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Família de Palmeira produz alimentos agroecológicos há mais de 20 anos

24, janeiro, 2017 Sem comentários

leiafolha.com.br

 

por Rogério Lima –

Há mais de 20 anos, a família de Nilce e Roberto Gurski, residente na localidade de Faxinal dos Quartins, interior do município de Palmeira, vem produzindo alimentos agroecológicos saudáveis. A propriedade da família tem três alqueires e a área cultivada ocupa apenas a metade do total, sendo o restante composto por matas e proteção de fontes.

Na propriedade dos Gurski, hoje são cultivadas diversas espécies de hortaliças, tubérculos e também cereais como milho e feijão, tudo com a comercialização garantida. A venda dos produtos acontece na feira agroecológica que é realizada todos os sábados na cidade, bem como com a entrega de sacolas em forma de kits nas casas dos consumidores, mercados locais, restaurantes e merenda escolar. Na casa da família vende-se a produção para vizinhos e os Gurski consomem o que produzem na alimentação da própria família.

Além de produzir, a família também transforma os produtos. Na propriedade, funciona uma agroindústria devidamente regularizada pela Vigilância Sanitária, na qual são produzidos conservas de diversas espécies, picles, molho de tomate, compotas, doces caseiros e sucos de frutas.

A propriedade dos Gurski é certificada como agroecológica pelo Instituto Tecnológico do Paraná (Tecpar) e também pela Rede Ecovida, o que é destacado na rotulagem dos alimentos comercializados.

Segundo a família, a demanda de alimentos para a comercialização no município é maior do que a produção que se tem na propriedade. “Se tivéssemos o dobro da produção de hoje, a venda era garantida, pois comércio tem, basta ter a insistência, teimosia e dedicação para produzir alimentos saudáveis agroecológicos”, afirma Roberto.

A produção das hortaliças e do morango é feita em estufas cobertas, o que evita danos dependendo da época do ano, como doenças e fungos que possam prejudicar a produção.

A família, que participa de um projeto desenvolvido por entidades do setor agrícola, tem o hábito de receber grupos de pessoas, incluindo consumidores, que buscam conhecer como são produzidos os alimentos. São grupos de vários municípios da região, mas principalmente de Palmeira.

Projeto

O projeto que a AS-PTA vem executando no município junto com a Associação dos Produtores Ecológicos de Palmeira (APEP) e a Cooperativa da Agricultura Familiar de Palmeira (Cafpal), do qual participa a família Gurski, tem como o título “Promoção da articulação entre cidade e campo em dinâmicas locais e regionais de abastecimento agroecológico, conjugado com incidência política em soberania e segurança alimentar”.

Segundo o assessor técnico da AS-PTA, André Emílio Jantara, “o objetivo principal do projeto é promover e articular as dinâmicas locais e regionais de produção, processamento e abastecimento agroecológico em organizações do campo e da cidade, orientadas em relações solidárias e nos princípios da soberania e segurança alimentar das populações”.

Na região, o projeto alcança os municípios, desenvolvido junto ao Sindicato dos Trabalhadores Rurais de São João do Triunfo e a Cooperativa de Agricultores Familiares de São Mateus do Sul. O projeto recebe financiamento externo da organização MISEREOR-Katholische Zentralstelle für Entwicklungshilfe, da Alemanha.

Também participam do projeto outras entidades ligadas à produção agroecológica nos estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul, onde também estão executando as atividades propostas junto aos consumidores locais de alimentos agroecológicos em suas respectivas regiões.

Intercâmbio

Jantara informa que em Palmeira, uma próxima etapa do projeto, ainda neste ano, é realizar algumas visitas de intercâmbio entre os consumidores locais e os agricultores que estão produzindo. “Assim, o consumidor poderá ver a forma como são produzidos os alimentos agroecológicos, preparados e até processados para que cheguem à sua mesa através da feira, mercados, restaurantes e das sacolas entregues em seus domicílios”, explica o assessor técnico da AS-PTA.

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Em meio a seca histórica, agroecologia gera renda para sertanejos do NE

12, janeiro, 2017 Sem comentários

Reportagem da Folha se S. Paulo destaca trabalho realizado desde 1993 pela AS-PTA, em parceria com o Polo da Borborema, no agreste paraibano.

