Arquivo

Arquivo de janeiro, 2013

México: ¡NO AL MAIZ TRANSGENICO! ¡FUERA MONSANTO!

28, janeiro, 2013 Sem comentários

Produtores criticam acordo sobre a soja RR

28, janeiro, 2013 Sem comentários

 

JORNAL DO COMÉRCIO, 25/01/2013

Dirigentes de sindicatos rurais do Estado pedem que acerto com a empresa não seja assinado pelos agricultores

Ana Esteves

O acordo firmado nesta semana entre a Confederação Nacional da Agricultura (CNA) e a Monsanto, que prevê, entre outras coisas, a suspensão da cobrança [de royalties] pelo uso da primeira geração da soja RR1, causou descontentamento entre representantes dos sojicultores no Estado. O argumento é que, ao assinar o contrato individual estabelecido pelo acordo, os produtores passariam a se comprometer com o pagamento de royalties de outra variedade desenvolvida pela multinacional. “Existem dois lados da moeda: o produtor se livraria de pagar os 2% sobre a RR1, cuja patente já está vencida, e automaticamente estaria aceitando pagar sobre a RR2 Intacta Pro”, revelou o presidente da Associação dos Produtores de Soja do Rio Grande do Sul (Aprosoja), Irineu Orth.

A orientação do dirigente é de que os produtores não assinem os contratos, o que evitaria que na safra 2014/2015 sejam obrigados a pagar 7,5% de royalties sobre a nova variedade de soja, ainda desconhecida pelos agricultores gaúchos. “A Monsanto diz que se trata de uma variedade mais produtiva, mas ninguém viu resultados a campo. Tratam-se de sementes estranhas para os gaúchos e que têm recebido restrições comerciais por parte dos chineses, que não liberaram sua compra”, afirmou o vice-presidente do Sindicato Rural de Santiago, Sandro Cardinal. O dirigente também contesta os termos do acordo que preveem a quitação de débitos referentes ao uso das sementes desenvolvidas pela Monsanto. “É mais uma manobra da empresa: eles propõem a quitação para evitar que os produtores mantenham suas ações na Justiça, a qual determina que a Monsanto devolva R$ 15 bilhões para agricultores em todo o Brasil, por cobrança indevida realizada desde 2003”, explicou Cardinal.

Em 2008, vários sindicatos do Interior do Estado – Giruá, Santiago, Sertão Santana e Passo Fundo – entraram com uma ação judicial pedindo que fosse reconhecida a cobrança indevida sobre a RR1. Os produtores ganharam em primeira instância, e a empresa recorreu, prosseguindo agora o processo em segunda instância. Uma liminar de 2012 determinou também que a Monsanto devolvesse o que cobrou dos produtores desde 2003, o que daria o montante de R$ 15 bilhões.

O presidente da Fetag, Elton Weber, afirmou que a grande preocupação dos produtores se refere ao não pagamento de royalties na moega. “Não somos contra o uso de tecnologias, mas não achamos justo que os produtores paguem na compra das sementes e depois tenham que pagar também na comercialização”, apontou Weber. Orth explica que, caso os produtores assinem os contratos, os pagamentos na moega deverão continuar, a partir do momento em que se inicie o cultivo da soja Intacta. “Só que não pagarão 2%, mas sim 7,5%”, explica. Para tentar reverter a decisão conjunta da CNA e Monsanto, representantes de sindicatos rurais e da Fetag, realizarão, na próxima semana, um encontro para debater estratégias. “Nossa primeira medida será alertar os sindicatos para que orientem os produtores a não assinarem os contratos”, disse Cardinal. Segundo ele, o acordo foi fechado sem que os sindicatos rurais fossem consultados.

Futuronomia do alimento

25, janeiro, 2013 Sem comentários

artigo de Vandana Shiva, publicado no Guardian, 09/01/2013.

tradução: Bruno Prado

A crise econômica, a crise ecológica e a crise alimentar são todas reflexo de um paradigma econômico ultrapassado e fossilizado – um paradigma que surgiu da mobilização de recursos para a guerra criando a categoria do ‘crescimento’ e um paradigma que está enraizado na era do petróleo e dos combustíveis fósseis. Ele é fossilizado porque é obsoleto e porque é um produto da era dos combustíveis fósseis. Precisamos ir para além desse paradigma fossilizado se quisermos responder às crises econômica e ecológica atuais.

