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Arquivo de novembro, 2014

Entrevista com Gabriel Fernandes sobre transgênicos e sementes da paixão

28, novembro, 2014 Sem comentários

Seminário em homenagem a Georgescu-Roegen

24, novembro, 2014 Sem comentários

1 - cartaz georgescu final

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Dia internacional de mobilização contra os agrotóxicos

24, novembro, 2014 Sem comentários

Por Rafael Zanvettor

Caros Amigos, 18/11/2014

No dia 3 de dezembro militantes contra o uso de agrotóxico por todo o mundo irão tomar as ruas no Dia Internacional do Não Uso dos Agrotóxicos, organizado no Brasil pela Campanha Permanente contra os Agrotóxicos e pela Vida. A campanha é uma articulação permanente entre diversos movimentos sociais, sindicais e setores de toda a sociedade civil contra o uso dos agrotóxicos.

A campanha existe há quatro anos, e começou motivada pela mobilização contra os impactos dos agrotóxicos à saúde pública, que atingem diversos territórios e envolvem diferentes grupos populacionais, como trabalhadores rurais, moradores do entorno de fazendas, além de toda a população brasileira, que de um modo ou outro acaba consumindo alimentos contaminados. A posição que o Brasil ocupa desde 2008, como maior consumidor de agrotóxicos do mundo faz com que a mobilização seja ainda mais pertinente.

Chuva de veneno

Além da óbvia pauta principal, contra o uso dos agrotóxicos, existem cinco pontos que são almejados pelo movimento a um prazo mais curto. O primeiro deles é a pressão contra a pulverização aérea, ou seja, a aplicação de agrotóxicos por avião. O coordenador da campanha, o engenheiro Alan Tygel, afirma que o uso dessa forma de dispersão de substâncias químicas é extremamente prejudicial e já deveria estar proibido, como na Europa, onde a prática é vetada desde 2009.

“A gente sabe que uma pequeníssima parte desse veneno atinge de fato as plantas e o resto contamina rios, o solo e expõe as populações que moram no entorno das plantações a tomar chuvas de veneno, como a gente viu em Goiás, em uma escolinha de Rio Verde, entre outros casos”, disse ele, se referindo ao caso da contaminação de funcionários e alunos de uma escola do assentamento rural Pontal dos Buritis, na cidade de Rio Verde.

No caso, os frequentadores da escola foram envenenados pelo agrotóxico Engeo Pleno responsável pelo aparecimento, em longo prazo, de câncer, lesões hepáticas, doenças no sistema nervoso, distúrbios hormonais e malformação. Vômitos, dores intensas na cabeça e falta de ar ocorrem de imediato ao contato com o pesticida, sintomas apresentados pelos 92 contaminados.

Segundo ele, houve algumas vitórias parciais em alguns municípios onde a pulverização aérea foi pontualmente proibida. O engenheiro cita o caso em Limoeiro do Norte (CE), quando Zé Maria do Tomé, líder comunitário e ambientalista, foi assassinado por denunciar as consequências da pulverização aérea de agrotóxicos na região da Chapada do Apodi. O militante foi assassinado uma semana após a aprovação da proibição da pulverização aérea, que caiu um mês após sua morte.

Banimento dos “banidos”

Outro ponto reivindicado pela campanha é a proibição de agrotóxicos que já foram banidos no exterior ou que têm comprovadamente efeitos nefastos para a saúde. “Há diversas substâncias que já foram proibidas nos EUA, na Europa, e até na China e aqui segue sendo uma espécie de uma lixeira tóxica”. No Brasil, a pressão pela proibição já conseguiu alguns avanços, mas ainda anda a pequenos passos. Entre 2010 e 2011, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) conseguiu encaminhar a avaliação de 14 substâncias, das quais 4 já foram banidas. Infelizmente, há outras dez relatorias da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e do Instituto nacional do Câncer que foram engavetados pela pressão da bancada ruralista.

