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Arquivo de fevereiro, 2012

VII Congresso Latinoamericano de Sistemas Agroflorestais para a Produção Pecuária Sustentável

29, fevereiro, 2012 Sem comentários

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Dow e Monsanto Somam Forças para Envenenar o Coração dos Estados Unidos

27, fevereiro, 2012 Sem comentários

Truthout, 23/02/2011 – Via Vi o mundo

Tradução de Heloisa Villela

Em um casamento que muitos diriam foi engendrado no inferno, os dois maiores produtores de agroquímicos do país somaram forças em uma parceria para reintroduzir o uso do herbicida 2,4-D, metade do infame desfolhante Agente Laranja, que foi usado pelas tropas norte-americanas para limpar as florestas durante a Guerra do Vietnã. Essas duas gigantes da biotecnologia desenvolveram um programa de administração de semente que, se for bem sucedido, será um grande passo na direção de dobrar o uso do herbicida nocivo no cinturão de milho dos Estados Unidos durante a próxima década.

O problema para os fazendeiros de milho é que as “super sementes” vem desenvolvendo resistência ao Roundup, herbicida campeão de vendas nos Estados Unidos, que é pulverizado em milhões de hectares do centro-oeste e em outros lugares. A Dow Agrosciences desenvolveu uma variedade de milho que ela diz que resolve esse problema. A nova variedade geneticamente modificada tolera o 2,4-D, que vai matar as ervas resistentes ao Roundup, mas deixará o milho em pé. Os fazendeiros que optarem pelo sistema terão que dar uma dose dupla a suas plantações, com o coquetel mortífero de Roundup mais o 2,4-D, ambos fabricados pela Monsanto.

Mas este plano alarmou os ambientalistas e também muitos fazendeiros, que relutam em reintroduzir um químico cuja toxicidade já foi muito bem documentada. O 2,4-D foi banido por vários países da Europa e em províncias do Canadá. Suspeita-se que a substância seja carcinogênica, e já foi provado, em um estudo conduzido pelo patologista Vincent Garry, da Universidade de Minnesota, que a incidência de defeitos de nascença dobra em filhos de aplicadores de pesticidas.

Pesquisadores dizem que o efeito do 2,4-D sobre a saúde humana ainda não foi totalmente compreendido. Mas ele pode ser um fator de risco em linfomas e leucemias, que foram detectados com frequência entre os veteranos do Vietnã expostos ao Agente Laranja. A Agência de Proteção Ambiental (EPA) afirmou que o químico pode ter “potencial de ruptura endócrina” e interfere no sistema hormonal humano. Pode ser que seja tóxico para as abelhas, pássaros, peixes, de acordo com a pesquisa do Serviço Florestal Americano, e outros. Em 2004, uma coalizão de grupos liderada pelo Conselho de Defesa dos Recursos Naturais e pela Pesticide Action Network, enviou uma carta à EPA cobrando pelo fato de a agência ter subestimado os impactos do 2,4-D sobre a saúde e sobre o meio-ambiente.

A agricultura industrial de larga escala se tornou dependente de aplicações cada vez maiores de agroquímicos. Alguns comparam a situação a um viciado em drogas que requer doses cada vez maiores para ficar entorpecido. O uso de herbicidas aumentou consistentemente no tempo enquanto as ervas desenvolveram resistência e requerem quantidades cada vez maiores e mortíferas de químicos para serem mortas. Isso exige que a engenharia genética produza agressivamente sementes que aguentem o ataque cada vez mais intenso dos produtos químicos.

Muitos cientistas agrícolas alertam que essa dependência crescente de agroquímicos é insustentável a longo prazo. A fertilidade do solo diminui na medida em que minhocas e microorganismos vitais são mortos pelos pesticidas e herbicidas. Eles também poluem os depósitos subterrâneos de água e comprometem a saúde dos animais alimentados com grãos contaminados pelos produtos químicos.

