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Estudo aponta conflitos de interesse em pesquisas sobre cultivos OGM

19, dezembro, 2016 Sem comentários

casa branca e cientistas

Mais de metade dos estudos financiados pelas empresas de biotecnologia apresentou resultados favoráveis às plantas Bt.

via UOL, 16/12/2016

Washington, 16 dez 2016 (AFP) – Pelo menos 40% dos artigos publicados sobre estudos com cultivos de organismos geneticamente modificados (OGM) mostraram conflitos de interesse financeiros, afirmaram pesquisadores franceses.

As conclusões, publicadas na edição de 15 de dezembro da revista US Journal PLOS ONE, se baseiam em centenas de artigos de pesquisas difundidas em publicações científicas.

“Encontramos que foram comuns os vínculos entre os pesquisadores e a indústria do cultivo OGM, com 40% dos artigos considerados em conflitos de interesse”, destacou o estudo.

Os pesquisadores franceses encontraram que os estudos que têm conflitos de interesse foram mais favoráveis às empresas do setor de cultivos geneticamente modificados que os estudos que não receberam financiamento que pudesse interferir.

O estudo se concentrou em artigos sobre a eficácia e a durabilidade dos cultivos que são modificados para ser resistentes a pragas com uma toxina chamada Bacillus thuringiensis.

Thomas Guillemaud, diretor do estudo do Instituto de Pesquisas Agronômicas da França (INRA), disse à AFP que a equipe revisou originalmente 672 estudos antes de reduzi-los a um lote de 579 que mostrou claramente se havia ou não um conflito de interesse com o financiamento.

“Deste total, 404 foram estudos americanos e 83, chineses”, disse.

Para determinar se houve conflito, os pesquisadores examinaram a forma como os estudos foram financiados.

Os conflitos de interesse se determinaram nas pesquisas nas quais um dos autores declarou ter filiação com uma empresa de biotecnologia ou de sementes ou nos que receberam recursos para a sua realização.

“O ponto mais importante foi como nós também mostramos que existe um vínculo estatístico entre a presença dos conflitos de interesse e um estudo que chegará a uma conclusão favorável para o cultivo OGM”, disse Guillemaud.

“Quando os estudos apresentaram conflito de interesse, isto aumentou em 49% a probabilidade de que suas conclusões fossem favoráveis a colheitas de OGM”.

Entre os 350 artigos que não apresentaram conflito de interesse, 36% foram favoráveis a empresas do setor de cultivos OGM.

Enquanto isso, de 229 pesquisas com conflito de interesse, 54% se mostraram favoráveis a este tipo de companhias.

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A imagem ruim força a Monsanto a mudar de estratégia

18, abril, 2014 Sem comentários

El País, 12/04/2014

A gigante agrícola tenta se aproximar do consumidor para reverter a rejeição aos transgênicos e destina milhões para evitar que seja obrigatório rotular os alimentos modificados geneticamente

O futuro dos alimentos geneticamente modificados está nas mãos da opinião pública. A batalha entre partidários e opositores dos transgênicos é feroz e a Monsanto está muito consciente disso. Depois de anos acumulando uma má reputação, a maior empresa de sementes do mundo decidiu mudar de estratégia: se aproximar mais do consumidor para tentar convencer os céticos e críticos sobre a segurança de seus produtos e os seus efeitos positivos sobre a agricultura mundial.

“Nos últimos vinte anos, quase todas as nossas atividades de comunicação e educação têm sido focadas nos agricultores, e foram muito bem. Mas o erro que cometemos é que não nos esforçamos o suficiente no lado do consumidor. Pensamos que este era um trabalho da indústria de alimentos”, admitiu o vice-presidente executivo e responsável tecnológico da Monsanto, Robert Fraley, em um recente encontro com jornalistas europeus na sede central da empresa, em Saint Louis, nos Estados Unidos. A visita, organizada pela gigante agrícola, é um reflexo do seu crescente interesse na divulgação de suas atividades.

Em 2011, a multinacional norte-americana, especializada há duas décadas no desenvolvimento de sementes geneticamente modificadas para resistir a herbicidas e repelir insetos, foi considerada a empresa “mais malvada” do mundo em uma pesquisa online. E a profunda rejeição gerada por suas práticas em camadas da população em todo o mundo foi amplamente percebida em maio do ano passado quando em um mesmo dia foram feitas manifestações contra a Monsanto em 436 cidades de 52 países. A iniciativa foi organizada por uma única pessoa no Facebook e após o sucesso na convocação será repetida em 24 de maio. Para fechar o círculo, as pesquisas indicam que três quartos dos americanos expressam sua preocupação com a presença de transgênicos em sua alimentação – que estão amplamente autorizados e presentes em cerca de 80% de todos os alimentos – a maioria por medo de efeitos adversos. Na Europa, que só permite um tipo de milho, a rejeição é de 61%, enquanto que na Espanha esse número gira em torno de 53 %, de acordo com pesquisas recentes, de 2010.

