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Textos com Etiquetas ‘soja’

Alertan sobre los impactos de los cultivos transgénicos en Uruguay

18, setembro, 2016 Sem comentários

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A dos décadas de la aprobación del primer cultivo genéticamente modificado en Uruguay, sectores sociales y organizaciones ambientalistas alertan sobre el impacto y los riesgos que este modelo agrario representa para el medio ambiente y la salud de la población.

teleSUR

Crescimento da área global de soja

2, julho, 2016 Sem comentários
Amigos da Terra

Amigos da Terra

Territórios ameaçados pela expansão da soja

1, junho, 2016 Sem comentários

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– Enviado pela Red Rural, Paraguai

 

 

Uso de agrotóxico mais que dobrou de 2000 a 2012, aponta IBGE

19, junho, 2015 Sem comentários

G1, 19/05/2015

A quantidade de agrotóxico entregue ao consumidor final mais que dobrou entre 2000 e 2012, mostrou a 6ª edição dos Indicadores de Desenvolvimento Sustentável Brasil (IDS) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em 2002, quando houve o menor uso no período, a comercialização do produto era de 2,7 quilos por hectare. Em 2012, esse número chegou a 6,9kg/ha.

“As variáveis [da análise] são a quantidade de agrotóxico que são entregues ao consumidor final. Os que são comercializados, segundo relatório do Ministério do Meio Ambiente. É a relação entre a quantidade entregue ao consumidor final e a unidade diária de plantio”, explicou Rodrigo Pereira, gerente de Estudos Ambientais do CREN do IBGE.

O relatório apontou que os produtos considerados perigosos foram os mais representativos, respondendo por 64,1% dos itens comercializado entre 2009 e 2012. Segundo o especialista do IBGE, esse resultado foi puxado por um herbicida denominado Glifosato.

“É um produto medianamente perigoso e muito usado na cultura da soja. Se está usando muito no país, principalmente na área do Serrado e do Centro-Oeste. Glifosato é o componente mais comercializado”, completou Rodrigo Pereira.

O IBGE divulgou no dia 11 de junho que o Brasil deve colher este ano uma safra de 204,3 milhões de toneladas, 5,9% maior em relação a 2014 (192,9 milhões de toneladas), puxada principalmente pela soja, seguido do trigo.

“Aumentou a participação de todos os agrotóxicos. Vem aumentando por conta de agricultura mais intensiva, para exportação, vem aumentando uso, assim como fertilizante também”, explicou o especialista, que acrescentou que o relatório não informa, no entanto, o quanto é convertido em estoque ao produtor.

Periculosidade ambiental
Segundo Denise Kronemberger, Gerente de Estudos Ambientais do IBGE, uma das novidades do IDS 2015, é a inclusão, a partir de 2009, da apresentação da quantidade comercializada de agrotóxico, com classificação por periculosidade ambiental.

“Um estudo feito pela Anvisa sobre o componente químico de cada agrotóxico e efeitos que podem ter na saúde humana. Os mais comercializados são da classe III. Quanto mais baixa a classe, pior é, mais perigoso”, explicou a gerente.

As classes III (produto perigoso) e II (muito perigoso) foram as mais representativas no período 2009-2012, segundo o instituto. Eles participaram 64,1% e 27,7%, respectivamente, do total de agrotóxicos utilizados.

“A classe IV (produto pouco perigoso) apresentou crescimento contínuo no período analisado. Em 2012, as classes de agrotóxicos mais comercializadas foram os herbicidas, 62,2%, seguidos dos inseticidas (12,6%) e fungicidas (7,8%)”, informou o IBGE.

Região Sudeste
A pesquisa mostrou ainda que a região Sudeste apresentou a maior comercialização de agrotóxicos por unidade de área, 8,8 quilos por hectare, seguida pela região Centro-Oeste, 6,6 kg/há.

“A região Sudeste é a que tem maior quantidade de comércio. Maior quantidade de agrotóxico por quantidade de área plantada. São 10,5 quilos por hectare no estado de São Paulo. Na Região Sudeste, total de 8,8 quilos por hectare. Então, São Paulo quem puxou”, concluiu Rodrigo Pereira.

O IBGE informou no relatório que o indicador utiliza os dados de comercialização disponibilizados pelo Ibama, “não significando que as quantidades vendidas tenham sido de fato usadas”.

“Ocorrem casos em que o produto comprado não é utilizado, por não ser necessário, quando uma praga esperada não aparece ou o produto perde a validade. Contudo, essas informações de comercialização são uma boa aproximação do consumo de agrotóxicos”.

Agrotóxicos no Uruguai

25, fevereiro, 2014 Sem comentários

Estudo produzido pela Redes e Amigos da Terra Uruguai explora os impactos causados pela intensificação e expansão das monoculturas no país, com destaque para o avanço da soja. Entre os anos de 2000 2011 a área cultivada foi multiplicada por 3,75, sendo que o volume de fertilizantes utilizados quase triplicou e o de agrotóxicos cresceu quase cinco vezes.

