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Políticos do RS pressionam contra liberação do Paraquat

3, dezembro, 2014 Sem comentários

Agrolink, 03/12/14

Deputados estaduais do Rio Grande do Sul estão se articulando para proibir a comercialização de Paraquat no estado. Eles vão entregar nesta semana uma “moção de inconformidade” contra a decisão liminar do Tribunal de Justiça do RS que libera a comercialização do agroquímico fabricado pelas empresas Helm e Syngenta.

O Tribunal considerou ilegal uma iniciativa da Fepam (Fundação Estadual de Proteção Ambiental) de proibir a venda de Paraguat no Rio Grande do Sul. De acordo com o TJ, esse órgão não tem competência legal para impedir a comercialização de produtos liberados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Os políticos invocam a Lei 7.747/82, segundo a qual só poderiam ser admitidos no RS produtos importados que tenham uso autorizado no país de origem da fabricação. Alegam que esse é o caso do Paraquat, que está proibido nos países da Comunidade Europeia há mais de cinco anos.

A Fepam entrou com recurso especial extraordinário contra a decisão do TJ, solicitando que a matéria seja avaliada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). O presidente do Tribunal de Justiça encaminhou a pauta para o STF, mas até lá concedeu a liberação provisória para comercialização no RS.

 

 

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Hoje: dia internacional de luta contra os agrotóxicos

3, dezembro, 2014 Sem comentários
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Dia internacional de mobilização contra os agrotóxicos

24, novembro, 2014 Sem comentários

Por Rafael Zanvettor

Caros Amigos, 18/11/2014

No dia 3 de dezembro militantes contra o uso de agrotóxico por todo o mundo irão tomar as ruas no Dia Internacional do Não Uso dos Agrotóxicos, organizado no Brasil pela Campanha Permanente contra os Agrotóxicos e pela Vida. A campanha é uma articulação permanente entre diversos movimentos sociais, sindicais e setores de toda a sociedade civil contra o uso dos agrotóxicos.

A campanha existe há quatro anos, e começou motivada pela mobilização contra os impactos dos agrotóxicos à saúde pública, que atingem diversos territórios e envolvem diferentes grupos populacionais, como trabalhadores rurais, moradores do entorno de fazendas, além de toda a população brasileira, que de um modo ou outro acaba consumindo alimentos contaminados. A posição que o Brasil ocupa desde 2008, como maior consumidor de agrotóxicos do mundo faz com que a mobilização seja ainda mais pertinente.

Chuva de veneno

Além da óbvia pauta principal, contra o uso dos agrotóxicos, existem cinco pontos que são almejados pelo movimento a um prazo mais curto. O primeiro deles é a pressão contra a pulverização aérea, ou seja, a aplicação de agrotóxicos por avião. O coordenador da campanha, o engenheiro Alan Tygel, afirma que o uso dessa forma de dispersão de substâncias químicas é extremamente prejudicial e já deveria estar proibido, como na Europa, onde a prática é vetada desde 2009.

“A gente sabe que uma pequeníssima parte desse veneno atinge de fato as plantas e o resto contamina rios, o solo e expõe as populações que moram no entorno das plantações a tomar chuvas de veneno, como a gente viu em Goiás, em uma escolinha de Rio Verde, entre outros casos”, disse ele, se referindo ao caso da contaminação de funcionários e alunos de uma escola do assentamento rural Pontal dos Buritis, na cidade de Rio Verde.

No caso, os frequentadores da escola foram envenenados pelo agrotóxico Engeo Pleno responsável pelo aparecimento, em longo prazo, de câncer, lesões hepáticas, doenças no sistema nervoso, distúrbios hormonais e malformação. Vômitos, dores intensas na cabeça e falta de ar ocorrem de imediato ao contato com o pesticida, sintomas apresentados pelos 92 contaminados.

Segundo ele, houve algumas vitórias parciais em alguns municípios onde a pulverização aérea foi pontualmente proibida. O engenheiro cita o caso em Limoeiro do Norte (CE), quando Zé Maria do Tomé, líder comunitário e ambientalista, foi assassinado por denunciar as consequências da pulverização aérea de agrotóxicos na região da Chapada do Apodi. O militante foi assassinado uma semana após a aprovação da proibição da pulverização aérea, que caiu um mês após sua morte.

Banimento dos “banidos”

Outro ponto reivindicado pela campanha é a proibição de agrotóxicos que já foram banidos no exterior ou que têm comprovadamente efeitos nefastos para a saúde. “Há diversas substâncias que já foram proibidas nos EUA, na Europa, e até na China e aqui segue sendo uma espécie de uma lixeira tóxica”. No Brasil, a pressão pela proibição já conseguiu alguns avanços, mas ainda anda a pequenos passos. Entre 2010 e 2011, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) conseguiu encaminhar a avaliação de 14 substâncias, das quais 4 já foram banidas. Infelizmente, há outras dez relatorias da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e do Instituto nacional do Câncer que foram engavetados pela pressão da bancada ruralista.

“No ano passado a gente teve o Congresso aprovando a importação de agrotóxicos proibidos no Brasil em caráter de emergência, quando se detectou o surto da lagarta Helicoverpa armigera na Bahia  e se disse que a única solução para essa praga seria uma substância, o benzoato de emamectina, uma substância que já foi proibida no Brasil duas vezes por ser neurotóxica, causar danos neurológicos, e o Congresso permitiu  a importação dessa substância passando por cima dos órgãos de saúde e meio ambiente que a haviam proibido”, lembra o engenheiro. Após a eleição, o fortalecimento dos ruralistas tornará o cenário ainda mais desolador.

