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Dados do Ministério da Saúde derrubam o mito da eficiência da agricultura industrial

19, outubro, 2016 Sem comentários

Dados do recém divulgado Relatório do Ministério da Saúde sobre Vigilância em Saúde a Populações Expostas a Agrotóxicos derrubam o mito da eficiência do modelo agroquímico. Entre 2007 e 2013, dobrou o uso de agrotóxicos enquanto a área cultivada cresceu 20%. É cada vez mais veneno jogado por metro quadrado de plantação. No mesmo período, dobraram os casos de intoxicação.

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Agricultura e a COP 21

22, janeiro, 2016 Sem comentários

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Como se vê na matéria indicada no link abaixo, parece que entidades ambientalistas e a Sociedade Rural brasileira estão falando a mesma língua unidas em torno a um “agronegócio sustentável”. A contribuição da agricultura para o clima vem do “robusto” programa ABC (Agricultura de Baixo Carbono, ou seja, mais e mais monoculturas carregadas de insumos químicos) e da integração lavoura-pecuária-florestas. Nenhuma palavra sobre o papel da agricultura familiar, da agroecologia e da Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica na adaptação aos efeitos das mudanças climáticas.

COP-21: Desafio do Brasil é ampliar agricultura de baixo carbono

 

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O desafio de se comprovar na Justiça a intoxicação por agrotóxicos

11, janeiro, 2016 Sem comentários

O fato de os sistemas de registros e notificações de contaminações, acidentes e mortes por agrotóxicos não darem conta de captar sua complexa realidade não significa que esses casos não venham ocorrendo.

06/01/2016

ICICT | Fiocruz – Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica

Comprovar que um óbito foi causado por um agrotóxico é um desafio. Enquanto algumas substâncias podem permanecer décadas no corpo humano (tais quais os organoclorados como o DDT, que é eliminado progressivamente pelas fezes, urina e leite materno), outras não ficam nem uma semana no organismo, o que não significa que não causam estragos.

A pesquisadora do Centro de Estudos da Saúde do Trabalhador e Ecologia Humana (CESTEH) da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (ENSP)/Fiocruz Karen Friedrich explica que há uma exigência de comprovações irrefutáveis da presença de um agrotóxico em exames clínico no sangue ou urina. “E isso é difícil ocorrer. Hoje em dia usamos muitos agrotóxicos – a maioria do grupo do organofosforados, neonicotinoides, piretróides – que são eliminados pela urina 24h, 48h, até 72 horas depois que o trabalhador ou morador foi exposto. O fato dele sair rápido também não indica que ele é seguro. Nesse caminho pelo organismo ele pode ter alterado funções hepáticas, renais e hormonais e ele sai do organismo, mas já alterou moléculas, já deixou seu efeito, muitas vezes irreversível”, explica.

Neste cenário, como provar que um óbito teve como causa o consumo ou manuseio de agrotóxicos? Um dos fatores começa na própria notificação dos casos nos sistemas de informação de saúde, organizados e produzidos pelo próprio Ministério da Saúde, que ajudariam a diagnosticar e enfrentar o problema.

Rosany Bochner, coordenadora do Sinitox, defende a transformação desses casos em eventos sentinelas. “Ao lidar com óbitos decorrentes de intoxicações ocupacionais por agrotóxicos estamos na presença de eventos raros, dificilmente notificados, mas que aportam uma enormidade de significados e sentidos, mantendo atrás de si diversas outras vítimas”, afirma.

Ela também explica que a análise dessas informações pode levar as autoridades governamentais a algumas ações positivas em prol da saúde do trabalhador e da população: “As autoridades devem buscar o local da exposição e proceder com ações de vigilância, incluindo averiguação das condições de trabalho, verificação do uso de equipamentos de proteção individual (EPI), inclusive suas trocas periódicas, aplicação de exames específicos de sangue para intoxicações por agrotóxicos, por exemplo”.

Um dos casos que confirmam a importância da notificação foi a história de VMS, já contada na matéria que abre a série “Agrotóxicos: a história por trás dos números”.  VMS era almoxarife de uma multinacional na comunidade de Cidade Alta, em Limoeiro do Norte (Chapada do Apodi – Ceará). E, após dois anos e meio trabalhando como auxiliar no preparo da solução de agrotóxicos para borrifo na lavoura de abacaxi, faleceu aos 31 anos.

