Arquivo

Arquivo de maio, 2014

Lançamento do filme “O veneno está na mesa 2”

27, maio, 2014 Sem comentários

Cartaz-Semana-do-Meio-Ambiente-2014

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Brasil é o ÚNICO país do mundo a liberar mosquitos da dengue transgênicos

26, maio, 2014 Sem comentários

Brasil é o ÚNICO país do mundo a liberar mosquitos da dengue transgênicos

A população de Juazeiro e Jacobina – BA foi usada como cobaia

Testes não comprovaram redução da doença

Em 2011 foi instalada em Juazeiro uma “biofábrica” de insetos geneticamente modificados com apoio do Ministério da Agricultura e do governo baiano. Milhões de mosquitos transgênicos foram liberados em bairros de Juazeiro e Jacobina sem que sem que a população tenha sido devidamente consultada.

O Aedes aegypti geneticamente modificado é produzido pela empresa inglesa Oxitec em parceria com a empresa Moscamed e a Universidade de São Paulo. Em abril de 2014 esses mosquitos foram liberados para uso comercial apesar de não ter sido realizada uma avaliação de risco e de não haver dados conclusivos dos estudos de campo.

Curiosamente, em Jacobina, onde milhões de mosquitos transgênicos vem sendo liberados desde 2011, foi decretado em ferreiro de 2014 estado de emergência em função da ocorrência de uma epidemia de dengue.

Experiências anteriores nas Ilhas Cayman mostraram que a tecnologia não funciona e precisa de mais de 7 milhões de mosquitos por semana para suprimir inicialmente uma população de apenas 20.000 mosquitos nativos, que deve ser seguida por liberações semanais de 2,8 milhões de mosquitos.

A liberação desses mosquitos apresenta riscos ainda pouco entendidos:

– Os experimentos da Oxitec não incluíram o monitoramento do impacto sobre a doença e a empresa não considerou possíveis efeitos negativos sobre a incidência de dengue ou dengue hemorrágica.

– O maior risco ecológico é que a redução da população de A. aegypti dê lugar a outra espécie de mosquito também vetor de doenças, inclusive da dengue (A. albopictus).

Os testes foram feitos em uma região de Caatinga e vão ser liberados em todos os ecossistemas do Brasil de sul a norte.

– Não há testes toxicológicos que comprovem não haver riscos no caso de picadas de fêmeas do mosquito modificado em animais ou humanos.

– A técnica que limita a reprodução do mosquito modificado pode ser quebrada no caso de contato com o antibiótico tetraciclina no ambiente. Os descendentes do mosquito da Oxitec têm taxa de sobrevivência de 3%, mas esse valor subiu para 18% quando foram alimentados com ração de gato contento frango tratado com o antibiótico. A tetraciclina é usada para a produção dos mosquitos GM em laboratório.

As consequências para a saúde e para o meio ambiente ainda são pouco conhecidas e precisam ser melhor estudadas.

NÃO CORRA RISCOS. Mosquitos transgênicos podem gerar problemas de saúde ainda não identificados. Discuta sobre esse assunto na escola, na associação, na igreja ou com os amigos na praça. Cobre dos gestores públicos da saúde em seu município uma solução que não gere problemas futuros para você e sua família.

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Audiência Pública Agrotóxicos – PL 154/2014

23, maio, 2014 Sem comentários

CONVITEAUDIENCIAAGRO

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II Mostra da Agrobiodiversidade de Tenente Portela – RS

23, maio, 2014 Sem comentários

mostra tenente portela

XI Festa Regional das Sementes

23, maio, 2014 Sem comentários

XI festa das sementes

O fracasso do milho transgênico

21, maio, 2014 Sem comentários

Milho transgênico em xeque em Mato Grosso

Valor Econômico, 19/05/2014 (Via IHU-Unisinos).

“Paguei pela tecnologia transgênica, gastei a mais para combater lagartas e ainda acho que vou ter uma quebra de 10% a 15% de produtividade”, prevê.

Ferri não está sozinho. Boa parte dos produtores de milho de Mato Grosso enfrenta problemas na safrinha atual com o ataque de lagartas ao milho Bt, variedade que recebe por meio de engenharia genética uma toxina da bactéria Bacillus thuringiensis com ação inseticida. Ocorre que a praga passou a ter resistência ao transgênico, e não o contrário, como a tecnologia propunha.

O Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) estima que as aplicações extras de inseticidas farão os produtores locais gastarem mais R$ 228,8 milhões nesta safrinha, que está em fase de desenvolvimento.

A entidade concluiu que a média está em quatro aplicações – o “normal” seria até duas, mesmo porque há outras pragas na lavoura – e que esse gasto representa 4% do custo total de produção do milho de alta tecnologia, hoje em torno de R$ 1,8 mil por hectare.

No cálculo, o Imea leva em conta toda a área plantada de Mato Grosso, mas como 88% das lavouras do grão no Estado utilizam o Bt, fica claro que há um impacto significativo da resistência das lagartas nesse custo adicional.

Nery Ribas, gerente técnico da Aprosoja/MT, afirma que a lagarta do cartucho é a maior vilã do Bt no momento. “Nossa preocupação é tão grande quanto foi com a helicoverpa na soja”.

A resistência da praga já era esperada, acrescenta Ribas, mas os produtores acreditavam que ela demoraria mais para aparecer. A tensão se acirrou este ano, embora o problema exista há pelo menos dois ciclos, afirma.

A primeira variedade comercial de milho Bt foi lançada no Brasil pela Monsanto, em 2007, uma década depois dos EUA. Nos anos seguintes, outras gigantes do segmento, como Syngenta, DuPont e Dow AgroSciences , trilharam esse caminho e 16 cultivares de milho resistente a insetos já estão aprovadas no país.

Entre as boas práticas da tecnologia, consta a necessidade de plantio de milho convencional em pelo menos 10% da área que receberá o Bt, para evitar a rápida seleção de insetos resistentes.

Mas, para Fernando Valicente, pesquisador da Embrapa Milho e Sorgo, a falta dessa “área de refúgio”, ou a destinação de uma área muito pequena (considerando que o Brasil é um país tropical e que há regiões onde há três cultivos por ano), são agravantes. “Já há relatos parecidos em Minas Gerais, no Paraná e na Bahia”, diz.

A pedido do Ministério da Agricultura, a Embrapa está trabalhando em uma política pública de manejo de resistência de lagartas ao milho Bt. O documento deverá ser encaminhado ao ministério nos próximos dias.

Ribas, da Aprosoja/MT, afirma que os produtores estão atentos ao refúgio, mas muitos tiveram dificuldades em obter sementes não-transgênicas. Foi o caso de Ferri, que não conseguiu o material convencional e plantou toda a lavoura com Bt – um dos possíveis gatilhos para a resistência.

Para o próximo ciclo, o produtor cogita semear toda a área sem transgenia. “Posso gastar mais com defensivos, mas a semente é mais em conta e não terei de pagar R$ 80 a R$ 100 por hectare em royalties [às empresas detentoras da tecnologia]”.

Em nota, a DuPont, por meio de sua divisão de sementes Pioneer, confirmou que um monitoramento no Brasil apontou o desenvolvimento de resistência da lagarta do cartucho à proteína Cry1F, usada no milho Bt da companhia. A empresa afirma estar trabalhando junto aos produtores “em práticas de manejo eficazes para estender a durabilidade da tecnologia”, processo que envolve “o monitoramento, a aplicação de inseticidas e o manejo efetivo durante a safra”.

Também em nota, a Dow AgroSciences defendeu a adoção do manejo integrado de pragas e disse que “condições climáticas adversas, fertilidade do solo e práticas de adubação de plantio e cobertura nitrogenada podem contribuir para a redução da eficácia das tecnologias de controle de pragas”.

A Syngenta ressaltou a importância de “estratégias abrangentes” de manejo, como “área de refúgio, rotação de culturas e tecnologias de proteção de cultivo”. A Monsanto preferiu não se pronunciar.

 

Agricultores da PB usam sementes crioulas de variedades tradicionais que resistem à seca

21, maio, 2014 Sem comentários

Agricultores e movimentos sociais fazem protestos pela Agroecologia

21, maio, 2014 Sem comentários

G1, 19/05/2014

Os atos aconteceram na Ponte Presidente Dutra, Embrapa e Monsanto.

Protesto quer ampliação da Política de Agroecologia e outras questões.

Um protesto foi realizado nesta segunda-feira (19) na Ponte Presidente Dutra, entre as cidades de Petrolina, Sertão de Pernambuco e Juazeiro, na Bahia. Mais de 2 mil pessoas, membros de movimentos sociais, agricultores, índios, pesquisadores e representantes da sociedade civil que participam do III Encontro Nacional de Agroecologia (ENA), que acontece desde sexta-feira (16) na região, foram ao local em caminhada para chamar atenção do governo para questões relacionadas à temática.

