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Exploração de cobre provoca violenta expulsão de comunidades indígenas no Equador

22, dezembro, 2016 Sem comentários

Entidades de defesa dos povos indígenas do Equador estão denunciando a crescente escalada de violência contra a etnia shuar, da província amazônica de Morona Santiago.

Ação de despejo em agosto. Foto de Raúl Ankuash.

A comunidade de Nankints, onde tradicionalmente vivem os shuar, está dentro de uma enorme área que foi cedida pelo governo, por um período de 25 anos, para uma empresa chinesa de mineração realizar estudos de prospecção e extração de cobre.

Sob essa justificativa, no dia 11 de agosto passado, forças do exército e da polícia invadiram violentamente a comunidade, dando cinco minutos para que os moradores abandonassem suas casas, que foram em seguida demolidas. “Éramos oito famílias, em um total de 32 pessoas, das quais 12 crianças. Nos expulsaram, tiraram nossas casas, nossas terras. Hoje, não temos nem o que comer. Não nos indenizaram. Nem vieram conversar conosco”, relatou, em entrevista a um jornal local, Luis Tiwiram, dirigente da Federação Shuar. Ele ressaltou também que a Constituição dá amparo legal à reivindicação de propriedade ancestral dessas terras, onde viviam várias gerações de indígenas, motivo pelo qual resistiram durante dez anos a abandoná-las. “Nas nossas terras, tínhamos cultivos de mandioca, banana, guineo, e pescávamos; agora, não temos nada”, denunciou.

Luis Tiwiram, dirigente da etnia shuar: “Nos expulsaram das nossas terras. Agora não temos nada”

No mesmo mês, Luis Tiwiram se reuniu com o representante das Nações Unidas (ONU) no Equador, Diego Zorrilla, para pedir que este levasse ao conhecimento do relator especial sobre os Direitos dos Povos Indígenas de ONU a expulsão das oito famílias shuar.

Violação dos direitos constitucionais

A Confederação de Nacionalidades Indígenas do Equador (Conaie) lembrou que “o projeto está localizado sobre um território ancestral shuar, mas nunca consultaram seus integrantes, violando seus direitos constitucionais”.

Ainda segundo a Conaie, no 21 de novembro, os shuar voltaram a ocupar a área de Nankints, onde se realizaria a construção do acampamento do projeto de mineração. Nos dias seguintes, os indígenas foram atacados, por terra e ar, por mais de 1.000 efetivos militares e policiais. Como resultado do confronto, “várias pessoas ficaram feridas, indígenas shuar foram presos e não se conhece o paradeiro de alguns deles”, denunciou a organização indígena.

Os dirigentes indígenas Severino Sharupi, Jorge Herrera e Katy Betancourt entregaram uma carta no Ministério de Defesa, pedindo o fim da repressão na zona.  Foto: Expreso

Para a organização equatoriana Acción Ecológica, “a zona em conflito é, majoritariamente, um território do povo shuar. Nesse espaço se impôs um projeto de mineração, no qual se planejam abrir duas minas a céu aberto, que contaminarão o território com enormes quantidades de produtos tóxicos, e utilizarão milhões de litros de água, afetando os rios e outras fontes de água. Quando terminarem a exploração, restarão duas crateras e irreversíveis impactos ambientais, sociais e culturais”, afirmou.

A organização ecologista acrescentou que “há total ausência de consulta e predisposição do governo a escutar as demandas das pessoas afetadas. A população está submetida a contínuos processos de criminalização, agressão e hostilização. Continuam impunes os três assassinatos de indígenas shuar cometidos na zona. No último ano, houve contínuas ações de expulsão e retirada forçada para entregar os territórios a empresas de mineração chinesas”.  A organização destaca ainda “a inoperância e inclusive a conivência do Estado equatoriano nas agressões sofridas”.

Conhecida a nível nacional e internacional pela sua defesa dos direitos coletivos dos povos e os direitos da natureza, a organização ambiental equatoriana Acción Ecológica está agora, segundo denúncias, sob ameaça de fechar as portas, devido a pressões do governo e da transnacional chinesa e por seu apoio ao povo shuar.

Território sob tensão e violência

O estado de tensão e confronto continua na área, com desdobramentos imprevisíveis. No dia 14 de dezembro passado, houve um ataque às instalações da empresa mineradora chinesa, no qual morreu um policial.

O governo tem responsabilizado as comunidades indígenas pela violência. O informativo oficial El Ciudadano afirmou que “o presidente Rafael Correa fez um apelo no sentido de se rejeitar atos de extrema violência”. Segundo o periódico, o que aconteceu foram “atos de violência em Nankints, na província de Morona Santiago, contra os policiais que executavam a retirada de cidadãos que haviam tomado pela força as instalações do projeto mineiro de Ecuacorriente”. Tanto o Ministério da Defesa, quanto o de Interior têm insistido que a expulsão foi feita de acordo com ordens judiciais, já que a zona foi concedida à empresa chinesa. O governo de Pequim não se pronunciou sobre o caso.