Vandana Shiva na Cúpula dos Povos em evento organizado pela Articulação Nacional de Agroecologia

Vandana Shiva participa de evento da Articulação Nacional de Agroecologia na Cúpula dos Povos | Rio, junho de 2012

Economia e ecologia têm a mesma raiz, oikos, uma palavra do grego antigo que significa ‘casa’ – tanto nosso lar planetário, a Terra, quanto o lar onde vivemos nossas vidas cotidianas em família e comunidade.

Mas a economia extraviou-se da ecologia, esqueceu o lar e ficou focada no mercado. Um ‘índice de produção’ artificial foi criado para medir o Produto Interno Bruto (PIB). Este índice definiu o trabalho e a produção para autossustentação como ‘não produção’ e ‘não trabalho’, entendendo que, se você produz o que consome, você não produz. Numa derrubada cruel, o trabalho da Natureza como fornecimento de bens e serviços desapareceu. A produção e o trabalho das economias de sustentação desapareceram e, com eles, em particular, o trabalho das mulheres.

À falsa medida de crescimento é adicionada, então, uma falsa medida de ‘produtividade’. A produtividade é o resultado em relação aos fatores de produção unitários. Na agricultura, isso deveria envolver todos os produtos dos agroecossistemas biodiversos – adubos, energia e alimentos provenientes da criação de animais; o combustível, forragens e frutas das agroflorestas; os diversos produtos das diferentes colheitas. Quando medidas honestamente em termos de resultado total, pequenas unidades produtivas biodiversas produzem mais e são mais produtivas.

Os fatores de produção devem incluir todos os insumos – capital, sementes, químicos, maquinário, combustíveis fósseis, mão de obra, terra e água. Mas a falsa medida da produtividade seleciona apenas um resultado entre os diversos resultados: a única mercadoria que será produzida para o mercado; e somente um insumo entre os diversos insumos: a mão de obra.

Dessa forma, as monoculturas industriais com baixos resultados e utilização de um índice elevado de insumos químicos – que, na verdade, têm uma produtividade negativa – são artificialmente tornadas mais produtivas que as pequenas unidades de produção biodiversas e ecológicas. E isso está na raiz da falsa suposição de que as pequenas unidades produtivas devem agora ser substituídas pelas grandes fazendas industriais.

Essa medida de produtividade falsa e fossilizada está na raiz das múltiplas crises que enfrentamos na agricultura e na alimentação. Ela está na raiz da fome e desnutrição porque, enquanto as commodities aumentam, a alimentação e a nutrição desaparecem do sistema agrícola. O ‘rendimento agrícola’ mede o resultado de uma única mercadoria, não a produção dos alimentos e da nutrição.

E essa medida de produtividade também está na raiz da crise agrária. Quando os custos dos insumos continuam aumentando, mas não são contados na medição da produtividade, pequenos agricultores à margem são levados a um modelo agrícola de alto custo que resulta em dívidas e, em casos extremos, na epidemia de suicídios de agricultores que temos testemunhado.

Também está na raiz da crise do desemprego. Quando as pessoas são substituídas por escravos de energiai devido à falsa medida da produtividade baseada somente na mão de obra disponível, a destruição de modos de vida e trabalho é resultado inevitável.

Também está na raiz da crise ecológica. Quando se aumentam insumos como os recursos naturais, combustíveis fósseis e insumos químicos, mas estes não entram na contabilidade, mais água e terra são desperdiçados, mais químicos tóxicos são utilizados, mais combustíveis fósseis tornam-se necessários. Em termos de produtividade dos recursos, a agricultura industrial é altamente ineficiente. Ela usa 10 unidades de energia para produzir apenas uma unidade de alimento. Ela é responsável por 75% do uso da água, 75% do desaparecimento da diversidade de espécies, 75% da degradação do solo e da terra e 40% das emissões de gás de efeito estufa que estão desestabilizando o clima. E, de acordo com um relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) recentemente lançado, eventos extremos devidos a um clima instável causam um custo anual de, em média, 80 bilhões de dólares.