Em 2013, a Justiça reconheceu que a morte de VMS foi motivada “pelo ambiente ocupacional”, ou seja, pelo trabalho com os agrotóxicos.  A ação movida pela família do trabalhador foi ganha em primeira e segunda instâncias na Justiça do Ceará, e representa um marco histórico na luta contra o uso intensivo de agrotóxico, pois abre o precedente de se provar legalmente que a exposição a esses produtos, mesmo com “uso seguro” de EPIs, pode levar a morte.

Pioneirismo na Justiça

Segundo o advogado da causa Claudio Silva, esta foi “uma vitória não apenas para a autora da ação, mas uma sinalização positiva para milhares de trabalhadores e trabalhadoras submetidos a situações semelhantes. São diversas situações de exposição aos agrotóxicos que permanecem no anonimato e injustiça”, afirma.  Ele ressalta que a decisão é pioneira no Brasil, segundo afirmou a desembargadora que relatou o acórdão no Tribunal Regional do Trabalho (TRT-7).

A interposição da ação de Reclamação Trabalhista com Indenização por Danos Materiais e Morais resultou no reconhecimento, pela Justiça do Trabalho, “do nexo de causalidade entre a exposição contínua do trabalhador aos agrotóxicos e o dano (morte)”, explica o advogado, que também é membro da Rede Nacional de Advogados Populares e realiza assessoria jurídica a movimentos populares, associações civis, sindicatos, ONGs e organizações de Diretos.

No processo da família de VMS, a equipe jurídica que cuidou do caso temeu não encontrar testemunhas, mas o que ocorreu foi o contrário, pois havia uma forte mobilização dos empregados da empresa condenada. “A gravidade do fato sensibilizou os colegas. A principal dificuldade era o receio de retaliação por parte das empresas do agronegócio. Os depoimentos apresentados foram decisivos para configuração do ambiente laboral”, explica Claudio Silva.

A ação já foi vitoriosa na 1ª e na 2ª instância da Justiça. Mas Silva reconhece que há limitações que dificultam não só o acesso à Justiça como um todo, mas também a condições mínimas de atendimento socioassistencial. “Diversos profissionais da saúde e de atendimento assistencial e psicossocial não sabem ou não conseguem lidar com situações de intoxicação ocupacional. Uma abordagem qualificada certamente motivaria mais trabalhadores e trabalhadoras a buscar reparação no Judiciário”, diz.

Em relação às notificações de intoxicação por agrotóxicos, Silva afirma que a situação “é gravíssima”. Ele acredita que ainda “não temos dimensão real do quadro”: “A expansão da utilização de agrotóxicos – parte do processo de reprodução das áreas do agronegócio – põem em risco todos os envolvidos: trabalhadores e trabalhadoras rurais, consumidores e o meio ambiente”, enfatiza.

No documentário “Nuvens de Veneno”, uma parceria da VideoSaúde Distribuidora da Fiocruz, com a Secretaria de Saúde de Mato Grosso e a produtora Terra Firme, realizado em 2013, é possível ver o depoimento do sindicalista Wilfo Wandscheer e do trabalhador rural, Celito Ketzer, que falam sobre os efeitos marcantes da intoxicação por agrotóxicos. Veja aqui.

Caminhos de esperança

Ex-gerente de Toxicologia da Anvisa, o pesquisador do CESTEH/Ensp/Fiocruz, Luiz Claudio Meirelles, cita alguns caminhos que podem auxiliar na melhoria das notificações: a estruturação de bancos de dados sobre os produtos, seus efeitos e tratamento para população geral e profissionais da área médica;  sistemas de registro mais simplificados e interativos; capacitação de profissionais de saúde para entender e registrar agravos; organização de redes de pesquisadores independentes para aprofundar conhecimento sobre agrotóxicos e danos crônicos, por exemplo. Para ele é importante ainda “informação para atuação da sociedade civil e sindicatos no sentido de identificar o problema e impedir o cerceamento da atividade de notificação”.

Claudio Silva acredita que a sociedade brasileira já tem demonstrado “manifestações de descontentamento com esse modelo de produção agrícola” e que a “a produção acadêmica tem sido fundamental para revelar as reais consequências do uso dos agrotóxicos”. Ele também destaca que o Judiciário e o Ministério Público do Trabalho têm dado atenção ao problema, com a criação do Fórum Nacional de Combate aos Impactos dos Agrotóxicos: “O cenário é grave, mas há sinais de esperança e superação”, afirma. Silva espera que o resultado do processo no caso de VMS “sirva de paradigma para outras ações. Isso vai depender da capacidade dos trabalhadores e trabalhadoras, individualmente ou por suas organizações, levarem as demandas ao Judiciário”.

