultivados nos Estados Unidos (EUA) para o Brasil.

Duas variedades de milho transgênico autorizadas foram desenvolvidas pela multinacional norte-americana Monsanto, com a promessa de que as sementes seriam tolerantes à seca. O outro grão foi criado pela Syngenta, transnacional do ramo de sementes e produtos químicos com sede na Suíça, e será destinado à produção de biocombustível.

Os grãos receberam o aval para a produção de ração, com a recomendação de que sejam exclusivamente destinado ao consumo e que não sejam plantados no país, onde ainda passaram pelos testes previstos pela Lei de Biossegurança.

Risco

A justificativa do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) é de que a aprovação das variedades transgênicas visa garantir o abastecimento do mercado brasileiro depois da quebra de safra no Brasil por problemas climáticos, que encareceu o produto e os custos de produção. “A medida vai beneficiar indústrias e produtores que usam o milho na ração animal”, disse o secretário de Relações Internacionais do Agronegócio Odilson Ribeiro e Silva em nota à imprensa.

Neste ano, a colheita do milho foi reduzida em vários estados, e a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) previu uma safra 19,1% menor no país em relação ao ano anterior, com 68,47 milhões de toneladas.

Entretanto, essa autorização está desalinhada com o princípio da precaução da CTNBio, conforme defende o engenheiro agrônomo Leonardo Melgarejo, professor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e ex-membro da comissão entre 2008 e 2014. Para ele, o órgão permitiu “uma liberação comercial disfarçada de autorização” a grãos que ainda não tiveram seus riscos de plantio mensurados no país.

Além de não terem sido criadas originalmente para a alimentação, Melgarejo afirma ser “fato consumado” que a disponibilidade do produto no Brasil vai gerar desvios com a finalidade do plantio. Um dos temores é que, ao fazer a comercialização de milho não testado no Brasil, algum agricultor queira plantar esse milho e, ao fazer isso, gerar substâncias que possam causar alergia, intoxicação e outros problemas para saúde.

“Essas plantas estarão submetidas a condições de clima e estresse diferentes daquelas em que foram estudadas nos EUA. Nessas pressões, podem surgir características indesejáveis e até mesmo perigosas”, afirma.

Segundo Melgarejo, as empresas “pulam caminhos” para a aprovação total das sementes transgênicas através de liberações parciais. “A legislação já tem suas fragilidades, como o fato de, em muitos casos, os produtos transgênicos serem aprovados sem cumprir os requisitos da própria CTNBio. Esse é um dos casos em que o produto vai ser comercializado no Brasil sem cumprir as normas da Lei de Biossegurança”, sentenciou.

Crise

Para João Dagoberto, representante da agricultura familiar na CTNBio, o governo federal transferiu a responsabilidade para a comissão sob a contingência de segurança nacional. “Foi armada uma estrutura que forçou a aprovação, O correto isso seria ser jogado para o CNB [Conselho Nacional de Biossegurança], que é composto por vários ministérios, para deliberar nas instâncias corretas”, disse.

Segundo ele, as atribuições da CTNBio se restringem a questões de biossegurança, não a aprovar a importação e o consumo do cereal em casos em que deveria restringi-los. Para Dagoberto, tais atribuições adicionais põem em risco a seriedade e a legitimidade da comissão.

Os pareceres técnicos dos relatores da CTNBio pediram vistas do processo e a reprovação da medida. Dagoberto aponta que as variedades foram aprovadas porque a comissão segue “um padrão de aprovação” e houve pressão do governo federal, que considerou a medida uma das alternativas para suprir o problema da falência das safras de milho.

Outro lado

A assessoria do MCTIC afirmou que desconhece a existência de plantio dessas variedades no Brasil até o momento, mas, para evitar a prática, “uma lista de medidas de biossegurança foi recomendada pelos membros da CTNBio, e o Mapa tem a competência de fiscalização”.

Sobre isso, Dagoberto afirma que há “garantia zero” de evitar o plantio irregular e afirma que, com certeza, haverá contaminação do meio-ambiente. “O Mapa hoje não tem condições de monitorar os carregamentos desde o dia em que ele chega ao porto até o [caminho que faz até] o consumidor”, disse o técnico.