Versões eletrônicas do resumo e do estudo na íntegra em espanhol estão disponíveis em: http://www.redes.org.uy

 

 

Soja convencional tem bônus de R$ 7/saca

22, fevereiro, 2014 Sem comentários

Gazeta do Povo, 18/02/2014

Armazéns com estrutura para segregação permitem crescimento de lavouras não transgênicas

Novo corte na produção de soja convencional fez o bônus pago por saca de grão segregado chegar a R$ 7 no Paraná, apurou a Expedição Safra. O prêmio alcançava R$ 5 na safra passada e teve novo reajuste após a confirmação de contratos de exportação para a Europa, apontou o agrônomo Alex Carlis, supervisor do Departamento Técnico da cooperativa Coamo.

Conforme as estimativas das maiores cooperativas do Paraná e os levantamentos regionais do Departamento de Economia Rural (Deral), órgão ligado à Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab), o estado reduziu a área da soja convencional a cerca de 5% das lavouras. Boa parte dessa fatia é vendida como soja geneticamente modificada, sem passar por segregação.

Além disso, nesta temporada, foi a primeira vez que o plantio de sementes transgênicas RR1 – tolerantes a glifosato e cultivadas comercialmente há sete safras – dispensou o pagamento de royalty de cerca de R$ 22 por hectare. Em outra frente, a soja transgênica Intacta RR2 PRO – tolerante ao herbicida e resistente a insetos – estreou comercialmente nesta temporada, ao custo de R$ 115 por hectare.

Tiro certeiro

O reajuste no preço da soja convencional anima produtores da região de Palotina (Oeste do Paraná) que investiram em estrutura de segregação. Com 3,6 mil hectares dedicados à oleaginosa, um grupo de sete agricultores do município reservou um terço da área para sementes não modificadas. Isso depois de investir R$ 7 milhões num condomínio com capacidade para 13,8 mil toneladas de grãos e três moegas, uma delas reservada à soja não transgênica. O bônus de R$ 7 por saca indica que o projeto acertou em cheio, aponta o gerente da unidade armazenadora, João Werle. Ele prevê também economia no escoamento da produção transgênica.

O bônus à soja convencional representa incremento de 10% a 15% na renda dos produtores. É como se a fazenda que rende 50 sacas por hectare colhesse de cinco a sete sacas extras. Na renda bruta, a vantagem passa de R$ 300 por hectare. Os custos, segundo os produtores, são praticamente os mesmos dos registrados no cultivo de soja transgênica.

“O bônus surpreendeu neste ano. Não quer dizer que vai ser assim sempre”, pondera o produtor Roque Sartori, que integra o condomínio de armazenagem mas só plantou soja transgênica. “No ano que vem, se a tendência for essa, vou plantar convencional.”

Segundo informações da Embrapa, que mantém oferta de semente convencional com produtividade comparada à das opções transgênicas, não houve falta do produto no plantio de 2013/14. As regiões que plantam sementes (que serão cultivadas em 2014/15) também não contam com salto na área de soja convencional na próxima temporada. Pelo contrário, a soja que mais ganha área é a Intacta RR2 PRO, que promete a supressão da lagarta Helicoverpa armigera. Na região sementeira da Copercampos (Campos Novos, SC), por exemplo, a previsão é que a nova tecnologia passe de 15% para 80% das lavouras.

Argentina dá sinal verde para soja tolerante ao 2,4-D

22, fevereiro, 2014 Sem comentários

Informações da Página 12, 19/02/2014

Uma nova soja transgênica, resistente a três agrotóxicos, está a ponto de ser aprovada na Argentina, sob protestos de movimentos camponeses, cientistas e organizações da sociedade civil. Esses grupos denunciam que a forma de aprovação que está avançando é “irregular” (realizada com base em estudos das próprias empresas e confidenciais) e asseguram que o combo de químicos aplicado na soja será prejudicial para o meio ambiente e a saúde da população. “Questionamos a decisão de aprovar esta nova soja, mas também o sistema atual de aprovação dos organismos geneticamente modificados (OGMs), que não garante uma devida avaliação ambiental e nem a inocuidade alimentar dos transgênicos”, explicou Fernando Cabaleiro, do Centro de Estudos Legais do Meio Ambiente (Celma).

Em dezembro de 2013, a Comissão Nacional Assessora de Biotecnologia Agropecuária (Conabia) aprovou a “soja DAS-444O6-6”, da empresa Dow AgroSciences, resistente aos herbicidas glifosato, glufosinato de amônio e 2,4-D. O parecer da Comissão afirma que o produto não apresenta riscos para a saúde e nem para o meio ambiente, e deixa o caminho livre para que o Ministério da Agricultura dê a última aprovação.

O Celma denunciou que não foram cumpridos os passos administrativos exigidos pela legislação nacional (que obriga a realização de audiências públicas) e afirmou que não foi realizado um “necessário e completo estudo de impacto ambiental”. Observou ainda que os estudos de riscos foram realizados em espaços reduzidos que não levam em conta a coexistência com o ambiente do entorno e nem os efeitos dos agrotóxicos nos campos vizinhos. A organização apresentou um pedido de impugnação junto ao Ministério da Agricultura, exigindo a realização de audiências públicas e uma correta avaliação de impacto ambiental.