-com informações de:

http://lahistoria.ec/2016/10/12/desalojo-de-comunidad-shuar/

https://twitter.com/PepeAcacho/status/763777888084787200

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Estudo aponta conflitos de interesse em pesquisas sobre cultivos OGM

19, dezembro, 2016 Sem comentários

casa branca e cientistas

Mais de metade dos estudos financiados pelas empresas de biotecnologia apresentou resultados favoráveis às plantas Bt.

via UOL, 16/12/2016

Washington, 16 dez 2016 (AFP) – Pelo menos 40% dos artigos publicados sobre estudos com cultivos de organismos geneticamente modificados (OGM) mostraram conflitos de interesse financeiros, afirmaram pesquisadores franceses.

As conclusões, publicadas na edição de 15 de dezembro da revista US Journal PLOS ONE, se baseiam em centenas de artigos de pesquisas difundidas em publicações científicas.

“Encontramos que foram comuns os vínculos entre os pesquisadores e a indústria do cultivo OGM, com 40% dos artigos considerados em conflitos de interesse”, destacou o estudo.

Os pesquisadores franceses encontraram que os estudos que têm conflitos de interesse foram mais favoráveis às empresas do setor de cultivos geneticamente modificados que os estudos que não receberam financiamento que pudesse interferir.

O estudo se concentrou em artigos sobre a eficácia e a durabilidade dos cultivos que são modificados para ser resistentes a pragas com uma toxina chamada Bacillus thuringiensis.

Thomas Guillemaud, diretor do estudo do Instituto de Pesquisas Agronômicas da França (INRA), disse à AFP que a equipe revisou originalmente 672 estudos antes de reduzi-los a um lote de 579 que mostrou claramente se havia ou não um conflito de interesse com o financiamento.

“Deste total, 404 foram estudos americanos e 83, chineses”, disse.

Para determinar se houve conflito, os pesquisadores examinaram a forma como os estudos foram financiados.

Os conflitos de interesse se determinaram nas pesquisas nas quais um dos autores declarou ter filiação com uma empresa de biotecnologia ou de sementes ou nos que receberam recursos para a sua realização.

“O ponto mais importante foi como nós também mostramos que existe um vínculo estatístico entre a presença dos conflitos de interesse e um estudo que chegará a uma conclusão favorável para o cultivo OGM”, disse Guillemaud.

“Quando os estudos apresentaram conflito de interesse, isto aumentou em 49% a probabilidade de que suas conclusões fossem favoráveis a colheitas de OGM”.

Entre os 350 artigos que não apresentaram conflito de interesse, 36% foram favoráveis a empresas do setor de cultivos OGM.

Enquanto isso, de 229 pesquisas com conflito de interesse, 54% se mostraram favoráveis a este tipo de companhias.

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Agrotóxicos, depressão e dívidas criam ‘bomba-relógio’ de suicídios no RS

4, outubro, 2016 Sem comentários
Homens, jovens, mulheres e crianças se intoxicam com agrotóxicos e ‘folha verde’, agricultores se endividam presos no ciclo de dependência imposto pelas fumageiras, acabam perdendo as terras para as empresas e muitos se entregam ao suicídio
04/10/2016, bbc.com
Paula Sperb De Porto Alegre para a BBC Brasil
Simone Rovadoski

Simone Rovadoski ficou um ano sem plantar depois da morte do marido| copyright Diogo Zanatta

A família de agricultores acordou cedo e tomou chimarrão naquela manhã quente de 21 de dezembro de 2013. A mãe fez bolinhos para o lanche e iniciou o preparo da lentilha para o almoço.

Mas, quando Simone Rovadoski, 39 anos, saiu da casa para ajudar o marido José Dell Osbel, 44, no cultivo dos 48 mil pés de tabaco da família, encontrou-o morto.

“Não pude evitar que as crianças vissem. Foi um horror”, relembra Simone sobre o suicídio do marido, em Gramado Xavier, a 156 km de Porto Alegre. “Ajuda a salvar meu pai, ajuda!”, pedia o filho do casal, na época com 13 anos, para curiosos que se aproximavam.

Osbel passou a integrar as estatísticas que fazem do Rio Grande do Sul o Estado com mais casos de suicídios no Brasil: 10 a cada 100 mil habitantes.

A taxa é praticamente o dobro da brasileira (5,2 por 100 mil em 2012, segundo dados do Ministério da Saúde) e próxima da taxa mundial (11,4 por 100 mil, segundo a Organização Mundial da Saúde).

Agrotóxicos e depressão

Gramado Xavier, com pouco mais de 4 mil habitantes, fica na região central gaúcha, conhecida por ser um polo fumageiro – da indústria do fumo.

A conexão entre suicídio e plantadores de fumo é apontada em diversos estudos científicos. Um relatório da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa gaúcha apontava, em 1996, que 80% dos suicídios da cidade de Venâncio Aires, a maior produtora de tabaco do Estado, eram cometidos por agricultores. O mesmo estudo mostrava aumento nos suicídios quando o uso de agrotóxicos era intensificado.

Segundo uma pesquisa da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, o uso de agrotóxicos, como os organofosforados, aumenta as chances de depressão dos agricultores.

Em 2014, 20% de cem fumicultores entrevistados sofriam de depressão, segundo a UFGRS. O quadro depressivo por exposição aos venenos, somado a fatores sociais e culturais, pode evoluir para o suicídio.

A relação é contestada pelo Sindicato da Indústria do Tabaco local (Sinditabaco), que diz que “atrelar casos de suicídio ao uso de agrotóxicos na cultura do tabaco é inconsistente”.