Esta é a segunda reportagem da série “Agrotóxicos: a história por trás dos números”, realizada pelo Icict, com matérias sobre uso de agrotóxicos no Brasil.

Leia a primeira matéria da série aqui

La tierra en Paraguay

7, dezembro, 2015 Sem comentários

85% das terras agricultáveis do país estão nas mãos de apenas 2% dos produtores

Entre 1997 e 2006, a cada ano cerca de 9 mil famílias deixaram o campo em função da expansão da soja e das monoculturas


Brasil sustenta 19% do lucro da Syngenta

22, maio, 2015 Sem comentários

É a riqueza gerada no país sendo exportada para o estrangeiro. Será que os que alegam que 30% do PIB vem do agronegócio incluíram esses dados na conta?

 

syngenta 2014

The Wall Street Journal, 08/05/2015

Kátia Abreu, a ministra que desmata até a razão

12, janeiro, 2015 Sem comentários

CartaCapital, 11/01/2015.

De 2011 a 2014, a presidenta Dilma Rousseff incorporou 2,9 milhões de hectares à área de assentamentos e beneficiou 107,4 mil famílias sem-terra, segundo o mais recente balanço do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária, divulgado na quarta-feira 7. É a menor média anual de assentamentos desde o governo Fernando Henrique Cardoso. A petista distribuiu terras a 26,8 mil famílias a cada ano, contra 76,7 mil no período Lula e 67,5 mil nos dois mandatos do tucano.

Apesar do incremento de programas sociais no campo e dos investimentos em assistência técnica, os movimentos rurais queixam-se do baixo ritmo de desapropriações e da manutenção da secular estrutura agrícola, baseada no latifúndio e na monocultura voltada para a exportação. Enquanto isso, 120 mil famílias permanecem acampadas à espera da reforma agrária.

Devem perder a esperança? Sim, se depender da nova ministra da Agricultura, Kátia Abreu, uma escolha pessoal de Dilma. Em seu discurso de posse, a ruralista chegou ao cúmulo de negar a existência de latifúndios no País. Por consequência, defendeu uma desaceleração ainda maior no programa de reforma agrária. “Ele tem de ser pontual, para os vocacionados. E se o governo tiver dinheiro não só para dar terra, mas garantir a estrutura e a qualidade dos assentamentos. Latifúndio não existe mais.”

Escalado para fazer o contraponto a Kátia Abreu neste novo governo, Patrus Ananias, agora ministro do Desenvolvimento Agrário, foi obrigado a rebater a colega logo em seu primeiro pronunciamento oficial, durante a posse. “Ignorar ou negar a existência das desigualdades e injustiças é uma forma de perpetuá-las. Não basta derrubar a cerca dos latifúndios, é preciso derrubar também as cercas que nos limitam a uma visão individualista e excludente do processo social.”

Os números oficiais revelam a dimensão do lapso da ministra. O Brasil possui cerca de 130,3 mil latifúndios ou grandes propriedades rurais, que concentram uma área superior a 244,7 milhões de hectares. O tamanho médio é de 1,8 milhão de hectares (ou 18 mil quilômetros quadrados). Ou seja, 2,3% dos proprietários concentram 47,2% de toda área disponível à agricultura no País. Os números foram atualizados no fim de 2014 e constam na base do Cadastro de Imóveis Rurais do Incra. Referem-se apenas aos imóveis rurais privados, excluídas da soma as terras públicas ou devolutas.

Um estudo da Associação Brasileira da Reforma Agrária estima que ao menos metade dessas grandes propriedades são improdutivas. Além disso, há tempos os movimentos sociais reivindicam a atualização dos índices de produtividade da terra, um dos principais critérios utilizados na desapropriação de áreas para novos assentamentos. “O problema é que esses índices estão baseados no Censo Agropecuário de 1975”, explica o engenheiro agrônomo Gerson Teixeira, presidente da Abra. “Utilizam-se os mesmos parâmetros de 40 anos atrás, sem levar em conta a gigantesca evolução tecnológica ocorrida no campo nesse período.”

