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Soja convencional é alternativa em áreas com plantas daninhas resistentes ao glifosato

21, fevereiro, 2017 Sem comentários

Antes era aplicar o glifosato para economizar outros produtos, agora é aplicar outros produtos para economizar no glifosato…

 
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Buva viceja em meio a campo de soja transgênica em Alto Paraná, Paraguai. Resistência de plantas espontâneas a herbicidas aumenta o uso de químicos e enseja novos pacotes pela empresas, como  o2,4-D, da Dow, e o Dicamba, da Monsanto. Foto: AS-PTA

 

 

 

 

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Embrapa, 20/02/2017

Soja convencional é alternativa em áreas com plantas daninhas resistentes ao glifosato

A praticidade do uso de glifosato no manejo de plantas daninhas em soja RR é um dos motivos que fazem com que produtores optem por cultivares transgênicas. Porém, com o aumento da incidência de ervas tolerantes e resistentes a esse herbicida, o cultivo de soja convencional passa a ser uma boa alternativa.

Para o pesquisador da Embrapa Sidnei Cavalieri, como muitas vezes o produtor já precisa utilizar outros mecanismos de ação na soja RR, o manejo e o custo operacional acabam não sendo muito diferentes daqueles empregados em lavouras convencionais.

“Optando pela soja convencional, o produtor vai utilizar herbicidas tradicionalmente usados, sem o glifosato. Ele vai economizar essa aplicação do glifosato. Então, entrando com uma soja convencional, seguida da aplicação de um pré-emergente ou de pós-emergentes com outros mecanismos de ação, realiza o controle da mesma forma, possibilitando ter maior ganho financeiro, comparado à soja transgênica, por conta do prêmio”, afirma o pesquisador se referindo ao maior valor pago pela soja convencional. Atualmente, o bônus chega a R$ 10 por saca em algumas trades.

Conhecimento da área

Para cultivar soja convencional, uma das exigências é que o produtor conheça muito bem sua área, quais as espécies de plantas daninhas mais comuns e qual o grau de infestação delas. A partir daí é que poderá definir a forma de manejo dessas invasoras e quais herbicidas utilizar.

O pesquisador ressalta ainda a importância de sempre se trabalhar com herbicidas pré-emergentes, garantindo maior segurança no controle das plantas daninhas.

“No caso de soja convencional, gosto de recomendar a aplicação de herbicida pré-emergente para possibilitar que a cultura se desenvolva no limpo desde o início. Até porque temos uma limitação quanto ao estádio de controle com pós-emergente. Se, por ventura, começar a chover muito na época em que a soja está se desenvolvendo e passar o ponto indicado para o controle, muito possivelmente o produtor terá dificuldade de controle usando somente pós-emergentes. Dai então a aplicação fundamental dos pré-emergentes, com os pós-emergentes entrando para complementar o controle”, orienta o pesquisador Sidnei Cavalieri.

Soja livre

Estas e outras orientações o pesquisador Sidnei Cavalieri passou aos produtores e técnicos que participaram do Dia de Campo do Programa Soja Livre realizado na Embrapa Agrossilvipastoril, em Sinop (MT), nessa segunda-feira, dia 20.

O evento apresentou oito cultivares de soja convencionais desenvolvidas pela Embrapa, Agronorte e TMG e que são recomendadas para o cultivo em Mato Grosso. Entre os materiais há diferentes características de ciclos produtivos e de resistência a nematoides. Todos, contudo, com alto potencial produtivo.

O dia de campo ainda abordou o grande mercado da soja convencional, atendendo, sobretudo, aos países Europeus e, em demanda crescente, a China e a Rússia.

O Programa Soja Livre é coordenado pela Aprosoja e Embrapa, juntamente com uma rede de parceiros e busca garantir a oferta de sementes de soja convencional no mercado, mantendo o direito de escolha do produtor.

Além do evento em Sinop, outros dez eventos estão sendo realizados em todas as regiões de Mato Grosso nesta safra. A programação de dias de campo segue esta semana com eventos em Sorriso, no dia 21, em Tangará da Serra, dia 22, e em Deciolândia no dia 24.