Precisamos abandonar esses indicadores falsos e fossilizados para utilizarmos indicadores reais que refletem a saúde verdadeira da Natureza e o bem-estar real da economia.

Na alimentação e na agricultura, devemos transcender a falsa produtividade de um paradigma fossilizado e abandonar o foco limitado sobre a produtividade da monocultura como único resultado e do trabalho humano como único insumo. Ao invés de destruir os pequenos agricultores e suas unidades produtivas, nós, do movimento Navdanya na Índia, estamos trabalhando para protegê-los porque são mais produtivos em termos reais. Ao invés de destruir a biodiversidade, estamos trabalhando para intensificá-la, pois ela fornece mais alimento e melhor nutrição.

A futuronomia, a economia do futuro, é baseada nas pessoas e na biodiversidade, não nos combustíveis fósseis, nos escravos da energia, nos químicos tóxicos e nas monoculturas. O paradigma fossilizado da alimentação e da agricultura nos traz deslocamento, privação, doença e destruição ecológica. Ele nos deu os suicídios dos agricultores e uma epidemia de fome e desnutrição. Um paradigma que roubou as vidas de 250.000 agricultores e milhões de modos de vida na Índia é evidentemente disfuncional. Ele leva ao crescimento do fluxo monetário e dos lucros das corporações, mas ele diminui a vida e o bem-estar de nossos povos. O novo paradigma que estamos criando nas bases e nas nossas mentes enriquece os modos de vida, a saúde das pessoas e todos os ecossistemas e culturas.

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MT não aceita acordo proposto pela Monsanto

25, janeiro, 2013 Sem comentários

Ascom Famato e Aprosoja, 23/01/2013.

Lideranças decidiram por continuar com Ação Coletiva e produtores terão o direito de realizar depósito em juízo de valores relativos a royalties da RR

Em Assembleia Geral realizada nesta terça-feira (22.01), as entidades Famato, Sindicatos Rurais e Aprosoja, com a presença expressiva de produtores rurais de todas as regiões do estado, decidiram, por unanimidade, não aceitar o acordo proposto pela empresa Monsanto referente à cobrança dos royalties da soja Roundup Ready (RR1) da soja.

Os esforços empreendidos pelas entidades buscam resguardar os direitos dos produtores rurais de Mato Grosso e o respeito à legislação. “Como cidadãos somos sempre cobrados para cumprir as leis. Só queremos que a empresa multinacional Monsanto cumpra o que prevê a lei brasileira”, afirma o presidente da Famato, Rui Prado.

Também nesta terça-feira, a 4ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Mato Grosso atendeu a um pedido da Famato e Sindicatos Rurais contra a Monsanto. Esta decisão garante o direito ao produtor mato-grossense de, caso haja o retorno da cobrança pela empresa, depositar em juízo os valores relativos ao pagamento de royalties pela tecnologia Roundup Ready (RR1) da soja, até o julgamento final da Ação Coletiva.

Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso – Famato

Sindicatos Rurais

Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso – Aprosoja

Europa congela liberações de transgênicos até 2014

23, janeiro, 2013 Sem comentários

Na Europa, sede de empresas como Bayer, Basf e Syngenta, liberação de transgênicos vai para a geladeira.

AFP, 22/01/2013

A Comissão Europeia decidiu congelar os processos de aprovação de transgênicos até o final de seu mandato em 2014 enquanto busca acordo entre os estados membros da União Europeia.

“Se quisesse, a Comissão poderia deslanchar procedimentos de autorização da produção de uma soja e de seis variedades de milho GM… mas não fará isso”, disse Frederic Vincent, porta-voz do comissário para saúde Tonio Borg. “As autorizações para cultivo estão congelas”, completou.

A prioridade de Borg, que acabou de assumir sua função, é rebrir discussões com os estados membros.

As aprovações de cultivos transgênicos pela Comissão envenenou as relações com uma série de países dos 27 integrantes da União Europeia. Oito países — Áustria, Bulgária, França, Alemanha, Grécia,Hungria, Luxemburgo e Polônia — adotaram medidas que os permitem bloquear o cultivo de transgênicos em seus territórios.

