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Arquivo da Categoria ‘agrotóxicos’

O perigo dos agrotóxicos

24, janeiro, 2014 Sem comentários

O Globo, 24/01/14

por Fernando Carneiro*

O agronegócio brasileiro vem pressionando a Presidência da República e o Congresso para diminuir o papel do setor de saúde na liberação dos agrotóxicos. O Brasil é o maior consumidor desses venenos no planeta e a cada dia se torna mais dependente deles. Qual o impacto que essas medidas terão na saúde da população brasileira?

No Brasil, a cada ano, cerca de 500 mil pessoas são contaminadas, segundo o Sistema Único de Saúde (SUS) e estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS). Os brasileiros estão consumindo alimentos com resíduos de agrotóxicos acima do limite permitido e ingerindo substâncias tóxicas não autorizadas.

Em outubro, a Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa) revelou que 36% das amostras analisadas de frutas, verduras, legumes e cereais estavam impróprias para o consumo humano ou traziam substâncias proibidas no Brasil, tendência crescente nos últimos anos.

Os agrotóxicos afetam a saúde dos consumidores, moradores do entorno de áreas de produção agrícola ou de agrotóxicos, comunidades atingidas por resíduos de pulverização aérea e trabalhadores expostos. Mesmo frente a esse quadro, mais dramática é a ofensiva do agronegócio e sua bancada ruralista para aprofundar a desregulamentação do processo de registro no país.

Qualquer agrotóxico, para ser registrado, precisa ser analisado por equipes técnicas dos ministérios da Agricultura, Saúde e Meio Ambiente. Inspirados na CTNBIO, instância criada para avaliar os transgênicos, que até hoje autorizou 100% dos pedidos de liberação a ela submetidos, os ruralistas querem a criação da CTNAGRO, na qual o olhar da saúde e meio ambiente deixaria de ser determinantes para a decisão.

Quem ganha e quem perde com essa medida? Não há dúvida que entre os beneficiários diretos está o grande agronegócio, que tem na sua essência a monocultura para exportação. Esse tipo de produção não pode viver sem o veneno porque se baseia no domínio de uma só espécie vegetal, como a soja. Por isso, a cada dia, surgem novas superpragas, que, associadas aos transgênicos, têm exigido a liberação de agrotóxicos até então não autorizados para o Brasil. O mais recente caso foi a autorização emergencial do benzoato de amamectina usado para combater a lagarta Helicoverpa, que está dizimando as lavouras de soja de norte a sul do país. A lei que garantiu a liberação desse veneno tramitou e foi aprovada em um mês pelo Congresso e pela Presidência da República.

A pergunta que não quer calar é: no momento em que a população brasileira espera um Estado que garanta o direito constitucional à saúde e ao ambiente, por que estamos vendo o contrário? Na maioria dos estados brasileiros os agrotóxicos não pagam impostos.

O Estado brasileiro tem sido forte para liberalizar o uso de agrotóxicos, mas fraco para monitorar e controlar seus danos à saúde e ao ambiente. Enquanto isso, todos nós estamos pagando para ser contaminados…

* FERNANDO CARNEIRO é professor da UnB e Coordenador do GT Saúde e Ambiente da Abrasco

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/opiniao/o-perigo-dos-agrotoxicos-11386588#ixzz2rLMzC9lz

 

 

Médicos de Clínicas alertan sobre vínculo entre el aumento de casos de cáncer y los transgénicos

24, janeiro, 2014 Sem comentários

E’A, 23/01/2014

Estudio advierte que aumento de enfermedades cancerígenas no solo está vinculado a la exposición a las fumigaciones con agrotóxicos, sino al consumo de productos elaborados a base de transgénicos.

El profesor de la Segunda Cátedra de Clínica Médica de la Facultad de Ciencias Médicas de la Universidad Nacional de Asunción (UNA), José Luis Insfrán, alertó que el aumento de personas que están siendo diagnosticadas con cáncer en el Hospital de Clínicas es producto de la exposición a las fumigaciones con agrotóxicos y al consumo de alimentos que son elaborados a base de productos transgénicos.

“El monocultivo mecanizado y el de la soja con los transgénicos y las fumigaciones son uno de los factores primordiales al que se le puede culpar como determinante del gran aumento en la aparición de diferentes tipos de cáncer”, expresó Insfrán citado en un boletín de la Facultad de Ciencias Médicas de la Universidad Nacional de Asunción (UNA).

El médico explicó que existe mucha preocupación en diversos países, ya que diariamente se consumen transgénicos a través de los productos que provienen de semillas genéticamente modificadas, y que el proceso final termina con el consumo humano.

“Nosotros intencionadamente hicimos este estudio porque éramos sorprendidos por los casos que los alumnos de Clínica Médica y semiología presentaban a la hora de sus exámenes sobre enfermos que padecían linfomas y leucemias. Actualmente el 30% de los casos presentados están sustentados sobre el diagnóstico de enfermedades hematológicas, cosa que no se veía antes en las mesas examinadoras, porque presentaban otros tipos de diagnósticos y entonces nos sorprendió”, detalló Insfrán.

Señaló además que los médicos hematólogos han detectado un gran aumento de las enfermedades hematológicas como linfomas y leucemias, que actualmente ocupan el tercer lugar en tipos cáncer y que 15 años atrás estaban en el lugar número 17. De esto resulta la preocupación y el motivo de la investigación, que despertó la alarma en el Hospital de Clínicas, informa el reporte médico.

Por su parte, la Dra. Imelda Martínez, jefa del Departamento de Hematología de Adultos del Hospital de Clínicas, brindó datos estadísticos sobre el gran incremento de consultas en dicho centro hospitalario sobre posibles tipos de cáncer en pacientes jóvenes.