Simone Rovadoski

Simone Rovadoski encontrou o corpo do marido na plantação de tabaco da família| copyright Diogo Zanatta

 

O Rio Grande do Sul tem 73.430 famílias (mais de 577 mil pessoas) que colhem 255 mil toneladas de tabaco anualmente, de acordo com a Afubra (Associação dos Fumicultores do Brasil).

A Afubra alega que as empresas fumageiras orientam os agricultores quanto à aplicação correta dos defensivos e o uso de equipamentos de proteção individual (EPIs). Segundo o Sinditabaco, “alguns produtores ainda resistem à utilização correta do EPI”.

Mas “o agrotóxico, para fazer efeito, tem que ser aplicado quando tem sol, naqueles calorões infernais de novembro. O suor embaça os óculos (do equipamento), a máscara sufoca, falta ar. A luva prejudica a coordenação motora fina”, conta Mateus Rossato, 35 anos, que trabalhou na lavoura da família dos 12 aos 20 anos, em Nova Palma, a 224 km da capital gaúcha.

Rossato avalia a falta de ergonomia dos equipamentos de segurança porque hoje entende sobre o corpo humano: é professor de Educação Física na Universidade Federal do Amazonas. Para ele, os equipamentos não são adequados às necessidades reais dos agricultores. E, mesmo quando são usados, não impedem que o veneno, que é carregado nas costas, escorra pelo corpo no momento da aplicação.

Doença da folha verde

Os danos à saúde relatados pelos próprios agricultores, porém, não são somente psíquicos.

Do total de entrevistados no estudo da UFRGS, 67% apresentaram os sintomas da doença da folha verde do tabaco (DFVT), causada pela intoxicação por nicotina através do contato da planta úmida com a pele. Os principais sintomas são vômito, tontura, dor de cabeça e fraqueza, de acordo com o Ministério da Saúde.

Antes de se suicidar, Osbel chegou a ser internado para tratar a depressão. Mas antes foi diagnosticado por diferentes médicos com sinais da doença da folha verde.

Hemograma de José Dell Osbel
copyright Arquivo pessoal

O exame de José Dell Osbel demonstrava o impacto da doença da folha verde do tabaco

“Ele ia para a roça e logo tinha que procurar atendimento porque desmaiava”, relembra Simone.

Ela conta que, depressivo e intoxicado, Osbel também abusava do álcool.

“Os agricultores acabam tratando seus problemas com o álcool. É mais um fator de risco”, afirma o médico psiquiatra Rafael Moreno de Araújo, coordenador do Comitê de Prevenção do Suicídio da Associação de Psiquiatria do Rio Grande do Sul (APRS).

O médico ressalta que o histórico familiar, influenciado tanto pela herança genética como pela cultura local, também colabora para o suicídio. Além de tudo, Osbel tinha um avô que havia se suicidado.

“É uma bomba-relógio”, diz o psiquiatra ao enumerar os fatores de risco aos quais os fumicultores estão expostos: genética, baixa escolaridade, histórico familiar, estilo de vida estressante e intoxicação.

Dívidas com as fumageiras

A questão financeira é o principal gatilho para o estresse entre fumicultores. Eles precisam organizar o dinheiro que recebem apenas uma vez por ano para sustentar a família pelos 12 meses seguintes.

Além disso, a maioria deles tem dívidas com as próprias empresas que compram sua produção. Não é raro que os processos movidos pelas companhias terminem com a tomada das terras dos agricultores.

“A perda das terras é a perda da vida deles”, analisa o advogado Mateus Ferrari, que atende diversos casos de agricultores endividados.

A dívida inicia quando o agricultor se compromete a entregar sua produção a uma empresa específica. A empresa fornece sementes, venenos e equipamentos de segurança e muitas vezes exige a construção de galpões. Mas tudo isso é descontado do valor a ser pago pela produção.

Quando esta é entregue, a empresa classifica as folhas através de uma amostra: quanto mais qualidade, mais será pago. Muitas vezes os agricultores recebem menos do que o planejado e ainda precisam pagar suas dívidas dos insumos.

“Eles não têm como argumentar, a maioria tem escolaridade baixa. É o tempo todo sob ameaça: ‘vamos cancelar o pedido, colocar teu nome no SPC e acionar a Justiça'”, relata Ferrari.

Sob ameaça de perderem suas terras e querendo receber os insumos da próxima safra, os agricultores acabam assinando sua confissão de dívida, não raro com juros sobre juros, sem estarem completamente cientes das consequências.

“A gente tenta salvar as terras, mas não há como combater os contratos. Então, tentamos um acordo para que os agricultores consigam pagar”, explica Ferrari.

Depois que o marido se suicidou, Simone ficou um ano sem plantar porque, endividada, não conseguia adquirir insumos. Só retomou a lavoura porque fez novos créditos no nome “limpo” da filha, de 19 anos.

Falta de apoio

Alguns dos processos contra os agricultores são iniciados pela própria Afubra, em teoria representante deles. A entidade alega que só entra na Justiça contra os fumicultores “quando o individual se sobrepõe ao coletivo”, mas não especificou os casos.

A entidade tampouco respondeu se ajuda os agricultores a entenderem seus contratos ou se atua de alguma maneira na prevenção de suicídios.

O Sinditabaco, questionado se auxilia os agricultores na prevenção do endividamento ou contabiliza o número de casos na Justiça, diz apenas que “trata dos assuntos comuns às empresas associadas e, portanto, não dispõe desse tipo de informação”.

