Arquivo

Arquivo de outubro, 2010

Monsanto faz acordo com empresa Israelense de agrotóxicos

27, outubro, 2010 Sem comentários

Parceria com a Makhteshim Agan busca desenvolver o que as empresas estão chamando de plataforma Roundup Ready PLUS de manejo do mato. Diante da perda de eficiência do sistema Roundup Ready a Monsanto busca “alternativas” para seguir vendendo suas sementes patenteadas e dá um plus na sua propaganda. A proliferação de mato resistente ao glifosato nas plantações transgênicas está forçando os agricultores a usar diferentes herbicidas para controlar o mato que não é mais afetado pelo Roundup.

De acordo com nota no site da Monsanto, a parceria permitirá que os agricultores manejem o mato de forma efetiva e “sustentável”.

Em março de 2010 a Milênia, filial da Makhteshim Agan, foi multada em R$ 2,3 milhões pela Anvisa por fabricar agrotóxicos adulterados.

Monsanto fecha acordo com Sumitomo e Valent para agrotóxicos

26, outubro, 2010 Sem comentários

A Monsanto se uniu à japonesa Sumitomo Chemical e a sua subsidiária estadunidense Valent em acordo para o desenvolvimento da plataforma Roundup Ready PLUS de manejo do mato. A medida vem como nova promessa da empresa para a crescente perda de eficiência do sistema Roundp Ready. Em nota divulgada em seu site a Monsanto anuncia que junto com a Sumitomo está mirando no mercado de herbicidas à base de flumioxazin para o Brasil e Argentina.

Os herbicidas da Valent que entram no acordo são Valor SX, Valor XLT, Gangster e Fierce (ainda em registro), todos residuais de pré-emergência. Primeiro a propaganda dizia que os transgênicos iriam reduzir o uso de agrotóxicos. Agora a propaganda é que novos agrotóxicos poderão ser aplicados ao uso de transgênicos.

Seminário Estadual de Agrotóxicos: Saúde e Ambiente – Manaus

25, outubro, 2010 Sem comentários

URUGUAI: Epidemia de transgênicos

23, outubro, 2010 Sem comentários
[ADITAL] Agência de Informação Frei Tito para a América Latina
www.adital.com.br

Noticias Aliadas *

Andrés Gaudin, de Buenos Aires | Adital, 20/10/2010

Quase 80% de 1.2 milhões de hectares ocupados pela agricultura no Uruguai estão semeadas com soja e milho. Segundo a estatal Direção de Estatísticas Agropecuárias e a privada Câmara Uruguaia de Sementes, a totalidade da soja e pelo menos 80% do milho são transgênicos, isto é, são organismos geneticamente modificados (OGM).

Os transgênicos, introduzidos no final do século XX pela multinacional Monsanto e estendidos durante a presente década pela ação de grandes produtores e empresas agrícolas argentinas, estão diretamente associados ao uso abusivo de agrotóxicos de grave impacto contaminante da água, dos solos, das plantas e dos animais e com incidência sobre a saúde humana.

A ecologista María Isabel Cárcamo, da rede de Ação em Praguicidas e suas Alternativas para a América Latina (RAP-AL), recorda que a primeira semente transgênica que entrou no Uruguai, em 1998, foi de soja: “Aí começa o uso massivo dos agrotóxicos: glifosato, paraquat, endosulfan, todos altamente contaminantes e proibidos em muitos países”.

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Alguns eventos da ANA e das redes parceiras entre outubro e dezembro de 2010