A aprovação de transgênicos na Argentina [assim como no Brasil e nos EUA] se realiza com base em estudos apresentados pelas próprias empresas. O advogado Cabaleiro demanda que esses estudos (sobretudo os que indicam a suposta segurança ambiental e inocuidade alimentar) sejam tornados públicos para serem avaliados por cientistas e instituições independentes das empresas.

A forma com que se aprovam os transgênicos e o avanço da fronteira agropecuária são questionados pela grande maioria das organizações da agricultura familiar na Argentina (…). As objeções com relação à nova soja são também apoiadas pela Rede por uma América Latina Livre de Transgênicos (Rallt), pela Campanha Paren de Fumigarnos e pela Alianza Biodiversidad. Foi iniciada uma campanha internacional para divulgar o fato de que “o 2,4-D é um herbicida mais perigoso que o glifosato, portanto os impactos ambientais e sobre a saúde do novo cultivo transgênico serão ainda mais devastadores, especialmente levando em conta que esta soja foi piramidada para receber uma combinação de herbicidas”. (…)

O 2,4-D é um herbicida utilizado desde 1940, muito questionado em nível internacional, que já foi proibido na Dinamarca, na Noruega e na Suécia.


N.E.: No Boletim 658 informamos que os EUA também caminham na direção da aprovação de soja e milho tolerantes ao 2,4-D. No Brasil, a CTNBio foi freada em seus esforços para a liberação desses produtos pelo Ministério Público Federal, que diante da recusa da Comissão em realizar audiência pública sobre o tema realizou, o próprio MPF, uma audiência (em 12/12/2013), além de entrar com inquérito civil contra a CTNBio para apurar a denúncia de que a aprovação estaria se dando sem a realização dos estudos necessários à avaliação de riscos.

Ao contrário do glifosato hoje largamente utilizado nas lavouras de soja transgênica, que apesar das cada vez mais numerosas evidências de danos à saúde é classificado pela Anvisa como “Pouco tóxico” (Classe IV), o 2,4-D é classificado como “Extremamente tóxico” (Classe I), produz dioxina como subproduto e é associado ao desenvolvimento de alguns tipos de câncer e a defeitos congênitos. O pesquisador estadunidense Charles Benbrook demonstra, com dados do próprio Departamento de Agricultura dos EUA (USDA, na sigla em inglês) que a difusão de plantas transgênicas tolerantes ao glifosato aumentou o número e o volume de herbicidas aplicados nas lavouras e estima que, se forem aprovados a soja e o milho tolerantes ao 2,4-D, o volume do produto aplicado pode ser aumentado em cerca de 50%.

O áudio da audiência de imprensa está disponível em: https://drive.google.com/file/d/0B6vgViYroeFBNktUZGl4dE9MZjA/edit?usp=sharing

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Estudo aponta descontrole com inseticidas

22, dezembro, 2013 Sem comentários

Folha de S. Paulo, 06/12/2013.

Parte dos produtores está deixando para trás as boas práticas de combate ao percevejo, um inseto que ataca as vagens da soja.

Referência mundial na década de 1980 por boas práticas no combate ao percevejo e redução no número de aplicações de inseticidas, o país volta a elevar o número de pulverizações.

Nos anos 1980, o produtor se destacou ao utilizar o chamado “Manejo Integrado de Pragas”, quando reduziu as aplicações de inseticidas de cinco para duas vezes. Agora, as aplicações chegam a até sete por safra.

Os dados fazem parte de estudo feito pela Embrapa Soja em áreas de produtores da cooperativa Coamo. O estudo, feito em lavouras de Santa Catarina, Paraná e Mato Grosso do Sul, mostra um descontrole nas aplicações de inseticidas no campo.

O resultado traz preocupações tanto econômicas como ambientais. A empresa constatou que os produtores que ainda se utilizam de boas práticas para o controle das pragas necessitam de apenas duas aplicações por safra.

O estudo constatou ainda que é comum a aplicação preventiva de inseticida. “Essas aplicações não resultam em benefícios para a produtividade ou qualidade dos grãos, além de não reduzir a intensidade do ataque da praga na fase crítica da soja”, diz Samuel Roggia, pesquisador da Embrapa e um dos responsáveis pela pesquisa.

Daniel Ricardo Sosa-Gomez, da Embrapa Soja, diz que a aplicação de inseticidas antes do período crítico do ataque dos percevejos elimina os inimigos naturais da praga, favorece o desenvolvimento de insetos resistentes, além de elevar custos.

Esse manejo inadequado por parte do produtor no combate às pragas permite, ainda, o aparecimento de outras espécies que antes eram consideradas secundárias, como lagartas e ácaros.

Roggia diz que a pesquisa apontou que o monitoramento das lavouras dever ser o subsídio básico para o controle da praga. “Há a necessidade do uso de amostragens para o momento correto das aplicações”, diz ele.

Para a pesquisadora Clara Beatriz Hoffmann Campo, da Embrapa Soja, apesar desse certo descontrole no combate à praga, há informações disponíveis para o produtor reverter esse quadro.