A Monsanto, por sua vez, ressaltou que o milho deverá ser utilizado somente para alimentação e será importado pela indústria de ração, produção animal em forma de grão, e não em semente. Segundo a empresa, a tecnologia está aprovada em 15  países, entre eles os Estados Unidos, a Austrália, o Canadá, a Colômbia, o Japão, a China, a África do Sul, além da União Europeia.

A Syngenta foi procurada pelo Brasil de Fato e respondeu aos questionamentos até o fechamento da reportagem.

Edição: Camila Rodrigues da Silva

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I Simpósio em Biotecnologia Ambiental

4, outubro, 2016 Sem comentários

Período de realização: 04 a 06 de outubro de 2016

Local: Auditório Tércio Pacitti, Av. Pasteur, 458, Urca, UNIRIO-IBIO

Temas abordados:

  1. Panorama atual da biotecnologia
  2. Biorremediação e suas aplicações
  3. A biotecnologia da defesa de plantas e seu uso na agricultura
  4. Impactos dos agrotóxicos e pesticidas na agricultura nacional
  5. Biotecnologia na conservação de solos
  6. Biotecnologia na preservação da biodiversidade
  7. Os transgênicos no Brasil: prós e contras da técnica

06/10/2016

18:00h – Palestra 1 – Impactos dos agrotóxicos e pesticidas na agricultura nacional (Dra. Claudia Aiub – UNIRIO)

19:00h – Intervalo

19:20h –  Mesa Redonda – Os transgênicos no Brasil: os prós e contras da técnica (Dr. César Siqueira – UNIRIO e Ms. Gabriel Fernandes – AS-PTA/RJ)

20:20h – Encerramento

Audiência expõe efeitos dos agrotóxicos

24, setembro, 2016 Sem comentários

jornalahora.com.br

A Hora, 23/09/2016

ALERTA NACIONAL: fórum em Encantado mostra os perigos da aplicação de agrotóxicos.

Brasil é o recordista mundial no consumo de defensivos

Cerca de 250 pessoas participaram de audiência pública promovida ontem à tarde pelo Fórum Gaúcho de Combate aos Impactos dos Agrotóxicos. O evento, no auditório Itália da prefeitura, foi coordenado pelos Ministérios Públicos Federal, Estadual e do Trabalho ouviu relatos de agricultores e pesquisadores sobre os efeitos do uso de pesticidas.

A abertura ficou a cargo da doutora em Ciências Farmacêuticas pela USP e professora da UPF, Mara Regina Calliari Martin. Na palestra, a pesquisadora mostrou pessimismo ao mostrar que os índices de consumo e contaminação por agrotóxicos estão mais altos na comparação com anos anteriores. Mara criticou a bancada ruralista e as multinacionais que apoiam a mudança da palavra “agrotóxico” para “defensivos agrícolas” nas embalagens. “Na verdade, são venenos”.

Segundo ela, os agrotóxicos são xenobióticos, compostos químicos estranhos a um organismo ou sistema biológico. Lembra que desde 2008 o Brasil é o primeiro colocado no ranking do consumo desses produtos. As culturas com mais utilização de veneno são soja, milho, cana-de-açúcar e algodão.

Professora-adjunta da Uergs na área de ciências da vida e meio ambiente, Elaine Biondo apresentou dados de pesquisa realizada no Vale do Taquari. Conforme o estudo, 85% dos produtores confirmaram a utilização de químicos em suas culturas.

Elaine sugeriu a realização de novas pesquisa sobre o tema e destacou a produção de documentários sobre os malefícios da pulverização aérea das lavouras. Para ela, é preciso difundir o cultivo de alimentos sem veneno, inclusive no currículo dos ensinos Fundamental, Médio e Superior.

Em seguida, representantes de órgãos públicos, associações civis, estabelecimentos de saúde, conselhos, universidades e movimentos sociais organizados fizeram uso da palavra. Nos depoimentos, abordaram a proibição de pulverização aérea e o cumprimento do Código de Defesa do Consumidor nos rótulos das embalagens, com a indicação do uso de agrotóxicos na produção dos alimentos.

Também defenderam a produção do milho crioulo e a preservação do patrimônio genético das culturas e alertaram sobre a relação entre o uso de pesticidas e a diminuição na população mundial de abelhas.

Conforme Mara Regina Martin, Brasil lidera uso de agrotóxicos no mundo Crédito: Divulgação

Produção orgânica

Professor aposentado e produtor orgânico de Lajeado, Pedro Squarcieri defendeu mais estímulos para a modalidade. Ele também sugeriu a criação de mecanismos de punição para produtores que não respeitarem os limites para o uso do agrotóxico.