Bancada ruralista

Não por outro motivo, a bancada ruralista no Congresso Nacional é a grande inimiga da campanha, e será o alvo da mobilização do dia 3 de dezembro. “Há uma pressão muito forte vindo desses setores do Congresso que são financiados pelo agronegócio, que agem portanto em seu próprio interesse, e agem no sentido de aprovar cada vez mais leis que permitem um uso maior de agrotóxicos”.

Em um caso exemplar, em 2012, um dos gerentes da Anvisa, Luis Claudio Meirelles, foi demitido por pressão do agronegócio, após denunciar irregularidades na liberação de seis agrotóxicos, que foram liberados sem passar pelas avaliações toxicológicas necessárias e com uma falsificação de sua assinatura. “Ele foi demitido porque era alguém que estava lá para cuidar dos interesses da população em termos de saúde”, afirma Alan Tygel.

Isenção tóxica

Além da pulverização área e do banimento de alguns agrotóxicos, ainda há a questão da isenção de impostos sobre os produtos. Os agrotóxicos gozam de um regime de isenção inacreditável dado o prejuízo que eles dão para nossa saúde.

Transgênicos

Inevitavelmente, não se pode falar do uso de agrotóxicos sem falar de transgênicos. Segundo dados do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), de 2001 a 2012, a venda de agrotóxicos no Brasil passou de 328.413 toneladas para 823.226 toneladas, o que representa um crescimento de 288,41%. As datas de aumento rápido do uso de agrotóxicos coincidem com o uso oficial e não oficial de transgênicos no Brasil. Entre 2002 e 2003 começaram as primeiras denúncias de uso ilegal de transgênicos, que entravam pela Argentina. A partir de 2004, com o uso dos transgênicos praticamente consolidado, o governo aprova e regulamenta seu uso.

Para o engenheiro, “a questão dos transgênicos tira completamente a soberania nacional enquanto produtores de sementes. Hoje, se a Monsanto resolve parar de fornecer sementes de milho transgênicos vai haver um caos no Brasil porque quase 90% de nossa produção é transgênica”.

Alternativas

Apesar do cenário difícil, há uma alternativa ao uso do agronegócio imposto pela agroindústria. A engenheira agrônoma Francileia Paulade Castro afirma que o Brasil já tem uma ampla experiência no modelo de produção agroecológico. “Nós temos no Brasil, várias experiências de produção de alimentos de base orgânica que adota os princípios da agroecologia, utilizados, por exemplo, em alguns acampamentos da reforma agrária”, afirma ela. A agroecologia propõe um modelo de produção sem o uso de agrotóxicos ou adubos químicos, focada no equilíbrio entre a produção alimentícia e a natureza.

Segundo ela, com a experiência acumulada da agroecologia, é possível produzir alimentos em larga escala. Visto que 70% da produção alimentícia do País é realizada pela agricultura familiar, não seria difícil implantar os princípios da agroecologia pelo País.

Com a agroecologia, é possível produzir sem o uso de agrotóxicos, através das chamadas caldas naturais, como extratos de alho, fumo, cavalinha, pimenta, pó de rocha, argila, cinza de madeira etc. Mais importante que isso, no entanto, é a manutenção do equilíbrio natural do ambiente. “A agroecologia propõe o equilíbrio da produção de alimentos. Com esse equilíbrio não há a necessidade de uso de agrotóxicos porque o ambiente está em harmonia, e não há os altos índices de ataques de pragas”, afirma ela.

O coordenador da camanha Alan Tygel cita também como solução a construção de zonas livres de agrotóxicos e transgênicos. “É fundamental que a gente consiga estabelecer áreas em que seja proibido o uso de agrotóxicos e transgênicos para que a agroecologia possa se desenvolver de forma plena.”

Falta de incentivo

Por outro lado, o que poderia ser uma solução esbarra na falta de incentivo, crédito e políticas públicas para fortalecer os agricultores familiares. Segundo a engenheira, são necessários “mais recursos para pesquisas em tecnologias para aumentar a produtividade dos produtos orgânicos e mecanismos de comercialização para que o produto orgânico não seja caro. Queremos ofertar um produto orgânico pelo mesmo preço do não orgânico, mas para isso o produtor precisa receber crédito e assistência técnica. E infelizmente, a oferta de assistência técnica hoje ainda é no viés do adubo químico e do agrotóxico, o que dificulta a produção orgânica. E sem crédito e incentivo fica difícil para o agricultor realizar a produção orgânica”.

Segundo ela, é necessário que o governo faça uma escolha do modelo de produção, “porque os dois são incompatíveis. O agronegócio diz que é possível conciliar, mas é impossível, há diversas comunidades que estão sendo impactadas porque ao lado tem uma plantação que acaba contaminando os lençóis freáticos”.

Mais informações podem ser obtidas no site da campanha, clicando aqui.

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Rótulos de alimentos deverão ter indicação da presença de agrotóxicos

24, novembro, 2014 Sem comentários

Século Diário, 19/11/2014

Projeto foi aprovado na Assembleia Legislativa nesta quarta e agora segue para sanção do governador

Any Cometti

Foi aprovado em regime de urgência pela Assembleia Legislativa, na sessão desta quarta-feira (19), o Projeto de Lei (PL) nº 133/2014, que estabelece a obrigatoriedade de indicação expressa sobre o uso de agrotóxicos nos produtos alimentares comercializados no Espírito Santo. O PL, de autoria do deputado Cláudio Vereza (PT), obteve aprovação das comissões de Meio Ambiente e Finanças. As comissões de Saúde e Agricultura não formaram quórum suficiente para votar a matéria.

Latuff_herbicidaLLA lei, que agora precisa ser sancionada pelo governador Renato Casagrande, entrará em vigor 90 dias a partir da data da sua publicação. Os produtos processados parcialmente ou industrializados comercializados no Estado deverão ter a inscrição “produzido com agrotóxico” no rótulo de sua embalagem e os produtos comercializados em sua forma natural deverão ter a mesma inscrição nas caixas de acondicionamento ou exposição. A indicação somente é válida para o varejo, atacado e indústria, dispensando restaurantes e estabelecimentos similares.