“No ano passado a gente teve o Congresso aprovando a importação de agrotóxicos proibidos no Brasil em caráter de emergência, quando se detectou o surto da lagarta Helicoverpa armigera na Bahia  e se disse que a única solução para essa praga seria uma substância, o benzoato de emamectina, uma substância que já foi proibida no Brasil duas vezes por ser neurotóxica, causar danos neurológicos, e o Congresso permitiu  a importação dessa substância passando por cima dos órgãos de saúde e meio ambiente que a haviam proibido”, lembra o engenheiro. Após a eleição, o fortalecimento dos ruralistas tornará o cenário ainda mais desolador.

Bancada ruralista

Não por outro motivo, a bancada ruralista no Congresso Nacional é a grande inimiga da campanha, e será o alvo da mobilização do dia 3 de dezembro. “Há uma pressão muito forte vindo desses setores do Congresso que são financiados pelo agronegócio, que agem portanto em seu próprio interesse, e agem no sentido de aprovar cada vez mais leis que permitem um uso maior de agrotóxicos”.

Em um caso exemplar, em 2012, um dos gerentes da Anvisa, Luis Claudio Meirelles, foi demitido por pressão do agronegócio, após denunciar irregularidades na liberação de seis agrotóxicos, que foram liberados sem passar pelas avaliações toxicológicas necessárias e com uma falsificação de sua assinatura. “Ele foi demitido porque era alguém que estava lá para cuidar dos interesses da população em termos de saúde”, afirma Alan Tygel.

Isenção tóxica

Além da pulverização área e do banimento de alguns agrotóxicos, ainda há a questão da isenção de impostos sobre os produtos. Os agrotóxicos gozam de um regime de isenção inacreditável dado o prejuízo que eles dão para nossa saúde.

Transgênicos

Inevitavelmente, não se pode falar do uso de agrotóxicos sem falar de transgênicos. Segundo dados do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), de 2001 a 2012, a venda de agrotóxicos no Brasil passou de 328.413 toneladas para 823.226 toneladas, o que representa um crescimento de 288,41%. As datas de aumento rápido do uso de agrotóxicos coincidem com o uso oficial e não oficial de transgênicos no Brasil. Entre 2002 e 2003 começaram as primeiras denúncias de uso ilegal de transgênicos, que entravam pela Argentina. A partir de 2004, com o uso dos transgênicos praticamente consolidado, o governo aprova e regulamenta seu uso.

Para o engenheiro, “a questão dos transgênicos tira completamente a soberania nacional enquanto produtores de sementes. Hoje, se a Monsanto resolve parar de fornecer sementes de milho transgênicos vai haver um caos no Brasil porque quase 90% de nossa produção é transgênica”.

Alternativas

Apesar do cenário difícil, há uma alternativa ao uso do agronegócio imposto pela agroindústria. A engenheira agrônoma Francileia Paulade Castro afirma que o Brasil já tem uma ampla experiência no modelo de produção agroecológico. “Nós temos no Brasil, várias experiências de produção de alimentos de base orgânica que adota os princípios da agroecologia, utilizados, por exemplo, em alguns acampamentos da reforma agrária”, afirma ela. A agroecologia propõe um modelo de produção sem o uso de agrotóxicos ou adubos químicos, focada no equilíbrio entre a produção alimentícia e a natureza.

Segundo ela, com a experiência acumulada da agroecologia, é possível produzir alimentos em larga escala. Visto que 70% da produção alimentícia do País é realizada pela agricultura familiar, não seria difícil implantar os princípios da agroecologia pelo País.

Com a agroecologia, é possível produzir sem o uso de agrotóxicos, através das chamadas caldas naturais, como extratos de alho, fumo, cavalinha, pimenta, pó de rocha, argila, cinza de madeira etc. Mais importante que isso, no entanto, é a manutenção do equilíbrio natural do ambiente. “A agroecologia propõe o equilíbrio da produção de alimentos. Com esse equilíbrio não há a necessidade de uso de agrotóxicos porque o ambiente está em harmonia, e não há os altos índices de ataques de pragas”, afirma ela.

