Arquivo

Textos com Etiquetas ‘semiárido’

Em meio a seca histórica, agroecologia gera renda para sertanejos do NE

12, janeiro, 2017 Sem comentários

Reportagem da Folha se S. Paulo destaca trabalho realizado desde 1993 pela AS-PTA, em parceria com o Polo da Borborema, no agreste paraibano.

::

marlene_ecoborborema

www1.folha.uol.com.br

 

PATRICIA PAMPLONA ENVIADA ESPECIAL A ESPERANÇA (PB)

Em meio ao sertão da Paraíba, que enfrenta uma seca histórica de cinco anos, Marlene Pereira, 46, sustenta sua família com o que planta em seu terreno de menos de meio hectare, menor que um campo de futebol, em Lagoa Seca, a 142 quilômetros de João Pessoa.

A venda de cebolinha, coentro, batata doce, alface, couve, milho, além das criações de galinha e bode, na feira agroecológica da cidade, uma das 12 na região do Polo da Borborema, garante a renda.

“Nossos produtos são livres de agrotóxicos”, conta a agricultora. “A gente mesmo produz o biofertilizante. É totalmente agroecológico.”

Agroecologia gera renda

Leia mais

A variedade nem sempre esteve nos terrenos de Marlene. “Nossos pais e avós diziam que tinha que plantar uma coisa, não dava um monte de coisa no mesmo local”, diz. “Hoje, eu boto tudo no chão e dá. Tendo água, dá tudo.”

A água vem das cisternas que chegaram ao município em 2010. A tecnologia social é certificada pela FBB (Fundação Banco do Brasil), que já construiu 92 mil equipamentos do tipo em todo o semiárido nordestino e pretende alcançar ainda mais municípios.

Elas servem tanto para consumo das famílias, com captação da chuva no telhado para reservatórios de 16 mil litros, quanto para criação de animais e produção, em calçadões inclinados de 200 metros quadrados e com tanques de 52 mil litros.

“Antes, era uma vida só da cacimba [poço]. Acabou a água, acabou tudo”, lembra Marlene. “Hoje, não. A gente, mesmo nesse período de seca, continua mantendo nossas feiras agroecológicas.”

Delfino Oliveira, 23, também é um dos agricultores da região. Na zona rural do município de Esperança, ele mantém a variada plantação no terreno onde mora com os pais e os irmãos.

Além das cisternas para captação de água, a área conta com um biodigestor, que gera gás de cozinha a partir do esterco dos animais. O uso do equipamento reduziu o consumo de botijões de gás para um ao ano.

O jovem agricultor vende seus produtos em uma das 12 feiras da região. O restante, utiliza para consumo próprio. “Aqui não tem desperdício. Se não vender na feira, comemos em casa. E se não der para a gente comer, vai para os animais”, diz.

TRANSFORMAÇÃO

Apesar de a rede de agroecologia da região existir desde 1994, a feira em Lagoa Seca surgiu apenas em 2002, e as melhorias vieram em 2014, quando foi lançado o projeto Ecoforte – Redes de Agroecologia na Borborema.

Com recursos da FBB e do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), ele incentiva o protagonismo das mulheres, o acesso a feiras e promove fundos solidários e bancos de sementes crioulas.

Há dois anos, os mercados contam com estrutura como barracas e equipamentos de transporte. “A gente não toma chuva, sol. As pessoas que vêm comprar também tem um local mais adequado”, relata Marlene.

As iniciativas facilitam a vida no semiárido e ajudam a permanência dos sertanejos na agricultura. Com incentivo do sindicato da região, Delfino deixou a vida urbana quando viu a qualidade de vida no campo.

“Na cidade, teria um chefe que gritaria se chegasse atrasado ou não fizesse alguma tarefa”, compara.

Outra mudança para a família do jovem veio do Pais (Produção Agroecológica Integrada e Sustentável), que prevê a produção de alimentos orgânicos para consumo familiar e incentiva a comercialização do excedente, além de capacitação técnica para as melhores práticas.

“Quando chove e você planta, é bom. Quando começa a ter lucro, é melhor ainda”, afirma sobre o programa.

Marlene também viu sua vida ter outro rumo. “Começamos numa moto, hoje temos um carro melhor, uma casa melhor, uma boa qualidade de vida. Estudei, cursei agricultura, sou técnica em agroecologia, em informática, em contabilidade e em agropecuária.”

A agricultora já disse que não sai da sua terra. “Meu maior sonho é ter saúde e um local maiorzinho para plantar. Meu terreno é muito pequeno para o que eu quero fazer.”