Dados compilados pela Companhia Nacional de Abastecimento comprovam o progresso mencionado por Teixeira. A produtividade de algumas culturas mais do que triplicou nas últimas quatro décadas. Na safra de 1976/77, o Brasil produziu 1.501 quilos de arroz ou 1.632 quilos de milho por hectare. Em 2013/14, a colheita rendeu mais de 5 mil quilos dos mesmos produtos por hectare. Segundo um estudo do Ipea, o índice de produtividade agrícola brasileiro multiplicou-se em 3,7 vezes de 1975 a 2010, quase o dobro do crescimento observado nos EUA. Esse incremento corresponde a um avanço médio anual de 3,6% ao longo dos 35 anos considerados na pesquisa.

Patrus promete revisar esses índices e encampar um debate público sobre a função social da terra. Não é a primeira vez que o Executivo estimula a discussão. Em diferentes momentos, o governo Lula propôs a atualização dos indicadores, mas cedeu às pressões da bancada ruralista no Congresso. No primeiro mandato, Dilma evitou a arenga. Agora, os movimentos sociais renovam as esperanças de uma efetiva redistribuição de terras.

“A correlação de forças no Congresso não é das melhores e a presença no governo de uma latifundiária, como Kátia Abreu, desanima. Mas o discurso de Patrus indica uma nova orientação política, que pode acelerar os processos de desapropriação de terras”, afirma Alexandre Conceição, da coordenação nacional do MST. “É possível assentar ao menos 50 mil famílias a cada ano.”

Embora necessária, a atualização dos defasados índices de produtividade agrícola deve encontrar forte resistência dos representantes do agronegócio. Um levantamento preliminar do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar indica a presença de ao menos 139 ruralistas na Câmara dos Deputados a partir de 2015. A Frente Parlamentar da Agropecuária, por sua vez, garante ter uma base de apoio ainda maior: cerca de 250 deputados e 16 senadores.

Na avaliação do economista Bastiaan Reydon, professor da Unicamp e consultor do Banco Mundial, o maior desafio do governo é conhecer melhor sua situação fundiária e reforçar o combate à especulação com terras. “Enquanto Napoleão fez o cadastramento de todos os imóveis rurais da França no início do século XIX, o Brasil ainda não concluiu o seu mapeamento”, alerta.

“Hoje, mesmo quem não tem lucros expressivos com a agropecuária prefere ficar na terra, pois sabe que ela se valorizará com o tempo. Pela atual legislação, um latifúndio improdutivo deveria pagar cerca de 20% de seu valor em impostos por ano. Em cinco anos, o especulador perderia o imóvel. Mas o governo nem sequer conhece com exatidão os proprietários de todas as terras. Apenas 64% do território nacional está georreferenciado.”

A produção industrial de alimentos

16, maio, 2014 Sem comentários

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Produtividade desacelera na última década

14, outubro, 2013 Sem comentários

Maiores quedas de crescimento da produtividade foram justamente para soja e algodão, culturas que no período avaliado foram convertidas para a transgenia, sobretudo a soja. Como a adoção do milho transgênico é bem mais recente, seu efeito sobre a produtividade da cultura ainda não pôde ser avaliado. Mas a matéria é suficientemente apologética do sistema para não entrar no tema. No caso da cana o doutor entrevistado lamenta que o setor não cresceu porque não fez parcerias com multinacionais como a Monsanto. E volta a pergunta: mas os transgênicos não viriam para aumentar a produção e acabar com a fome no mundo?

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Valor Econômico, 08/10/2013

A despeito do extraordinário [sic] desempenho econômico do agronegócio, a produtividade das lavouras brasileiras cresceu em ritmo mais lento – ou mesmo caiu – na última década. De acordo com dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o rendimento das plantações de grãos e fibras cresceu, em média, 2,56% entre as safras 2003/04 e 2012/13, ante 4,24% nos dez anos anteriores.

As dificuldades impostas por novas pragas (como a ferrugem da soja), mudanças no uso da terra e barreiras à incorporação de novas tecnologias levaram a ganhos mais modestos no campo.

Carro-chefe do agronegócio, a soja explicita essa tendência. Na última década, a produtividade média da cultura cresceu, em média, 1,03% ao ano, ante uma taxa de 2,89% entre 1993/94 e 2002/03 e de 3,69% entre 1983/84 e 1992/93.

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Vandana Shiva: o agronegócio é um modelo esgotado

7, agosto, 2013 Sem comentários

“A agricultura industrial é a padronização do conhecimento, é a negação do conhecimento sobre a arte de cultivar a terra. Porque o verdadeiro conhecimento é desenvolvido pelos próprios agricultores, e pelos pesquisadores, em cada região, em cada bioma, em cada planta.”