Conheça as cultivares de soja convencionais da Embrapa e saiba mais sobre o Programa Soja Livre

Gabriel Faria (mtb 15.624 MG JP)

Embrapa Agrossilvipastoril

agrossilvipastoril.imprensa@embrapa.br

Telefone: 66 3211-4227

– Mais informações sobre o tema

Serviço de Atendimento ao Cidadão (SAC)

www.embrapa.br/fale-conosco/sac/

 

 

 

 

 

 

 

 

Produtores enfrentam problemas com o Milho RR em lavouras de soja

19, janeiro, 2014 Sem comentários

Aprosoja, 11/12/2013

O milho guaxo, presente em algumas lavouras de soja, tornou-se um sério problema para as propriedades rurais em Mato Grosso. Resultado dos grãos perdidos durante a colheita da segunda safra, o milho cresce em meio à soja em estágio vegetativo que caminha para o estágio produtivo. A resistência já foi constatada na safra passada, mas este ano a situação se agravou, explica o diretor técnico da Aprosoja, Nery Ribas. “Já estamos alertando há duas safras sobre o problema, e os prejuízos que podem causar”.

O fato é sério e essa presença indesejada preocupa por três grandes motivos. Primeiramente, pelo custo que o produtor terá com a aplicação de herbicidas, pois o milho RR é resistente ao principio ativo do glifosato. Em segundo, o milho invasor funciona como uma hospedeira, tornando-se uma boa fonte para disseminação de pragas, servindo de alimento e proteção para a lagarta Helicoverpa spp. E terceiro, pelo milho se tornar uma planta daminha que acaba competindo com a soja pelos nutrientes e água.

O prejuízo pode ser ainda maior, quando há a mistura de grãos de soja e milho durante a colheita. Isso pode gerar descontos para o produtor ao entregar a produção.

Nas visitas realizadas pela equipe técnica da Aprosoja às lavouras de soja em Mato Grosso, a maior concentração do problema foi constatado em locais que houve o cultivo de segunda safra com o milho RR, e até mesmo em híbridos não RR. Dentre os possíveis motivos estão: a polinização do milho “não RR” por híbridos RR, cultivados em áreas próximas, e mistura de sementes de milho RR em híbridos não RR.

Monsanto sofre novo revés em caso de patente

20, maio, 2013 Sem comentários

VALOR ECONÔMICO, 20/05/2013

Por Tarso Veloso | De Brasília

A Monsanto sofreu mais uma derrota na disputa jurídica em torno da validade de sua patente sobre a soja transgênica no Brasil. Na semana passada, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou recurso da múlti americana que pedia a prorrogação da vigência da patente da soja RR, resistente ao herbicida glifosato. Cabe recurso da decisão no próprio STJ e no Supremo Tribunal Federal (STF).

Por unanimidade, os quatro ministros da Terceira Turma referendaram a decisão inicial do ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, de fevereiro, que estabeleceu uma vigência de 20 anos a partir da data do primeiro depósito da patente no exterior, em 31 de agosto de 1990 – ou seja, até 1º de setembro de 2010. Desse modo, a companhia teria perdido os direitos econômicos sobre a tecnologia há mais de dois anos. Ela alega, porém, que seus direitos sobre a tecnologia são válidos até 2014, quando expira a última patente nos Estados Unidos.

Como a decisão não é definitiva, a cobrança de royalties poderia continuar, mas a própria empresa resolveu suspender o recolhimento junto aos produtores que se comprometerem a não pedir o reembolso dos valores pagos após setembro de 2010 em caso de derrota da empresa na Justiça. Pela proposta, os produtores ficariam isentos de pagar royalties em 2013 e 2014, mas abririam mão de questionar os valores pagos nos dois anos anteriores.

Apesar da suspensão da cobrança, a empresa fez uma ressalva [ou ameaça?]. Afirma que “continua documentando e mantendo as informações comerciais relativas àqueles que usam a soja RR durante este período de adiamento da cobrança”.

A Monsanto afirmou em nota que vai recorrer da decisão da Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) proferida ontem. A empresa deve entrar com um recurso no próprio STJ e, se derrotada, no Supremo Tribunal Federal (STF). A empresa afirmou que “o julgamento desta quinta-feira não é a decisão final da Justiça sobre a matéria”. A múlti também afirmou que mantém suspenso o recolhimento da remuneração pelo uso da tecnologia até decisão final da justiça. “A Monsanto continua confiante no seu direito e na validade da patente da soja RR até 2014, de acordo com a legislação brasileira”, afirma a companhia.

As associações de produtores entraram com a ação na Justiça em setembro de 2012. Para o presidente da Famato, Rui Prado, a decisão do STJ reforça que o setor produtivo vem batalhando desde o ano passado para que a Justiça reconheça o vencimento da patente. “Esta decisão do STJ nada mais é que um importante reconhecimento daquilo que defendemos. Somos a favor dos transgênicos, mas queremos uma cobrança justa e o que estiver amparado na legislação brasileira de patentes”, disse Prado.

