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Textos com Etiquetas ‘neonicotinoides’

Apicultores processam Syngenta e Bayer no Canadá

18, setembro, 2014 Sem comentários

adaptado de The Globe and Mail, 03/09/2014.

Apicultores de Ontario ingressaram na Justiça com uma ação contra duas gigantes do agronegócio alegando que seus agrotóxicos têm causado ampla mortalidade das abelhas, aumentando os custos e reduzindo a produção de mel.

Segundo a associação de apicultores de Ontario, Syngenta e Bayer foram negligentes no desenvolvimento, comercialização e distribuição dos produtos à base de neonicotinóides, que são usados nos plantios de milho e soja, entre outros.

Na ação os autores pedem indenização de 450 milhões de dólares pelos danos sofridos e pela perda de enxames.

 

Pesticidas que matam insetos também estão diminuindo a população de aves, alerta estudo

16, julho, 2014 Sem comentários

Se é Bayer…

O Globo, 10/07/2014

Cientistas holandeses mostraram que número de espécies diminuiu, com o aumento do uso de neonicotinoides

Um polêmico pesticida que se tornou um dos mais utilizados no mundo foi, pela primeira vez, associado diretamente à redução do número de aves em áreas agrícolas. Cientistas mostraram que a população de 15 espécies que se alimentam de insetos, como andorinhas e estorninhos, têm diminuído significativamente na Holanda, ao longo dos últimos 20 anos, com o aumento do uso de pesticidas neonicotinoides, ou neônicos, que começaram a ser utilizados nos anos 1990.

Segundo os pesquisadores, os resultados sugerem que os neonicotinoides, que também são associados à diminuição do número de abelhas e outros insetos polinizadores, pode ter impactos ainda mais negativos sobre o meio ambiente, em relação ao que já se acreditava.

O estudo é o primeiro a encontrar uma correlação direta entre o produto, fabricado pela empresa alemã Bayer Cropscience, e o declínio de aves. A expectativa é que os resultados aumentem a pressão sobre o governo do Reino Unido para mudar sua postura tolerante em relação a neonicotinoides, considerados, até então, seguros para o meio ambiente.

Ecologista da Universidade de Radboud, na Holanda, Caspar Hallmann disse que havia uma ligação forte e estatisticamente significativa entre os níveis de concentrações de uma substância química chamada imidacloprida, encontrada em águas de superfície, e o registro de diminuição de diversas espécies de aves, como a toutinegra, cotovias e tordos, compilado anualmente por ornitólogos.

– Em locais onde a concentração de imidacloprida na água passa de 20 nanogramas por litro, as populações de aves tendem a diminuir em 3,5%, em média, a cada ano. Isto significa que, dentro de dez anos, 30% da população dessas aves estaria em declínio – disse ele. – Esta não é, definitivamente, a prova de que o produto causa as mortes. No entanto, há uma linha de evidência sendo construída para explicar o que está acontecendo. Sabemos que o número de insetos também caiu nestas áreas e que os mesmos são um alimento importante para estas aves.

No mês passado, um grupo de pesquisadores analisou centenas de estudos publicados sobre neonicotinoides e descobriu que estavam ligados ao declínio de uma grande variedade de vida selvagem – de abelhas a minhocas e borboletas – que não são as pragas-alvo dos inseticidas.

O estudo mais recente, publicado na revista Nature, procurou analisar as variações das populações de uma grande variedade de espécies de aves em diferentes zonas da Holanda, antes e depois da introdução do imidacloprida em 1995.

– Também levamos em consideração outros fatores que possam estar relacionados ao declínio destas aves. Mas nossa análise mostra que o imidacloprida foi de longe o melhor fator explicativo para as diferentes tendências registradas nas áreas – disse o professor Hans de Kroon of Sovon, do Centro Holandês para Campo Ornitologia, que supervisionou a pesquisa.

– Os neonicotinóides sempre foram considerados toxinas seletivas. Mas nossos resultados sugerem que eles podem afetar todo o ecossistema. Este estudo mostra o quão importante é ter bons dados de campo, e analisá-los com rigor – disse o professor de Kroon.