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PATRICIA PAMPLONA ENVIADA ESPECIAL A ESPERANÇA (PB)

Em meio ao sertão da Paraíba, que enfrenta uma seca histórica de cinco anos, Marlene Pereira, 46, sustenta sua família com o que planta em seu terreno de menos de meio hectare, menor que um campo de futebol, em Lagoa Seca, a 142 quilômetros de João Pessoa.

A venda de cebolinha, coentro, batata doce, alface, couve, milho, além das criações de galinha e bode, na feira agroecológica da cidade, uma das 12 na região do Polo da Borborema, garante a renda.

“Nossos produtos são livres de agrotóxicos”, conta a agricultora. “A gente mesmo produz o biofertilizante. É totalmente agroecológico.”

Agroecologia gera renda

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A variedade nem sempre esteve nos terrenos de Marlene. “Nossos pais e avós diziam que tinha que plantar uma coisa, não dava um monte de coisa no mesmo local”, diz. “Hoje, eu boto tudo no chão e dá. Tendo água, dá tudo.”

A água vem das cisternas que chegaram ao município em 2010. A tecnologia social é certificada pela FBB (Fundação Banco do Brasil), que já construiu 92 mil equipamentos do tipo em todo o semiárido nordestino e pretende alcançar ainda mais municípios.

Elas servem tanto para consumo das famílias, com captação da chuva no telhado para reservatórios de 16 mil litros, quanto para criação de animais e produção, em calçadões inclinados de 200 metros quadrados e com tanques de 52 mil litros.

“Antes, era uma vida só da cacimba [poço]. Acabou a água, acabou tudo”, lembra Marlene. “Hoje, não. A gente, mesmo nesse período de seca, continua mantendo nossas feiras agroecológicas.”

Delfino Oliveira, 23, também é um dos agricultores da região. Na zona rural do município de Esperança, ele mantém a variada plantação no terreno onde mora com os pais e os irmãos.

Além das cisternas para captação de água, a área conta com um biodigestor, que gera gás de cozinha a partir do esterco dos animais. O uso do equipamento reduziu o consumo de botijões de gás para um ao ano.

O jovem agricultor vende seus produtos em uma das 12 feiras da região. O restante, utiliza para consumo próprio. “Aqui não tem desperdício. Se não vender na feira, comemos em casa. E se não der para a gente comer, vai para os animais”, diz.

TRANSFORMAÇÃO

Apesar de a rede de agroecologia da região existir desde 1994, a feira em Lagoa Seca surgiu apenas em 2002, e as melhorias vieram em 2014, quando foi lançado o projeto Ecoforte – Redes de Agroecologia na Borborema.

Com recursos da FBB e do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), ele incentiva o protagonismo das mulheres, o acesso a feiras e promove fundos solidários e bancos de sementes crioulas.

Há dois anos, os mercados contam com estrutura como barracas e equipamentos de transporte. “A gente não toma chuva, sol. As pessoas que vêm comprar também tem um local mais adequado”, relata Marlene.

As iniciativas facilitam a vida no semiárido e ajudam a permanência dos sertanejos na agricultura. Com incentivo do sindicato da região, Delfino deixou a vida urbana quando viu a qualidade de vida no campo.

“Na cidade, teria um chefe que gritaria se chegasse atrasado ou não fizesse alguma tarefa”, compara.

Outra mudança para a família do jovem veio do Pais (Produção Agroecológica Integrada e Sustentável), que prevê a produção de alimentos orgânicos para consumo familiar e incentiva a comercialização do excedente, além de capacitação técnica para as melhores práticas.

“Quando chove e você planta, é bom. Quando começa a ter lucro, é melhor ainda”, afirma sobre o programa.

Marlene também viu sua vida ter outro rumo. “Começamos numa moto, hoje temos um carro melhor, uma casa melhor, uma boa qualidade de vida. Estudei, cursei agricultura, sou técnica em agroecologia, em informática, em contabilidade e em agropecuária.”

A agricultora já disse que não sai da sua terra. “Meu maior sonho é ter saúde e um local maiorzinho para plantar. Meu terreno é muito pequeno para o que eu quero fazer.”

