Arquivo

Arquivo de dezembro, 2011

A Bayer continua matando abelhas em todo o planeta

23, dezembro, 2011 Sem comentários

Coordinadora contra os perigos da BAYER

Enquanto a companhia alemã Bayer continuar fabricando e vendendo agrotóxicos neonicotinóides, populações de abelhas no mundo todo serão mortas.

É responsabilidade da Bayer o fenômeno conhecido como transtorno do colapso de colônias (CCD) – problema da mortalidade de colônias de abelhas – e está inserido entre os casos que serão apresentados de 3 a 6 de dezembro, no Tribunal Permanente dos Povos (TPP), em Bangalore (Índia) durante a sessão que processará as seis maiores multinacionais agroquímicas por violações dos direitos humanos.

“A morte das abelhas é um problema global e é fundamental discutir este tema e encontrar soluções internacionalmente. É um bom sinal que o TPP, como uma iniciativa global, aborde este tema, que é um problema ambiental e uma ameaça econômica”, disse Philipp Mimkes, porta-voz da Coalizão contra os perigos da Bayer, um grupo com sede na Alemanha.

Mimkes revelou que os imidaclopride (Gaucho) e clotianidina (Poncho) são os pesticidas mais vendidos da Bayer, apesar destes produtos, conhecidos como neonicotinóides, estarem ligados à morte de colônias de abelhas.

Em 2010, as vendas do Gaucho alcançaram a cifra de US$ 820 milhões e do Poncho US$ 260 milhões. Gaucho ocupa o primeiro lugar entre os agrotóxicos vendidos pela Bayer, enquanto o Pancho está em sétimo lugar. “Esta é a razão da Bayer, apesar dos graves prejuízos ambientais, lutar com unhas e dentes contra qualquer proibição na aplicação dos neonicotinóides”, afirma Mimkes.

Na Europa, em vários países o uso dos neonicotinóides foram proibidos. Na Alemanha, Itália, França e Eslovênia o Gaucho foi proibido no tratamento das sementes de milho, que é sua principal aplicação. No entanto, sua utilização é livre em vários países, incluindo os EUA, onde desde 2006, um terço da população de abelha já morreu.

As abelhas polinizam mais de 70, entre 100, culturas que fornecem 90% de alimentos do mundo. Entre frutas e vegetais, estão, por exemplo, as maçãs, laranjas, morangos, cebolas e cenouras. O declínio na população de abelhas tem efeitos devastadores para a segurança alimentar e é meio de subsistência dos agricultores. Além disso, pode afetar o valor nutricional e a variedade de nossos alimentos.

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A Monsanto e o negócio com sementes transgênicas

22, dezembro, 2011 Sem comentários

Deutsche Welle,  21/12/2011


Soja, milho, colza, algodão: sementes transgênicas prometem ser mais resistentes a pragas e mais produtivas. Mas ambientalistas discordam e afirmam que há riscos para a saúde. O principal alvo das críticas é a Monsanto.
 

“Queremos apenas um rótulo”, gritam os manifestantes que marcham em direção à Casa Branca. “Oitenta por cento dos alimentos num supermercado são produzidos com ingredientes geneticamente modificados. Mas essa informação não consta [nas embalagens]”, reclama Megan Westgate, chefe do projeto NONGMO e uma das organizadoras da manifestação em Washington.

Nos Estados Unidos, alimentos produzidos a partir de “organismos geneticamente modificados” – GMO, na sigla em inglês – não precisam trazer essa informação na embalagem.

A caminhada para a Casa Branca e a subsequente manifestação nos arredores do Parque Lafayette são o ponto alto da marcha Rigth2Know – “direito de saber”, em português. Um dos participantes é o alemão Joseph Wilhelm, fundador da rede orgânica Rapunzel. Ele já organizou duas marchas contra os transgênicos na Alemanha. “Fiz todo o caminho de Nova York a Washington a pé”, diz, orgulhoso, ao tirar os sapatos.

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Os excessos de agrotóxicos

21, dezembro, 2011 2 comentários

JORNAL DO COMERCIO – PE, 20/12/2011

EDITORIAL – A denúncia não é nova nem o problema desconhecido: a população brasileira consome volume inaceitável de agrotóxicos, que chegam disfarçadamente nas frutas e verduras colocadas nas gôndolas dos supermercados, das feiras livres, das lojas de hortifrutigranjeiros distribuídas pelo País. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) está preparando um protocolo através do qual fiscalizará os pontos de venda, especialmente os supermercados, que poderão ser punidos pela venda de tais produtos. Uma pesquisa da própria Anvisa mostra alguns dados assustadores: o pimentão (91% das amostras), o morango e o pepino são os alimentos mais contaminados, representando alto risco para a saúde dos consumidores.

