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Arquivo da Categoria ‘agroecologia’

Grupo de consumidores da igreja Vida Nova visita propriedade agroecológica

17, fevereiro, 2017 Sem comentários

Folha de Palmeira, 17/02/2017

André Emílio Jantara | Assessor Técnico da AS-PTA

Na tarde de ontem, foi realizada uma visita a campo em nosso município na propriedade agroecológica de Nilce e Roberto Gurski, comunidade de Faxinal dos Quartins, onde estiveram presentes o grupo de mulheres da Igreja Menonita Vida Nova e assessores técnicos da AS-PTA- Agricultura Familiar e Agroecologia.

Apresentação dos participantes

Apresentação aos participantes pelo Roberto sobre a agroindústria

O objetivo principal da visita que a AS-PTA vem organizando é mostrar a produção de alimentos saudáveis agroecológicos produzidos pelas famílias agricultoras colocando os consumidores em contato com o dia a dia das famílias, mostrando os sistemas que utilizam para a produção, colheita e processamento de alimentos até chegar ao consumidor, sendo através de feiras agroecológicas e entregas de sacolas domiciliar.

No primeiro momento, além de uma breve apresentação e depois a família contou a sua história de vida e a forma que produzem alimentos saudáveis, mostrando as dificuldades que enfrentam, mas os pontos positivos em viver em harmonia com a natureza, conservando o meio ambiente, hoje tão agredido pelo uso indiscriminado dos agroquímicos.

Debate sobre produção agroecológica

Este projeto que a AS-PTA vem executando no município junto com a APEP e CAFPAL- Cooperativa da Agricultura Familiar de Palmeira, tendo como o título a Promoção da articulação entre CIDADE E CAMPO em dinâmicas locais e regionais de abastecimento agroecológico, conjugado com incidência política em soberania e segurança alimentar.

Também se estende pelos municípios de São João do Triunfo junto ao sindicato dos trabalhadores rurais e a COAFTRIL- cooperativa de agricultores familiares e São Mateus do Sul, junto com o sindicato e cooperativa também. Este projeto está sendo financiado por MISEREOR-KatholischeZentralstellefürEntwicklungshilfe da Alemanha.

Para a próxima etapa do projeto é organizar mais algumas caravanas de consumidores interessados em participar e conhecer sistemas de produção agroecológicos em nosso município e em sequência reunir estes consumidores para um encontro de formação e capacitação em temas que ainda desconhecem sobre a produção de alimentos saudáveis.

No final da visita, foi servido um café a todos os participantes com alimentos que a família vem produzindo e como temos chamados de CAFÉ DA BIODIVERSIDADE.


Produção na agroindústria

Visita a propriedade

Café da biodiversidade

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Família de Palmeira produz alimentos agroecológicos há mais de 20 anos

24, janeiro, 2017 Sem comentários

leiafolha.com.br

 

por Rogério Lima –

Há mais de 20 anos, a família de Nilce e Roberto Gurski, residente na localidade de Faxinal dos Quartins, interior do município de Palmeira, vem produzindo alimentos agroecológicos saudáveis. A propriedade da família tem três alqueires e a área cultivada ocupa apenas a metade do total, sendo o restante composto por matas e proteção de fontes.

Na propriedade dos Gurski, hoje são cultivadas diversas espécies de hortaliças, tubérculos e também cereais como milho e feijão, tudo com a comercialização garantida. A venda dos produtos acontece na feira agroecológica que é realizada todos os sábados na cidade, bem como com a entrega de sacolas em forma de kits nas casas dos consumidores, mercados locais, restaurantes e merenda escolar. Na casa da família vende-se a produção para vizinhos e os Gurski consomem o que produzem na alimentação da própria família.

Além de produzir, a família também transforma os produtos. Na propriedade, funciona uma agroindústria devidamente regularizada pela Vigilância Sanitária, na qual são produzidos conservas de diversas espécies, picles, molho de tomate, compotas, doces caseiros e sucos de frutas.

A propriedade dos Gurski é certificada como agroecológica pelo Instituto Tecnológico do Paraná (Tecpar) e também pela Rede Ecovida, o que é destacado na rotulagem dos alimentos comercializados.

Segundo a família, a demanda de alimentos para a comercialização no município é maior do que a produção que se tem na propriedade. “Se tivéssemos o dobro da produção de hoje, a venda era garantida, pois comércio tem, basta ter a insistência, teimosia e dedicação para produzir alimentos saudáveis agroecológicos”, afirma Roberto.

A produção das hortaliças e do morango é feita em estufas cobertas, o que evita danos dependendo da época do ano, como doenças e fungos que possam prejudicar a produção.