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MST denuncia CTNBio à Dilma

28, fevereiro, 2014 Sem comentários

Em audiência com a presidenta Dilma realizada na semana de seu VI Congresso Nacional, o MST denunciou os laços corporativos da CTNBio, comissão do governo encarregada de avaliar os pedidos de pesquisa e comercialização de transgênicos, como se lê no seguinte trecho da carta entregue à presidenta:

“Queremos denunciar que o atual coordenador da CTNbio, que julga a liberação de sementes transgênicas, até ontem fazia consultoria para empresas transnacionais que obtém vultuosos lucros com a vendas dessas sementes. Isso é, no mínimo, falta de ética. Exigimos que essa pessoa seja substituída. E, solicitamos que os movimentos populares do campo e as universidades também tenham o direito de indicar cientistas para compor a comissão de analise das sementes transgênicas. Exigimos que o governo use sua base parlamentar para impedir o avanço dos projetos de lei que querem legalizar o uso da tecnologia que esteriliza as sementes. Nenhum pais do mundo aprovou a “tecnologia terminator”. O Brasil não pode ser essa exceção.”

A íntegra da carta do MST à Dilma está disponível em: http://www.agroecologia.org.br/index.php/noticias/noticias-para-o-boletim/613-leia-carta-do-mst-a-dilma

 

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Deputado denuncia lobby por transgênicos

24, janeiro, 2014 Sem comentários

O Globo, 22/12/2014

por EVANDRO ÉBOLI

BRASÍLIA- Um deputado do próprio PT, Doutor Rosinha (PR), protocolou denúncia contra a Comissão Técnica Nacional de Biotecnologia (CTNBIO), na Comissão de Ética da Presidência da República e no Ministério Público Federal. O parlamentar diz que oito integrantes da comissão, responsável, entre outras missões, pela liberação de transgênicos, têm vínculos com esse setor privado de biotecnologia e incorrem em conflito de interesse e até na prática de improbidade administrativa. Rosinha, que preside a Comissão de Seguridade Social da Câmara, quer a saída imediata desses profissionais da CTNBio.

A comissão tem 27 titulares e 27 suplentes. Dos oito acusados, quatro são titulares e quatro, suplentes. O deputado ainda acusa um assessor técnico de participar de um lobby pró-transgênico na CTNBio. “É inadmissível que participem desse órgão pessoas vinculadas profissionalmente a empresas de biotecnologia, por serem as maiores interessadas nos julgamentos da CTNBio e na aprovação de suas propostas de liberação de produtos e processos”, afirma o parlamentar.

Cada integrante da CTNBio tem dois anos de mandato. Entre os acusados está o presidente da comissão, Flávio Finardi Filho, em seu terceiro mandato, que termina em agosto de 2014.

Finardi, segundo o deputado, elaborou pareceres encomendados e favoráveis a liberação de transgênicos. Segundo Rosinha, ele manteve vínculos com o setor privado, como a Nestlé e desenvolveu projeto de pesquisa financiado por essa empresa. E teria assinado um documento dirigido à Presidência da República enaltecendo os benefícios e a importância dos transgênicos, no início do governo Lula.

A CTNBio, em nota, informou que tomou conhecimento da representação do parlamentar pelo GLOBO. Disse que todos os citados se comprometeram a se declarar impedidos em casos que possam caracterizar conflito de interesse. “Adiantamos que todos os membros citados da CTNBio assinam a declaração de conduta prevista no Art. 11, § 1º, do regimento interno da comissão. Assim, se comprometem a declarar qualquer circunstância pessoal que caracterize potencial conflito de interesse, ou que possa ser percebida como impeditiva para um parecer isento. Durante as reuniões, tem sido a prática dos membros da CTNBio”, afirma a nota do Ministério de Ciência e Tecnologia, ao qual a comissão está vinculada.

Moção sobre desmanche da legislação sobre agrotóxicos

7, dezembro, 2013 Sem comentários

Está sendo veiculada na imprensa a informação de que a Casa Civil prepara uma medida provisória, a ser publicada até o final deste ano, criando uma comissão técnica que passaria a ser responsável pela análise e registro de novos agrotóxicos.

Duas propostas foram apresentadas ao governo: uma encaminhada pelas empresas do setor, que sugere a criação da CTNAgro, subordinada à Casa Civil e com 13 membros, e outra encaminhada pela bancada ruralista, que sugere a criação da CTNFito, composta por 16 membros, e que teria até 90 dias da data da entrega de um processo para se posicionar em relação ao novo registro.

Conforme a proposta, a nova comissão teria poderes para decidir sozinha, suprimindo, assim, as competências dos órgãos de saúde e meio ambiente.

A comissão que se pretende criar é inspirada na CTNBio – Comissão Técnica Nacional de Biossegurança, instituída pela Lei 11.105/2005, e que confiscou as atribuições da Anvisa e do Ibama na avaliação de riscos e de decisão sobre o uso de produtos transgênicos no país. O resultado da criação desse tipo de instância é que até hoje nenhum pedido de liberação comercial de organismo transgênico foi rejeitado, apesar da existência crescente de sérias evidências de riscos.

É preciso lembrar que o expressivo aumento das lavouras transgênicas no Brasil foi um dos grandes responsáveis por levar o Brasil a ocupar, desde 2008, a primeira posição no ranking mundial de consumo de agrotóxicos.

Atualmente, além e ser o campeão mundial no uso de venenos, o Brasil importa e permite a aplicação de produtos proibidos em outros países, sem falar na entrada ilegal de produtos.

O Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (PARA) tem indicado que, nos últimos anos, cerca de 30% dos alimentos consumidos pelos brasileiros apresentam resíduos de agrotóxicos acima dos limites permitidos ou resíduos e agrotóxicos não registrados no país. Outros cerca de 40% apresentam resíduos dentro dos limites permitidos – o que, na verdade, não significa que o seu consumo seja seguro, pois o estabelecimento desses limites é fortemente controverso no meio científico.