Mas essa é apenas uma pequeníssima ponta do iceberg e o Brasil está entre os cinco maiores consumidores de agrotóxicos no mundo, o que não nos dá a mais remota satisfação. Pelo contrário, vemo-nos, assim, diante de um tremendo desafio. Mais ainda quando se toma conhecimento de pesquisa da Organização Pan-Americana de Saúde na América Latina e no Caribe, dando conta de que o envenenamento por produtos químicos representa 15% de todas as doenças profissionais notificadas. Noutra face do problema, a Organização Mundial de Saúde informa que há 20 mil óbitos por ano em decorrência da manipulação, inalação e consumo indireto de pesticidas e que 70% dos casos de intoxicação acontecem em países em desenvolvimento. O manuseio inadequado de agrotóxicos é um dos principais responsáveis por acidentes de trabalho no campo.

Parece-nos que o nosso País está suficientemente amadurecido para dar um tratamento mais rigoroso a esse tipo de problema, da mesma forma como vem fazendo em relação a outras atividades e produtos que atingem a saúde dos brasileiros. Assim como quando proíbe a propaganda de bebidas alcoólicas ou quando age com dureza contra o cigarro. Há, em qualquer desses casos, um mercado produtor e um mercado consumidor sujeitos aos riscos do processo de produção e de consumo. Quando incluímos as lavouras nesse quadro de risco, fica evidente que também o agricultor – particularmente o produtor mais humilde ou o empregado responsável pela aplicação do agrotóxico – é vítima, tanto quanto agente do processo de envenenamento da produção.

A questão é de tal forma grave que até se torna difícil a defesa do uso de defensivos agrícolas em nome da produtividade e do emprego. O impacto negativo, com consequências graves em curto, médio e longo prazos justifica políticas públicas que instalem, definitivamente, o predomínio da cultura orgânica como o único processo habilitado a receber recursos e incentivos públicos, de tal forma a trazer a produção desenvolvida em condições perfeitamente saudáveis para todos ao mesmo patamar de mercado que têm hoje aquelas carregadas de pesticidas, fungicidas, herbicidas, responsáveis por doenças e mortes em larga escala.

 

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União Europeia reabre debate sobre proibição de transgênicos

20, dezembro, 2011 Sem comentários

Estadão.com.br, 19/12/2011

A Dinamarca apresentou nesta segunda-feira, 19, as principais linhas de sua política ambiental da próxima presidência da União Europeia, que voltará a debater a proibição dos polêmicos transgênicos, juntamente com a eficiência energética e a luta contra as mudanças climáticas.

A ministra do Meio Ambiente, Ida Auken, assinalou em entrevista coletiva que uma de suas prioridades será voltar a debater a possibilidade que cada país tenha mais liberdade para proibir o cultivo dos transgênicos.

A Comissão Europeia propôs no ano passado mudar as políticas sobre o assunto. Seis países aplicam restrições contra o cultivo – França, Grécia, Alemanha, Luxemburgo, Áustria e Hungria – enquanto que no outro extremo estão os sete membros que exploram comercialmente esses cultivos.

Espanha está no último grupo e é, concretamente, o país com maior superfície de transgênicos e o produtor de 80% do milho transgênico cultivado na União Europeia.

Auken adiantou que o debate será complicado, já que continua havendo uma minoria de países que bloqueiam a aprovação dessa medida e favoráveis a que decisões sobre estes produtos continuem sendo tomadas em nível comunitário.

Atualmente, na União Europeia pode-se cultivar dois tipos de transgênicos: uma linhagem de milho e outra de batata.

Outras prioridades da presidência dinamarquesa serão reforçar as infraestruturas energéticas e abordar questões como o conteúdo de enxofre nos combustíveis das embarcações.