A repórter PATRICIA PAMPLONA viajou a convite da Fundação Banco do Brasil, patrocinadora do Prêmio Empreendedor Social

::

 

Sementes tradicionais alimentam semiárido

11, janeiro, 2017 Sem comentários

envolverde.com.br

Por Mario Osava, da IPS –  

Apodi, Brasil, 9/1/2017 – Em seus 76 anos de vida, Raimundo Pinheiro Melo suportou inúmeras estiagens prolongadas decorrentes das secas no Nordeste do Brasil. Ele se lembra de todas desde a de 1958. “A pior foi em 1982 e 1983, a única vez que secou o rio”, em cuja proximidade vive desde 1962. “Também foi muito ruim em 1993”, contou à IPS, porque ainda não existia o Bolsa Família nem a Articulação Semiárido Brasileiro (ASA), que contribuem para uma convivência menos traumática com secas como a atual, que já dura cinco anos.

Raimundo Pinheiro de Melo, um camponês de 76 anos do município de Apodi, no Nordeste do Brasil, mostra a um agricultor que o visita uma garrafa com sementes de feijões que mantém guardada. Foto: Mario Osava/ IPS

Por meio do Bolsa Família, o governo federal ajuda com dinheiro 13,8 milhões  de famílias pobres no Brasil, metade delas no Nordeste. A ASA é uma rede de três mil organizações sociais que promove a coleta de água de chuva, bem como técnicas e conhecimentos para uma vida rural adequada ao clima de chuvas irregulares na ecorregião do semiárido nordestino.

Para Mundinho, como Raimundo é conhecido por todos, e seus vizinhos, a água não é tão escassa devido à proximidade do rio Apodi, que, mesmo quando seca, ainda conserva água para ser extraída nas cacimbas, buracos feitos no leito do rio ou em sua margem. Além do esforço para conseguir água na zona alta onde vive, em uma área rural de Apodi, município do Rio Grande do Norte, ele se dedica a outra tarefa vital para a sustentabilidade do modo de vida camponês no interior semiárido do Nordeste, conhecido tradicionalmente como sertão.

Mundinho é um guardião de sementes crioulas, ou tradicionais. Armazena em garrafas e pequenos barris de plástico sementes de milho, feijões, sorgo, melancia e outras espécies de cultivo local, em uma pequena instalação construída ao lado de sua casa, em meio a uma terra atualmente arenosa e de vegetação seca. Mais de mil dessas casas, ou bancos de sementes, compõem, com a participação de 20 mil famílias, a rede organizada pela ASA para preservar o patrimônio genético e a diversidade dos cultivos adaptados ao clima e ao solo semiárido nordestino.

Guardar sementes é uma velha tradição camponesa, que foi deixada de lado durante a modernização agrícola na chamada revolução verde, iniciada na metade do século passado, e que incluiu uma “ofensiva das empresas produtoras de sementes que diziam ser melhoradas” e das quais os agricultores passaram a depender, recordou à IPS Antônio Gomes Barbosa, coordenador do Programa de Sementes Crioulas da ASA.

Sementes crioulas armazenadas em garrafas plásticas reutilizadas, em uma construção especial erguida em sua propriedade por Raimundo Pinheiro de Melo, um orgulhoso guardião dessas sementes, que colaboram para a segurança alimentar no semiárido do Nordeste brasileiro, em meio a uma seca que já dura mais de cinco anos Foto: Mario Osava/IPS

A estratégia adotada em 2007, de disseminar tecnologias para armazenar água para a produção, buscando a segurança alimentar, levou a ASA a visualizar a necessidade de os pequenos agricultores disporem sempre de sementes, explicou Barbosa, sociólogo de formação. Um estudo com 12.800 famílias revelou que o “semiárido tem a maior variedade de sementes de espécies alimentares e medicinais do Brasil”, destacando uma região em que vivem mais de 25 milhões dos 56 milhões de habitantes no Nordeste, em um país com população de 208 milhões de pessoas.

Barbosa acrescentou que para isso contribuíram a herança familiar e comunitária de sementes armazenadas e “um intenso intercâmbio, promovido por emigrantes que retornaram ao semiárido trazendo sementes de São Paulo e do centro-leste” do país, onde viveram. O que a ASA fez foi identificar os bancos de sementes existentes, articulá-las e promover sua multiplicação, como forma de resgatar, preservar, ampliar existências e distribuir as sementes crioulas, detalhou.

Antônia de Souza Oliveira, ou Antonieta, como é mais conhecida, participa do banco de sementes número 639 nos registros da ASA, na comunidade Milagre, com 28 famílias assentadas na meseta de Apodi, que é cortada pelo rio de mesmo nome. É um banco comunitário, que “conta com 17 guardiões e existências principalmente de sementes de milho, feijões e sorgo”, acrescentou.

Antônia de Souza Oliveira, em frente ao Banco de Sementes da comunidade rural Milagre, um assentamento de 28 famílias no Estado do Rio Grande do Norte, onde há 17 guardiões de sementes e que ficou famoso pelo protagonismo das mulheres nas atividades de coleta. Foto: Mario Osava/IPS

A forte presença feminina nas atividades desse assentamento levou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2011) a escolher Milagre para inaugurar uma linha de crédito para mulheres do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar. Um caso exemplar, destacado pela ASA, é o banco de sementes de Tabuleiro Grande, outro assentamento rural de Apodi. Ali, uma iniciativa familiar acumula sementes de 450 variedades de milho, feijões, outras leguminosas e ervas. Antônio Rodrigues do Rosário, de 59 anos, encabeça a quarta geração que mantém esse “banco familiar”.