A repórter PATRICIA PAMPLONA viajou a convite da Fundação Banco do Brasil, patrocinadora do Prêmio Empreendedor Social

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Feira de Sementes Crioulas no Paraná

29, julho, 2016 Sem comentários

A cidade de Palmeira, no Paraná, vai sediar a 14ª Feira Regional de Sementes Crioulas e da Agrobiodiversidade, que acontecerá entre os dias 5 e 7 de agosto de 2016.

cartaz-palmeiraSob o lema “Sementes Crioulas: cooperando para a preservação da biodiversidade na agricultura familiar”, o evento reunirá na sede do Ginásio de Esportes Sebastião Amâncio dos Santos agricultores e agricultoras experimentadores em agroecologia da região Sul do país.

O evento tem como objetivo propiciar a construção coletiva do conhecimento agroecológico e a troca de experiências e saberes tradicionais entre agricultores familiares, guardiões de sementes, organizações da agricultura familiar e camponesa, estudantes, professores, técnicos e visitantes.

A Feira oferecerá um amplo cardápio de atividades, como seminários, apresentações culturais, exposição e palestra sobre Políticas Públicas de Sementes Crioulas. Também serão promovidas trocas de sementes nos estandes, além de Oficinas Temáticas sobre temais tais como: manejo ecológico dos solos, compostagem, sementes crioulas, bioconstrução e produção de sementes de hortaliças.

Entre as questões que serão debatidas estão as ameaças aos direitos sobre o uso da biodiversidade, os riscos da contaminação por transgênicos e agrotóxicos e os desafios da comercialização de produtos agroecológicos.

Dias 5 e 6 – Seminários e atividades a partir das 8:00h

Dia 7 – 14ª Feira Regional de Sementes Crioulas e da Agrobiodiversidade a partir das 8:00h

Local: Ginásio de Esportes Sebastião Amâncio dos Santos, Palmeira – PR

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Maiores informações:

AS-PTA – Agricultura Familiar e Agroecologia

E-mails: asptapr-sc@aspta.org.br   / andre@aspta.org.br / fabio@aspta.org.br / mirianeas@hotmail.com

Tel.: (42) 3252-7290 / (42) 8888-9093 (Fábio) / (42) 8402-1511 (André)

Estudo da Embrapa avalia desempenho de sementes crioulas e comerciais de feijão macassar na Paraíba

23, junho, 2016 Sem comentários

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A Embrapa acaba de publicar Comunicado Técnico com resultados que reafirmam a superioridade das variedades crioulas, inclusive em produtividade, quando comparadas a variedades convencionais. O estudo avaliou em condições reais de cultivo variedades crioulas e melhoradas de feijão macassa e foi realizado no Agreste da Paraíba a partir de parceria da Embrapa com a AS-PTA e o Polo da Borborema.

Entre as variedades melhoradas estão duas que foram desenvolvidas para a região amazônica mas curiosamente foram distribuídas pelo governo para plantio no semiárido.

Em pesquisa anterior, a mesma parceria confirmou a campo a superioridade e maior adaptação das variedades locais das sementes da paixão de milho.

Nenhum dos dois estudos têm como objetivo negar a importância das variedades melhoradas. Pelo contrário, há muitos materiais melhorados, das mais diferentes espécies, com bom potencial e boa adaptação que podem contribuir para a produção dos agricultores familiares. O que o resultado do estudo permite concluir é que as sementes crioulas são sim sementes de qualidade e não podem ser preteridas em programas públicos nem simplesmente substituídos por outras ditas modernas.

O estudo está disponível em: http://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/144055/1/cot-186.pdf

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VII Marcha pela Vida das Mulheres e pela Agroecologia

12, abril, 2016 Sem comentários

O grito de luta das mulheres do semiárido

21, março, 2016 Sem comentários

CARTA MAIOR, 09/03/2016

por Najar Tubino

Cinco mil mulheres agricultoras protestaram por uma sociedade mais justa, contra a tentativa de golpe das elites brasileiras e pela agroecologia

Areial (PB) – Cinco mil mulheres agricultoras se reuniram ontem hoje nesta pequena cidade de sete mil habitantes, onde o solo é uma areia branca, para protestar contra a violência, a impunidade, por uma sociedade mais justa, contra a tentativa de golpe das elites brasileiras e pela agroecologia. Essa é a VII Marcha pela Vida e pela Agroecologia, novamente ocorrendo num momento político tenso. No ano passado, a prefeitura que apoiava o evento ameaçou retirar o apoio na última hora, porque a Marcha ocorreu no dia 12 de março, após as demonstrações de ódio explícito na Avenida Paulista. Mas não é um simples acontecimento, embora a prefeitura de Areial tenha decretado feriado. Trata-se de uma demonstração de força e poder de mulheres que antes buscavam água barrenta por quilômetros, com uma lata na cabeça.

