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Arquivo de maio, 2010

Amplo uso de pesticidas leva ao surgimento de “superervas” resistentes

31, maio, 2010 Sem comentários

Pragas tenazes obrigam agricultores a retomar o arado


Por WILLIAM NEUMAN e ANDREW POLLACK, do New York Times


Folha de São Paulo, 31/05/2010 | DYERSBURG, Tennessee – Assim como o uso intensivo de antibióticos contribuiu para a ascensão de supergermes resistentes a medicamentos, o uso quase generalizado pelos agricultores americanos do herbicida Roundup levou ao rápido crescimento de novas e tenazes superervas.

O mato resistente ao Roundup também é encontrado em outros países, como Brasil, Austrália e China, segundo pesquisas.

Para combatê-lo, os agricultores são obrigados a borrifar os campos com herbicidas mais tóxicos, arrancar o mato manualmente e voltar a métodos mais trabalhosos, como a aração comum.

“Voltamos ao ponto em que estávamos 20 anos atrás”, disse Eddie Anderson, agricultor que vai arar cerca de um terço de seus 1.200 hectares de soja nesta estação, mais do que arou em muitos anos. “Estamos tentando descobrir o que funciona.”

Especialistas dizem que esses esforços poderão causar um aumento do preço dos alimentos, menor produtividade das colheitas, crescentes custos agrícolas e mais poluição da terra e da água. “É a maior ameaça isolada à produção agrícola que já vimos”, disse Andrew Wargo, presidente da Associação de Distritos de Conservação do Arkansas.

A primeira espécie resistente que representou ameaça séria à agricultura foi localizada em um campo de soja no Estado de Delaware em 2000. Desde então, o problema se disseminou, com dez espécies resistentes em pelo menos 22 Estados infestando principalmente campos de soja, algodão e milho.

As superervas podem diminuir o entusiasmo da agricultura americana por algumas colheitas geneticamente modificadas. A soja, o milho e o algodão que são manipulados para sobreviver ao borrifamento com Roundup tornaram-se padrão nos campos dos EUA. No entanto, se o Roundup não matar as ervas daninhas, os agricultores terão pouco incentivo para investir em sementes especiais.

O Roundup -fabricado pela Monsanto mas hoje também vendido por outras empresas sob o nome genérico de glifosato- elimina um amplo espectro de ervas daninhas, é fácil e seguro de trabalhar e se decompõe rapidamente (sic).

Hoje as plantações com sementes Roundup Ready representam cerca de 90% da soja e 70% do milho e do algodão plantados nos EUA. Mas os agricultores já borrifaram tanto Roundup que o mato evoluiu rapidamente para sobreviver a ele.

Anderson está lutando com uma espécie de erva particularmente resistente ao glifosato, chamada Palmer amaranth, ou “erva-porco” [caruru] na denominação local. Na tentativa de matar a praga, Anderson e seus vizinhos estão arando seus campos e misturando herbicidas ao solo.

Isso ameaça reverter um dos avanços agrícolas promovidos pela revolução do Roundup: a agricultura com aração mínima. Ao combinar Roundup com colheitas Roundup Ready, os fazendeiros não precisavam arar abaixo das ervas para controlá-las. Isso reduzia erosão, vazamento de produtos químicos para cursos de água e gasto excessivo de combustível nos tratores.

Se a aração frequente se tornar novamente necessária, será “uma grande preocupação para nosso meio ambiente”, disse Ken Smith, cientista de ervas daninhas da Universidade do Arkansas.

Além disso, críticos de colheitas geneticamente modificadas dizem que o uso de mais herbicidas contesta as alegações da indústria de biotecnologia, de que suas colheitas seriam melhores ao meio ambiente. “A indústria está nos levando a uma agricultura mais dependente de pesticidas, e precisamos ir na direção oposta”, disse Bill Freese, analista do Centro para Segurança Alimentar, em Washington.

A Monsanto, que antes afirmava que a resistência não seria um problema maior, hoje adverte contra se exagerar em seu impacto. Rick Cole, que administra o tema nos EUA para a empresa, disse: “É uma questão séria, mas administrável”.