Agravando ainda mais esse quadro, recentemente, a regulação dos agrotóxicos sofreu mais um grande retrocesso com a aprovação do Projeto de Lei de Conversão (PLV 25/2013) da Medida Provisória 619/2013, cujo artigo 53 deu ao Ministério da Agricultura o poder de anuir temporariamente, à revelia da Anvisa e do Ibama, sobre a importação, produção, distribuição, comercialização e uso de agrotóxicos não registrados no país em caso de declaração, pelo próprio MAPA, de emergência fitossanitária ou zoossanitária.

A medida tinha como objetivo permitir a utilização de venenos à base de benzoato de emamectina para o controle da lagarta Helicoverpa armigera, cuja população explodiu, segundo avaliação do próprio MAPA, como consequência da difusão das lavouras transgênicas Bt.

Diante desse quadro, afirmamos que não é possível aceitar que esse desmanche da legislação sobre agrotóxicos venha do mesmo governo que acaba de assumir compromisso com a Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica e que teria como uma de suas mais abrangentes tarefas exatamente lutar pela redução do uso de agrotóxicos no Brasil.

Sendo assim, repudiamos as iniciativas em negociação na Casa Civil e demandamos uma clara posição do governo sobre o que se espera do Plano Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (Planapo) e do seu plano de redução do uso de agrotóxicos.

Brasília, 06 de dezembro de 2013.

 

Assinam esta moção as seguintes instituições membro da Comissão Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (CNAPO):

 

ABA Associação Brasileira de Agroecologia

ANA Articulação Nacional de Agroecologia

AS-PTA Agricultura Familiar e Agroecologia

BrasilBio Associação Brasileira de Orgânicos

CAA-NM Centro de Agricultura Alternativa Norte de Minas

CONTAG – Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura

CTAO – Câmara Temática de Agricultura Orgânica

MIQCB – Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu

MMC Nacional – Movimento de Mulheres Camponesas

MPA – Movimento de Pequenos Agricultores

MST Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra

RCSXX – Rede de Comercialização Solidária Xique Xique

Rede Ater Nordeste

Rede Cerrado

Rede Ecovida de Agroecologia

Unicafes – União Nacional das Cooperativas de Agricultura Familiar e Economia Solidária

 

Cientista denuncia pressão contra publicação de pesquisa anti-OGM

29, novembro, 2013 Sem comentários

AFP – Agence France-Presse, 28/11/2013 (via em.com.br)

O professor francês Gilles-Eric Séralini, que publicou há um ano um estudo sobre a toxicidade “alarmante” do milho transgênico nos ratos, criticou nesta quinta-feira a revista que publicou seu estudo e denunciou que esta recebeu “pressões” para que suspendesse seu trabalho.

“Rejeitamos que o artigo seja retirado”, afirmou o cientista durante coletiva de imprensa em Bruxelas.

O pesquisador denunciou “pressões insuportáveis”, destacando que o editor da revista Food and Chemical Toxicology não tinha constatado “nem fraude, nem má interpretação dos dados” em seu estudo.

“Os resultados apresentados, que não são incorretos, não permitem concluir”, alegou o encarregado editorial da revista, em uma mensagem dirigida a Seralini, datada de 19 de novembro e que o professor tornou pública.

Por causa disto, o artigo foi retirado da revista.

“Mantemos nossas conclusões“, respondeu Séralini em mensagem endereçada à revista que, conforme as regras habituais, publicou o estudo depois que um grupo de cientistas o avaliou.

Interrogado pela AFP, o cientista vinculou esta decisão à “chegada ao comitê editorial da revista de Richard Goodman, um biólogo que trabalhou vários anos na Monsanto”, gigante americana do setor dos organismos geneticamente modificados.

“Um debate científico não é uma razão para retirar um artigo, só um caso de fraude ou erro pode justificá-lo”, acrescentou.

O estudo chefiado por Séralini e publicado em setembro de 2012 dizia que os ratos alimentados com OGM morrem antes e sofrem de câncer com mais frequência que aos demais.

“Os resultados são alarmantes. Observamos, por exemplo, uma mortalidade duas ou três vezes maior entre as fêmeas tratadas (com OGM). Há de duas a três vezes mais tumores em ratos tratados dos dois sexos”, explicou na ocasião Seralini.

Para fazer o estudo, duzentos ratos foram alimentados durante um máximo de dois anos de três formas diferentes: exclusivamente com milho OGM NK603, com milho OGM NK603 tratado com Roundup (o herbicida mais usado no mundo) e com milho não geneticamente modificado tratado com Roundup.

Os dois produtos (o milho NK603 e o herbicida) são de propriedade da empresa americana Monsanto.

Durante o estudo, o milho fazia parte de uma dieta equilibrada, servido em porções equivalentes ao regime alimentar nos Estados Unidos.

“Os resultados revelam uma mortalidade muito mais rápida e importante durante o consumo dos dois produtos”, havia dito Seralini.

Em sua carta, o encarregado editorial da revista, A. Wallace Hayes, explicou que um painel de cientistas voltou a analisar os dados do estudo e avaliou que “o artigo devia ser retirado”.

O encarregado editorial criticou ao mesmo tempo a quantidade de ratos de cada grupo estudado, assim como a raça escolhida para a experiência, o que Seralini refuta, afirmando que este debate não “tem bases científicas”.