O coordenador da camanha Alan Tygel cita também como solução a construção de zonas livres de agrotóxicos e transgênicos. “É fundamental que a gente consiga estabelecer áreas em que seja proibido o uso de agrotóxicos e transgênicos para que a agroecologia possa se desenvolver de forma plena.”

Falta de incentivo

Por outro lado, o que poderia ser uma solução esbarra na falta de incentivo, crédito e políticas públicas para fortalecer os agricultores familiares. Segundo a engenheira, são necessários “mais recursos para pesquisas em tecnologias para aumentar a produtividade dos produtos orgânicos e mecanismos de comercialização para que o produto orgânico não seja caro. Queremos ofertar um produto orgânico pelo mesmo preço do não orgânico, mas para isso o produtor precisa receber crédito e assistência técnica. E infelizmente, a oferta de assistência técnica hoje ainda é no viés do adubo químico e do agrotóxico, o que dificulta a produção orgânica. E sem crédito e incentivo fica difícil para o agricultor realizar a produção orgânica”.

Segundo ela, é necessário que o governo faça uma escolha do modelo de produção, “porque os dois são incompatíveis. O agronegócio diz que é possível conciliar, mas é impossível, há diversas comunidades que estão sendo impactadas porque ao lado tem uma plantação que acaba contaminando os lençóis freáticos”.

Mais informações podem ser obtidas no site da campanha, clicando aqui.

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Rótulos de alimentos deverão ter indicação da presença de agrotóxicos

24, novembro, 2014 Sem comentários

Século Diário, 19/11/2014

Projeto foi aprovado na Assembleia Legislativa nesta quarta e agora segue para sanção do governador

Any Cometti

Foi aprovado em regime de urgência pela Assembleia Legislativa, na sessão desta quarta-feira (19), o Projeto de Lei (PL) nº 133/2014, que estabelece a obrigatoriedade de indicação expressa sobre o uso de agrotóxicos nos produtos alimentares comercializados no Espírito Santo. O PL, de autoria do deputado Cláudio Vereza (PT), obteve aprovação das comissões de Meio Ambiente e Finanças. As comissões de Saúde e Agricultura não formaram quórum suficiente para votar a matéria.

Latuff_herbicidaLLA lei, que agora precisa ser sancionada pelo governador Renato Casagrande, entrará em vigor 90 dias a partir da data da sua publicação. Os produtos processados parcialmente ou industrializados comercializados no Estado deverão ter a inscrição “produzido com agrotóxico” no rótulo de sua embalagem e os produtos comercializados em sua forma natural deverão ter a mesma inscrição nas caixas de acondicionamento ou exposição. A indicação somente é válida para o varejo, atacado e indústria, dispensando restaurantes e estabelecimentos similares.

Na justificativa do projeto, Vereza defende a nova legislação como uma ação de proteção ao consumidor, uma vez que, como destaca, a população está sendo incluída “à cidadania e ao mercado” devido às novas oportunidades de trabalho, o que aumenta a renda e o acesso ao consumo de bens e serviços.

Posteriormente, aponta que a informação sobre a presença ou não de agrotóxicos no alimento é essencial para o consumidor, da mesma forma que a informação sobre o teor de sal e açúcar e se contém glúten ou não, além de destacar que é comprovado por pesquisas epidemiológicas que a ocorrência de câncer, problemas hormonais, anomalias genéticas e doenças crônicas do sistema nervoso estão diretamente relacionadas à exposição a agrotóxicos.

Além de atacarem diretamente a saúde humana, os resíduos dos químicos se acumulam no solo, na fauna e na flora, e muitas vezes chegam a contaminar lençóis freáticos. O Espírito Santo é o terceiro estado na aplicação de agroquímicos e, assim como ocorre no país, movimentos do campo defendem a proibição da comercialização, uso e aplicação de agrotóxicos que já são proibidos fora do Brasil e a proibição da pulverização aérea em municípios do norte capixaba onde já foram registrados graves casos de contaminação nos últimos anos.