 

Produtividade desacelera na última década

14, outubro, 2013 Sem comentários

Maiores quedas de crescimento da produtividade foram justamente para soja e algodão, culturas que no período avaliado foram convertidas para a transgenia, sobretudo a soja. Como a adoção do milho transgênico é bem mais recente, seu efeito sobre a produtividade da cultura ainda não pôde ser avaliado. Mas a matéria é suficientemente apologética do sistema para não entrar no tema. No caso da cana o doutor entrevistado lamenta que o setor não cresceu porque não fez parcerias com multinacionais como a Monsanto. E volta a pergunta: mas os transgênicos não viriam para aumentar a produção e acabar com a fome no mundo?

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Valor Econômico, 08/10/2013

A despeito do extraordinário [sic] desempenho econômico do agronegócio, a produtividade das lavouras brasileiras cresceu em ritmo mais lento – ou mesmo caiu – na última década. De acordo com dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o rendimento das plantações de grãos e fibras cresceu, em média, 2,56% entre as safras 2003/04 e 2012/13, ante 4,24% nos dez anos anteriores.

As dificuldades impostas por novas pragas (como a ferrugem da soja), mudanças no uso da terra e barreiras à incorporação de novas tecnologias levaram a ganhos mais modestos no campo.

Carro-chefe do agronegócio, a soja explicita essa tendência. Na última década, a produtividade média da cultura cresceu, em média, 1,03% ao ano, ante uma taxa de 2,89% entre 1993/94 e 2002/03 e de 3,69% entre 1983/84 e 1992/93.

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Entenda por que o Brasil é o maior consumidor de agrotóxicos do mundo

23, setembro, 2013 Sem comentários

Revista Galileu

O Brasil é campeão mundial de uso de agrotóxico, embora não seja o campeão mundial de produção agrícola. O País ainda é o principal destino de agrotóxicos barrados no exterior. Para entender por que isso acontece, entrevistamos o pesquisador do assunto, Wanderley Pignati, doutor em Saúde Pública e professor da Universidade Federal de Mato Grosso. Confira abaixo:

Por que o Brasil lidera o ranking de uso de agrotóxicos? Temos mais pragas que os demais países?
É uma somatória de razões. A mais óbvia é que somos um dos maiores produtores agrícolas do mundo, de soja principalmente. Uma outra é que nossas sementes melhoradas já são pensadas para usar agrotóxicos. São selecionadas até um certo ponto em que, realmente, dependem destes produtos. E, para dar a produtividade que se espera, demandam grandes quantidades. Em terceiro lugar, não temos mais pragas, mas, por usarmos agrotóxicos há tantos anos, nossas pragas ficaram mais resistentes. É um espiral que vai aumentando.

Como outros países evitam o uso de agrotóxicos?
Eles limitam o uso de agrotóxicos mais tóxicos. Aqui usamos agrotóxicos que foram proibidos em 1985 na União Européia (UE), Estados Unidos e Canadá. No Brasil, estamos tentando revisar o uso de 14 tipos há dois anos e não conseguimos, porque dependemos do parecer do Ministério da Agricultura, do Ministério do Meio Ambiente e o parecer do próprio sindicato dos produtores.

Na UE existe uma fiscalização mais rigorosa. Aqui aplicamos dezenas de agrotóxicos por avião, coisa que é proibida lá. Jogamos agrotóxicos por avião perto de casas, animais, gado, nascentes de rios e córregos. Outro fator importante é a conscientização da população europeia, que cobra este tipo de cuidado do governo e dos produtores.

Agrotóxico faz mal mesmo se for usado corretamente?
Não existe uso seguro. Isso é uma fala dos produtores de agrotóxico. Por exemplo, se o trabalhador que aplica estiver como um astronauta – isolado com todos os equipamentos de proteção (EPI), inclusive para respirar – ele é menos prejudicado, mas não existe uma proteção 100% dos trabalhadores. E qual a proteção ao ambiente? Isso vai sempre deixar resíduos em alimentos, contaminar rios, ar, lençóis freáticos. Que segurança é essa?

 E se formos mais a fundo nessa discussão, veremos que é uma contaminação intencional. Em termos jurídicos, fala-se em crime culposo quando a pessoa não teve a intenção de cometê-lo e doloso quando teve. Aqui não é um crime culposo. Não é culpa do vento que mudou o agrotóxico de direção, mas do agricultor que cometeu um ato inseguro e intencional. Existe a intenção de poluir para atingir o alvo dele – no caso, os insetos, as pragas. Ele aceita conscientemente essa consequência.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde, as intoxicações por agrotóxicos são três milhões anuais. Destes, 2,1 milhões de casos acontecem nos países em desenvolvimento. Mais de 20 mil pessoas morrem no mundo, 14 mil estão nas nações do terceiro mundo. Existe alguma razão para que essas mortes concentrem-se nestes países?
Utiliza-se mais agrotóxico, em primeiro lugar, porque se produz mais alimentos em países em desenvolvimento. Muitas dessas lavouras usam agrotóxicos proibidos na União Europeia, EUA e Canadá. Ora, se são mais tóxicos e proibidos lá, naturalmente acontecerão mais mortes aqui na América Latina e na África. E quer saber mais? Muitos desses agrotóxicos são produzidos no primeiro mundo e vendidos para o terceiro.