O pai de Júlio Selbach, 47 anos, do município de General Câmara, perdeu 22 hectares de suas terras na Justiça. “A causa está perdida, não conto mais com isso. Continuo lutando, mas vai ser muito difícil reverter”, comenta Selbach.

Seu pai era seu fiador de uma dívida de R$ 150 mil que a família considera “inexplicável”. “No final das contas tudo é legal. O orientador técnico da empresa traz um monte de folhas e manda tu assinar. Eles dizem ‘não adianta nem tu ler que tu não vai entender. Se não quiser assinar o negócio termina aqui'”, relata.

Por causa da dívida e da perda das terras do pai, Selbach largou a plantação de tabaco e agora produz leite. Ele conta que histórias como essa muitas vezes acabam em suicídio porque o “chefe” da família sente culpa por envolver a família em uma situação de conflito.

 

O Rio Grande do Sul tem 73.430 famílias (mais de 577 mil pessoas) que colhem 255 mil toneladas de tabaco anualmente

O psiquiatra coordenador da APRS corrobora a tese. “Nessa região o suicídio é um problema que atinge os homens, que têm essa responsabilidade de ser o provedor da família e acabam ficando com a culpa pela (má) safra, pela dívida”, diz Araújo. Segundo ele, poucos desses homens procuram ajuda psicológica.

Há também, segundo ele, negligência no atendimento do sistema de saúde. “Às vezes o paciente chega (após ter tentado) suicídio, passa por uma lavagem no estômago e é liberado, sem avaliação psiquiátrica”, relata.

Intoxicação infantil

O problema se torna ainda mais complexo porque a entrada de muitos agricultores na lavoura ocorre muito cedo. O marido de Simone, que se suicidou em 2013, trabalhou na lavoura de fumo por 34 anos, desde criança. Rossato, o professor de Educação Física, também trabalhou na roça quando era pequeno.

Por causa da presença constante das crianças no campo, casos de intoxicação e alergias são comuns.

O filho mais velho de Luciana Pereira da Rosa, 44 anos, de General Câmara, apresentou sinais de doença da folha verde quando tinha apenas 12 anos. “Ele ia para a roça colher fumo e vomitava direto”, relembra a mãe.

O filho agora tem 28 anos e recentemente abandonou a atividade, junto com os pais. Todos se mudaram para Taquari, cidade próxima, por causa da alergia da irmã mais nova, hoje com sete anos. “A pele ficava vermelha, saía sangue e levantava uma casca. Era horrível”, lembra Luciana.

Os médicos não davam um diagnóstico preciso sobre a causa, mas Luciana notava que as crises ocorriam logo depois que o glifosato era aplicado nos pés de fumo da família ou de vizinhos.

Com a mudança de cidade, a filha não ficou mais doente.

O Ministério Público do Trabalho do RS não dispõe de estatísticas sobre trabalho infantil nas lavouras. De acordo com a procuradora Erinéia Thomazini, de Santa Cruz do Sul, na região fumageira, “em muitos casos a denúncia de trabalho infantil sequer chega”.

Uma pesquisa do IBGE aponta que 39.659 crianças de 10 a 13 anos trabalhavam no Rio Grande do Sul em 2010.

O Sinditabaco diz combater a prática, mas agrega que “temos ainda um caminho a percorrer para a completa erradicação do problema”. A entidade aponta a necessidade de mais escolas rurais para auxiliar na prevenção.

Quem deixa a plantação de fumo diz que a sensação é de alívio. Mas notícias sobre suicídios de vizinhos e conhecidos sempre chegam.

“Lá na minha região tem uma expressão: ‘só se vende corda com receita médica’. Isso porque é alta a incidência de suicídio dos agricultores. Você junta a depressão com a dívida, a frustração de perder uma safra. É o contexto perfeito para se suicidar”, comenta Rossato sobre os conterrâneos.

Além disso, o silêncio dos agricultores sobre o tema agrava o quadro. ” O suicídio parece que é tratado como um tabu, quase proibido ou até vergonhoso de falar. Claro que dói. Mas preciso falar porque quero que menos gente tire a própria vida, como meu marido fez”, alerta Simone.

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Conheça os impactos por trás da fusão entre Monsanto e Bayer

23, setembro, 2016 Sem comentários

Pulsar Brasil, 19/07/2016

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O anúncio da compra da norte-americana Monsanto pela alemã Bayer na semana passada trouxe um alerta para o perigo que a fusão de grandes empresas do setor agroquímico pode causar para o meio ambiente e saúde da população.

O negócio, orçado em 66 bilhões de dólares, cria a maior fornecedora de químicos e sementes agrícolas do mundo. Com um histórico de forte lobby político,  manipulação de pesquisas científicas e prejuízo aos pequenos agricultores, a Monsanto se consagrou, ao longo de 115 anos de existência, como uma das mais danosas corporações do mundo.

Com a fusão ocorrida na última quarta-feira (15) entre Bayer e Monsanto e considerando apenas o mercado de plantas transgênicas, as corporações terão, juntas, o controle de mais de 90 por cento do setor, se classificando como um dos maiores monopólios do mundo.