No Espírito Santo, o último Relatório Final do Programa de Analise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (PARA), da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), apontou que os níveis de agrotóxicos são considerados elevados em amostras de abobrinha, alface, pepino, arroz, tomate, uva e abacaxi.

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Seminário Soberania Alimentar: diálogos entre o campo e a cidade

12, novembro, 2014 Sem comentários

Seminario

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II Seminario Nacional de Agroecología – Guatemala

12, novembro, 2014 Sem comentários

I

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Mosquitos Geneticamente Modificados: preocupações atuais

11, novembro, 2014 Sem comentários

Clique na imagem para baixar o livro

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O Brasil é o único país do mundo que autorizou o uso comercial dessa tecnologia. Até o momento não foi comprovado se ela de fato reduz a dengue e se apresenta riscos para a população e o meio ambiente. Este livro trata dessas preocupações.

Campanha convoca população às ruas contra o uso de agrotóxicos

10, novembro, 2014 Sem comentários

http://www.contraosagrotoxicos.org, 10/11/2014

As eleições passaram e o Congresso Nacional não poderia ter ficado pior: mais da metade dos seus membros diz se identificar com a chamada Bancada Ruralista. Além de afrontarem os direitos de indígenas e quilombolas, este grupo suprapartidário é responsável pela aprovação de leis que facilitam o uso de mais agrotóxicos.

No próximo dia 3 de dezembro, data em que celebra-se o Dia Internacional do Não Uso dos Agrotóxicos, a Campanha Permanente contra os Agrotóxicos e pela Vida convoca os cidadãos brasileiros a se unir para exigirmos comida sem veneno. Para isso, é fundamental que o congresso defenda a saúde da população e a agricultura familiar, responsável pela produção de 70% dos alimentos que chegam à nossa mesa.

Além disso, a Campanha defende ainda o fim da pulverização aérea, prática utilizada pelo agronegócio, e a reforma política, de maneira a reduzir o peso dos interesses econômicos e viabilizar nossa representação na Câmara e Senado. Os ruralistas defendem os interesses de cerca de 1% dos proprietários de terra do Brasil, que dominam 44% das áreas brasileiras agricultáveis. Esta é apenas mais uma mostra das distorções de representação do nosso legislativo.

Aulas públicas, panelaço, panfletagem, “feira dos envenenados”. Vale um pouco de tudo. A ideia principal da campanha é demarcar a data nacionalmente e ir às ruas mostrar que a luta contra os agrotóxicos se vincula a um governo progressista, e às ideias da reforma política e participação popular.

Atividades já estão confirmadas em Porto Alegre, Rio de Janeiro e Cuiabá. Também participe! Contate a Secretaria Operativa da Campanha (pelo e-mail contraosagrotoxicos@gmail.com) para saber mais sobre as mobilizações em seu estado e monte também alguma atividade em sua cidade.

A data

Bophal, Índia. Madrugada do dia 3 de dezembro de 1984. Em uma zona densamente povoada, de 27 a 40 toneladas dos gases tóxicos metil isocianato e hidrocianeto, químicos utilizado na elaboração de um praguicida da Corporación Union Carbide, vazam e se dissipam pela cidade, quando os seis sistemas de segurança não funcionam.

30 mil pessoas, oito mil nos três primeiros dias, morreram devido ao acidente e, ainda hoje, estimativas indicam que 150 mil sofrem de doenças crônico-degenerativas causadas pela exposição aos gases letais.

A Union Carbide, posteriormente adquirida pela Dow Química, ainda se nega a fornecer informações detalhadas sobre a natureza dos contaminantes, dificultando que o tratamento médico adequado fosse dado aos indivíduos expostos. A região nunca foi descontaminada e até hoje representa um perigo à população.