As conclusões de Seralini foram rechaçadas pela Autoridade Europeia de Segurança Alimentar (EFSA), mas permitiram fazer interrogações aos protocolos usados para os testes clínicos com OGM.

Casa Civil costura MP para área de agrotóxicos

29, novembro, 2013 Sem comentários

VALOR ECONÔMICO, 21/11/2013

Sob forte pressão do setor produtivo, o governo decidiu que vai rever o rito de aprovação de defensivos no país. A Casa Civil está preparando uma medida provisória com as mudanças que serão adotadas, que deverá ser publicada até o fim deste ano. Na mesa, por enquanto, estão duas propostas parecidas, uma do segmento de defensivos e outra de parlamentares da bancada ruralista no Congresso.

Nas duas propostas está prevista a criação de uma comissão técnica, que passaria a ser a responsáveis pela análise dos produtos. Na prática, portanto, a nova comissão esvaziaria o poder da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) nessa frente. A agência é considerada pelo setor produtivo a grande responsável pela atual demora desse processo. Para receber “sinal verde” para produção e comercialização, a análise passa atualmente pela Anvisa, pelo Ministério do Meio Ambiente e pelo Ministério da Agricultura.

A intenção do setor privado é criar a Comissão Técnica Nacional de Agrotóxicos (CTNAgro), subordinada à Casa Civil e com 13 membros. Assim, a Anvisa e o Ministério do Meio Ambiente apenas definiriam parâmetros de segurança e avaliações toxicológicas e ambientais para os produtos e não mais analisariam projeto por projeto.

Com as novas regras, os produtos seriam estudados por entidades autorizadas pelo próprio governo, como universidades e laboratórios, e o processo seria entregue à CTNAgro para análise. Com isso, o setor poderia criar uma lista de matérias primas e substâncias permitidas, e não listas de produtos aprovados ou negados. O setor espera, com isso, uma maior celeridade nos processos de registro.

Ontem, deputados da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) se encontraram com o ministro da Agricultura, Antônio Andrade, para apresentar a proposta dos parlamentares. No esboço do projeto de lei entregue, está prevista a criação da Comissão Técnica Nacional de Produtos Fitossanitários (CTNFito).

Conforme a proposta, a CTNFito seria composta por 16 membros e deveria receber os dados e documentos das empresas para analisar os processos. A comissão teria até 90 dias da data da entrega do processo pelas empresas para se posicionar em relação à aprovação ou não do registro.

O coordenador da FPA, deputado Luiz Carlos Heinze (PP-RS), afirma que a intenção é acelerar o processo. “Queremos acelerar a aprovação de mais produtos e por meio de um processo mais simples. Não existe nenhum país no mundo com a nossa demora”, disse. ” O Brasil não pode ficar à mercê do sistema atual”.

Procurada, a Anvisa afirmou que, em relação ao encontro do Ministro da Agricultura com a FPA, “não cabe qualquer pronunciamento no momento”. Questionada em relação à intenção do setor em reduzir sua participação no setor, a Anvisa diz que sua função institucional é definir parâmetros que resguardem a saúde da população em relação aos riscos representados por produtos químicos.

“O sistema de aprovação de agrotóxicos no Brasil prevê a participação das áreas da agricultura, saúde e meio ambiente, como forma de garantir que as necessidades do setor agrícola sejam atendidas mediante rígidos requisitos de proteção á saúde dos consumidores e aplicadores dos agrotóxicos, bem como do meio ambiente”, informou a agência.

Mudança na liberação de agrotóxicos em pauta

31, outubro, 2013 Sem comentários

Inspirados na CTNBio, que libera tudo e um pouco mais, ruralistas e empresas querem a CTNAgro, para que o oba oba se estenda também aos agrotóxicos. Para isso, querem tirar a Anvisa da jogada e vão à Casa Civil buscar apoio.

VALOR ECONÕMICO, 31/10/2013

Para acelerar a aprovação de novos defensivos agrícolas, governo e iniciativa privada discutem uma reformulação completa do rito de análise, autorização e uso desse tipo de produto no país. Empresas e associações do setor realizam reuniões, desde julho, para apresentar uma proposta conjunta ao governo.

Desde o início deste ano, a Casa Civil entrou nas discussões do setor – entre as quais a pulverização aérea e a importação de defensivos não aprovados no Brasil. As discussões, neste momento, giram em torno da atualização do decreto 4.074/02, que define as regras gerais do segmento.

Uma das principais medidas pedidas pelos produtores é retirar da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) a responsabilidade pelas avaliações de defensivos. Hoje, para um produto receber sinal verde para produção e comercialização, o processo deve passar por Anvisa, Ministério do Meio Ambiente e Ministério da Agricultura.

A intenção do setor privado, que deve ser acatada pelo governo, é criar a Comissão Técnica Nacional de Agrotóxicos (CTNAgro), subordinada à Casa Civil e com 13 membros. Assim, a Anvisa e o Ministério do Meio Ambiente apenas definiriam parâmetros para os produtos e não mais analisariam projeto por projeto. A principal reclamação do setor produtivo está na demora da Anvisa em analisar todos os processos de agrotóxicos.

Com as novas regras, os produtos seriam estudados por entidades autorizadas pelo próprio governo, como universidades e laboratórios, e o processo seria entregue à CTNAgro para análise. Com isso, o setor poderia criar uma lista de matérias primas e substâncias permitidas, e não listas de produtos aprovados ou negados. O setor espera, com isso, maior celeridade nos processos de registro.