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É um pesadelo agronômico; O herbicida seleciona pragas resistentes

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– p.s.:

O motivo pelo qual os agricultores estadunidenses não retomaram largamente o plantio com sementes não transgênicas é a falta delas no mercado. A Monsanto e um punhado de outras sementeiras dominam completamente o mercado no país e impõem aos agricultores o uso de sementes transgênicas. Aqui seguimos pelo mesmo caminho com a crescente concentração do mercado de sementes.

Ao contrário do que anuncia a indústria, os transgênicos só aprofundam os problemas já existentes na chamada agricultura convencional: maior contaminação, maior dependência e menor rendimento para os agricultores.

Brasil é destino de agrotóxicos banidos no exterior

31, maio, 2010 Sem comentários

AE – Agência Estado, 30/05/2010

Campeão mundial de uso de agrotóxicos, o Brasil se tornou nos últimos anos o principal destino de produtos banidos em outros países. Nas lavouras brasileiras são usados pelo menos dez produtos proscritos na União Europeia (UE), Estados Unidos e um deles até no Paraguai. A informação é da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), com base em dados das Nações Unidas (ONU) e do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio.

Apesar de prevista na legislação, o governo não leva adiante com rapidez a reavaliação desses produtos, etapa indispensável para restringir o uso ou retirá-los do mercado. Desde que, em 2000, foi criado na Anvisa o sistema de avaliação, quatro substâncias foram banidas. Em 2008, nova lista de reavaliação foi feita, mas, por divergências no governo, pressões políticas e ações na Justiça, pouco se avançou.

Até agora, dos 14 produtos que deveriam ser submetidos à avaliação, só houve uma decisão: a cihexatina, empregada na citrocultura, será banida a partir de 2011. Até lá, seu uso é permitido só no Estado de São Paulo.

Enquanto as decisões são proteladas, o uso de agrotóxicos sob suspeita de afetar a saúde aumenta. Um exemplo é o endossulfam, associado a problemas endócrinos. Dados da Secretaria de Comércio Exterior mostram que o País importou 1,84 mil tonelada do produto em 2008. Ano passado, saltou para 2,37 mil t. “Estamos consumindo o lixo que outras nações rejeitam”, resume a coordenadora do Sistema Nacional de Informação Tóxico-Farmacológicas da Fundação Oswaldo Cruz, Rosany Bochner.

O coordenador-geral de Agrotóxicos e Afins do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Luís Rangel, admite que produtos banidos em outros países e candidatos à revisão no Brasil têm aumento anormal de consumo entre produtores daqui. Para tentar contê-lo, deve ser editada uma instrução normativa fixando teto para importação de agrotóxicos sob suspeita. O limite seria criado segundo a média de consumo dos últimos anos. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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Arroz gera debate na Embrapa

28, maio, 2010 Sem comentários

Mauro Zanatta para o Valor Econômico, 21/05/2010.

Instalada em meio à polêmica entre cientistas e pesquisadores sobre a liberação do primeiro arroz transgênico no país, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) admite haver divergências entre seus pesquisadores, mas atenua a extensão do conflito acerca de sua posição oficial na Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio).

O diretor-executivo Kepler Euclides Filho admite ser inevitável o cruzamento da variedade transgênica com tipos convencionais e selvagens. “Evidentemente, pode haver divergências em uma empresa, mas não tem oposição. O que houve foi a complementação da nossa posição oficial”, afirma. “Um disse que poderia haver cruzamento com o arroz vermelho. O outro disse que isso é possível, mas que um manejo adequado pode evitar uma catástrofe”.

Na semana passada, vieram à tona as divergências na Embrapa quando o pesquisador Ariano Magalhães Junior contestou, em debate na CTNBio, a posição do colega Flávio Breseghello sobre o potencial de dano embutido na liberação do arroz “Liberty Link”, da Bayer CropScience. Em março de 2009, Breseghello afirmou que o arroz traria risco à segurança alimentar e poderia causar problemas agronômicos ao cruzar-se com arroz selvagem.