A família, que participa de um projeto desenvolvido por entidades do setor agrícola, tem o hábito de receber grupos de pessoas, incluindo consumidores, que buscam conhecer como são produzidos os alimentos. São grupos de vários municípios da região, mas principalmente de Palmeira.

Projeto

O projeto que a AS-PTA vem executando no município junto com a Associação dos Produtores Ecológicos de Palmeira (APEP) e a Cooperativa da Agricultura Familiar de Palmeira (Cafpal), do qual participa a família Gurski, tem como o título “Promoção da articulação entre cidade e campo em dinâmicas locais e regionais de abastecimento agroecológico, conjugado com incidência política em soberania e segurança alimentar”.

Segundo o assessor técnico da AS-PTA, André Emílio Jantara, “o objetivo principal do projeto é promover e articular as dinâmicas locais e regionais de produção, processamento e abastecimento agroecológico em organizações do campo e da cidade, orientadas em relações solidárias e nos princípios da soberania e segurança alimentar das populações”.

Na região, o projeto alcança os municípios, desenvolvido junto ao Sindicato dos Trabalhadores Rurais de São João do Triunfo e a Cooperativa de Agricultores Familiares de São Mateus do Sul. O projeto recebe financiamento externo da organização MISEREOR-Katholische Zentralstelle für Entwicklungshilfe, da Alemanha.

Também participam do projeto outras entidades ligadas à produção agroecológica nos estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul, onde também estão executando as atividades propostas junto aos consumidores locais de alimentos agroecológicos em suas respectivas regiões.

Intercâmbio

Jantara informa que em Palmeira, uma próxima etapa do projeto, ainda neste ano, é realizar algumas visitas de intercâmbio entre os consumidores locais e os agricultores que estão produzindo. “Assim, o consumidor poderá ver a forma como são produzidos os alimentos agroecológicos, preparados e até processados para que cheguem à sua mesa através da feira, mercados, restaurantes e das sacolas entregues em seus domicílios”, explica o assessor técnico da AS-PTA.

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Agroecología y los Objetivos de Desarrollo Sostenible

23, janeiro, 2017 Sem comentários

edición especial

En esta edición especial, publicamos estudios de caso realizados en los países de América Latina sobre la contribución de la agroecología a la realización del potencial multifuncional de la agricultura familiar campesina.

Los efectos positivos sistematizados a partir de diferentes perspectivas de análisis explican el papel central que el campesinado puede desempeñar para contribuir al logro de los Objetivos del Desarrollo Sostenible (#ODS).

 

Haga clic en la imagen para descargar el archivo

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Agroecologia e os ODS

18, janeiro, 2017 Sem comentários

#ODS

A Agroecologia contribui diretamente para pelo menos 10 dos 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável

 

Conheça nesta edição de Agriculturas experiências de 7 países da América Latina sobre benefícios da Agroecologia:

Clique na imagem baixar a revista

 

Fundação Banco do Brasil quer captar US$ 100 mi para construir 40 mil cisternas no Nordeste

13, janeiro, 2017 Sem comentários

www1.folha.uol.com.br

PATRICIA PAMPLONA ENVIADA ESPECIAL A JOÃO PESSOA (PB)

Após já ter construído 92 mil cisternas no semiárido nordestino nos últimos quatro anos, a FBB (Fundação Banco do Brasil) está concorrendo ao prêmio de US$ 100 milhões da Fundação MacArthur para erguer outras 40 mil, o que deve beneficiar 200 mil pessoas.

Apesar de expressivo, o número representa 5,7% do total máximo estimado para que o acesso à água seja universalizado na região com a construção de mais 700 mil cisternas, segundo informou o presidente da FBB, Gerôncio Luna, na abertura do 10° Encontro de Jornalistas da organização.

10° Encontro de Jornalistas da FBB

O evento que começou nesta quarta-feira (19), em João Pessoa (PB), reúne 60 profissionais de comunicação de 16 Estados do país. Durante três dias, a cobertura do terceiro setor será a pauta dos jornalistas.

A participação no prêmio da Fundação MacArthur, que destinará o valor a uma iniciativa que solucione problemas críticos envolvendo pessoas, lugares ou o planeta, faz parte da nova frente de mobilização de recursos de fora do Brasil para projetos do banco de tecnologias sociais da FBB.

“As fundações no Brasil atuam muito com o dinheiro de seu instituidor. É preciso trazer recursos de fora”, afirmou Gerôncio Luna. “Isso não significa menor participação da FBB.”

A estratégia para captação de investidores fora do Brasil inclui, ainda, uma aproximação com as embaixadas em Brasília (DF), aproveitar a atuação do Banco do Brasil em 24 países e a internacionalização do Prêmio FBB de Tecnologias Sociais, como Luna divulgou em entrevista exclusiva à Folha.

