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Conheça Rede de Sementes do Polo de Borborema na Paraíba

28, novembro, 2016 Sem comentários

Brasil Rural, EBC, 25/11/2016

Emanoel Dias, da AS-PTA, fala sobre a conservação de sementes crioulas na região e sua importância para a agricultura familiar

Nesta semana, a AS-PTA (Agricultura Familiar e Agroecologia) realizou mais uma oficina de formação para agricultores no Polo de Borborema, Paraíba. A inauguração do novo Banco de Sementes Comunitário, no assentamento Che Guevara, em Casserengue, vem fortalecer as ações da Comissão de Sementes do Polo, que contabiliza cerca de 60 bancos. Em anos regulares de chuva, já houve bancos com até 12 toneladas de sementes estocadas.

As sementes crioulas, mais conhecidas como sementes da paixão no estado, são nativas da região e uma verdade paixão para os agricultores. Para entender melhor o funcionamento do trabalho e os programas da ONG, o Brasil Rural desta sexta-feira (25) entrevistou o engenheiro agrônomo e técnico da AS-PTA, Emanuel Dias.

“Como a gente vive numa região de muita seca e a agricultura familiar tem uma expressão muito grande, os agricultores cultivam as sementes que eles já conhecem e gostam, trazendo o conhecimento dos seus antepassados. São sementes de muita troca, muita sabedoria. A estratégia do banco familiar ou do banco comunitário é uma forma de você guardar e ter autonomia em plantar aquela semente que você já conhece”, disse ele, sobre o riqueza do material trocado entre as famílias.

Confira a íntegra da entrevista
O Brasil Rural vai ao ar, de segunda a sexta-feira, de 6h às 7h, sábado, às 7h, e domingo, às 6h, pela Rádio Nacional AM de Brasília. A apresentação é de Marcelo Ferreira.

Produtor
Simone Magalhães
Brasil Rural
em
25/11/2016 – 12:25
atualizado em
25/11/2016 – 14:16

Estudo da Embrapa avalia desempenho de sementes crioulas e comerciais de feijão macassar na Paraíba

23, junho, 2016 Sem comentários

Embrapa_feijao_macassar2016

A Embrapa acaba de publicar Comunicado Técnico com resultados que reafirmam a superioridade das variedades crioulas, inclusive em produtividade, quando comparadas a variedades convencionais. O estudo avaliou em condições reais de cultivo variedades crioulas e melhoradas de feijão macassa e foi realizado no Agreste da Paraíba a partir de parceria da Embrapa com a AS-PTA e o Polo da Borborema.

Entre as variedades melhoradas estão duas que foram desenvolvidas para a região amazônica mas curiosamente foram distribuídas pelo governo para plantio no semiárido.

Em pesquisa anterior, a mesma parceria confirmou a campo a superioridade e maior adaptação das variedades locais das sementes da paixão de milho.

Nenhum dos dois estudos têm como objetivo negar a importância das variedades melhoradas. Pelo contrário, há muitos materiais melhorados, das mais diferentes espécies, com bom potencial e boa adaptação que podem contribuir para a produção dos agricultores familiares. O que o resultado do estudo permite concluir é que as sementes crioulas são sim sementes de qualidade e não podem ser preteridas em programas públicos nem simplesmente substituídos por outras ditas modernas.

O estudo está disponível em: http://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/144055/1/cot-186.pdf

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Agricultores familiares do Polo da Borborema, na Paraíba, visitam a Embrapa

3, junho, 2016 Sem comentários

Da esquerda para direita (sentados): Emanoel Dias, Erivan Farias, Marcelânia Machado e Maria da Penha Batista. Em pé: Cleibson Santos e Dulce Alves

 

Embrapa, 02/06/2016

Objetivo foi conhecer as formas de conservação de plantas e técnicas de produção de mudas.

Três agricultores familiares do Polo da Borborema, que abrange 15 municípios no estado da Paraíba, acompanhados de dois técnicos da AS-PTA – Agricultura Familiar e Agroecologia, visitaram a Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia e a Embrapa Cerrados, duas unidades da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) localizadas no Distrito Federal, nos dias 31 de maio e 01 de junho de 2016, com o objetivo de conhecer a experiência da Empresa na conservação e produção de sementes.