Na justificativa do projeto, Vereza defende a nova legislação como uma ação de proteção ao consumidor, uma vez que, como destaca, a população está sendo incluída “à cidadania e ao mercado” devido às novas oportunidades de trabalho, o que aumenta a renda e o acesso ao consumo de bens e serviços.

Posteriormente, aponta que a informação sobre a presença ou não de agrotóxicos no alimento é essencial para o consumidor, da mesma forma que a informação sobre o teor de sal e açúcar e se contém glúten ou não, além de destacar que é comprovado por pesquisas epidemiológicas que a ocorrência de câncer, problemas hormonais, anomalias genéticas e doenças crônicas do sistema nervoso estão diretamente relacionadas à exposição a agrotóxicos.

Além de atacarem diretamente a saúde humana, os resíduos dos químicos se acumulam no solo, na fauna e na flora, e muitas vezes chegam a contaminar lençóis freáticos. O Espírito Santo é o terceiro estado na aplicação de agroquímicos e, assim como ocorre no país, movimentos do campo defendem a proibição da comercialização, uso e aplicação de agrotóxicos que já são proibidos fora do Brasil e a proibição da pulverização aérea em municípios do norte capixaba onde já foram registrados graves casos de contaminação nos últimos anos.

No Espírito Santo, o último Relatório Final do Programa de Analise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (PARA), da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), apontou que os níveis de agrotóxicos são considerados elevados em amostras de abobrinha, alface, pepino, arroz, tomate, uva e abacaxi.

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Campanha convoca população às ruas contra o uso de agrotóxicos

10, novembro, 2014 Sem comentários

http://www.contraosagrotoxicos.org, 10/11/2014

As eleições passaram e o Congresso Nacional não poderia ter ficado pior: mais da metade dos seus membros diz se identificar com a chamada Bancada Ruralista. Além de afrontarem os direitos de indígenas e quilombolas, este grupo suprapartidário é responsável pela aprovação de leis que facilitam o uso de mais agrotóxicos.

No próximo dia 3 de dezembro, data em que celebra-se o Dia Internacional do Não Uso dos Agrotóxicos, a Campanha Permanente contra os Agrotóxicos e pela Vida convoca os cidadãos brasileiros a se unir para exigirmos comida sem veneno. Para isso, é fundamental que o congresso defenda a saúde da população e a agricultura familiar, responsável pela produção de 70% dos alimentos que chegam à nossa mesa.

Além disso, a Campanha defende ainda o fim da pulverização aérea, prática utilizada pelo agronegócio, e a reforma política, de maneira a reduzir o peso dos interesses econômicos e viabilizar nossa representação na Câmara e Senado. Os ruralistas defendem os interesses de cerca de 1% dos proprietários de terra do Brasil, que dominam 44% das áreas brasileiras agricultáveis. Esta é apenas mais uma mostra das distorções de representação do nosso legislativo.

Aulas públicas, panelaço, panfletagem, “feira dos envenenados”. Vale um pouco de tudo. A ideia principal da campanha é demarcar a data nacionalmente e ir às ruas mostrar que a luta contra os agrotóxicos se vincula a um governo progressista, e às ideias da reforma política e participação popular.

Atividades já estão confirmadas em Porto Alegre, Rio de Janeiro e Cuiabá. Também participe! Contate a Secretaria Operativa da Campanha (pelo e-mail contraosagrotoxicos@gmail.com) para saber mais sobre as mobilizações em seu estado e monte também alguma atividade em sua cidade.

A data

Bophal, Índia. Madrugada do dia 3 de dezembro de 1984. Em uma zona densamente povoada, de 27 a 40 toneladas dos gases tóxicos metil isocianato e hidrocianeto, químicos utilizado na elaboração de um praguicida da Corporación Union Carbide, vazam e se dissipam pela cidade, quando os seis sistemas de segurança não funcionam.

30 mil pessoas, oito mil nos três primeiros dias, morreram devido ao acidente e, ainda hoje, estimativas indicam que 150 mil sofrem de doenças crônico-degenerativas causadas pela exposição aos gases letais.

A Union Carbide, posteriormente adquirida pela Dow Química, ainda se nega a fornecer informações detalhadas sobre a natureza dos contaminantes, dificultando que o tratamento médico adequado fosse dado aos indivíduos expostos. A região nunca foi descontaminada e até hoje representa um perigo à população.

O desastre químico foi considerado o pior da história e a data foi estabelecida pela Pesticide Action Network (PAN) como o dia internacional do não uso de agrotóxicos. A Dow é hoje uma das 6 gigantes do mercado de venenos e sementes transgênicas, e em 2012 faturou U$ 60 bilhões.



Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida.
Secretaria Operativa Nacional
fone: (41) 9676 5239
site: www.contraosagrotoxicos.org
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II Simpósio sobre saúde e ambiente

23, outubro, 2014 Sem comentários

Abrasco, 22 de outubro de 2014 – Por Flaviano Quaresma

Agrotóxicos, agroecologia, agronegócio e transgênicos e sua relação com a saúde são discutidos no 2º Sibsa

Inédito no Simpósio, os movimentos sociais tiveram participação importante nas discussões com pesquisadores no eixo que discutiu o desenvolvimento e os conflitos territoriais, a luta pela saúde e ambiente nos territórios

O pesquisador José Maria Ferraz apresentou os problemas associados à liberação do mosquito transgênico

Pesquisadores e movimentos sociais estiveram reunidos na tarde do primeiro dia de programação do 2º Simpósio Brasileiro de Saúde e Ambiente da Abrasco, em Belo Horizonte, para discutir várias questões relacionadas ao desenvolvimento e aos conflitos territoriais com foco na luta pela saúde e ambiente. Temas bastante esperados pelo público no Simpósio, agrotóxicos, agroecologia, agronegócio e transgênicos mantiveram em pauta discussões ricas envolvendo as populações e as situações de saúde/doença.