Campanha Contra os Agrotóxicos realiza seminário estadual na Bahia

19, dezembro, 2011 Sem comentários

MST Rio

por Alan Tygel

O comitê baiano da Campanha Contra os Agrotóxicos e Pela Vida realizou neste fim de semana (17 e 18 de dezembro) o seu I Seminário Estadual de Planejamento. Além dos militantes dos comitês já formados no estado – Salvador e Vale do São Francisco – estiverem presentes militantes de cidades de toda a Bahia, como Guanambi, Cícero Dantas, Ipirá, Cruz das Almas, Juazeiro, Itabuna, Ilhéus, Arustina, Esplanada, Camamú, Araçá, Juçara, Irecê, Itapetinga, além de convidados do Quebec (Canadá) e Rio de Janeiro.

O encontro aconteceu no CEAS – Centro de Ação Social, em Salvador, e contou com cerca de 40 pessoas. Militantes de movimentos sociais, estudantes e sindicalistas de diversas entidades do estado já vinham realizando ações isoladas na luta contra os agrotóxicos, e o objetivo do seminário foi dar unidade para as ações no estado.

A primeira atividade buscou nivelar os participantes em relação à questão dos agrotóxicos. Foram abordados temas fundamentais para compreensão do modelo de produção agrícola, como a segurança alimentar e nutricional e a concentração de terras. A Bahia é o estado com maior número de pessoas sofrendo de insegurança alimentar grave, que atinge sobretudo negros e mulheres.

Em seguida, buscou-se entender o funcionamento do agronegócio no estado. O sul da Bahia é hoje completamente dominado pelo plantio de eucalipto da Stora Enso/Veracel/Aracruz, que chegam a usar 9 litros de glifosato por hecatre, além do mirex, como denuncia Ivonete, do CEPEDES. Já na região oeste, latifundiários da soja estão deixando as terras já completamente envenenadas e desgastadas. O governo, cumprindo seu papel submisso, vem comprando as fazendas e as disponibilizando para a reforma agrária, para que o pequeno agricultor arque com o ônus de recuperar uma terra degradada por anos de utilização de veneno.

Já no Vale do São Francisco, a luta é contra a fruticultura irrigada, de uso intensivo de venenos que contaminam o Rio São Francisco, como conta Diego Albuquerque, do comitê do Vale do São Francisco. Na região se localiza o maior latifúndio irrigado do mundo, com 30 mil hectares contínuos de cana-de-açúcar. O Rio Paraguaçú, que abastece metade da população da Bahia, começa a ser contaminado na chapada pela produção de batatas para o McDonalds. Em seguida vem o abacaxi de Ipirá, onde se aplica veneno desde a primeira floração da fruta. Por fim, o histórico Recôncavo Baiano sofre com a plantação de fumo, uma das mais intensas em venenos. Toda produção vai para a Souza Cruz e Phillip Morris.

Apesar da força do agronegócio, a Bahia tem em seu histórico uma grande vitória contra a Veracel. Em 1988, a população conseguiu barrar a implantação de uma fábrica de celulose pela empresa, como conta Reinaldo, do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Araçás.

Na Bahia, os agrotóxicos também afetam as populações tradicionais. Na região de Camamú, enquanto as comunidades quilombolas lutam pelo reconhecimento de suas terras, venenos aplicados há muitos anos, como o BHC, causam estragos até hoje. É o que nos conta Gilmar Santos.

Os desafios são grandes, mas segundo Rafael Rodrigues, um dos organizadores do seminário, o evento foi um sucesso: “Até agora tínhamos 2 comitês, mas o compromisso que tiramos aqui é que se formem mais 8, abrangendo quase toda a Bahia.” E finaliza: “Em um futuro breve não estaremos mais comendo para morrer, e sim plantando comida para alimentar a companheirada que hoje passa fome por conta desse modelo de desenvolvimento que só concentra e destrói a natureza.”

 

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Lançamento: Agrotóxicos, trabalho e saúde

13, dezembro, 2011 2 comentários

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Transgênicos para quem? Lançamento em Fortaleza, 14/12

13, dezembro, 2011 Sem comentários

Anvisa interdita agrotóxico da Ourofino vendido sem procedência

12, dezembro, 2011 Sem comentários

A empresa Ourofino Agronegócios em Uberaba foi alvo de inspeção realizada por fiscais da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), onde foram encontrados agrotóxicos produzidos sem comprovação de origem da matéria-prima. A fiscalização foi feita também em outras duas fábricas de agrotóxicos, a Prentiss Química, em Campo Largo (PR), e DVA Agro, em Ituverava (SP).