Estes impactos estão fadados a crescer. Dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) revelam que o uso de herbicidas aumentou em 173 milhões de quilos de 1996 a 2008. Significativamente, quase metade deste incremento (46%) se deu entre 2007 e 2008 como resultado da venda das novas sementes resistentes a herbicidas como o novo híbrido de milho da Dow.

Ninguém sabe qual será o efeito que o uso desse híbrido terá sobre a saúde dos consumidores norte-americanos. Milho entrelaçado com altos níveis de 2,4-D pode contaminar de tudo, dos cereais do café da manhã ao bife de vaca, que concentra toda a toxina na carne. Já que o milho e frutose de milho são elementos-chave de tantas comidas processadas, alguns especialistas em saúde pública alertam que todos os norte-americanos, em breve, serão cobaias em um experimento de massa mal concebido com um dos principais itens de nossa cadeia alimentar. O departamento de agricultura dos Estados Unidos, o USDA, está considerando desregulamentar as novas variedades de milho geneticamente modificado da Monsanto (o que será usado em conjunto com o 2,4-D) e está aceitando os últimos comentários públicos sobre o tema até o dia 27 deste mês (fevereiro).

Até recentemente, sementes resistentes a herbicidas eram populares com os fazendeiros, que conseguiam alta produtividade quase sem esforço na administração das ervas daninhas. Mas agora que o problema das ervas está voltando com força, alguns estão questionando a sabedoria deste modelo de uso intensivo de químicos na agricultura. O milho biotecnológico da Dow custa quase três vezes o preço da semente comum. E a projeção de que o uso de pesticidas vai dobrar nos próximos anos vai tornar tudo mais caro, e ao mesmo tempo mais destrutivo para as fazendas e para o ecossistema.

Existem alternativas viáveis à agricultura intensiva em químicos, métodos que passaram no teste do tempo, como a rotação de culturas, o uso de sementes cover, e outras práticas que permitem aos fazendeiros competir naturalmente com as ervas. Já é hora dos fazendeiros recuperarem o conhecimento de seus ancestrais nesta área.

Alguns cientistas agrícolas defendem o desenvolvimento de um sistema integrado de manejo das ervas para substituir o uso insustentável de produtos químicos. Mas as grandes empresas de agroquímicos não têm o menor interesse em dar apoio à agricultura sustentável, que tem o potencial de eliminá-las do mercado. Enquanto houver bilhões de dólares em jogo na venda de herbicidas e de sementes geneticamente modificadas resistentes aos herbicidas, não haverá muito dinheiro disponível para pesquisas que explorem alternativas naturais à destruição do coração de nossa nação.

Em Busca da Terra Sem Veneno – filme de Noilton Nunes

25, fevereiro, 2012 Sem comentários

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Agrotóxico, pimentão e suco de laranja

24, fevereiro, 2012 Sem comentários

Valor Econômico, 23/02/2012

JOSÉ AGENOR ALVES DA SILVA é diretor da Anvisa

A celeuma sobre a presença de resíduos de agrotóxicos no suco de laranja brasileiro, colocado em dúvida pelas autoridades sanitárias dos Estados Unidos, é emblemática para a discussão sobre a contaminação de alimentos por esses produtos. A presença irregular de resíduos de agrotóxicos em produtos agrícolas destinados à exportação implica em prejuízo para o agricultor brasileiro, com a devolução ou destruição do produto pelo país importador.

O agrotóxico, por definição, é um produto aplicado para matar e a linha que separa os efeitos benéficos de eliminar uma praga e os efeitos maléficos, que podem levar um ser humano à morte, é muito tênue. Por isso, esses produtos químicos têm alvos biológicos e mecanismos de ação bem definidos.

Só são autorizados se forem eficazes no combate a pragas específicas, sem destruir o alimento tratado, nem deixar resquícios em quantidades tóxicas para os consumidores. Isso porque os agrotóxicos estão associados ao desenvolvimento de alterações hormonais, de doenças do sistema nervoso central, de doenças respiratórias, de lesões hepáticas, de câncer e tantas outras enfermidades graves identificadas nos ensaios realizados em animais de laboratório e em culturas de células e tecidos. Tais ensaios têm constituído um excelente mecanismo para impedir possíveis agravos, prevalecendo-se das similaridades entre processos biológicos bem selecionados.