Precisó que desde enero a agosto del 2013 han pasado por el servicio 40 pacientes con linfoma de hodgkin, 52 con linfomas no hodgkin, 77 con leucemia mieloide crónicas, 25 con mieloblástica de diversas clases, aplasia medulares 12, mieloma múltiples 29 y leucemia mieloide aguda 24.

Los médicos que realizaron la investigación en el Hospital de Clínicas presentaron el informe al presidente de la Comisión Especial de Investigación del Senado, Luis Alberto Wagner, que está realizando un seguimiento a los casos de fumigaciones ilegales en el campo y sus efectos en la salud. También estuvo presente el doctor Joel Filártiga, autor de varios trabajos sobre la toxicidad de los transgénicos.

Entrevista especial com Karen Friedrich

21, janeiro, 2014 Sem comentários

Por IHU-Unisinos, 15/01/2014

“O modelo de produção agrícola baseado na ‘tecnologia’ química e de transgênicos tem que ser revisto”, afirma a toxicóloga.

Com a resistência gradual das pragas e plantas daninhas aos agrotóxicos tradicionais, a indústria dos transgênicos precisou buscar alternativas mais eficientes para a manutenção de seus resultados. Uma das apostas do mercado é liberar a comercialização de sementes resistentes ao herbicida 2,4-D. A substância já tem o seu uso regulado no País, mas, ainda assim, dúvidas quanto à sua segurança toxicológica levaram uma série de especialistas a apontar a exigência da revisão de sua licença. Neste contexto, a toxicóloga Karen Friedrich alerta: “A liberação da semente legitimaria uma forma de aumentar a aplicação de uma substância tóxica, cujo uso deveria ser diminuído, não incentivado”.

075075075.jpg075075.jpg075Em entrevista concedida por e-mail à IHU On-Line, Friedrich alerta para os perigos da substância, que é conhecida como um dos componentes do Agente Laranja. O composto foi utilizado pelos Estados Unidos durante a Guerra do Vietnã como desfolhante, e sua toxidade gerou milhares de relatos sobre má-formação congênita, câncer e problemas neurológicos. Ainda assim, desde 1945 a substância teve sua patente requerida e utilizada para a agricultura. A toxicóloga da Fundação Oswaldo Cruz ressalta que o uso conjunto do 2,4-D com o 2,4,5-T é que forma o Agente Laranja, mas isoladas as substâncias também geram graves problemas.

“Há vários estudos mostrando que o 2,4-D está associado a alguns tipos de câncer, como aos relacionados a alguns órgãos sexuais e linfomas”, relata ela. “Há estudos indicando alterações de hormônios sexuais e das funções da tireoide”, sem mencionar a produção de dioxina como subproduto – uma substância extremamente tóxica. Para a toxicóloga, as empresas de agrotóxicos apresentam-se como a “solução de todos os problemas” do trabalhador rural e da produção de alimentos no mundo, mas este discurso é enviesado devido aos interesses comerciais envolvidos. “Temos que fazer essa discussão com base científica. Tirar essa discussão ideológica da produção e do desenvolvimento e ver o que é bom para o meio ambiente, para a saúde, e que ao mesmo tempo sustente economicamente o país.”

Karen Friedrich possui graduação em Biomedicina pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, Mestrado e Doutorado em Saúde Pública pela Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca, Fundação Oswaldo Cruz. Atualmente é servidora pública do Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde (INCQS) da Fundação Oswaldo Cruz e professora assistente da Universidade Federal do Estado do Rio.

Confira a entrevista.

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Produtores enfrentam problemas com o Milho RR em lavouras de soja

19, janeiro, 2014 Sem comentários

Aprosoja, 11/12/2013

O milho guaxo, presente em algumas lavouras de soja, tornou-se um sério problema para as propriedades rurais em Mato Grosso. Resultado dos grãos perdidos durante a colheita da segunda safra, o milho cresce em meio à soja em estágio vegetativo que caminha para o estágio produtivo. A resistência já foi constatada na safra passada, mas este ano a situação se agravou, explica o diretor técnico da Aprosoja, Nery Ribas. “Já estamos alertando há duas safras sobre o problema, e os prejuízos que podem causar”.

O fato é sério e essa presença indesejada preocupa por três grandes motivos. Primeiramente, pelo custo que o produtor terá com a aplicação de herbicidas, pois o milho RR é resistente ao principio ativo do glifosato. Em segundo, o milho invasor funciona como uma hospedeira, tornando-se uma boa fonte para disseminação de pragas, servindo de alimento e proteção para a lagarta Helicoverpa spp. E terceiro, pelo milho se tornar uma planta daminha que acaba competindo com a soja pelos nutrientes e água.

O prejuízo pode ser ainda maior, quando há a mistura de grãos de soja e milho durante a colheita. Isso pode gerar descontos para o produtor ao entregar a produção.

Nas visitas realizadas pela equipe técnica da Aprosoja às lavouras de soja em Mato Grosso, a maior concentração do problema foi constatado em locais que houve o cultivo de segunda safra com o milho RR, e até mesmo em híbridos não RR. Dentre os possíveis motivos estão: a polinização do milho “não RR” por híbridos RR, cultivados em áreas próximas, e mistura de sementes de milho RR em híbridos não RR.