De acordo com o presidente da associação que representa os produtores de soja, Aprosoja, Glauber Silveira, a decisão mostra que os produtores estão no caminho certo. “O Superior Tribunal de Justiça mostrou que estamos no caminho certo, em exigir nosso direito”, disse.

 

Soja transgênica motiva viagem de ministro à China

6, maio, 2013 1 comentário

Antonio Andrade, ministro da agricultura, vai à China pedir que país libere importações de soja transgênica da Basf-Embrapa e Monsanto

VALOR ECONÔMICO, 30/04/2013

Mauro Zanatta

O ministro da Agricultura, Antonio Andrade, viaja na sexta-feira a Pequim para negociar prazos para liberação comercial de novos tipos de soja transgênica tolerantes a herbicidas e resistentes a pragas cuja agressividade têm ampliado os estragos na produção brasileira. Andrade também pedirá às autoridades chinesas a retomada das importações de carne bovina, suspensas pelo país asiático desde o anúncio, em dezembro de 2012, do caso atípico de “vaca louca” no Paraná.

No caso da soja, a estratégia será mostrar o tema como questão de Estado por envolver a Embrapa, uma empresa pública brasileira, nas negociações. O “escudo” servirá para arrefecer a crescente rejeição dos chineses à tecnologia transgênica, avalia-se no governo. A China ainda não concedeu registro comercial a novas variedades transgênicas. Entre elas, estão a Cultivance, desenvolvida pela parceria entre a Embrapa e a multinacional Basf, e a Intacta RR2, propriedade da americana Monsanto.

Em virtude disso, as variedades ainda não foram lançadas comercialmente no mercado brasileiro. A RR2 obteve aprovação no Brasil em agosto de 2010, e já está liberada em 12 outros países e na União Europeia, segundo a empresa. A demora no sinal verde para a importação preocupa os produtores, que estão impedidos de plantar essas novas sementes em razão da rejeição chinesa, maior mercado mundial para a soja brasileira.

A cultivar da Monsanto, por exemplo, promete colheita de quase 60 sacas de 60 quilos por hectare – na média, a Conab prevê uma colheita de 49,3 sacas na safra 2012/13 -, além de garantir resistência à lagarta Helicoverpa armigera, cujos estragos superam R$ 2 bilhões entre elevação de custos e perda de produtividade. Nos bastidores, informa-se que a múlti poderia atender a 10% da área plantada no Brasil com a RR2, ou 2,7 milhões de hectares.

Há duas semanas, o presidente da Aprosoja Brasil, Glauber Silveira, e o senador Blairo Maggi (PR-MT), estiveram em Pequim para tratar do tema. E, pelo relato, os chineses estão refratários aos novos transgênicos. “Ficou nítido o interesse das empresas por soja convencional”, afirma Silveira. “Nos foi colocado que a grande massa é menos sensível à diferenciação transgênico e convencional. Compra o mais barato. Mas uma parcela da população chinesa melhor colocada financeiramente teria preferência por produtos não transgênicos”. Nesse contexto, empresas importadoras mostraram interesse em criar um mercado específico para a soja convencional, mesmo se tiverem que pagar mais.

 

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MT não aceita acordo proposto pela Monsanto

25, janeiro, 2013 Sem comentários

Ascom Famato e Aprosoja, 23/01/2013.

Lideranças decidiram por continuar com Ação Coletiva e produtores terão o direito de realizar depósito em juízo de valores relativos a royalties da RR

Em Assembleia Geral realizada nesta terça-feira (22.01), as entidades Famato, Sindicatos Rurais e Aprosoja, com a presença expressiva de produtores rurais de todas as regiões do estado, decidiram, por unanimidade, não aceitar o acordo proposto pela empresa Monsanto referente à cobrança dos royalties da soja Roundup Ready (RR1) da soja.

Os esforços empreendidos pelas entidades buscam resguardar os direitos dos produtores rurais de Mato Grosso e o respeito à legislação. “Como cidadãos somos sempre cobrados para cumprir as leis. Só queremos que a empresa multinacional Monsanto cumpra o que prevê a lei brasileira”, afirma o presidente da Famato, Rui Prado.

Também nesta terça-feira, a 4ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Mato Grosso atendeu a um pedido da Famato e Sindicatos Rurais contra a Monsanto. Esta decisão garante o direito ao produtor mato-grossense de, caso haja o retorno da cobrança pela empresa, depositar em juízo os valores relativos ao pagamento de royalties pela tecnologia Roundup Ready (RR1) da soja, até o julgamento final da Ação Coletiva.

Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso – Famato

Sindicatos Rurais

Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso – Aprosoja

Justiça de MT determina que pagamento de royalties seja feito em juízo

7, janeiro, 2013 Sem comentários

Ascom Aprosoja com Ascom Famato, 05/12/2012

Valores ficarão retidos judicialmente até o final do processo

A 4ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Mato Grosso deu provimento parcial ao recurso da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato) e Sindicatos Rurais do estado conta a Monsanto, determinando o depósito judicial dos valores relativos ao pagamento de royalties pelas tecnologias Bollgard I (BT), do algodão e Roundup Ready (RR), da soja. Nesse mesmo recurso, o desembargador relator havia concedido liminar suspendendo a cobrança dos citados royalties e, agora, em julgamento de mérito pelo órgão colegiado, foi decido pelo depósito judicial como a melhor forma de assegurar eventuais direitos de ambas as partes.

Esse julgamento atende ao pedido subsidiário realizado pelos próprios autores, que requereram na Ação Coletiva proposta o depósito judicial caso os desembargadores não entendessem pela completa suspensão da cobrança por parte da Monsanto. Cabe ressaltar que a possibilidade de depósito em juízo contempla apenas os produtores rurais de Mato Grosso, sendo que para os demais estados a Monsanto já afirmou o retorno da cobrança normal.

Assim, a discussão acerca do vencimento das patentes das referidas tecnologias e da impossibilidade da cobrança dos royalties pela Monsanto continua, sem que a citada empresa receba os valores, que ficarão retidos judicialmente até o final do processo.

Também faz parte dos pedidos da ação a devolução, em dobro, dos valores cobrados indevidamente pela Monsanto, a título de royalties, desde o vencimento das patentes relativas às tecnologias RR e BT.

A Famato já está providenciando as orientações sobre a operacionalização dos depósitos judiciais e as informações serão repassadas oportunamente aos produtores, que contarão com o auxílio dos sindicatos rurais em seus municípios.

A íntegra do acórdão ainda não foi divulgado e somente terá efeito após a sua publicação.

ENTENDA O CASO

Em meados de setembro, a Famato em conjunto com 47 Sindicatos Rurais protocolizou uma Ação Coletiva solicitando a suspensão da cobrança de quaisquer valores a título de royalties e/ou indenizações pelas tecnologias Bollgard I (BT) e Roundup Ready (RR) da empresa Monsanto. A ação foi baseada em um estudo técnico e jurídico, contratado pela Famato e Aprosoja, que confirmou que o direito de propriedade intelectual relativo às tecnologias venceu em 01 de setembro de 2010, tornando-as de domínio público.

No início de outubro, o juiz convocado da 4ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, Elinaldo Veloso Gomes, concedeu liminar favorável suspendendo imediatamente a cobrança.

Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso – Famato

Sindicatos Rurais

Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso – Aprosoja

 

Milho voluntário nas lavouras de soja preocupa produtores de Mato Grosso

21, dezembro, 2012 Sem comentários

APROSOJA, 21/12/2012

A equipe técnica da Aprosoja percorreu alguns municípios do estado para verificar a incidência de plantas de milho voluntárias e resistentes ao glifosato em meio às lavouras de soja. Segundo o diretor técnico Nery Ribas, esta situação foi verificada em áreas de soja semeadas após a colheita do milho de segunda safra com diferentes híbridos. “Alguns produtores tiveram mais problemas em reboleiras e outros em extensas áreas”, explicou.

Milho transgênico RR viceja em meio a lavoura de soja RR no Mato Grosso. Foto: Abrange

Milho transgênico RR viceja em meio a lavoura de soja RR no Mato Grosso. Foto: Abrange

As possíveis causas do aparecimento das plantas voluntárias de milho seriam a mistura vindo na semente e a polinização do milho “não-RR” por híbridos RR cultivados em áreas próximas. Após a demanda dos produtores, a Aprosoja orientou os produtores a utilizarem, além do glifosato, uma aplicação de graminicida. “Os produtores terão um custo maior com estas aplicações”, disse Ribas.

A preocupação dos técnicos é com o momento da colheita, pois pode ocorrer a mistura de grãos de milho com a soja. Antes disso, as plantas de milho estão concorrendo com as de soja por nutrientes e água. Para se certificar sobre a resistência das plantas de milho ao glifosato, a equipe técnica da Aprosoja deverá acompanhar até o final da safra junto com instituições de pesquisa. Também irão avaliar as possíveis perdas da soja por competição com este milho voluntário.

Disputa Famato x Monsanto

11, outubro, 2012 1 comentário

Folha de São Paulo, 11/10/2012

O X da questão

O escritório Reis e Souza Advogados, que representa a Famato na ação sobre pagamento de royalties à Monsanto, diz que há pedidos de extensão do prazo de vigência de algumas patentes pela multinacional devido a uma prorrogação com base em depósitos efetuados nos Estados Unidos.