Em 14 anos, a UE aprovou o cultivo de apenas dois tipos de transgênicos, a batata Amflora (Basf) e o milho MON810 (Monsanto).

A Amflora foi um fiasco comercial, e a renovação da autorização do MON810 está pendente desde 2007 e entra no “gelo” imposto agora pela Comissão.

No entanto, o  MON810 pode continuar a ser cultivado em estados que o permitem, até que a Comissão tome uma decisão.

Cerca de 50 produtos transgênicos para ração animal são permitidos no bloco. [tradução livre: pratoslimpos]

Em tempo: após grande repercussão gerada pela declaração acima, uma nota de desmentido foi publicada no site Europolitics informando que a Comissão Europeia desfaz qualquer sugestão de congelamento do processo de aprovação do cultivo de sementes transgênicas. “A Comissão atualmente ocupa-se de avaliar os arquivos das autorizações para cultivo”, informou à Europolitics o porta voz para políticas de saúde e consumidores Frédéric Vincent, no dia 23. Ele confirmou que “a Comissão ainda não decidiu se irá o não deslanchar os procedimentos de autorização” que aguardam avaliação [seis variedades de milho e uma de soja]. Isso não significa, no entanto, segundo Vincent, que as aprovações foram congeladas até 2014. Nem o contrário…

 

Venda de milho transgênico da Dow nos EUA é adiada pelo menos até 2014

22, janeiro, 2013 Sem comentários

Versões semelhantes de milho e soja resistentes ao 2,4-D estão na pauta de votação da CTNBio. Esse herbicida é classificado como “Extremamente tóxico” e, assim como nos demais casos, seus uso dispararia com a aprovação da semente transgênica para uso casado. Espera-se que com decisão dos EUA o pedido aqui também vá para a geladeira.

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Agência Estado, 01/01/2013 | via G1

Uma nova semente de milho transgênica da Dow Chemical não estará disponível para agricultores dos Estados Unidos pelo menos até a temporada de plantio de 2014, informou na sexta, dia 18, a empresa, que aguarda aprovação regulatória para o produto. A Dow AgroSciences, subsidiária da Dow Chemical, disse no final do ano passado que esperava comercializar a semente na temporada de plantio de 2013, depois que ela fosse aprovada pelo Departamento de Agricultura e Proteção Ambiental dos EUA.

A semente, chamada de Enlist, é geneticamente modificada para suportar a aplicação do herbicida 2,4-D. A tecnologia é uma resposta do setor ao surgimento de ervas daninhas resistentes ao glifosato, um herbicida amplamente usado em conjunto com sementes transgênicas de milho e soja da Monsanto. Críticos argumentam que a nova semente da Dow, junto com uma semente que está sendo desenvolvida pela Monsanto e que é resistente ao herbicida dicamba, levará a um aumento do uso de herbicidas, elevando o risco para o meio ambiente e para fazendas adjacentes. Eles defendem também que as ervas daninhas acabarão se tornando resistentes a esses novos produtos.

Um grupo de agricultores deixou de fazer oposição à semente Enlist em setembro passado, depois que a Dow se comprometeu a rastrear as aplicações de herbicidas pelos produtores e investigar alegações de que o produto se espalhou para plantações vizinhas. Ao mesmo tempo, a Dow está desenvolvendo a semente Enlist de soja, que planeja vender a agricultores em 2015.

As informações são da Dow Jones.

UE suspeita de inseticidas por “sumiço” de abelhas

21, janeiro, 2013 1 comentário

As autoridades europeias informaram que três inseticidas há muito suspeitos de contribuir para a queda acentuada das populações de abelhas representam risco para os insetos, e defenderam que esses produtos químicos sejam submetidos a um exame mais detalhado.

Trata-se dos neonicotinoides clotianidina e imidacloprida, da Bayer, e do tiametoxam, da Syngenta. Exatamente os mesmos que aqui no Brasil o Ibama tentou restringir e depois acabou engolindo sua permissão para pulverização aérea formalizada em conjunto com o Ministério da Agricultura.

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The Wall Street Journal | Valor Econômico, 18/01/2013.