Os pesquisadores não conseguiram encontrar um declínio comparável em aves antes da introdução do imidacloprida e não foram capazes de vincular os declínios em aves a mudanças nos métodos de cultivo ou uso da terra. Eles acreditam que a explicação mais provável é que os neonicotinóides estão causando escassez de alimentos para as aves que comem insetos, especialmente quando estão alimentando seus filhotes.

A União Europeia introduziu uma moratória de dois anos sobre determinados usos de neonicotinóides. No entanto, estes pesticidas são amplamente utilizados no tratamento de sementes para cultivos aráveis. Eles são criados para serem absorvidos pela muda em crescimento e são tóxicos para o sistema nervoso central de pestes que prejudicam o plantio.

Ao comentar o assunto, representantes da Bayer disseram que a pesquisa não apresenta argumentos aceitáveis.

 

 

Syngenta tenta reverter proibição de pesticidas na Europa

28, janeiro, 2014 Sem comentários

é o lucro acima de tudo…

VALOR ECONÔMICO, 23/01/2014

DAVOS – O CEO da Syngenta, Michael Mack, repudiou fortemente hoje a proibição na Europa do uso de certos pesticidas, que o bloco europeu afirma que possam prejudicar a saúde das abelhas.

Em entrevista durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, ele afirmou que a companhia fará “tudo o que puder” para ter a decisão revertida. Ele chamou a proibição – liderada no ano passado pela França, Alemanha e Holanda — de “política, na sua intenção”.

Os países europeus estão preocupados com a possibilidade de alguns tipos de pesticidas, conhecidos como neonicotinóides, prejudicarem as populações de abelhas do continente e, assim, afetar o suprimento de alimentos na região. Um estudo divulgado pela Autoridade de Segurança Alimentar da Europa afirmou que essas substâncias impõem um “risco agudo” às abelhas.

Mack, no entanto, afirmou que o impedimento do uso desses pesticidas é um “mau uso da ciência” e que dados colhidos em campo refutam as conclusões da União Europeia.

(Dow Jones Newswires)

Leia mais em:

http://www.valor.com.br/agro/3405300/syngenta-tenta-reverter-proibicao-de-pesticidas-na-europa#ixzz2riqgZ8Ak

 

Bayer e Syngenta tentam derrubar proibição de inseticidas tóxicos a abelhas na Europa

22, dezembro, 2013 Sem comentários

Greenpeace Espanha, 16/12/2013.

ONGs intervêm na justiça em favor da proibição

Greenpeace Internacional, o Bee Life European Beekeeping Coordination e outras quarto organizações ambientais e de defesa dos consumidores (Pesticides Action Network Europe, ClientEarth, Buglife e SumOfUs) solicitaram intervir ante o Tribunal de Justiça da União Europeia em defesa da proibição parcial a três agrotóxicos em toda a UE, como resposta à ação judicial impetrada pelas empresas químicas Syngenta e Bayer, que querem anular a proibição. O Greenpeace considera esta proibição necessária e que deve ser ampliada dadas as evidências existentes.

“A Bayer e a Syngenta lançaram seus advogados para atacar uma proibição que é cientificamente rigorosa, juridicamente correta e que ajuda a proteger os interesses gerais dos agricultores e dos consumidores europeus. A proibição parcial destes três inseticidas é só um primeiro passo, mas necessário, para proteger as abelhas na Europa. Deve ser defendida dos ataques das empresas que perseguem seus interesses particulares em detrimento do meio ambiente”, afirmou Marco Contiero, diretor de Política Agrícola da UE do Greenpeace.

proibição, que entrou em vigor em 01 de dezembro, recai sobre três inseticidas produzidos pela Syngenta (tiametoxam) e Bayer (imidacloprido e clotianidina) que pertencem a uma classe de substâncias químicas conhecida como neonicotinoides. A Comissão Europeia adotou a proibição baseando-se nas avaliações científicas da Autoridade Europeia de Segurança Alimentar (EFSA, na sigla em inglês) que demonstram os impactos negativos destes inseticidas sobre as abelhas. A proibição recebeu um forte apoio político dos governos da UE.