A Pulsar Brasil conversou com o agrônomo e consultor técnico da AS-PTA agricultura familiar e agroecologia, Gabriel Fernandes, para entender o risco  que  a fusão das duas empresas pode gerar no mercado agrícola. (pulsar)

Confira a entrevista

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20 anos de Cultivos transgênicos no Uruguai

6, setembro, 2016 Sem comentários

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Muita promessa e pouco resultado

26, julho, 2016 Sem comentários

‘Aedes do bem’ não será adotado pelas prefeituras da RPT

Mesmo com os bons resultados levantados em Piracicaba com os mosquitos transgênicos chamados “Aedes do bem”, os municípios da RPT (Região do Polo Têxtil) ainda estão cautelosos em investir na nova tecnologia. Em janeiro, duas prefeituras haviam manifestado interesse no mosquito, que combate o mosquito transmissor da dengue, zika vírus e chikungunya. Seis meses depois, nenhuma cidade avançou nas tratativas e informaram que esperam comprovações da efetividade do controle.

Desde o início do ano, foram registrados 2.716 casos de dengue na RPT, uma queda significativa quando comparado ao mesmo período de 2015, quando foram mais de 30 mil infectados. Até agora, foram 58 casos de zika e 14 chikungunya, estes últimos importados. Em janeiro, Nova Odessa e Hortolândia haviam demonstrado interesse em investir no “Aedes do bem” como forma de combate às transmissões. A assessoria de imprensa do primeiro município informou que “optou por aguardar novos testes relacionados ao assunto para depois fazer contato com empresa para discussão da implantação do projeto”. Hortolândia não se posicionou sobre o andamento nas negociações para adquirir a tecnologia.

A Secretaria de Saúde de Americana informou, por nota, que “os estudos são promissores, mas que carecem de mais comprovações”. Santa Bárbara “ainda não cogita o uso dessa tecnologia” e Sumaré “prefere manter cautela em relação à sua utilização e avaliar a possibilidade apenas quando as agências reguladoras de saúde comprovarem a eficácia do método”.

Uma fábrica para produção dos mosquitos geneticamente modificados está sendo construída em Piracicaba, devendo entrar em operação até o final do ano, com a capacidade de produzir 60 milhões de poupas por semana. Segundo a empresa produtora da tecnologia, a Oxitec, diversos municípios demonstraram interesse em adquirir os mosquitos, como Paranaguá, no Paraná, e Vitória, no Espírito Santo.

Os mosquitos geneticamente modificados se reproduzem com as fêmeas selvagens, mas carregam um gene que faz com que os filhotes morram antes de chegar à fase adulta. O bairro piracicabano Cecap/Eldorado reduziu em 91% os casos de dengue no período de 2015 e 2016 em comparação com 2014 e 2015, caindo de 133 para 12 registros. O bairro foi escolhido por ter o maior número de casos de dengue durante o Verão de 2014 e 2015, quando a taxa de incidência da doença foi 195% maior do que a contabilizada no resto do município.

Para o infectologista Rogério de Jesus Pedro, da Faculdade de Medicina da PUC-Campinas, a cautela dos municípios é justificada. “A tecnologia é experimental, ainda não tem uma consagração generalizada. Acho que é adequado aguardar resultados conclusivos para depois fazer investimentos maiores”.

Bola fora de prêmios Nobel

20, julho, 2016 Sem comentários

 

“Os experts são incompetentes para tudo aquilo que excede a sua especialidade”

Edgar Morin, 2007, p.150

No final de junho o jornal The Whashington Post publicou matéria divulgando que mais de cem ganhadores do prêmio Nobel haviam assinado manifesto dirigido ao Greenpeace no qual pedem que a organização ambientalista deixe de fazer campanha contra os transgênicos. Na carta aberta, que também é dirigida às Nações Unidas e aos governos ao redor do mundo, os laureados chegam a insinuar que as campanhas do Greenpeace seriam equivalentes a crimes contra a humanidade.

A defesa aos transgênicos é feita a partir do caso do arroz dourado, teoricamente desenvolvido para produzir mais beta-caroteno, precursor da vitamina A, elemento indispensável para se evitar a cegueira. Na argumentação apresentada fica a ideia de que essa solução mágica nunca chegou aos pratos dos que dela poderiam se beneficiar pela difamação da tecnologia promovida pela ONG. Ora, se após 20 anos até hoje não se provou se essa semente funciona e até agora também ela não foi aprovada em nenhum país, não se pode acusar o Greenpeace por mais esse fracasso da indústria dos transgênicos e de sua produtiva fábrica de promessas.

Segundo o professor da UnB Nagib Nassar, FAO e OMS recomendam para crianças de 1-3 anos a ingestão diária de 400 ug da vitamina A, e, para adultos, 500 a 850 ug. O arroz dourado tem 1,6 ug do B-caroteno por grama de peso fresco. A batata doce, o alimento mais barato e abundante para populações pobres, e disponível em todo o mundo, possui 11,4 ug/g. Como o índice de conversão de B-carotena em vitamina A é de 6 por 1, seria necessária comer 1,5 kg de arroz dourado por dia para ter o nível médio de vitamina A recomendado.

Aliás, ainda que o arroz dourado fosse tudo aquilo que se prometeu, ele não poderia servir para uma defesa ampla de qualquer tipo de transgênico como fizeram nessa carta. Afinal de contas, a avaliação dos transgênicos deve se dar caso a caso. E se essas avaliações fossem isentas ou de fato baseadas em dados científicos dificilmente teríamos a ampla lista de soja, milho e algodão liberados por aqui, já que há pelo menos 700 estudos sobre riscos e impactos dos transgênicos que foram descartados pelos órgãos reguladores da biotecnologia e suas aplicações.