Balance del 2013

15, janeiro, 2014 Sem comentários

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Red por una América Latina Libre de Transgénicos -via Biodiversidad en Latino América y El Caribe

Cada año la ONG promotora de los cultivos transgénicos y auspiciada por la industria biotecnológica ISAAA produce informes que dan cuenta la forma en que crecen y se expanden los cultivos transgénicos en el mundo, especialmente en los países del Sur. Pero no nos informa sobre el avance de oposición a los transgénicos en todo el mundo, ni identifica las fuerzas económicas que los impulsan. A continuación, compartimos con ustedes algunos de los procesos de lucha más inspiradores que están siendo sostenidos este año. (Boletín 549 de la RALLT)

A mediados de 2012, la empresa Monsanto señaló que iba a construir una de las plantas de acondicionamiento de maíz transgénico más grande del mundo en la Provincia de Córdoba, en un sitio llamado “Malvinas Argentinas”. Las poblaciones de la provincia ya han sufrido el impacto de estar rodeados de plantaciones de soya donde se hacen continuas fumigaciones con glifosato, lo que ha deteriorado la salud de la población, y ahora han dicho basta. Desde el mes de octubre se mantiene una ocupación del predio para impedir que la empresa avance con los trabajos de construcción de la planta, y hasta ahora lo han logrado, a pesar de las continuas intimidaciones y amenazas que han sufrido varios de los líderes y lideresas del “acampe”. Ya le ganaron la primavera a Monsanto (que es la época de siembra). Ahora van por el verano. Artistas, científicos, activistas de todo el país y de otras regiones del mundo están acompañando este proceso.

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The gene revolution, the future of agriculture

15, janeiro, 2014 Sem comentários

O plano era armar uma revolução na agricultura, a revolução dos genes, mas os problemas colhidos superaram os potenciais benefícios das sementes geneticamente modificadas

Thierry Vrain não arrisca dizer qual será o futuro da agricultura, mas sabe que os transgênicos não fazem parte dele.

Seminário 10 anos de Liberação dos Transgênicos no Brasil – Carta Política

13, janeiro, 2014 Sem comentários

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Conselho Federal de Nutricionistas, 06/01/2014

Por um Brasil ecológico, livre de transgênicos e sem agrotóxicos! O CFN apoia o conteúdo da carta política que traz o posicionamento dos participantes do Seminário 10 anos de Liberação dos Transgênicos no Brasil, realizado entre os dias 21 e 24 de outubro de 2013, em Curitiba. Estiveram no encontro camponeses, representantes de povos e comunidades tradicionais, além de consumidores, pesquisadores, técnicos e membros de organizações da sociedade civil vindos de diversas regiões do País e do mundo.

O documento, construído coletivamente pelos impactados com o avanço dos cultivos transgênicos e do modelo do agronegócio, apresenta uma análise crítica do período desde a legalização da soja geneticamente modificada no Brasil até os dias de hoje. O objetivo é denunciar a ação de empresas e a forma pouco criteriosa com que o tema vem sendo debatido tanto pelo poder público como por uma parcela da comunidade científica.

De acordo com a carta, outra preocupação é alertar a sociedade sobre o cenário enganoso que busca enaltecer os supostos benefícios dos transgênicos e esconde um quadro preocupante, marcado pelo descontrole em relação aos efeitos desses produtos sobre a saúde, o meio ambiente e a economia.

Confira, na íntegra, o documento.

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Pesquisadores alertam para expansão de transgênicos e agrotóxicos no Brasil

13, janeiro, 2014 Sem comentários

João Fellet

Da BBC Brasil em Brasília, 10/01/201

O pedido para a liberação de sementes transgênicas de soja e milho resistentes ao herbicida 2,4-D esquentou o debate sobre a regulamentação de plantas geneticamente modificadas e agrotóxicos na agricultura brasileira.

Pesquisadores e o Ministério Público Federal (MPF) solicitaram em dezembro à Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), encarregada de analisar pedidos de vendas de transgênicos, que suspendesse os trâmites para a autorização das sementes tolerantes ao 2,4-D, um herbicida usado contra ervas daninhas que consideram nocivo à saúde.

Eles dizem que a liberação desses transgênicos poderá multiplicar de forma preocupante o uso do 2,4-D no Brasil.

Paralelamente, cobram maior rigor dos órgãos reguladores na liberação tanto de agrotóxicos quanto de transgênicos e alertam para a associação entre esses dois produtos no país.

Segundo o Ministério do Meio Ambiente, o Brasil é hoje o maior consumidor global de agrotóxicos. O mercado brasileiro de transgênicos também é um dos maiores do mundo. De acordo com a consultoria Céleres, quase todo o milho e a soja plantados no país hoje são geneticamente modificados.

Especialistas ouvidos pela BBC Brasil dizem que a expansão dos transgênicos estimulou o mercado de agrotóxicos no país, já que grande parte das sementes geneticamente alteradas tem como principal diferencial a resistência a venenos agrícolas. Se por um lado essa característica permite maior controle de pragas, por outro, impõe riscos aos consumidores, segundo os pesquisadores.

Agente laranja

No centro do debate, o herbicida 2,4-D é hoje vendido livremente no Brasil e utilizado para limpar terrenos antes do cultivo.

Pesquisadores dizem que estudos associaram o produto a mutações genéticas, distúrbios hormonais e câncer, entre outros problemas ambientais e de saúde. O 2,4-D é um dos componentes do agente laranja, usado como desfolhante pelos Estados Unidos na Guerra do Vietnã.

O MPF pediu à Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) que acelere seus estudos de reavaliação da licença comercial do 2,4-D. O órgão quer que o resultado da reavaliação da Anvisa, iniciada em 2006, embase a decisão da CTNBio sobre os transgênicos resistentes ao produto.

Já a Dow AgroSciences, que fabrica o agrotóxico e é uma das empresas que buscam a liberação dos transgênicos associados a ele, diz que os produtos são seguros. Em nota à BBC Brasil, a empresa afirma que “o 2,4-D é um herbicida que está no mercado há mais de 60 anos, aprovado em mais de 70 países”.