O desastre químico foi considerado o pior da história e a data foi estabelecida pela Pesticide Action Network (PAN) como o dia internacional do não uso de agrotóxicos. A Dow é hoje uma das 6 gigantes do mercado de venenos e sementes transgênicas, e em 2012 faturou U$ 60 bilhões.



Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida.
Secretaria Operativa Nacional
fone: (41) 9676 5239
site: www.contraosagrotoxicos.org
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CTNBio libera vacina contra doenças aviárias

10, novembro, 2014 Sem comentários
Portal Brasil, 07/11/2014
Comissão concedeu, nesta quinta (6), liberação para importação, armazenagem, transporte e comercialização do produto

A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) aprovou, nesta quinta-feira (6), em Brasília (DF), a liberação para importação, armazenagem, transporte e comercialização da vacina contra a Laringotraqueíte Aviária e Doença de Marek.

Desenvolvida pela multinacional Ceva Saúde Animal Ltda., o produto, nomeado Vectormune HVT-LT, age na prevenção dessas doenças em aves.

“Em um único produto protegemos o animal de duas doenças”, afirmou o presidente da CTNBio, Edivaldo Domingues Velini, referindo-se a vacina. “Quando a gente considera a grande relevância que as atividades agropecuárias têm no Brasil essa será mais uma tecnologia a disposição do produtor”, ressaltou.

A Laringotraqueíte Aviária infecciosa é uma doença respiratória altamente contagiosa, que acomete principalmente as galinhas. Ela é causada por um herpes vírus eliminado pelas secreções oronasais, sendo que a transmissão ocorre por contato direto.

Entre as manifestações clínicas características verificam-se alterações respiratórias com expectoração de sangue. Já a Doença de Marek trata-se de uma enfermidade neoplásica causada por um vírus que afeta nervos, pele, baço, rins, fígado, olhos e vísceras do organismo das aves.

Resolução normativa

Além da liberação comercial, a comissão deliberou a favor da reforma na resolução normativa que trata sobre os Certificados de Qualidade em Biossegurança (CQBs) concedidos pela CTNBio.

Velini destacou que os CQBs são a base para o funcionamento de todas as comissões internas de biossegurança. “Nós deliberamos e, agora, a assessoria jurídica irá fazer uma revisão de todo o texto, e por fim, a partir da publicação, passará a vigorar a resolução normativa com a nova configuração”, explicou.

Segundo ele, o novo formato estabelece uma série de critérios mais precisos do que a versão anterior e simplifica a análise dos processos por parte da CTNBio, com medidas mais claras”. A próxima e última Reunião Plenária da CTNBio deste ano será realizada em dezembro.

Fonte:
Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação 

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PL sobre biodiversidade pode minar programas de sementes crioulas

7, novembro, 2014 Sem comentários

Brasília, 07/11/2014

PL sobre biodiversidade pode minar programas de sementes crioulas

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Tramita na Câmara, em regime de urgência a pedido do Executivo, projeto de lei 7.735, que trata do acesso ao patrimônio genético, ao conhecimento tradicional e da repartição de benefícios para a conservação e o uso sustentável da biodiversidade.

O PL resulta da junção de dois outros projetos e de mais de uma centena de emendas, sendo um que versava sobre biodiversidade e outro sobre agrobiodiversidade.

Os temas abordados pelo PL são amplos, mas no que diz respeito especificamente às sementes e variedades crioulas, o projeto é uma grande ameaça aos programas e políticas em curso que visam fomentar a conservação, o intercâmbio e o uso desses materiais.

A proposta cria a categoria de agricultor tradicional [1] e circunscreve a esse setor os programas de incentivo da agrobiodiversidade, excluindo destes todo o universo da agricultura familiar conforme definido em lei. Assim, deixa de reconhecer a contribuição histórica dos agricultores familiares no desenvolvimento e conservação desses materiais, no conhecimento associado e de seu papel na segurança alimentar e nutricional.