O manifesto ilustra bem como podem falhar os especialistas quando usam de sua autoridade científica para emitir opinião sobre áreas que não são as suas e não baseadas em dados de pesquisa.

p.s. Notem que entre a lista dos que assinam o manifesto tem até um Nobel falecido ano passado:
https://www.independentsciencenews.org/news/107-nobel-laureate-attack-on-greenpeace-traced-back-to-biotech-pr-operators/

 

 

Temer pode rever lei que permite uso de aviões no combate ao Aedes

5, julho, 2016 Sem comentários


O presidente em exercício Michel Temer pode rever a lei que prevê o uso de aeronaves no co

mbate ao mosquito Aedes aegypti. Ele chamou para uma conversa o ministro da Saúde, Ricardo Barros, para pedir esclarecimentos sobre os efeitos na população do lançamento de inseticidas pelos aviões.
Reportagem de André Trigueiro, no Jornal Nacional desta segunda (04), revelou que especialistas em saúde pública estão fazendo um alerta sobre o risco de se lançar inseticida de aviões para combater o mosquito transmissor da dengue, chikungunya e zika.

A nova lei sancionada por Temer prevê o uso de aeronaves mediante aprovação das autoridades sanitárias e da comprovação científica da eficácia da medida. Segundo a reportagem, a lei contraria recomendação técnica do próprio Ministério da Saúde, que apontou em abril riscos para a população, para as águas e para os alimentos. Segundo a pasta, há risco de desequilíbrio ecológico causado pela morte de algumas espécies.

O inseticida mais usado no Brasil para combater o mosquito Aedes aegypti é o malathion. Ele costuma ser pulverizado nos carros fumacê, em locais específicos. Segundo a Organização Mundial da Saúde, há evidências de que o malathion causa câncer em animais, mas não se confirmou até o momento o mesmo efeito em seres humanos.

Clique aqui para aderir a abaixo-assinado ao presidente interino e ilegítimo pedindo a derrubada da medida

Crescimento da área global de soja

2, julho, 2016 Sem comentários
Amigos da Terra

Amigos da Terra

URGENTE: Aprovada pulverização aérea nas cidades

29, junho, 2016 Sem comentários

Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida, 28/06/2016

O presidente interino Michel Temer sancionou ontem a Lei nº 13.301/2016, que dispõe sobre medidas de controle do mosquito Aedes Aegypti.

Dentre elas, consta a “permissão da incorporação de mecanismos de controle vetorial por meio de dispersão por aeronaves mediante aprovação das autoridades sanitárias e da comprovação científica da eficácia da medida.

Ou seja, preparem seus guarda-chuvas, pois em breve vai chover veneno na sua cabeça.

Mesmo que a Campanha, Abrasco, Consea, Consems, Conass, Fiocruz, o próprio Ministério da Saúde e tantas outras instituições tenham se posicionado contra, a sede de lucro falou mais alto. A proposta veio justo do Sindicato de Aviação Agrícola (Sindag), coincidentemente no mesmo ano em que a venda de agrotóxicos recua 20%.

A pulverização aérea para controle de vetores, além de perigosa é ineficaz. Anos e anos de aplicação de fumacê serviram apenas para selecionar os mosquitos mais fortes, forçando o aumento nas doses de veneno e a utilização de novos agrotóxicos. Os efeitos na saúde da população exposta à pulverização aérea nas lavouras está extremamente bem relatado no Dossiê Abrasco.

A pulverização aérea é perigosa porque atinge muitos outros alvos além do mosquito. E justo por isso, é também ineficaz. O agrotóxico será pulverizado diretamente sobre regiões habitadas, atingindo residências, escolas, creches, hospitais, clubes de esporte, feiras, comércio de rua e ambientes naturais, meios aquáticos como lagos e lagoas, além de centrais de fornecimento de água para consumo humano. Atingirá ainda, indistintamente, pessoas em trânsito, incluindo aquelas mais vulneráveis como crianças de colo, gestantes, idosos, moradores de rua e imunossuprimidos.

Ainda que a lei aprovada exige a aprovação das autoridades sanitárias, sabemos que o atual ministério interino da saúde  partilha dos mesmos interesses sujos, e não deve demorar muito a aprovar medidas, ou iniciar temerosos testes em populações feitas de cobaia.

Não reconhecemos este governo, e lutaremos até o fim para que o prejuízo da indústria de agrotóxicos não seja recuperado às custas da nossa saúde.

Assine aqui:

https://secure.avaaz.org/en/petition/Presidencia_da_Republica_Veto_a_emenda_que_permite_pulverizacao_aerea_nas_cidades/

 

Contato para imprensa

Jakeline Pivatto: 41 9676 5239

Íris Pacheco: 11 97581 8121

 

Manifestações contra a pulverização aérea nas cidades:

Abrasco: https://www.abrasco.org.br/site/2016/04/nota-contra-pulverizacao-aerea-de-inseticidas-para-controle-de-vetores-de-doencas/

Ministério da Saúde: http://portalsaude.saude.gov.br/images/pdf/2016/abril/01/Esclarecimentos-sobre-pulveriza—-o-a–rea-e-o-controle-de-endemias.pdf

Fiocruz: http://www.ensp.fiocruz.br/portal-ensp/informe/site/materia/detalhe/39855

