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Arquivo da Categoria ‘agrotóxicos’

GOVERNOS DEVEM LIMITAR O USO DE AGROTÓXICOS ENCONTRADO EM HUMANOS

18, junho, 2013 Sem comentários

Amigos da Terra Internacional

COMUNICADO DE IMPRENSA

17 de Junho de 2013

WASHINGTON / BRUXELAS (BÉLGICA) 17 de junho de 2013 – Amigos da Terra Internacional demandou hoje aos governos do mundo a que limitem o uso do pesticida glifosato, depois que resultados de análises de laboratório publicados na semana passada demonstraram a presença de restos do pesticida em pessoas de 18 países europeus. [1]

As análises sem precedentes, que realizou Amigos da Terra Europa, revelaram que 44% das amostras de 182 voluntários de 18 países europeus continham restos do pesticida[2].

O glifosato é um dos pesticidas mais utilizados no mundo por agricultores, governos locais e jardineiros, e se aplica de forma extensiva nos cultivos geneticamente modificados (GM).

Nos Estados Unidos e na América Latina, os agricultores estão utilizando cada vez maior quantidade de pesticidas (entre eles o glifosato), em grande medida devido a adoção em grande escala de cultivos geneticamente modificados [3].

A empresa de biotecnología estadunidense Monsanto, a maior produtora de glifosato no mundo, vende o produto com o nome de “Roundup”.

Lisa Archer, diretora do programa Alimentos e Tecnología de Amigos da Terra Estados Unidos, declarou:

“Descobrir restos de glifosato e, pessoas na Europa nos coloca varias perguntas graves: Como chegou lá? Por que os governos não estão analisando sua presença em humanos? Também pode encontrar-se em cidadãos americanos? A diferença de Europa, os Estados Unidos planta grandes quantidades de cultivos resistentes ao glifosato, o que tem provocado uma utilização massiva de pesticidas e as denominadas ‘superpragas’. Algumas delas já estão fora de controle. A recente descoberta de trigo geneticamente modificado (não autorizado) da Monsanto em plantações nos Estados Unidos soou o alarme e confirma a necessidade de impor controles mais estritos aos agronegócios”.

Em maios de 2013, um tipo de trigo geneticamente modificado resistente ao glifosato foi encontrado em uma granja em Oregon, Estados Unidos. O trigo foi desenvolvido pela Monsanto, que o submeteu a análises entre 1998 e 2005, mas nunca foi aprovado nem comercializado. Desde então os sócios comerciais dos Estados Unidos tem imposto restrições ou tem submetido a análises o trigo importado de Estados Unidos [4].

Adrian Bebb, porta-voz de Amigos da Terra Europa, afirmou:

“O agronegócio que promove os cultivos geneticamente modificados e os pesticidas quer fazer de conta que tem a situação sob controle, mas a descoberta de restos deste pesticida na urina de pessoas sugere que estamos sendo expostos ao glifosato em nossas vidas cotidianas e, assim mesmo, não sabemos de onde vem, que tão ampla é sua presença no meio ambiente, nem como está afetando nossa saúde”.

“Os governos de todo o mundo devem limitar o uso de glifosato, aumentar as investigações e garantir que se coloquem os interesses das pessoas e do meio ambiente frente aos de algumas poucas empresas”, acrescentou.

Segundo cifras de 2010, 70% de todo o milho plantado nos Estados Unidos foi modificado geneticamente para resistir ao pesticida, igual que 78% do algodão e 93% da soja [5].

Na Europa tem havido oposição generalizada aos cultivos transgênicos. Se bem somente um cultivo geneticamente modificado tem sido cultivado para fins comerciais, há 14 solicitações para a plantação de cultivos resistentes ao glifosato que a Unión Europea está considerando.

Na Argentina se utilizam 200 milhões de litros de pesticidas a base de glifosato ao ano, somente em plantações de soja[6]. O Brasil é o maior consumidor agrotóxicos do mundo desde 2009, quando o volume de herbicidas vendidos no país foi de 430 milhões de litros, sendo 280 milhões de litros apenas de glifosato.

PARA MAIS INFORMAÇÃO CONTATAR:

Adrian Bebb, Amigos da Terra Europa, Tel: + 49 1 609 490 1163, email adrian.bebb@foeeurope.org

Lisa Archer, diretora do programa de alimentos e tecnologia de Amigos da Terra Estados Unidos, Tel: +1 510 900 3145, email larcher@foe.org

O Informe sobre o glifosato e os motivos de preocupação está disponível em: www.foeeurope.org/glyphosate-reasons-for-concern-briefing-130613

 

NOTAS

[1] É a primeira vez que se realiza um seguimento em toda a Europa da presença do l pesticida em humanos. Os participantes do estudo, que proporcionaram amostras de forma voluntaria, vivia em cidades e nenhum dele havia manipulado nem utilizado produtos com glifosato antes das análises.Para mais informac a leia o aetigo de Wall Street Journal: http://blogs.wsj.com/brussels/2013/06/13/study-youre-in-trouble-roundup/

[2] Foram coletadas amostras de urina de 182 voluntários da Alemanha, Áustria, Bélgica, Bulgária, Chipre, Croácia, Espanha, França, Geórgia, Holanda, Hungria, Letônia, Macedônia, Malta, Polônia, Reino Unido, República Checa e Suíça. Os voluntários viviam em cidades e tinham dietas vegetarianas e não vegetarianas. Nao foram tomadas duas amostra de um mesmo lugar. As amostras foram analisadas pelo Dr. Hoppe de Medizinisches Labor Bremen na Alemania (http://www.mlhb.de/).