A visita foi um dos resultados da participação da Embrapa no Plano Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (PLANAPO), lançado pelo governo federal, em 2013, para regulamentar o acesso de agricultores organizados aos recursos genéticos conservados nos mais de 100 bancos mantidos pela Empresa em vários estados da Federação.

O Polo da Borborema faz parte do Programa de Desenvolvimento Local do Agreste da Paraíba, conduzido pela AS-PTA, que abrange uma rede de 15 sindicatos de trabalhadores rurais (STRs), aproximadamente 150 associações comunitárias e uma organização regional de agricultores ecológicos. Ao todo, mais de cinco mil famílias agricultoras são atendidas pelo Programa.

Conservação de sementes será feita a partir de intercâmbio entre a Embrapa e os agricultores

Na Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, os agricultores foram recebidos pelas pesquisadoras Dulce Alves, Antonieta Salomão e Terezinha Dias e visitaram os laboratórios de sementes e a Coleção de Base (Colbase), na qual as sementes são conservadas a longo prazo a 20ºC abaixo de zero. O objetivo, como explicaram os técnicos da AS-PTA, Cleibson Santos e Emanoel Dias, foi conhecer melhor as técnicas de conservação de sementes em seus locais de origem (in situ) e fora de seus habitats (ex situ), nos bancos ativos, onde as espécies são manipuladas, e na Colbase, que funciona como uma espécie de backup das coleções mantidas no campo.

Segundo a pesquisadora Dulce Alves, além de promover a aproximação dos agricultores aos bancos genéticos, que foi uma solicitação decorrente do PLANAPO, houve também avanço na discussão da possibilidade de armazenar os recursos genéticos cultivados por eles no Polo da Borborema no Banco da Embrapa, em Brasília. A primeira coleção a ser incorporada à Coleção de Base deverá ser a de sementes de milho. “Mas, como essa iniciativa é pioneira na Empresa, a equipe de Transferência de Tecnologia da Unidade está trabalhando na construção de um modelo de Acordo de Transferência de Material”, afirmou

Trata-se de uma ação paralela ao PLANAPO com o intuito de colaborar para a conservação da diversidade genética. “O acesso aos bancos genéticos não implica apenas doar, mas também receber material Os nossos bancos precisam ser retroalimentados”, explica a pesquisadora, lembrando que o armazenamento das sementes cultivadas por eles é também uma forma de evitar a erosão genética. Segundo o técnico da AS-PTA, Emanoel Dias, existem hoje 62 casas de sementes no Polo da Borborema. “O depósito de sementes nas câmaras frias da Embrapa será uma cópia de segurança para os agricultores. O primeiro material a ser enviado será o de milho, mas futuramente pretendemos estimular o encaminhamento de outras espécies de importância socioeconômica para a região, como a fava, por exemplo”, complementou.

Técnicas de germinação aprendidas na Embrapa serão multiplicadas em Borborema

Outro objetivo da visita à Embrapa foi aprender técnicas de germinação e produção de mudas de espécies     nativas florestais e frutíferas com a pesquisadora Antonieta Salomão, que é especialista na germinação de plantas nativas. Muitos dos agricultores do Polo, cerca de 40 jovens e nove adultos, são viveiristas e vivem da produção e comercialização de espécies florestais e medicinais, como nim, aroeira, angico, sabiá, entre outras, e frutíferas, como pinha, graviola, caju, goiaba e acerola.

Segundo uma das agricultoras presentes à visita, Maria da Penha Batista, do município de Solânea, as técnicas ensinadas pela pesquisadora serão muito úteis para a sua produção local. Ela explica que Antonieta ensinou o passo a passo da germinação, além de técnicas que permitem uniformizar a produção.

“Ela nos explicou que é importante selecionar as sementes desde a coleta, pela cor e o formato, por exemplo, entre outras técnicas que permitem uniformizar a germinação. Isso vai ser muito bom para nós, pois a germinação padronizada garante maior produtividade na hora da colheita, além de plantas de melhor qualidade”, comemorou Maria da Penha.