Uma prova do interesse do governo em esvaziar o poder da Anvisa apareceu na semana passada. O Ministério da Agricultura recebeu da Presidência da República aval para importar ou mesmo autorizar de forma emergencial e temporária a produção e comercialização de produtos não aprovados no Brasil. O decreto 8.133, que regulamenta as regras, foi publicado ontem no “Diário Oficial da União”. Desde o início do ano, o Ministério da Agricultura tentava, em vão, usar produtos não autorizados no Brasil para combater a lagarta helicoverpa.

A bancada ruralista do Congresso e entidades do setor produtivo estão juntas para acelerar a discussão do assunto e tentar aprovar o decreto. “Até o ano que vem, queremos aprovar essa lei tão necessária. Temos de acabar com essa discussão infinita [entre Anvisa e Ministério da Agricultura]”, afirma o coordenador da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), deputado Luiz Carlos Heinze (PP-RS).

 

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http://www.valor.com.br/agro/3322924/mudanca-na-liberacao-de-agrotoxicos-em-pauta#ixzz2jNboxtV2

 

Lobby por agrotóxico na Anvisa é um inferno, diz ex-gerente

23, setembro, 2013 Sem comentários

Revista Galileu

Ex-gerente afastado do órgão após denunciar esquema de corrupção conta como funciona a pressão política dentro da entidade

por Tiago Mali

Luiz Cláudio Meirelles, ex-gerente de toxicologia da Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa) foi exonerado do cargo em novembro de 2012 quando denunciou um esquema de corrupção para aprovar 7 princípios ativos de agrotóxicos mais rapidamente. Nesta entrevista, ele relata como era a abordagem para que se apressasse as aprovações e diz que vê sua saída como algo já desejado há muito tempo pela bancada ruralista do congresso.

GALILEU: Quanto tempo você ficou na Anvisa?

Treze anos e meio. Peguei lá em fevereiro de 1999 e sai de lá em novembro de 2012.

Como as coisas funcionavam lá?

A Anvisa estava para ser criada em 1999 e eu fui convidado pra organizar a gerência de toxicologia [que cuida da avaliação de agrotóxicos] ,ela não existia ainda. O nosso olhar sobre essa questão era uma avaliação preventiva. Você vê os problemas relacionados àquela substância antes de ela ir pro mercado, e evitar que exista algum risco ou algum dano saúde da população, e também pensa em questões de controle. Por exemplo, monitorar os resíduos de agrotóxicos em alimentos, melhores informações sobre os agravos provocados por esses produtos, melhoria da notificação de intoxicações, rever substancias autorizadas no passado que já estavam no mercado quando a gente chegou.

Você organizou esse setor lá.

Sim. E o objetivo era uma ação dinâmica. Quando você fala de substância química, elas estão sendo estudadas permanentemente. E às vezes uma coisa que era considerada segura no passado, dependendo dos estudos que apareçam, pode não ser mais considerada segura e você ter que mudar a decisão. Por exemplo, o DDT. Quando foram lançados ali pela década de 1970 eram a maravilha do mundo. E depois eles passam a ser hoje, combatidos no mundo inteiro. Descobrimos que causam câncer, se acumulam no tecido adiposo, que contaminam o lençol freático. Por isso temos nessa área constantemente de rever nossas decisões. Mesmo porque quem avalia as substancias são as empresas, né, elas são donas das moléculas, elas que apresentam estudos, e nesse início da entrada de molécula em qualquer país, os pesquisadores independentes não tem acesso àquela substancia pra desenvolver estudo. Então o trabalho da gente tinha esse escopo de prevenção com base em dados.

Essa prevenção é bem feita hoje?

A gente sabe que no Brasil a produção de dados em relação a essas contaminações da população ainda é extremamente precária. Pouco se investiga, poucos são os programas de monitoramento que temos operando, como o PARA [Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos]. Existe monitoramento de água potável, mas a gente não encontra os dados. Devia existir pra todo tipo de alimento. Processado, de origem agropecuária, água de ambiente, agua potável, pra que pesquisadores e gestores pudessem tomar sua decisão. Muitas vezes você se depara com uma substância química nova e o estudo não te dá clareza sobre produção de câncer ou alteração de embrião. Enquanto o órgão avaliador e de proteção sanitária você deve impedir a exposição até que isso se esclareça, mas essa é uma questão muito polêmica no país.Tem essa questão do poder de fogo que as empresas do agronegócio têm. Aos olhos deles, a precaução é tida como algo xiita, ideólogo, radical.

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O engodo da soja RR 2

29, julho, 2013 Sem comentários

ciencia normal

A soja Roundup Ready 2, da Monsanto, também chamada de Intacta, foi liberada pela CTNBio em 2010 e agora começa a chegar no mercado após o primeiro escalão do governo brasileiro ter se empenhado para convencer compradores como a China. Recentemente explodiu um surto de pragas nas lavouras de soja, milho e algodão liderado pela lagarta Helicoverpa. A responsabilidade das plantações transgênicas ainda é discutida e seus defensores, evidentemente, negam que seja essa a causa do problema. O fato é que a empresa, quando pediu a liberação da soja RR2 não falava que esta semente seria resistente à Helicoverpa. Nem a CTNBio, em seu parecer técnico, cita a praga, dando a entender que esta não é uma característica da nova semente e que esse suposto atributo sequer foi testado. Acontece que a semente está chegando ao  mercado junto com a praga, e aí lê-se na imprensa especializada que “Monsanto começa a vender soja INTACTA RR2 PRO, com supressão à Helicoverpa“.