Entre as principais reivindicações da passeata, destaque para o direito ao acesso à água, a biodiversidade, o direito das mulheres e a questão da conservação dos territórios das comunidades indígenas, das populações quilombolas e ribeirinhas. No Vale do São Francisco, os pontos de discussão são os perímetros irrigados, o acesso à terra, o uso intenso de agrotóxicos e a exportação da água.

De acordo com um dos representantes da Articulação Nacional de Agroecologia, Antônio Barbosa, a intenção é celebrar a agroecologia e propor a ampliação da política nacional de agroecologia. “Queremos denunciar a forma que o modelo tem sido adotado do agronegócio, dos grandes projetos e isso tem trazido a morte das pessoas”, revela.

Foram feitos protestos na Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), no Centro de Convenções Senador Nilo Coelho em Petrolina, com a entrega de um documento, visando rever o modo que tem sido tratada a pesquisa. O intuito é que as comunidades possam participar dos métodos e sejam beneficiadas com os resultados.

Manifestantes fizeram também um ato na empresa multinacional Monsanto que é produtora de sementes geneticamente modificadas, os transgênicos. Na porta da indústria, foram colocadas várias cruzes representando a quantidade de pessoas que têm morrido com o uso dos agroquímicos.

Ainda nesta segunda-feira, um documento com todas as reinvindicações também será entregue ao Ministro Gilberto Carvalho, da Secretaria Geral da Presidência da República que estará presente em uma plenária do III Encontro Nacional de Agroecologia, no auditório da Universidade Federal do Vale do São Francisco (UNIVASF), campus Juazeiro, na Bahia.

Fotos: Juliane Peixinho/ G1

 

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Ato público denuncia riscos do mosquito transgênico para combater a dengue em Juazeiro (BA)

20, maio, 2014 Sem comentários

III ENA, 19/05/2014

Por Áurea Olímpia, da AS-PTA

A cidade de Juazeiro se tornou um laboratório de produção de mosquitos transgênicos da dengue, mas população desconhece o fato | Foto: Francisco Valdean

Um ato público realizado na manhã desta segunda-feira (19), no Mercado do Produtor, em Juazeiro-BA, denunciou o uso de um mosquito Aedes aegypti geneticamente modificado, ou transgênico, que está sendo testado no município com o pretexto de combater a dengue. Um grupo de 50 pessoas, entre agricultores e agricultoras, técnicos e pesquisadores da área que estão participando do III Encontro Nacional de Agroecologia (ENA) distribuiu panfletos informativos com a população que circulava no mercado. Um balão gigante com o símbolo dos transgênicos e o desenho do mosquito foi colocado em cima de um carro de som, que acompanhou os manifestantes no local.

foto: daniel leon

De acordo com Gabriel Fernandes, assessor técnico da AS-PTA Agricultura Familiar e Agroecologia e coordenador da Campanha Por um Brasil Livre de Transgênicos, o  nosso país é o único a liberar a produção comercial do mosquito geneticamente modificado, já testado no Panamá, Ilhas Caimã e Malásia. Ele explica que a proposta da empresa inglesa Oxitec, que detém a patente do mosquito, é produzir um Aedes aegypti geneticamente modificado e liberar espécies machos desse mosquito no meio ambiente, que então deveriam cruzar com fêmeas nativas.

Segundo a empresa, desse cruzamento surgiria uma larva que supostamente não sobreviveria, eliminando assim o mosquito. “O problema é que, primeiro, eles partem da lógica que eliminar o mosquito é o mesmo que eliminar a doença e, segundo, que ao liberar os machos podem ser liberadas também espécies fêmeas, pois o controle não é 100%, essas estariam livres para se reproduzir e não temos como saber o risco de mutações genéticas e o desequilíbrio ambiental que isso pode gerar”, alerta Gabriel Fernandes.

A produção comercial do mosquito foi autorizada no mês de abril deste ano pela Comissão Técnica Nacional de Biosegurança (CTNBio), instância colegiada que presta apoio técnico consultivo e assessoramento ao governo federal na formulação, atualização e implementação da Política Nacional de Biossegurança relativa a Organismos Geneticamente Modificados (OGM). José Maria Gusman Ferraz é biólogo, doutor em agroecologia e professor do mestrado em Agroecologia da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), ele integrava a CTNBio à época da liberação das pesquisas com o mosquito e veio, junto com um assessor da Comissão, as cidades de Juazeiro e Jacobina, municípios onde estão sendo testados o mosquito, analisar a situação.