Eram destratadas pelos governantes e muitas vezes pelos próprios companheiros. A Paraíba está na sexta posição no Mapa da Violência e João Pessoa está em terceiro lugar entre as capitais mais violentas. Nos últimos 10 anos, 43 mil mulheres foram assassinadas no Brasil. No ano passado foram 50 na Paraíba. No último fim de semana, outras duas foram mortas. A Marcha tem dois momentos: um de denúncia, outro de afirmação. A concentração iniciou na zona rural, no sítio Areial II, em um campo de futebol. Setenta ônibus trouxeram comitivas de outros municípios, dos 14 que compõem o Polo da Borborema.

Cinco mulheres comandam os sindicatos

Uma região com tradição de luta camponesa, onde Margarida Alves foi assassinada por um tiro de escopeta 12 na década de 1980, depois de ser a primeira presidenta de um sindicato de trabalhadores e trabalhadoras rurais – no município de Alagoa Grande. Hoje, cinco mulheres comandam os sindicatos. Porém, o Polo é muito mais do que isso. São mais de 150 associações de comunidades do campo, onde já foram instaladas quase 10 mil cisternas de placa e 1600 cisternas de produção. Trabalho organizado pela ASA, pela organização social AS-PTA, que está presente na Paraíba há 20 anos, pelo Coletivo Estadual de Mulheres do Campo e da Cidade e por vários outros movimentos. Um trecho da convocação:

“- Em nome de Ana Alice, jovem agricultora militante do Polo, brutalmente violentada e assassinada em 2012 e de milhares de mulheres que todos os dias são vítimas de violência, cobramos o fim da impunidade dos crimes contra a mulher. Afirmamos que as desigualdades entre homens e mulheres e a violência constituem um forte bloqueio para que a agricultura familiar se consolide como modo de produção e de vida para as famílias agricultoras do território da Borborema”.

Uma rainha afrodescendente

Em volta do campo de futebol algumas tendas, dois carros de som. No palco as apresentadoras vão ensaiando os gritos de luta, as músicas da marcha e a ciranda, que logo depois Lia de Itamaracá, uma afrodescendente de 72 anos, que já percorreu o mundo cantando irá embalar. Lia é alta, esguia, descendente de africanos da Guiné Bissau, do povo Djola. Veste um vestido branco, bordado com uma fita azul, parece uma rainha e tem uma voz firme e forte, como de Benedita de Jesus.

Os grupos de mulheres, crianças, idosos, homens chegam a pé, caminhando pela areia com cartazes, faixas, camisetas da marcha. O sol está quente, mas o planalto da Borborema sempre alivia o calor com um vento, às vezes, fresco. ”Somos Lula e Dilma”, diz o cartaz da Juventude de Remígio. Não vai ter golpe está em vários cartazes. O clima é emocionante, a cada fala, uma canção.

“- Pra mudar a sociedade/do jeito que a gente quer/participando sem medo de ser mulher/ porque a luta/não é só dos companheiros…pois sem mulher/ a luta vai pela metade/na aliança operário e camponesa/participando sem medo de ser mulher/pois a vitória vai ser nossa com certeza/participando sem medo de ser mulher.”

Quando a gente luta sempre consegue

Roselita Vitor da Costa, de Remígio é uma das coordenadoras do Polo da Borborema. Para ela, a Marcha das Mulheres é a maior expressão do movimento feminino na Paraíba, talvez do Brasil. As mudanças na maneira de produzir, a responsabilidade de assumir as tarefas ao redor de casa, os ensinamentos da agroecologia, o acesso à água de beber e de produzir, a implantação das políticas públicas que apoiaram a agricultura familiar tudo isso se expressa em maior participação política e social. Roselita cita a rede de 1300 agricultoras experimentadoras, da produção comercializada em 10 feiras agroecológicas no Polo, na melhoria da renda. Enfim, conseguiram um novo papel para a agricultora camponesa, com força e valorização.

É o que diz outra agricultora, Ligória, dando um testemunho no palco:

“- Eu planto, colho, trabalho na construção civil como ajudante de pedreiro e não tenho medo de enfrentar a luta, porque quando a gente luta, consegue. Vou continuar marchando”.