A fundação é patrocinadora da categoria Escolha do Leitor, onde o público decide seu finalista favorito entre os seis líderes que concorrem ao Prêmio Empreendedor Social e Empreendedor Social de Futuro. A votação está aberta; participe.

INOVAÇÃO SOCIAL EM PAUTA

Anualmente, a FBB reúne jornalistas do país para discutir a cobertura do terceiro setor pela mídia. Neste ano, as mesas reúnem nomes como Rinaldo de Oliveira, do portal Só Notícia Boa, e Deborah Fernandes, que trabalhou na elaboração do documentário “Novos olhares sobre a produção e consumo”.

A noite de abertura contou com a palestra magna do economista Leandro Morais. Com grande foco na área do desenvolvimento sustentável, o especialista trouxe o contexto a ser debatido até esta sexta-feira (21).

Esse panorama inclui 320 milhões de pessoas que vivem na extrema pobreza no mundo e 2,5 bilhões que não têm acesso a água e saneamento.

Ele expôs que, ao longo das duas revoluções industriais e durante a terceira que ocorre, com o avanço tecnológico, houve a “emergência de um padrão produtivo e de consumo que se moderniza e incrementa”.

Para ele, “o padrão produtivo não precisa ser destruído, mas precisamos discutir quando os benefícios dessa evolução não são para todos”.

Durante o evento, serão ainda apresentadas tecnologias sociais da FBB e discutidas diferentes formas de fazer jornalismo com a exposição de plataformas de comunicação produzidas no nordeste.

A repórter PATRICIA PAMPLONA viajou a convite da Fundação Banco do Brasil, patrocinadora do
Prêmio Empreendedor Social

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Curso Internacional Agroecologia e Restauração Ecológica

12, janeiro, 2017 Sem comentários

 

Curso Internacional

Agroecologia e Restauração Ecológica: Agropaisagens Sustentáveis com Resiliência

De 15 a 17 de Março de 2017, Florianópolis – SC

 

Promoção

Sociedad Cientifica Latinoamericana de Agroecología –SOCLA

Centro para la Investigación en Sistemas Sostenibles de Producción Agropecuaria – CIPAV

Programa de Pós-Graduação em Agroecossistemas – PGA/UFSC

Programa de Pós-graduação em Recursos Genéticos Vegetais – PPGRGV/UFSC

Local

Centro de Ciências Agrárias (CCA), Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Rodovia Admar Gonzaga, 1346, Florianópolis, Santa Catarina, Brasil, CEP 88.034-001

Docentes

Clara Nicholls – Universidade da Califórnia, Berkeley – SOCLA

Enrique Murgueitio – CIPAV, Colômbia

Illyas Seddiqui – PGA e PPGRGV/UFSC, Brasil

Miguel Altieri – Universidade da Califórnia, Berkeley – SOCLA

Zoraida Calle Díaz – CIPAV, Colômbia

Tópicos principais

  • Bases científicas da Agroecologia
  • Função da biodiversidade nos agroecossistemas
  • Conversão de sistemas convencionais ao manejo agroecológico
  • Criação sustentável de bovinos na América Latina e Caribe
  • Sistemas agroflorestais pecuários
  • Sistemas silvopastoris intensivos (SSPi)
  • Avaliação técnica, econômica e de bem estar animal dos SSPi
  • Bases teóricas da restauração ecológica
  • Restauração ecológica em agropaisagens.
  • Agroecologia e resiliência a mudanças climáticas
  • Sistemas Agroflorestais sucessionais
  • Construção e socialização de conhecimentos agroecológicos e agroflorestais para a resiliência socioecológica

Inscrição

O prazo de inscrição e pagamento da taxa do curso é dia 15 de Janeiro de 2017.

Interessados, por favor, enviar email a Rubens Onofre Nodari (rubens.nodari@ufsc.br) ou para Secretaria da SOCLA (m.mayrag.m@gmail.com).

Numero de vagas

30 para profissionais e 15 para estudantes.

Custo

US$ 100 dólares ou valor equivalente em Reais para profissionais e US$ 50 dólares ou valor

equivalente em Reais para 15 estudantes

O pagamento deve ser feito via PayPal ou Skype, cujo acesso está na página www.socla.co (mais detalhes serão informados proximamente). A SOCLA emitirá recibo de pagamento, que não equivale a uma nota fiscal.

Certificado

O certificado de participação será emitido pelos promotores SOCLA, CIPAV, PGA e PPGRGV/UFSC.