O movimento de sementes crioulas se contrapõe à lógica da revolução verde, em que as sementes são distribuídas pelo Estado ou vendidas por grandes empresas especializadas, “em grande quantidade, mas pouca variedade”, e a partir de uma produção central. “Não precisamos dessa distribuição, mas de iniciativas locais, com cada território resgatando suas sementes locais, com grande diversidade e disseminação”, pontuou Barbosa.

Trata-se de conhecimento acumulado pelas famílias, com experiências de adaptação a cada localidade, solo e clima, ao tipo de produção desejada e à resistência às pragas. Barbosa observou que, por exemplo, “muitas variedades de milho atendem a diferentes necessidades, uma pode produzir mais palha para alimentar os animais, outra o grão para os humanos”. E acrescentou que “o quintal das casas é um laboratório familiar, onde são feitos experimentos, melhorias genéticas, testadas resistência e produtividade. É onde a mulher mais participa, inclusive ensinando os filhos”.

“Na grande seca de 1982 e 1983, uma variedade de batata de crescimento rápido, que em 60 dias foi reproduzida e guardada por uma avó, salvou muitas vidas”, apontou Barbosa. A permuta de materiais e conhecimentos também faz parte importante da história das sementes crioulas. Ocorre dentro da própria comunidade e nas relações com o exterior. A ASA procura intensificar esse intercâmbio promovendo contatos entre camponeses de diferentes áreas.

Antônio Gomes Barbosa, coordenador do Programa de Sementes Crioulas do movimento Articulação Semiárido Brasileiro, que aglutina mais de três mil organizações. A iniciativa é essencial para a segurança alimentar e a biodiversidade do Nordeste brasileiro, principalmente durante a longa seca que afeta a região. Foto: Mario Osava/IPS

“As sementes crioulas são o principal foco de resistência às imposições do mercado. Trata-se de superar a dependência em relação aos grandes fornecedores”, afirmou o coordenador do setor da ASA. A mudança climática aumenta a importância das sementes do semiárido. “Não há veneno agrícola para combater o aumento da temperatura”, ironizou.

O Programa de Sementes do Semiárido comprovou uma “grande capacidade criativa e de experimentação” dos agricultores familiares do Nordeste, ressaltou Barbosa em um diálogo com a IPS, no município próximo de Mossoró. Além disso, existe a tendência à autonomia. “O agricultor segue sua própria experiência, mais do que a orientação do agrônomo, porque escolhe o que é mais seguro para ele”.

Porém, duas ameaças preocupam o movimento referente às sementes da ASA. Uma é a “erosão genética”, que pode ser provocada pela atual seca, que em algumas áreas já dura sete anos. As chuvas isoladas induzem os camponeses a plantar. Sabendo da possibilidade de perder a colheita, nunca usam todas as sementes, mas as vai perdendo pouco a pouco, diante de cada chuva enganosa, com o risco de reduzir suas existências.

Outra ameaça são os transgênicos, rejeitados pelos agricultores vinculados à ASA. Foi comprovada a presença de milho geneticamente modificado em algumas plantações do Estado da Paraíba, que se suspeita ocorre devido ao contágio de sementes trazidas de outras regiões. (#Envolverde/IPS)

::

 

 

Produção diversificada e acesso a políticas públicas garantem autonomia para famílias agricultoras, revela estudo

3, outubro, 2016 Sem comentários

ASA, 30/09/2016

Por Elka Macedo – Asacom

 

Os quintais produtivos contribuem para a resiliência das famílias agricultoras no Semiárido | Foto: Fred Jordão

A poucos meses da finalização, a pesquisa Sistemas Agrícolas Familiares Resilientes a Eventos Ambientais Extremos no Contexto do Semiárido Brasileiro: alternativas para enfrentamento aos processos de desertificação e mudanças climáticas, realizada pelo Instituto Nacional do Semiárido (INSA) em parceria com a Articulação Semiárido Brasileiro (ASA) revelará aspectos relevantes das características e sustentabilidade de agroecossistemas diversificados e especializados de dez territórios do Semiárido.

Iniciada a cerca de três anos, o estudo está sendo desenvolvido em territórios específicos nos estados da Bahia, Piauí, Pernambuco, Ceará, Minas Gerais, Paraíba, Rio Grande do Norte, Alagoas e Sergipe. Aproximadamente, 50 famílias agricultoras participam da pesquisa que analisa aspectos econômicos, sociais e ecológicos das experiências, a fim de apontar a viabilidade dos diversos modos de produção, sobretudo, no período de estiagem que já se estende na região por mais de cinco anos.