O Greenpeace Internacional publicou em 16 de dezembro os resultados de um estudo científico piloto de campo que proporciona uma prova mais sobre as vias de exposição das abelhas à contaminação. O estudo mostra que a água exudada por plantas cujas sementes tenham sido tratadas com certos neonicotinoides contêm concentrações muito altas destes inseticidas, o que dá lugar a uma exposição potencialmente mortal para as abelhas que bebem este líquido, denominado água de gutação. (…)

UE suspeita de inseticidas por “sumiço” de abelhas

21, janeiro, 2013 1 comentário

As autoridades europeias informaram que três inseticidas há muito suspeitos de contribuir para a queda acentuada das populações de abelhas representam risco para os insetos, e defenderam que esses produtos químicos sejam submetidos a um exame mais detalhado.

Trata-se dos neonicotinoides clotianidina e imidacloprida, da Bayer, e do tiametoxam, da Syngenta. Exatamente os mesmos que aqui no Brasil o Ibama tentou restringir e depois acabou engolindo sua permissão para pulverização aérea formalizada em conjunto com o Ministério da Agricultura.

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The Wall Street Journal | Valor Econômico, 18/01/2013.

França, Alemanha, Itália e outros países europeus já proibiram ou suspenderam o uso de determinados inseticidas, conhecidos como neonicotinoides, que, segundo argumentam muitos agricultores e cientistas, são a causa principal da queda das populações de abelhas comuns. A indústria de pesticidas e outros cientistas dizem que as doenças e as mudanças ambientais é quem são os responsáveis.

A avaliação de risco, publicada anteontem, afirmava que três neonicotinoides – a clotianidina e o imidaclopride, fabricados principalmente pela Bayer, e o tiametoxam, produzido pela Syngenta – representam riscos para as abelhas por meio da presença de resíduos de terra e pesticida contaminados no néctar e no pólen. O órgão europeu vê “alto e grave risco” para as abelhas na forma pela qual os três inseticidas são aplicados a cereais, algodão, canola, milho e girassol.

Sua análise “propôs uma avaliação de risco muito mais abrangente para o caso das abelhas e introduziu, além disso, um nível mais alto de atenção na interpretação dos estudos de campo”, disse a EFSA. Mas a agência observou que não há dados para concluir que os inseticidas contribuem para o colapso das colônias de abelhas.

A Comissão Europeia, o braço executivo da União Europeia (UE), solicitará novas informações das fabricantes dos produtos químicos, disse um porta-voz da comissão. A UE está preparada para tomar “as medidas necessárias” se novos estudos revelarem a existência de ameaça definitiva imposta pelos produtos químicos às populações de abelhas, acrescentou.

Um alto executivo da Syngenta criticou o estudo. “Fica evidente para nós que a EFSA sofreu pressão política para produzir uma avaliação de risco apressada e imprópria, que ela mesma reconhece conter alto nível de incerteza”, disse John Atkin, diretor operacional da Syngenta. “Este relatório não é digno da EFSA e seus cientistas”.

A EFSA não respondeu a uma solicitação por seus comentários.

A Bayer diz que sustenta os dados anteriores apresentados aos órgãos reguladores, que demonstravam que os produtos químicos não causam danos às abelhas se usados da maneira pela qual foram aprovados na Europa. “Consideramos que os novos relatórios da EFSA não alteram a qualidade e a validade dessas avaliações de risco e os estudos subjacentes”, disse a companhia química alemã.

O Departamento de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA), que regulamenta o uso de pesticida, diz desconhecer dados que demonstrem que os neonicotinoides tenham contribuído para o colapso das colônias de abelhas. Pesquisadores do Departamento de Agricultura americano examinam a questão, mas dizem não ter encontrado prova que relacione pesticidas às mortes de abelhas.

A EPA rejeitou solicitações emergenciais de ambientalistas de que uma série de neonicotinoides seja retirada do mercado. Mas, em resposta à pressão pública, acelerou a análise periódica de segurança de produtos químicos para verificar a necessidade da adoção de restrições adicionais a seu uso.