Agronegócio sempre ameaçando

Zeneide Balbino é a presidenta do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras de Areial, também promotor da Marcha.

“- Nós precisamos valorizar o que nós temos no Polo – as nossas sementes crioulas, sementes da paixão, as galinhas capoeiras. Porque já tem empresas querendo trazer raças de fora, que precisam de ração, de milho transgênico. Temos que defender o nosso projeto de agroecologia, que está sendo ameaçado pelo agronegócio”.

São 82 bancos de sementes na região. O agronegócio já tentou de várias maneiras desestruturar a agricultura familiar, desde incentivar o plantio de tabaco até varrer as plantações de cítricos, que estão localizadas na área do território chamada de brejo úmido, com inseticidas e fungicidas, quando sofreram um ataque da mosca preta. Foram bloqueados pelas associações e sindicatos. Mesmo assim, grande parte do Polo ainda é ocupada por grandes fazendas de pecuária ou de cana – 254 ocupam 43,6% da área, enquanto 8.842 estabelecimentos apenas 3,2% da área. Na definição do Ministério do Desenvolvimento Agrário o Território da Borborema é composto por 21 municípios e conta com 21 mil estabelecimentos da agricultura familiar, que ocupam área entre 2 e 10 hectares.

No teatro o homem vive o pesadelo de ser mulher

Nailde de Lima é separada, têm dois filhos, o ex-marido está em São Paulo. A separação ocorreu por sucessivos abusos violentos. Mas ela não consegue assumir a terra que plantava quando era casada no assentamento Veloso, onde vivem 31 famílias, em Casserengue. Lá, Maria Celina é a presidenta do Sindicato. E vieram para a Marcha em quatro ônibus. Leônia Soares, de Maçaranduba comenta que o machismo ainda é muito presente no meio sindical e que as mulheres precisam assumir esses espaços de poder para valorizar o trabalho das agricultoras, que sempre são sobrecarregadas com as atividades domésticas, de cuidados dos filhos, além do trabalho no quintal e no roçado.

A Marcha deveria sair do Sítio Areial II às 10 horas. Já são quase 10h30min e ainda rola uma peça de teatro no palco. O agricultor Biu está sonhando que assume o papel da mulher, enquanto ela desfruta das delícias de ser o dono da casa – pega o dinheiro ganho na venda das galinhas e vai descansar um pouco a cabeça no bar. Daí ele acorda, e sente que viveu um pesadelo. E as mulheres em coro: esse é o nosso dia a dia. Um pesadelo.

Nunca olharam para as pessoas mais pobres

Roselita Vitor da Costa promove o último diálogo com as mulheres: quem já passou fome e sede aqui presente. A maioria levanta as mãos. Quem já teve que ir buscar água barrenta com lata na cabeça. A maioria responde sim. Quem tem cisterna de água para beber? Praticamente todas levantam as mãos. Quem recebe bolsa família? Quase todas. E quem tem filho na universidade? Algumas levantam. E vocês acham que isso aconteceu por quê?

“- Porque essas melhorias são resultado de um governo que tem olhado pra as pessoas mais pobres desse país. A gente não pode esquecer disso. A elite brasileira não admite que filho de pobre estude em universidade e que eles possam viajar de avião. A imprensa e a televisão ficam manipulando as pessoas, dizendo que o problema é a corrupção que só acontece no governo do PT. Nunca falam dos outros governantes. Porque nunca olharam para a gente. Nós iremos para a rua novamente para defender as políticas que beneficiaram o semiárido e mudaram as vidas das pessoas e das mulheres”, disse ela.

Daí a Marcha sai da areia por uma estradinha de chão, por entre sítios da agricultura familiar, plantações de batata doce, mandioca, palma forrageira. Um pé de jaca carregado . Entra na Rodovia PB-121 ocupando as duas pistas e segue até a Praça Central de Areial. A população nas calçadas, em cima de muros, nas lajes, em todo canto vibrava com o movimento, a cantoria, os gritos de luta das mulheres do semiárido, que neste dia 8 de março mais uma vez fizeram a história desse país.