Além disso, não está disponível no mercado teste de fita (IFL) para detecção dessa nova semente. Como farão produtores, cooperativas e cerealistas para saber qual soja estão comprando? Como farão os produtores de soja convencional ou orgânica para se certificar de que sua produção não foi contaminada? Na impossibilidade de identificação a Monsanto assumirá que toda a soja produzida deriva de sua nova semente e assim se julgará no direito de cobrar royalties de todos?

O Globo delira

16, julho, 2013 Sem comentários

O GLOBO, 14/07/2013

Editorial

Agronegócio avançou com uso de transgênicos

[para um contraponto a este texto, que é mais uma manifestação de desejo que algo apoiado em dados da realidade, veja o artigo Mitos transgênicos, escrito por grandes produtores de soja]

O agronegócio no Brasil às vezes é comparado ao “pré-sal” do interior, pelo valor que agrega à economia do país. As dificuldades decorrentes de infraestrutura precária foram compensadas pela combinação de terras disponíveis com avanços tecnológicos que proporcionaram saltos de produtividade expressivos. O agronegócio é o que assegura saldo na balança comercial brasileira, pelo elevado superávit acumulado nas exportações muito superiores às importações. À medida que os investimentos em infraestrutura começarem a apresentar resultados, o Brasil conseguirá conquistar ainda mais mercados para o agronegócio.

A atualização tecnológica é, sem dúvida, o grande desafio do setor. Se o Brasil, há dez anos, tivesse adotado uma postura radical contra o uso de sementes geneticamente modificadas, provavelmente hoje não ocuparia a posição de segundo maior produtor mundial de soja. Cerca de 88% da produção brasileira são de soja transgênica, mais resistente a pragas. Por prudência e estratégia de mercado, o país não abandonou o plantio de sementes convencionais. Com isso, tornou-se também o maior produtor de soja convencional, atendendo um grupo de consumidores que prefere pagar mais por esse tipo do produto.

O uso de sementes geneticamente modificadas foi um dos fatores que contribuíram para o aumento de produtividade. Nem os riscos decorrentes dessa produção se confirmaram, e nem o cultivo de produtos transgênicos resolveu todos os problemas, como se imaginava inicialmente. O plantio de sementes geneticamente modificadas sem abandonar completamente as convencionais vem se mostrando uma boa estratégia.

As preocupações de caráter científico quanto ao uso de sementes transgênicas eram válidas e motivaram a realização de estudos, pesquisas e testes mais meticulosos para se avaliar os riscos, seja para o consumidor, seja para a produção em si. O Brasil foi cauteloso na liberação dessas sementes. No entanto, parte considerável da resistência aos produtos geneticamente modificados tinha mais caráter ideológico, por envolver, no caso, uma grande multinacional do setor. O temor de formação de um monopólio que se voltaria contra os produtores acabou vencido, na prática. O mercado estimulou outras companhias a investirem nessa tecnologia, e nos próximos anos haverá uma oferta diversificada de sementes geneticamente modificadas.

Essa transformação favoreceu também o avanço de outras tecnologias. Assim, já se vislumbra que, até o fim desta década, mais saltos de produtividade ocorrerão. No caso específico da soja, espera-se um avanço na produtividade média no Brasil, de 47 para 67 sacas por hectare. A produção poderá crescer sem que para tal se precise cultivar mais terras. É o ideal, do ponto de vista da preservação do ambiente. O que era visto como inimigo da ecologia, virou aliado.

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Sindicância na Anvisa vê irregularidade em mais 23 agrotóxicos

26, junho, 2013 Sem comentários

VALOR ECONÔMICO, 24/06/2013

BRASÍLIA – Além dos seis agrotóxicos autorizados irregularmente pela Anvisa em 2012, a sindicância da estatal nos demais processos concluiu que outros 23 produtos começaram a ser vendidos sem passar por todas as etapas da análise regulamentar, que identificam, por exemplo, se o defensivo representa risco à saúde dos consumidores.

Segundo a Anvisa, a auditoria criada a pedido de seu diretor-presidente para auditar os processos da agência relativos aos Informes de Avaliação Toxicologica avaliou 205 processos, sendo que em 23 foram identificados problemas relativos à incorreção processual, além dos seis detectados no fim do ano passado. À época, o então gerente-geral de Toxicologia, Luiz Cláudio Meirelles, denunciou que seis agrotóxicos receberam autorização para serem comercializados mesmo sem receberem todos os pareceres exigidos pela área.

A Anvisa informou que o relatório foi encaminhado para a Controladoria-Geral da União (CGU), Tribunal de Contas da União (TCU), Ministério Público Federal (MPOF) e Polícia Federal. O nome dos produtos ou os fabricantes não serão divulgados neste momento até deliberação da diretoria da Anvisa.

(Tarso Veloso | Valor)

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VALOR ECONÔMICO, 25/06/2013

Além dos seis agrotóxicos autorizados irregularmente pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no ano passado, sindicância da estatal nos demais processos de aprovação concluiu que outros 23 produtos começaram a ser vendidos no país sem passar por todas as etapas da análise regulamentar – que identificam, por exemplo, se o defensivo representa risco à saúde dos consumidores.

De acordo com informações da Anvisa, a auditoria criada a pedido de seu diretor-presidente para auditar os processos da agência relativos aos Informes de Avaliação Toxicológica avaliou 205 processos, sendo que em 23 foram identificados problemas envolvendo incorreções processuais, além dos seis detectados no fim do ano passado.