22, outubro, 2010 3 comentários
Mês Evento Data Local Organizações de referência
OUTUBRO XIX Plenária do Consea 5 e 6 Brasília-DF CONSEA
Fórum Paulista de Agroecologia 13 a 15 UFSCar/SP APA
Dia Mundial da Alimentação 16 Todo o mundo
COP 10 (Convenção da Diversidade Biológica) outubro Nagoya, Japão CDB ONU
Congresso da CLOC 8 a 16 Equador CLOC
Seminário Feminismo, Economia Solidária e Agroecologia 19 a 21 Recife-PE ANA / FBES / outros
II Feira Internacional Panamazônia de Economia Solidária e Agricultura familiar 20 a 24 Rio Branco-AC FBES
XVII Plenária do Consea 23 e 24 Brasília-DF CONSEA
Oficina “O Papel da Sociedade Civil em Projetos de Mitigacao das Alterações Climáticas” 26 e 27 Brasília-DF CDM Watch / ANA / FASE / Via Campesina
Encontro Nacional Mulheres, Agroecologia e Plantas Medicinais 26 a 28 Campina Grande-PB ANA
Eleições no Brasil (2º turno) 31 Todo o Brasil
NOVEMBRO
IV Encontro Nacional da Rede Brasileira de Justiça Ambiental 3 a 5 Rio de Janeiro-RJ RBJA
I Seminário Piauiense de Agroecologia 8 a 10 Parnaíba-PI UESPI
Encontro da Rede Juçara (REJU) 9 e 10 Registro-SP REJU
II Congresso Cearense de Agroecologia 10 a 12 Juazeiro do Norte-CE UFC
Reunião da coordenação da Campanha Contra o Uso de Agrotóxicos 17 São Paulo-SP Via Campesina
Oficina territorial no Planalto Serrano de Santa Catarina 17 e 18 Lages-SC Comissão organiz. encontro de diálogo
III Seminário de Agroecologia do Mato Grosso do Sul 18 e 19 Corumbá-MS ABA; Ceporg-MS
Congresso da ALASRU (Mesa Internacional de Agroecologia) 16 a 19 Porto de Galinhas-PE ALASRU
Seminário Nacional sobre o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) 16 a 19 Salvador-BA Governo federal
II Congresso Cearense de Agroecologia 24 a 26 Ceará ABA
III Seminário Nacional sobre o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) 24 a 26 Brasília-DF Governo federal
Congresso “Agrotóxicos, Saúde e Meio Ambiente”: o direito à informação / Plenária do Fórum Nacional de Combate aos Impactos dos Agrotoxicos 25 e 26 Recife/PE Fórum Nacional de Combate aos Impactos dos Agrotóxicos
V Fórum Social Panamazônico 25 a 29 Santarém-PA FSM
COP 16 (Clima) 29/11 a 10/12 México ONU
DEZEMBRO
Reunião da coordenação nacional da ANA 30/11 e 01/12 Rio de Janeiro-RJ ANA
Seminário sobre Soberania e Segurança Alimentar 2 e 3 Rio de Janeiro-RJ ANA
Oficina territorial no Norte de Minas Gerais 3 e 4 Montes Claros-MG Comissão organiz. encontro de diálogo
II Seminário sobre Ensino de Extensão Rural 1ª a 3 de dezembro Santa Maria-RS UFSM
I Simpósio Brasileiro de Saúde Ambiental 6 a 10 Belém-PA ABRASCO
II Encontro de Bancos de Sementes do Semi-Árido adiado Maceió-AL ASA

Monsanto na Argentina

21, outubro, 2010 Sem comentários

Valor Econômico, 21/20/2010

A Monsanto quer aumentar sua cota de sementes de milho na Argentina, que deve ter um plantio sem precedentes. A expectativa é ter 52% do mercado este ano, frente a 50% de 2009. O país é o 2º maior exportador de milho.

Brasil agora apoia seguro para danos causados pelos transgênicos

19, outubro, 2010 Sem comentários

A Poítica Nacional de Meio Ambiente já impõe ao poluidor obrigação de recuperar ou indenizar danos causados. O que o recém-criado protocolo suplementar ao Protocolo de Cartagena procura fazer é garantir que haja recursos disponíveis para indenização, e que estes saiam do bolso de quem lida com transgênicos e não da sociedade como um todo.

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Mauro Zanatta | Valor Econômico, 19/10/2010

Sob forte pressão dos outros 158 países signatários do Protocolo de Cartagena sobre Biossegurança, o governo brasileiro aceitou incluir regras mais rígidas na Convenção da Biodiversidade que podem elevar custos do comércio e transporte internacionais de organismos geneticamente modificados.

Em reunião em Nagoya, no Japão, os negociadores do Itamaraty aceitaram a criação de um “seguro” para cobrir eventuais responsabilidades e compensações financeiras por danos ambientais causados por países exportadores de transgênicos, como o Brasil.