Como um agrotóxico provoca a morte de uma pessoa? Que outros males eles podem causar à saúde?
Depende do agrotóxico. Aqui no Mato Grosso, por exemplo, já vimos caso de trabalhador que estava no trator com o ar condicionado ligado, jogando agrotóxico. Como o filtro de ar estava vencido, e ele não usava máscara dentro do trator, morreu de intoxicação aguda. Alguns agrotóxicos também causam câncer, problemas neurológicos, má formação fetal e desregulação endócrina. São extremamente prejudiciais à saúde humana. Estão na água, no ar, na chuva.

Os defensivos agrícolas demoram de três a quatro anos para degradar e o produto é tão prejudicial quanto a substância inicial. Um grande problema são doenças crônicas que acontecem durante anos de uso continuado de níveis baixos de agrotóxicos. Existe hoje a determinação de um limite máximo de resíduo por alimento. Esse limite não deveria existir, é absurdo. Cada pessoa tem uma sensibilidade diferente ao produtos. Sabe como esse limite é determinado? A partir da média da sensibilidade das pessoas, são medidas arbitrárias. No Brasil, por exemplo, um quilo de soja pode ter 10 miligramas de glicosato [princípio ativo de um agrotóxico famoso]. Nos EUA o limite é de 5 mg, na Argentina 5 mg, mas na Europa é 0,2 mg.

Qual a punição dada ao agricultor que permite que seus funcionários ou clientes sejam intoxicados no Brasil?
Primeiro ele vai responder ao Ministério do Trabalho, porque será notificado como um acidente de trabalho. Depois, podem entrar com uma ação de crime doloso [intencional] contra ele. Porque se contratou, tem que dar toda a proteção ao trabalhador. A punição depende muito da força do Sindicato.

Na sua opinião, os alimentos transgênicos são uma solução para o uso de agrotóxicos?
Pelo contrário. Alguns transgênicos são feitos para ser mais resistentes aos agrotóxicos, por isso se usa ainda mais, como a soja resistente ao glicosato.

Quais são as lavouras que mais usam agrotóxicos no Brasil?
Por hectare é o algodão. Logicamente não comemos algodão, mas sua semente é usada para fazer ração de gatos e outros animais. Outras lavouras que usam muito agrotóxico são as de tomate, morango, hortaliças em geral, soja e milho.

Como se proteger? Basta lavar bem as verduras e legumes?
Não. O consumidor deve também consultar os dados do PARA [Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos] da Anvisa. Nos dados de 2009, ele descobrirá os alimentos que têm problemas e poderá evitá-los. Mas é preciso ainda pressionar a Secretaria de Saúde e do Meio Ambiente para que façam uma vigilância mais dura.

Novos riscos dos transgênicos na agricultura: o herbicida 2,4-D, componente do “agente laranja”

17, setembro, 2013 Sem comentários

RSUrgente, 12/09/2013

Por Paulo Brack

Nova primavera silenciosa se aproxima? Na pauta (*) da Reunião da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), do próximo dia 19 de setembro de 2013, constam três processos de liberação comercial de sementes transgênicas de soja e milho, da empresa Dow AgroSciences, com adaptação ao herbicida 2,4-D, de alta toxicidade, junto com outros herbicidas, entre eles o glifosato, também tóxico. A intenção dos transgênicos é resistir a estes agrotóxicos potentes, que matam as chamadas “ervas daninhas” (=especismo?), para “aumentar a produtividade” das commodities agrícolas, ou mesmo pastagens. Mas, segundo dados do próprio Ministério da Agricultura, o que vem aumentando exponencialmente é a venda e o uso de herbicidas e outros agrotóxicos. O uso de agrotóxicos subiu no Brasil, em menos de 10 anos, a partir de 2002, em 70%, enquanto a expansão da área agrícola em 60%. Somos, vergonhosamente, os campeões no mundo no uso de biocidas, desde 2009.

O herbicida 2,4-D (ácido diclorofenoxiacético) foi desenvolvido a partir de 1940, durante a Segunda Guerra Mundial, sendo na década de 1960 um dos componentes do agente laranja (junto com o 2,4,5-T, na Guerra do Vietnã). É um produto que tem eficácia contra plantas de folhas largas, sendo por isso utilizado para desbastar as florestas, em mais uma guerra provocada, onde os EUA alegava seu uso para poder “enxergar seus inimigos”. Porém, mais do que isso, foi usado como arma química, causando a morte e malformações em milhares de pessoas (**). Ironicamente, a empresa Dow é do mesmo país (EUA) que se diz contra as armas químicas e usa esta “justificativa” para poder atacar agora a Síria.