Nos últimos quatro anos, segundo dados das próprias indústrias do setor, o Brasil assumiu o posto de maior mercado de agrotóxicos do mundo. Mesmo assim, o caminho a ser percorrido para alcançarmos os níveis de controle que os países desenvolvidos exercem sobre essas substâncias ainda é muito longo.

Nesse cenário, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determina o limite máximo de resíduos de agrotóxicos em alimentos e a quantidade total de cada agrotóxico que pode ser ingerido diariamente pelas pessoas, sem que haja risco para sua saúde. São esses os parâmetros avaliados pelo tão criticado Programa de Avaliação de Resíduos de Agrotóxicos da agência.

O programa funciona a partir da coleta de amostras de alimentos pelas vigilâncias sanitárias dos Estados e municípios em supermercados. Depois de coletados, os alimentos são encaminhados para laboratórios, onde se verifica a quantidade de resíduos de agrotóxicos em cada uma das amostras.

Entretanto, um movimento silencioso, com a sutileza de fazer inveja ao estouro de uma manada de elefantes, tenta, cotidianamente, desqualificar os resultados do programa. A dúvida sobre a avaliação de resíduos de agrotóxicos em alimentos, que é publicada anualmente pela Anvisa, traz uma notável distorção e desinformação dos fatos, com flagrante desrespeito ao mesmo tempo à lei e à ciência.

As atividades da Anvisa, nesse campo, têm o compromisso da transparência de seus atos em respeito à sociedade e no cumprimento de seu mandato de proteger a saúde humana com base na legislação nacional e nos conhecimentos científicos e tecnológicos mais atualizados da comunidade científica internacional.

As referências para a conformidade dos parâmetros medidos são divulgadas em rótulos e bulas e na página na internet dos organismos registradores de agrotóxicos: Ministério da Agricultura, Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e Anvisa. São os mesmos procedimentos praticados pelos países desenvolvidos, muitos dos quais abrigam as matrizes das indústrias de agrotóxicos, que estão instaladas no Brasil.

A segurança da qualidade dos alimentos se baseia nos conhecimentos científicos e na observação dos efeitos tóxicos, agudos e crônicos que os resíduos de agrotóxicos podem gerar nas pessoas. Se o responsável pela emissão da receita agronômica ou o próprio agricultor utilizar um agrotóxico em um alimento para o qual aquele produto não foi autorizado, o ato se qualifica como ilegal e a ingestão diária segura pode ser ultrapassada. Isso resultará em prováveis danos à saúde do próprio agricultor e do consumidor.

Os efeitos agudos dos agrotóxicos aparecem nos trabalhadores rurais que os manipulam (preparadores de calda e aplicadores) e em pessoas que vivem ou trabalham nas imediações das áreas tratadas. A literatura científica constata que as doenças crônicas ocorrem em pessoas que se expõem a pequenas doses durante um tempo prolongado, como no caso de consumidores que ingerem alimentos com pequena quantidade de agrotóxico por um longo período de tempo.

Como agência reguladora da saúde, a Anvisa tem a obrigação de divulgar as informações sobre os riscos relativos à exposição a agrotóxicos. Essa informação é uma poderosa ferramenta de cobrança para que os atores envolvidos adotem medidas de correção dos problemas diagnosticados.

A Anvisa não compactua com atores que, irresponsavelmente, estimulam a omissão dos dados com o intuito de desacreditar toda a cadeia envolvida na avaliação dos resíduos de agrotóxico. Não dá para a volta da velha política de “o bom a gente mostra e o ruim a gente esconde”. Esse tipo de omissão só favorece aqueles cuja atuação, neste campo, se caracteriza pela política do avestruz e pelo não cumprimento da legalidade, que é o princípio fundamental em um estado democrático e de direito.