O jornal Brasil de Fato publicou entrevista com a cientista indiana Vandana Shiva, que esteve no interior de São Paulo na semana passada para participar do III Encontro Internacional de Agroecologia.

“Quando perguntada sobre as recomendações que daria aos jovens, aos estudantes de agronomia, aos agricultores praticantes da agroecologia, Vandana Shiva elencou seis pontos:

Primeiro: disse que a base da agroecologia é a preservação e a valorização dos nutrientes que há no solo. Neste instante, a indiana fez referência a outra cientista presente na plateia que a assistia muito atenta, a professora Ana Maria Primavesi. “Precisamos ir aplicando as técnicas que garantam a saúde do solo, e dessa saúde, recolheremos frutos com energia saudável.”

Segundo: estimular que os agricultores controlem as sementes. As sementes são a garantia da vida. “Nós não podemos permitir que as empresas transnacionais transformem nossas sementes em meras mercadorias. As sementes são um patrimônio da humanidade.”

Terceiro: precisamos relacionar a agroecologia com a produção de alimentos saudáveis que garantam a saúde e assim conquistar os corações e mentes da população da cidade, que está sendo cada vez mais envenenada pelas mercadorias com agrotóxicos. “Se vincularmos os alimentos com a saúde das pessoas, ganharemos milhões de pessoas da cidade para a nossa causa.”

Quarto: precisamos transformar os territórios em que os camponeses têm hegemonia em verdadeiros santuários de sementes, de árvores sadias, de cultivo da biodiversidade, da criação de abelhas, da diversidade agrícola.

Quinto: precisamos defender a ideia que faz parte da democracia, a liberdade das pessoas de terem opções de alimentos. Elas não podem mais serem reféns dos produtos que as empresas colocam nos supermercados de acordo com a sua vontade apenas.

Sexto: precisamos lutar para que os governos parem de usar dinheiro público – que é de todo o povo – para subsidiar, transferir esses recursos para os fazendeiros. Isso vem acontecendo em todo o mundo e também na Índia. O modelo do agronegócio não se sustenta sem os subsídios e vantagens fiscais que os governos lhes garantem.”

Custos aumentam na safra 2013/14

12, junho, 2013 Sem comentários

Dados para o MT:

Custo médio de produção subiu 21%

Preço das sementes subiu 53%

Agrotóxicos subiram 20%

O último levantamento da safra divulgado pela Conab indica produtividade média de 3,06t/ha de soja para o MT, mantendo o valor dos últimos três anos.

Considerando os dados baixo de custos de produção (equivalente a 2,4t/ha) e preço da saca de soja (R$57,50), o produtor ficará com o equivalente a meros 600 kg/ha. Assim, boa parte dos R$ 136 bi que o governo acabou de anunciar para o Plano Safra vai para empresas como Monsanto, Cargill etc.

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VALOR ECONÔMICO, 12/06/2013

A escalada nos custos de produção e o risco de desvalorização da soja na safra 2013/14 estão tirando o sono dos agricultores de Mato Grosso, que já consideram como certa uma nova queda na rentabilidade no atual ciclo.

Segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), o custo médio total de produção no Estado subiu 21% neste ano, para R$ 2.315,47 por hectare. “O aumento é considerável, uma vez que a cotação da soja só vem caindo”, afirma Daniel Latorraca, gestor da entidade. Só o custo com sementes subiu quase 53%, segundo ele.

Para agravar o cenário, a tendência é de queda para os preços da soja. Desde novembro, a cotação da oleaginosa em Rondonópolis recuou cerca de 18%, de R$ 70,26 para R$ 57,50 por saca.

A tensão cresce em meio à perspectiva de uma supersafra nos EUA e de mais um aumento de área em Mato Grosso, que poderia levar a produção a superar a barreira das 25 milhões de toneladas. “Todos esses números nos dão a projeção de preços menores”, concluiu Latorraca.

De acordo com a Agroconsult, a rentabilidade média sobre os custos diretos em Mato Grosso pode cair mais de 30%, para R$ 620 por hectare, se as projeções em relação ao tamanho da produção se confirmarem. “Se contabilizarmos itens como depreciação e preço de arrendamento, o produtor pode ficar muito perto do “break even”, afirma André Pessôa, sócio-diretor da consultoria.