França, Alemanha, Itália e outros países europeus já proibiram ou suspenderam o uso de determinados inseticidas, conhecidos como neonicotinoides, que, segundo argumentam muitos agricultores e cientistas, são a causa principal da queda das populações de abelhas comuns. A indústria de pesticidas e outros cientistas dizem que as doenças e as mudanças ambientais é quem são os responsáveis.

A avaliação de risco, publicada anteontem, afirmava que três neonicotinoides – a clotianidina e o imidaclopride, fabricados principalmente pela Bayer, e o tiametoxam, produzido pela Syngenta – representam riscos para as abelhas por meio da presença de resíduos de terra e pesticida contaminados no néctar e no pólen. O órgão europeu vê “alto e grave risco” para as abelhas na forma pela qual os três inseticidas são aplicados a cereais, algodão, canola, milho e girassol.

Sua análise “propôs uma avaliação de risco muito mais abrangente para o caso das abelhas e introduziu, além disso, um nível mais alto de atenção na interpretação dos estudos de campo”, disse a EFSA. Mas a agência observou que não há dados para concluir que os inseticidas contribuem para o colapso das colônias de abelhas.

A Comissão Europeia, o braço executivo da União Europeia (UE), solicitará novas informações das fabricantes dos produtos químicos, disse um porta-voz da comissão. A UE está preparada para tomar “as medidas necessárias” se novos estudos revelarem a existência de ameaça definitiva imposta pelos produtos químicos às populações de abelhas, acrescentou.

Um alto executivo da Syngenta criticou o estudo. “Fica evidente para nós que a EFSA sofreu pressão política para produzir uma avaliação de risco apressada e imprópria, que ela mesma reconhece conter alto nível de incerteza”, disse John Atkin, diretor operacional da Syngenta. “Este relatório não é digno da EFSA e seus cientistas”.

A EFSA não respondeu a uma solicitação por seus comentários.

A Bayer diz que sustenta os dados anteriores apresentados aos órgãos reguladores, que demonstravam que os produtos químicos não causam danos às abelhas se usados da maneira pela qual foram aprovados na Europa. “Consideramos que os novos relatórios da EFSA não alteram a qualidade e a validade dessas avaliações de risco e os estudos subjacentes”, disse a companhia química alemã.

O Departamento de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA), que regulamenta o uso de pesticida, diz desconhecer dados que demonstrem que os neonicotinoides tenham contribuído para o colapso das colônias de abelhas. Pesquisadores do Departamento de Agricultura americano examinam a questão, mas dizem não ter encontrado prova que relacione pesticidas às mortes de abelhas.

A EPA rejeitou solicitações emergenciais de ambientalistas de que uma série de neonicotinoides seja retirada do mercado. Mas, em resposta à pressão pública, acelerou a análise periódica de segurança de produtos químicos para verificar a necessidade da adoção de restrições adicionais a seu uso.

Os grupos ambientais dizem que a EPA está se movimentando com excessiva lentidão e cogitam mover uma ação judicial para obrigar o órgão a agir. “A EPA tem um enorme problema de conformidade”, disse Jay Feldman, diretor-executivo do grupo antipesticidas Beyond Pesticides. A EPA não comentou de imediato o assunto.

Nos EUA os neonicotinoides substituíram pesticidas considerados mais perigosos, gradualmente retirados do mercado americano.

Encontro dos rios

19, janeiro, 2013 Sem comentários
"Amazonas é o Negro, Solimões vem lhe encontrar".  Manaus, AM

“Amazonas é o Negro, Solimões vem lhe encontrar”. Manaus, AM

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Salmão transgênico

18, janeiro, 2013 3 comentários
salmaoGM

“Está vivo, mestre. Mas é seguro para as pessoas comerem?” — “Vamos vender, saberemos em 5 ou 10 anos”

Às vésperas do Natal, a americana Food and Drug Administration (FDA) anunciou ter concluído que o salmão transgênico não apresenta impacto significativo ao meio ambiente. Para o órgão, o peixe modificado é tão seguro quanto o salmão convencional do Atlântico. O fato torna a nova espécie virtualmente liberada para comercialização.