Agroecologia e Saúde

Moderado por Paulo Petersen, a mesa “Agroecologia e Saúde” alcançou as concepções de relação humanidade-natureza presentes em experiências agroecológicas e seus conflitos com o agronegócio. Participaram dessa atividade Agnaldo Fernandes (Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Apodi – RN), Renato Moreira de Souza (Assentamento Santo Dias – MG) e Emília Alves da Silva Rodrigues (Quebradeiras de Coco – TO).

A partir das experiências contadas, observou-se, principalmente com a participação do público, que a ética pela vida, o protagonismo social, a criatividade e a visão sistêmica são os pontos comuns das histórias de vida apresentadas pelos participantes. Nesse sentido, foram apontados desafios e possibilidades como manter as novas gerações no campo, atuando na lavoura; o diálogo de saberes entre a universidade e o campo; a promoção de intercâmbios de experiências; a possibilidade de repensar o conceito de saúde; a superação da inversão de valores relacionada à comprovação de que o orgânico faz bem e que os alimentos contaminados não são identificados como tal; e a ação crítica do mundo acadêmico junto aos movimentos sociais para transformar a realidade.

Considerações importantes foram destacadas como as questões que precisam ser superadas: a arrogância dos pesquisadores que não têm compromisso político; novos hábitos diários de consumo, especialmente alimentação; que nós não vivemos DA natureza e sim NA natureza; e o enfrentamento do agronegócio.

Agronegócio e Saúde

Um ponto foi crucial durante o debate: agronegócio não pode ser associado à saúde, portanto, o nome da mesa “Agronegócio e Saúde” está equivocado. Nesse encontro, que reuniu José Gomes da Silva, da Associação Regional de Produtores Agroecológicos (ARPA, do Assentamento Roseli Nunes (MT), e Cosme Rite, da tribo Xavantes, Maraiwatsedé (MT), sob a coordenação de Wanderlei Pignati (Abrasco) e Nivia Regina da Silva (MST e Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e pela Vida).

José Gomes apresentou o contexto dos conflitos do Assentamento Roseli Nunes, ligado à cadeia agroindústria no Centro-Oeste (mineração, agrotóxicos e insumos, monoculturas e muita disputa por território). “No sistema capitalista, você vale o que tem. E nós não tínhamos nada”, revelou. Ele disse que sem a organização com o MST, eles não conseguiriam, como também a organização o povo, o apoio dos pesquisadores e com o curso técnico Pé no Chão, que apoiou a transição agroecológica. “O MST é o sangue do assentamento”, afirmou. Revelou ainda que depois de todo esse processo de luta, hoje saem dois caminhões por semana de comida saudável do assentamento para as cidades. “É preciso Reforma Agrária já para resolver a miséria, a fome e todo o quadro de injustiças”, enfatizou Jose Gomes.

Cosme Rite, dos Xavantes, em Maraiwatsedé, disse que mudanças geram conflitos entre os Xavantes. Maraiwatsedé, terra de mato alto e muitos bichos no Mato Grosso, sempre foi alvo de muita gente: da AGIP (empresa de petróleo), dos fazendeiros gaúchos e do agronegócio. “Nosso povo foi expulso de sua terra, levados pela Força Aérea Brasileira para outro lugar, 400 quilômetros de distância de seu local de origem”, disse. Cosme contou que com a Eco 92, a AGIP deixou o território indígena, mas o INCRA permitiu a ocupação pelos fazendeiros. Depois de muitos anos de ocupação, a organização indígena conseguiu durante a Rio +20, expulsar os fazendeiros da terra, entretanto, o solo estava destruído e contaminado. “Não precisamos apenas ocupar a terra, mas produzir e se sustentar. Somos excluídos pelo Estado, sem saúde, educação e assistência. Sofremos muito com a contaminação, até meu neném. Crianças morrem por falta de assistência e negligência médica”, conta Cosme. O indígena afirmou que para conseguir a felicidade para os povos tradicionais a posse da terra é muito importante. “Este simpósio contribui muito para a nossa luta. Nós vamos conseguir se nos unirmos e lutar juntos”, pontuou.

Tão comum nessas histórias estão o atropelo de direitos constitucionais, os conflitos, a morte e a doença, a necessidade de resistência local e articulação global e de que vivemos uma guerra química, na qual o contexto é um ciclo vicioso que determina o nível “aceitável” de veneno que podemos consumir nos alimentos. Nesse sentido, ficou claro que é preciso evitar o êxodo da juventude, fortalecer a educação no campo, construir experiências agroecológicas, ser contra aos transgênicos 2,4D que serão votados no CTNBio, não consumir os produtos do agronegócio, derrotar a bancada ruralista e exigir reforma política, e ter mais encontros como esse para fortalecer um novo cenário de mudanças. “Estou encantada com a possibilidade de diálogo com os movimentos sociais”, ressaltou um participante da plateia.

Transgênicos, Biodiversidade e Saúde

Três focos levaram ao debate nesse encontro: os impactos dos transgênicos na agrobiodiversidade de Minas Gerais, a história da entrada dos transgênicos no Brasil e a organização das resistências, e o mosquito transgênico. Esse tema reuniu Geraldo Gomes (CAA/NM), Gabriel Fernandes (Agricultura Familiar e Agroecologia (ASPTA) e José Maria Ferraz (GEA/NEAD/MDA) sob a moderação de Lia Giraldo (Abrasco) e Leonardo Melgarejo (GEA/NEAD/MDA).