O respeito aos consumidores, em qualquer parte do mundo, é dever dos estados nacionais. Por isso, a Anvisa busca sempre aprimorar os instrumentos de avaliação dos agrotóxicos e de seus resíduos nos alimentos, para que não haja diferença entre os produtos levados à mesa do consumidor brasileiro e aqueles destinados à exportação. Os direitos do consumidor são atributos de cidadania e respeitá-los não é nenhum ato de favor ou concessão das autoridades públicas. É, isto sim, reconhecimento de uma conquista histórica da sociedade brasileira.

Programa apóia multiplicação de sementes crioulas

24, fevereiro, 2012 Sem comentários

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A contaminação por microrganismos e parasitas é maior no sistema orgânico?

22, fevereiro, 2012 Sem comentários

Talvez um dos pontos mais questionados pelos críticos da agricultura orgânica seja a contaminação causada pelo uso intensivo de dejetos de animais no sistema orgânico. Primeiramente, deve-se lembrar que o uso de esterco também é comum em sistemas convencionais, embora em quantidades menores. É fato que os dejetos de animais mal tratados podem ser uma fonte de contaminação dos produtos e do solo, tanto no sistema orgânico como no convencional. Portanto, a utilização desses insumos naturais e as técnicas para reduzir o risco de contaminação devem ser efetivamente colocadas em prática nos dois sistemas. Vários trabalhos de pesquisa mostram que não há nenhuma evidência de que alimentos orgânicos sejam mais suscetíveis a contaminação microbiológica do que alimentos convencionais. Entretanto, ainda é preciso expandir essa linha de pesquisa. É importante sublinhar que nos dois sistemas (orgânico e convencional) o uso de boas práticas culturais e de estocagem de alimentos permite reduzir o risco de contaminação.

Fonte: Embrapa

França pede à UE suspensão de milho transgênico da Monsanto

21, fevereiro, 2012 Sem comentários

Reuters, via Folha on line | 20/02/2012

A França solicitou à Comissão Europeia que suspenda a autorização para semear a variedade de milho transgênico MON810 da empresa de biotecnologia Monsanto, informou nesta segunda-feira o Ministério de Meio Ambiente.

O pedido do governo francês é baseado nos “riscos significativos para o meio ambiente” que mostraram as recentes pesquisas científicas, informou o ministério em comunicado.

A França sinalizou que manterá a proibição sobre o milho MON810, a única variedade cuja semeadura é aprovada na União Europeia, apesar de ter perdido processos em tribunais locais e europeus

p.s. O milho MON 810 foi autorizado no Brasil em 2008 pela CTNBio e é amplamente cultivado no país.

Don’t believe the hype

18, fevereiro, 2012 Sem comentários

Marcha Mundial das Mulheres

17, fevereiro, 2012 Sem comentários

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Transgênicos crescem ainda junto à polêmica no País

15, fevereiro, 2012 Sem comentários

JORNAL DO COMÉRCIO, 15/02/2012 | Mayara Bacelar

Estima-se que 40% do milho seja geneticamente modificado

Na semana passada, estudo do Serviço Internacional para a Aquisição de Aplicações Biotecnológicas Agrícolas (ISAAA, na sigla em inglês) apontou que o Brasil vem sendo o vetor mundial no crescimento de áreas cultivadas com sementes transgênicas. Segundo a entidade, o País cresceu 20% em área, com 4,6 milhões de hectares destinados ao plantio de variedades geneticamente modificadas em 2011 [veja comentário a respeito da metodologia de cálculo]. No Rio Grande do Sul, a falta de levantamentos oficiais impossibilita mensurar o volume exato em áreas ou toneladas que sinalizem o avanço do cultivo transgênico em solo gaúcho [o mesmo vale para o país todo]. O que especialistas afirmam, porém, é que o crescimento existe e é rápido, levando facilidade aos agricultores e dúvidas sobre o impacto do plantio na saúde do consumidor e nos ecossistemas envolvidos.