A visita à Embrapa Cerrados também foi muito produtiva na opinião de Maria da Penha e dos outros dois agricultores presentes à visita: Marcelânia Machado (Queimadas) e Erivan Farias (Lagoa Seca). Lá eles aprenderam a quebrar dormência, montar estufa para germinação e usar tubetes para a produção de mudas nativas. Além de visitar o banco ativo de maracujá, eles ganharam sementes de maracujá pérola do Cerrado, Cambuci (fruta semelhante à goiaba) e de outras espécies frutíferas (incluindo uma nativa da Colômbia) e florestais.

Após a visita, eles pretendem multiplicar os ensinamentos aprendidos na Embrapa para os outros agricultores do Polo. Os três fazem parte da Rede de Coletores de Sementes, que abrange aproximadamente 60 pessoas.

Segundo Emanoel, a AS-PTA atende agricultores familiares em praticamente todo o território nacional. Como é impossível manter uma quantidade de funcionários à altura desse objetivo, uma das estratégias da ONG é fortalecer o estabelecimento de redes organizadas por áreas temáticas: recursos hídricos, agrobiodiversidade, criação animal, saúde e alimentação, cultivos ecológicos e comercialização.

Próxima visita terá como foco a coleta de espécie nativas

Os agricultores ficaram tão animados com a visita à Embrapa, que já estão planejando outra em breve. Da próxima vez, eles querem se reunir com os especialistas em coleta de recursos genéticos da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia para aprender técnicas utilizadas na coleta de espécies nativas.

A visita ainda não tem previsão de data, mas segundo eles, a “semente já está plantada, agora é trabalhar para que germine e possamos voltar, quem sabe com outros agricultores do Polo da Borborema”, finalizaram.

Fernanda Diniz (DRT/DF 4685/89)
Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia

Telefone: 61 3448-4768

Foto: Claudio Bezerra

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Seed banks and national policy in Brazil

23, maio, 2016 Sem comentários

Farming Matters | Special issue on Access and Benefit Sharing

Written by Paulo Petersen , Gabriel Fernandes , Luciano Silveira , Emanoel Dias da Silva — last modified May 03, 2016 11:27 AM

Increasingly, seeds are the domain of professional breeders, agribusiness and policy makers. They decide what makes for a good variety and they develop legislation that excludes other varieties. Despite this, farmer organisations and social movements in Paraíba, Brazil, have managed to strengthen decentralised farmer-driven seed selection and distribution systems and public seed policies. They may well be opening the way for another seed regime in the country, with its own access and benefit sharing mechanisms.

VII Marcha pela Vida das Mulheres e pela Agroecologia

12, abril, 2016 Sem comentários

O grito de luta das mulheres do semiárido

21, março, 2016 Sem comentários

CARTA MAIOR, 09/03/2016

por Najar Tubino

Cinco mil mulheres agricultoras protestaram por uma sociedade mais justa, contra a tentativa de golpe das elites brasileiras e pela agroecologia

Areial (PB) – Cinco mil mulheres agricultoras se reuniram ontem hoje nesta pequena cidade de sete mil habitantes, onde o solo é uma areia branca, para protestar contra a violência, a impunidade, por uma sociedade mais justa, contra a tentativa de golpe das elites brasileiras e pela agroecologia. Essa é a VII Marcha pela Vida e pela Agroecologia, novamente ocorrendo num momento político tenso. No ano passado, a prefeitura que apoiava o evento ameaçou retirar o apoio na última hora, porque a Marcha ocorreu no dia 12 de março, após as demonstrações de ódio explícito na Avenida Paulista. Mas não é um simples acontecimento, embora a prefeitura de Areial tenha decretado feriado. Trata-se de uma demonstração de força e poder de mulheres que antes buscavam água barrenta por quilômetros, com uma lata na cabeça.