[3] Leai o artigo da Reuters (en inglés): “Pesticide use ramping up as GMO crop technology backfires: study” em: http://www.reuters.com/article/2012/10/02/us-usa-study-pesticides-idUSBRE89100X20121002

[4] USDA APHIS, 29 de maio de 2013. ‘USDA Investigating Detections of Genetically Engineered (GE) Glyphosate-resistant wheat in Oregon”, em: http://content.govdelivery.com/bulletins/gd/USDAAPHIS-7d0c5e

[5] Para mais informação, visite: http://usda.mannlib.cornell.edu/usda/nass/Acre/2010s/2010/Acre-06-30-2010.pdf

[6] Para mais informação, consulte:http://www.keine-gentechnik.de/fileadmin/files/Infodienst/Dokumente/2012_08_27_Lopez_et_al_Pesticides_South_America_Study.pdf

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Custos aumentam na safra 2013/14

12, junho, 2013 Sem comentários

Dados para o MT:

Custo médio de produção subiu 21%

Preço das sementes subiu 53%

Agrotóxicos subiram 20%

O último levantamento da safra divulgado pela Conab indica produtividade média de 3,06t/ha de soja para o MT, mantendo o valor dos últimos três anos.

Considerando os dados baixo de custos de produção (equivalente a 2,4t/ha) e preço da saca de soja (R$57,50), o produtor ficará com o equivalente a meros 600 kg/ha. Assim, boa parte dos R$ 136 bi que o governo acabou de anunciar para o Plano Safra vai para empresas como Monsanto, Cargill etc.

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VALOR ECONÔMICO, 12/06/2013

A escalada nos custos de produção e o risco de desvalorização da soja na safra 2013/14 estão tirando o sono dos agricultores de Mato Grosso, que já consideram como certa uma nova queda na rentabilidade no atual ciclo.

Segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), o custo médio total de produção no Estado subiu 21% neste ano, para R$ 2.315,47 por hectare. “O aumento é considerável, uma vez que a cotação da soja só vem caindo”, afirma Daniel Latorraca, gestor da entidade. Só o custo com sementes subiu quase 53%, segundo ele.

Para agravar o cenário, a tendência é de queda para os preços da soja. Desde novembro, a cotação da oleaginosa em Rondonópolis recuou cerca de 18%, de R$ 70,26 para R$ 57,50 por saca.

A tensão cresce em meio à perspectiva de uma supersafra nos EUA e de mais um aumento de área em Mato Grosso, que poderia levar a produção a superar a barreira das 25 milhões de toneladas. “Todos esses números nos dão a projeção de preços menores”, concluiu Latorraca.

De acordo com a Agroconsult, a rentabilidade média sobre os custos diretos em Mato Grosso pode cair mais de 30%, para R$ 620 por hectare, se as projeções em relação ao tamanho da produção se confirmarem. “Se contabilizarmos itens como depreciação e preço de arrendamento, o produtor pode ficar muito perto do “break even”, afirma André Pessôa, sócio-diretor da consultoria.

O presidente da Associação dos Produtores de Soja no Brasil (Aprosoja), Glauber Silveira, afirmou ontem, durante o Seminário “Caminhos da Soja”, promovido pelo Valor, estar “apreensivo” com o cenário que se desenha. “Se a safra americana se consolidar, podemos ter problemas”. Segundo ele, a logística deve pressionar ainda mais as margens do setor.

André Pessôa, da Agroconsult, lembra que as tradings arcaram com a alta dos fretes rodoviários na safra 2012/13, mas a conta vai ser repassada para o produtor no novo ciclo. Ele estima que o prejuízo com a alta desse custo oscilou entre R$ 50 e R$ 100 por tonelada.

A alta dos defensivos também preocupa. De acordo com Silveira, o insumo já subiu 20% em dólar. Segundo ele, os agricultores de Mato Grosso devem gastar até nove sacas de soja na compra de agrotóxicos na próxima safra, ante sete na última.

Diante das incertezas, a comercialização da nova safra está mais lenta. Analistas estimam que apenas 25% da produção esperada já tenha sido vendida, ante mais de 50% há um ano. Com isso, as operações de barter (troca de insumos por sacas de soja) também estão travadas.

Por isso, os produtores têm preferido as compras de insumos à vista. Segundo o Imea, eles já fecharam a aquisição de mais de 60% dos insumos (sementes, fertilizantes e defensivos) para a safra 2013/14, sendo 40% com pagamento à vista e apenas 20% em sistema de troca. “O atraso na comercialização é ruim porque aumenta o risco do produtor, que está exposto às oscilações de preço nos próximos meses”, afirma Pessôa.

O ritmo de comercialização também está lento no Sul. De acordo com José Aroldo Gallassini, da Coamo, apenas 5% da próxima safra já foi vendida pelos produtores ligados à cooperativa. “Na última safra, as vendas antecipadas começaram a R$ 49 por saca, e depois subiram a R$ 64. No momento, os produtores estão vendendo com valores entre R$ 51 e R$ 54, na expectativa de que haja ainda algum ganho”, concluiu. (MC, GFJ e LHM)

 

China libera importação de 3 tipos de soja transgênica

11, junho, 2013 Sem comentários

Ministério da Agricultura, 10/06/2013

O governo chinês aprovou três variedades de soja geneticamente modificadas de interesse do Brasil [????], conforme informou nesta segunda-feira o ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Antônio Andrade, que está em visita oficial à China. Ele participou, neste domingo, em Beijing, do Foro China-America Latina e Caribe de Ministros da Agricultura.

A aprovação das variedades geneticamente modificadas foi comunicada à Andrade pelo ministro da Agricultura da China, Han Changfu, durante encontro bilateral. Foram aprovadas a Intacta RR2 PRO [Monsanto], que tem a propriedade de supressão da população de lagartas que causam muitos danos às lavouras de soja no Brasil e a CV127 [BASF/Embrapa] e Liberty Link [Bayer], tolerantes a herbicidas.

O ministro brasileiro, que fez o pedido da liberação, agradeceu a decisão das autoridades locais e aproveitou para esclarecer ao seu colega chinês que a agricultura tropical é mais sujeita ao ataque de pragas e ervas daninhas, por essa razão é mais dependente da contínua introdução de novas tecnologias.