“Essa pesquisa tem um lugar diferente quando eu olho para a história do Semiárido. Então, como é que a gente olha para este período de seca e para a forma como os agricultores vão construindo alternativas, sobretudo na perspectiva da resiliência. Nós sabemos que agricultores/as que têm água de beber e que têm água de produzir vivem melhor do que outros agricultores, então a nossa ideia não é comparar. A intenção é entender as famílias que têm um conjunto de inovações e, qual a importância do conjunto de estratégias de estoque dessas famílias”, explica o Coordenador do Programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2) da ASA, Antônio Barbosa.

Na perspectiva de visualizar caminhos para estas questões, foi realizada nos dias 27 e 28 deste mês, na sede do INSA em Campina Grande-PB, a “oficina de restituição final dos estudos de caso”. O evento reuniu membros de organizações parceiras que se envolveram diretamente nos estudos, no intuito de fazer uma releitura da pesquisa por meio da apresentação dos dados já apurados pelos pesquisadores. As informações foram captadas por meio de ferramentas metodológicas como a linha do tempo, modelização de agroecossistemas, gráficos econômicos e gráficos de atributos, que revelam informações sobre renda, divisão de tarefas, canais de comercialização, áreas de preservação, estoque e outras que demonstram a autonomia dos sistemas produtivos.

Para a bolsista pesquisadora, Roselma Viana que acompanhou o estudo no território do Apodi (RN) “a pesquisa traz diversos resultados, dentre eles destaco a visibilidade da importância do papel da mulher dentro da unidade familiar, da comunidade e do território e a importância das tecnologias sociais para famílias, que além de garantir a segurança hídrica possibilita o aumento da produção ou até mesmo mantê-la durante estiagens prolongadas. Essa é uma metodologia diferenciada, pois prioriza uma pesquisa participativa com base nos diálogos e nas experiências implementadas nos agroecossistemas, além de uma sistematização das estratégias agrícolas e sociais adotadas pelas famílias pesquisadas”, disse.

Embora parta das experiências, a pesquisa tem um papel importante na percepção e análise das transformações sociais nos territórios em que as famílias estão inseridas como salienta a coordenadora da ASA pelo estado da Paraíba, Glória Araújo. “É importante olhar para o território porque é lá que as coisas ocorrem, este é também um lugar de construção do projeto político e sociorganizativo das famílias na perspectiva da convivência e da agroecologia. Não se promove agroecologia e desenvolvimento territorial só dentro do agroecossistema. Neste contexto, o fortalecimento das redes são elementos para a construção de uma nova perspectiva de agricultura e, portanto, a gente tem que sistematizar porque isso serve também para o próprio processo de formação das organizações de agricultores/as”.

Nos dados apresentados durante a oficina é possível perceber e comparar a transformação na vida das famílias agricultoras após o acesso a políticas públicas estruturantes de à água para beber e produzir, crédito, mercados institucionais (PAA e PNAE) e da participação em espaços coletivos de discussão de políticas, a exemplo das associações, grupos, sindicatos e articulações.

Luciano Silveira destaca como a agricultura familiar se desenvolveu nos últimos anos | Foto: Elka Macedo

“A agricultura familiar além de ser majoritária ela é dona de seus meios de produção, ou seja, a terra está nas mãos dos agricultores, mas tem um novo desafio hoje que é a pressão sobre o espaço produtivo porque muitas dessas terras foram partilhadas por herança e você tem um processo de minifundização. A gente vive uma crise agrária e a degradação é enorme. No entanto, nesses últimos 20 anos há um conjunto importante de politicas novas, dirigidas à valorização da agricultura familiar e segurança alimentar que emergem nesse período e que têm uma influencia nas transformações que vivemos no Semiárido”, salienta Luciano Silveira da AS-PTA.

O desfecho do estudo está previsto para novembro deste ano e a apresentação dos resultados finais deve ser feita durante um seminário no primeiro semestre de 2017. Para dar visibilidade ao conteúdo, membros do INSA e da ASA e pesquisadores envolvidos na ação estão se organizando para apresentar a pesquisa em congressos, fóruns e outros eventos, a exemplo da nona edição do Encontro Nacional da ASA (Enconasa), que acontece de 21 a 25 de novembro deste ano em Mossoró-RN.

“A gente tem uma amostra poderosa dos efeitos que geram nos territórios o projeto da convivência com o semiárido. Nós temos condições de gerar demonstrações importantes da viabilidade da convivência e do impacto que isso gera concretamente na vida das famílias. Nosso desafio agora é como a gente dá esse desfecho na pesquisa e em que espaços a gente vai comunicar os efeitos que a pesquisa está demonstrando numa rede gigantesca de organizações que estão atuando no território do Semiárido”, ressalta Gabriel Fernandes, da AS-PTA.

::

Categories: agroecologia Tags: , , ,

I Caravana da Agrobiodiversidade do Semiárido

3, agosto, 2016 Sem comentários

semiarido_Caravana

Conheçam, visitem, acompanhem e compartilhem a nossa página

Entre os dias 31/07 e 05/08/2016 sairemos em caravana do Sertão do São Francisco (PE/BA) rumo ao Sertão do Pajeú-PE, Pólo da Borborema-PB e Sertão do Cariri Paraibano com objetivo de conhecer e trocar experiências entre agricultores e agricultoras, agentes de ATER, pesquisadores, professores e alunos(as) com foco na conservação, multiplicação e manejo da agrobiodiversidade local, destacando-se os bancos e casas de sementes comunitárias do Semiárido Nordestino.