O agricultor Geraldo Gomes apontou os impactos dos transgênicos na agrobiodiversidade, tendo como experiência sua vivência familiar na região de Serranópolis de Minas há mais de quatro gerações. Geraldo e sua família são considerados exemplos de agricultores sustentáveis pela consciência e pelo trabalho realizado por eles em suas terras, enfrentando várias adversidades. Segundo Geraldo, as mortes por veneno, a monocultura do algodão, a perda de biodiversidade, as dívidas e a perda da terra são alguns exemplos dos impactos dos transgênicos. Águas contaminadas, o desconhecimento sobre o que estamos ingerindo, o agravamento dos casos de dengue são outros. Utilizando a consorciação de cultivos, possuindo diversas variedades, em menos de 3 hectares, Geraldo apontou esse como uma das estratégias frente às mudanças climáticas e para a conservação dos cultivos. “Outra estratégia de conservação da agrobiodiversidade é a Casa de Sementes. Sou um guardião pesquisador e sempre busco aumentar a ‘coleção’ de sementes e mais que isso, faço testes de resistência e adaptação do material que obtenho”, revelou.

“É preciso observar que a tecnologia que cria o problema é vendida como a que resolve o problema”, ressaltou Gabriel Fernandes (ASPTA), que trouxe a história da entrada dos transgênicos no Brasil e a organização das resistências. Para ele, vários marcos históricos recentes fortaleceram esse processo como a liberação do plantio da soja no Brasil em 1998 para a Monsanto. “O Brasil é o segundo maior produtor de alimentos transgênicos do mundo e isso é muito grave. Temos 19 tipos de milho liberados, 5 de soja, 12 de algodão, 1 de feijão, 15 vacinas para diversas finalidades, 2 leveduras e 1 mosquito”, revela.

Completamente dentro do contexto ambiental do descontrole climático, do desmatamento, da poluição das águas e do ar, do crescimento das populações e de sua complexidade social fazendo surgir novos determinantes sociais de saúde, José Maria Ferraz (GEA/NEAD/MDA) inseriu o tema do “mosquito transgênico” ao debate. Ele afirmou que da mesma forma que aconteceu com os alimentos, a tecnologia também está sendo testada e utilizada para vários fins como a elaboração de mosquitos geneticamente modificados. “O Aedes aegypti geneticamente modificado é produzido pela empresa inglesa Oxitec em parceria com a empresa Moscamed e a Universidade de São Paulo, a ‘biofábrica’ de Juazeiro (BA), também com parceria com o Governo da Bahia e Ministério da Saúde”, explica. José Maria Ferraz reforçou que em abril de 2014, esses mosquitos foram liberados para uso comercial apesar de não ter sido realizada uma avaliação de risco e de não haver dados conclusivos dos estudos de campo que ainda estão em andamento.

“Agora, o Brasil é o primeiro país do mundo a liberar mosquitos da dengue transgênicos. E isso é muito perigoso. As populações de Juazeiro e Jacobina, na Bahia, foram as primeiras cobaias do mundo, sem ter sido consultadas. Sem contar que todo o território brasileiro também terá o ‘direito’ de ser cobaia, sem que sua população ao menos saiba dos perigos”, enfatizou. Segundo o pesquisador, testes foram feitos com a população em Juazeiro e Jacobina e não comprovaram a redução da doença.

Mas o que é o mosquito transgênico? De acordo com José Maria Ferraz, é um mosquito desenvolvido por uma técnica transgênica para morrer em condições específicas. “No caso, são programados para que suas larvas não sobrevivam na ausência de tetraciclina (antibiótico). Nesse sentido, deverá ser liberado de 10 a 100 mosquitos transgênicos machos para cada fêmea selvagem no local. Entretanto, não há um controle real sobre se machos ou fêmeas. A separação é feita de forma precarizada e acabam sendo liberadas fêmeas também que poderão cruzar com macho não-geneticamente modificados. E qual o efeito disso? Ninguém sabe”, explica.

José Maria Ferraz apresentou dados do relatório interno da Oxitec, onde são observados a sobrevivência de 15% das larvas por um laboratório de um “colaborador, enquanto o da Oxitec apontava para uma sobrevivência de 3%. Segundo a empresa, o laboratório utilizou comida de gato para alimentar as larvas, que tem em seu componente carne de frango, que usa tetraciclina em sua criação. O tratamento térmico da carne de frango não remove a tetraciclina, portanto uma pequena quantidade de tetraciclina foi capaz de reprimir o sistema e levar a sobrevivência das larvas para 15%. “Nossas águas paradas, esgotos a céu aberto têm quanto de tetraciclina? Ou seja, poderemos ter no ambiente mais de 400 mil mosquitos em cada um milhão liberado. Isso implica em risco da tecnologia, que deveria ser impedimento para liberação no meio ambiente. Ainda mais que um estudo realizado no Brasil confirma o desenvolvimento de Aedes aegypti em águas de esgoto”, completou.

Articulação Nacional de Agroecologia apoia Dilma Rousseff

14, outubro, 2014 Sem comentários

dilma brasil agroecologico

CARTA ABERTA DA ARTICULAÇÃO NACIONAL DE AGROECOLOGIA À SOCIEDADE BRASILEIRA DE APOIO À DILMA ROUSSEFF

(…) A ANA, criada em 2002, nunca deixou de fazer críticas contundentes e cobranças ao governo federal sob a liderança de Lula e Dilma, defendendo posições consagradas em seus documentos públicos, como a carta política do III Encontro Nacional de Agroecologia. Somos críticos ao modelo desenvolvimentista em curso, que incentiva os monocultivos e provoca desmatamento, intensifica o uso de agrotóxicos e transgênicos, provoca lentidão na reforma agrária e no reconhecimento dos direitos territoriais das comunidades indígenas e demais comunidades tradicionais e faz a economia do país depender da exportação de poucas commodities agrícolas e minerais. Seguiremos sempre críticos, vigilantes e engajados nas lutas populares.