O presidente da Associação dos Produtores e Comerciantes de Sementes e Mudas no Rio Grande do Sul (Apassul), Narciso Barison Neto, afirma que o aumento do uso de sementes transgênicas é uma contingência do mercado. A explicação para o fato é que a tecnologia empregada nas sementes trouxe vantagens no que diz respeito a aspectos econômicos e práticos no campo. “Quando uma tecnologia é interessante, ela avança rapidamente”, alega. “No Brasil, a taxa de utilização de transgênicos já ultrapassa 60% na cultura do milho”, acrescenta o dirigente. Ele destaca que o crescimento mais vertiginoso ocorreu nos últimos três anos.

Buva resistente a glifosato toma conta da área após alguns anos de soja RR da Monsanto

No Estado, Barison Neto calcula que quase a totalidade da soja tenha origem geneticamente modificada, enquanto na cultura do milho, esse patamar gira em torno dos 40%. “No caso do milho, só não é mais porque temos uma boa parte de área cultivada integrando programa do governo Troca-Troca, e como a semente transgênica de milho tem um custo mais alto, nessas regiões o avanço foi menos significativo”, ressalta o presidente da Apassul.

O dirigente aponta que os produtores e comerciantes de sementes não têm preferência por transgênicas em si, mas que atuam de acordo com a aceitação e receptividade dos produtores, que têm preferido variedades modificadas principalmente no caso da soja. Ainda assim, defende que os ganhos para os produtores são diversos e compensadores. De acordo com ele, os grãos gerados através de sementes transgênicas observam menos ataques de fungos e maior resistência aos herbicidas usados para eliminar as ervas daninhas. “Temos dados que apontam para menos utilização de água, diesel, e redução na emissão de CO2 em função disso”, elenca.

O diretor-técnico da Emater-RS, Gervásio Paulus, pondera que as mesmas sementes responsáveis por aumentar a resistência aos herbicidas em cultivos como a soja podem gerar também uma resistência nas plantas que nascem adjacentes a essas lavouras. Segundo o técnico, outros vegetais podem igualmente não responder às doses usuais desses agroquímicos, fazendo com que uma quantidade cada vez maior seja necessária para obter o mesmo resultado. Além disso, Paulus relata preocupação especial com a transgenia no cultivo do milho. Isso porque, através da polinização, exemplares sem modificação genética acabam por receber o pólen de outros cultivares transgênicos. “Isso coloca em risco aquelas culturas que, por alguma razão, o agricultor prefere não plantar transgênicos”, frisa. “E em algumas regiões ainda se preservam as sementes crioulas de milho, e o transgênico acaba comprometendo a preservação dessa variedade”, completa Paulus.

Consequências ao ambiente ainda são incertas, diz pesquisador da CTNBio

O pesquisador Leonardo Mergarejo, representante do Ministério do Desenvolvimento Agrário na Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), afirma que ainda não se pode afirmar com veemência as consequências do plantio de transgênicos. Segundo ele, não existem dados que comparem a área cultivada, mas confirma que o Brasil é o segundo produtor mundial dessas sementes. Mergarejo assinala que as propriedades nutricionais não se alteram quando comparadas sementes transgênicas ou não. De acordo com ele, uma das principais características das plantas oriundas de sementes geneticamente modificadas, é mesmo a capacidade de ser banhada em herbicida sem morrer.

Esse fator faz com que os grãos que vão às mesas dos consumidores possam carregar um nível alto de toxinas, inclusive acima do permitido. “Há dois anos, o governo do Paraná encontrou exemplares com 50 vezes mais de resíduos de herbicidas em relação ao permitido no grão de soja, em vistoria realizada pela Secretaria de Agricultura do Paraná”, observa o pesquisador. Segundo ele, a explicação é a aplicação continuada dos herbicidas, que gera resistência nas plantas dos arredores.

Além disso, Mergarejo explica que a modificação genética torna certas cultivares imunes a determinados tipos de pragas, o que pode influenciar no impacto das pragas na lavoura. “A modificação genética permite a redução da quantidade de inseticida nos primeiros períodos, mas vem se observando, na Índia, por exemplo, que pragas secundárias se tornaram as principais, e já temos indícios disso no Brasil”, alerta o pesquisador.