Antônio Andrade lembrou, ainda, que a aprovação torna-se ainda mais significativa em função da propagação da lagarta Helicoverpa armigera em vários Estados do Brasil [só faltou dizer que o uso de sementes transgênicas é apontado como fator que desencadeou a explosão dessa praga]. Conforme o ministro, as novas sementes aprovadas pelo governo chinês já tinham seu uso autorizado no Brasil e em outros mercados, mas os produtores de soja e a empresa detentora da tecnologia estavam aguardando a aprovação chinesa, pelo fato de a China ser o principal mercado comprador da soja brasileira [e porque não há segregação].

Em abril de 2013, o Brasil exportou 7,154 milhões de toneladas de soja em grãos, equivalente a US$ 3,797 bilhões. Deste total, 5,604 milhões de toneladas (US$ 2,966 bilhões) tiveram a China como destino.

“Essa decisão era ansiosamente aguardada pelos sojicultores brasileiros, visto que as empresas têm poucas semanas para embalar e distribuir o produto, a tempo do plantio da nova safra”, destacou Andrade.

O ministro propôs ainda a Han Changfu o aumento da cooperação entre a Embrapa e a Academia de Ciências Agrárias da China no campo da biotecnologia e falou sobre as oportunidades de investimento para empresas chinesas nas novas fronteiras agrícolas do Brasil, principalmente no Mato Grosso e na região conhecida como Matopiba.

A região traz novas opções de escoamento da produção no sentido norte, por hidrovias e ferrovias, viabilizadas a partir da recente aprovação da Medida Provisória dos Portos. Esses temas serão novamente abordados por ocasião da visita do vice-ministro da Agricultura da China ao Brasil, nos dias 20, 21 e 22 deste mês. Leia mais…

Milho transgênico causa danos no Paraná

7, junho, 2013 Sem comentários

por Rafael Zanvettor | Caros amigos, 06/06/2013

Um dos principais debates que ressoaram no Brasil e no mundo na última década foi o da produção e uso de alimentos geneticamente modificados, os chamados transgênicos. No decorrer dos anos o debate foi se tornando cada vez mais silencioso, enquanto que, por outro lado, a produção de alimentos transgênicos aumentou. O Brasil promulgou uma série de leis, como a 11.150/05, que reestruturou a Comissão Técnica Nacional de Biosegurança (CTNBio), responsável por emitir pareceres autorizando ou não o uso comercial de transgênicos; através das monoculturas de soja e milho geneticamente modificado, o País passou a ocupar o segundo lugar mundial na prdução de alimentos transgênicos, ficando atrás apenas dos EUA.

A fim de trazer este importante debate de volta ao espaço público, o site da Caros Amigos publica uma série de 3 reportagens sobre os transgênicos no Brasil, abordando diferentes temas, para que se possa medir as consequências do uso desses alimentos para a agricultura e saúde do País.

Confira a primeira das reportagens: http://carosamigos.terra.com.br/

 

“A transgenia está mudando para pior a realidade agrícola brasileira”. Entrevista especial com Leonardo Melgarejo

3, junho, 2013 2 comentários

por IHU – Unisinos, 03/06/2013

“Existem abordagens contraditórias. De um lado há unanimidade quanto à importância dos avanços científicos e do potencial da engenharia genética para o futuro da humanidade. De outro lado, há uma grande divisão relativamente aos resultados obtidos até o presente momento”, pontua o engenheiro agrônomo.

Confira a entrevista.

Após retornar de uma série de reuniões sobre o desenvolvimento dos transgênicos no Brasil na CTNBio, Leonardo Melgarejo concedeu a entrevista a seguir à IHU On-Line por e-mail. Nela questiona o que chama de “decisões polêmicas” tomadas pelo colegiado que tem a finalidade de prestar apoio técnico ao governo federal na formulação, atualização e implementação da Política Nacional de Biossegurança relativa aos Organismos Geneticamente Modificados – OGM. De acordo com ele, entre os temas em pauta estava o sigilo sobre informações referente “à performance agronômica das lavouras transgênicas”. Ele explica: “Há um entendimento, entre os membros da maioria, de que até mesmo as informações sobre o rendimento das lavouras transgênicas devem ser mantidas em sigilo. Aliás, o entendimento é de que todas as informações obtidas nos ensaios de campo devem ser sigilosas. Há dois anos isso não era assim. De lá para cá, na opinião da minoria crescem as evidências de efeitos colaterais e, ao mesmo tempo, crescem os receios – das empresas – de que ocorra divulgação destes efeitos. Possivelmente, as campanhas de marketing seriam prejudicadas pelas evidências de campo caso isso se tornasse de conhecimento público. Assim, algumas empresas pedem sigilo sobre todos ou quase todos os resultados de boa parte de seus estudos. Alegam que o registro de novas cultivares só será possível na medida em que todas as informações sobre estas cultivares sejam sigilosas, desconhecidas, completamente inéditas”.

Melgarejo também chama atenção para uma nova agenda que está sendo trabalhada pelas empresas, referente à introdução de novas espécies transgênicas no mercado, como cana, sorgo, laranja e eucalipto. “Atualmente estão sendo criadas regras para testes de campo dessas culturas, que são etapas necessárias à posterior comercialização. Se tomarmos como exemplo soja, milho e algodão, a experiência mostra que esses milhares de experimentos realizados, sobretudo no centro-sul do país, geraram pouquíssimos dados sobre os potenciais impactos dessas plantas modificadas no ambiente e sobre a saúde. Até agora não há indicativo de que o quadro mudará para essas novas espécies. Como preocupação neste caso, temos a expectativa triste de que deverá se repetir a tendência de geração de dados agronômicos de interesse das empresas, mas que oferece escassa ou mesmo nula utilidade para as análises de biossegurança, que – afinal de contas – correspondem à razão de ser da CTNBio”, lamenta.

Leonardo Melgarejo é engenheiro agrônomo, mestre em Economia Rural e doutor em Engenharia de Produção pela Universidade de Santa Catarina – UFSC. É membro do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária – Incra, no Rio Grande do Sul.