O especialista produziu um parecer técnico alertando sobre os riscos que constatou: “No parecer nós mostramos que havia de fato o escape de fêmeas, não estavam fazendo o levantamento sobre a redução da doença nem estudos sobre as áreas de esgoto a céu aberto. Em Jacobina houve um aumento da doença, sendo decretado estado de calamidade pública. Quando reduzimos a população de uma espécie de mosquitos, outra espécie tende a ocupar o lugar, no caso a do Aedes albopictos, que transmite além da dengue, a malária e a febre amarela. O risco é que uma possível mutação do vírus gere uma doença ainda mais potente que a dengue ou que outras espécies de mosquitos sejam contaminadas pelo vírus da dengue”, afirma o especialista.

Outra preocupação dos ecologistas é que não há segurança de que as larvas não sobrevivam, pois mesmo em condições ideais, 3% delas sobrevivem e a empresa que produz o mosquito sabe disso. Camilo Rodriguez é engenheiro químico e professor da Escuela de Ingeniería Universidad do Chile, ele pesquisa há quatro anos os efeitos da tetraciclina, um antibiótico largamente utilizado, principalmente pela indústria pecuária, que faz com que a larva do  Aedes aegypti  sobreviva. Segundo o estudioso, como o antibiótico pode estar no meio ambiente, a larva pode facilmente entrar em contato com essa substância. “É impossível fazer pesquisas independentes sobre esse assunto, pois o mosquito é patenteado pela empresa que produz toda a literatura que temos a respeito, isso por si só já deveria ser motivo de desconfiança”, diz.

Em Juazeiro está instalada a empresa Moscamed, que tem um convênio com a Oxitec para a venda do mosquito. Apesar de há meses os mosquitos transgênicos estarem sendo liberados,  a população desconhece o assunto. Márcia Faustino e Valdênia Almeida trabalham em um restaurante do Mercado do Produtor, as duas já tiveram vários casos de dengue na família e dizem que nunca ouviram falar do mosquito transgênico: “Eu to vendo só agora vocês falarem e vendo esse panfleto, mas nunca tinha ouvido falar e fiquei curiosa”, conta Márcia. De acordo com Gabriel Fernandes a Campanha vai acionar o Ministério Público para tentar barrar o uso do mosquito cuja eficiência não seja comprovada, além de seguir disseminando estas informações para o conjunto da sociedade e organizando mobilizações.

O ato do mosquito transgênico faz parte de uma série de outras três mobilizações que aconteceram simultaneamente na manhã desta segunda-feira. Em Petrolina, mulheres estiveram no escritório da Embrapa Semiárido para entregar um documento pedindo a valorização da agricultura familiar em detrimento do agronegócio. Outro grupo se dirigiu à unidade de pesquisa da Monsanto, onde são feitos experimentos com milho e sorgo geneticamente modificados. Foram colocadas diversas cruzes na porta da empresa simbolizando as mortes provocadas pelos transgênicos e agrotóxicos da empresa.
O III ENA, que termina hoje, conta com a participação de cerca de 2 mil pessoas, sendo a maioria agricultores e agricultoras de todos os estados do Brasil.

Participantes do III ENA protestam contra a Monsanto em Petrolina

20, maio, 2014 Sem comentários

“Os camponeses têm sandália de couro para pisar na cabeça da MONSANTO, pisa, pisa, na cabeça da MONSANTO”

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III ENA, 19/05/2014

pr Alan Tygel (MST)

Cerca de 100 participantes do III Encontro Nacional de Agroecologia (ENA) protestaram nesta manhã (19) em frente à unidade de pesquisa da Monsanto, em Petrolina. No local, são feitos experimentos com milho e sorgo geneticamente modificados. Foram colocadas diversas cruzes na porta da empresa simbolizando as mortes provocadas pelos transgênicos e agrotóxicos da empresa.

Segundo o agricultor Vilmar Luis Lermen, da cidade de Exu, em Pernambuco, não é possível a convivência entre agroecologia e os agrotóxicos e transgênicos: “Essa mutação genética tem provocado inúmeros distúrbios ambientais nos biomas onde é implantado. Queremos que a socidade possa escolher livremente os alimentos que quer comer e que o meio ambiente seja preservado”, disse Vilmar.