A mudança de postura do Brasil dividiu o governo. O Ministério da Agricultura era contra o seguro, mas o Meio Ambiente insistiu na criação de um novo mecanismo de proteção à biodiversidade. Diante do impasse, que se arrastava desde 2004, a Casa Civil interveio para garantir “voz única” ao governo na reunião. O texto foi aprovado na sexta-feira.

Empresas e produtores rurais temem o uso do seguro como uma barreira não-tarifária no comércio internacional de grãos. Cálculos preliminares indicam que o seguro poderia elevar em até US$ 500 milhões os custos apenas na cadeia produtiva da soja. Além disso, alega a indústria brasileira, os principais concorrentes nacionais – como Estados Unidos, Argentina, Austrália e Canadá – não ratificaram o acordo internacional, o que poderia prejudicar o comércio.

Nos bastidores, formuladores do governo informam ter aceito os termos do “protocolo suplementar” para evitar um “isolamento internacional” do país em um dos principais fóruns globais ambientais. Ao rejeitar a pressão de ONGs como determinante, fontes do governo admitem que foi necessário mudar a posição original de evitar qualquer compromisso financeiro. O governo avalia que, antes de vigorar, o “seguro” dependerá de legislações nacionais e terá que ser submetido ao crivo do Congresso.

“Não foi nada compulsório. É só um indicativo. Tínhamos que dar um passo. Éramos refratários, mas diante do cenário de tendência de isolamento internacional, optamos por admitir o seguro em leis nacionais”, informou uma fonte do governo. O governo avalia não ter havido “ruptura nem mudança drástica” na posição.

A reunião do Japão não entrou em outros detalhes polêmicos. Os negociadores não incluíram diferenciações entre o grão transgênico e seus derivados ou subprodutos. O texto tratou de forma vaga esta definição e prevê, antes de uma criação efetiva, a realização de estudos sobre modalidades de seguro e seus impactos ambientais, econômicos e sociais. “Eles também deixaram em aberto o conceito de “operador”. Quer dizer, se a responsabilidade é da cadeia produtiva, da empresa exportadora, de quem desenvolveu a tecnologia ou do produtor”, afirma o especialista Gabriel Fernandes, da AS-PTA. Assim, ainda está indefinida a responsabilidade por eventual indenização. “Esse acordo tem pouca consequência prática. O Brasil pensa mais como exportador de grãos do que como um país megadiverso”.

Em 2006, o Protocolo de Cartagena já havia desatado forte confronto no governo ao obrigar o uso da expressão “contém” para identificar um determinado tipo de transgênico, a partir de 2012, em todos os documentos de trânsito. Até então, a exigência restringia-se ao termo “pode conter”. A bancada ruralista da Câmara exigirá a ratificação pelo Congresso das modificações feitas no texto para evitar potenciais travas comerciais.

Bancada Ruralista perdeu 45,9% dos integrantes

18, outubro, 2010 Sem comentários

Reproduzimos abaixo dois artigos que analisam a nova composição da bancada ruralista no Congresso, que encolheu numericamente mas conseguiu eleger novos nomes.

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Edélcio Vigna *  |   Adital, 14/10/2010

A Bancada Ruralista da legislatura 2006/2011 perdeu 51 de seus 117 integrantes. A Bancada era composta de 117 deputados, mas por diversos motivos (cassação, renuncia, novos cargos e falecimento) seis deles foram impedidos de concorrer. Além disso, dos 51 que não voltarão à Câmara dos Deputados, 31 foram derrotados nas urnas e 20 optaram por não se candidatar. Assim, a Bancada ficou reduzida a 111 parlamentares e, entre estes, 60 (54,1%) foram reeleitos. Isso significa que a atual bancada perdeu 45,9% dos seus membros.

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Cresce apreensão de agrotóxicos ilegais

18, outubro, 2010 Sem comentários

Alexandre Inacio | Valor Econômico, 18/10/2010

Pouco mais de 20 mil quilos. Esse foi o volume de defensivos agrícolas apreendidos no Brasil entre janeiro e setembro, segundo estatísticas do Sindicato Nacional das Indústrias de Produtos para Defesa Agrícola (Sindag). O volume representa um crescimento de 7,6% em comparação ao mesmo período de 2009, quando 18,6 mil quilos de produtos foram apreendidos.