Esta guerra contra as tais “plantas daninhas”, inclui também a guerra contra a biodiversidade, via morte de plantas as quais mais de 50% delas apresentam potencial de uso alimentício ou medicinal. Um dos produtos mais utilizados hoje com o 2,4-D tem nome comercial Tordon. Nem as pastagens se livram dele. Existe uma gama enorme de alternativas ao uso de herbicidas. A mais inteligente, para começar, é buscar a reconciliação com a biodiversidade, com o consequente banimento das monoculturas, inerentemente quimicodependentes. A Agroecologia e os movimentos sociais no campo têm exemplos de sobra para mostrar que copiar os processos da natureza, sem a atual acumulação ilimitada, é o melhor caminho.

No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) classificou para a saúde o 2,4-D como Extremamente Tóxico (Classe I) e Perigoso para o meio ambiente (Classe III). Os maiores riscos para a saúde residem no potencial de perturbador endócrino (alterar a função hormonal), sendo também potencialmente cancerígeno. Os principais efeitos dos perturbadores endócrinos são androgênico ou estrogênico-dependentes. Segundo Ferment (2013)***, “ interferências em rotas biológicas geradas por perturbações endócrinas podem causar danos sérios e irreversíveis à saúde humana durante o desenvolvimento fetal e infantil”. Além da característica potencial de toxicidade à reprodução (teratogênico), existem fortes evidências de ser geneticamente tóxico (genotóxico).

Alguns autores, citados por Ferment (2013, observaram disfunções dos neurotransmissores e neuro-hormônios dopamina e serotonina em cérebros de ratos quando expostos ao 2,4-D. Alguns testes encontraram danos a células hepáticas humanas, demonstrando alteração da expressão de vários genes associados, entre outras funções biológicas, à resposta imunitária, à resposta ao estresse, ao ciclo celular e à reparação do DNA (ácido desoxirribonucleico).

Afetaria também o processo de síntese da progesterona, hormônio central nos processos biológicos do ciclo menstrual feminino, e da prolactina, que está envolvida no processo de lactação. Estudos indicam inibição do processo de amamentação em ratas alimentadas com uma dieta incluindo pequenas doses do herbicida, tendo como consequência a perda de peso da progênie.”

O 2,4-D tem como destaque sua tendência de se espalhar mais amplamente no ar do que a maioria dos herbicidas, despejados por via aérea ou por terra. Isso pode comprometer o ambiente nas vizinhanças de seu uso agrícola. Em ambientes fechados, como interior de casas, pode ficar ativo durante vários meses, via pó doméstico. Nos EUA, em cidades onde foram realizadas amostras em habitações a presença do 2,4-D variou em cerca de 60 a 90% das residências. Esse tipo de exposição diária doméstica, mesmo em pequenas doses, corresponderia a uma intoxicação crônica, que pode ria desencadear efeitos endócrinos prejudiciais. Outra característica é que o espalhe do produto pelo ar atinge também pomares e outros cultivos localizados nas proximidades das lavouras onde é aplicado este herbicida.

No que se refere ao meio ambiente, o 2,4-D compromete a vegetação nativa das proximidades onde é aplicado, sendo tóxico para micro-organismos do solo, minhocas, insetos beneficiários e outros organismos importantes para o equilíbrio ecológico da lavoura, como abelhas e predadores naturais (joaninhas, vespas, aranhas, etc.). Apresentaria efeito teratogênico em aves (malformações em filhotes). Em meio aquático é considerado com ecotoxicidade elevada para os micro-organismos do plancton, bioacumulando em peixes, contaminando a cadeia alimentar como um todo, incluindo o ser humano e animais domésticos (Fermant, 2013). Quanto às águas subterrâneas, este herbicida pode se infiltrar facilmente nos solos, contaminando os aquíferos.

Até hoje, segundo Ferment (2013), nenhum país autorizou o plantio comercial de plantas transgênicas tolerantes ao 2,4-D. A regularização do 2,4-D sofre risco na União Europeia (UE), em especial por causa das suas potencialidades de perturbador endocrinológico. O autor destaca que o Conselho de Defesa dos Recursos Naturais, dos EUA, solicitou o banimento do herbicida .

O processo paulatino de aumento de resistência das ervas ruderais (“daninhas”) nas lavouras, com relação à tecnologia de plantas geneticamente modificadas (GM), tolerantes aos herbicidas, está trazendo um aumento quantitativo de biocidas em relação às lavouras convencionais. Com o advento desta tecnologia, os produtores começaram a usar cada vez mais herbicidas a base de glifosato por hectare, em meados da década passada. Nesse sentido, tudo indica que a adoção de plantas tolerantes ao 2,4-D irá aumentar ainda mais as quantidades desse herbicida nos grandes países produtores de grãos transgênicos, inclusive no Brasil. Então, daí, qual a sua vantagem?

Até que se faça algo, a liberação comercial deste evento transgênico pela CTNBio será iminente, pois a Comissão não costuma indeferir os pedidos de liberação comercial desde sua constituição legal, em 2005, extrapolando o poder dos órgãos de fiscalização e controle do Estado.