Além das cruzes, foi colocada uma placa na frente da empresa com os dizeres: “Fora Monsanto”. Em toda a Unidade, não há nenhuma identificação da empresa, cujo motivo talvez seja a péssima imagem construída em torno dela no mundo. A última Marcha contra a Monsanto, em 2013, teve ações em mais de 50 países.

A Monsanto é acusada de possuir uma estratégia de dominação dos agricultores  e agricultoras, através do monopólio das sementes e da cobrança de taxas sobre a produção. “Esse é um ato simbólico para que nós possamos conversar com a sociedade. Nós temos a proposta de convivência com os diferentes biomas brasileiros, da autonomia das famílias. Esse modelo que a Monsanto implementa é feito para gerar dependência”, afirma Vilmar, que acusa o governo brasileiro de ser conivente com essa proposta: “a CTNBio [Comissão Técnica Nacional de Biossegurança] aprovou os transgênicos no Brasil e a Embrapa apoia essa pesquisas.”

A Monsanto não é bem vinda

Sobre o recado que o III ENA quer passar para a empreasa, Vilmar é direto: “A Monsanto não é bem vinda nem no Brasil e em nenhum lugar do mundo. Nós temos uma proposta de segurança alimentar, de convivência com as condições ambientais em todos os biomas, e estamos firmes nesta luta com todos os povos da humanidade pela soberania.”

Além desta intervenção, outros atos aconteceram na manhã desta segunda. Ainda em Petrolina, mulheres estiveram no escritório da Embrapa Semiárido para entregar um documento pedindo a valorização da Agricultura Familiar em detrimento do agronegócio. Outro grupo se dirigiu ao Mercado do Produtor, em Juazeiro, para protestar contra a difusão de mosquitos da dengue transgênicos na região.

O ENA, que termina hoje, teve a participação de cerca de 2 mil pessoas, sendo a maioria agricultores de todos os estados do Brasil.

fotos: Daniel Leon

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Os contornos éticos e jurídicos da reprodução assistida

20, maio, 2014 Sem comentários

oab_mai2014

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A produção industrial de alimentos

16, maio, 2014 Sem comentários

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Avanço rápido dos transgênicos ainda provoca debate

14, maio, 2014 Sem comentários

Valor Econômico, 12/05/2014

As sementes transgênicas, um dos trunfos mais controversos no desafio brasileiro de aumentar a produção de alimentos sem a ampliação da fronteira agrícola e com maior capacidade de resistência às mudanças climáticas, devem ocupar 40,2 milhões de hectares de área plantada no país na safra 2013/2014. Só a cultura da soja deve chegar a 27 milhões de hectares, comparados aos 2,2 milhões de hectares plantados com sementes geneticamente modificadas em 2003, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a Lei 10.688, que alterou a Lei 8.974, de 1995, para permitir a comercialização da safra produzida com a introdução ilegal nas lavouras do Rio Grande do Sul da soja geneticamente modificada RoundUp Ready, desenvolvida pela Monsanto. O levantamento, da Consultoria Céleres, joga mais combustível no debate entre os defensores e adversários da tecnologia.

“A resistência aos transgênicos é fruto de desinformação”, diz José Roberto Perez, da Embrapa Cerrados. “Os transgênicos têm evoluído. Eles aumentam a produtividade e reduzem o uso de agrotóxicos na lavoura”, afirma Leonardo Machado, da Confederação Nacional da Agricultura (CNA). “A experiência de dez anos com transgênicos mostra que nada foi alterado no quadro da fome mundial”, diz o agrônomo Gabriel Fernandez, assessor-técnico da ONG Agricultura Familiar e Agroecologia (AS-PTA), que desde 1983 atua para o fortalecimento da agricultura familiar e a promoção do desenvolvimento rural sustentável no Brasil.

O Brasil ocupa ao lado dos Estados Unidos a liderança mundial da produção de soja transgênica. De acordo com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), 88% das 81,3 milhões de toneladas de soja produzidas na safra 2012/2013 eram compostas por grãos geneticamente modificados. A força dos transgênicos se estende também a outras importantes commodities do país, como o milho e o algodão. Na safra 2013/2014, também chegarão às mesas dos brasileiros em um dos ícones do hábito alimentar nacional: o feijão, com o plantio de uma modalidade resistente ao vírus do mosaico dourado do feijoeiro desenvolvida pela Embrapa.