VI Marcha Pela Vida das Mulheres e Pela Agroecologia

15, março, 2015 Sem comentários

Magé lança Feira de Agricultura Familiar

30, julho, 2012 Sem comentários

Consumidor poderá encontrar produtos frescos vendidos por 48 agricultores da região

Piabetá, 27/07/2012

Pela primeira vez Magé receberá a Feira da Agricultura Familiar, onde serão oferecidos produtos frescos produzidos no município. O projeto será inaugurado neste sábado, 28 de Julho, na Rua São Fidélis, localizada no centro de Piabetá (6° distrito de Magé). O horário de funcionamento da feira será das 7h às 15h e acontecerá todos os sábados.

Na Feira da Agricultura Familiar o consumidor encontrará frutas, legumes, verduras, plantas ornamentais, mudas, artesanato, produtos da agroindústria familiar, alimentos prontos para serem consumidos, caldo de cana e o atendimento será feito pelos próprios agricultores, responsáveis pela produção.

A Feira da Agricultura Familiar é uma iniciativa conjunta entre a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Agricultura, EMATER-Magé e da Organização Não-Governamental AS-PTA (Assessoria e Serviços a Projetos em Agricultura Alternativa), atendendo a uma solicitação apresentada pelas cooperativas e associações de produtores rurais de Magé. O projeto conta ainda com o apoio do Banco do Brasil, Petrobrás, Ministério do Desenvolvimento Social e dos governos Federal e Estadual.

Segundo o secretário de agricultura, Aloísio Sturm, “esta é uma boa oportunidade para o consumidor encontrar produtos frescos e saudáveis a um preço justo e de conhecer aqueles que são responsáveis pelo cultivo destes produtos em nosso município” explicou.

A agricultura é ponto forte de Magé

Magé possui um distrito exclusivamente agrícola que abrange 75,9 Km², de um total de 386,80 km² que compõe todo o município, e é o maior produtor de tubérculos no estado. Os tubérculos são vegetais que geram os frutos abaixo da superfície, como batata, aipim e inhame. Cerca de 900 produtores são responsáveis pelo cultivo de alimentos distribuídos em mais 1,1 milhão de caixas a cada ano.

Com volume expressivo que atinge a marca de 20 milhões de quilos produzidos em 160 Km² de área rural explorada no município, o que corresponde à fatia de um pouco mais que 40% do território total, Magé apresenta expressivo potencial econômico na agricultura.

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XXIV Seminário Regional de Agrobiodiversidade

6, julho, 2012 Sem comentários

Encontro comemora 11 anos da Feira Agroecológica de Lagoa Seca – PB

30, março, 2012 1 comentário

Adital, 30/03/2012

Em comemoração aos 11 anos de existência da Feira Agroecológica de Lagoa Seca, na Paraíba, acontecerá neste sábado (31), a partir das 5h, uma confraternização organizada pelas 10 famílias agricultoras do município de Lagoa Seca que comercializam produtos agroecológicos na cidade para os produtores e consumidores. Na ocasião será oferecido um café-da-manhã aos presentes ao som de música ao vivo e o sorteio de cestas com produtos vendidos na feira.

A feira acontece todos os sábados, a partir das 4h, ao lado do mercado público do município de Lagoa Seca, no centro da cidade, e se constitui em um espaço importante de comercialização para as famílias agricultoras do município e uma opção para a população da cidade que pode ter acesso a produtos de qualidade e totalmente orgânicos, 100% livres de transgênicos e de agrotóxicos. No local são comercializados 500 kg de produtos hortifrutigranjeiro vindos de várias localidades do município. Atualmente, na Paraíba, existem 20 feiras agroecológicas, oito delas na Região da Borborema.

Informações:

Diógenes Fernandes 9993-9096

Donga 9311-5250

Áurea Olimpia Figueiredo Rêgo

Assessora de Comunicação (Jornalista DRT/PB: 2456)

AS-PTA Agroecologia e Agricultura Familiar

Br 104 Km 06 – Distrito São Miguel

Esperança – Paraíba

www.aspta.org.br

Telefones:

Escritório (83) 3361-9040/9041

Celular: (83) 9629-6425/ 8829-7621

Lançamento – Agroecologia: bases científicas para uma agricultura sustentável

5, março, 2012 Sem comentários

Autor: Miguel Altieri

Número de páginas: 400

ISBN: 978-85-7743-191-5

Editora: Expressão Popular/AS-PTA

R$ 30,00

http://www.expressaopopular.com.br/editora/expressao-popularas-pta

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Feira de sementes em São João do Triunfo – PR