Magalhães disse ser possível conter o dano com manejo adequado do arroz transgênico. “Esse cruzamento vai acontecer, é indiscutível. Ninguém está dizendo o contrário. Mas temos que tirar essa mensagem catastrófica e evitar alarme desnecessário”, acrescenta.

Proibição da alfafa transgênica nos EUA está nas mãos da Suprema Corte

28, maio, 2010 Sem comentários

Pela primeira vez na história dos EUA a Suprema Corte analisa um caso envolvendo sementes transgênicas. O litígio teve início há quatro anos quando a ONG Center for Food Safety – CFS (Centro para a Segurança Alimentaar, na tradução livre) processou a Monsanto e o USDA – United States Department of Agriculture (equivalente ao Ministério da Agricultura) alegando ilegalidades na liberação da alfafa Roundup Ready (RR), da Monsanto, tolerante à aplicação do herbicida Roundup (também da Monsanto, à base de glifosato).
Em 2007 o CFS foi vitorioso ao conseguir que o USDA fosse obrigado a conduzir análises rigorosas sobre os impactos ambientais da alfafa RR (que, assim como todas as outras lavouras transgênicas nos EUA, havia sido liberada sem a realização de estudos de impacto). O CFS também foi vitorioso ao conseguir suspender a liberação da alfafa transgênica no país até que o USDA cumprisse a legislação ambiental. Leia mais…

Cientistas desmascaram estudo da Syngenta sobre a Atrazina

28, maio, 2010 Sem comentários

Em 2008 um grupo de cientistas associados à multinacional Syngenta (fabricante de agrotóxicos e sementes transgênicas) publicou uma revisão científica dos efeitos do agrotóxico Atrazina em animais aquáticos. O estudo concluiu que, “baseado numa sólida análise das evidências de todos os dados, a teoria central de que concentrações ambientalmente relevantes de atrazina afetam a reprodução ou o desenvolvimento reprodutivo em peixes, anfíbios e répteis não é sustentada pela vasta maioria de observações”. Entretanto, no início de 2010 cientistas independentes da Universidade do Sul da Flórida (USF) publicaram um artigo apontando conclusões muito diferentes.

Agora, um novo paper da equipe da USF investiga as discrepâncias e descobre que a revisão financiada pela Syngenta é tendenciosa e factualmente incorreta (a Syngenta é a principal fabricante da atrazina). Os cientistas da USF documentaram meticulosamente 122 “incorreções” e 22 “afirmações enganosas” na revisão. Todas as afirmações enganosas e 117 das incorreções favorecem a Syngenta, menosprezando os efeitos danosos da atrazina. Além disso, o estudo da Syngenta “criticou ou colocou dúvidas sobre a validade” de 94% dos estudos que descobriram efeitos adversos do agrotóxico, contra apenas 3% dos estudos que não o fizeram. Leia mais…

A contaminação do arroz

21, maio, 2010 1 comentário

Visão áerea de cultivo irrigado de arroz no Rio Grande do Sul. Como separar os transgênicos?!?

Em mesa redonda promovida pela CTNBio pesquisadores afirmaram que bastam 3 metros de isolamento para evitar contaminação. Faltou dizer que a semente é levada pela água de uma plantação para outra. (fotos: Chomenko, L. FZB-RS)

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Arroz transgênico deve ser liberado este ano

21, maio, 2010 1 comentário

Dentro de poucos meses o Brasil deverá se tornar a cobaia global do arroz transgênico.

O herbicida a ser aplicado no arroz da alemã Bayer já está com data marcada para sair do mercado europeu por ser considerado reprotóxico, com alto risco para mamíferos.

Saiba mais: http://www.aspta.org.br/por-um-brasil-livre-de-transgenicos/boletim/boletim-490-21-de-maio-de-2010

CTNBio mais perto de liberar arroz transgênico

21, maio, 2010 Sem comentários

Mauro Zanatta, para o Valor Econômico, 21/05/2010.