À época, o então gerente-geral de Toxicologia da agência, Luiz Cláudio Meirelles, denunciou que seis agrotóxicos receberam autorização para serem comercializados no mercado brasileiro mesmo sem receberem todos os pareceres exigidos pela área.

A Anvisa informou, ainda, que o relatório foi encaminhado para a Controladoria-Geral da União (CGU), para o Tribunal de Contas da União (TCU), para Ministério Público Federal (MPOF) e para Polícia Federal. Os nomes dos produtos ou dos fabricantes não serão divulgados até deliberação da diretoria da Anvisa.

Quando Meirelles fez sua denúncia, no fim do ano passado, os três órgãos responsáveis pela regulamentação desses produtos no país – Anvisa, Ibama e Ministério da Agricultura – divulgaram nota conjunta defendendo seu sistema de avaliação. (TV)

Auxílio de Brasília na liberação de soja da Monsanto pela China

11, junho, 2013 1 comentário

VALOR ECONÔMICO, 11/06/2013

Por Mauro Zanatta | De Brasília

Na liberação comercial da soja Intacta, produzida pela americana Monsanto, sem dúvida pesou o lobby favorável dos produtores rurais do Brasil, que foram à Pequim solicitar o sinal verde do gigante asiático. Mas a situação só mudou realmente quando o governo brasileiro, por meio do Itamaraty, resolveu intervir e negociar com autoridades chinesas.

A visita do ministro Antônio Andrade ao país, sobretudo pelo “timing”, além das gestões do Ministério do Desenvolvimento, também contaram a favor, apurou o Valor. O chanceler Antonio Patriota entrou pessoalmente nas conversas. Nem mesmo a troca do embaixador do Brasil em Pequim atrapalhou – Valdemar Carneiro Leão substituiu Clodoaldo Hugueney.

O principal argumento das autoridades brasileiras nas negociações bilaterais foi que a variedade beneficiaria especificamente o mercado nacional, ainda que algumas áreas do norte da Argentina possam utilizar a nova semente. Além disso, os argentinos também entraram na arena para reivindicar a liberação. Isso pesou de forma significativa para a aprovação, segundo fontes brasileiras.

No início, os chineses encaravam a nova tecnologia como um assunto de interesse restrito apenas dos Estados Unidos. O governo brasileiro relatou o avanço da variedade Cultivance, desenvolvida pela estatal Embrapa em parceria com a alemã Basf, para realçar se tratar de uma questão de Estado para o país. Esse “escudo” teria auxiliado a arrefecer a rejeição do governo chinês.

Mesmo com a demora na aprovação pelo principal cliente das exportações brasileiras, a Monsanto teria condições de atender, já na safra 2013/14, a 10% da área plantada de soja aqui, ou algo próximo de 2,8 milhões de hectares. Haveria 1,8 milhão de sacas disponíveis no Brasil. O principal atrativo da variedade é a resistência ao herbicida glifosato e a lagartas, cujo prejuízo acumulado superou R$ 1 bilhão na safra 2012/13, segundo os produtores.

A semente está aprovada no Brasil desde agosto de 2010. Mesmo com a aprovação, a China ainda precisa emitir um certificado de biossegurança para sacramentar a decisão e abrir caminho ao produto nacional. Normalmente, uma autorização comercial demora 270 dias.

No início de maio, uma comitiva oficial que deveria ter sido liderada pelo ministro Antonio Andrade fez, sem sucesso, gestões junto a autoridades chinesas. Estiveram no grupo, chefiado pelos secretários Celio Porto (Relações Internacionais) e Enio Marques (Defesa Agropecuária), o diretor-executivo da associação dos produtores de sementes, José Américo Rodrigues, e o gerente de assuntos industriais da Monsanto, Otávio Cançado.

China libera importação de 3 tipos de soja transgênica

11, junho, 2013 Sem comentários

Ministério da Agricultura, 10/06/2013

O governo chinês aprovou três variedades de soja geneticamente modificadas de interesse do Brasil [????], conforme informou nesta segunda-feira o ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Antônio Andrade, que está em visita oficial à China. Ele participou, neste domingo, em Beijing, do Foro China-America Latina e Caribe de Ministros da Agricultura.

A aprovação das variedades geneticamente modificadas foi comunicada à Andrade pelo ministro da Agricultura da China, Han Changfu, durante encontro bilateral. Foram aprovadas a Intacta RR2 PRO [Monsanto], que tem a propriedade de supressão da população de lagartas que causam muitos danos às lavouras de soja no Brasil e a CV127 [BASF/Embrapa] e Liberty Link [Bayer], tolerantes a herbicidas.

O ministro brasileiro, que fez o pedido da liberação, agradeceu a decisão das autoridades locais e aproveitou para esclarecer ao seu colega chinês que a agricultura tropical é mais sujeita ao ataque de pragas e ervas daninhas, por essa razão é mais dependente da contínua introdução de novas tecnologias.

Antônio Andrade lembrou, ainda, que a aprovação torna-se ainda mais significativa em função da propagação da lagarta Helicoverpa armigera em vários Estados do Brasil [só faltou dizer que o uso de sementes transgênicas é apontado como fator que desencadeou a explosão dessa praga]. Conforme o ministro, as novas sementes aprovadas pelo governo chinês já tinham seu uso autorizado no Brasil e em outros mercados, mas os produtores de soja e a empresa detentora da tecnologia estavam aguardando a aprovação chinesa, pelo fato de a China ser o principal mercado comprador da soja brasileira [e porque não há segregação].