“A educação tem que se comprometer com o ambiente, a natureza”, afirmou. Squarcieri também defendeu uma maior divulgação das produções orgânicas e seus efeitos em benefício da saúde dos consumidores.

Coordenador da Comissão Pastoral da Terra (CPT), Maurício Queiroz questionou sobre a garantia de que os agricultores e povos que produzem alimentos com sementes crioulas não sejam contaminados pelo milho transgênico.

“O milho é de polinização aberta e se houver lavouras de transgênicos com floração no mesmo período, mesmo que a quilômetros, haverá contaminação”, alega.

Para o agricultor Ângelo Cristian Weizenmann, de Arroio do Meio, a grande maioria dos pequenos e médios produtores que vê no cultivo orgânico uma alternativa de renda precisa de investimentos para continuar no campo e não recebe incentivos.

“[…]pela população, chegávamos a 5,2 litros por habitante ao ano. Consumíamos mais agrotóxicos do que vinho. Crédito: Divulgação

“A produtividade não aumentou em decorrência de transgênicos e agrotóxicos”

Vice-reitor da Universidade Federal da Fronteira Sul, Antônio Inácio Andrioli é doutor em Ciências Econômicas e Sociais pela Universidade de Osnabrück, Alemanha.

Membro da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), é autor de seis livros. O mais recente “Soja Orgânica Versus Soja Transgênica: um estudo sobre tecnologia e agricultura familiar no noroeste do RS” foi publicado no dia 15 de setembro, e está disponível para download gratuito neste link.

A Hora – Como você avalia a escalada dos agrotóxicos nos últimos anos?

Antônio Inácio Andrioli – Os índices têm crescido desde a época em que o Brasil se tornou campeão mundial de consumo, em meados dos anos 2000. Naquele período, se dividíssemos a quantidade de agrotóxicos legalmente comprada, conforme dados oficiais da Associação Nacional da Indústria de Defensivos Agrícolas, pela população, chegávamos a 5,2 litros por habitante ao ano. Consumíamos mais agrotóxicos do que vinho. Agora chegamos a 7,1 litros por habitante, isso se esse consumo for distribuído de forma uniforme.

Quais regiões são mais afetadas pelo uso de agrotóxicos?

Andrioli – O campeão, no Brasil é o município de Lucas do Rio Verde, no Mato Grosso. São 152 litros por habitante ao ano, e naquela região temos o agravante das pulverizações aéreas. O professor Wanderlei Pignati, da Universidade Federal do Mato Grosso, tem divulgado várias pesquisas sobre isso, alertando para os efeitos à saúde da população. O documentário Nuvens de Veneno, disponível no Youtube aborda essa questão. No RS, a região noroeste lidera o uso de agrotóxicos. Recentemente até a Rede Globo tem divulgado matéria associando o alto índice de câncer naquela região ao consumo desses produtos. O Hospital de Caridade de Ijuí tem muitos dados nessa área. Está cientificamente comprovada a presença de resíduos de glifosato na urina e no leite materno de várias regiões do país, além de rios e fontes de água contaminadas.

A contaminação da água preocupa?

Andrioli – A Unijuí, o Instituto Federal Farroupilha e a Emater têm vários estudos sobre essa contaminação. Na fórmula do Roundup, além do glifosato, que é o princípio ativo, tem sal de isopropilamina e taloamina. A taloamina é responsável pelo efeito surfactante, ou seja, diminui a tensão superficial de um tecido vivo para permitir que o glifosato penetre na planta. A cada nova fórmula do Roundup lançada no mercado, aumenta o teor de taloamina. Mas a substância é proibida em vários países da Europa, por provocar câncer, em especial de pele, justamente por romper o tecido celular. Imagina se banhar em um rio que contém taloamina ou tomar diariamente banho de chuveiro com essa água contaminada. No Brasil, 92% da área cultivada com soja, milho e algodão é com transgênicos resistentes ao Roundup.

Alguns setores afirmam que o uso de veneno é benéfico por aumentar a produtividade, em especial no agronegócio. Falam, inclusive, na possibilidade de reduzir os índices da fome. Isso se comprova?