Essa atividade interinstitucional e em rede faz parte do plano de ação de um dos projetos do Núcleo de Agroecologia do Semiárido da Embrapa Semiárido por meio da CHAMADA CNPq/Embrapa Semiárido – Edital 38/2014 em parceria com diversas organizações não-governamentais e os diferentes núcleos de agroecologia consolidados por meio das chamadas do CNPq. São nossos parceiros diretos para realização desse intercâmbio: o Instituto Regional da Pequena Agropecuária Apropriada – IRPAA, Serviços de Assessoria a Organizações Populares Rurais – SASOP, Centro de Habilitação e Apoio ao Pequeno Agricultor do Araripe – CHAPADA, a Rede Territorial de Agroecologia do Sertão do São Francisco(PE/BA), Embrapa Tabuleiros Costeiros, Embrapa Algodão, Embrapa Meio Norte, Embrapa Cocais, Associação Comunitária Mantedora da Escola Família Agrícola de Sobradinho-BA-AMEFAS/EFAS, o Núcleo de Pesquisa e Estudos em Agroecologaia Sertão Agroecológico da Universidade Federal do Vale do São Francisco – Univasf, IF Sertão Pernambucano e a Rede de Núcleos de Agroecologia do Nordeste – RENDA. Para realização dessa caravana, contamos com a parceria fundamental das organizações que atuam e assessoram os agricultores(as), assim como os grupos socioprodutivos nos territórios do Sertão do Pajeú-PE, Pólo da Borborema-PB e Sertão do Cariri Paraibano: o Centro de Desenvolvimento Agroecológico Sabiá – Centro Sabiá,  Associação de Desenvolvimento Rural Sustentável da Serra da Baixa Verde – ADESSU,  Casa da Mulher do Nordeste – CMN, Agricultura Familiar e Agroecologia – AS-PTA/PB, Rede de Sementes da Paraíba – ASA/PB, O Coletivo Regional do Cariri, Seridó e Curimataú-PB e Programa de Aplicação de Tecnologias Apropriadas – PATAC.

Sugestões e informações: nucleoagroecologiadosemiarido@gmail.com

 

Semiárido Vivo, Nenhum Direito a Menos!

Estudo da Embrapa avalia desempenho de sementes crioulas e comerciais de feijão macassar na Paraíba

23, junho, 2016 Sem comentários

Embrapa_feijao_macassar2016

A Embrapa acaba de publicar Comunicado Técnico com resultados que reafirmam a superioridade das variedades crioulas, inclusive em produtividade, quando comparadas a variedades convencionais. O estudo avaliou em condições reais de cultivo variedades crioulas e melhoradas de feijão macassa e foi realizado no Agreste da Paraíba a partir de parceria da Embrapa com a AS-PTA e o Polo da Borborema.

Entre as variedades melhoradas estão duas que foram desenvolvidas para a região amazônica mas curiosamente foram distribuídas pelo governo para plantio no semiárido.

Em pesquisa anterior, a mesma parceria confirmou a campo a superioridade e maior adaptação das variedades locais das sementes da paixão de milho.

Nenhum dos dois estudos têm como objetivo negar a importância das variedades melhoradas. Pelo contrário, há muitos materiais melhorados, das mais diferentes espécies, com bom potencial e boa adaptação que podem contribuir para a produção dos agricultores familiares. O que o resultado do estudo permite concluir é que as sementes crioulas são sim sementes de qualidade e não podem ser preteridas em programas públicos nem simplesmente substituídos por outras ditas modernas.

O estudo está disponível em: http://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/144055/1/cot-186.pdf

::

A revolução das sementes no semiárido brasileiro

22, junho, 2016 Sem comentários
Banco Comunitário de Sementes em Vitória da Consquista, BA |foto: AS-PTA

Guardiã de sementes em Banco Comunitário do Programa Sementes do Semiárido, Vitória da Conquista, BA | foto: AS-PTA

por Najar Tubino

CARTA MAIOR, 21/06/2016

Aracaju (SE) – Essa estratégia faz parte da lógica de resistência histórica que a ASA organizou nos nove estados do nordeste e o norte de Minas. Uma política pública bancada pelo BNDES e pelos ministérios do desenvolvimento social e combate à fome e o do desenvolvimento agrário. Resultado: 640 bancos de sementes. O maior projeto de sementes crioulas do mundo – o outro reconhecido de Vandana Shiva, na Índia, tem pouco mais de 200 bancos. E que está ameaçado, não pela estratégia em si, porque os agricultores e agricultoras do semiárido guardam sementes há séculos. Mas porque haveria um salto muito maior: mais mil bancos de sementes.