Mas, além das críticas, é nosso dever reconhecer os avanços e dizer à sociedade que a vida dos/as agricultores e agricultoras familiares melhorou muito com políticas implementadas nos governos Lula e Dilma.

Este trabalho precisa continuar.

(….)

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Na Argentina, Córdoba enfrenta Monsanto

13, outubro, 2014 Sem comentários

Pequena cidade argentina enfrenta gigante Monsanto

A construção de uma instalação da gigante dos transgênicos americana está paralisada há um ano na província de Córdoba

Exame, 09/10/2014

Malvinas Argentinas – A construção de uma instalação da gigante dos transgênicos americana Monsanto está paralisada há um ano na província de Córdoba, região agrícola do centro da Argentina, por moradores e ativistas de uma pequena cidade que denunciam seu impacto ambiental.

“A Monsanto contamina. A Monsanto representa agroquímicos, o glifosato, o roundup, o PVC. Não queremos mais que a Monsanto se instale nessa terra”, disse à AFP Vera Figueroa, que mora perto da fábrica.

O centro da discórdia é uma usina, que servirá para armazenar sementes nas Malvinas Argentinas, uma humilde localidade rural de 15 mil habitantes a 25 km da cidade de Córdoba, a segunda do país e 700 km a noroeste de Buenos Aires.

Os malvinenses cordobeses temem que o vento sopre nos silos da usina e espalhe poeira que possa afetar as vias respiratórias. Temem também que contamine os três poços de água da cidade, e que os campos vizinhos terminem semeando milho transgênico.

Essas são as denúncias pontuais, mas moradores e militantes antitransgênicos apontam para todas as atividades da Monsanto. Segundo eles, a empresa não se preocupa com o meio ambiente.

“Não à Monsanto. Malvinas luta pela vida”, eram os dizeres vistos nas camisetas verdes usadas por moradores em um festival celebrado em meados do mês passado, enquanto um cartaz comparava uma espiga a uma granada.

A população local calcula que a disputa seja a mesma de todos os povoados que ficam perto de campos fumigados com glifosato, um herbicida comercializado pela transnacional. Essa substância beneficia as empresas transgênicas, mas mata todo o resto.

Com sua resistência e um acampamento que mantêm na estrada, em frente ao prédio da fábrica, moradores e ambientalistas conseguiram paralisar as obras há um ano.

Em janeiro, a Justiça suspendeu a construção do empreendimento até que um estudo de impacto ambiental seja concluído.

- Sérios problemas de saúde -

Os moradores garantem que o glifosato tem afetado a cidade.

“Quando fizemos o primeiro estudo epidemiológico com a Universidade de Córdoba, apareceram abortos espontâneos, más-formações e patologias ligadas à respiração e a doenças cutâneas”, enumerou Eduardo Quispe, morador e membro da Assembleia Malvinas Luta pela Vida, em conversa com a AFP.

A Argentina é um grande produtor de grãos e, na safra 2013/14, praticamente 100% da superfície de soja e de algodão foi semeada com variedades geneticamente modificadas (OGM), enquanto o milho transgênico representou 95% do total desse cultivo.

O motor de entrada de divisas da terceira economia da América Latina são as exportações agrícolas, que em 2012 superaram os US$ 29 bilhões, segundo cifras oficiais.

Essa quantidade de recursos, fundamental para a frágil economia argentina, faz que o lobby agrícola não permita que as preocupações dos ambientalistas ganhem peso.

A Monsanto está presente há mais de 50 anos na Argentina, onde o uso de sementes de soja transgênica começou em 1996. Desde então, cresceu de forma contínua e transformou o país no terceiro produtor mundial, depois de Estados Unidos e Brasil.

Em 2050, “9 bilhões de pessoas precisarão de alimentação, combustível e roupas. Como vamos conseguir (atender a esta demanda)?”, questionou a multinacional da agroquímica no site da filial argentina.

Já a ArgenBio, uma organização que defende o uso da biotecnologia, promove o uso dos transgênicos e alega não haver provas de que os agrotóxicos possam afetar a saúde, se usados corretamente.

“Precisamos de uma agricultura muito mais rentável e produtiva, se levarmos em conta que precisamos de uma produção para alimentar os argentinos e exportar. A Argentina vive das exportações agrícolas”, alegou a especialista em Biotecnologia Gabriela Levitus.

Mas a dúvida está especialmente no uso do glifosato, que, na Argentina, é usado para fumegar próximo de áreas urbanas.

Um informe recente da Universidade de Río Cuarto, em Córdoba, que exigiu oito anos de pesquisas, concluiu que há um “claro vínculo” entre o glifosato e mutações genéticas que podem causar câncer, abortos espontâneos e nascimentos com más-formações.

“Os agroquímicos e o dano que provocam estão absolutamente vinculados ao modelo agropecuário vigente”, afirmou o biólogo da UNRC Fernando Mañas, que também denuncia que empresas, produtores e funcionários do governo “costumam ignorar, ou desqualificar pesquisas, cujos resultados lhes sejam inconvenientes”.

USDA aprova sementes transgênicas de soja e milho da Dow Agrosciences

22, setembro, 2014 Sem comentários

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Essas sementes são resistentes ao herbicida 2,4-D, que fez parte do agente laranja usado na Guerra do Vietnã. Elas aparecem como “alternativa” ao sistema Roundup Ready, da Monsanto, que dia a dia perde eficácia. Cabe agora a Agência de Proteção Ambiental (EPA), dos EUA, aprovar a mistura de herbicidas a ser usada no pacote da Dow, isto é, glifosato + 2,4-D.