Mudança no perfil das exportações de suco aos EUA

15, fevereiro, 2012 Sem comentários

Foto: Jornal de Londrina

VALOR ECONÔMICO, 15/02/2012

As restrições que a Administração de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos (FDA, na sigla em inglês) impôs a cargas de suco de laranja importado pelo país reduziram drasticamente as exportações brasileiras da commodity em sua tradicional forma concentrada (FCOJ) para aquele mercado. Em contrapartida, os embarques brasileiros para os EUA do suco integral de laranja pronto para beber (NFC), que tem menor possibilidade de rejeição, quase dobraram, em uma mudança de perfil que deverá durar pelo menos até o fim deste ano.

Alertado sobre a presença de um fungicida proibido nos EUA em suco importado (carbendazim), o FDA começou a parar navios e a testar as cargas de diferentes países no dia 11 de janeiro. Permitido em diversos produtores, inclusive no Brasil, o carbendazim foi banido no mercado americano em 2009. No suco pronto para beber, a presença do fungicida é diluída e seus baixos níveis de presença são aceitos pelos EUA. Já na forma concentrada e congelada, o nível sobe e ultrapassa limites que, desde janeiro, passaram a ser considerados inaceitáveis.

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A publicidade por trás da semente tolerante à seca

14, fevereiro, 2012 Sem comentários

www.radioagencianp.com.br | 14/02/12

“Em todos os países onde a Monsanto conseguiu impor as sementes transgênicas, as sementes convencionais foram rapidamente sumindo do mercado.”

(3’03” / 363 Kb) – No final de dezembro de 2011 o Departamento de Agricultura do governo dos Estados Unidos (EUA) autorizou, pela primeira vez, o plantio comercial de uma variedade de milho da Monsanto geneticamente modificada para suportar condições de seca. Trata-se de uma promessa antiga das empresas de biotecnologia, mas cuja obtenção envolve um processo genético complexo e difícil de ser controlado.

Mas informações obtidas no relatório de avaliação do próprio Departamento de Agricultura que autorizou o novo milho demonstram que ele, na verdade, não funciona. Lá está escrito que a tolerância à seca conferida pelo novo milho transgênico é igual à tolerância já verificada nas variedades de milho produzidas através de técnicas convencionais de melhoramento genético.

Essa nova autorização para a variedade da Monsanto que é tão tolerante à seca quanto às similares convencionais que já existem poderia parecer inócua não fosse um pequeno detalhe: essa empresa detém o quase monopólio do mercado de sementes. Em todos os países onde a Monsanto conseguiu impor as sementes transgênicas, as sementes convencionais foram rapidamente sumindo do mercado, e muitos agricultores acabam adotando as sementes transgênicas simplesmente porque não encontram outras para comprar. Da mesma maneira, com a aprovação do novo milho transgênico tolerante a seca, é muito provável que em pouco tempo as variedades convencionais com a mesma característica, que não são patenteadas e nem implicam no pagamento de royalties, comecem também a desaparecer.

Daí vem a segunda implicação da nova autorização: assim que as sementes convencionais tolerantes à seca sumirem e a adoção da opção transgênica se generalizar, a Monsanto começará a anunciar o “sucesso” de sua tecnologia, o que a ajudará a  rebater a crítica de que, passados quase vinte anos desde que as sementes transgênicas começaram a ser cultivadas, a chamada “engenharia genética” não conseguiu cumprir suas promessas e desenvolver as famosas  plantas mais produtivas, mais nutritivas e, sobretudo, tolerantes aos solos salinos e à seca. Até agora, tudo isso era mero discurso.

Aqui está talvez o principal sentido dessa autorização: funcionando ou não, a nova variedade logo permitirá à Monsanto alardear os supostos benefícios da biotecnologia para a produção de alimentos em tempos de mudanças climáticas.

Flavia Londres é engenheira agrônoma e consultora da AS-PTA Agricultura Familiar e Agroecologia.