As corporações multinacionais odeiam as sementes crioulas. Elas são o maior exemplo da incompetência dos cientistas das multis em querer produzir sementes de laboratório com penduricalhos químicos, genes e veneno. O semiárido brasileiro é o mais populoso do mundo, aliás, é o bioma brasileiro com maior população – entre 22 e 25 milhões de pessoas. No IV Encontro de Agricultoras e Agricultores Experimentadores a ASA lançou uma cartilha sobre sementes crioulas. É o resultado de um amplo projeto de pesquisa realizado em 240 municípios, 24 territórios e 12 mil famílias.

A lógica histórica do estoque

Antonio Gomes Barbosa é o coordenador do programa de sementes da ASA, além de coordenar o projeto P1M2, também chamado de Uma Terra e Duas Águas, cujo destino final é a produção de alimentos e as criações de animais. A ASA assessora 90 mil famílias de um total de 130 mil que já foram beneficiadas com este programa. Barbosa é um apaixonado por sementes. Em uma conversa de uma hora ele é capaz de fazer o histórico da evolução da humanidade contada através da evolução genética das sementes. É a teoria do estoque. Uma garrafa PET, hoje em dia, usada para estocar sementes do povo do semiárido, guarda a evolução da agricultura. E os agricultores e agricultoras sabem como dosar isso no plantio, mesmo que a cada década ocorra uma seca e a cada 30 anos uma seca de quatro a cinco anos – ainda estamos vivendo uma seca no semiárido, que é a maior da história do Brasil.  

Depois de quase 20 anos de trabalho a ASA está reencontrando com sua lógica histórica – o estoque de comida, tanto para humanos como para os animais. No semiárido o povo nunca usa todas as sementes da garrafa PET. No primeiro plantio pegam 80% das sementes. Se o inverno falhar – quando a chuva não chega – eles ainda arriscam mais 15% na próxima temporada. Cinco por cento é a garantia da produção futura.

A ideia é a autossuficiência

Semente crioula não é apenas o material genético que o povo do semiárido manuseou por séculos. É a tradução do conhecimento acumulado, um conceito que os burocratas da academia teimam em não reconhecer. Muitas vezes, porque muitos deles trabalham para as corporações que ao longo da história rouba este conhecimento e usa o material genético para produzir os seus frankesteins de laboratório, como são os transgênicos. Como diz Antônio Barbosa, a questão da semente crioula não tem nada a ver com romantismo, é que questão de valor, de competição comercial. A política pública, envolvida com a ampliação dos bancos de sementes crioulas, prevê que as famílias possam comercializar as sementes. Um banco de semente recolhe o produto de 20 famílias. Cada município têm três bancos e eles poderiam suprir a necessidade de sementes dos agricultores e agricultoras neste raio de ação. A ideia é a autossuficiência para cada município.

Muita contaminação nos testes de transgenia

O trabalho da ASA de pesquisa encontrou mais de 400 variedades de sementes de milho – a mais ameaça na atualidade -, mais de 300 variedades de feijão de corda e por aí vai. Também realizaram testes de transgenia nas sementes crioulas, para avaliar a contaminação com as sementes transgênicas das corporações. E encontraram muita contaminação, inclusive no Polo da Borborema, na Paraíba, considerado um santuário de sementes.

A estratégia das multinacionais é contaminar as crioulas. Existe também germoplasma guardado na Embrapa que agora as organizações sociais querem aproveitar. A EMBRAPA precisa abrir a caixa preta, porque ninguém sabe o que tem estocado de semente crioula. Além disso, quem vai pagar o prejuízo pela contaminação das crioulas com os transgênicos da Monsanto, Syngenta, Bayer e companhia limitada. Enquanto isso, o povo do semiárido continua fazendo os seus estoques de sementes, trocando em feiras, como o correu em Aracaju, e divulgando o seu conhecimento. Um dos participantes do IV Encontro Nacional é o seu Golinha, Antônio Rodrigues do Rosário, 60 anos, viúvo, dois filhos, três netos, assentado no Tabuleiro Grande, em Apodi (RN).

Um país novo

Conheci Golinha em Juazeiro (BA) no III ENA. É o sujeito que mais sabe vender sementes crioulas – além de ervas medicinais – na barraca do RN, no evento. Em volta dele sempre tem um grupo de pessoas escutando as explicações, as receitas e comprando. Apelidei ele de Senhor Semente. Golinha é um perigo para a Monsanto. Ele bota qualquer diretor de marketing de multinacional no chinelo. É impressionante o conhecimento da família, que começou com o bisavô – morreu com 104 anos -, continuou com o avô que morreu aos 99 e seguiu com o pai, morto aos 99. São 361 anos da Sementes da Tradição, que é a marca do assentado do Apodi.

No IV Encontro de Agricultoras e Agricultores Experimentadores o refrão de uma musica popular era entoado seguidamente. Diz assim:

“- Esse encontro é nosso / esse encontro é do povo / com o semiárido / nós fazemos um país novo”.