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Parcerias entre rivais marcam investimento em transgênicos

3, junho, 2013 Sem comentários

VALOR ECONÔMICO, 03/06/2013

Por Gerson Freitas Jr. | De São Paulo

Com a patente do primeiro transgênico de soja prestes a vencer – e, com ela, a hegemonia da tecnologia Roundup Ready (RR), da Monsanto – o mercado de sementes geneticamente modificadas aponta para o acirramento da concorrência entre as gigantes do setor, com o lançamento esperado de uma série de novas sementes geneticamente modificadas nos próximos anos. Contudo, a nova era da transgenia impõe uma lógica aparentemente estranha ao mercado: para sobreviver à disputa, as rivais vão ter, cada vez mais, de cooperar em si.

O fenômeno não é novo, mas vem ganhando força: desde o fim do ano passado, o mercado tomou conhecimento de pelo menos cinco acordos de cooperação nas áreas de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) e comercialização em nível global, envolvendo as americanas Monsanto, DuPont e Dow AgroSciences, a alemã Bayer CropScience e a suíça Syngenta. Juntas, essas empresas buscam racionalizar custos, acelerar o desenvolvimento e assegurar acesso a mercado para seus novos produtos.

A tendência é favorecida pela própria natureza desse negócio – sobretudo no atual estágio de evolução da tecnologia. De modo geral, as biotecnologias são complementares e não concorrentes. Um transgênico feito para resistir à aplicação de um herbicida não disputa mercado com um transgênico resistente ao ataque de insetos ou tolerante à seca. Pelo contrário, sua eficiência – e o apelo junto aos agricultores – será significantemente maior se as três características forem combinadas.

Eduardo Leduc, da Basf: união é necessária pois custo de tecnologia é grande

“As parcerias nos permitem oferecer uma gama de soluções mais ampla, abrir novos programas de pesquisa e avançar sobre a base existente. Assim aceleramos o desenvolvimento de tecnologias com horizontes diferentes”, afirma André Buran, gerente de licenciamento da Monsanto no Brasil.

Eduardo Leduc, vice-presidente sênior da unidade de Proteção de Cultivos da Basf no Brasil, afirma que o processo de descoberta, desenvolvimento e registro de um único princípio ativo ou semente geneticamente modificada pode consumir até € 250 milhões e uma década de trabalho para chegar aos consumidores, o que inviabiliza uma corrida solo. “O custo de gerar uma tecnologia é muito grande, então as empresas precisam se unir para otimizar os recursos, maximizar os lucros e garantir acesso a mercado”, afirma.

No mais emblemático dos acordos anunciados nos últimos meses, a Pioneer (divisão de sementes da DuPont) aceitou pagar US$ 1,75 bilhão em royalties à arquirrival Monsanto em troca do acesso à segunda geração de soja transgênica da companhia de Saint Louis. O pacote inclui a soja “Genuity Roundup Ready 2 Yield”, uma variedade resistente ao herbicida glifosato e com maior potencial produtivo, e a “Roundup Ready 2 Xtend”, resistente também ao herbicida dicamba. O acordo também dá à Monsanto acesso a algumas patentes da DuPont.

Brett Begemann, da Monsanto: busca de ações para complementar oferta

Em troca, as duas companhias concordaram em colocar fim a uma longa disputa sobre patentes na Justiça. “Queremos focar no mercado e fugir dos tribunais” declarou na ocasião o presidente da Pioneer, Paul Schickler, em entrevista reproduzida pela Dow Jones Newswires. Em agosto do ano passado, a DuPont havia sido condenada a pagar US$ 1 bilhão para a Monsanto por fazer testes não autorizados com a soja RR, cuja patente expira em 2014. A DuPont, por sua vez, acusava judicialmente a Monsanto de adotar práticas anticoncorrenciais.

Em abril, a Monsanto fechou ainda acordos para a troca de tecnologias com a Dow e Bayer. Em meio aos problemas crescentes com a resistência de ervas daninhas ao seu herbicida, o glifosato, a companhia tem procurado ampliar o acesso a genes que tornem as plantas resistentes a outros produtos químicos. Pela parceria firmada com a Dow, a Monsanto terá acesso à tecnologia do milho “Enlist“, um transgênico resistente ao herbicida 2,4-D. Em contrapartida, a Dow poderá licenciar uma nova tecnologia da Monsanto para o combate de pragas do milho.

O acordo é, na verdade, a segunda etapa de uma parceria iniciada em 2007, quando Dow e Monsanto deram início ao desenvolvimento do “SmartStax“, uma variedade de milho na qual as empresas “empilharam” oito diferentes tipos de genes resistentes a insetos e defensivos. “Continuamos a procurar por modos adicionais de ação que ofereçam benefícios para nossos clientes e complementem nossa oferta atual”, declarou Brett Begemann, presidente global da Monsanto.

Paul Schickler, da DuPont: com foco nos mercados e distante dos tribunais

A Monsanto também licenciou sua segunda geração de transgênicos de soja para a Bayer, que busca de todas as formas crescer no mercado de sementes e reduzir a distância em relação às principais concorrentes. “Estamos empolgados com o fato de que, com a combinação de tecnologias das duas companhias, seremos capazes de oferecer opções adicionais de controle de pragas e um pacote completo de resistência a herbicidas na soja”, declarou, em nota, Rudiger Scheitza, chefe de estratégia e gerenciamento de negócios da companhia alemã. Em troca, os alemães concederam à Monsanto licenças para avaliar tecnologias para o controle de pragas no milho e de resistência a herbicidas.

Vários desses acordos começam a render frutos. Na semana passada, Basf e Monsanto anunciaram que pretendem lançar até 2014, nos Estados Unidos, a primeira variedade geneticamente modificada de milho com tolerância à seca. O produto é fruto de um acordo nas áreas de pesquisa e desenvolvimento firmado em 2007 com o objetivo de desenvolver tecnologias nas áreas de tolerância à estiagem com investimentos conjuntos da ordem de US$ 2,5 bilhões.