Os grupos ambientais dizem que a EPA está se movimentando com excessiva lentidão e cogitam mover uma ação judicial para obrigar o órgão a agir. “A EPA tem um enorme problema de conformidade”, disse Jay Feldman, diretor-executivo do grupo antipesticidas Beyond Pesticides. A EPA não comentou de imediato o assunto.

Nos EUA os neonicotinoides substituíram pesticidas considerados mais perigosos, gradualmente retirados do mercado americano.

Governo flexibiliza pulverização aérea de agrotóxicos

14, janeiro, 2013 Sem comentários

Importante observar o recuo do Ibama, que, em julho de 2012, propusera medidas de restrição de uso desses mesmos produtos bem como sua reavaliação toxicológica em função de seus impactos sobre as abelhas.

Governo federal altera regras para pulverização aérea nas lavouras

MAPA, 04/01/2013

As aplicações aéreas de produtos agrotóxicos que contem Imidacloprido, Tiametoxam, Clotianidina e Fipronil para as culturas de algodão e de soja serão flexibilizadas de acordo com o ciclo de cada região do país. A partir de agora, a aplicação será permitida apenas para algumas culturas, cujo uso da aviação agrícola é essencial, preservando o máximo possível o período de visitação das abelhas. Antes, existia um prazo fixo para todos os estados.

Em 3 de outubro deste ano, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) autorizaram e regulamentaram a aplicação do uso desses quatro produtos de forma excepcional e temporária para as culturas de arroz, cana-de-açúcar, soja e trigo, até 30 de junho de 2013.

A regulamentação foi publicada nesta sexta-feira, dia 4 de janeiro, no Diário a Oficial da União (DOU) em Ato conjunto da Secretaria de Defesa Agropecuária (SDA/Mapa) e o Ibama.

De acordo com o coordenador-geral de Agrotóxicos e Afins do Mapa, Luís Rangel, a utilização dos aviões é fundamental para o processo de produção dessas culturas. “Identificamos que o período crítico de controle de percevejos na soja é logo após a floração, quando ocorre a formação e o enchimento dos grãos. Criamos regras de aplicação segura que contam com a restrição no momento de visitação das abelhas, mas permitem o controle dos percevejos, no caso da soja. Construímos junto com o Ibama as exceções e consideramos as necessidades do agricultor. O Mapa apóia fortemente a medida que visa proteger o Meio Ambiente e os polinizadores”, explicou.

Condições

A aplicação aérea para controle de pragas agrícolas desses produtos deve seguir uma série de condições. Antes da aplicação, os produtores rurais deverão notificar os apicultores localizados em um raio de 6 km com antecedência mínima de 48h.

A cultura do algodão foi incluída na exceção aprovada pelo governo, somando-se às culturas da soja, cana-de-açúcar, trigo e arroz para o uso desses produtos por meio da aviação agrícola. Essas empresas ficam responsáveis por comunicar o Mapa, mensalmente, sobre a aplicação dos produtos. A fiscalização dessa modalidade de uso será intensificada no período de validade da restrição do Ibama.

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Inseticidas seriam responsáveis por morte em massa de abelhas, apontam estudos

2, abril, 2012 1 comentário

Substâncias introduzidas nos anos 1990 afetam a capacidade de orientação dos insetos.

Reportagem de Josep Corbella, publicada no jornal espanhol La Vanguardia, 29/03/2012.

Tradução: Cepat (Via IHU-Unisinos, 31/03/2012)

Duas pesquisas independentes, uma britânica e outra francesa, demonstraram que um tipo de inseticida introduzido há 20 anos prejudica a capacidade de orientação das abelhas e zangões. O estudo francês demonstra, além disso, que quando os insetos estão expostos a estes inseticidas, aumenta sua mortalidade. O britânico, que o número de abelhas rainhas cai vertiginosamente e as colmeias entram em declive.

Ambas as pesquisas, apresentadas na revista Science, se basearam em um tipo de inseticida chamado neonicotinoides que atualmente é utilizado em grande escala para proteger as colheitas em grande parte do mundo. Estes inseticidas emergem como supostos responsáveis – ou pelo menos cúmplices – pelos colapsos de abelhas observados na América do Norte e na Europa na última década. Entretanto, as pesquisas não descartam que outros fatores, tais como, transtornos imunológicos ou infecções, possam estar contribuindo para o declive das abelhas.