De acordo com a assessoria de imprensa da Anvisa, no caso da fábrica da Ourofino em Uberaba foram interditados cerca de 230 mil kg do agrotóxico glifosato ácido e 790 mil litros do produto Sucesso BR. Isso porque os produtos eram formulados sem comprovação do fabricante de origem.

Em nota, o diretor da Anvisa, Agenor Álvares, afirma que trata-se de risco para a saúde, principalmente dos trabalhadores rurais, pois, sem comprovação de origem, não temos como assegurar que esses agrotóxicos possuem os requisitos necessários para serem utilizados na lavoura. A empresa foi notificada a apresentar os certificados de análise com a comprovação da unidade fabril de origem do produto técnico.

Conforme assessoria de imprensa da Ourofino Agronegócios, a fiscalização da Anvisa detectou a falta da procedência (fábrica de origem) de um produto da Monsanto, matéria-prima para fabricação de defensivos agrícolas, produzidos nesta unidade da Ourofino. Sendo assim, a Monsanto enviou a Ourofino uma certidão com a certificação da origem do produto e a Ourofino então protocolou este documento na Anvisa em Brasília, sob o nº 2011116961PA.

A interdição é válida por 90 dias, prazo em que os agrotóxicos interditados não podem ser comercializados. O fabricante tem 15 dias para apresentar defesa nos autos de infração.

 

Basf espera lançar cana transgênica em 2020

11, dezembro, 2011 Sem comentários

As empresas Basf e Bayer têm um acordo de pesquisa na área de melhoramento genético e biotecnologia de cana-de-açúcar com o CTC

BRASIL ECONÔMICO, , 09/12/2011

por Rafael Palmeiras – O repórter viajou a convite do Centro de Tecnologia Canavieira (CTC)

Durante apresentação no evento Cana Show em Piracicaba, a pesquisadora Sabrina Moutinho Chabregas, especialista em Biotecnologia, explicou que a cana transgênica pode ser até 25% mais produtiva do que as convencionais.

A Basf e Bayer são parceiras do Centro de Tecnologia Canavieira (CTC) desde 2009 e 2010, respectivamente, e trabalham em segmentos diferentes dentro da pesquisa.

“Nosso trabalho com a Basf é mais focado no aumento da produtividade e tolerância à seca, enquanto a linha de pesquisa da Bayer é com foco no aumento de açúcar”, explica a pesquisadora.

Segundo Luiz Louzano, diretor de biotecnologia da Basf, a produção agrícola precisa dobrar em 40 anos. “Para que isso ocorra precisamos evoluir na pesquisa e descobertas de genes.”

Louzano explica que o estudo visa aumentar em 20% a produção de cana trabalhando com a combinação de genes e germoplasmas. “Temos uma meta otimista de lançar a cana transgênica em 2020”, destaca.

O Brasil é o segundo no ranking de adoção da biotecnologia. O país já possui cinco variedades de soja, oito de algodão, uma de feijão e 18 de milho.

Da safra nacional de 2010, 46,20% da soja é geneticamente modificada, seguida por 55% da produção de milho.

* O repórter viajou a convite do Centro de Tecnologia Canavieira (CTC).

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Reportagens do Jornal Nacional sobre agrotóxicos

9, dezembro, 2011 4 comentários

Anvisa divulga lista dos alimentos com maior nível de contaminação (06/12)


Brasil é um dos maiores consumidores de agrotóxicos do mundo (07/12)

Saiba o que pode ser feito para reduzir a quantidade de agrotóxicos nos alimentos (08/12)

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CTNBio passará por reformulação em 2012

9, dezembro, 2011 Sem comentários

A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) passará por uma ampla reformulação nos próximos meses. Ao menos 30% dos 54 membros titulares e suplentes devem deixar o colegiado responsável pela avaliação da segurança de organismos geneticamente modificados no país.

VALOR ECONÔMICO, 09/12/2011

por Mauro Zanatta

Ainda sem resolver questões fundamentais, como as regras finais de monitoramento de produtos transgênicos e a posição brasileira no acordo global para o transporte internacional de OGMs, a comissão ficará sem comando a partir de 17 de janeiro, quando expira o mandato do atual presidente, o agrônomo geneticista Edilson Paiva. O coordenador-geral do colegiado, o agrônomo José Edil Benedito, já havia deixado, em 1º de dezembro, a função para dirigir o instituto de pesquisas econômicas do Espírito Santo.