Conass e Conasems: http://www.conasems.org.br/servicos/todas-noticias/45-ultimas/4615-conasems-e-conass-pedem-veto-a-proposta-de-utilizacao-de-aeronaves-para-dispersao-de-inseticidas-para-controle-do-aedes

A revolução das sementes no semiárido brasileiro

22, junho, 2016 Sem comentários
Banco Comunitário de Sementes em Vitória da Consquista, BA |foto: AS-PTA

Guardiã de sementes em Banco Comunitário do Programa Sementes do Semiárido, Vitória da Conquista, BA | foto: AS-PTA

por Najar Tubino

CARTA MAIOR, 21/06/2016

Aracaju (SE) – Essa estratégia faz parte da lógica de resistência histórica que a ASA organizou nos nove estados do nordeste e o norte de Minas. Uma política pública bancada pelo BNDES e pelos ministérios do desenvolvimento social e combate à fome e o do desenvolvimento agrário. Resultado: 640 bancos de sementes. O maior projeto de sementes crioulas do mundo – o outro reconhecido de Vandana Shiva, na Índia, tem pouco mais de 200 bancos. E que está ameaçado, não pela estratégia em si, porque os agricultores e agricultoras do semiárido guardam sementes há séculos. Mas porque haveria um salto muito maior: mais mil bancos de sementes.

As corporações multinacionais odeiam as sementes crioulas. Elas são o maior exemplo da incompetência dos cientistas das multis em querer produzir sementes de laboratório com penduricalhos químicos, genes e veneno. O semiárido brasileiro é o mais populoso do mundo, aliás, é o bioma brasileiro com maior população – entre 22 e 25 milhões de pessoas. No IV Encontro de Agricultoras e Agricultores Experimentadores a ASA lançou uma cartilha sobre sementes crioulas. É o resultado de um amplo projeto de pesquisa realizado em 240 municípios, 24 territórios e 12 mil famílias.

A lógica histórica do estoque

Antonio Gomes Barbosa é o coordenador do programa de sementes da ASA, além de coordenar o projeto P1M2, também chamado de Uma Terra e Duas Águas, cujo destino final é a produção de alimentos e as criações de animais. A ASA assessora 90 mil famílias de um total de 130 mil que já foram beneficiadas com este programa. Barbosa é um apaixonado por sementes. Em uma conversa de uma hora ele é capaz de fazer o histórico da evolução da humanidade contada através da evolução genética das sementes. É a teoria do estoque. Uma garrafa PET, hoje em dia, usada para estocar sementes do povo do semiárido, guarda a evolução da agricultura. E os agricultores e agricultoras sabem como dosar isso no plantio, mesmo que a cada década ocorra uma seca e a cada 30 anos uma seca de quatro a cinco anos – ainda estamos vivendo uma seca no semiárido, que é a maior da história do Brasil.  

Depois de quase 20 anos de trabalho a ASA está reencontrando com sua lógica histórica – o estoque de comida, tanto para humanos como para os animais. No semiárido o povo nunca usa todas as sementes da garrafa PET. No primeiro plantio pegam 80% das sementes. Se o inverno falhar – quando a chuva não chega – eles ainda arriscam mais 15% na próxima temporada. Cinco por cento é a garantia da produção futura.

A ideia é a autossuficiência

Semente crioula não é apenas o material genético que o povo do semiárido manuseou por séculos. É a tradução do conhecimento acumulado, um conceito que os burocratas da academia teimam em não reconhecer. Muitas vezes, porque muitos deles trabalham para as corporações que ao longo da história rouba este conhecimento e usa o material genético para produzir os seus frankesteins de laboratório, como são os transgênicos. Como diz Antônio Barbosa, a questão da semente crioula não tem nada a ver com romantismo, é que questão de valor, de competição comercial. A política pública, envolvida com a ampliação dos bancos de sementes crioulas, prevê que as famílias possam comercializar as sementes. Um banco de semente recolhe o produto de 20 famílias. Cada município têm três bancos e eles poderiam suprir a necessidade de sementes dos agricultores e agricultoras neste raio de ação. A ideia é a autossuficiência para cada município.

Muita contaminação nos testes de transgenia

O trabalho da ASA de pesquisa encontrou mais de 400 variedades de sementes de milho – a mais ameaça na atualidade -, mais de 300 variedades de feijão de corda e por aí vai. Também realizaram testes de transgenia nas sementes crioulas, para avaliar a contaminação com as sementes transgênicas das corporações. E encontraram muita contaminação, inclusive no Polo da Borborema, na Paraíba, considerado um santuário de sementes.

A estratégia das multinacionais é contaminar as crioulas. Existe também germoplasma guardado na Embrapa que agora as organizações sociais querem aproveitar. A EMBRAPA precisa abrir a caixa preta, porque ninguém sabe o que tem estocado de semente crioula. Além disso, quem vai pagar o prejuízo pela contaminação das crioulas com os transgênicos da Monsanto, Syngenta, Bayer e companhia limitada. Enquanto isso, o povo do semiárido continua fazendo os seus estoques de sementes, trocando em feiras, como o correu em Aracaju, e divulgando o seu conhecimento. Um dos participantes do IV Encontro Nacional é o seu Golinha, Antônio Rodrigues do Rosário, 60 anos, viúvo, dois filhos, três netos, assentado no Tabuleiro Grande, em Apodi (RN).