Para os alunos do PGA e PPGRGV, o curso poderá ser validado como um crédito em disciplinas

 

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Em meio a seca histórica, agroecologia gera renda para sertanejos do NE

12, janeiro, 2017 Sem comentários

Reportagem da Folha se S. Paulo destaca trabalho realizado desde 1993 pela AS-PTA, em parceria com o Polo da Borborema, no agreste paraibano.

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marlene_ecoborborema

www1.folha.uol.com.br

 

PATRICIA PAMPLONA ENVIADA ESPECIAL A ESPERANÇA (PB)

Em meio ao sertão da Paraíba, que enfrenta uma seca histórica de cinco anos, Marlene Pereira, 46, sustenta sua família com o que planta em seu terreno de menos de meio hectare, menor que um campo de futebol, em Lagoa Seca, a 142 quilômetros de João Pessoa.

A venda de cebolinha, coentro, batata doce, alface, couve, milho, além das criações de galinha e bode, na feira agroecológica da cidade, uma das 12 na região do Polo da Borborema, garante a renda.

“Nossos produtos são livres de agrotóxicos”, conta a agricultora. “A gente mesmo produz o biofertilizante. É totalmente agroecológico.”

Agroecologia gera renda

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A variedade nem sempre esteve nos terrenos de Marlene. “Nossos pais e avós diziam que tinha que plantar uma coisa, não dava um monte de coisa no mesmo local”, diz. “Hoje, eu boto tudo no chão e dá. Tendo água, dá tudo.”

A água vem das cisternas que chegaram ao município em 2010. A tecnologia social é certificada pela FBB (Fundação Banco do Brasil), que já construiu 92 mil equipamentos do tipo em todo o semiárido nordestino e pretende alcançar ainda mais municípios.

Elas servem tanto para consumo das famílias, com captação da chuva no telhado para reservatórios de 16 mil litros, quanto para criação de animais e produção, em calçadões inclinados de 200 metros quadrados e com tanques de 52 mil litros.

“Antes, era uma vida só da cacimba [poço]. Acabou a água, acabou tudo”, lembra Marlene. “Hoje, não. A gente, mesmo nesse período de seca, continua mantendo nossas feiras agroecológicas.”

Delfino Oliveira, 23, também é um dos agricultores da região. Na zona rural do município de Esperança, ele mantém a variada plantação no terreno onde mora com os pais e os irmãos.

Além das cisternas para captação de água, a área conta com um biodigestor, que gera gás de cozinha a partir do esterco dos animais. O uso do equipamento reduziu o consumo de botijões de gás para um ao ano.

O jovem agricultor vende seus produtos em uma das 12 feiras da região. O restante, utiliza para consumo próprio. “Aqui não tem desperdício. Se não vender na feira, comemos em casa. E se não der para a gente comer, vai para os animais”, diz.

TRANSFORMAÇÃO

Apesar de a rede de agroecologia da região existir desde 1994, a feira em Lagoa Seca surgiu apenas em 2002, e as melhorias vieram em 2014, quando foi lançado o projeto Ecoforte – Redes de Agroecologia na Borborema.

Com recursos da FBB e do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), ele incentiva o protagonismo das mulheres, o acesso a feiras e promove fundos solidários e bancos de sementes crioulas.

Há dois anos, os mercados contam com estrutura como barracas e equipamentos de transporte. “A gente não toma chuva, sol. As pessoas que vêm comprar também tem um local mais adequado”, relata Marlene.

As iniciativas facilitam a vida no semiárido e ajudam a permanência dos sertanejos na agricultura. Com incentivo do sindicato da região, Delfino deixou a vida urbana quando viu a qualidade de vida no campo.

“Na cidade, teria um chefe que gritaria se chegasse atrasado ou não fizesse alguma tarefa”, compara.

Outra mudança para a família do jovem veio do Pais (Produção Agroecológica Integrada e Sustentável), que prevê a produção de alimentos orgânicos para consumo familiar e incentiva a comercialização do excedente, além de capacitação técnica para as melhores práticas.

“Quando chove e você planta, é bom. Quando começa a ter lucro, é melhor ainda”, afirma sobre o programa.

Marlene também viu sua vida ter outro rumo. “Começamos numa moto, hoje temos um carro melhor, uma casa melhor, uma boa qualidade de vida. Estudei, cursei agricultura, sou técnica em agroecologia, em informática, em contabilidade e em agropecuária.”

A agricultora já disse que não sai da sua terra. “Meu maior sonho é ter saúde e um local maiorzinho para plantar. Meu terreno é muito pequeno para o que eu quero fazer.”