Embaladas pela expansão da agricultura brasileira e pelos números positivos do agronegócio, as empresas que atuam no segmento de produção de sementes transgênicas buscam cada vez mais oferecer novas variedades aos produtores.

A Santa Helena lançou no fim do ano passado, depois de três anos de testes, dois híbridos transgênicos de milho para a safrinha do Mato Grosso que prometem alta produtividade e boa adaptação às condições de plantio. Já a Monsanto pôs no mercado do Sul do país a tecnologia VT PRO 3 RIB, a primeira voltada à proteção da raiz do milho contra a diabrótica speciosa (larva alfinete). O produto também atuaria contra as principais pragas aéreas que atacam as folhas e as espigas.

A semente não é tudo. O descuido do agricultor com o manejo adequado da lavoura, na confiança de que a variedade modificada geneticamente seria garantia de resistência contra qualquer praga, já provocou muito prejuízo. De acordo com os especialistas, a redução na quantidade de inseticida aplicado nas plantações pode provocar um aumento de pragas secundárias que não afetavam à cultura. Foi assim que a helicoverpa zea, mais conhecida como lagarta da espiga do milho, que invadiu também as lavouras de soja e algodão, causou prejuízos estimados em R$ 2 bilhões em apenas na última safra.

Somente no Oeste da Bahia, onde é maior a incidência da praga, as perdas chegaram a R$ 1 bilhão, de acordo com a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa). Os prejuízos incluem o aumento dos gastos com inseticidas para controle da praga e as perdas de produtividade.

Pelo menos uma das promessas alardeadas pelos defensores das sementes transgênicas, a redução no uso dos agrotóxicos na agricultura, não se confirmou. Dados do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Agrícola (Sindag) apontam que os produtores rurais brasileiros estão usando mais defensivos em suas lavouras. As vendas de agrotóxicos aumentaram mais de 72% entre 2006 e 2012 – de 480,1 mil para 826,7 mil toneladas. No mesmo período, a área cultivada com grãos, fibras, café e cana-de-açúcar cresceu menos de 19%, de 68,8 milhões para 81,7 milhões de hectares, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O consumo médio de agrotóxicos, que era pouco superior a 7 quilos por hectare, em 2005, passou a 10,1 quilos em 2011.

“As empresas que lideram o mercado tiraram de circulação as sementes convencionais ao mesmo tempo em que elevaram o custo do plantio com o aumento do preço das sementes transgênicas sem que houvesse redução no uso de agrotóxicos. Desde 2008, o Brasil é o país que mais usa agrotóxico”, diz Gabriel Fernandez, da AS-PTA.

“A chegada dos transgênicos provocou a capitalização da agricultura e a adoção de novas tecnologias, mas o manejo integrado de pragas continua sendo indispensável porque é o que permite o controle de problemas com bio-pesticidas ou menores quantidades de agrotóxicos. O importante é que o melhoramento genético preserve o equivalente substancial da semente tradicional e que mesmo a lavoura com transgênicos seja permanentemente monitorada para se evitar que os insetos fiquem tolerantes aos componentes da semente”, afirma José Perez, da Embrapa.

 

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De novo, os transgênicos na mesa das discussões

13, maio, 2014 Sem comentários

Washington Novaes* – O Estado de S.Paulo, 09/05/2014

É preciso prestar atenção. Em meio a notícias das últimas semanas sobre a possibilidade de aumentar muito, principalmente para a China, as exportações brasileiras de grãos, especialmente de soja, chegam também informações sobre o recrudescimento das controvérsias e das decisões judiciais sobre transgênicos em muitos países – e que podem afetar mercados.

Pode-se começar pela França, que acaba de proibir ali o cultivo de milho geneticamente modificado, por decisão da mais alta corte de Justiça do país, confirmada também pelo Senado, depois de haver passado pela Câmara Baixa (noticias.br.ms.com/economia, 6/5). Da mesma forma, o Conselho de Estado rejeitou pedido de produtores do milho modificado para que a proibição de plantio fosse revogada. E o Ministério da Agricultura há dois meses já proibira o plantio da única variedade de milho transgênico resistente a insetos liberada na União Europeia (UE). O caso ainda vai ser julgado pela UE, mas os países-membros podem tomar decisões em seus territórios.