Confira aqui o texto na íntegra.

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Apicultores querem controlar cultivo de transgênicos

14, fevereiro, 2012 Sem comentários

Canal Rural, 14/02/2012.

Imagem internacional de que o Brasil é o segundo maior produtor mundial de transgênicos e iminência de contaminação preocupam apicultores, que se reuniram em Brasília para demandar resposta do governo.

Monsanto é culpada por intoxicação de agricultor na França

14, fevereiro, 2012 Sem comentários

AFP, via Portal Terra, 03/02/2012

A justiça francesa declarou nesta segunda-feira o grupo americano Monsanto “responsável” pela intoxicação de um agricultor francês em 2004 com um herbicida, o que abre caminho para o pagamento de uma indenização.

“A Monsanto é responsável pelos danos causados a Paul François após a inalação do produto Lasso”, considerou o Tribunal Superior de Lyon, consultado pela AFP.

Consequentemente, o tribunal “condena a Monsanto a indenizar totalmente Pierre François por seu prejuízo”, informou o veredicto, que será avaliado após uma perícia médica no hospital Rothschild de Paris.

No dia 27 de abril de 2004, Paul François, hoje inválido, recebeu no rosto emanações do herbicida produzido pelo gigante da indústria agroquímica ao abrir o contêiner de um pulverizador.

O agricultor, produtor de cereais, sofreu rapidamente náuseas e outros sintomas (gagueira, vertigem, dores de cabeça, etc) que o obrigaram a interromper suas atividades por quase um ano.

Em maio de 2005, um ano depois de ter inalado o herbicida, análises médicas demonstraram que estavam presentes em seu organismo traços de monoclorobenzeno, um potente solvente que forma parte da composição do Lasso junto com o produto ativo, o anacloro.

Três anos mais tarde, o agricultor, que se tornou um porta-voz das vítimas de pesticidas, fez com que a justiça reconhecesse seus transtornos como doença profissional. Depois disso, abriu um processo contra a Monsanto.

No dia 12 de dezembro de 2011, o advogado do demandante, François Lafforgue, acusou a Monsanto no tribunal de “ter feito todo o possível para manter o Lasso no mercado” quando a periculosidade do produto havia sido demonstrada nos anos 1980, fazendo com que fosse proibido no Canadá, Inglaterra e Bélgica. Na França, o produto não foi retirado do mercado até 2007.

Segundo Lafforgue, a Monsanto também faltou com sua “obrigação de informação”, ao não detalhar a composição do produto na etiqueta e ao não advertir sobre os riscos de inalação, nem sobre a necessidade de utilizar uma máscara ao manipulá-lo.

Já o advogado da Monsanto, Jean-Philippe Delsart, colocou em dúvida a verdade sobre a intoxicação, alegando que os problemas de saúde só apareceram vários meses depois.

ISAAA, acredita quem quer

14, fevereiro, 2012 Sem comentários

Todo início de ano a história se repete. O ISAAA, que é financiado por Monsanto e cia., divulga seus dados sobre o uso global de transgênicos e a imprensa toda sai por aí papagaiando-os. Difícil é achar uma fonte em seus relatórios que indique a origem de seus números. Este ano o destaque foi para o Brasil, segundo maior produtor mundial e que apresentou no último ano crescimento de 20% em relação a 2010.

Wenonah Hauter, diretora da ONG Food and Water Europe, citada em artigo de John Vidal no Guardian (08/02), descreve o passe mágico usado pelo ISAAA multiplicar a áera semeada com transgênicos. Eles criaram a figura do “trait acres” [área cultiva com cada tipo de modificação genética, ou evento], diz Hauter, que é o valor que resulta da multiplicação da área pelo número de transgenes (ou eventos) presentes na semente. Assim, 100 hectares plantados com um milho que leva 3 transgenes [piramidado] são 300 hectares na aritmética do ISAAA.

p.s. Aqui no Brasil já foram autorizadas 10 tipos de transgênicos piramidados que carregam mais de um trait.

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