Diferente

A Lei de Propriedade Industrial do Brasil estabelece que a patente é válida a partir do primeiro pedido de depósito feito no país de origem.

Vencidas

Com isso, as patentes das tecnologias Bollgard I (BT), para algodão, e Round Ready (RR), para a soja, venceram em 31 de agosto de 2010, diz Sidney Pereira de Souza Júnior, do escritório Reis e Souza.

Recorre

A Monsanto informou que buscará reverter “eventual liminar que possa ter sido proferida pelo Tribunal de Justiça do Estado do Mato Grosso”, questionando seus direitos intelectuais.

Justiça libera produtores de pagar royalties

9, outubro, 2012 2 comentários

FOLHA DE SÃO PAULO, 09/10/2012

Os produtores de soja e de algodão de Mato Grosso não precisam mais pagar royalty pela utilização das sementes de soja Round Ready (RR) e de algodão Bollgard 1 (BT). As tecnologias foram desenvolvidas pela Monsanto.

A suspensão foi garantida por uma liminar da Justiça de Mato Grosso, avaliada na Vara Especializada em Ação Civil Pública de Cuiabá, e estará em vigor até o julgamento do mérito do recurso.

A ação foi proposta pela Famato (federação de agriculde Mato Grosso) e por outros 24 sindicatos rurais, com apoio da Aprosoja (associação de produtores de soja).

Pesquisa feita por um escritório paulista, a pedido dos produtores, mostra que a patente dessas tecnologias venceu em agosto de 2010 e, agora, são de domínio público.

Carlos Fávaro, presidente da Aprosoja, e Seneri Paludo, diretor-executivo da Famato, são unânimes em afirmar que os produtores não são contra o pagamento de royalties.

“Quem desenvolver uma nova tecnologia tem direito de receber por ela”, afirma Fávaro.

“É preciso ficar bem claro que essa ação é diferente de outras e não discute o pagamento de royalty, que é legítimo, mas o de uma patente que já venceu”, diz Paludo.

Conforme a decisão judicial, os produtores pagaram royalties indevidamente por duas safras -2011/12 e 2012/13. Paludo diz que a ação não entra no mérito do passado. A decisão fica a critério de cada produtor.

Famato e Aprosoja não quiseram se manifestar sobre valores pagos pelos produtores indevidamente. Até porque não há certeza de quanta soja transgênica é semeada.

Avaliações do mercado indicam, no entanto, que essas duas tecnologias podem significar royalties de R$ 1,5 bilhão por ano no país.

Para os dois executivos, a comunicação com a Monsanto não está encerrada.

OUTRO LADO

A Monsanto informou que não foi notificada e que considera ter direito de ser remunerada por suas tecnologias.

Segundo a empresa, essas tecnologias foram patenteadas e estão protegidas pelas regras de revalidação previstas na Lei de Propriedade Intelectual.

A Monsanto diz estar confiante em seus direitos de cobrança até 2014, conforme a legislação em vigor.

Suspensa cobrança de royalties à Monsanto

9, outubro, 2012 Sem comentários

Valor Econômico, 09/10/2012

Nota da FAMATO e APROSOJA sobre cobrança de royalties

9, outubro, 2012 Sem comentários

NOTA OFICIAL | 09/10/2012

A Famato – Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Mato Grosso – em parceria com 64 Sindicatos Rurais do estado protocolou em meados do mês de setembro uma Ação Coletiva na Vara Especializada em Ação Civil Pública e Ação Popular de Cuiabá, solicitando a suspensão do pagamento de valores a título de royalties e de indenização pela utilização das tecnologias Bollgard I (BT) e Roundup Ready (RR), bem como a devolução, em dobro, dos valores cobrados indevidamente. Esta iniciativa tem o apoio da Aprosoja – Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso.

O pleito foi baseado em estudo técnico e jurídico encomendado pela Famato e Aprosoja MT que confirma que o direito de propriedade intelectual relativo às tecnologias Roundup Ready (RR) e Bollgard (BT), de titularidade da empresa Monsanto, venceram em 01 de setembro de 2010, tornando-as de domínio público. Desta forma, a cobrança de valores por parte da empresa pelo uso desta tecnologia tanto a título de royalties quanto a título de indenização é indevida. O juiz titular da Vara Especializada em Ação Civil Pública e Ação Popular de Cuiabá, no entanto, negou a liminar pleiteada.