Até agora o mês de janeiro foi o de maior número de apreensões (7.614 quilos), seguido pelo mês de agosto (4.827 quilos). Em setembro foram apreendidos “apenas” 500 quilos, mas a expectativa é que nos próximos meses os volumes aumentem diante do avanço do plantio da safra no Brasil, que começou a ser semeada a partir de outubro. A expectativa do Sindag, inclusive, é que as apreensões superem o volume de 2009 quando quase 25 mil quilos foram impedidos de chegar ao mercado.

“Consideramos que o crescimento das apreensões significa ações mais efetivas dos órgãos responsáveis contra a ilegalidade, especialmente em Estados que possuem grandes fronteiras com outros países”, afirma Fernando Henrique Marini, coordenador da campanha contra agrotóxicos ilegais do Sindag.

Segundo Marino, o resultado da fiscalização em 2010 tem um diferencial em relação aos anos anteriores. Historicamente, 95% das apreensões eram de produtos contrabandeados de outros países para o Brasil e apenas 5% eram falsificações. De acordo com o Sindag, em 2010, a divisão entre produtos falsificados e contrabandeados é de 50% para cada lado. “Como está cada vez mais difícil entrar com o contrabando no país, as quadrilhas estão optando por falsificar os produtos”, afirma Marini.

Entre os produtos mais procurados pelas quadrilhas os fungicidas são os preferidos. Isso porque, diante das preocupações com a ferrugem da soja, falsificadores e contrabandistas têm apostado no crescimento da demanda por fungicidas. Dos 20 mil quilos apreendidos neste ano até setembro, quase 40% foram de fungicidas.

Dados do Sindag indicam que os produtos contrabandeados e falsificados representam 9% do valor do mercado nacional de defensivos. Isso representa quase US$ 550 milhões por ano. “As quadrilhas estão cada vez mais ousadas e criativas. Na semana passada foram apreendidos cerca de 50 litros e outros 10 quilos em produtos dentro de uma ambulância da prefeitura de Santana do Livramento (RS). Ao que tudo indica, o motorista fazia um “bico” transportando produtos químicos”, afirma Marini.

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Ministros europeus pressionam contra transgênicos

15, outubro, 2010 Sem comentários

Ministros de Meio Ambiente da Europa rejeitam proposta que abriria caminho para a liberação dos transgênicos no bloco. Decisões individuais dos países forçariam “fato consumado”.

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AFP/Estadão, 14/10/2010.

Os ministros do Meio Ambiente europeus rejeitaram por ampla maioria nesta quinta-feira a proposta da Comissão Europeia de deixar nas mãos de governos nacionais a decisão de autorizar ou não o cultivo de plantas transgênicas nos seus territórios. Eles alertaram que os organismos geneticamente modificados (OGMs) enfrentam crescente desconfiança da opinião pública. “Na Polônia, 70% da população se opõe aos OGMs”, disse o representante do país, Andrzej Kraszewski.

A União Europeia só autorizou até hoje o cultivo de dois tipos de transgênicos: o milho 810, da empresa americana Monsanto, que espera a renovação da autorização, e uma variedade de batata vendida pela Basf alemã [Já são 5 os países europeus que questionam formalmente esta aprovação]. Outros 15 OGMs, em sua maioria sementes de milho, esperam autorização para cultivo. Uma petição assinada por mais de 1 milhão de europeus pediu a suspensão das autorizações de cultivo e de venda de OGMs.

O comissário encarregado da Saúde na Comissão Europeia, John Dalli, tornou-se alvo de críticas dos ministros por ter anunciado que é contra o congelamento do processo de homologação. Além disso, afirmou que pretende renovar a licença de cultivo do milho 810 da Monsanto no fim do ano.

“Os ministros do Meio Ambiente pediram por unanimidade, em dezembro, o fortalecimento da avaliação dos OGMs, uma análise das consequências socioeconômicas de seu cultivo e o fortalecimento da Agencia Europeia para a Segurança Alimentar. Nada disso foi feito”, criticou a secretária de Ecologia francesa, Chantal Jouanno.