Os novos resultados “têm implicações importantes quando se trata de processos de autorização de inseticidas”, declarou em um comunicado Michaël Henry, primeiro autor do estudo francês, do Instituto Nacional de Pesquisa Agronômica, em Aviñón. Até agora, para que um inseticida seja autorizado, deve-se demonstrar que não causa diretamente a morte de abelhas nas doses em que é empregado habitualmente. Contudo, adverte Michaël, não se observa se pode alterar o comportamento das abelhas e causar sua morte de maneira indireta.

No estudo inglês, feito pela Universidade de Stirling, foram misturadas pequenas doses de inseticida imidacloprid na dieta de 50 colônias de abelhas. Estas quantidades simulavam aquelas que os insetos encontram nas plantações de colza. A outras 25 colônias de abelhas foi dada uma dieta livre do inseticida.

Posteriormente, as abelhas foram deixadas livres durante seis semanas para que pudessem procurar seu alimento em jardins, florestas e plantações. Ao final das seis semanas, as colônias de abelhas que haviam ingerido o inseticida eram entre 8% e 12% menores que as colônias daquelas que não o haviam ingerido. Esta diferença de peso é atribuída ao fato de que os insetos tenham trazido menos alimento à colméia e haviam nascido menos operárias.

O resultado mais chamativo da pesquisa é a diferença no número de rainhas entre umas colmeias e outras. Se os insetos que não haviam ingerido o inseticida tinham uma média de 13 rainhas por colméia, as que o haviam ingerido tinham uma média de 1,7. Embora o estudo não esclareça qual seja a causa desta diferença, os autores do trabalho a atribuem ao fato de que os pesticidas afetam o sistema nervoso das abelhas e que distorce sua capacidade de orientação.

Esta interpretação coincide com os dados do estudo francês realizado com abelhas e com o inseticida tiametoxam. Neste caso fixaram chips eletrônicos ao tórax de 653 abelhas, das quais uma parte recebeu uma dose de inseticida. Os pesquisadores observaram que 43% das abelhas expostas ao inseticida morreram fora da colmeia – supostamente porque grande parte delas se perdeu. Entre as que não receberam o inseticida, 17% morreram fora da colmeia.

A BayerCropScience, fabricante de inseticidas neonicotinoides, considera que estes dados não demonstram que seus produtos sejam responsáveis pela diminuição das populações de abelhas, segundo outro artigo publicado esta semana na Science.

Dado que as abelhas ajudam a polinizar plantações economicamente importantes como a maçã e o amendoim – entre outros –, os governos começaram a estudar novas medidas para proteger os insetos. Na Europa, a Autoridade de Segurança Alimentar estuda uma nova lei para avaliar o risco dos inseticidas para as abelhas. Nos Estados Unidos, a Agência de Proteção Ambiental convocará um grupo de especialistas no outono para abordar a mesma questão.

Inseticidas dizimam polinizadores

16, janeiro, 2012 Sem comentários

Um estudo publicado na revista PLoS One comprova que inseticidas agrícolas são os principais responsáveis pela morte de abelhas na natureza.

O Estado de S. Paulo, 14/01/2012 (via IHU-Unisinos)

O trabalho identificou produtos como neonicotinoides, clotianidina e tiametoxam nos corpos de abelhas mortas ou agonizantes próximas a plantações. Vários cientistas alertam para o risco de um perigoso declínio causado por inseticidas no número de polinizadores naturais, essenciais para os ecossistemas selvagens e também para as culturas agrícolas.