Nesta segunda (08.10), o juiz convocado da 4ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, Dr. Elinaldo Veloso Gomes, relator do Agravo de Instrumento interposto pela Famato e 24 Sindicatos, concedeu liminar favorável suspendendo imediatamente a cobrança de quaisquer valores a título de royalties e/ou indenizações pelas citadas tecnologias da empresa Monsanto. Com isto, a empresa não pode emitir os boletos de cobrança.

Com esta ação, o setor produtivo de Mato Grosso busca garantir o cumprimento de um direito legal de não pagar o que não é devido.

Reconhecemos que os investimentos em pesquisa, especialmente em biotecnologia, são fundamentais para a manutenção da competitividade da agricultura brasileira, em especial para a agricultura mato-grossense. São estes investimentos que viabilizam o aumento da produtividade em uma mesma área, reduzem os custos de produção, garantem maior sustentabilidade do sistema produtivo. Diante disto, as entidades ligadas à atividade defendem a manutenção dos investimentos em pesquisa.

E exatamente por reconhecer e valorizar estes esforços das empresas públicas e privadas de pesquisa é que esclarecemos que somos favoráveis ao pagamento dos direitos de propriedade intelectual (royalties). Defendemos a cobrança justa e o que estiver amparado na legislação brasileira de patentes.

Manteremos sempre a via negocial aberta, porém pautada nos princípios básicos da legalidade, do equilíbrio e da justiça. Mantemos um amplo relacionamento com todas as empresas ligadas ao setor produtivo e manteremos aberto o canal de comunicação.

Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso – Famato

Sindicatos Rurais

Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso – Aprosoja

Aprosoja decide recorrer à Justiça

10, setembro, 2012 Sem comentários

Correio do Povo, 10/09/2012

Com o aval de seis presidentes de oito regionais, a Aprosoja decidiu, sábado, notificar judicialmente a Monsanto, além de acionar o Ministério Público. O objetivo é evitar que a multinacional distribua a soja Intacta RR2 enquanto a China não liberar a importação. “Eles dizem que vão incinerar, mas não temos certeza. O produtor tem que se precaver”, frisou o presidente interino da Aprosoja, Pedro Nardes. A Monsanto disse que segue fiel ao compromisso de não lançar semente sem aprovação dos mercados e informou que o cultivo se limitará a áreas demonstrativas.

p.s. Não foi exatamente isso que aconteceu em meados da década de 1990 com a soja Roundup Ready, nem em 2005 com o algodão RR, que foram aqui disseminados ilegalmente mesmo sem a aceitação do mercado. No caso da soja, usou-se do fato consumado para forçar sua liberação e abertura do mercado. Entre 2003 e 2004 três medidas provisórias foram editadas para tanto.

Monsanto negocia semente vetada na China, diz Aprosoja

4, setembro, 2012 Sem comentários

VALOR ECONÔMICO, 04/09/2012

Por Tarso Veloso e Gerson Freitas Jr

A Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) fez ontem duras críticas à Monsanto, acusada de comercializar sua nova variedade transgênica de soja (“Intacta RR2 Pro“) antes da liberação para importação pela China. A entidade fez um apelo para que os agricultores não plantem a variedade nesta safra 2012/13, a menos que tecnologia seja aprovada no país asiático, principal destino das exportações brasileiras do grão.

Em nota publicada ontem, a associação manifestou “forte preocupação” com as “enormes consequências de uma possível presença de soja Intacta em carregamentos com destino a nosso principal mercado” e evocou as “amargas lembranças da enorme crise de preços causada pela recusa de várias cargas de soja brasileira pelos chineses em 2004”. À época, a China devolveu carregamentos de soja contaminados com sementes tratadas com fungicidas.

A entidade lembrou que a Monsanto havia se comprometido a não comercializar a nova tecnologia, já liberada no Brasil, até sua aceitação por todos os importadores, acordo que estaria sendo descumprido. “A Monsanto está vendendo para alguns produtores e distribuindo gratuitamente para outros com o pretexto de testar a nova tecnologia”, disse ao Valor Carlos Fávaro, presidente da Aprosoja em Mato Grosso.

Segundo ele, a empresa já testou a variedade em cerca de mil hectares no ano passado, mas a produção foi destruída após a colheita. “Neste ano podem ser cerca de 500 mil hectares, e a empresa está incentivando os produtores a esmagar a soja e vender para outros mercados”, afirma.

A Aprosoja-MT manifestou, ainda, temor com os contratos assinados entre produtores e a multinacional, que, conforme a entidade, responsabilizam os agricultores em caso de contaminação. “[O produtor] pode ser obrigado a pagar indenização à Monsanto e a terceiros, multa à administração pública, pode ter sua atividade suspensa, sua fazenda embargada e ainda ser preso”.