O presidente da Associação dos Produtores de Soja no Brasil (Aprosoja), Glauber Silveira, afirmou ontem, durante o Seminário “Caminhos da Soja”, promovido pelo Valor, estar “apreensivo” com o cenário que se desenha. “Se a safra americana se consolidar, podemos ter problemas”. Segundo ele, a logística deve pressionar ainda mais as margens do setor.

André Pessôa, da Agroconsult, lembra que as tradings arcaram com a alta dos fretes rodoviários na safra 2012/13, mas a conta vai ser repassada para o produtor no novo ciclo. Ele estima que o prejuízo com a alta desse custo oscilou entre R$ 50 e R$ 100 por tonelada.

A alta dos defensivos também preocupa. De acordo com Silveira, o insumo já subiu 20% em dólar. Segundo ele, os agricultores de Mato Grosso devem gastar até nove sacas de soja na compra de agrotóxicos na próxima safra, ante sete na última.

Diante das incertezas, a comercialização da nova safra está mais lenta. Analistas estimam que apenas 25% da produção esperada já tenha sido vendida, ante mais de 50% há um ano. Com isso, as operações de barter (troca de insumos por sacas de soja) também estão travadas.

Por isso, os produtores têm preferido as compras de insumos à vista. Segundo o Imea, eles já fecharam a aquisição de mais de 60% dos insumos (sementes, fertilizantes e defensivos) para a safra 2013/14, sendo 40% com pagamento à vista e apenas 20% em sistema de troca. “O atraso na comercialização é ruim porque aumenta o risco do produtor, que está exposto às oscilações de preço nos próximos meses”, afirma Pessôa.

O ritmo de comercialização também está lento no Sul. De acordo com José Aroldo Gallassini, da Coamo, apenas 5% da próxima safra já foi vendida pelos produtores ligados à cooperativa. “Na última safra, as vendas antecipadas começaram a R$ 49 por saca, e depois subiram a R$ 64. No momento, os produtores estão vendendo com valores entre R$ 51 e R$ 54, na expectativa de que haja ainda algum ganho”, concluiu. (MC, GFJ e LHM)

 

Um futuro melhor na visão da Syngenta

7, maio, 2013 2 comentários

republica da soja

O avesso da reforma agrária

4, abril, 2013 1 comentário

Dez grandes companhias já controlam uma área superior a 1 milhão de hectares na região

Cerrado piauiense vira soja

 

Valor Econômico, 01/04/2013 | via clipping do MPOG

Por Gerson Freitas Jr.

De Bom Jesus (PI) e Balsas (MA) |  O avanço da soja no Mapito – região fronteiriça entre os Estados do Maranhão, Piauí e Tocantins, além da Bahia – nos últimos anos foi impulsionado pela presença de grandes grupos empresariais e fundos de investimento. Um levantamento feito pelo Valor mostrou que dez grandes companhias já controlam – direta ou indiretamente – uma área superior a 1 milhão de hectares na região. Embora nem toda essa área já esteja cultivada, ela representa cerca de um terço dos 3 milhões de hectares em que a soja está sendo colhida na região na atual safra.

Quem percorre os quase 120 quilômetros de chão batido da rodovia PI-397, que corta a Serra do Quilombo, no Piauí, vê um cenário em transformação. Longas extensões de vegetação nativa postas no chão anunciam o avanço das lavouras de soja e milho sobre o chapadão, naquela que é conhecida como a “última fronteira agrícola” do país – a porção de Cerrado que engloba o sul do Maranhão e do Piauí, o leste do Tocantins e o oeste da Bahia, também conhecida pelo acrônimo “Mapitoba”.

O Piauí integra aquela que é conhecida como a “última fronteira agrícola” do país – a porção de Cerrado que engloba ainda o sul do Maranhão, a parte leste do Tocantins e o oeste da Bahia e que ficou conhecida pelo acrônimo “Mapitoba”.

Nos últimos 10 anos, a área plantada com soja nessa região cresceu em mais de 1,7 milhão de hectares, para quase 3 milhões – pouco mais de 10% da área dedicada ao grão em todo o país na última safra. No período, a área ocupada com lavouras mais do que dobrou no Maranhão, triplicou no Tocantins e praticamente quintuplicou no Piauí. Mais de dois terços desse crescimento aconteceu a partir do ciclo 2005/06 – não à toa, quando os preços internacionais da commodity iniciaram sua escalada.

O que mais chama atenção em relação ao avanço da produção em uma das regiões mais pobres do país é o perfil desse crescimento. Trata-se de um fenômeno impulsionado pela chegada de grandes empresas de capital aberto, controladas por fundos estrangeiros ou por empresários nacionais ligados a outros ramos da economia. E que exploram um modelo de produção que combina altíssima escala, gestão profissional e acesso aos mercados de capitais.