O herbicida teve o uso aprovado em reavaliações recentes no Canadá e nos Estados Unidos. Segundo a Dow, trata-se de uma das moléculas mais estudadas de todos os tempos, gerada após mais de uma década de pesquisa e com base nas normas internacionais de segurança alimentar e ambiental.

Agrotóxicos combinados

O pedido para a liberação das sementes resistentes ao 2,4-D reflete uma prática comum no mercado de transgênicos: a produção de variedades tolerantes a agrotóxicos. Geralmente, assim como a Dow, as empresas que vendem esses transgênicos também comercializam os produtos aos quais são resistentes.

“É uma falácia dizer que os transgênicos reduzem o uso de agrotóxicos”, afirma Karen Friedrich, pesquisadora e toxicologista da Fiocruz.

Friedrich cita como exemplo a liberação de soja transgênica resistente ao agrotóxico glifosato, que teria sido acompanhada pelo aumento exponencial do uso do produto nas lavouras.

Caso também sejam liberadas as sementes resistentes ao 2,4-D, ela estima que haverá um aumento de 30 vezes no consumo do produto.

Segundo a pesquisadora, o 2,4-D pode provocar dois tipos de efeitos nocivos: agudos, que geralmente acometem trabalhadores ou pessoas expostas diretamente à substância, causando enjôo, dor de cabeça ou até a morte; e crônicos, que podem se manifestar entre consumidores muitos anos após a exposição a doses pequenas do produto, por meio de alterações hormonais ou cânceres.

O médico e professor da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) Wanderlei Pignati, que pesquisa os efeitos de agrotóxicos há dez anos, cita outra preocupação em relação aos produtos: o uso associado de diferentes substâncias numa mesma plantação.

Ele diz que, embora o registro de um agrotóxico se baseie nos efeitos de seu uso isolado, muitos agricultores aplicam vários agrotóxicos numa mesma plantação, potencializando os riscos.

Pignati participou de um estudo que monitorou a exposição a agrotóxicos pela população de Lucas do Rio Verde, município mato-grossense que tem uma das maiores produções agrícolas do Brasil.

A pesquisa, diz o professor, detectou uma série de problemas, entre os quais: desrespeito dos limites mínimos de distância da aplicação de agrotóxicos a fontes de água, animais e residências; contaminação com resíduos de agrotóxico em todas as 62 das amostras de leite materno colhidas na cidade; e incidência 50% maior de acidentes de trabalho, intoxicações, cânceres, malformação e agravos respiratórios no município em relação à média estadual nos últimos dez anos.

O pesquisador defende que o governo federal invista mais no desenvolvimento de tecnologias que possam substituir os agrotóxicos – como o combate de pragas por aves e roedores em sistemas agroflorestais, que combinam a agricultura com a preservação de matas.

Já a Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária (CNA) diz que os agrotóxicos (que chama de produtos fitossanitários) são imprescindíveis para proteger a agricultura tropical de pragas e ervas daninhas, assim como para aumentar a produtividade das lavouras.

Cabo de guerra

Pesquisadores e o MPF também querem maior rigor dos órgãos que analisam pedidos de liberação de agrotóxicos e transgênicos.

A liberação de agrotóxicos exige aprovação da Anvisa (que analisa efeitos do produto na saúde), do Ibama (mede danos ao ambiente) e do Ministério da Agricultura (avalia a eficiência das substâncias).

Cobrada de um lado por pesquisadores e médicos, a Anvisa é pressionada do outro por políticos ruralistas e fabricantes de agrotóxicos, que querem maior agilidade nas análises.

Ana Maria Vekic, gerente-geral de toxicologia da Anvisa, diz que há várias empresas, entre as quais chinesas e indianas, à espera de entrar no mercado brasileiro de agrotóxicos.

Ela diz que a falta de profissionais na Anvisa dificulta as tarefas da agência. A irritação dos ruralistas tem ainda outro motivo: a decisão da agência de reavaliar as licenças de alguns produtos.

As reavaliações, explica Vekic, ocorrem quando novos estudos indicam riscos ligados aos agrotóxicos – alguns dos quais são vendidos no Brasil há décadas, antes da criação da Anvisa, em 1999.

“Quando começamos a rediscutir produtos, passamos a ser um calo para os ruralistas”, ela diz à BBC Brasil.

Instatisfeitos, os representantes do agronegócio têm tentado aprovar leis que reduzem os poderes da Anvisa na regulamentação de agrotóxicos.

“Fazemos o possível para nos blindar, mas a pressão é violenta”, diz Vekic.

Questionada sobre a polêmica em torno do 2,4-D, a CTNBio disse em nota que voltaria a discutir o assunto em fevereiro.

Segundo a comissão, o plantio de transgênicos não impede a produção de orgânicos ou de outras variedades de plantas.

A CTNBio disse ainda que não lhe compete avaliar os riscos de agrotóxicos associados a transgênicos, e sim a segurança dos Organismos Geneticamente Modificados.

Milho guaxo amplia custo

28, dezembro, 2013 Sem comentários

Diário de Cuiabá, 15/12/2013

MARIANNA PERES
Da Editoria

Plantas de milho que sobreviveram à entressafra, em Mato Grosso, e germinaram nos campos, foram batizadas de milho guaxo, aquele que como a soja, nasce de forma voluntária e fora de época, e que acaba sendo um problema aos produtores. Os pés que não deixam de ser uma planta daninha estão presentes em meio às lavouras de soja e a sua difícil eliminação começa a trazer preocupações, pois acaba sendo uma a mais para disputar espaço, nutrientes e água com a soja e que vai demandar recursos para seu banimento. O milho guaxo se apresenta como ameaça à lavoura e às margens dos sojicultores.