A Aprosoja-MT considera a ação da Monsanto “um flagrante desrespeito ao compromisso assumido pela empresa com o setor em 2011 e comparou a postura da empresa com a de concorrentes (Basf, Embrapa e Bayer) – que, de acordo com a entidade, aguardam a aprovação dos importadores para lançar biotecnologias já aprovadas no Brasil. “Esta é a postura que consideramos correta e responsável”.

A crítica marca uma mudança de temperatura na relação entre Aprosoja e Monsanto. Há algumas semanas, a Aprosoja Brasil interveio junto ao governo federal em favor da Monsanto. A entidade solicitou à Casa Civil que ajudasse a múlti a obter a liberação da soja Intacta RR2 Pro na China. A Monsanto inicialmente negou que tivesse solicitado o apoio, mas depois recuou e reconheceu ter pedido ajuda à entidade. Procurada pela reportagem desde as primeiras horas da manhã de ontem, a companhia não comentou as novas declarações feitas pelos sojicultores.

Sojeros pressionam por mais transgênicos

3, julho, 2012 Sem comentários

Quando a Monsanto estava para perder a patente do glifosato, criou e patenteou a soja RR, resistente ao glifosato. Agora que acabam os prazos das patentes sobre a soja RR, a empresa lança a soja RR2, também resistente ao glifosato e que a CTNBio já correu para liberar. Mas o mercado europeu está fechado para o produto, como se lê abaixo.

Outra matéria, publicado pela Valor, informa sobre as previsões da Monsanto para aumento da taxa de royalties sobre sua “nova” soja Roundup Ready 2.

APROSOJA, 27/06/2012

Aliança Internacional de Produtores do Brasil, Estados Unidos, Paraguai, Argentina e Uruguai buscam (sic) liberação para comercialização de novos eventos de biotecnologia para soja na Europa

Uma delegação internacional composta por produtores do Brasil, Estados Unidos, Paraguai, Argentina e Uruguai, membros da Aliança Internacional de Produtores de Soja (ISGA), estão, desde a última segunda (25), em viagem a alguns países europeus com o objetivo de debater os atrasos na autorização e liberação para comercialização de novos eventos de biotecnologia nos principais mercados consumidores de soja na Europa.

As reuniões ocorrem em Bruxelas, na Bélgica, em Londres, na Inglaterra, em Berlim, na Alemanha, e em Paris, na França, com a participação das embaixadas, das agências reguladoras destes países, com representantes da Comissão Europeia e do Parlamento Europeu e grupos de indústrias.

De acordo com o presidente da Aprosoja, Carlos Fávaro, atualmente o Brasil possui cinco eventos de biotecnologia para a soja aprovados pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) e apenas um destes eventos está aprovado para importação e comercialização na Europa.

“Temos discutido o tema da biotecnologia, a importância, o avanço e a sua implicação sobre o futuro da produção dos alimentos, em especial da soja. São inegáveis os avanços que a biotecnologia trouxe nos últimos dez anos. E no Brasil, na área da agricultura, saímos de uma posição de total atraso científico para outra privilegiada e admirada até mesmo por outros países. A biotecnologia trouxe soluções tecnológicas para problemas importantes da agricultura, como redução de custos, em razão de proporcionar maior controle sobre pragas, doenças, além do ganho de produtividade na mesma área, poupando recursos naturais”, destacou Fávaro.

A missão dos produtores quer exatamente divulgar como é realizada a produção de soja no Brasil, Argentina, Paraguai, Estados Unidos e Uruguai, que juntos respondem por cerca de 85% da produção mundial da oleaginosa. “Os membros do ISGA apoiam e possuem leis e regulamentos com base científica para garantir aos consumidores que os produtos são seguros e regulados de forma adequada. Queremos debater e a destacar a oportunidade que a biotecnologia pode trazer ao mercado consumidor da Europa”, ressaltou o presidente da Aprosoja.

O mercado europeu é extremamente rigoroso com a presença de eventos transgênicos não aprovados nos embarques de soja a estes países. “Isto inviabiliza a produção dos eventos de biotecnologia já aprovados no Brasil e nos demais países da América do Sul e nos Estados Unidos. A Europa realiza testes nas cargas importadas e se constatada qualquer mínima presença de grão geneticamente modificado, não aprovado por eles, a carga inteira é rejeitada. Estamos falando de milhões de perdas que podem ocorrer”.

A delegação brasileira dos produtores de soja é composta pelo presidente da Aprosoja, Carlos Fávaro, pelo vice-presidente, Ricardo Tomczyk, pelo vice-presidente Norte, Alex Utida, e pelo diretor executivo, Marcelo Duarte Monteiro.