A Basf também pretende colocar no mercado brasileiro, até 2014, a soja “Cultivance“, um transgênico resistente a herbicida desenvolvido em parceria com a Embrapa – empresa com quem mantém ainda acordos de cooperação nas áreas de defensivos biológicos e absorção de nutrientes. Finalmente, Syngenta e Bayer anunciaram em março que deram início ao processo de registro de uma nova soja geneticamente modificada para resistir a três diferentes herbicidas, fruto de uma parceria firmada em 2011.

Para o presidente da Embrapa, Maurício Lopes, as parcerias também são uma forma de atrair recursos privados e driblar o orçamento apertado para pesquisa. Segundo ele, dos 980 projetos atualmente em desenvolvimento pela empresa, 350 são financiados com dinheiro de fora do setor público. “Somos provavelmente a única empresa pública do mundo a ter desenvolvido e registrado um transgênico comercial, e que é fruto de uma acordo de inovação aberta”, afirma, referindo-se à parceria com a Basf.

Lopes também aposta na integração com a universidade. “Trata-se de um movimento inevitável. Nos programas mais sofisticados de pesquisa, centrados em mercados competitivos, o custo inicial de desenvolvimento é gigantesco. Para reduzir o custo, é preciso acessar o conhecimento fundamental, que é o mais caro e está na academia”. Em dezembro, a Embrapa firmou um acordo com a Unicamp para a criação de uma unidade de pesquisa mista com foco no desenvolvimento de genes destinados a melhorar a adaptação das plantas a condições climáticas desfavoráveis.

 

Pragas resistentes a milho transgênico mostram a ineficiência da tecnologia

29, maio, 2013 Sem comentários

The Wall Street Journal, 23/05/2013

[Syngenta e outras lucram com os fracassos tecnológicos da Monsanto]

Por Ian Berry

As vendas estão beneficiando fabricantes de pesticidas como American Vanguard Corp. e Syngenta AG. Mas organizações de defesa do meio-ambiente e alguns cientistas estão preocupados com o fato de que um dos benefícios mais alardeados do milho transgênico – que ele reduz a necessidade do controle de pragas – está se esgotando. Ao mesmo tempo, o ressurgimento dos pesticidas poderia trazer riscos tanto para agricultores quanto para insetos que são benéficos para a lavoura.

Até recentemente, grande parte dos produtores de milho nos EUA havia abandonado os pesticidas de solo graças principalmente à adoção generalizada de uma modificação genética, desenvolvida pela Monsanto Co., que faz as sementes do milho gerar suas próprias toxinas contra as pragas – mas que a Agência de Proteção Ambiental dos EUA (ou EPA, na sigla em inglês) afirma não ser nociva aos seres humanos.

As sementes modificadas foram introduzidas pela primeira vez em 2003 e se mostraram altamente eficientes contra a Diabrotica speciosa, a larva de um besouro voraz também conhecida como larva-alfinete, que é o pior inimigo dos produtores de milho do país. Hoje, segundo o Departamento de Agricultura dos EUA, dois terços de todo o milho cultivado inclui um gene contra essa larva chamado Bt.

À medida que mais agricultores adotavam a semente modificada, a proporção da área plantada com milho que era tratada com inseticida caiu para 9% em 2010, ano mais recente para o qual há dados disponíveis, comparado com 25% em 2005, segundo o Departamento de Agricultura. E os produtores que continuaram a usar inseticida fizeram menos pulverizações em 2010, segundo os dados.

Em 2011, no entanto, entomologistas da Universidade do Estado de Iowa e da Universidade de Illinois começaram a identificar larvas que eram imunes ao gene da Monsanto e descobriram que essas pragas resistentes haviam se espalhado pelo chamado Centro-Oeste. Agora, muitos produtores já concluíram que precisam aplicar pesticidas no solo para matar as larvas que se tornaram resistentes ao Bt, assim como uma crescente população de outras pragas.

Scott Greenlee, que cultiva 688 hectares em Iowa, disse que pretende começar a usar inseticidas este ano depois que as larvas destruíram parte de sua lavoura em 2012. Greenlee, que havia plantado o chamado milho Bt, da Monsanto, disse que a área afetada produziu somente cerca de 120 a 150 bushels por hectare, perto de um terço da produção normal.

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Fora Monsanto de nossos corpos e de nossos campos!

29, maio, 2013 Sem comentários

Marcha contra a Monsanto e professores conversam na Paulista

27/05/2013

por Conceição Lemes, http://www.viomundo.com.br

Nesse final de semana, a Marcha Internacional Contra a Monsanto ocorreu em mais de 25 países, incluindo Brasil. Aqui, houve manifestação em várias cidades. Em São Paulo, foi no sábado.

Com o slogan “Fora Monsanto de nossos corpos e de nossos campos!”, os manifestantes pretendiam informar os transeuntes sobre o agrotóxico colocado nos alimentos e mostrar que a sociedade brasileira também está alerta e e preocupada em ter uma alimentação saudável.

Só que aqui houve feliz uma coincidência. No mesmo horário e local de concentração da Marcha contra a Monsanto – vão do Masp, na Avenida Paulista – havia uma manifestação de professores da rede pública de ensino.

Os dois movimentos acabaram conversando.

“Os professores foram muito receptivos. Me convidaram até para subir no carro de som para falar sobre os perigos dos agrotóxicos à saúde humana”, diz, entusiasmada, Carmen Sampaio, uma das organizadoras da Marcha contra a Monsanto. “Se fôssemos só nós, teríamos umas 50, 100 pessoas. Juntando com os professores, umas 2 mil pessoas passaram por lá.”

“Foi uma oportunidade ímpar. Afinal, quem melhor do que os professores para disseminar essas informações em sala de aula? Muitos levaram panfletos para os alunos!”, comemora Carmen. “Eu não acredito em acaso, mas em sincronia. É a mãe Terra conversando com a gente enquanto ainda é possível fazer algo contra a destruição.”