Pressionado, Dalli anunciou que pretende receber oficialmente a petição – uma inovação institucional prevista pelo Tratado de Lisboa, a “Constituição” da UE. O comissário prometeu ainda atender às reivindicações dos ministros até o fim do ano.

MP-RS debate agrotóxicos nos alimentos

15, outubro, 2010 Sem comentários

Jornal do Comércio, 14/10/2010.

O combate ao uso indiscriminado de agrotóxicos ganhou uma articulação entre instituições públicas do Rio Grande do Sul. O Ministério Público Estadual (MPE) e o Conselho Nacional de Segurança Alimentar (Consea-RS) promoveram ontem uma audiência pública e esperam desenvolver iniciativas para incentivar a produção orgânica e esclarecer agricultores e consumidores.

O evento marca o Dia Mundial da Alimentação, que será comemorado neste sábado. Além do MPE e do Consea-RS, participaram da atividade representantes do Ministério Público Federal (MPF), do governo do Estado, do Procon, do Tribunal de Justiça e da Assembleia, além de pesquisadores de universidades.

De acordo com o promotor de Justiça Francesco Conti, coordenador do Centro de Apoio Operacional do Meio Ambiente, o objetivo é dar encaminhamentos práticos à articulação das instituições, levando em conta as dificuldades encontradas pelos agricultores. “Sabemos que a produção orgânica é mais cara. Por isso, queremos encontrar os melhores encaminhamentos possíveis, para não causar um impacto negativo para os agricultores”, afirma.

Como exemplos, o promotor sugere a elaboração de um programa de incentivo à produção orgânica no Estado. No âmbito do MPE, os promotores podem participar de um projeto interno de esclarecimento às comunidades do Interior.

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Promessas, promessas

14, outubro, 2010 Sem comentários

Ainda não foi dessa vez que enterraram o moribundo dogma central da biologia, também conhecido por determinismo genético, que vê os genes como responsáveis linear pela conformação dos organismos e de suas características. Há tempos que a epigenética contesta o reducionismo dessa abordagem e procura entender não os genes isoladamente, mas sim a forma com eles interagem entre si, com o meio ambiente e vice-versa, formando uma complexa rede metabólica.

Termos como “DNA lixo” vêm dessa busca por um mapa dos genes e serviram para batizar aquilo cuja função se desconhecia. Hoje, sabe-se cada vez mais que o “DNA lixo” não é tão lixo assim. Vem daí também a ideia de recortar, colar, programar, ligar e desligar genes, que ajudaram a coisificar esssa moléculas. Pode ter sido ingenuidade científica para alguns, como mostra a reportagem abaixo, mas mais que isso foi também negócio lucrativo para muitos com suas promessas de diagnóstico e cura de doenças genéticas. E tem ainda as patentes sobre os genes, que só se tornaram possíveis graças ao entendimento de que genes são coisas, objetos estanques, manipuláveis e responsáveis pela expressão de características específicas e de interesse comercial. E sobre esse conceito (cientificamente frágil) montou-se a indústria dos transgênicos, que se auto denomina “ciência da vida”.

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Fomos ingênuos, diz líder em genômica

Ricardo Mioto  |  Folha de S. Paulo, 14/10/2010.

Um dos grandes líderes da pesquisa com genoma humano no mundo, Eric Green, diretor do Instituto Nacional de Pesquisa do Genoma Humano (EUA), fez, em visita ao Brasil, um mea-culpa pelas promessas não cumpridas do genoma humano.

Dez anos após o sequenciamento ser apresentado, ele reconhece que analisar os dados levantados e relacionar determinados genes a determinadas doenças se mostrou algo difícil de fazer.

“Muitos de nós pensamos que rapidamente entenderíamos como o genoma se relacionava com as doenças, e que muito rapidamente isso mudaria toda a medicina”, disse ele à Folha. Leia mais…

EUA: produtores se dão conta das desvantagens das sementes transgênicas

14, outubro, 2010 Sem comentários

Produtores estadunidenses estão se queixando que as sementes transgênicas estão muito caras, que podem contaminar as plantações convencionais e que o mato ficou resistente ao herbicida. Apesar disso continuam usando essas sementes. Mas investigações em curso sobre práticas anti competitivas da Monsanto podem levar os agricultores a mudar de ideia.