Cria um novo e extensivo conceito para sementes crioulas, também reduzindo a diversidade de materiais que caberiam na definição. Dispensa ainda o consentimento prévio de povos indígenas, povos ou comunidades tradicionais ou dos agricultores no caso de acesso a variedades tradicionais ou crioulas para finalidade de alimentação ou agricultura.

São mudanças que restringem o que se entende por semente crioula e o público que pode se beneficiar do cultivo desses materiais. Assim, retrocede-se ao entendimento de que sementes crioulas representam “baixa tecnologia” e são adaptadas apenas aos agricultores “tradicionais”, de subsistência, enquanto os agricultores familiares seriam aqueles destinados a acessar tecnologias “modernizantes” e variedades de “alta produtividade”.

Trata-se de enorme ofensiva a conquistas importantes obtidas desde 2003 quando a lei de sementes incorporou definição de sementes e variedades crioulas. Mais recentemente, o decreto que criou a Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica ampliou o uso e circulação desses materiais no território nacional. No contexto dessa política o governo tem investido em uma série de iniciativas voltadas para a promoção desses materiais, tais como o Programa Ecoforte, a recém criada modalidade Sementes do PAA, editais de pesquisa e extensão via CNPq, chamada pública do MDS, apoio a bancos comunitários de sementes, entre outros.

Essas e outras ações estão todas legalmente amparadas na lei 10.711/2003 e na forma como esta define sementes crioulas:

“cultivar local, tradicional ou crioula: variedade desenvolvida, adaptada ou produzida por agricultores familiares, assentados da reforma agrária ou indígenas, com características fenotípicas bem determinadas e reconhecidas pelas respectivas comunidades e que, a critério do Mapa, considerados também os descritores socioculturais e ambientais, não se caracterizem como substancialmente semelhantes às cultivares comerciais”.

O PL em questão, ao que se sabe a partir de proposta do MDA, define sementes e variedades crioulas da seguinte forma:

“Variedade tradicional local ou crioula – variedade proveniente de espécie nativa ou exótica, composta por grupo de plantas dentro de um táxon no nível mais baixo conhecido, com diversidade genética desenvolvida ou adaptada por povo indígena, povo ou comunidade tradicional ou agricultor tradicional, incluindo seleção natural ou seleção combinada com seleção humana no ambiente local, que não seja produto de melhoramento conduzido pelo sistema formal ou científico”.

Cumpre destacar que todos os atuais programas de promoção das sementes crioulas operam sem problemas com base na legislação em vigor desde 2003. São desconhecidas as motivações para se criar outra definição legal para o tema, que ademais podem impactar negativamente, senão inviabilizar, os programas e políticas em curso.

O Tratado sobre recursos fitogenéticos da FAO (Tirfaa), do qual o Brasil é parte, trata de direito do agricultor de forma geral, sem especificar qual tipo de agricultor. Assim, entende que qualquer agricultor pode contribuir para a conservação da agrobiodiversidade e da mesma forma pode se beneficiar de programas públicos de promoção ou fomento da agrobiodiversidade. O PL em questão restringe esse entendimento, seja pelo entendimento que dá a semente crioula, seja pela definição de agricultor beneficiário.

O projeto esteve a ponto de ser votado nesta última terça e deve voltar à pauta da Câmara no início da próxima semana.

Assim, de forma a evitar grandes retrocessos nas recentes conquistas no campo da ação pública voltada para a promoção da agrobiodiversidade, é urgente que:

  1. O Poder Executivo retire o pedido de tramitação do PL em regime de urgência
  2. Adote-se no PL o conceito de variedade ou cultivar tradicional já consolidada pela lei 10.711/2013
  3. Adote-se no PL o conceito de agricultor familiar conforme definido pela lei da agricultura familiar 11.326/2006.
  4. Abra-se debate púbico sobre o PL, com ampla consulta aos setores envolvidos.
  5. Tanto a CIAPO quanto sua mesa diretiva se posicionem sobre o tema considerando o exposto acima.