Do outro lado do mundo, artigo publicado pela Academia Militar de Ciências da China está causando alvoroço ao dizer que há evidências de danos à saúde de 1,3 bilhão de chineses pela soja importada – e isso pode levar ao banimento total das compras do produto no exterior (www.realfarmacy.com/chinese-ministry-newspaper), “principalmente nos Estados Unidos e no Brasil”. Não por acaso, o país rejeitou há pouco (AS-PTA, 28/3) nada menos do que 887 mil toneladas de sementes transgênicas de uma variedade de milho. E também lá o governo central divulga estudo segundo o qual um quinto das terras agrícolas no país está contaminado – e em processo de degradação – por metais tóxicos que podem provir de produtos químicos e outros insumos usados.

No Sri Lanka foi proibido o uso de glifosato em culturas transgênicas, por estar “relacionado com milhares de mortes de trabalhadores rurais”. A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) divulga (14/3) que encontrou resíduos de transgênicos em 198 casos, principalmente com arroz, milho e mamão.

Até nos Estados Unidos a questão ressurge, em Vermont, Oregon, que pode vir a ser (2/5) o primeiro Estado a exigir rotulagem de transgênicos, com lei já aprovada no Legislativo local e à espera de sanção pelo governador. Em outros 30 Estados há discussões a respeito, inclusive com parlamentares pedindo que a questão da rotulagem seja decidida em nível federal (The Wall Street Journal, 29/4). Mesmo com toda a reação, os transgênicos em cinco países representam 90% da produção, segundo a cientista Mae-Wan Ho (Eco 21, fevereiro de 2014).

É possível que a questão volte a incendiar-se por aqui. Uma liminar do Supremo Tribunal Federal (STF) obtida pela Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação impede que entre em vigor – até o julgamento final pelo STF – decisão do Tribunal Regional Federal da 1.ª Região, de agosto de 2012, que exige a rotulagem de transgênicos, seja qual for o porcentual no produto. No Distrito Federal, o Ministério Público pede à Justiça que suspenda o uso de glifosato e de 2,4D e de seus princípios ativos (AS-PTA, 28/3).

São questões que envolvem altos interesses. Apenas nove fabricantes multinacionais de produtos transgênicos tiveram faturamento de US$ 8,9 bilhões em 2011/2012 (eram US$ 2,5 bilhões em 2000). No Brasil, para este ano, está prevista extensão de lavouras transgênicas a vários pontos, inclusive ao Tocantins, autorizado oficialmente ao plantio de algodão, para combater a praga Helicoverpa armigera. No País todo, o algodão geneticamente modificado chegará, na safra 2013/2014, a 710 mil hectares, ou 65% da área total destinada ao cultivo da pluma (O Popular, 2/5). Na safra anterior, foram 49,4% da área total. Razão invocada para a expansão: a variedade modificada sofre menos com a estiagem. E, além disso, o custo é considerado compatível com as possibilidades: R$ 1 mil por hectare. O preço médio do mercado internacional está entre US$ 0,80 e US$ 0,85 por libra-peso.

Embora na área científica pululem controvérsias sobre o tema das culturas geneticamente modificadas, na prática rural estas têm seguido até aqui de vento em popa, com os argumentos de rentabilidade maior, perdas menores e mercado externo em expansão. Internamente, além do questionamento sobre o direito do consumidor de saber o que está comprando – com a rotulagem obrigatória, defendida pelo Ministério Público e pelos órgãos de defesa do consumidor -, avolumam-se as críticas à Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), que ainda não leva em conta tratados internacionais assinados pelo Brasil que pedem a observância ao princípio da precaução. Da mesma forma, despreza ela as posições dos Ministérios da Saúde e do Meio Ambiente e de seus representantes na comissão, que pedem estudos prévios de impacto em cada caso – seja para proteger os biomas envolvidos na questão, seja por causa da proteção ao consumidor.

Desde o primeiro governo Lula esses temas têm estado em discussão, mas a proteção dos plantios de geneticamente modificados tem vencido sistematicamente – mesmo que à custa de dissensões políticas internas ou da necessidade de reformular a composição da CTNBio.

É preciso considerar, ainda, que a administração federal parece acreditar cada vez mais na possibilidade de enfrentar as questões do déficit comercial na balança com o avanço das exportações de produtos primários. É uma posição que, isolada de outros fatores, ao longo da História, tem nos levado a muitos impasses. Seja como for, é um caminho que não se deve sobrepor aos direitos dos cidadãos.