Empresas como a Monsanto criaram um monopólio no mercado de sementes, adquirindo sementeiras menores e vendendo apenas as variedades transgênicas. Com isso fica cada vez mais difícil a tarefa de se encontrar sementes comuns, já que o melhoramento genético obtido pelas vias convencionais só chega ao mercado “casado” com as sementes transgênicas.

Acontece que com a subida dos custos e a resistência do mato aos herbicidas, as sementes transgênicas estão menos vantojosas, e os produtores estão se dando conta disso. No ano passado, o preço das sementes de soja transgênica subiu 24% e o do milho 32%. O Departamento de Justiça dos Estados Unidos está investigando as práticas anti competitivas da Monsanto, que anunicia, por sua vez, que planeja oferecer no próximo ano mais opções de sementes a um custo menor.

“Simplesmente não existe competição no mercado”, disse Craig Griffieon, produtor em Iowa.

Embora as sementes transgênicas predominem, os produtores começam a avaliar que elas não trazem tantos benefícios assim. O número de agricultores que adotou sementes transgênicas nos Estados Unidos em 2009 cresceu apenas 1%, de 85 para 86%. Foi o menor crescimento desde 2001. Em Illinois, por exemplo, a área cultivada com milho transgênico caiu de 84 para 82%, enquanto a de soja foi de 90 para 89%.

Com informações de Daily Tech, 05/10/2010.

Veja também:

Signs of a biotech backlash?

Science Monitor, EUA, 04/10/2010.

Milho SmartStax faz ações da Monsanto cairem

13, outubro, 2010 Sem comentários

Carl Gutierrez | Forbes, EUA, 28/09/2010.

Os dados inciais sobre os resultados da variedade SmartStax são “mais fracos do que o esperado”, conclui Lawrence Alexander, analista da Jefferies. A informação gerou queda de 8.1% nas ações da Monsanto.

A produtividade média dessa semente, que inclui 8 transgenes, ficou de 3 a 5% atrás de outros híbridos comerciais, como os VT Triple Pro, VT Triples e VT Double Pro, da Pfister Hybrid Corn.

O SmartStax foi desenvolvido com a Dow AgroSciences, empresa pertencente à Dow Chemical. (…)

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Veja também:

Monsanto shares drop over modified-seed concerns

The Wall Street Journal, 29/09/2010.

Monsanto’s fortunes turn sour

The New York Times, 04/10/2010.

Procura-se soja convencional

13, outubro, 2010 Sem comentários

Os compradores estrangeiros pagam mais pela soja convencional e aqui as cooperativas estão dispostas a repassar para o produtor a maior parte desse prêmio. Os dados de campo reafirmam que soja transgênica é duplamente desvantajosa: produz menos e tem custo maior de produção, como acabou de mostrar estudo da Embrapa. Mesmo assim, aumenta a área com a soja da Monsanto.

A ideia de uma tecnologia que beneficiaria produtor e meio ambiente ficou apenas na propaganda. O que prevalece na prática é a força do monopólio sobre o  mercado de sementes e a contaminação, que se dá a campo e também na falta de segregação. É o que mostra a reportagem abaixo.

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Luana Gomes  |  Gazeta do Povo, 12/10/2010

Com lavouras geneticamente modificadas em franca expansão no Brasil, indústrias especializadas no processamento de grãos não- transgênicos prevêem dificuldade de abastecimento

Exportar soja convencional está cada vez mais difícil. Não por falta de comprador, mas de fornecedor. As indústrias que trabalham com este tipo de produto preveem dificuldade de abastecimento no Paraná. Diante da dificuldade para originar grãos convencionais no estado, a Imcopa irá atravessar estados e buscar em Mato Grosso boa parte da matéria-prima trazer para abastecer sua indústria em Araucária, na região metropolitana de Curitiba. Com contratos a cumprir, a Coamo Agroindustrial, com sede em Campo Mourão (Noroeste), está preocupada e também procura alternativas. Quase 90% das 3 milhões de toneladas que a cooperativa espera receber no ciclo 2010/11 serão transgênicos.
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