A repórter PATRICIA PAMPLONA viajou a convite da Fundação Banco do Brasil, patrocinadora do Prêmio Empreendedor Social

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Sementes tradicionais alimentam semiárido

11, janeiro, 2017 Sem comentários

envolverde.com.br

Por Mario Osava, da IPS –  

Apodi, Brasil, 9/1/2017 – Em seus 76 anos de vida, Raimundo Pinheiro Melo suportou inúmeras estiagens prolongadas decorrentes das secas no Nordeste do Brasil. Ele se lembra de todas desde a de 1958. “A pior foi em 1982 e 1983, a única vez que secou o rio”, em cuja proximidade vive desde 1962. “Também foi muito ruim em 1993”, contou à IPS, porque ainda não existia o Bolsa Família nem a Articulação Semiárido Brasileiro (ASA), que contribuem para uma convivência menos traumática com secas como a atual, que já dura cinco anos.

Raimundo Pinheiro de Melo, um camponês de 76 anos do município de Apodi, no Nordeste do Brasil, mostra a um agricultor que o visita uma garrafa com sementes de feijões que mantém guardada. Foto: Mario Osava/ IPS

Por meio do Bolsa Família, o governo federal ajuda com dinheiro 13,8 milhões  de famílias pobres no Brasil, metade delas no Nordeste. A ASA é uma rede de três mil organizações sociais que promove a coleta de água de chuva, bem como técnicas e conhecimentos para uma vida rural adequada ao clima de chuvas irregulares na ecorregião do semiárido nordestino.

Para Mundinho, como Raimundo é conhecido por todos, e seus vizinhos, a água não é tão escassa devido à proximidade do rio Apodi, que, mesmo quando seca, ainda conserva água para ser extraída nas cacimbas, buracos feitos no leito do rio ou em sua margem. Além do esforço para conseguir água na zona alta onde vive, em uma área rural de Apodi, município do Rio Grande do Norte, ele se dedica a outra tarefa vital para a sustentabilidade do modo de vida camponês no interior semiárido do Nordeste, conhecido tradicionalmente como sertão.

Mundinho é um guardião de sementes crioulas, ou tradicionais. Armazena em garrafas e pequenos barris de plástico sementes de milho, feijões, sorgo, melancia e outras espécies de cultivo local, em uma pequena instalação construída ao lado de sua casa, em meio a uma terra atualmente arenosa e de vegetação seca. Mais de mil dessas casas, ou bancos de sementes, compõem, com a participação de 20 mil famílias, a rede organizada pela ASA para preservar o patrimônio genético e a diversidade dos cultivos adaptados ao clima e ao solo semiárido nordestino.

Guardar sementes é uma velha tradição camponesa, que foi deixada de lado durante a modernização agrícola na chamada revolução verde, iniciada na metade do século passado, e que incluiu uma “ofensiva das empresas produtoras de sementes que diziam ser melhoradas” e das quais os agricultores passaram a depender, recordou à IPS Antônio Gomes Barbosa, coordenador do Programa de Sementes Crioulas da ASA.

Sementes crioulas armazenadas em garrafas plásticas reutilizadas, em uma construção especial erguida em sua propriedade por Raimundo Pinheiro de Melo, um orgulhoso guardião dessas sementes, que colaboram para a segurança alimentar no semiárido do Nordeste brasileiro, em meio a uma seca que já dura mais de cinco anos Foto: Mario Osava/IPS

A estratégia adotada em 2007, de disseminar tecnologias para armazenar água para a produção, buscando a segurança alimentar, levou a ASA a visualizar a necessidade de os pequenos agricultores disporem sempre de sementes, explicou Barbosa, sociólogo de formação. Um estudo com 12.800 famílias revelou que o “semiárido tem a maior variedade de sementes de espécies alimentares e medicinais do Brasil”, destacando uma região em que vivem mais de 25 milhões dos 56 milhões de habitantes no Nordeste, em um país com população de 208 milhões de pessoas.

Barbosa acrescentou que para isso contribuíram a herança familiar e comunitária de sementes armazenadas e “um intenso intercâmbio, promovido por emigrantes que retornaram ao semiárido trazendo sementes de São Paulo e do centro-leste” do país, onde viveram. O que a ASA fez foi identificar os bancos de sementes existentes, articulá-las e promover sua multiplicação, como forma de resgatar, preservar, ampliar existências e distribuir as sementes crioulas, detalhou.

Antônia de Souza Oliveira, ou Antonieta, como é mais conhecida, participa do banco de sementes número 639 nos registros da ASA, na comunidade Milagre, com 28 famílias assentadas na meseta de Apodi, que é cortada pelo rio de mesmo nome. É um banco comunitário, que “conta com 17 guardiões e existências principalmente de sementes de milho, feijões e sorgo”, acrescentou.