Pela Argentina participam representantes da Associação dos Consórcios Regionais Agrícolas (AACREA, sigla em espanhol) e da Associação dos Produtores de Plantio Direto (AAPRESID, sigla em espanho), do Paraguai estão membros da Câmara de Exportadores e Comercializadores de Cereais e Oleaginosas (CAPECO) e o presidente da Associação dos Produtores de Soja do Paraguai (APS). Os produtores americanos estão representados por duas organizações: United Soybean Board (USB) e a American Soybean Association (ASA) e o Uruguai integra a missão por meio da MTO, um bureau formado por instituições de produção e pesquisa de oleaginosas.

IOPD – Após as rodadas da missão de biotecnologia, a Aprosoja participa nos dias 01 a 03 de julho da 15ª edição do Diálogo Internacional de Produtores de Oleaginosas (IOPD – sigla em inglês), em Londres, na Inglaterra. O encontro reúne os principais países produtores e exportadores de oleaginosas, tais como Estados Unidos, Argentina, União Europeia, Brasil, China e Índia. O objetivo é debater oportunidades em comum entre estes produtores, tais como desenvolvimento de novos mercados, expansão dos biocombustíveis, produção sustentável, entre outros temas importantes relacionados à produção de óleo.

Royalties dividem produtor e Monsanto

4, abril, 2012 Sem comentários

A Monsanto cobra um valor alto e grande parte dele sobre os ganhos de produtividade

Valor Econômico, 04/04/2012

Tarso Veloso | De Brasília

Com o provável lançamento de uma nova soja transgênica (a Intacta RRpro) na safra 2012/2013, a Monsanto e as associações que representam os produtores da commodity começaram uma queda de braço em torno da cobrança de royalties do novo produto, cinco vezes maior que seu antecessor (RR1) que custa, em torno, de R$ 22 por hectare. Para a Associação dos Produtores de Soja e Milho (Aprosoja), a Monsanto cobra um valor alto e grande parte dele sobre os ganhos de produtividade, algo impossível do agricultor prever.

O preço dos royalties – custo pago pelo produtor pelo uso da tecnologia – do novo produto ficará em torno de R$ 115 por hectare. O valor é referente a 33% dos ganhos totais de R$ 346 por hectare calculado pela Monsanto. A empresa estima que estes ganhos virão da suspensão de três aplicações de inseticidas por safra e no aumento de produtividade de seis sacas por hectare, em média. Os resultados foram baseados em testes realizados em 500 propriedades de várias regiões do país durante esta safra.

O vice-presidente comercial da Monsanto, Rodrigo Santos, diz que os produtores poderão optar pela adoção da tecnologia e se diz confiante no sucesso dela. “O produto é revolucionário e possui muitos benefícios em comparação ao preço cobrado por sua utilização”, diz Santos.

De acordo com ele, o novo produto alia três vantagens: produtividade maior, tolerância ao glifosato proporcionada pela tecnologia Roundup Ready (RR), e proteção contra as principais lagartas que atacam a cultura da soja. A tecnologia BT é a responsável por criar a resistência aos insetos, que morrem quando se alimentam da planta.

O presidente da Aprosoja, Gláuber Silveira, diz que cabe à empresa colocar o preço da tecnologia. Para ele, o valor precisa ser referente ao ganho proporcionado e não pode pesar demais no bolso do agricultor. “O produtor vai decidir se vale a pena ou não usar o produto. Mas achamos que é bom ter mais tecnologia, pois amplia o leque de possibilidades”, disse Silveira.

Segundo ele, existem conversas em relação às cobranças, mas não pode existir um posicionamento radical pela queda no preço. Ele diz, porém, que a forma de cobrança precisa ser revista. “Deveríamos discutir o valor cobrado em cima dos ganhos e não das projeções”, defende.

Como todos os cultivos transgênicos, a RRpro vai exigir uma zona refúgio exigida por lei (sic). Neste caso, o produtor deverá reservar para cada hectare plantado, 20% da área para outra variedade de soja que não seja BT. A empresa explica que se o procedimento não for feito, a resistência oferecida pelo grão pode ser perdida em cinco ou seis anos. “A medida é para preservar os benefícios proporcionados pela transgenia. Caso contrário, as espécies podem perder a resistência às lagartas”, afirma Santos.

Com o produto pronto e aprovado pela CTNBio desde 2010, a Monsanto espera a liberação de importação na China e na Europa – principais clientes do Brasil – para colocar a tecnologia à disposição do produtor. A expectativa da companhia é que a autorização venha na próxima safra.