A matéria abaixo omite a informação, mas o próprio USDA reconhece que a liberação dessas variedades de soja e milho levarão a um aumento sem precedentes no uso de 2,4-D de 2 a 7 vezes até 2020, saltando de 26 milhões para até 176 milhões de libras por ano [1, 2].

A depender da CTNBio, o Brasil será o próximo país a liberar o uso comercial desse nefasto pacote.

Valor Econômico, 18/09/2014

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) aprovou o uso das sementes de soja e milho geneticamente modificadas da americana Dow Agrosciences. A decisão se refere a duas variedades transgênicas de soja e uma de milho, batizadas de Enlist. Agora, a companhia aguarda aval da Agência de Proteção Ambiental americana (EPA) para comercializar os produtos.

As sementes da tecnologia Enlist são resistentes a herbicidas e ervas daninhas (sic). Uma das variedades da soja foi desenvolvida em conjunto com a empresa de tecnologia MS Technology.

A Dow Agrosciences pretende começar a comercializar as três variedades no próximo ano.

A companhia também espera uma decisão da EPA sobre o herbicida Enlist Duo, que, se for aprovado, competirá com o glifosato da Monsanto. O defensivo da Dow Agrosciences faz parte do sistema de controle de ervas daninhas Enlist, que a empresa pretende oferecer em conjunto aos produtores.

 

Apicultores processam Syngenta e Bayer no Canadá

18, setembro, 2014 Sem comentários

adaptado de The Globe and Mail, 03/09/2014.

Apicultores de Ontario ingressaram na Justiça com uma ação contra duas gigantes do agronegócio alegando que seus agrotóxicos têm causado ampla mortalidade das abelhas, aumentando os custos e reduzindo a produção de mel.

Segundo a associação de apicultores de Ontario, Syngenta e Bayer foram negligentes no desenvolvimento, comercialização e distribuição dos produtos à base de neonicotinóides, que são usados nos plantios de milho e soja, entre outros.

Na ação os autores pedem indenização de 450 milhões de dólares pelos danos sofridos e pela perda de enxames.

 

Contra os agrotóxicos

17, setembro, 2014 Sem comentários

folheto_campanha2014

Nos dias 9 e 10 de setembro, a Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida realizou uma reunião nacional com participação de diversas organizações e comitês regionais.

A Campanha se reafirma como uma articulação nacional que luta para denunciar os efeitos dos venenos e do agronegócio e anunciar novos modos de organização da produção agrícola através da agroecologia.

Na reunião, foi lançado o novo panfleto da Campanha, que deve ser distribuído entre os comitês e entidades que compõe a campanha.

Como linhas de ação específicas, a Campanha segue denunciando o uso de agrotóxicos no Brasil proibidos em outros países. Após banir o Metamidofós e o Endossulfam, a Anvisa engavetou o processo de outras substâncias que já têm pareceres prontos desde 2012 indicando o banimento.

A isenção de impostos sobre agrotóxicos é outro ponto central de luta. Os agrotóxicos possuem no Brasil 60% de isenção padrão no ICMS, e isso chega a 100% em alguns estados. Da mesma forma, a Campanha segue sua luta contra a pulverização aérea. A prática, proibida na Europa desde 2009, vêm ocasionando a intoxicação constante das populações no entorno dos monocultivos.

Para os próximos períodos, a pauta de luta deve incluir a questão da água, fundamental para alimentar o debate sobre agrotóxicos no meio urbano. Hoje, apesar da portaria que obriga a análise de 27 princípios ativos de agrotóxicos (2914/2011), essa verificação quase não ocorre no Brasil.

Outros focos de ação da Campanha em todo o país se concentram no apoio aos Fórum de Combate aos Impactos dos Agrotóxicos, coordenados pelo Ministério Público, e na aprovação e implementação do Programa Nacional de Redução de Uso dos Agrotóxicos, no âmbito da PNAPO.

http://www.contraosagrotoxicos.org/index.php/444-campanha-realiza-reuniao-nacional-e-define-linhas-de-acao

Herbicida da Monsanto estaria provocando doença renal em trabalhadores

21, agosto, 2014 Sem comentários

Adital, 20/08/2014

Uma epidemia de uma doença desconhecida, que destrói os rins e tem levado à morte milhares de agricultores em várias partes da América Central e Ásia pode estar relacionada ao herbicida glifosato, vendido sob a marca Roundup, da Companhia Monsanto, indústria multinacional de agricultura e biotecnologia, com sede nos Estados Unidos. Apesar dos alertas dos cientistas sobre os perigos da enfermidade, os EUA não estariam reconhecendo a gravidade da questão.

Há anos, a comunidade científica tenta desvendar o mistério da epidemia de doença renal crônica, que já atingiu países da América Central, além da Índia e Sri Lanka, situados no continente asiático. A doença acomete agricultores pobres que realizam trabalho braçal pesado em más condições de vida e trabalho, em localidades de climas quentes. Em todas as ocasiões em que a enfermidade foi diagnosticada, os trabalhadores haviam sido expostos a herbicidas e metais pesados.

Essa enfermidade é conhecida como CKDu (Doença Renal Crônica de causa desconhecida). Tal afecção dos rins não resulta de diabetes, hipertensão ou outros fatores de risco relacionados à dieta. Diferentemente do que acontece na doença renal ligada a essas debilidades, muitos dos danos da CKDu ocorrem nos túbulos renais, o que sugere uma etiologia tóxica, ou seja, causada por infecção.