Andrioli – A fome só aumentou nesse período, desde que foram liberados transgênicos e que elevou o uso de agrotóxicos. Embora países como o Brasil tenham saído do mapa da fome, principalmente em função de políticas sociais e de distribuição de renda, no mundo passamos de 800 milhões para um bilhão e 200 milhões de pessoas passando fome. A produtividade não aumentou em decorrência de transgênicos e agrotóxicos. Além disso, aumentou a concentração de terras e o custo de produção. Em resumo, menos gente na roça produzindo comida, tendo que ser alimentada por menos produtores.

Existem alternativas viáveis aos transgênicos?

Andrioli – No caso da soja, novas variedades conseguem aumentos de produtividade sem transgenia. Para uma variedade nova, mais produtiva, ser transformada em transgênica o processo dura uns dez anos. Tenho acompanhado isso na CTNBio e a conclusão é que as variedades não transgênicas chegam antes ao mercado e as transgênicas sempre têm uma defasagem na produtividade. Detalhe: toda variedade pode ser transformada em transgênica, ou seja, ser resistente ao Roundup. Ser resistente ao Roundup não significa ser mais produtiva.

Recentemente foi divulgada a compra da produtora de agrotóxicos Monsanto pela farmacêutica Bayer. Qual sua opinião sobre esse negócio e o que ele representa?

Andrioli – Simboliza o monopólio da indústria química sobre a produção de alimentos. Se, em outros tempos, o grande progresso das ciências da saúde contou com melhorias no saneamento básico, atualmente depende da qualidade dos alimentos. Para a indústria farmacêutica, interessa vender mais produtos químicos, mantendo o consumidor vivo por um longo tempo. Essa é a tese básica, seja da Bayer, da Basf ou da Syngenta. A primeira empresa a investir em milho transgênico foi a Syngenta, da Suíça, a maior indústria farmacêutica do mundo. A pergunta básica: por que uma empresa da indústria farmacêutica investe em milho?

– É uma pergunta curiosa.

Andrioli – Minha resposta: o milho Bt, esse disponível no mercado, com gene de bactéria que produz toxina para matar lagarta, provoca imunodeficiência, que é a base de todas as doenças. A Bayer é a maior indústria química da Alemanha, país que mais produz químicos. Curiosamente, a Alemanha proibiu os transgênicos. Os países europeus seguem produzindo longe de casa o lixo que proíbem perto de si mas, ao final, os resíduos dos venenos em nossos produtos vão parar lá também.

Ao comprar a Monsanto, a Bayer segue a lógica da Syngenta, aumentando sua fatia no mercado e dando uma nova marca aos produtos da Monsanto. A expectativa é controlar o que se produz de alimentos na Ásia, África e América Latina, mantendo a população mundial dependente, como consumidora de produtos químicos.

 

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Conheça os impactos por trás da fusão entre Monsanto e Bayer

23, setembro, 2016 Sem comentários

Pulsar Brasil, 19/07/2016

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O anúncio da compra da norte-americana Monsanto pela alemã Bayer na semana passada trouxe um alerta para o perigo que a fusão de grandes empresas do setor agroquímico pode causar para o meio ambiente e saúde da população.

O negócio, orçado em 66 bilhões de dólares, cria a maior fornecedora de químicos e sementes agrícolas do mundo. Com um histórico de forte lobby político,  manipulação de pesquisas científicas e prejuízo aos pequenos agricultores, a Monsanto se consagrou, ao longo de 115 anos de existência, como uma das mais danosas corporações do mundo.

Com a fusão ocorrida na última quarta-feira (15) entre Bayer e Monsanto e considerando apenas o mercado de plantas transgênicas, as corporações terão, juntas, o controle de mais de 90 por cento do setor, se classificando como um dos maiores monopólios do mundo.

A Pulsar Brasil conversou com o agrônomo e consultor técnico da AS-PTA agricultura familiar e agroecologia, Gabriel Fernandes, para entender o risco  que  a fusão das duas empresas pode gerar no mercado agrícola. (pulsar)

Confira a entrevista

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Alertan sobre los impactos de los cultivos transgénicos en Uruguay

18, setembro, 2016 Sem comentários

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A dos décadas de la aprobación del primer cultivo genéticamente modificado en Uruguay, sectores sociales y organizaciones ambientalistas alertan sobre el impacto y los riesgos que este modelo agrario representa para el medio ambiente y la salud de la población.

teleSUR

Não planto transgênicos para não apagar minha história

7, setembro, 2016 Sem comentários