Eram destratadas pelos governantes e muitas vezes pelos próprios companheiros. A Paraíba está na sexta posição no Mapa da Violência e João Pessoa está em terceiro lugar entre as capitais mais violentas. Nos últimos 10 anos, 43 mil mulheres foram assassinadas no Brasil. No ano passado foram 50 na Paraíba. No último fim de semana, outras duas foram mortas. A Marcha tem dois momentos: um de denúncia, outro de afirmação. A concentração iniciou na zona rural, no sítio Areial II, em um campo de futebol. Setenta ônibus trouxeram comitivas de outros municípios, dos 14 que compõem o Polo da Borborema.

Cinco mulheres comandam os sindicatos

Uma região com tradição de luta camponesa, onde Margarida Alves foi assassinada por um tiro de escopeta 12 na década de 1980, depois de ser a primeira presidenta de um sindicato de trabalhadores e trabalhadoras rurais – no município de Alagoa Grande. Hoje, cinco mulheres comandam os sindicatos. Porém, o Polo é muito mais do que isso. São mais de 150 associações de comunidades do campo, onde já foram instaladas quase 10 mil cisternas de placa e 1600 cisternas de produção. Trabalho organizado pela ASA, pela organização social AS-PTA, que está presente na Paraíba há 20 anos, pelo Coletivo Estadual de Mulheres do Campo e da Cidade e por vários outros movimentos. Um trecho da convocação:

“- Em nome de Ana Alice, jovem agricultora militante do Polo, brutalmente violentada e assassinada em 2012 e de milhares de mulheres que todos os dias são vítimas de violência, cobramos o fim da impunidade dos crimes contra a mulher. Afirmamos que as desigualdades entre homens e mulheres e a violência constituem um forte bloqueio para que a agricultura familiar se consolide como modo de produção e de vida para as famílias agricultoras do território da Borborema”.

Uma rainha afrodescendente

Em volta do campo de futebol algumas tendas, dois carros de som. No palco as apresentadoras vão ensaiando os gritos de luta, as músicas da marcha e a ciranda, que logo depois Lia de Itamaracá, uma afrodescendente de 72 anos, que já percorreu o mundo cantando irá embalar. Lia é alta, esguia, descendente de africanos da Guiné Bissau, do povo Djola. Veste um vestido branco, bordado com uma fita azul, parece uma rainha e tem uma voz firme e forte, como de Benedita de Jesus.

Os grupos de mulheres, crianças, idosos, homens chegam a pé, caminhando pela areia com cartazes, faixas, camisetas da marcha. O sol está quente, mas o planalto da Borborema sempre alivia o calor com um vento, às vezes, fresco. ”Somos Lula e Dilma”, diz o cartaz da Juventude de Remígio. Não vai ter golpe está em vários cartazes. O clima é emocionante, a cada fala, uma canção.

“- Pra mudar a sociedade/do jeito que a gente quer/participando sem medo de ser mulher/ porque a luta/não é só dos companheiros…pois sem mulher/ a luta vai pela metade/na aliança operário e camponesa/participando sem medo de ser mulher/pois a vitória vai ser nossa com certeza/participando sem medo de ser mulher.”

Quando a gente luta sempre consegue

Roselita Vitor da Costa, de Remígio é uma das coordenadoras do Polo da Borborema. Para ela, a Marcha das Mulheres é a maior expressão do movimento feminino na Paraíba, talvez do Brasil. As mudanças na maneira de produzir, a responsabilidade de assumir as tarefas ao redor de casa, os ensinamentos da agroecologia, o acesso à água de beber e de produzir, a implantação das políticas públicas que apoiaram a agricultura familiar tudo isso se expressa em maior participação política e social. Roselita cita a rede de 1300 agricultoras experimentadoras, da produção comercializada em 10 feiras agroecológicas no Polo, na melhoria da renda. Enfim, conseguiram um novo papel para a agricultora camponesa, com força e valorização.

É o que diz outra agricultora, Ligória, dando um testemunho no palco:

“- Eu planto, colho, trabalho na construção civil como ajudante de pedreiro e não tenho medo de enfrentar a luta, porque quando a gente luta, consegue. Vou continuar marchando”.