Como explica o diretor técnico da Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado (Aprosoja/MT), houve relatos da existência e da resistência dele na safra passada. Esse milho guaxo é transgênico e por isso há uma dificuldade maior para destruição. “O milho guaxo resulta dos grãos perdidos durante a colheita da segunda safra. Ele cresce em meio à soja em estágio vegetativo que caminha para o estágio produtivo. A resistência foi constatada na safra passada, mas este ano a situação se agravou. Já estamos alertando há duas safras sobre o problema e os prejuízos que podem causar”.

Conforme alerta a entidade, essa ocorrência é séria e essa presença indesejada preocupa por três grandes motivos. Primeiramente, pelo custo que o produtor terá com a aplicação de herbicidas, pois o milho RR (transgênico) é resistente ao princípio ativo do glifosato. Em segundo, o milho invasor funciona como uma planta hospedeira, tornando-se uma boa fonte para disseminação de pragas, servindo de alimento e proteção para a lagarta Helicoverpa, por exemplo. E terceiro, pelo milho se tornar uma planta daninha que acaba competindo com a soja pelos nutrientes e água.

Saindo do campo, o prejuízo pode ser ainda maior. Da porteira para fora o maior temor é o de que haja mistura de grãos de soja com os de milho durante a colheita e isso irá sem dúvida acarretar em maiores descontos pelas empresas (tradings). E quanto maior o desconto, menos o produtor recebe. O aumento do índice de impurezas em meio à soja seria uma consequência da presença do milho guaxo.

ATENÇÃO – Nas visitas realizadas pela equipe técnica da Aprosoja/MT às lavouras de soja, em Mato Grosso, a maior concentração do problema foi constatada em locais onde houve o cultivo de segunda safra com o milho RR, e até mesmo em híbridos não RR. Dentre os possíveis motivos estão: a polinização do milho “não RR” por híbridos RR, cultivados em áreas próximas, e a mistura de sementes de milho RR em híbridos não RR.

PRESSÃO DE CUSTOS – A Aprosoja/MT alerta: o já elevado custo de produção pode ficar ainda maior para o produtor ao lidar com pragas, doenças e plantas daninhas. E é nesse ponto que as ações de monitoramento e orientação técnica profissional fazem a diferença.

Os dados levantados pela quinta edição do Circuito Tecnológico – expedição realizada pela entidade em outubro – mostram que a necessidade do uso de inseticidas para o combate das pragas é uma preocupação, tanto pela presença generalizada da Helicoverpa, como de outras pragas que são velhas conhecidas dos produtores. Nos questionários, a Lagarta-falsa-medideira (Chrysodeixis includes) aparece em 73% das menções, os percevejos em 53%, a Helicoverpa em 45%, a lagarta do gênero Spodoptera em 26%, a Lagarta-da-soja (Anticarsia gemmatalis) em 9%, e outras pragas são mencionadas em 42% das entrevistas.

A elevação no preço dos defensivos é de 22%, segundo dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), somando um custo aos produtores de R$ 419,53 por hectare. Esse valor pode sofrer alterações ainda maiores no decorrer da safra, em ocasião da ocorrência da lagarta Helicoverpa que pode gerar uma possível elevação nas aplicações específicas para esta praga.

Segundo Nery Ribas, considerando que duas aplicações seriam avaliadas como normais para lagarta, não haveria alterações no custo de produção, entretanto, a partir da terceira aplicação feita especificamente para Helicoverpa, o produtor estaria elevando em média 1,2% seu custo de produção por aplicação. “O produtor precisa monitorar a sua lavoura e ter o acompanhamento de um técnico, para que haja um bom controle de pragas e para que não ocorra um desequilíbrio nutricional, e com isso, o custo de produção tenha elevação maior”.

Os dados do Circuito Tecnológico também mostram a preocupação com doenças na soja. A ferrugem asiática aparece em 86% das propriedades visitadas como a principal doença, seguida pela antracnose com 69%. Com os recentes diagnósticos de ferrugem em várias localidades do Estado, a orientação é para que o produtor fique atento e monitore as lavouras, evitando assim as perdas econômicas geradas pela queda no rendimento de grãos. (Com assessoria)

MPF-DF dá 180 dias para Anvisa concluir reavaliação de herbicida

28, dezembro, 2013 Sem comentários

R7, 24/12/2013

A Procuradoria da República no Distrito Federal (PR/DF) aconselhou à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) que termine, em até seis meses, a reanálise de toxicologia do herbicida sal ou éster amina do ácido 2,4 diclorofenoxiacético (2,4-D), usado contra ervas daninhas de folha larga. A PR/DF indicou também à Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), que protele, pelo mesmo tempo, qualquer resolução a respeito da autorização para o comércio de grãos geneticamente modificados de milho e soja que resistem ao defensivo agrícola.

As recomendações foram enviadas na quinta-feira, 19. Apurações em andamento na Procuradoria-Geral da República (PGR) mostram a presença de incertezas científicas a respeito dos resultados prejudiciais da substância na natureza e no corpo humano. Pesquisas e estudos recentes, por exemplo, estabelecem uma correspondência potencial da utilização do defensivo a mudanças na genética, formação anômala do embrião, contaminação do leite materno, alterações dos hormônios e tumores malignos, entre outras doenças.

A exigência de reexame do registro do 2,4-D no País foi admitida pela própria Anvisa, em 2006, em encontro com funcionários do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Ministério da Agricultura, Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Agrícola (Sindiveg) e PGR.