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ABSTRACT: The development of insecticides requires valid risk assessment procedures to avoid causing harm to beneficial insects and especially to pollinators such as the honeybee Apis mellifera. In addition to testing according to current guidelines designed to detect bee mortality, tests are needed to determine possible sublethal effects interfering with the animal’s vitality and behavioral performance. Several methods have been used to detect sublethal effects of different insecticides under laboratory conditions using olfactory conditioning. Furthermore, studies have been conducted on the influence insecticides have on foraging activity and homing ability which require time-consuming visual observation. We tested an experimental design using the radiofrequency identification (RFID) method to monitor the influence of sublethal doses of insecticides on individual honeybee foragers on an automated basis. With electronic readers positioned at the hive entrance and at an artificial food source, we obtained quantifiable data on honeybee foraging behavior. This enabled us to efficiently retrieve detailed information on flight parameters. We compared several groups of bees, fed simultaneously with different dosages of a tested substance. With this experimental approach we monitored the acute effects of sublethal doses of the neonicotinoids imidacloprid (0.15–6 ng/bee) and clothianidin (0.05–2 ng/bee) under field-like circumstances. At field-relevant doses for nectar and pollen no adverse effects were observed for either substance. Both substances led to a significant reduction of foraging activity and to longer foraging flights at doses of ≥0.5 ng/bee (clothianidin) and ≥1.5 ng/bee (imidacloprid) during the first three hours after treatment. This study demonstrates that the RFID-method is an effective way to record short-term alterations in foraging activity after insecticides have been administered once, orally, to individual bees. We contribute further information on the understanding of how honeybees are affected by sublethal doses of insecticides.

Citation: Schneider CW, Tautz J, Grünewald B, Fuchs S (2012) RFID Tracking of Sublethal Effects of Two Neonicotinoid Insecticides on the Foraging Behavior of Apis mellifera. PLoS ONE 7(1): e30023. doi:10.1371/journal.pone.0030023

A Bayer continua matando abelhas em todo o planeta

23, dezembro, 2011 Sem comentários

Coordinadora contra os perigos da BAYER

Enquanto a companhia alemã Bayer continuar fabricando e vendendo agrotóxicos neonicotinóides, populações de abelhas no mundo todo serão mortas.

É responsabilidade da Bayer o fenômeno conhecido como transtorno do colapso de colônias (CCD) – problema da mortalidade de colônias de abelhas – e está inserido entre os casos que serão apresentados de 3 a 6 de dezembro, no Tribunal Permanente dos Povos (TPP), em Bangalore (Índia) durante a sessão que processará as seis maiores multinacionais agroquímicas por violações dos direitos humanos.

“A morte das abelhas é um problema global e é fundamental discutir este tema e encontrar soluções internacionalmente. É um bom sinal que o TPP, como uma iniciativa global, aborde este tema, que é um problema ambiental e uma ameaça econômica”, disse Philipp Mimkes, porta-voz da Coalizão contra os perigos da Bayer, um grupo com sede na Alemanha.

Mimkes revelou que os imidaclopride (Gaucho) e clotianidina (Poncho) são os pesticidas mais vendidos da Bayer, apesar destes produtos, conhecidos como neonicotinóides, estarem ligados à morte de colônias de abelhas.

Em 2010, as vendas do Gaucho alcançaram a cifra de US$ 820 milhões e do Poncho US$ 260 milhões. Gaucho ocupa o primeiro lugar entre os agrotóxicos vendidos pela Bayer, enquanto o Pancho está em sétimo lugar. “Esta é a razão da Bayer, apesar dos graves prejuízos ambientais, lutar com unhas e dentes contra qualquer proibição na aplicação dos neonicotinóides”, afirma Mimkes.

Na Europa, em vários países o uso dos neonicotinóides foram proibidos. Na Alemanha, Itália, França e Eslovênia o Gaucho foi proibido no tratamento das sementes de milho, que é sua principal aplicação. No entanto, sua utilização é livre em vários países, incluindo os EUA, onde desde 2006, um terço da população de abelha já morreu.

As abelhas polinizam mais de 70, entre 100, culturas que fornecem 90% de alimentos do mundo. Entre frutas e vegetais, estão, por exemplo, as maçãs, laranjas, morangos, cebolas e cenouras. O declínio na população de abelhas tem efeitos devastadores para a segurança alimentar e é meio de subsistência dos agricultores. Além disso, pode afetar o valor nutricional e a variedade de nossos alimentos.