Entretanto, uma campanha começa a surgir, por parte da Agapan (Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural) e do Mogdema (Movimento Gaúcho em Defesa do Meio Ambiente), entre outros movimentos da academia, do campo e da cidade, para evitar que o Brasil se torne o primeiro país a liberar comercialmente um evento para culturas transgênicas ligadas ao uso de um herbicida componente do agente laranja, utilizado na Guerra do Vietnã. Cabe à sociedade acompanhar isso, começando a questionar e pressionar os membros da CTNBio, em especial os relatores, alguns deles pesquisadores de universidades e outras instituições públicas, inclusive do Rio Grande do Sul.

NOTAS

(*) http://www.ctnbio.gov.br

(**) BBC: Vietnã ainda sofre com químico jogado por EUA há 40 anos .

(***) FERMENT, Gilles. Documento contendo avaliação do risco relativo à saúde do trabalhador rural, ao meio ambiente e às práticas agronômicas das plantas transgênicas tolerantes aos herbicidas a base de 2,4-D no âmbito da Agricultura Familiar. Relatório técnico. Brasília: NEAD-MDA, FAO, 2013, 43 p.

Herbicida do agente laranja pode ser liberado para uso em lavouras transgênicas

5, agosto, 2013 Sem comentários

Portal Terra, 03/08/2013

Transgênicos devem promover liberação de polêmico herbicida no Brasil

Os herbicidas à base de glifosato, anunciados em anos anteriores como solução definitiva contra pragas na agricultura, já não exercem a mesma eficácia sobre plantas daninhas. Como resultado, as espécies invasoras ocupam lavouras e resistem à pulverização, prejudicando ou até inviabilizando safras inteiras. Uma solução apresentada propõe o plantio de variedades transgênicas de soja e milho resistentes a um defensivo mais agressivo, o 2,4-D (ácido diclorofenoxiacético).

Atualmente em análise na Comissão Nacional de Biotecnologia (CTNBio), órgão vinculado ao Ministério de Ciência e Tecnologia, a solicitação caminha para a liberação. Mas a medida gera controvérsias: enquanto uma força-tarefa capitaneada pelo setor agroquímico defende a aprovação, alguns pesquisadores a condenam por fomentar o uso de um produto que imporia riscos à saúde humana.

Integram a pauta da CTNBio pedidos de liberação comercial de duas variedades de soja e de uma variedade de milho tolerantes ao 2,4-D – todos impetrados pela Dow AgroSciences em 2012. Dois deles já foram examinados e aprovados por subcomissões que avaliam seus impactos sobre a saúde humana e animal.

Até 14 de agosto, a tramitação de ao menos um deles deve estar concluída nos grupos que analisam aspectos associados ao meio ambiente e produção vegetal. Se aprovados, seguem para deliberação na reunião plenária da CTNBio já no dia seguinte.

“As discussões devem ser acaloradas em função das peculiaridades do 2,4-D e das implicações relacionadas a seu uso em larga escala, no caso da liberação comercial daquelas plantas geneticamente modificadas”, considera o engenheiro agrônomo Leonardo Melgarejo, doutor em Engenharia de Produção e representante do Ministério do Desenvolvimento Agrário na CTNBio.

Melgarejo acredita que a decisão final não irá ocorrer na reunião de agosto, considerando os pedidos de protelamento que partiram do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e do Conselho Federal de Nutricionistas. No entanto, quando a votação ocorrer, a tendência é que as novas variedades transgênicas sejam liberadas.

Há indicativo de que o assunto seja integrado também à pauta da Comissão de Meio Ambiente do Senado Federal, o que ainda não ocorreu, segundo a assessoria do senador Blairo Maggi (PR/MT), que preside a comissão. O parlamentar, conhecido produtor de soja na região Centro-Oeste, não quis comentar a possível aprovação das novas variedades transgênicas.

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Adianta botar cálcio no leite de soja transgênico?

27, junho, 2013 Sem comentários

TV Câmara, 25/06/2013

 

Custos aumentam na safra 2013/14

12, junho, 2013 Sem comentários

Dados para o MT:

Custo médio de produção subiu 21%

Preço das sementes subiu 53%

Agrotóxicos subiram 20%

O último levantamento da safra divulgado pela Conab indica produtividade média de 3,06t/ha de soja para o MT, mantendo o valor dos últimos três anos.

Considerando os dados baixo de custos de produção (equivalente a 2,4t/ha) e preço da saca de soja (R$57,50), o produtor ficará com o equivalente a meros 600 kg/ha. Assim, boa parte dos R$ 136 bi que o governo acabou de anunciar para o Plano Safra vai para empresas como Monsanto, Cargill etc.

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VALOR ECONÔMICO, 12/06/2013

A escalada nos custos de produção e o risco de desvalorização da soja na safra 2013/14 estão tirando o sono dos agricultores de Mato Grosso, que já consideram como certa uma nova queda na rentabilidade no atual ciclo.

Segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), o custo médio total de produção no Estado subiu 21% neste ano, para R$ 2.315,47 por hectare. “O aumento é considerável, uma vez que a cotação da soja só vem caindo”, afirma Daniel Latorraca, gestor da entidade. Só o custo com sementes subiu quase 53%, segundo ele.

Para agravar o cenário, a tendência é de queda para os preços da soja. Desde novembro, a cotação da oleaginosa em Rondonópolis recuou cerca de 18%, de R$ 70,26 para R$ 57,50 por saca.