Hoje, a CKDu é a segunda maior causa de mortalidade entre os homens de El Salvador, situado ao norte da América Central. Com população de 6,2 milhões de habitantes em área territorial de 21 mil km2, o menor país densamente povoado do subcontinente apresenta, atualmente, a maior taxa de mortalidade por doença renal no mundo. Os vizinhos centro-americanos Honduras e Nicarágua também apresentam taxas extremamente altas de mortalidade por doença renal. Em El Salvador e Nicarágua, mais homens estão morrendo por CKDu do que por HIV/AIDS, diabetes e leucemia juntas.

 

Hoje, a CKDu é a segunda maior causa de mortalidade entre os homens de El Salvado

Na Nicarágua, a epidemia atinge, principalmente, trabalhadores do setor de cana-de-açúcar. No país, que exporta 40% de seu açúcar para os EUA, a esperança de vida de um canavieiro oscila em torno de 49 anos. A causa dessas mortes prematuras se deve à Doença Renal Crônica. Tanto é que, nas planícies do país, região de fartas plantações de cana-de-açúcar, uma pequena comunidade chamada La Isla já testemunhou tantos desses casos que tem sido denominada La Isla de las Viudas (“A Ilha das Viúvas”, em português).

Além da América Central, a Índia e o Sri Lanka foram duramente atingidos pela epidemia. No Sri Lanka, mais de 20 mil pessoas morreram por CKDu nas últimas duas décadas. No estado indiano de Andhra Pradesh, mais de 1,5 mil pessoas receberam tratamento para a doença desde 2007. Como a diálise e o transplante de rim são raros nessas regiões, provavelmente, a maioria dos que sofrem de CKDu irá morrer da doença renal. Leia mais…

Versões legendadas de “O Veneno está na mesa 2″

8, agosto, 2014 Sem comentários

Já estão disponíveis as versões legendadas em inglês e espanhol de “O Veneno está na mesa 2″:

Português – http://goo.gl/Mznqll
Inglês – http://goo.gl/I4TeGy
Espanhol – http://goo.gl/kyyRpY

 

Categories: agrotóxicos, video Tags:

Especial do jornal O Globo sobre fumicultura

6, agosto, 2014 Sem comentários
Foto: AS-PTA

Foto: AS-PTA

Produtores de tabaco enfrentam doenças físicas e psíquicas no RS
Contato com folha do fumo faz nível de nicotina no sangue deles ser até 700% maior que o de fumantes

POR FLÁVIA MILHORANCE
03/08/2014 6:00 / ATUALIZADO 03/08/2014 19:39

http://oglobo.globo.com/sociedade/sustentabilidade/produtores-de-tabaco-enfrentam-doencas-fisicas-psiquicas-no-rs-13473703

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Plantação de tabaco emprega crianças e desmata, diz MP
Ibama constatou que 20 hectares de Mata Atlântica foram devastados perto de lavoura de fumo

POR FLÁVIA MILHORANCE
03/08/2014 6:00 / ATUALIZADO 03/08/2014 10:59

http://oglobo.globo.com/sociedade/saude/plantacao-de-tabaco-emprega-criancas-desmata-diz-mp-13473813

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Modelo de produção controlado pelas fabricantes de cigarros faz plantadores no RS se endividarem
Um produtor que trabalha desde os 7 anos tem débito de R$ 70 mil

POR FLÁVIA MILHORANCE
04/08/2014 6:00 / ATUALIZADO 04/08/2014 7:52

http://oglobo.globo.com/sociedade/saude/modelo-de-producao-controlado-pelas-fabricantes-de-cigarros-faz-plantadores-no-rs-se-endividarem-13478486

[Nesta, destaque para fala do gov. Tarso Genro inaugurando uma fábrica da Philip Morris em 2013: ““vamos incentivar empresas não predatórias (…) a estrutura estatal tem uma função organizadora e indutora do desenvolvimento econômico e social, e é por isso que financiamos essa expansão e estamos muito orgulhosos disso”.]

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Futuro da produção de fumo é tema central de debate de reguladores e ativistas
Reunião da ONU discutirá alternativas para fumicultores. Plantação de alimentos orgânicos é uma porta de saída

POR FLÁVIA MILHORANCE
05/08/2014 6:00

http://oglobo.globo.com/sociedade/saude/futuro-da-producao-de-fumo-tema-central-de-debate-de-reguladores-ativistas-13491112

Senado debate transgênicos nesta quarta dia 6

5, agosto, 2014 Sem comentários

 

Para participar à distância:

 

– Portal e-Cidadania: http://bit.ly/audienciainterativa

 

– Alô Senado: 0800 61 22 11

 

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CDH do Senado discutirá impactos dos transgênicos na alimentação

 

Debate proposto pela senadora Ana Rita vai abordar questões do cultivo à mesa

 

Século Diário, 03/08/2014

 

congressonacionalA Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) promoverá uma audiência pública interativa na próxima quarta-feira (6) para discutir as consequências do cultivo de transgênicos no país e no exterior. A audiência foi proposta pela senadora Ana Rita (PT-ES), presidente da CDH. O debate tratará dos impactos desse tipo de cultura nas populações rurais e urbanas, na soberania alimentar dos povos e sobre a natureza, a terra, a água, a sementes e as economias, principalmente dos países da América do Sul.

Entre os convidados para discutir o tema estão o professor Rubens Onofre Nodari, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC); o professor da Escola Superior de Agricultura da Universidade de São Paulo (USP) Paulo Kageyama; e João Pedro Stédile, que é um dos coordenadores nacionais do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST).

 

Em 2014, a aprovação do primeiro alimento transgênico no mundo completou 20 anos. Mesmo após duas décadas, o uso das sementes modificadas ainda provoca dúvidas e polêmica entre agricultores e cientistas quanto ao impacto que essa produção pode ter na saúde das pessoas: do cultivo à mesa. Leia mais…