[1] “agricultor tradicional: pessoa natural que utiliza variedades tradicionais, locais ou crioulas ou raças localmente adaptadas ou crioulas e mantém e conserva a diversidade genética”.

 

Assinam esta nota:

Agapan

Articulação Pacari

ASA Brasil

ASA Paraíba

AS-PTA Agricultura Familiar e Agroecologia

Articulação Nacional de Agroecologia – ANA

Associação Brasileira de Agricultura Biodinâmica

Associação de Agricultura Biodinâmica do Sul

Bionatur

Centro de Agricultura Alternativa – CAA-NM

Centro Ecológico

CONTAG

CTA- ZM

Ecoborborema

Fase

Fetraf

Fundação Mokiti Okada

Instituto Frei Beda de Desenvolvimento Social

Movimento de Mulheres Camponesas

Movimento dos Pequenos Agricultores

Rede de Agrobiodiversidade do Semiárido Mineiro

Rede de Comunidades Tradicionais Pantaneira

Rede de Sementes Livres Brasil

Rede Ecovida de Agroecologia

Sasop

SPM – Serviço Pastoral dos Migrantes

SPM NE – Serviço Pastoral dos Migrantes do Nordeste

Terra de Direitos

 

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Ministério da Saúde lança Guia Alimentar para a População Brasileira

7, novembro, 2014 Sem comentários

Boletim da Caisan, 07/11/2014

O Ministério da Saúde lançou na quarta-feira (5/11) o novo Guia Alimentar para a População Brasileira. A atualização da publicação relata quais cuidados e caminhos para alcançar uma alimentação saudável, saborosa e balanceada. A nova edição, ao invés de trabalhar com grupos alimentares e porções recomendadas, indica que a alimentação tenha como base alimentos frescos (frutas, carnes, legumes) e minimamente processados (arroz, feijão e frutas secas), além de evitar os ultraprocessados (como macarrão instantâneo, salgadinhos de pacote e refrigerantes). O lançamento ocorreu durante a reunião do Conselho Nacional de Saúde, em Brasília.

Confira a versão digital do Guia

Leia mais…

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IV Feira de Trocas de sementes crioulas e mudas de Cunha e região

5, novembro, 2014 Sem comentários

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Geraizeiros apresentam reivindicações ao Governo

5, novembro, 2014 Sem comentários

Terminou nesta quinta-feira (16/10) o Encontro de Agrobiodiversidade, em Montes Claros (MG) com a entrega do documento de criação da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Nascentes Geraizeiras (RDS) pelo secretário de Articulação Social, Paulo Maldos (Secretaria-Geral da Presidência da República), as lideranças dos Povos e Comunidades Tradicionais do Norte de Minas. Na última terça-feira (14/10), os Geraizeiros, populações tradicionais que vivem no Norte de Minas, tiveram uma área de 38,1 mil hectares reconhecida como unidade de conservação.

 

geraizeirosA Reserva esta localizada nos municípios mineiros de Montezuma, Rio Pardo de Minas e Vargem Grande do Rio Pardo, beneficiando diretamente 500 famílias.A criação da unidade de conservação, era reivindicação do Movimento dos Geraizeiros. Na mobilização em torno do Dia do Cerrado, em setembro do ano passado, lideranças do movimento social estiveram em Brasília, ocasião em que se reuniram com representantes da Secretaria-Geral da Presidência da República.

 

Na ocasião, representantes dos Geraizeiros relataram que com a destruição dos cerrados, mais de 300 rios e córregos já secaram no Norte de Minas. “As terras estão sendo griladas pelas firmas de eucalipto e de mineração”, denunciou Braulino dos Santos, da Rede Cerrado. O Movimento Geraizeiro reúne pequenos produtores de farinha de mandioca, rapadura, milho e feijão, além dos extrativistas que comercializam pequi, panã e plantas medicinais típicas do Cerrado. A eles se somam quilombolas, indígenas e outras comunidades tradicionais da região.