Na última reunião ordinária de 2011, Paiva informou que sete membros não poderão ser reconduzidos por haver atingido o limite de seis anos o cargo e outros dez dependerão da avaliação do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) para permanecer no posto. “Vários membros serão substituídos. Seis estão nessa situação de não recondução e dez devem ser reconduzidos”, afirmou Edilson Paiva ao Valor. “Uma comissão do MCT vai indicar novos nomes na próxima semana. Eles vão prospectar na comunidade científica para substituir os atuais”.

Dos 27 membros titulares, 12 são ligados ao MCT e 15 são indicados por outros órgãos. Em sua despedida, após dois anos no comando da CTNBio, Edilson Paiva fez um apelo ao ministro Aloizio Mercadante para evitar “indicações políticas” e “loteamento”. “Fiz um pedido ao ministro solicitando que o coordenador, por exemplo, tenha treinamento, experiência em biotecnologia, isenção política e ideológica e entenda de CTNBio”, disse. “Felizmente, temos esses nomes nos quadros do MCT. Dois que indiquei já trabalham lá e têm esses características. Temos que evitar que se faça daquilo um trampolim, não pode lotear”.

A eleição para substituir Edilson Paiva ocorrerá em fevereiro. O MCT conduzirá o processo. Nos bastidores, informa-se que Mercadante está insatisfeito com o “açodamento” identificado nas decisões da CTNBio. Mas Edilson Paiva defende a gestão e a forma de trabalho da comissão. “O contraditório foi excelente. Os proponentes [empresas de biotecnologia e instituições de pesquisa] participaram muito ao longo dos anos, o que melhorou os processos”, afirmou. “A CTNBio está, agora, numa fase de rotina. Não tem nada que tenha urgência para ser resolvido”.

Alguns membros discordam do atual presidente ao apontar os debates remanescentes sobre o aperfeiçoamento das regras para monitoramento dos transgênicos após sua liberação comercial. “Isso ainda está pendente. E, na última reunião conduzida por ele [Paiva], não se tratou disso”, apontou o engenheiro Leonardo Melgarejo, representante do Ministério do Desenvolvimento Agrário na CTNBio. Paiva rebate o colega: “Discutimos muito isso. Faltam alguns pontos, mas a ciência evolui, algo sempre tem que modificar, mas nada tão urgente”, disse. E colocou a liberação comercial do feijão transgênico da Embrapa como “um marco” de sua gestão, iniciada em 2010. “E o novo plano de monitoramento até no Primeiro Mundo vai ser adotado”, previu.

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Anvisa quer fiscalizar agrotóxico em mercado

8, dezembro, 2011 Sem comentários

O Estado de S.Paulo, 08/12/2011

Objetivo é vigiar e multar supermercados pela venda de produtos agrícolas contaminados pela substância; medida deve vigorar em 2013

Supermercados passarão a ser fiscalizados e autuados pela venda de produtos agrícolas contaminados por agrotóxicos. Um protocolo com detalhes sobre a ação começa a ser preparado nos próximos meses pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e será colocado em prática em 2013. A fiscalização será feita por escritórios locais da agência e laboratórios oficiais.

A ação é apontada pela Anvisa como uma das estratégias para combater o uso abusivo e incorreto de agrotóxicos nos alimentos. Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos de Alimentos (Para) da Anvisa revela que 27,9% das amostras apresentavam irregularidades.

Pelo terceiro ano consecutivo, o pimentão foi o responsável pela maior número de amostras contaminadas: 91,8%. Morango e pepino vêm em seguida, com 63,4% e 57,4%.

“Os resultados são muito preocupantes. O consumo de alimentos contaminados aumenta o risco do aparecimento de doenças como câncer, problemas neurológicos e endócrinos”, afirmou o gerente geral de toxicologia da Anvisa, Luiz Claudio Meirelles.

Os problemas, completou Meirelles, são constatados a longo prazo. “Esses produtos trazem riscos. Daí a importância de que a produção se enquadre nos parâmetros técnicos.”

Irregularidades

Esta é a 10.ª edição da análise. As irregularidades encontradas são de uso de agrotóxicos em quantidade excessiva ou não autorizados para determinada cultura. Das amostras avaliadas, apenas a batata não apresentou nenhum desvio de qualidade.

Em 2002, quando a primeira avaliação foi feita, 22,2% das amostras apresentavam irregularidades. A Associação Nacional de Defesa do Vegetal (Andef), garante que resultados do Para não representam uma ameaça à saúde. A associação afirma que boa parte das amostras foi reprovada porque foi identificado o uso de agrotóxico não registrado.