Durante a manifestação, houve coleta de assinaturas contra a Monsanto. A marcha fez uma parada em frente à sede da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), órgão que avalia e autoriza a liberação de agrotóxicos no Brasil.

Veja o panfleto distribuído.

Um mundo melhor segundo a Monsanto

29, maio, 2013 Sem comentários

viomundo.com.br

Monsanto enfrenta onda de protestos pelo mundo

29, maio, 2013 Sem comentários

Movimento na internet já mobilizou dois milhões de pessoas. Elas acusam a multinacional de usar sementes transgênicas para obter monopólio da indústria alimentícia. Brasil produz soja, milho e algodão transgênicos

Terra, 28/05/2013

Uma série de protestos contra a Monsanto mobiliza manifestantes em várias partes do mundo. As demonstrações, que começaram no Facebook, ganharam as ruas de 52 países em 436 cidades e mobilizaram até 2 milhões de pessoas no último fim de semana. No Brasil, onde a empresa mantém uma unidade de produção, os protestos não tiveram muita repercussão.

A “Marcha contra a Monsanto” já tem novas datas agendadas – a próxima acontece em julho. Os manifestantes acusam a Monsanto de fazer uso de sementes modificadas para obter o monopólio da indústria alimentícia e de forçar a dependência dos agricultores. Para atingir esse objetivo, a empresa teria se infiltrado no política e na área científica. Ativistas alegam ainda que a produtora global tenta patentear a vida e coloca em perigo a saúde dos consumidores.

A multinacional contesta as acusações. “O uso da engenharia genética é segura”, alegou Ursula Lüttmer, da Monsanto Alemanha. Em entrevista à DW, ela afirma que a segurança da tecnologia já foi comprovada em diversos estudos. E ainda: os manifestantes se recusam a aceitar esse fato e fazem uma “leitura seletiva” das informações.

A empresa se defende dizendo que os investimentos visam à agricultura sustentável, que ajude a produzir mais, além de proteger os recursos e promover um melhor padrão de vida. Lüttmer disse ainda que até hoje não foram encontradas quaisquer desvantagens para os seres humanos, animais e meio ambiente.

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Pesquisador da Embrapa alerta sobre riscos da resistência de plantas daninhas

29, maio, 2013 Sem comentários
Milho transgênico RR viceja em meio a lavoura de soja RR no Mato Grosso. Foto: Abrange

Milho transgênico RR viceja em meio a lavoura de soja RR no Mato Grosso. Foto: Abrange

[Problema está no próprio tripé que sustenta as monoculturas: plantio direto + herbicidas + sementes transgênicas]

Expresso MT, 23/05/2013

A resistência de plantas daninhas é atualmente uma das principais preocupações da agricultura mundial. No Brasil, casos de resistência já ocorrem no Sul e começam a aparecer no Centro-Oeste. Segundo o pesquisador da Embrapa Soja Fernando Adegas, é preciso fazer o controle correto para evitar que este problema chegue às lavouras de Mato Grosso.

O alerta está sendo feito a técnicos e produtores que participam do Encontro Nacional de Tecnologias de Safra (Entec$), em Lucas do Rio Verde. Durante o evento, que ocorre de 21 a 24 de maio, Adegas faz duas palestras como parte da Capacitação Continuada de Técnicos que atuam nas Cadeias produtivas de grãos, fibras e integração de sistemas, realizada pela Embrapa Agrossilvipastoril em parceria com a Aprosoja. Uma das palestras será na tarde desta quinta e outra na manhã de sexta, sendo a última aberta ao público.

De acordo com o pesquisador, a criação de resistência de plantas daninhas vem ocorrendo devido ao uso sucessivo de um mesmo herbicida, o glifosato, na dessecação para o plantio direto e no controle das lavouras geneticamente modificadas RR (Roundup resistent) de soja, milho e algodão. Com isto a população dos indivíduos resistentes aumenta, causando prejuízos às lavouras.

“Este é um dos principais problemas nos Estados Unidos, na Austrália, na Argentina e no Sul do Brasil. Vamos mostrar este cenário para não deixar isto acontecer no Cerrado. Provavelmente o problema vai chegar. Queremos reduzir a intensidade para ver se o pessoal se prepara melhor, para ter menor custo”, alerta Fernando Adegas.

Segundo o pesquisador, no Brasil há cinco espécies resistentes ao glifosato. Uma é o azevém, mais comum em regiões temperadas, como Rio Grande do Sul e Paraná, e que não deve chegar a Mato Grosso. Há ainda três espécies de buva e o capim amargoso, as quatro com incidência no estado.

Soluções

Para evitar que o problema da resistência de plantas daninhas aos herbicidas acometa as lavouras mato-grossenses, Adegas cita duas medidas que podem ser adotadas: rotação de herbicidas e formação de palhada.

De acordo com o pesquisador, houve uma redução na oferta de herbicidas, mas ainda há opções para serem alternadas com o glifosato.

“Ainda existem alternativas, apesar de terem diminuído muito. Só para ter uma ideia, em outros países havia de 30 a 40 produtos. Quando começou a utilizar o glifosato, voltou a ser 3 a 4 produtos utilizados. Continuamos com outras alternativas, mas não estamos utilizando. Precisamos voltar a utilizá-los. Mesmo que seja na soja ou milho RR”, explica.

Adegas ressalta a eficiência e praticidade do glifosato. Até por isso alerta para o uso moderado para evitar a perda da tecnologia.

“Glifosato é um produto excepcional. Em matéria de herbicidas, pode-se dizer que é o mais completo. É relativamente barato e de fácil utilização. É tão bom que deveríamos preservá-lo para não perdê-lo”, alerta.

Outra alternativa é a formação de palhada. Como as plantas daninhas resistentes têm grande dificuldade de crescer em solo coberto, o consórcio de milho com braquiárias, por exemplo, apresenta-se como uma importante alternativa para evitar o desenvolvimento das plantas resistentes.