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A natureza reage às monoculturas

22, dezembro, 2013 Sem comentários

Superinteresssante, 18/12/2013

por Lydia Cintra

No último dia 12, pesquisadores, professores universitários, representantes de órgãos públicos e cidadãos se reuniram em Brasília em encontro promovido pelo Ministério Público Federal e expuseram suas visões sobre os riscos da liberação para uso comercial de sementes de milho e soja geneticamente modificadas tolerantes ao herbicida 2,4-D.

Os agrotóxicos ganharam destaque especialmente a partir da Segunda Guerra Mundial, com investimentos massivos em armas químicas. Muitos dos produtos desenvolvidos para conflitos foram posteriormente destinados à agricultura. Um dos exemplos mais emblemáticos é o agente laranja, usado como desfolhante pelos Estados Unidos na Guerra do Vietnã (1959-1975). Quando pulverizado nas densas florestas vietnamitas, arrancava as folhagens das copas das árvores e aumentava o campo de visão dos soldados norte-americanos. Um dos seus princípios ativos é justamente o 2,4-D, autorizado no Brasil em plantações como arroz, cevada, café, cana-de-açúcar, milho, soja e trigo.

engenheiro agrônomo Leonardo Melgarejo, Mestre em Economia Rural e Doutor em Engenharia de Produção pela Universidade de Santa Catarina (UFSC), esteve presente no encontro. Melgarejo é representante do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) na Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), responsável pela aprovação de transgênicos no Brasil, e faz parte do Núcleo de Estudos Agrários e Desenvolvimento Rural do MDA.

Nessa entrevista, ele explica porque o sistema agrícola baseado em monoculturas é problemático e defende um olhar crítico em relação à aprovação sistemática de sementes transgênicas no país. “Faço parte da CTNBio como membro de um grupo minoritário que é derrotado. Frequentemente pedimos informações e estudos não detalhados nos processos, mas não contamos com a compreensão da maioria, que tende a se satisfazer com os dados gerados pelas empresas, elaborados de forma alinhada aos interesses corporativos”, diz. Leia a entrevista completa abaixo.

Em breve, a gravação da audiência pública estará disponível no site da TV MPF.

Abaixo a entrevista: Leia mais…

Qual a quantidade que cada pessoa pode consumir de agrotóxico?

22, dezembro, 2013 Sem comentários

Superinteressante, 19/12/2013

por Lydia Cintra

Ao entrar em um supermercado e caminhar entre frutas, verduras e legumes, é possível que você já tenha notado gôndolas destinadas apenas a alimentos orgânicos, que, dentre outras coisas, são cultivados sem o uso de agrotóxicos – assunto que vem ganhando destaque ao longo dos últimos anos no Brasil.

As atenções dos holofotes direcionam-se a constatações como a da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco): um dos maiores problemas no Brasil é o uso de muitos princípios ativos que já foram banidos em outros países. De acordo com um dossiê da Associação, dos 50 produtos mais utilizados nas lavouras brasileiras, 22 são proibidos na União Europeia, o que faz com que o país seja o maior consumidor de agrotóxicos já banidos em outros locais do mundo. “Quando um produto é banido em um país, deveria ser imediatamente em outros. Quando chega ao Brasil para fazer o banimento é um luta enorme das entidades sanitárias”, diz a médica toxicologista Lia Giraldo, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz/ Ministério da Saúde).

Em 2011, uma pesquisa conduzida pela Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT) em parceria com a Fiocruz comprovou que até mesmo o leite materno pode conter resíduos de agrotóxicos. O estudo coletou amostras em mulheres do município de Lucas do Rio Verde/MT, um dos maiores produtores de soja do país. Em 100% delas foi encontrado ao menos um tipo de princípio ativo. Em algumas, até 6 tipos.

Hoje, é difícil dissociar safras recordes e indústria química, responsável pela fabricação de herbicidas, inseticidas e fungicidas que matam e controlam a disseminação de plantas daninhas, insetos e fungos nas plantações. Só em 2012, 185 milhões de toneladas de grãos foram colhidas no Brasil. Números tão expressivos se justificam para além das extensões continentais do território brasileiro. Um sem-fim de opções tecnológicas para evitar perdas de produção está disponível aos agricultores. Dentre elas, mais de 1.640 agrotóxicos registrados para uso.

Um dos pontos importantes do processo político de incentivo ao uso de venenos no Brasil aconteceu na época do regime militar, quando, em 1975, foi instituído o Plano Nacional de Defensivos Agrícolas, que condicionava a obtenção de crédito rural pelos agricultores ao uso dos produtos químicos nas lavouras. “Foi também nesta época que apareceram as primeiras denúncias de contaminação de alimentos e intoxicação de trabalhadores rurais”, explica engenheiro agrônomo e consultor ambiental Walter Lazzarini, que teve participação ativa na formulação da Lei dos Agrotóxicos brasileira (7.802) em 1989.

A lei vigora até hoje, com algumas mudanças no texto original. O gargalo, porém, fica visível nocumprimento do que prevê a legislação. “Existe um descompasso entre a regra e os mecanismos para cumpri-la. O país investe menos do que deveria em fiscalização e monitoramento”, comenta Decio Zylbersztajn, professor e criador do Centro de Conhecimento em Agronegócios da FEA/USP.

Um estudo da USP revela que, entre 1999 e 2009, o Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas (Sinitox) registrou 62 mil intoxicações por agrotóxico no país – uma média de 15,5 por dia. Apesar de altos, os números não refletem totalmente a realidade, já que projeções do próprio Sistema indicam que para cada caso de intoxicação notificado, 50 acabam no desconhecimento. “Faltam dados de registro das intoxicações para suportar a necessidade de uma política de fiscalização na aplicação”, alerta Lazzarini.