O peixe, chamado de AquAdvantage, foi desenvolvido pela empresa AquaBounty, que produz os ovos na sua unidade em Prince Edward Island, Canadá, e depois os envia para engorda no Panamá. O FDA informou ainda que não avaliou os potenciais impactos ambientais do salmão transgênico nem no Panamá nem no Canadá, apenas nos Estados Unidos.

O AquAdvantage recebeu genes de hormônio de crescimento do salmão ligado a genes promotores de uma espécie de enguia (Zoarces americanus, ou ocean pout, em inglês). Os promotores fazem com que o hormônio seja produzido durante todo o ano e não apenas nas épocas quentes. Dessa forma, o peixe chega ao mercado em um ano e meio enquanto o salmão comum leva três anos para atingir peso de abate.

Michael Hansen, pesquisador senior da Consumers Union chamou atenção para a precariedade da análise conduzida pelo FDA. Apenas 6 peixes foram usados em testes de alergenicidade, e mesmo assim os resultados mostraram que há potencial de aumento de reação alérgica. Vale a pena?

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Algumas matérias sobre o tema que saíram na imprensa internacional:

– Engineered Fish Moves a Step Closer to Approval, New York Times, 21 December 2012

– Transgenic fish wins US regulatory backing, Nature, 22 December 2012

– FDA Misses the Boat in Signaling Approval of Genetically-Engineered Salmon, George Leonard, National Geographic, 22 December 2012

– More Worries Over Fast-Growing, Genetically Modified Salmon, Martha Rosenberg – Food Consumer, 23 December 2012

– Super-salmon that are genetically modified to grow twice as fast a step closer to our dining table, Richard Alleyne – The Telegraph, 24 December 2012

– Modified-Salmon Fight Showcases Risks, Rewards of Engineering Wild Species, Paul Voosen – New York Times, 7 October 2010

e + http://ge-fish.org/, página do Center for Food Safety dedicada ao tema.

Os rumos da “Reforma Agrária”, artigo de Gerson Teixeira

17, janeiro, 2013 Sem comentários

 

O jornal Folha de São Paulo publicou hoje artigo do presidente da Associação Brasileira de Reforma Agrária (ABRA) mostrando que o desmanche das políticas de reforma agrária no país pode se intensificar ainda mais caso o governo leve adiante proposta da CNA para o tema. Logo a CNA da senadora Katia Abreu, que apregoa que o agronegócio não precisa de mais terras para seguir produzindo mais e mais.

Teixeira alerta para a “expectativa de apropriação, pelo agronegócio, de milhões de hectares dos assentados [incluindo] a regularização “de ofício” dos imóveis localizados às margens das rodovias federais na Amazônia (…) e a facilitação da ratificação dos títulos das propriedades nas faixas de fronteiras indevidamente emitidos pelos Estados”. Pior, informa o presidente da Abra que o pacote da CNA parece já ter sido abraçado pelo governo Dilma.

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Estudo encontra genes de resistência a antibióticos em rios na China

16, janeiro, 2013 Sem comentários

Em 2007, a equipe de Emma Rosi-Marshall (dir.) publicou estudo semelhante no PNAS indicando que as larvas de um inseto da ordem trichoptera que vive nos ecossistemas aquáticos do norte de Indiana são afetadas pelo Bt produzido pelas plantas transgênicas.

 

O estudo chinês publicado em dezembro mostra que genes de resistência a antibióticos usados no desenvolvimento de plantas transgênicas escapam para ambientes naturais e se incorporam em bactérias nativas que vivem em ambientes aquáticos. Em todos os rios analisados foram encontrados organismos contendo o DNA modificado. A origem do material não foi determinada, se de plantios comerciais, laboratórios ou casas de vegetação. De qualquer forma, o método empregado assegura que os genes encontrados nas populações de bactérias nativas não provêm de outras fontes como mutação ou seleção natural.

A disseminação de genes marcadores de resistência a antibióticos em bactérias de vida livre tem implicações médicas negativas para o tratamento de infecções.

Para o microbiologista da Universidade de Berkeley, Ignacio Chapela, o resultado principal do estudo é mostrar que esta é apenas uma fração das muitas outras sequências de DNA transgênico que se espera encontrar no ambiente, vindo de diferentes fontes e apresentando as mais diferentes funções. Ou seja, é a ponta do iceberg.