 

De acordo com Orlando dos Santos, liderança do movimento, a grande reivindicação de mais de 12 anos dos Geraizeiros, é a devolução das terras para as comunidades. “Nós vivemos aqui há séculos, sempre cuidamos e protegemos o Cerrado. Queremos que a terra seja retomada pelos geraizeiros, que sempre viveram aqui e as comunidades tradicionais que vivem no Cerrado”, afirma. Os representantes dos movimentos sociais do Norte de Minas exigem ainda o fim da violência policial na região e a imediata suspensão de todos os projetos de mineração e de construção de barragens até que se faça a consulta conforme a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Assessoria de Imprensa: (61) 3411.1407

Site: www.secretariageral.gov.br

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Transgênicos no Simpósio de Saúde e Meio Ambiente

3, novembro, 2014 Sem comentários

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Brasil envia milho para a China

3, novembro, 2014 Sem comentários

Folhapress, via Diário de Cuiabá, 03/11/2014

Pequim, China | Um navio carregado de milho partiu em meados de setembro do Brasil e deve chegar nos próximos dias à China. É o primeiro embarque desde que o mercado chinês foi oficialmente reaberto ao cereal brasileiro, no fim de março.

O envio foi comemorado como um avanço pelas autoridades brasileiras, mas não clareou as incertezas que ainda cercam a exportação de milho para a China.

A maior dúvida é em relação a uma variedade de milho transgênico usada no Brasil, MIR 162, que não foi aprovada pelo Ministério da Agricultura chinês.

A variedade também é a mais usada pelos produtores dos Estados Unidos e da Argentina, que ao lado do Brasil estão entre os três maiores exportadores de milho do mundo.

No início do ano, a China barrou um carregamento do cereal procedente dos Estados Unidos, alegando ter detectado indícios da variedade MIR 162.

O carregamento que está a caminho da China não deve ter problemas, pois supostamente contem milho convencional ou de variedades transgênicas já aprovadas.

O caminho para as vendas de milho do Brasil para a China foi aberto em novembro do ano passado, com o acordo fitossanitário assinado entre os países.

O primeiro envio só ocorreu agora, dez meses depois, devido às dúvidas sobre a aprovação de sementes geneticamente modificados por parte das autoridades chinesas.

Para tratar dessa e de outras pendências, o ministro da Agricultura do Brasil, Neri Geller, planeja vir em meados de novembro a Pequim.

A visita ainda não está confirmada porque as datas previstas coincidem com a cúpula do bloco econômico Apec (Cooperação Econômica da Ásia e do Pacífico), o que dificulta o agendamento de encontros com o governo chinês.

Cercada de um mega esquema de segurança, a reunião da Apec terá a presença do presidente dos norte-americano, Barack Obama, entre chefes de Estado dos 21 países membros.

A China não tem pressa para liberar a entrada de mais milho, uma vez que está com excesso de estoque. Recentemente, realizou um grande leilão do cereal.

Apesar de ser um bom indício, o recente envio de milho brasileiro para a China não ocorre num momento muito propício para a exportação.

Como é muito mais barato comprar milho de fora do país do que a produção doméstica, o governo chinês decidiu restringir a importação, anunciou na semana passada o vice-premiê Wang Yang.

“A grande diferença entre os mercados estrangeiros e os domésticos causou uma disparada na importação de grãos. O estoque do outono corre sérios riscos”, disse.

Outra pendência que o ministro brasileiro tentará destravar em Pequim, caso sua visita se confirme, será a entrada da carne bovina brasileira na China.

É outra abertura de mercado chinês que ainda não saiu do papel. O produto foi barrado pela China no fim de 2012, devido a um caso atípico do mal da vaca louca. Em julho foi anunciada a suspensão do embargo, durante a visita ao Brasil do líder chinês, Xi Jinping. Mas até agora os procedimentos não foram finalizados e a decisão não entrou em vigor.