Em meio a uma nova batalha com produtores e pesquisadores, a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) finalizou os procedimentos para aprovar a comercialização da primeira variedade de arroz geneticamente modificado no país. O pedido da multinacional Bayer CropScience para liberação do arroz transgênico “Liberty Link” deve ser apreciado pelo plenário do colegiado em 24 de junho.

Mas produtores de arroz e membros da CTNBio prometem pressionar para adiar a votação, com apelos ao Conselho Nacional de Biossegurança (CNBS), composto por 11 ministros de Estado. “Se a CTNBio liberar, vamos apelar aos ministros”, diz o presidente do Instituto Riograndense do Arroz (Irga), Maurício Fischer. “Somos favoráveis à pesquisa, mas não à comercialização. Não queremos que o governo libere para plantio porque esse arroz não tem aceitação no exterior”.

Em 2009, o Brasil exportou 1 milhão de toneladas do cereal para 60 países, sobretudo na África e América Latina. “Dizem que na China já aprovou, mas isso vai estragar nosso mercado lá fora”. Os Estados Unidos, segundo ele, perderam mercado por causa da mistura do arroz transgênico da Bayer com cereal convencional. “Temos que manter janela aberta e cliente ativo”.

A CTNBio considera encerrada a temporada de análises sobre os aspectos científicos do arroz transgênico. O presidente Edilson Paiva comunicou que o pedido está pronto para ser votado. “Está na bica porque já cumpriram tabela com um debate. Vai entrar em junho quando estiver tudo desmobilizado por causa da Copa do Mundo”, diz Leonardo Melgarejo, do Ministério do Desenvolvimento Agrário.

Um grupo de pesquisadores da CTNBio questiona a liberação por causa de dúvidas sobre o novo produto. “A Bayer fez estudos apenas no Rio Grande do Sul. Áreas importantes, como Mato Grosso, não foram testadas”, diz o geneticista Paulo Kageyama, representante do Ministério do Meio Ambiente no colegiado. “Na questão de fluxo gênico, não há respostas para o cruzamento com variedades de arroz selvagem. Testaram uma, mas outros quatro tipos ficaram de fora”.

Em março de 2009, uma audiência pública já havia debatido o assunto. O pesquisador da Embrapa Arroz e Feijão, o geneticista Flávio Breseghelo, anunciou a oposição da estatal à liberação do arroz porque o gene “Liberty Link” tornaria a planta daninha conhecida como arroz vermelho em uma praga incontrolável e resistente a herbicidas. Haveria, disse, ameaça à segurança alimentar e um problema agronômico ao país. Na quarta-feira, porém, outro pesquisador da estatal, Ariano Magalhães Junior, afirmou não ver problemas na liberação comercial do arroz da Bayer.

O Valor procurou a direção da Embrapa para esclarecer a divergência, mas não conseguiu falar com o presidente Pedro Arraes.

Agricultores reclamam de monopólio da Monsanto

21, maio, 2010 Sem comentários

Empresa está tirando semente de soja convencional do mercado e empurrando soja transgênica goela abaixo dos produtores

Agência Brasil, 18/05/2010 | A Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja) e a Associação Brasileira de Produtores de Grãos Não Geneticamente Modificados (Abrange) estudam recorrer ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), do Ministério da Justiça, contra a Monsanto. Segundo as duas entidades, a empresa norte-americana está restringindo o acesso de produtores a sementes de soja convencional (não transgênica).

“Eles estão impondo uma proporção de venda de 85% de sementes transgênicas para 15% de convencionais. A produção de sementes tem que atender ao mercado. Não se pode monopolizar ou fazer o mercado”, reclamou o novo presidente da Aprosoja, Glabuer Silveira.