A repercussão dos números levanta debates entre movimentos civis e órgãos regulatórios. Aumentar a rigidez das fiscalizações e proibir o uso dos produtos químicos já banidos em outros países são algumas das exigências da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida, que reúne entidades, organizações civis e comunidade científica em Comitês Populares presentes em quase todos os estados brasileiros. Outra proposta da Campanha é a rotulação dos produtos alimentícios com as informações sobre os agrotóxicos utilizados.

 

Saúde é quantificável?
Para a aprovação de novos agrotóxicos, são obrigatórios estudos conduzidos em animais de laboratório, que supostamente indicam a quantidade máxima de resíduos que uma pessoa pode consumir por dia. É o IDA: Índice Diário Aceitável.

De acordo com a Anvisa, a ingestão dentro do índice não causa dano à saúde. Mas a médica Lia Giraldo contesta a sua eficiência, uma vez que os testes não levam em conta concentrações prolongadas, mesmo que baixas. “Criou-se uma teoria de que o efeito é decorrente da quantidade e não do produto, das reações químicas. É uma teoria científica muito linear, dose-efeito, como se tudo dependesse só da quantidade. Essa ideia ainda está vigente na regulamentação”, explica. “O que se faz para aceitar os agrotóxicos no mercado são estudos experimentais em animais que tem vida muito curta. Não há tempo para eles desenvolverem as doenças crônicas degenerativas que os humanos manifestam por viverem mais”.

A intoxicação crônica, que se desenvolve ao longo de meses, anos ou até décadas, pode levar a doenças hepáticas e renais, câncer, malformação congênita, problemas de fertilidade, reprodução, além de distúrbios neurológicos, mentais e endócrinos. “Considero que os indicadores fazem uma inversão de complexidade. É anticientífico. Um ser humano é diferente do outro, cada organismo vai manifestar as alterações na sua singularidade. A saúde plena não pode ser garantida, mesmo se o indicador for respeitado”, diz Lia.

Um exemplo: o índice chega a um valor que permite que as pessoas comam um tomate e não morram intoxicadas. “Mas isso não quer dizer que se você comer um tomate todos os dias ao longo de anos você não desenvolva um câncer”, explica a médica. “Não existe quantidade ‘menos pior’. Temos que ser críticos. Há uma convenção baseada em um indicador que não tem sustentabilidade científica, embora se utilize de uma determinada ciência pra justificar sua existência”.

Além disso, analisar e identificar os efeitos combinados de diferentes substâncias químicas, em situações distintas de exposição (ar, água, solo, alimentos), são verdadeiros desafios para a ciência chegar a números que possam ser considerados seguros. “No cozimento quanto é degradado e se transforma em outras substâncias que podem ser até mais tóxicas? O ideal é garantir que não tenha resíduos, e pra isso seria necessário não ter agrotóxicos”.

Leonardo Melgarejo, engenheiro agrônomo que representa o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) na Comissão Nacional de Biossegurança (CTNBio), também defende que “é equivocado supor que pequenas doses de veneno devem ser aceitas nos alimentos porque causam pequenos danos”. Para ele, a alternativa é buscar produtos orgânicos, que devem (e podem) ser disponibilizados para todos. “A produção em policultivo é maior por unidade de área, mais intensiva em mão de obra e menos demandante de insumos externos. Com ela é possível gerar ocupações produtivas, ampliar a oferta de alimentos e minimizar riscos de intoxicação, custos com a saúde”. (Leia a entrevista com Leonardo Melgarejo na íntegra no post anterior).

Lavar os alimentos resolve? Na verdade, a prática é importante apenas para higienizá-los, mas não retira os produtos químicos, já que os resíduos circulam nos tecidos vegetais pela seiva. “O agrotóxico é utilizado por todo o ciclo da produção e atinge a planta sistemicamente”, explica a médica.

A Anvisa também alerta que mesmo os chamados agrotóxicos “de contato”, que agem externamente no vegetal, podem ser absorvidos pelas porosidades da planta. A Agência aconselha que produtos in natura devem vir de fornecedores qualificados pelo cumprimento das Boas Práticas Agrícolas, como o respeito ao período de carência (intervalo entre a aplicação do agrotóxico e a colheita).

Este texto é um complemento à reportagem “Comida Química”, publicada na edição verde da Superinteressante, que está nas bancas este mês.

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Transgênicos: a importância de abrir o debate

22, dezembro, 2013 Sem comentários

Audiência promovida pelo Ministério Público Federal revela que persistem dúvidas sobre “segurança” das plantas modificadas e expõe necessidade de romper silêncio sobre temas nacionais relevantes

Outras Palavras, 19/12/2013

Por Elenita Malta Pereira

O Ministério Público Federal (MPF) realizou em 12 de dezembro de 2013, em Brasília, uma audiência pública sobre a iminente liberação de sementes transgênicas de milho, soja e algodão resistentes ao herbicida 2,4-D, componente do famoso “Agente Laranja” que tanto prejuízo causou ao Vietnã. O MPF, a AGAPAN e o Instituto de Defesa do Consumidor (Idec) já haviam solicitado à Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTN-Bio) a realização da Audiência, para discutir com maiores detalhes os riscos da utilização dessa tecnologia. No entanto, a comissão recusou a proposta, e o MPF decidiu realizar o evento em suas próprias dependências.

Na audiência, transmitida pela TVMPF ao vivo, foram ouvidos representantes a favor e contra os transgênicos, de forma democrática. Em três mesas temáticas, foram abordados as pesquisas sobre o 2,4-D; aspectos da avaliação toxicológica do produto no Brasil e exterior – aqui ele é considerado “Extremamente tóxico”; riscos à saúde humana e animal, danos ao ambiente; a estrutura e composição da CTN-Bio, implicações éticas de suas ações e sugestões para melhorar seu funcionamento.