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Os rumos da “Reforma Agrária”, artigo de Gerson Teixeira

17, janeiro, 2013 Sem comentários

 

O jornal Folha de São Paulo publicou hoje artigo do presidente da Associação Brasileira de Reforma Agrária (ABRA) mostrando que o desmanche das políticas de reforma agrária no país pode se intensificar ainda mais caso o governo leve adiante proposta da CNA para o tema. Logo a CNA da senadora Katia Abreu, que apregoa que o agronegócio não precisa de mais terras para seguir produzindo mais e mais.

Teixeira alerta para a “expectativa de apropriação, pelo agronegócio, de milhões de hectares dos assentados [incluindo] a regularização “de ofício” dos imóveis localizados às margens das rodovias federais na Amazônia (…) e a facilitação da ratificação dos títulos das propriedades nas faixas de fronteiras indevidamente emitidos pelos Estados”. Pior, informa o presidente da Abra que o pacote da CNA parece já ter sido abraçado pelo governo Dilma.

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Exportações do agronegócio aumentam 400% em 10 anos

15, janeiro, 2013 Sem comentários

The Washington Post, 16 de dezembro de 2012

O boom da agricultura brasileira

O total das exportações de produtos agropecuários do Brasil cresceu 400% entre 2001 and 2011. O país é líder mundial na expotação de açúcar, café, suco de laranja, soja e frango [o que para muitos significa uma reprimarização da economia brasileira, cada vez mais especializada e dependente da exportação de produtos de baixo valor agregado, sejam eles da agropecuária ou da mineração. O gráfico mostra União Europeia e China como os grandes compradores de produtos brasileiros, mas por mais quanto tempo essa demanda se manterá?].

O gráfico ilustra a reportagem “In Brazil, a landholder who speaks for agribusiness”, sobre a senadora ruralista Kátia Abreu (PSD/TO, ex-DEM, ex-PFL), que pode ser lido em português na página da CNA. A matéria trata dos esforços que a senadora vem promovendo para tentar desvicular a imagem de seu setor do atraso e da truculência, passando também pelas posições pra lá de retrógradas assumidas em temas como desmatamento, código florestal e trabalho escravo.

 

Fontes: Agriculture and Livestock Confederation of Brazil (CNA); SECEX (Secretariat of Foreign Trade, Brazil); Global Trade Information Services, (GTIS); USDA Foreign Agricultural Service.

Comer ou não comer, quem decide? Artigo de Silvia Ribeiro

6, setembro, 2012 Sem comentários

La Jornada, 25/08/2012

Tradução: ADITAL, 28/08/2012

Silvia Ribeiro é pesquisadora do Grupo ETC

No nordeste da Argentina, essa província, que deve seu nome às missões jesuítas instaladas na região do século XVI ao século XVIII, era coberta pela floresta tropical. Entretanto, a paisagem foi transformada há cerca de um século pelos colonos de origem européia, que desmataram uma parte grande do território a fim de explorar a terra vermelha, rica em óxido de ferro e muito fértil. Em dez anos, o consumo de herbicidas à base de glifosato passou de 28 milhões a 200 milhões de litros, enquanto, nesse mesmo período, 100.000 agricultores foram obrigados a abandonar suas fazendas. Foto: Yann Arthus-Bertrand, http://terravistadoceu.com

Como serpente que morde o próprio rabo, o sistema alimentar industrial –que é o principal causador da mudança climática global- se sacode pelas perdas de colheitas devido a intensas secas nos Estados Unidos. Em algumas partes, apesar de que há colheita, esta não pode ser utilizada porque por falta de chuva as plantas não processam os fertilizantes sintéticos e tornam-se tóxicos para o consumo. Tudo isso está relacionado com o mesmo sistema industrial: sementes uniformes, sem biodiversidade, com agrotóxicos e fertilizantes sintéticos, com uso de transporte, energia e petróleo -portanto, grande emissor de gases de efeito estufa-, e controlado pelas transnacionais.

No caso do milho, a escassez se exacerba porque 40% da produção nos Estados Unidos destina-se ao etanol, ou seja, para alimentar carros em vez de gente.