Environ Sci Technol. 2012 Dec 18;46(24):13448-54. doi: 10.1021/es302760s. Epub 2012 Dec 6.
A Survey of Drug Resistance bla Genes Originating from Synthetic Plasmid Vectors in Six Chinese Rivers.

Source

College of Life Sciences, Sichuan University , Chengdu, Sichuan Province 610064, People’s Republic of China.

Abstract

Antibiotic resistance poses a significant challenge to human health and its rate continues to rise globally. While antibiotic-selectable synthetic plasmid vectors have proved invaluable tools of genetic engineering, this class of artificial recombinant DNA sequences with high expression of antibiotic resistance genes presents an unknown risk beyond the laboratory setting. Contamination of environmental microbes with synthetic plasmid vector-sourced antibiotic resistance genes may represent a yet unrecognized source of antibiotic resistance. In this study, PCR and real-time quantitative PCR were used to investigate the synthetic plasmid vector-originated ampicillin resistance gene, β-lactam antibiotic (blá), in microbes from six Chinese rivers with significant human interactions. Various levels of blá were detected in all six rivers, with the highest levels in the Pearl and Haihe rivers. To validate the blá pollution, environmental plasmids in the river samples were captured by the E. coli transformants from the community plasmid metagenome. The resultant plasmid library of 205 ampicillin-resistant E. coli (transformants) showed a blá-positive rate of 27.3% by PCR. Sequencing results confirmed the synthetic plasmid vector sources. In addition, results of the Kirby-Bauer disc-diffusion test reinforced the ampicillin-resistant functions of the environmental plasmids. The resistance spectrum of transformants from the Pearl and Haihe rivers, in particular, had expanded to the third- and fourth-generation of cephalosporin drugs, while that of other transformants mainly involved first- and second-generation cephalosporins. This study not only reveals environmental contamination of synthetic plasmid vector-sourced blá drug resistance genes in Chinese rivers, but also suggests that synthetic plasmid vectors may represent a source of antibiotic resistance in humans.

PMID: 23215020
[PubMed – in process]

 

Exportações do agronegócio aumentam 400% em 10 anos

15, janeiro, 2013 Sem comentários

The Washington Post, 16 de dezembro de 2012

O boom da agricultura brasileira

O total das exportações de produtos agropecuários do Brasil cresceu 400% entre 2001 and 2011. O país é líder mundial na expotação de açúcar, café, suco de laranja, soja e frango [o que para muitos significa uma reprimarização da economia brasileira, cada vez mais especializada e dependente da exportação de produtos de baixo valor agregado, sejam eles da agropecuária ou da mineração. O gráfico mostra União Europeia e China como os grandes compradores de produtos brasileiros, mas por mais quanto tempo essa demanda se manterá?].

O gráfico ilustra a reportagem “In Brazil, a landholder who speaks for agribusiness”, sobre a senadora ruralista Kátia Abreu (PSD/TO, ex-DEM, ex-PFL), que pode ser lido em português na página da CNA. A matéria trata dos esforços que a senadora vem promovendo para tentar desvicular a imagem de seu setor do atraso e da truculência, passando também pelas posições pra lá de retrógradas assumidas em temas como desmatamento, código florestal e trabalho escravo.

 

Fontes: Agriculture and Livestock Confederation of Brazil (CNA); SECEX (Secretariat of Foreign Trade, Brazil); Global Trade Information Services, (GTIS); USDA Foreign Agricultural Service.

Governo flexibiliza pulverização aérea de agrotóxicos

14, janeiro, 2013 Sem comentários

Importante observar o recuo do Ibama, que, em julho de 2012, propusera medidas de restrição de uso desses mesmos produtos bem como sua reavaliação toxicológica em função de seus impactos sobre as abelhas.

Governo federal altera regras para pulverização aérea nas lavouras

MAPA, 04/01/2013

As aplicações aéreas de produtos agrotóxicos que contem Imidacloprido, Tiametoxam, Clotianidina e Fipronil para as culturas de algodão e de soja serão flexibilizadas de acordo com o ciclo de cada região do país. A partir de agora, a aplicação será permitida apenas para algumas culturas, cujo uso da aviação agrícola é essencial, preservando o máximo possível o período de visitação das abelhas. Antes, existia um prazo fixo para todos os estados.