“O agricultor muitas vezes tem duas culturas e usa o mesmo produto. Isso não significa que ele oferece mais riscos”, afirmou Guilherme Guimarães, técnico de regulamentação da Andef.

Os resultados do trabalho serão analisados pelos ministérios da Saúde e da Agricultura. A ideia é que, a partir do que foi encontrado, sejam tomadas medidas consideradas essenciais pela Anvisa. Entre elas, a melhora na qualidade do sistema para identificação de produtores que usam agrotóxicos de forma incorreta. “Parte significativa dos produtos não consegue ser rastreada, e por isso há ainda muito o que se melhorar nesta área”, afirma Guimarães.

 

Milho GM abre espaço para novos agrotóxicos

7, dezembro, 2011 Sem comentários

GAZETA DO POVO, 06/12/2011.

Plantas geneticamente modificadas controlam parte dos insetos, mas, sem uso de veneno, outras pragas podem se reproduzir com mais frequência

Por Cassiano Ribeiro (O repórter viajou a convite da FMC)

O ganho de terreno do milho transgênico está sendo um filão de mercado para as indústrias agroquímicas que atuam no Bra­­sil. Diante da tendência praticamente irreversível da utilização de sementes geneticamente mo­­dificadas (GM) nas lavouras, as em­­presas aproveitam o momento para lançar produtos e serviços, com aplicação direcionada especificamente a essas variedades.

A projeção da Expedição Safra Gazeta do Povo é que a área com milho transgênico no Brasil te­­nha saltado de 76% no ano passado para 90% nesta safra de verão. As apostas dos produtores estão sustentadas na promessa de maio­­res rendimentos do ce­real GM.

A escolha por transgênicos deixa, por outro lado, a lavoura mais suscetível a pragas e doenças não controladas pela tecnologia inserida na semente, alerta o agrônomo e assessor técnico da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), Robson Mafio­letti. “É muito difícil uma variedade transgênica oferecer altos rendimentos e ao mesmo tempo garantir sanidade”, afirma.

O quadro representa uma contradição, uma vez que boa parte dos milhos transgênicos produzem proteína que elimina insetos e, assim, prometiam dispensar controle químico. A questão é que essa proteína não elimina todas as pragas. Algumas delas, acabam inclusive ganhando força.

É de olho nesse quadro que a norte-americana FMC comercializa, a partir deste mês, um inseticida voltado ao tratamento de sementes de milho transgênico. Com a meta de abocanhar 8% do mercado de tratamento de se­­mentes com inseticidas em oito anos, a empresa aposta agora no Rocks, um inseticida que promete dupla ação no controle das principais pragas que afetam as lavouras em sua fase inicial de desenvolvimento: contra mastigadores e sugadores.

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Contaminação por agrotóxicos persiste em alimentos analisados pela Anvisa

7, dezembro, 2011 Sem comentários

ANVISA, 07/12/2011

O pimentão, o morango e o pepino lideram o ranking dos alimentos com o maior número de amostras contaminadas por agrotóxico, durante o ano de 2010. É o que apontam dados do Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos de Alimentos (Para) da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa),  divulgados nesta quarta-feira (7/12). Mais de 90% das amostras de pimentão analisadas pelo Programa apresentaram problemas.

No caso do morango e do pepino, o percentual de amostras irregulares foi de 63% e 58%, respectivamente. Os dois problemas detectados na análise das amostras foram: teores de resíduos de agrotóxicos acima do permitido e o uso de agrotóxicos não autorizados para estas culturas.

A alface e a cenoura também apresentaram elevados índices de contaminação por agrotóxicos. Em 55% das amostras de alface foram encontradas irregularidades. Já na cenoura, o índice foi de 50%.

Na beterraba, no abacaxi, na couve e no mamão foram verificadas irregularidades em cerca de 30% das amostras analisadas. “São dados preocupantes, se considerarmos que a ingestão cotidiana desses agrotóxicos pode contribuir para o surgimento de doenças crônicas não transmissíveis, como a desregulação endócrina e o câncer”, afirma o diretor da Anvisa, Agenor Álvares.

Por outro lado, a batata obteve resultados satisfatórios em 100% das amostras analisadas. Em 2002, primeiro ano de monitoramento do programa, 22,2% das amostras de batata coletadas apresentavam irregularidades.

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O código ruralista

7, dezembro, 2011 1 comentário

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