Antônia de Souza Oliveira, em frente ao Banco de Sementes da comunidade rural Milagre, um assentamento de 28 famílias no Estado do Rio Grande do Norte, onde há 17 guardiões de sementes e que ficou famoso pelo protagonismo das mulheres nas atividades de coleta. Foto: Mario Osava/IPS

A forte presença feminina nas atividades desse assentamento levou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2011) a escolher Milagre para inaugurar uma linha de crédito para mulheres do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar. Um caso exemplar, destacado pela ASA, é o banco de sementes de Tabuleiro Grande, outro assentamento rural de Apodi. Ali, uma iniciativa familiar acumula sementes de 450 variedades de milho, feijões, outras leguminosas e ervas. Antônio Rodrigues do Rosário, de 59 anos, encabeça a quarta geração que mantém esse “banco familiar”.

O movimento de sementes crioulas se contrapõe à lógica da revolução verde, em que as sementes são distribuídas pelo Estado ou vendidas por grandes empresas especializadas, “em grande quantidade, mas pouca variedade”, e a partir de uma produção central. “Não precisamos dessa distribuição, mas de iniciativas locais, com cada território resgatando suas sementes locais, com grande diversidade e disseminação”, pontuou Barbosa.

Trata-se de conhecimento acumulado pelas famílias, com experiências de adaptação a cada localidade, solo e clima, ao tipo de produção desejada e à resistência às pragas. Barbosa observou que, por exemplo, “muitas variedades de milho atendem a diferentes necessidades, uma pode produzir mais palha para alimentar os animais, outra o grão para os humanos”. E acrescentou que “o quintal das casas é um laboratório familiar, onde são feitos experimentos, melhorias genéticas, testadas resistência e produtividade. É onde a mulher mais participa, inclusive ensinando os filhos”.

“Na grande seca de 1982 e 1983, uma variedade de batata de crescimento rápido, que em 60 dias foi reproduzida e guardada por uma avó, salvou muitas vidas”, apontou Barbosa. A permuta de materiais e conhecimentos também faz parte importante da história das sementes crioulas. Ocorre dentro da própria comunidade e nas relações com o exterior. A ASA procura intensificar esse intercâmbio promovendo contatos entre camponeses de diferentes áreas.

Antônio Gomes Barbosa, coordenador do Programa de Sementes Crioulas do movimento Articulação Semiárido Brasileiro, que aglutina mais de três mil organizações. A iniciativa é essencial para a segurança alimentar e a biodiversidade do Nordeste brasileiro, principalmente durante a longa seca que afeta a região. Foto: Mario Osava/IPS

“As sementes crioulas são o principal foco de resistência às imposições do mercado. Trata-se de superar a dependência em relação aos grandes fornecedores”, afirmou o coordenador do setor da ASA. A mudança climática aumenta a importância das sementes do semiárido. “Não há veneno agrícola para combater o aumento da temperatura”, ironizou.

O Programa de Sementes do Semiárido comprovou uma “grande capacidade criativa e de experimentação” dos agricultores familiares do Nordeste, ressaltou Barbosa em um diálogo com a IPS, no município próximo de Mossoró. Além disso, existe a tendência à autonomia. “O agricultor segue sua própria experiência, mais do que a orientação do agrônomo, porque escolhe o que é mais seguro para ele”.

Porém, duas ameaças preocupam o movimento referente às sementes da ASA. Uma é a “erosão genética”, que pode ser provocada pela atual seca, que em algumas áreas já dura sete anos. As chuvas isoladas induzem os camponeses a plantar. Sabendo da possibilidade de perder a colheita, nunca usam todas as sementes, mas as vai perdendo pouco a pouco, diante de cada chuva enganosa, com o risco de reduzir suas existências.

Outra ameaça são os transgênicos, rejeitados pelos agricultores vinculados à ASA. Foi comprovada a presença de milho geneticamente modificado em algumas plantações do Estado da Paraíba, que se suspeita ocorre devido ao contágio de sementes trazidas de outras regiões. (#Envolverde/IPS)

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MST RJ convida para VIII Feira da Reforma Agrária

5, dezembro, 2016 Sem comentários

Categories: agroecologia, alimentação Tags:

Conheça Rede de Sementes do Polo de Borborema na Paraíba

28, novembro, 2016 Sem comentários

Brasil Rural, EBC, 25/11/2016

Emanoel Dias, da AS-PTA, fala sobre a conservação de sementes crioulas na região e sua importância para a agricultura familiar

Nesta semana, a AS-PTA (Agricultura Familiar e Agroecologia) realizou mais uma oficina de formação para agricultores no Polo de Borborema, Paraíba. A inauguração do novo Banco de Sementes Comunitário, no assentamento Che Guevara, em Casserengue, vem fortalecer as ações da Comissão de Sementes do Polo, que contabiliza cerca de 60 bancos. Em anos regulares de chuva, já houve bancos com até 12 toneladas de sementes estocadas.