Em 3 de outubro deste ano, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) autorizaram e regulamentaram a aplicação do uso desses quatro produtos de forma excepcional e temporária para as culturas de arroz, cana-de-açúcar, soja e trigo, até 30 de junho de 2013.

A regulamentação foi publicada nesta sexta-feira, dia 4 de janeiro, no Diário a Oficial da União (DOU) em Ato conjunto da Secretaria de Defesa Agropecuária (SDA/Mapa) e o Ibama.

De acordo com o coordenador-geral de Agrotóxicos e Afins do Mapa, Luís Rangel, a utilização dos aviões é fundamental para o processo de produção dessas culturas. “Identificamos que o período crítico de controle de percevejos na soja é logo após a floração, quando ocorre a formação e o enchimento dos grãos. Criamos regras de aplicação segura que contam com a restrição no momento de visitação das abelhas, mas permitem o controle dos percevejos, no caso da soja. Construímos junto com o Ibama as exceções e consideramos as necessidades do agricultor. O Mapa apóia fortemente a medida que visa proteger o Meio Ambiente e os polinizadores”, explicou.

Condições

A aplicação aérea para controle de pragas agrícolas desses produtos deve seguir uma série de condições. Antes da aplicação, os produtores rurais deverão notificar os apicultores localizados em um raio de 6 km com antecedência mínima de 48h.

A cultura do algodão foi incluída na exceção aprovada pelo governo, somando-se às culturas da soja, cana-de-açúcar, trigo e arroz para o uso desses produtos por meio da aviação agrícola. Essas empresas ficam responsáveis por comunicar o Mapa, mensalmente, sobre a aplicação dos produtos. A fiscalização dessa modalidade de uso será intensificada no período de validade da restrição do Ibama.

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Cabo da Boa Esperança

12, janeiro, 2013 Sem comentários

Cabo da Boa Esperança, Cidade do Cabo, África do Sul

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Roundup afeta bactérias intestinais benéficas

11, janeiro, 2013 1 comentário

in vitro

por AS-PTA, Via GMWatch

Pesquisadores da Universidade de Leipzig publicaram estudo mostrando que o herbicida Roundup impacta negativamente bactérias gastrointestinais de aves. Os testes, realizados in vitro, revelaram ainda que enquanto bactérias altamente patogênicas como as que causam salmonela e botulismo resistiram ao Roundup, aquelas benéficas foram de moderada a altamente suscetíveis ao produto.

O estudo fornece bases científicas para os relatos de aumento de doenças gastrointestinais em animais alimentados com soja Roundup Ready, que é tolerante ao herbicida Roundup, cujo ingrediente ativo é o glifosato. No Brasil, quando liberado o sistema soja RR-herbicida Roundup, o governo multiplicou por 50 o limite de resíduo de glifosato permitido nos grãos modificados.

Abstract

Shehata, A. A., W. Schrodl, et al. (2012). The effect of glyphosate on potential pathogens and beneficial members of poultry microbiota in vitro. Curr Microbiol. Publ online 9 December.

http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/23224412

 

Abstract: The use of glyphosate modifies the environment which stresses the living microorganisms. The aim of the present study was to determine the real impact of glyphosate on potential pathogens and beneficial members of poultry microbiota in vitro. The presented results evidence that the highly pathogenic bacteria as Salmonella Entritidis, Salmonella Gallinarum, Salmonella Typhimurium, Clostridium perfringens and Clostridium botulinum are highly resistant to glyphosate. However, most of beneficial bacteria as Enterococcus faecalis, Enterococcus faecium, Bacillus badius, Bifidobacterium adolescentis and Lactobacillus spp. were found to be moderate to highly susceptible. Also Campylobacter spp. were found to be susceptible to glyphosate. A reduction of beneficial bacteria in the gastrointestinal tract microbiota by ingestion of glyphosate could disturb the normal gut bacterial community. Also, the toxicity of glyphosate to the most prevalent Enterococcus spp. could be a significant predisposing factor that is associated with the increase in C. botulinum-mediated diseases by suppressing the antagonistic effect of these bacteria on clostridia.

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