“Se você consorciar com uma braquiária ruziziensis ou outra braquiária, você já evita quase 100% das plantas resistentes. As sucessões em que você usa o mesmo herbicida e forma pouca palhada são mais fáceis de ter plantas resistentes”, explica.

De acordo com o pesquisador da Embrapa Soja, os produtores que fizerem o manejo correto das plantas daninhas, poderão evitar prejuízos no futuro.

“Se fizer isto, alguns vão conseguir evitar, outros vão conseguir adiar e outros farão com que chegue com menor intensidade. Uma coisa é certa: quem tiver resistência na propriedade irá gastar mais dinheiro”, destaca o pesquisador.

Pesquisa monitora a resistência de plantas daninhas no Rio Grande do Sul

15, maio, 2013 1 comentário

Monsanto e cia prometeram mundos e fundos com suas novas sementes, mas os resultados práticos estão aí: prejuízos milionários arcados pelos produtores e um ambiente cada vez mais encharcado de venenos.

o custo adicional para controle de azevém e buva resistentes, com herbicidas ou medidas alternativas está entre R$ 140 e R$ 585 milhões por ano”

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Agrosoft, 15/05/2013

A produção de grãos, principalmente de soja no Sul do Brasil, vem de lavouras que utilizam sementes transgênicas, com o uso do herbicida glifosato em larga escala como forma de facilitar o manejo de plantas daninhas na lavoura. Contudo, esta prática tem resultado no aumento de casos de resistência de plantas daninhas aos diversos herbicidas disponíveis no mercado.

Somente no Rio Grande do Sul, biótipos de azevém e de buva resistentes ao glifosato estavam presentes em mais de 80% das lavouras de soja na última safra. Custos adicionais e perdas no rendimento de grãos estimados em R$ 1,15 bilhão. Os números estão no levantamento realizado por pesquisadores e cooperativas para monitorar a dispersão do problema no Estado.

O herbicida glifosato vem sendo utilizado há mais de 20 anos pelos agricultores, principalmente na dessecação da vegetação para formação da palhada, indispensável para implantação do sistema plantio direto. A introdução da soja transgênica, resistente ao glifosato, foi rapidamente aceita e adotada pelos produtores. Isso se deve, principalmente, ao fato do glifosato ser um herbicida eficiente sobre a maioria das espécies daninhas, relativamente de fácil aplicação e de baixo custo. Atualmente, são realizadas de duas a três aplicações de glifosato por ciclo da soja, uma na dessecação e uma ou duas na pós-emergência da cultura.

Os dois primeiros casos de resistência ao glifosato no Brasil foram identificados no Rio Grande do Sul (azevém em 2003 e buva em 2005). Depois disso, dispersou-se rapidamente por todo o Estado e também para Santa Catarina e regiões frias do Paraná. Em 2010 e 2011, foram identificados biótipos de azevém com resistência múltipla, tanto ao glifosato como a herbicidas inibidores da enzima Acetyl-CoA Carboxylase (ACCase) e inibidores da Acetolactato sintase (ALS).

As resistências do azevém e da buva restringem o controle dessas espécies ao uso de herbicidas alternativos, que são menos eficientes, possuem maior custo e são fitotóxicos para as culturas. Dessa forma, o controle ineficiente de buva e azevém resistentes tem resultado em perdas de rendimento, em casos extremos, superiores a 45%.

Diagnóstico no Rio Grande do Sul

Uma ação conjunta da Embrapa Trigo e da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) junto com 28 cooperativas e revendas do Rio Grande do Sul, está monitorando e mapeando a dispersão das resistências de azevém e buva no Estado, com coleta de sementes e levantamentos nas áreas infestadas.

“Os locais de coleta de sementes são georeferenciados e as plantas originadas dessas sementes, usadas em estudos de ecofisiologia e determinação das bases genéticas da resistência. As informações são utilizadas na elaboração de mapas de dispersão das resistências. Após elaboração dos mapas, são enviados alertas e indicações de manejo específicas para cada região e realizados cálculos do custo da resistência, ajudando a assistência na decisão de quando e qual produto aplicar”, explica o professor e pesquisador da UFPel, Dirceu Agostinetto.

A partir dos levantamentos, identificou-se que, na safra 2012 de soja, os biótipos de azevém e buva resistentes ao glifosato estavam presentes em mais de 80% das lavouras do Rio Grande do Sul. Além disso, os biótipos de azevém resistentes aos inibidores da ACCase e da ALS, além de glifosato, estavam em mais de 30% das lavouras. A presença de azevém com resistência múltipla e de buva resistente ao glifosato elimina a possibilidade de uso dos principais herbicidas utilizados para controle dessas espécies. Com isso, aumentou a presença dessas plantas daninhas nas lavouras.

Com base nos mapas de dispersão e a partir de informações sobre a capacidade competitiva da invasora e o nível de dano que pode causar, foi possível estimar as perdas de rendimento e os custos da resistência em 2012, no RS. Assim, o custo adicional para controle de azevém e buva resistentes, com herbicidas ou medidas alternativas está entre R$ 140 e R$ 585 milhões por ano. Em média, as perdas são ao redor de 10%, aproximadamente R$ 1,15 bilhão no RS. Dessa forma, o retorno pelo uso das indicações de manejo está entre R$ 565 milhões a R$ 1,01 bilhão.

De acordo com o pesquisador da Embrapa Trigo, Leandro Vargas, os casos de resistência historicamente foram resolvidos com uso de moléculas alternativas ou com a introdução de novas tecnologias (como a soja RR). “O problema é que no momento não existem perspectivas de lançamento de novas moléculas ou tecnologia com potencial de controle eficiente do azevém e da buva. O produtor e a assistência técnica precisam estar conscientes do quanto é importante buscar estratégias alternativas para controle dessas espécies, que passam obrigatoriamente pelo manejo correto dos herbicidas e pelo próprio sistema de manejo da lavoura”, alerta Vargas.

Tem solução?