As sementes crioulas, mais conhecidas como sementes da paixão no estado, são nativas da região e uma verdade paixão para os agricultores. Para entender melhor o funcionamento do trabalho e os programas da ONG, o Brasil Rural desta sexta-feira (25) entrevistou o engenheiro agrônomo e técnico da AS-PTA, Emanuel Dias.

“Como a gente vive numa região de muita seca e a agricultura familiar tem uma expressão muito grande, os agricultores cultivam as sementes que eles já conhecem e gostam, trazendo o conhecimento dos seus antepassados. São sementes de muita troca, muita sabedoria. A estratégia do banco familiar ou do banco comunitário é uma forma de você guardar e ter autonomia em plantar aquela semente que você já conhece”, disse ele, sobre o riqueza do material trocado entre as famílias.

Confira a íntegra da entrevista
O Brasil Rural vai ao ar, de segunda a sexta-feira, de 6h às 7h, sábado, às 7h, e domingo, às 6h, pela Rádio Nacional AM de Brasília. A apresentação é de Marcelo Ferreira.

Produtor
Simone Magalhães
Brasil Rural
em
25/11/2016 – 12:25
atualizado em
25/11/2016 – 14:16

Mutirão Agroflorestal na Bienal

24, novembro, 2016 Sem comentários

mutirao

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IV Encontro de Agroecologia IF Sul de Minas

21, novembro, 2016 Sem comentários

ifsulmg

Categories: agroecologia Tags:

IEA-USP Convida: Seminário “Temas da Agroecologia”

25, outubro, 2016 Sem comentários


EXPOSIÇÃO

Hugh Lacey
Márcia Maria Tait Lima
Vanessa Brito de Jesus
Iara Fonseca
Márcio Automare

MODERAÇÃO

Pablo Mariconda

31 de outubro de 2016, das 14 às 17 horas

O sétimo encontro da série de seminários Investigação das Possibilidades e Implicações da Pesquisa Multiestratégica, coordenado pelo professor visitante Hugh Lacey, tratará de diversos aspectos relacionados à agroecologia: dimensões da pesquisa sobre o tema; questões sobre gênero e feminismo nos movimentos e pesquisas agroecológicas; inovação e tecnologia na transição para a agroecologia; políticas públicas e construção do conhecimento agroecológico; e a situação de Cuba em relação ao tema.

Evento com transmissão em: http://www.iea.usp.br/aovivo

Saiba mais

ORGANIZAÇÃO

Grupo de Pesquisa Filosofia, História e Sociologia da Ciência e da Tecnologia

Evento gratuito, com inscrição prévia
Local Sala de Eventos do IEA – Mapa de localização
Rua Praça do Relógio, 109, bl. K, 5º andar, Cidade Universitária, São Paulo, SP
Informações Claudia Regina, clauregi@usp.br

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Produção diversificada e acesso a políticas públicas garantem autonomia para famílias agricultoras, revela estudo

3, outubro, 2016 Sem comentários

ASA, 30/09/2016

Por Elka Macedo – Asacom

 

Os quintais produtivos contribuem para a resiliência das famílias agricultoras no Semiárido | Foto: Fred Jordão

A poucos meses da finalização, a pesquisa Sistemas Agrícolas Familiares Resilientes a Eventos Ambientais Extremos no Contexto do Semiárido Brasileiro: alternativas para enfrentamento aos processos de desertificação e mudanças climáticas, realizada pelo Instituto Nacional do Semiárido (INSA) em parceria com a Articulação Semiárido Brasileiro (ASA) revelará aspectos relevantes das características e sustentabilidade de agroecossistemas diversificados e especializados de dez territórios do Semiárido.

Iniciada a cerca de três anos, o estudo está sendo desenvolvido em territórios específicos nos estados da Bahia, Piauí, Pernambuco, Ceará, Minas Gerais, Paraíba, Rio Grande do Norte, Alagoas e Sergipe. Aproximadamente, 50 famílias agricultoras participam da pesquisa que analisa aspectos econômicos, sociais e ecológicos das experiências, a fim de apontar a viabilidade dos diversos modos de produção, sobretudo, no período de estiagem que já se estende na região por mais de cinco anos.