  
::

Articulação do Semiárido – Paraíba

21, junho, 2016 Sem comentários

ASA_PB

Levantamento da ASA comprova a rica diversidade das sementes do Semiárido

17, março, 2016 Sem comentários

“Ia com o pensamento que as famílias não guardavam sementes. Depois dos cursos, vimos que guardam demais da conta” | Foto: Arquivo Cáritas Diocesana de Araçuaí

 

ASA, 16/03/2016

Levantamento da ASA comprova a rica diversidade das sementes do Semiárido

Diante do cenário mundial da fome e má nutrição e dos efeitos das mudanças climáticas, o valor deste patrimônio genético extrapola os limites da região

Por Verônica Pragana – Asacom

Numa época em que um dos grandes problemas mundiais é a fome e a má nutrição de milhões de pessoas, o Semiárido brasileiro guarda e preserva uma grande variedade de sementes crioulas. A partir do processo de estocagem de água e sementes, a região vem se fortalecendo como um espaço de preservação e multiplicação de um importante patrimônio genético para a humanidade apesar de uma longa e intensa estiagem que acomete a região desde 2012. Um levantamento preliminar do Programa Sementes do Semiárido, da ASA, identificou milhares de variedades de 54 espécies alimentares e medicinais pesquisadas. Só de feijão de corda são 440 variedades, 335 de feijão comum, 322 de milho, 189 de fava, 116 de jerimum e 106 de batata doce.

Os dados foram coletados a partir de entrevistas com 7.380 famílias que vivem e produzem em 442 comunidades rurais de 179 municípios, que corresponde a quase 16% dos municípios do Semiárido. Quando concluída, a pesquisa vai abranger um total de 12,8 mil famílias envolvidas com o Programa Sementes do Semiárido e que desfrutam de água para consumo humano e para produção que foram disseminadas na região, principalmente, pela ASA.

Entre os fatores responsáveis pela situação de insegurança alimentar no planeta está a erosão genética. Há milhares de anos, há indícios da existência de sete mil espécies de plantas cultivadas ou coletadas. Atualmente, na base da alimentação mundial predominam quatro espécies: trigo, arroz, milho e batata, que fornecem mais de 60% da necessidade de energia que vem dos alimentos, segundo o documento em inglês intitulado “Recursos genéticos vegetais usá-los ou perdê-los”, publicado pela FAO.

Essa erosão tem uma forte relação com a mercantilização da alimentação. Como mercadoria, o alimento passa a ser produzido com custos cada vez mais baixos e lucros cada vez maiores para “um reduzido grupo de transnacionais ligadas ao setor do agronegócio, da indústria de alimentos e das redes de supermercados”, como afirma o editorial da Revista Agriculturas sobre alimentação adequada e saudável, publicada em dezembro de 2014.

Sementes de excelência

“Um dos grandes debates na produção de alimentos no mundo está associado aos desafios trazidos com as mudanças climáticas. Nele, as sementes adaptadas às regiões semiáridas e áridas, consideradas até então como grãos no Brasil, são altamente valorizadas pela ciência que quer estudar suas dinâmicas e características. De grão, elas passam a ser consideradas sementes de excelência”, ressalta Antônio Barbosa, coordenador dos Programas Uma Terra e Duas Águas (P1+2) e Sementes do Semiárido.

Glória Araújo, que representa a ASA Paraíba na Coordenação Executiva da ASA Brasil, lembra inclusive que quando as sementes crioulas eram consideradas de menos valor do que as das multinacionais, as famílias tinham vergonha e chegavam a escondê-las em casa. “Essa pesquisa vem visibilizar a cultura camponesa de guardar as sementes que são experimentadas, multiplicadas e selecionadas no agroecossistema familiar. E é através destas práticas que as famílias mostram a capacidade de resistência às ameaças a esse material genético, como as políticas públicas que continuam a valorizar as sementes externas”.

Os dados do levantamento referendam, inclusive, uma demanda antiga da sociedade civil com relação à política pública de distribuição de sementes: a diversificação das variedades entregues a partir das necessidades locais. “Hoje, são distribuídas quatro variedades de feijão, uma por região, e uma de milho, quando temos 322 variedades de milho que atendem a necessidades diversas das famílias agricultoras do Semiárido”, destaca Barbosa. Para Glória, essas informações desafiam as políticas públicas a reforçarem as práticas de preservação e multiplicação de sementes que estão na região há muito tempo.

Origem

Os dados apresentados revelam uma grata surpresa com relação à origem das sementes: 81,46% das sementes vieram da própria comunidade. A maioria delas (38,05%) foram herdadas dos pais, avós. Mas, a depender das espécies, essa origem varia. Enquanto as sementes de jerimum ou abóbora, que está na base da alimentação das famílias, 97,09% vêm da comunidade, as de hortaliças têm um significativo índice de aquisição em lojas. A alface, por exemplo, em 42,19% dos casos são compradas e 43,24% vem da comunidade.