Por Estados Unidos serem um dos principais exportadores mundiais de milho, soja e trigo, juntamente ao fato de que 80% da distribuição global de cereais está em mãos de quatro multinacionais que administram o abastecimento de modo a obter mais lucros, a baixa de produção nesse país tem efeito dominó sobre o mercado global, onde os preços dos alimentos estão disparados. Além dos grãos, sobem os preços das aves, dos porcos e do gado, já que mais de 40% da produção de cereais do mundo é usada como forragem para a criação industrial confinada de animais. O que é outro absurdo do mesmo sistema agroindustrial, já que seria muito mais eficiente usar os cereais para a alimentação humana e consumir menos carne, ou que a criação fosse em pequena escala, com forragens diversificadas. A criação industrial confinada e massiva de animais também dá origem a epidemias, como a gripe suína e a gripe aviária, que, por sua vez, geram escassez e aumento de preços, como vimos recentemente no México, com o aumento do preço dos ovos devido a um brote de gripe aviária.

Os que mais sofrem com os aumentos de preços são os mais pobres, principalmente os que vivem em zonas urbanas, que gastam 60% de seus ingressos em alimentos.

Ao contrário, as poucas transnacionais que controlam o sistema alimentar e agroindustrial (da Monsanto até a Wal-Mart, passando pela Cargill, ADM, Nestlé e algumas mais), que controlam as sementes e pés de criação, os agrotóxicos, a compra, distribuição e armazenamento de grãos (também para biocombustíveis), os processadores de carnes, alimentos e bebidas, bem como os supermercados, são os responsáveis pela crise; porém, se blindaram contra seus efeitos, trasladando as perdas para os pequenos produtores, para os consumidores e para os cofres públicos. Para elas, o caos climático e a escassez não significam perdas, mas aumento nos lucros, como acontece com as sementes, com os agrotóxicos e fertilizantes que voltam a ser vendidos, ou a empresas que armazenam cereais, os acaparam e especulam, vendendo-os mais caros; ou os produtos em supermercados, cujo preço aumenta muito mais do que a proporção no início da cadeia produtiva.

O caso do milho no México é ilustrativo. Apesar de que os agricultores do norte do país afirmam ter 2 milhões de toneladas para vender, recentemente importaram 1.5 milhões de toneladas dos Estados Unidos (transgênico) e, por outro lado, venderá 150 mil toneladas para El Salvador e outra partida para a Venezuela. Anteriormente, havia comprado meio milhão de toneladas da África do Sul. Absurdo para o clima, devido aos transportes desnecessários; e, brutal contra a produção nacional. Questionado, o Secretário de Economia, Bruno Ferrari (que foi funcionário da Monsanto), lavou as mãos, alegando que é uma decisão de empresas privadas.

O pano de fundo, como explica Ana de Ita, do Centro de Estudos para o Campo Mexicano (Ceccam), é que o contexto das políticas para liberalizar a produção agrícola nacional que precederam à assinatura do Tlcan, desmantelou-se a paraestatal Companhia Nacional de Subsistências Populares (Conasupo), que equilibrava o comércio interno de milho, entregando o mercado interno às transnacionais: empresas como Cargill, ADM, Corn Products International, junto a grandes granjas suínas, avícolas e de processamento industrial de ‘tortillas’. Estas compram a quem lhes convém, seja porque é mais barato ou por outras razões, como comprar a agricultores com os quais têm contratos de produção nos Estados Unidos.

Esse tipo de empresas –e seus ex-funcionários no governo, como Ferrari- são as que afirmam que se deve importar milho, porque a produção nacional não é suficiente. No entanto, nos últimos anos, o México produziu ao redor de 22 milhões de toneladas anuais, e o consumo humano é de uns 11 milhões. São usados em derivados industriais outros 4 milhões de toneladas, restando ainda 7 milhões. Porém, as empresas importam entre 8-9 milhões de toneladas anuais adicionais, porque são utilizadas 16 milhões de toneladas de milho na criação industrial massiva de aves e porcos –também de grandes empresas.

Se a criação fosse descentralizada e com forragens diversificadas haveria suficiente produção, sem epidemias e sem milho transgênico de transnacionais, com muitas mais fontes de trabalho rural. A importação de milho para o México não é necessária; é, simplesmente, um negócio entre transnacionais, comutado e subsidiado pelo governo.

Se as políticas públicas protegessem a produção agrícola e pecuária diversificada e de pequena escala, com sementes próprias e públicas nacionais, se diversificariam os riscos –inclusive climáticos- e teríamos produção alimentar suficiente, acessível e de melhor qualidade.