A estimativa do setor produtivo é que aproximadamente 55% das sementes de soja plantadas no país sejam transgênicas. Silveira disse que o problema não é o uso da biotecnologia, mas sim a retirada da opção que o produtor tem de plantar a semente convencional. “A Monsanto tem uns 70% do mercado brasileiro. O problema não é ela ter o mercado, mas querer moldá-lo. Não estamos tendo direito de opção”. (…)

Silvio Munchalack, produtor de milho e soja de Nova Mutum, em Mato Grosso, disse que até há alguns anos não plantava soja transgênica, mas isso está cada vez mais difícil. “A Fundação Mato Grosso fornece sementes convencionais, mas não tem para todo mundo. Vai ter que ser tudo transgênico”, afirmou o agricultor, que na safra passada conseguiu comprar apenas 40% de sementes convencionais, do total plantado em sua propriedade.

Além do receio de uma futura dependência de uma única empresa, o que tem levado alguns produtores a preferir plantar soja convencional é que estão conseguindo mais rentabilidade, principalmente devido ao prêmio que países europeus e asiáticos pagam por esse tipo de produto.

O diretor executivo da Abrange, Ricardo Tatesuzi de Souza, reclama de abuso de poder econômico e de falta de transparência na cobrança dos royalties. “Na nota fiscal não vem quanto está se pagando de royalties. A lei de patente permite a eles cobrarem quanto quiserem”. (…)

N.E.: E depois dizem que a alta adoção dos transgênicos pelos agricultores é prova de suas vantagens agronômicas. Na verdade, aqui como alhures, o amplo uso de sementes transgênicas tem se dado mais por falta de opção do que por qualquer outra coisa. Leia mais…

Certeza de liberação

21, maio, 2010 1 comentário

Tamanha a certeza das empresas de que seus produtos serão liberados pela CTNBio que elas já até anunciam acordos comerciais de produtos que nem mesmo começaram a ser avaliados pela Comissão. É o caso do algodão transgênico da Bayer resistente ao herbicida glifosato, chamado de Glytol, conforme a matéria “Dow AgroSciences e Bayer CropScience assinam acordo de licenciamento mútuo no setor de algodão” do Globo Rural online de 20/05/2010. Anote aí: os especialistas da CTNBio aprovarão o produto alegando existir “histórico seguro de uso da proteína modificada”.

Produtores não isolam milho transgênico no RS

18, maio, 2010 Sem comentários

A regra de isolamento entre milho transgênico e comum já nasceu fortemente criticada dentro do próprio órgão que a criou, a CTNBio, e foi objeto de ação judicial questionando sua eficácia. Mais recentemente, a Secretaria de Agricultura do Paraná demonstrou por testes moleculares que a contaminação ocorre mesmo quando a norma é cumprida. Nesse contexto, o Correio do Povo (18/05) informou que o Ministério da Agricultura autuou produtores gaúchos que não adotaram isolamento nenhum, mas que alegam que seus vizinhos não relataram danos. De acordo com a matéria, essas declarações podem servir para atenuar a pena.

Já pensou se a moda pega e a aplicação de multa passa a depender de o produtor comprovar que foi prejudicado?

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RS tem milho transgênico fora de normas da CTNBio | Correio do Povo, 18 de maio de 2010

Produtores gaúchos respondem a processo administrativo no Ministério da Agricultura (Mapa) por descumprimento das regras de plantio de milho transgênico determinadas pela CTNBio, que têm por objetivo evitar a contaminação do produto convencional. Eles teriam desconsiderado as normas de coexistência, que exigem distância de cem metros entre a lavoura de milho transgênico e a comum, espaçamento que pode cair para 20 metros se houver um refúgio de dez linhas de convencional entre os cultivos. Os casos ocorreram em quatro propriedades em Chiapetta, Horizontina, Doutor Maurício Cardoso e Getúlio Vargas.

O Mapa determinou a colheita das plantas que estavam na área excedente. Os produtores encaminharam defesa e apresentaram imagens comprovando a retirada, além de declarações de vizinhos sobre a ausência de danos. De acordo com o responsável técnico pela fiscalização do Mapa, Francisco Gama, os documentos podem ser atenuantes na definição das penas, que variam entre advertências e multas no valor de até R$ 1,5 milhão.

– p.s.: A matéria não informa se as plantas de milho foram arrancadas antes ou depois da floração. Caso tenha sido depois, de nada adiantará a medida. A contaminação já terá ocorrido.