“Antes do P1+2, quase todas as sementes de alface eram compradas”, destaca Barbosa evidenciando o processo de transformação que o Semiárido passa enquanto produtor de alimentos. A circulação das sementes na própria comunidade ou entre comunidades e regiões é uma estratégia que protege as sementes crioulas e é fortalecida pelos intercâmbios e encontros promovidos pelos programas da ASA.

Outra informação importante trazida pela sistematização dos dados diz respeito ao lugar de cultivo das espécies pesquisadas nas propriedades. Mais de 51% do material genético manejado pelas famílias estão no quintal, que é o espaço do entorno da casa que varia de 10 metros quadrados a meio hectare. E 44,9% no roçado das famílias. “Essa pesquisa revelou esse número todo de variedades de sementes tendo focado sua investigação em apenas dois subsistemas da propriedade. Imaginem se tivesse incluído todo o agroecossistema?”, destaca Glória.

A diversidade das comunidades

Entre as localidades pesquisadas, está a comunidade Cabral, na área rural do município de Pedro II, no Piauí, onde vive e produz a família de Antônio Alves Pereira e Francisca Francinete, ambos guardiões de sementes crioulas. Lá, foi construída uma casa de sementes comunitária para estocar o material genético que fica à disposição de todas as famílias da comunidade para plantio. A lógica da gestão das casas ou bancos de sementes é o empréstimo de uma quantidade e devolução de uma quantia maior, que não precisa ser, necessariamente, do mesmo tipo das sementes retiradas da casa, caso a colheita não tenha sido suficiente.

“O resgate das águas e das sementes são a melhor coisa que vi na vida”, declara seu Antônio, que, na região onde mora, é conhecido como Antônio Zifirino, por ser filho de Zifirino. “Antes das casas [comunitárias], já existiam as casas de famílias, que guardavam as sementes de plantar e os grãos de comer. Na década de 1970, deu uma seca forte, quando acabou os grãos comestíveis, as famílias iam pras sementes de plantar. As sementes que vão para as casas são iguais ao dinheiro que a gente coloca no banco e a gente esquece lá pra um dia poder pegar. Se ficasse em casa, a gente gastava tudo.”

Seu Antônio, que além de ser agricultor e guardião de sementes, é profeta da chuva e poeta, não imaginava que na sua comunidade tinha tantas variedades de semente. Ele reconhece que os intercâmbios ajudam bastante no resgate e ampliação do material genético local. “Com os intercâmbios, trazemos as sementes de outras comunidades e região pra cá. Se viver escondido, tem conhecimento?”.

O programa Sementes do Semiárido tem várias fases. A primeira é identificar as sementes ainda existentes. Com isso, as comunidades despertam para as sementes perdidas que precisam ser resgatadas. E a segunda fase incentiva a multiplicar o material genético que vai ser estocado nos bancos ou casas de sementes comunitárias para uso quando as famílias precisarem. Vale destacar que nem todas as sementes das famílias são armazenadas nos bancos comunitários. Lá, se guardam algumas variedades em grande quantidade para garantir o plantio. “O estoque da diversidade fica nas casas das famílias”, explica Barbosa.

“Cada comunidade faz a gente ficar mais besta. Ia com o pensamento que as famílias não guardavam sementes. Depois dos cursos, vimos que guardam demais da conta.” O depoimento é de Valteir Antunes, guardião de sementes da região do Vale de Jequitinhonha, em Minas Gerais. Ele é gestor do banco de sementes comunitário mais antigo de Minas, a Casa de Sementes da Gente e do Amor, na comunidade Caldeirão, em Itinga, onde vive. Essa casa é um verdadeiro banco de germoplasma, abriga mais de 120 variedades de milho, feijão, sementes nativas e hortaliças.

O conhecimento e experiência de Seu Valteir com relação às sementes crioulas o têm levado a visitar cerca de 60 comunidades ao longo do Rio Jequitinhonha. O principal motivo da sua andança é que ele assumiu o papel de facilitador das capacitações do Programa Sementes. E, desde então, seu Valteir passou a testemunhar o amor e carinho que cada família dedica às sementes crioulas. “A família guarda logo. São todas naturais”.

ASA e movimentos sociais divulgam carta em defesa do Semiárido

3, dezembro, 2015 Sem comentários

“O ajuste fiscal, se ele é necessário, que não se faça colocando a conta sob a responsabilidade dos mais pobres”

A Articulação do Semiárido Brasileiro, redes e movimentos sociais do país divulgaram carta aberta na qual explicitam que os notáveis avanços obtidos na qualidade de vidas das pessoas na última década foi fruto de muita luta e mobilização, apoiadas por políticas públicas adequadas. Agora, num contexto econômico que se anuncia adverso, o governo aponta cortes brutais do orçamento justamente sobre os programas sociais que mais contribuíram para essa grande transformação. Reafirmando seu compromisso com o povo do semiárido, as organizações apontam uma agenda prioritária para as políticas públicas para a região e cobram posicionamento do governo federal.

Confira aqui a carta SEMIÁRIDO VIVO – NENHUM DIREITO A MENOS!

Sementes do Semiárido

21, setembro, 2015 Sem comentários