A tensão cresce em meio à perspectiva de uma supersafra nos EUA e de mais um aumento de área em Mato Grosso, que poderia levar a produção a superar a barreira das 25 milhões de toneladas. “Todos esses números nos dão a projeção de preços menores”, concluiu Latorraca.

De acordo com a Agroconsult, a rentabilidade média sobre os custos diretos em Mato Grosso pode cair mais de 30%, para R$ 620 por hectare, se as projeções em relação ao tamanho da produção se confirmarem. “Se contabilizarmos itens como depreciação e preço de arrendamento, o produtor pode ficar muito perto do “break even”, afirma André Pessôa, sócio-diretor da consultoria.

O presidente da Associação dos Produtores de Soja no Brasil (Aprosoja), Glauber Silveira, afirmou ontem, durante o Seminário “Caminhos da Soja”, promovido pelo Valor, estar “apreensivo” com o cenário que se desenha. “Se a safra americana se consolidar, podemos ter problemas”. Segundo ele, a logística deve pressionar ainda mais as margens do setor.

André Pessôa, da Agroconsult, lembra que as tradings arcaram com a alta dos fretes rodoviários na safra 2012/13, mas a conta vai ser repassada para o produtor no novo ciclo. Ele estima que o prejuízo com a alta desse custo oscilou entre R$ 50 e R$ 100 por tonelada.

A alta dos defensivos também preocupa. De acordo com Silveira, o insumo já subiu 20% em dólar. Segundo ele, os agricultores de Mato Grosso devem gastar até nove sacas de soja na compra de agrotóxicos na próxima safra, ante sete na última.

Diante das incertezas, a comercialização da nova safra está mais lenta. Analistas estimam que apenas 25% da produção esperada já tenha sido vendida, ante mais de 50% há um ano. Com isso, as operações de barter (troca de insumos por sacas de soja) também estão travadas.

Por isso, os produtores têm preferido as compras de insumos à vista. Segundo o Imea, eles já fecharam a aquisição de mais de 60% dos insumos (sementes, fertilizantes e defensivos) para a safra 2013/14, sendo 40% com pagamento à vista e apenas 20% em sistema de troca. “O atraso na comercialização é ruim porque aumenta o risco do produtor, que está exposto às oscilações de preço nos próximos meses”, afirma Pessôa.

O ritmo de comercialização também está lento no Sul. De acordo com José Aroldo Gallassini, da Coamo, apenas 5% da próxima safra já foi vendida pelos produtores ligados à cooperativa. “Na última safra, as vendas antecipadas começaram a R$ 49 por saca, e depois subiram a R$ 64. No momento, os produtores estão vendendo com valores entre R$ 51 e R$ 54, na expectativa de que haja ainda algum ganho”, concluiu. (MC, GFJ e LHM)

 

Produção de grãos chega a 184,15 milhões de toneladas

9, maio, 2013 Sem comentários

CONAB, 09/05/2013

estimativas: soja > 81,5 milhões de toneladas (cerca de 75% transgênica) ; milho > 43 milhões de toneladas (cerca de 70% transgênico)

graos conab

A produção nacional de grãos do período 2012/2013 está estimada em 184,15 milhões de toneladas, quantidade 10,8% superior à da safra 2011/12, quando atingiu 166,17 milhões de toneladas. Os números são do 8º levantamento da safra, divulgado nesta quinta-feira (9/05) pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Esse resultado representa um incremento de 17,98 milhões de toneladas e se deve, sobretudo, às culturas de soja e milho segunda safra, que apresentam crescimento nas áreas cultivadas de 10,7 e 15,6%, respectivamente. Também, as condições climáticas favoráveis, embora com estiagem e excesso de chuva em algumas áreas, justificam o aumento de produção.

A soja permanece como o grande destaque, com um crescimento de 22,8% sobre as 66,38 milhões de toneladas da última safra e uma produção estimada em 81,53 milhões de toneladas. Também o milho 2ª safra tem bom desempenho, com aumento de 10,4% sobre as 39,11 milhões de toneladas do último ano, chegando a 43,19 milhões de toneladas. Este número supera a produção do milho 1ª safra, estimada em 34,81 milhões de toneladas. O arroz é outro grão que obteve crescimento (3%), ao passar das 11,6 milhões de toneladas para 11,95 milhões de toneladas.

Área – A área total de plantio de grãos cresceu 4,1% em relação à safra passada (50,89 milhões de ha) e chegou a 52,98 milhões hectares. As culturas de soja e milho obtiveram também os melhores desempenhos em área plantada. O aumento da soja foi de 10,7%, passando de 25 para 27,72 milhões de hectares. Já o milho 2ª safra ampliou a área em 15,6%, passando de 7,62 para 8,81 milhões de hectares.

Para a realização deste estudo, técnicos da Conab entraram em contato com os profissionais de cooperativas, secretarias de agricultura e órgãos de assistência técnica e extensão rural (oficiais e privados), além de produtores rurais, entre os dias 22 e 26 de abril. (Antônio Marcos da Costa /Conab)

 

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