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Sumiço das abelhas em Santa Catarina

16, fevereiro, 2011 4 comentários

07/02/2011 14h23

Desaparecimento coletivo de abelhas pode ter chegado ao Brasil

Em Santa Catarina, cientistas criaram um grupo para investigar o ‘colapso das colmeias’. Várias hipóteses são investigadas: mudanças climáticas, o uso de agrotóxicos, novos tipos de vírus ou parasitas poderiam estar afetando as abelhas.

Ricardo Von Dorff Santo Amaro da Imperatriz, SC

Pesticidas exterminam as abelhas

24, janeiro, 2011 Sem comentários

Jaqueline Falcão,  O Globo, 21/012011.

Desaparecimento desses insetos ameaça a produção agrícola do planeta

O misterioso desaparecimento de abelhas observado em vários países, inclusive no Brasil, pode estar associado ao uso de novos pesticidas. Os venenos matam esses insetos, segundo estudo do Laboratório de Pesquisa sobre Abelhas do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, divulgado no jornal britânico “Independent“.

A extinção das abelhas traz grande prejuízo à apicultura e contribui para a fome no planeta, pois 80% da produção de alimentos depende da polinização por abelhas e outros insetos.

Mesmo em dose muito baixa, os inseticidas, especialmente os neonicotinoides (como o imidacloprida) que imitam as propriedades da nicotina, matam as abelhas. Porém o laboratório Bayer, principal fabricante, insiste que eles são seguros para as abelhas, se aplicados corretamente.

O que se tem certeza é que os neocotinoides contaminam completamente as plantas, incluindo o néctar e o pólen, usados pelos insetos polinizadores. Assim o veneno acaba atacando o sistema nervoso dos insetos e as colméias entram em colapso.

Osmar Malaspina, professor do Centro de Estudos de Insetos Sociais da Unesp, alerta que a pulverização aérea – principalmente em plantações de laranja – é uma ameaça às abelhas.

Criador de um projeto de proteção aos polinizadores e autor de três livros sobre o tema, ele diz que a prática espalha inseticidas numa área muito grande, atingindo abelhas de apiário e as 1.500 espécies da natureza. Malaspina pesquisou de 2008 a 2010 a perda de 10 mil colmeias de abelhas africanizadas, mortas por inseticidas na região de Rio Claro, em São Paulo, num raio de 200 quilômetros. Em 800 a mil colmeias havia sinais de neonicotinoides.

Média anual de mortes nas colmeias atinge 30% Ele quer formar um grupo com representantes dos ministérios da Agricultura e do Meio Ambiente, do Ibama e de fabricantes para estabelecer políticas de aplicação e controle dos pesticidas:

— Não somos contra inseticidas, mas devemos estabelecer uma política adequada para minimizar seus efeitos. Na região Sul do país, as abelhas sumiram, mas por outro motivo, diz Malaspina. – Muitas vezes, a colméia diminui e não se veem abelhas mortas. Isso indica que elas migraram para outro ponto em busca de alimento. Quando um apicultor encontra abelhas mortas, é quase certo que morreram por inseticida.

Em países da Europa, como Itália, França e Alemanha, apesar da mortalidade de abelhas ter sido menor que nos Estados Unidos nos últimos três anos, alguns venenos foram proibidos. Nos EUA, a destruição das colmeias atingiu 23% de todas as criações entre 2006 e 2007. Na União Europeia o estudo “A saúde das abelhas melíferas” reforça a preocupação de cientistas e apicultores com a sobrevivência desses insetos.

A média anual de baixas nas colmeias chegou a 30%, quando a mortalidade natural é de 10%. O uso de pesticidas seria o motivo.

Há outras hipóteses para o sumiço das abelhas. Uma delas, da Universidade de Columbia, afirma que o fenômeno seria causado pelo vírus IAPV. Também se especulou que a causa seria radiação de celulares e aquecimento.

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No início de 2010, agricultores da Paraíba se mobilizaram para impedir a distribuição desse mesmo agrotóxico para controle da mosca negra do citrus.

Mais sobre o assunto:

“Exclusive: Bees facing a poisoned spring”, Michael McCarthy, The Independent, 20 January 2011, http://www.independent.co.uk/environment/nature/exclusive-bees-facing-a-poisoned-spring-2189267.html

Ban Neonicotinoid Pesticides to Save the Honeybee