Os dois primeiros expositores defenderam o uso da tecnologia de transgênicos + agrotóxicos (agricultura convencional). Ivo Carraro, representante da CNA, começou citando a chamada de uma reportagem: “o agronegócio fez a sua lição de casa”, para reforçar supostos ganhos em produtividade. Segundo ele, o agronegócio é responsável pelo superávit da balança comercial brasileira, e tem conseguido isso superando uma equação difícil: produzir alimento e, ao mesmo tempo, preservar o ambiente.

Para justificar seu apoio à tecnologia OGM, comparou dados da agricultura dos anos 1970 com o cenário atual, afirmando que houve um crescimento de 317% na produção, enquanto a área plantada aumentou em apenas 47%. Isso comprovaria para ele que esse modelo de “agricultura é eficiente, preserva o ambiente e alimenta o vivente”. Para Carraro, como a alta produtividade dessa tecnologia, não haveria necessidade de desmatamento, por isso, ela promoveria a preservação do ambiente.

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Bayer e Syngenta tentam derrubar proibição de inseticidas tóxicos a abelhas na Europa

22, dezembro, 2013 Sem comentários

Greenpeace Espanha, 16/12/2013.

ONGs intervêm na justiça em favor da proibição

Greenpeace Internacional, o Bee Life European Beekeeping Coordination e outras quarto organizações ambientais e de defesa dos consumidores (Pesticides Action Network Europe, ClientEarth, Buglife e SumOfUs) solicitaram intervir ante o Tribunal de Justiça da União Europeia em defesa da proibição parcial a três agrotóxicos em toda a UE, como resposta à ação judicial impetrada pelas empresas químicas Syngenta e Bayer, que querem anular a proibição. O Greenpeace considera esta proibição necessária e que deve ser ampliada dadas as evidências existentes.

“A Bayer e a Syngenta lançaram seus advogados para atacar uma proibição que é cientificamente rigorosa, juridicamente correta e que ajuda a proteger os interesses gerais dos agricultores e dos consumidores europeus. A proibição parcial destes três inseticidas é só um primeiro passo, mas necessário, para proteger as abelhas na Europa. Deve ser defendida dos ataques das empresas que perseguem seus interesses particulares em detrimento do meio ambiente”, afirmou Marco Contiero, diretor de Política Agrícola da UE do Greenpeace.

proibição, que entrou em vigor em 01 de dezembro, recai sobre três inseticidas produzidos pela Syngenta (tiametoxam) e Bayer (imidacloprido e clotianidina) que pertencem a uma classe de substâncias químicas conhecida como neonicotinoides. A Comissão Europeia adotou a proibição baseando-se nas avaliações científicas da Autoridade Europeia de Segurança Alimentar (EFSA, na sigla em inglês) que demonstram os impactos negativos destes inseticidas sobre as abelhas. A proibição recebeu um forte apoio político dos governos da UE.

O Greenpeace Internacional publicou em 16 de dezembro os resultados de um estudo científico piloto de campo que proporciona uma prova mais sobre as vias de exposição das abelhas à contaminação. O estudo mostra que a água exudada por plantas cujas sementes tenham sido tratadas com certos neonicotinoides contêm concentrações muito altas destes inseticidas, o que dá lugar a uma exposição potencialmente mortal para as abelhas que bebem este líquido, denominado água de gutação. (…)

Estudo aponta descontrole com inseticidas

22, dezembro, 2013 Sem comentários

Folha de S. Paulo, 06/12/2013.

Parte dos produtores está deixando para trás as boas práticas de combate ao percevejo, um inseto que ataca as vagens da soja.

Referência mundial na década de 1980 por boas práticas no combate ao percevejo e redução no número de aplicações de inseticidas, o país volta a elevar o número de pulverizações.

Nos anos 1980, o produtor se destacou ao utilizar o chamado “Manejo Integrado de Pragas”, quando reduziu as aplicações de inseticidas de cinco para duas vezes. Agora, as aplicações chegam a até sete por safra.

Os dados fazem parte de estudo feito pela Embrapa Soja em áreas de produtores da cooperativa Coamo. O estudo, feito em lavouras de Santa Catarina, Paraná e Mato Grosso do Sul, mostra um descontrole nas aplicações de inseticidas no campo.

O resultado traz preocupações tanto econômicas como ambientais. A empresa constatou que os produtores que ainda se utilizam de boas práticas para o controle das pragas necessitam de apenas duas aplicações por safra.

O estudo constatou ainda que é comum a aplicação preventiva de inseticida. “Essas aplicações não resultam em benefícios para a produtividade ou qualidade dos grãos, além de não reduzir a intensidade do ataque da praga na fase crítica da soja”, diz Samuel Roggia, pesquisador da Embrapa e um dos responsáveis pela pesquisa.

Daniel Ricardo Sosa-Gomez, da Embrapa Soja, diz que a aplicação de inseticidas antes do período crítico do ataque dos percevejos elimina os inimigos naturais da praga, favorece o desenvolvimento de insetos resistentes, além de elevar custos.

Esse manejo inadequado por parte do produtor no combate às pragas permite, ainda, o aparecimento de outras espécies que antes eram consideradas secundárias, como lagartas e ácaros.

Roggia diz que a pesquisa apontou que o monitoramento das lavouras dever ser o subsídio básico para o controle da praga. “Há a necessidade do uso de amostragens para o momento correto das aplicações”, diz ele.

Para a pesquisadora Clara Beatriz Hoffmann Campo, da Embrapa Soja, apesar desse certo descontrole no combate à praga, há informações disponíveis para o produtor reverter esse quadro.