15, agosto, 2011 Sem comentários

‘Caminhos de financiamento da transição agroecológica’ será tema de seminário e feira, no estado do Paraná

13, agosto, 2011 Sem comentários

ADITAL, 12/08/2011

O município de São João do Triunfo, no estado do Paraná, ira realizar, nos dias 19 e 20 de agosto, o 23ª Seminário Regional de Agrobiodiversidade, e no dia 21, a 10ª Feira Regional de Sementes Crioulas e da Agrobiodiversidade. Com o tema “Caminhos de financiamento da transição agroecológica”, a expectativa é de reunir mais de 2500 pessoas na feira regional e cerca de 170 representantes de grupos comunitários, organizações de base, estudantes, professores e técnicos da região, durante o Seminário.

Através de painéis, debates, trabalhos em grupos e atividades culturais, as duas atividades visam à troca de experiências, formação, reflexão e definições de estratégias para o fortalecimento da articulação da rede regional, assim como o estímulo à transição agroecológica dos sistemas de produção na Agricultura Familiar Camponesa.

Idealizado pela Assessoria e Serviços a Projetos em Agricultura Alternativa (AS-PTA), em parceria com organizações de base da agricultura familiar dos estados do Paraná e Santa Catarina, os eventos contarão com a presença de entidades da sociedade civil, como a Articulação Nacional de Agroecologia (ANA), a Campanha Brasil Ecológico Livre de Transgênicos e de Agrotóxicos, Rede Ecovida, Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), além de representantes governamentais, estaduais e federais.

 

AS-PTA instala escritório em Palmeira – PR

11, agosto, 2011 Sem comentários

GAZETA DE PALMEIRA, 04/08/2011

A abertura do escritório da Assessoria e Serviços a Projetos em Agricultura Alternativa (AS-PTA) em Palmeira, na última quarta-feira (3), acontece em um momento em que a agricultura familiar enfrenta uma crise que deve ser vista como oportunidade, segundo ressaltou o diretor executivo da entidade, o engenheiro agrônomo Paulo Petersen. Com atuação desde 1993, abrangendo mais de 20 municípios do Sul do Paraná e Norte de Santa Catarina, a AS-PTA também mantém atividades nos estados do Rio de Janeiro e da Paraíba, voltadas à agricultura familiar.

O escritório em Palmeira vai centralizar as ações conjuntas com outras organizações do setor, incluindo sindicatos de trabalhadores rurais e a Emater, que têm objetivos semelhantes, como encontrar alternativas para a cultura do fumo, principal atividade da agricultura familiar na região. Desde que iniciou sua atuação na região, a entidade mantinha seu escritório na cidade de Porto União (SC).

A mudança do local do escritório e também de direção das ações da AS-PTA, de acordo com Luís Cláudio Bona, técnico da entidade, foi motivada pelas parcerias fortalecidas com os sindicatos de trabalhadores rurais de Palmeira e de São João do Triunfo. Ele explica que um dos focos das ações é a juventude rural, visando buscar inovações e não a repetição de antigas receitas.

 

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Pesquisa comprova qualidade das sementes da paixão

25, agosto, 2010 Sem comentários

Dois ensaios comparativos foram implantados no município de Juazeirinho, região do Cariri, com 10 variedades de sementes crioulas de milho e duas desenvolvidas pela Embrapa (milho catingueiro e 1051).

Os primeiros resultados revelaram que mesmo com pouca chuva (cerca de 250 mm) as sementes de paixão tiveram melhor desempenho que as variedades melhoradas testadas.

Para estabelecer os parâmetros de comparação, agricultores foram consultados e elencaram os critérios que julgam mais importantes, como: quantidade de palha (utilizada para alimentar animais), produção de grãos, qualidade das espigas, altura das plantas e diâmetro do caule (pensando no consórcio com outras culturas), peso da espiga, entre outros. Em todos esses critérios o comportamento das variedades crioulas superou o das sementes melhoradas.

Na Paraíba, as sementes tradicionais, ou crioulas, receberam o nome de Sementes da Paixão por serem fruto de uma longa trajetória de experimentação.

Reportagem completa e apresentação com os dados preliminares dos ensaios estão disponĩveis na página da AS-PTA.