Um país novo

Conheci Golinha em Juazeiro (BA) no III ENA. É o sujeito que mais sabe vender sementes crioulas – além de ervas medicinais – na barraca do RN, no evento. Em volta dele sempre tem um grupo de pessoas escutando as explicações, as receitas e comprando. Apelidei ele de Senhor Semente. Golinha é um perigo para a Monsanto. Ele bota qualquer diretor de marketing de multinacional no chinelo. É impressionante o conhecimento da família, que começou com o bisavô – morreu com 104 anos -, continuou com o avô que morreu aos 99 e seguiu com o pai, morto aos 99. São 361 anos da Sementes da Tradição, que é a marca do assentado do Apodi.

No IV Encontro de Agricultoras e Agricultores Experimentadores o refrão de uma musica popular era entoado seguidamente. Diz assim:

“- Esse encontro é nosso / esse encontro é do povo / com o semiárido / nós fazemos um país novo”.

  
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Quem sabe quanto se planta de transgênicos?

2, junho, 2016 Sem comentários

Dados oficiais mais confundem que ajudam a explicar; empresas se beneficiam do desencontro dos números

Qual das duas fontes melhor representa a área de milho transgênico na Espanha?

A PESQUISADORA Rosa Binimelis vem procurando dados confiáveis que possam melhor indicar a realidade do plantio de milho transgênico na Espanha, o único cultivo geneticamente modificado autorizado na Europa. Ao comparar os números de duas fontes oficiais do país, o Ministério da Agricultura e o governo regional, a pesquisadora relatou variações de até 66% para um mesmo ano.

Assim como acontece no Brasil, lá também a projeção da área plantada é feita com base no volume de sementes que as empresas declaram haver vendido. Com base nesses dados os ministérios divulgam seus dados “oficiais”. No caso dos governos regionais da Espanha, a outra fonte são os próprios agricultores, que declaram qual variedade plantarão, para fins de acesso a a subsídios da Política Agrícola Comum europeia.

No primeiro caso pode-se imaginar que as empresas teriam interesse em inflar os números a fim de exaltar a adoção de transgênicos, ainda mais em solo europeu. No segundo caso, por algum motivo, os agricultores podem não declarar o tipo de semente adotada.

Fica no ar a confusão, que certamente não beneficia quem planta milho comum, crioulo e/ou orgânico e ainda impõe dificuldades para a fiscalização e a aplicação de regras de coexistência. As empresas agradecem.

– Com informações do Agri/Cultures Project (25/05/2016)

 

TEMOS POUCO TEMPO PARA PROIBIR TRÊS AGROTÓXICOS NO BRASIL

24, fevereiro, 2016 Sem comentários

Participe hoje mesmo de consulta pública no site da ANVISA sobre os agrotóxicos CARBOFURANO, TIRAM e LACTOFEM, que já são proibidos em diversos países.

O CARBOFURANO, banido na Europa, é ALTAMENTE TÓXICO! É um inseticida autorizado para uso em diversas hortaliças, frutas e grãos. O prazo se encerra NESTA QUINTA-FEIRA (25).

O TIRAM é considerado mutagênico, causa TOXICIDADE REPRODUTIVA e possui suspeita de DESREGULAÇÃO ENDÓCRINA, causando PROBLEMAS HORMONAIS. O LACTOFEM é considerado CANCERÍGENO e, por isso, banido na União Europeia. É utilizado na soja. O prazo da consulta para ambos se encerra no dia 7 de março.

Para saber mais, CONSULTE AS RECOMENDAÇÕES E EXPOSIÇÕES DE MOTIVOS sobre agrotóxicos preparadas pelo Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional em http://bit.ly/1LEL0xg

PARA PARTICIPAR DAS CONSULTAS PÚBLICAS, ACESSE http://bit.ly/1WGYQVH

Carta Política da 5ª Conferência Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional

25, janeiro, 2016 1 comentário

“Comida de verdade no campo e na cidade, por direitos e soberania alimentar” foi o tema da conferência que reuniu 1.700 pessoas em novembro último na capital federal.

A carta política da 5a Conferência apresenta um balanço crítico dos avanços e desafios no tema, destacando ações promovidas pela sociedade civil e pelo governo que permitiram avanços no último período no campo da segurança alimentar. Questões controversas que estão na ordem do dia e precisam urgentemente de posicionamento do governo são ressaltadas na carta, como o avanço do agronegócio, das sementes transgênicas e dos agrotóxicos, ameaças legislativas como a recém aprovada lei da biodiversidade, a derrubada da rotulagem dos transgênicos, a tentativa de liberação das sementes terminator e a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 215/00, que afeta povos indígenas e quilombolas.

O documento é referência importante e pode ser lido na página do Consea.

 

 

 

TTIP: já ouviu falar?

8, dezembro, 2015 Sem comentários

Tratado Transatlântico de Livre Comércio e Investimentos (TTIP, na sigla em inglês). É um acordo comercial que vem sendo negociado entre Europa e Estados Unidos e que pretende avançar sobre normas, regulamentos e tudo o mais que se entende como barreiras ao livre comércio. Caso avance esse acordo, como mostra este vídeo da Ecologistas en Acción, as grandes multinacionais do agronegócio terão livre trânsito em toda a Europa, sem beneficiar os consumidores e ameaçando a agricultura local.