“Essa pesquisa tem um lugar diferente quando eu olho para a história do Semiárido. Então, como é que a gente olha para este período de seca e para a forma como os agricultores vão construindo alternativas, sobretudo na perspectiva da resiliência. Nós sabemos que agricultores/as que têm água de beber e que têm água de produzir vivem melhor do que outros agricultores, então a nossa ideia não é comparar. A intenção é entender as famílias que têm um conjunto de inovações e, qual a importância do conjunto de estratégias de estoque dessas famílias”, explica o Coordenador do Programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2) da ASA, Antônio Barbosa.

Na perspectiva de visualizar caminhos para estas questões, foi realizada nos dias 27 e 28 deste mês, na sede do INSA em Campina Grande-PB, a “oficina de restituição final dos estudos de caso”. O evento reuniu membros de organizações parceiras que se envolveram diretamente nos estudos, no intuito de fazer uma releitura da pesquisa por meio da apresentação dos dados já apurados pelos pesquisadores. As informações foram captadas por meio de ferramentas metodológicas como a linha do tempo, modelização de agroecossistemas, gráficos econômicos e gráficos de atributos, que revelam informações sobre renda, divisão de tarefas, canais de comercialização, áreas de preservação, estoque e outras que demonstram a autonomia dos sistemas produtivos.

Para a bolsista pesquisadora, Roselma Viana que acompanhou o estudo no território do Apodi (RN) “a pesquisa traz diversos resultados, dentre eles destaco a visibilidade da importância do papel da mulher dentro da unidade familiar, da comunidade e do território e a importância das tecnologias sociais para famílias, que além de garantir a segurança hídrica possibilita o aumento da produção ou até mesmo mantê-la durante estiagens prolongadas. Essa é uma metodologia diferenciada, pois prioriza uma pesquisa participativa com base nos diálogos e nas experiências implementadas nos agroecossistemas, além de uma sistematização das estratégias agrícolas e sociais adotadas pelas famílias pesquisadas”, disse.

Embora parta das experiências, a pesquisa tem um papel importante na percepção e análise das transformações sociais nos territórios em que as famílias estão inseridas como salienta a coordenadora da ASA pelo estado da Paraíba, Glória Araújo. “É importante olhar para o território porque é lá que as coisas ocorrem, este é também um lugar de construção do projeto político e sociorganizativo das famílias na perspectiva da convivência e da agroecologia. Não se promove agroecologia e desenvolvimento territorial só dentro do agroecossistema. Neste contexto, o fortalecimento das redes são elementos para a construção de uma nova perspectiva de agricultura e, portanto, a gente tem que sistematizar porque isso serve também para o próprio processo de formação das organizações de agricultores/as”.

Nos dados apresentados durante a oficina é possível perceber e comparar a transformação na vida das famílias agricultoras após o acesso a políticas públicas estruturantes de à água para beber e produzir, crédito, mercados institucionais (PAA e PNAE) e da participação em espaços coletivos de discussão de políticas, a exemplo das associações, grupos, sindicatos e articulações.

Luciano Silveira destaca como a agricultura familiar se desenvolveu nos últimos anos | Foto: Elka Macedo

“A agricultura familiar além de ser majoritária ela é dona de seus meios de produção, ou seja, a terra está nas mãos dos agricultores, mas tem um novo desafio hoje que é a pressão sobre o espaço produtivo porque muitas dessas terras foram partilhadas por herança e você tem um processo de minifundização. A gente vive uma crise agrária e a degradação é enorme. No entanto, nesses últimos 20 anos há um conjunto importante de politicas novas, dirigidas à valorização da agricultura familiar e segurança alimentar que emergem nesse período e que têm uma influencia nas transformações que vivemos no Semiárido”, salienta Luciano Silveira da AS-PTA.

O desfecho do estudo está previsto para novembro deste ano e a apresentação dos resultados finais deve ser feita durante um seminário no primeiro semestre de 2017. Para dar visibilidade ao conteúdo, membros do INSA e da ASA e pesquisadores envolvidos na ação estão se organizando para apresentar a pesquisa em congressos, fóruns e outros eventos, a exemplo da nona edição do Encontro Nacional da ASA (Enconasa), que acontece de 21 a 25 de novembro deste ano em Mossoró-RN.

“A gente tem uma amostra poderosa dos efeitos que geram nos territórios o projeto da convivência com o semiárido. Nós temos condições de gerar demonstrações importantes da viabilidade da convivência e do impacto que isso gera concretamente na vida das famílias. Nosso desafio agora é como a gente dá esse desfecho na pesquisa e em que espaços a gente vai comunicar os efeitos que a pesquisa está demonstrando numa rede gigantesca de organizações que estão atuando no território do Semiárido”, ressalta Gabriel Fernandes, da AS-PTA.

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7, setembro, 2016 Sem comentários