Em abril de 2013, o Brasil exportou 7,154 milhões de toneladas de soja em grãos, equivalente a US$ 3,797 bilhões. Deste total, 5,604 milhões de toneladas (US$ 2,966 bilhões) tiveram a China como destino.

“Essa decisão era ansiosamente aguardada pelos sojicultores brasileiros, visto que as empresas têm poucas semanas para embalar e distribuir o produto, a tempo do plantio da nova safra”, destacou Andrade.

O ministro propôs ainda a Han Changfu o aumento da cooperação entre a Embrapa e a Academia de Ciências Agrárias da China no campo da biotecnologia e falou sobre as oportunidades de investimento para empresas chinesas nas novas fronteiras agrícolas do Brasil, principalmente no Mato Grosso e na região conhecida como Matopiba.

A região traz novas opções de escoamento da produção no sentido norte, por hidrovias e ferrovias, viabilizadas a partir da recente aprovação da Medida Provisória dos Portos. Esses temas serão novamente abordados por ocasião da visita do vice-ministro da Agricultura da China ao Brasil, nos dias 20, 21 e 22 deste mês. Leia mais…

Ministro da Argentina também faz lobby por transgênicos na China

10, junho, 2013 Sem comentários

Argentina diz que China aprovou compra de mais soja e milho transgênicos

BUENOS AIRES, 8 Jun (Reuters) – O ministro da Agricultura da Argentina disse neste sábado que a China aprovou três nova variedades de soja geneticamente modificada (GM), e uma nova variedade de milho transgênico para importação, o que deve impulsionar o comércio entre os dois países. [sojas resistentes a imidazolinonas e glufosinato de amônia e milho 1161 – as duas variedades de soja já foram liberadas no Brasil mas não estavam sendo plantadas justamente pelas restrições dos compradores, sobretudo a China. Se a informação da matéria estiver correta, tudo indica que essas variedades passarão a ser cultivadas por aqui. Já o ministro da agricultura Antonio Andrade pede na China a liberação da soja RR2, da Monsanto]

O argentino Norberto Yauhar fez o anúncio após uma reunião com o ministro chinês da Agricultura, Han Changfu, em Pequim, segundo um comunicado publicado no website da presidência da Argentina.

O país sul-americano é o terceiro maior exportador mundial de soja e milho, e o principal fornecedor de óleo e farelo de soja. Praticamente toda a soja argentina é transgênica, assim como boa parte do milho do país.

(Reportagem de Hilary Burke)

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China aprobó tres sojas transgénicas y un maíz de Argentina

http://www.lapoliticaonline.com

Fue en un encuentro entre Norberto Yauhar y su par de China, Han Chang Fu. Las sojas son resistentes a la imidazolidonas y al gufosinato y el maíz el 1161. “Es una de las noticias más importante para el país en términos de comercio exterior de los últimos tiempos”, dijo el ministro de Agricultura.

El ministro de Agricultura, Ganadería y Pesca de la Nación, Norberto Yauhar, informó hoy que la República Popular de China aprobó tres sojas transgénicas y un maíz, que incluyen la soja RR2BT, una soja resistente a las Imidazolidonas, una resistente al glufosinato y el maíz 1161.

Lo hizo al término de un encuentro mantenido con su par chino, Han Chang Fu, durante la jornada inicial del Primer Foro de Ministros de Agricultura entre China y América Latina, que se realiza en el país asiático.

Al respecto, Yauhar expresó que: “Es una de las noticias más importante para el país en términos de comercio exterior de los últimos tiempos”, y agregó que “el Ministro chino nos acaba de confirmar la aprobación de todos los eventos de maíz y de soja que teníamos pendientes, incluida la Intacta de Monsanto”.

Estos nuevos eventos permitirán producir y comercializar nuevos productos como estas tres variedades de soja y una de maíz que derivarán en significativos beneficios para la cadena productiva argentina.

Asimismo, el funcionario nacional confirmó la compra por parte de China del primer barco de maíz argentino, lo que implica la venta de las primeras 60.000 toneladas de este cultivo a través de una empresa privada nacional.

“En la próxima campaña ya vamos a poder estar utilizando estas semillas aprobadas y obviamente podremos comercializar más producción”, manifestó el jefe de la cartera agropecuaria nacional.

Por otra parte, en el marco de este foro internacional de agricultura, ambos funcionarios analizaron la relación bilateral, las oportunidades de inversión y comercio, y los estudios de factibilidad para construir zonas de desarrollo y procesamiento de productos agrícolas.

Al respecto Yauhar expresó que “se hizo una revisión de todos los programas que estamos llevando adelante.

En la mañana de hoy tuvimos una muy buena reunión con el vicepresidente del Banco de Desarrollo de China y todo su equipo con miras a futuros emprendimientos”.

El funcionario argentino adelantó que la entidad bancaria “está de acuerdo en acompañarnos en un proyecto que estamos presentándoles para reconvertir un millón de hectáreas alternativas a través de la aplicación de nuestros equipos de riego y toda la tecnología para que comiencen a ser productivas.

Para ello estaremos presentándole al Banco de Desarrollo de China un programa del que a priori hemos interiorizado al ministro Han Chang Fu, que dio su aval para que podamos seguir adelante con el proyecto”.