Os pesquisadores têm avaliado o cultivo consecutivo, ou seja, sem períodos de pousio das áreas de lavoura, como a melhor estratégia de controle de plantas daninhas. Culturas como trigo, centeio, canola, aveia e soja, que apresentam elevada capacidade de cobertura do solo com reconhecido efeito alelopático, podem diminuir o número de plantas de buva e azevém em até 65%, quando comparado a áreas de pousio.

O uso de estratégias como sobre-semeadura de aveia em lavouras de soja e cultivo de culturas concomitantes, a exemplo de Brachiaria ruziziensis cultivada juntamente com o milho, também apresentaram excelentes resultados.

“O uso dessas práticas associadas à alternância e à associação de diferentes mecanismos de ação herbicida, juntamente com o monitoramento e a eliminação mecânica ou manual de plantas daninhas sobreviventes aos tratamentos herbicidas, resultou em controle total das daninhas”, comemora Leandro Vargas.

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Estados Unidos pedirão mais estudos sobre sementes resitentes ao 2,4-D

14, maio, 2013 Sem comentários

Adaptado de New York Times, 10/05/2013

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) decidiu submeter a estudos mais rigorosos as sementes transgênicas resistentes ao herbicida 2,4-D, de elevada toxicidade. A decisão veio do entendimento de que a liberação dessas sementes “pode afetar significativamente a qualidade do ambiente humano”.

Soja e milho transgênicos resistentes ao 2,4-D foram desenvolvidos pela Dow Chemical e a Monsanto desenvolveu variedades de soja e algodão resistente ao herbicida Dicamba. Essas novas sementes são tidas como alternativas para combater as diferentes espécies de mato que desenvolveram resistência ao glifosato do herbicida Roundup no sistema de cultivo da soja transgênica RR da mesma Monsanto. Dicamba e 2,4-D são muito mais tóxicos do que o Roundup [sobre o qual pesa uma lista crescente de estudos que ele é muito mais prejudicial à saúde e ao meio ambiente do que se imaginava anteriormente].

A Monsanto considerou inesperada a decisão do USDA; já a Dow informou que não espera ver suas sementes no mercado antes de 2015.

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Reportagem sobre agrotóxicos ganha prêmio imprensa

3, maio, 2013 Sem comentários

A reportagem Paraíso dos agrotóxicos foi a vencedora da categoria Reportagem Socioambiental no XIV Prêmio Imprensa Embratel. A matéria de Henrique Kugler foi publicada pela Revista Ciência Hoje e baseou-se no livro Agrotóxicos no Brasil – um guia para ação em defesa da vida, de Flavia Londres, publicado pela Articulação Nacional de Agroecologia – ANA e Rede Brasileira de Justiça Ambiental – RBJA.

Clique na imagem para baixar o livro

 

Troca-troca de semente transgênica e a perda da diversidade genética. Entrevista especial com Fábio Dal Soglio

3, maio, 2013 Sem comentários
Milho crioulo palha roxo plantado no Sul de Minas Gerais

Milho crioulo palha roxa plantado no Sul de Minas Gerais

por IHU Unisinos, 03/03/2013

“Os pequenos agricultores deveriam ser alvos de uma política que buscasse reduzir a dependência de insumos e ampliar as perspectivas de melhor gerenciamento dos seus sistemas de produção, procurando maior autonomia e menores custos”, lamenta.

“De um discurso pelo desenvolvimento sustentável, vemos agora uma posição bastante conservadora, buscando agradar multinacionais de sementes e interesses comerciais”, critica Fábio Dal Soglio, ao comentar a reintrodução das sementes transgênicas no Programa Troca-Troca de Sementes de Milho para a safra 2013-2014. Para ele, a medida impede a autonomia dos agricultores e desconsidera os argumentos “apresentados ao governo do Rio Grande do Sul, que apontam evidentes problemas ambientais e sociais, assim como problemas agronômicos, associados ao uso de variedades transgênicas de milho”.

A liberação do troca-troca de sementes transgênicas de milho impacta a produção da agricultura familiar ao gerar “dependência e incapacidade” de as comunidades serem donas de suas sementes e gerenciar o ambiente de forma sustentável, aponta o agrônomo. “Se o estado pretende ser autossuficiente na produção de milho, a estratégia deveria ampliar a autonomia dos pequenos agricultores e investir em tecnologias produtivas e sustentáveis, que são o foco da agroecologia. Se todos os agricultores conseguissem variedades adaptadas aos diferentes meios e condições de clima, se apresentassem boa resistência aos problemas da lavoura e, além disso, se tivessem bons rendimentos, teríamos muito mais milho do que precisamos, e poderíamos até passar a exportar”, adverte em entrevista concedida à IHU On-Line por e-mail.

Segundo ele, o troca-troca de sementes transgênicas irá ampliar a “perda de diversidade genética nas populações de milho, o que implica em maior dependência e risco, aumenta a possibilidade de seleção de pragas resistentes ao Bacillus thuringiensis, que é de onde foi retirado o gene que promoveria resistência das plantas de milho ao ataque de lagartas, assim como a seleção de plantas espontâneas pelo uso de determinados herbicidas”. E conclui: “Os agricultores devem aumentar ainda mais o uso de agrotóxicos, e muitos terão custos maiores, os quais não podem cobrir com as baixas receitas que, muitas vezes, tiram da agricultura”.

Fábio Dal Soglio é graduado em Agronomia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, mestre em Fitotecnia pela mesma instituição, e doutor em Fitopatologia pela University of Illinois at Urbana-Champaign. Tem especialização em Melhoramento de Plantas pela Universide de Wageningen, Holanda, e leciona na UFRGS. Foi presidente da Associação Brasileira de Agroecologia de 2004 a 2007, e vice-presidente em 2008 e 2009. É membro da Comissão editorial da ABA-Agroecologia, e entre 2006 e 2007 foi representante da sociedade civil como especialista em agricultura familiar junto à Comissão Técnica Nacional de Biossegurança – CTNBio.

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