Agronegócio sempre ameaçando

Zeneide Balbino é a presidenta do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras de Areial, também promotor da Marcha.

“- Nós precisamos valorizar o que nós temos no Polo – as nossas sementes crioulas, sementes da paixão, as galinhas capoeiras. Porque já tem empresas querendo trazer raças de fora, que precisam de ração, de milho transgênico. Temos que defender o nosso projeto de agroecologia, que está sendo ameaçado pelo agronegócio”.

São 82 bancos de sementes na região. O agronegócio já tentou de várias maneiras desestruturar a agricultura familiar, desde incentivar o plantio de tabaco até varrer as plantações de cítricos, que estão localizadas na área do território chamada de brejo úmido, com inseticidas e fungicidas, quando sofreram um ataque da mosca preta. Foram bloqueados pelas associações e sindicatos. Mesmo assim, grande parte do Polo ainda é ocupada por grandes fazendas de pecuária ou de cana – 254 ocupam 43,6% da área, enquanto 8.842 estabelecimentos apenas 3,2% da área. Na definição do Ministério do Desenvolvimento Agrário o Território da Borborema é composto por 21 municípios e conta com 21 mil estabelecimentos da agricultura familiar, que ocupam área entre 2 e 10 hectares.

No teatro o homem vive o pesadelo de ser mulher

Nailde de Lima é separada, têm dois filhos, o ex-marido está em São Paulo. A separação ocorreu por sucessivos abusos violentos. Mas ela não consegue assumir a terra que plantava quando era casada no assentamento Veloso, onde vivem 31 famílias, em Casserengue. Lá, Maria Celina é a presidenta do Sindicato. E vieram para a Marcha em quatro ônibus. Leônia Soares, de Maçaranduba comenta que o machismo ainda é muito presente no meio sindical e que as mulheres precisam assumir esses espaços de poder para valorizar o trabalho das agricultoras, que sempre são sobrecarregadas com as atividades domésticas, de cuidados dos filhos, além do trabalho no quintal e no roçado.

A Marcha deveria sair do Sítio Areial II às 10 horas. Já são quase 10h30min e ainda rola uma peça de teatro no palco. O agricultor Biu está sonhando que assume o papel da mulher, enquanto ela desfruta das delícias de ser o dono da casa – pega o dinheiro ganho na venda das galinhas e vai descansar um pouco a cabeça no bar. Daí ele acorda, e sente que viveu um pesadelo. E as mulheres em coro: esse é o nosso dia a dia. Um pesadelo.

Nunca olharam para as pessoas mais pobres

Roselita Vitor da Costa promove o último diálogo com as mulheres: quem já passou fome e sede aqui presente. A maioria levanta as mãos. Quem já teve que ir buscar água barrenta com lata na cabeça. A maioria responde sim. Quem tem cisterna de água para beber? Praticamente todas levantam as mãos. Quem recebe bolsa família? Quase todas. E quem tem filho na universidade? Algumas levantam. E vocês acham que isso aconteceu por quê?

“- Porque essas melhorias são resultado de um governo que tem olhado pra as pessoas mais pobres desse país. A gente não pode esquecer disso. A elite brasileira não admite que filho de pobre estude em universidade e que eles possam viajar de avião. A imprensa e a televisão ficam manipulando as pessoas, dizendo que o problema é a corrupção que só acontece no governo do PT. Nunca falam dos outros governantes. Porque nunca olharam para a gente. Nós iremos para a rua novamente para defender as políticas que beneficiaram o semiárido e mudaram as vidas das pessoas e das mulheres”, disse ela.

Daí a Marcha sai da areia por uma estradinha de chão, por entre sítios da agricultura familiar, plantações de batata doce, mandioca, palma forrageira. Um pé de jaca carregado . Entra na Rodovia PB-121 ocupando as duas pistas e segue até a Praça Central de Areial. A população nas calçadas, em cima de muros, nas lajes, em todo canto vibrava com o movimento, a cantoria, os gritos de luta das mulheres do semiárido, que neste dia 8 de março mais uma vez fizeram a história desse país.