Monsanto quer doar milho transgênico para Haiti

17, maio, 2010 Sem comentários

Thalles Gomes | Porto Príncipe/Haiti


A denúncia foi feita no último dia 10 de maio em artigo escrito pelo Padre inglês Jean-Yves Urfié, ex-professor de química do Collège Saint Martial, em Porto Príncipe. “A empresa transnacional Monsanto está oferecendo aos agricultores do país um presente mortal de 475 toneladas de milho transgênico, junto com fertilizantes associados e pesticidas, que serão entregues gratuitamente pelo Projeto WINNER [Vencedor, em inglês], com o respaldo da embaixada dos Estados Unidos no Haiti”, alertou Urfiè. Segundo ele, a multinacional Monsanto já começou a distribuir sementes de milho transgênicas nas regiões de Gonaives, Kenscoff, Pétion-Ville, Cabaré, Arcahaie, Croix-des-Bouquets e Mirebalais.

A forte repercussão dessa denúncia obrigou o Ministro da Agricultura do Haiti, Joana Ford, a convocar uma coletiva de imprensa no último dia 12 de maio em Porto Príncipe. “O Haiti não tem a capacidade para gerenciar os OGM [Organismos Geneticamente Modificados]” afirmou o Ministro Ford antes de desmentir que a doação da Monsanto fosse de milho transgênico.

“Nós tomamos todas as precauções antes de aceitar a oferta feita pelo multinacional Monsanto para fazer uma doação de 475,947 kg de sementes de milho híbrido e 2.067 kg de sementes de hortaliças. Devemos também mencionar que, na ausência de uma lei que regulamenta a utilização de Organismos Geneticamente Modificados (OGM) no Haiti, não posso permitir a introdução de sementes ‘Roundup Ready’ ou qualquer outra variedade de transgênicos“, enfatizou o Ministro.

Segundo Ford, as sementes híbridas oferecidos pela Monsanto são adaptadas às condições tropicais do Haiti. A doação integra uma campanha do Ministério da Agricultura para revitalizar o setor agrícola depois do terremoto de 12 de Janeiro. Para tanto, informa o Ministro, mais de 65 mil hectares de terra estão sendo beneficiados com tratores para o preparo do solo, fertilizantes, defensivos agrícolas e formação para os agricultores.

A própria Monsanto se viu obrigada a se pronunciar sobre o caso. “Nós acreditamos que a agricultura é a chave para a recuperação a longo prazo do Haiti”, afirmou a transnacional em nota publicada em sua página na internet. “Após o desastre, a Monsanto doou dinheiro para a recuperação”, continua a nota, “mas era evidente que a doação de nossos produtos – milho e sementes de hortaliças de qualidade – poderia realmente fazer a diferença na vida dos haitianos”. Foi imbuída deste espírito de generosidade que a maior fornecedora de sementes do Mundo resolveu doar ao Haiti o equivalente a US$ 4 milhões em sementes de milho híbrido, repolho, cenoura, berinjela, melão, cebola, tomate, espinafre e melancia. 60 toneladas dessas sementes chegaram em território haitiano na primeira semana de maio.

Outras 70 toneladas aportaram na capital Porto Príncipe no dia 13 de maio. A previsão é que, para os próximos 12 meses, mais 345 toneladas de sementes híbridas de milho sejam distribuídas para os agricultores do país.

Leia mais…

Sociedade civil prepara mobilização para COP 10/MOP 5

14, maio, 2010 Sem comentários

Pesquisadores, movimentos sociais e especialistas se reuniram nessa semana em Curitiba (PR) para identificarem os pontos mais relevantes que serão levados, em outubro deste ano, para a 10ª Conferência de Partes da CDB (COP 10) e o 5º Encontro de Partes do Protocolo de Cartagena sobre Biossegurança (MOP 5).