Não bastasse isso tudo, ainda temos um novo caso de doença da vaca louca em Goiás, gerando embargos a nossas carnes no exterior; e o primeiro caso de cabra clonada, transgênica, no Ceará. Até o velho sanfoneiro Luiz Gonzaga deve estar se revirando no além com tanta preocupação.

*Washington Novaes é jornalista. E-mail: wlrnovaes@uol.com.br

 

 

 

Ecologistas questionam uso de mosquito transgênico contra a dengue

9, maio, 2014 Sem comentários

RFI, 08/05/2014

Por Lúcia Müzell

A aprovação comercial do projeto de uso de mosquitos transgênicos para combater a dengue no Brasil ainda não foi concluída, mas provocou uma polêmica internacional. Pela primeira vez no mundo, insetos geneticamente modificados serão soltos na natureza para exterminar o transmissor da doença, uma técnica que suscita preocupação de ambientalistas.

Em laboratório, os mosquitos Aedes aegypti machos são alterados para que seus descendentes não sobrevivam. Ao procriarem com uma fêmea normal, as larvas não chegam à idade adulta.

No início de abril, a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) autorizou a liberação comercial do mosquito transgênico, desenvolvido pela empresa britânica Oxytec. Este foi um passo importante para a aprovação final, dada pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), que pediu testes adicionais para verificar o impacto do experimento na natureza e na população.

Margareth Capurro, professora da USP responsável pela coordenação técnica do projeto, observa que o Aedes aegypti não é uma espécie brasileira e argumenta que nenhum outro animal depende do mosquito transmissor da dengue para sobreviver. No passado, o mosquito já tinha sido eliminado por 20 anos no país, ressalta.

“A gente não pode dizer que ele ocupa um nicho ecológico essencial. Ele é um mosquito extremamente urbano, que não existe em floresta, mata ou bosque”, assegura. “Lagartixas, sapos ou pássaros comem mosquitos, mas nenhuma outra espécie está associada ao Aedes aegypti ao ponto de ser eliminada se esse mosquito for erradicado.”

Testes

Os testes realizados por três anos em bairros de Juazeiro e Jacobina, na Bahia, mostraram que a introdução dos insetos transgênicos não acarretou modificações da população do mosquito presente na natureza. A nova fase do projeto vai definir a eficácia da técnica em grande escala para a redução da dengue. Na fase de testes, a diminuição do mosquito transmissor da doença foi de em torno de 80%.

Para Gabriel Fernandes, assessor técnico da associação de agricultura familiar e agroecologia AS-PTA, a redução do número de mosquitos foi constatada, mas não a queda nos casos da doença. “Os dados apresentados não são conclusivos. Eles tratam apenas da redução do número de mosquitos, e em nenhum momento eles falam sobre a redução da doença”, ressalta.

“Não somos contra o projeto. O que nós criticamos é que toda a propaganda que a empresa faz no local e na imprensa é que a tecnologia vai combater a dengue”, diz. Fernandes considera que não houve testes suficientes nas pessoas e nos animais que forem picados pelos mosquitos transgênicos descendentes de um inseto geneticamente modificado.

Futuro dos outros mosquistos

Outra pergunta que precisará ser respondida é se outro mosquito vai ocupar o lugar do Aedes aegypti. “Algumas pessoas acham que a espécie-irmã, o Aedes albopictus, vai virar o novo vilão. Vamos tentar saber o que vai acontecer com a população do Aedes albopictus mediante o desaparecimento do Aedes aegypti”, explica a cientista da USP. A espécie-irmã, conhecida como tigre asiático, é um “mau transmissor” da dengue, conforme a pesquisadora.

A associação AS-PTA afirma que a cidade de Jacobina, que recebe testes com os mosquitos transgênicos desde 2011, emitiu em fevereiro um decreto de situação de emergência pela ocorrência de dengue. Na opinião de Gabriel Fernandes, o experimento com o Aedes aegypti é “um abre-alas” para liberar outros insetos geneticamente modificados.

“Até agora, a gente só tinha plantas transgênicas: soja milho, algodão. No meu entendimento, o interesse comercial principal virá depois, com as próximas liberações comerciais que eles vão pedir, de outros insetos modificados, para uso na agricultura”, afirma.

A Anvisa ainda não divulgou quando deve avaliar o projeto dos mosquitos transgênicos.