A COP 10 será a data limite para a regulamentação de temas ainda tidos como polêmicos pelos países-Parte, como a responsabilidade e reparação resultantes de movimentos transfronteiriços com OVMs e o acesso e repartição dos benefícios oriundos do conhecimento e recursos das comunidades tradicionais (saiba mais sobre esses assuntos lendo os boletins “Notícias sobre a Convenção da Biodiversidade).

O grupo reunido identificou as posições do governo brasileiro sobre os principais temas em debate da COP 10/Mop5, assim como os principais casos de violação aos dispositivos da CDB e do Protocolo de Cartagena pelo Brasil.

Durante a reunião, também foi feita uma retomada das intervenções na COP/MOP de Montreal, Curitiba e Bonn, avaliando os resultados alcançados com essas intervenções. A denúncia feita em Bonn (2008) pela sociedade civil foi um fato inédito, concebido como instrumento de exigibilidade e cumprimento do Protocolo. A partir dessa intervenção, o Comitê se posicionou sobre os procedimentos em casos em que não-Partes se manifestam e serviu de precedente outras organizações fazerem o mesmo.

– As informações são da assessoria de comunicação da Terra de Direitos, 14/05/2010.

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Arroz transgênico na pauta da CTNBio

13, maio, 2010 Sem comentários

Com mais transgênicos, Brasil supera recorde de consumo de agrotóxicos

13, maio, 2010 Sem comentários



Soja RR plantada no Paraná

Na última safra o Brasil superou seu próprio recorde, aumentando ainda mais o uso de venenos agrícolas. Na safra 2008/09 nos tornamos o maior consumidor mundial destes produtos, e na safra 2009/10 superamos nossa marca em 7,6%: foram mais de um milhão de toneladas vendidas.

Isso representa nada menos que 5,2 kg de veneno por habitante no Brasil!

Os herbicidas são os campeões absolutos de bilheteria, com um volume de 632,2 mil toneladas. E o glifosato, usado nas lavouras transgênicas RR, segue na liderança do mercado de herbicidas.

Alguns detalhes divulgados pelo Valor (06/05) merecem maior destaque. Segundo o jornal, dados do Sindag (sindicato dos fabricantes de agrotóxicos) indicam que “A soja também foi a responsável pelo aumento no consumo total de defensivos [leia-se agrotóxicos] (…). Os 23,2 milhões de hectares semeados com o grão receberam 530,1 mil toneladas de defensivos, elevando em 18% o volume consumido.”

A soja é a cultura brasileira em que as sementes geneticamente modificadas têm mais presença (embora não haja dados oficiais, estima-se que pelo menos metade da soja brasileira seja geneticamente modificada). Como se pode constatar, a adoção da “moderna biotecnologia” em nada contribuiu para a tão prometida redução no uso de venenos. Muito pelo contrário.

A segunda lavoura transgênica a ser difundida no Brasil foi o algodão — dados (provavelmente superestimados) do ISAAA, fundação financiada pelas indústrias de biotecnologia, estimam a área plantada no Brasil em 145 mil hectares (cerca de 17% da área plantada). E, segundo os dados do Sindag divulgados pelo Valor, “os cotonicultores elevaram a utilização [de agrotóxicos] para 69,6 mil toneladas, 13,8% a mais do que no ano anterior. O aumento no algodão ocorre mesmo com a área plantada tendo se mantido praticamente estável na safra 2009/10 em 836 mil hectares.”

A terceira cultura transgênica a entrar no Brasil foi o milho. Será que pelo menos no milho a promessa de redução de venenos se cumpriu? Nada disso: “A demanda por defensivos [leia-se agrotóxicos] por parte dos produtores de milho ficou praticamente estável em 2009 em 143,7 mil toneladas”. Sim, mas lembremos que esta foi a primeira safra de milho transgênico no Brasil. Nada indica que a tendência de aumento no consumo de agrotóxicos, com o passar de poucos anos, será diferente para o milho com a adoção das sementes modificadas.

Mais ainda, tudo indica que o mesmo se dará com arroz Liberty Link, caso a CTNBio tenha êxito na manobra que planeja para liberar o arroz transgênico da Bayer.

Nossa saúde perece, e a indústria de venenos agradece.