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Arquivo de dezembro, 2010

Cresce a presença chinesa nos agrotóxicos genéricos

29, dezembro, 2010 Sem comentários

Valor Econômico, 29/12/2010 – em FAEG.

A maior indústria de defensivos [agrotóxicos] genéricos do mundo está prestes a trocar de mãos. Atualmente controlada pela KoorIndustries, a israelense MakhteshimAgan está na mira da China National Chemical, mais conhecida no mercado como ChemChina. O grupo chinês acertou ontem (28/12) a compra de uma participação de 7% da Koor no capital da Makhteshim, que tem um valor de mercado estimado em cerca de US$ 2,4 bilhões.

Mas a estratégia dos chineses vai além de uma participação minoritária. A ChemChina quer adquirir todas as ações da Makhteshim que são negociadas em bolsa. Com a operação, a fatia do grupo chinês na companhia israelense subiria para aproximadamente 60%, o que lhe conferiria o controle da fabricante de produtos genéricos. Dessa forma, os 40% restantes permaneceriam em posse da Koor. (…)

Apesar de o negócio aparentemente estar distante do Brasil, a operação terá impactos no mercado nacional de defensivos. Isso porque a Makhteshim controla no país a Milenia, companhia que detém 6% do mercado nacional e sozinha é responsável por quase 20% dos negócios globais do grupo. (…)

A queda das barreiras, a valorização do real e o avanço dos transgênicos tornaram o Brasil um dos principais mercados para produtos genéricos. Estimativas das próprias empresas do setor indicam que últimos cinco anos, a participação desse tipo de defensivo passou de praticamente zero para quase metade do faturamento do segmento. No ano passado, as vendas totais da indústria foram de US$ 6,6 bilhões, dos quais 48,5% foram provenientes de produtos genéricos.  

N.E.: A matéria diz que “(…) e o avanço dos transgênicos tornaram o Brasil um dos principais mercados para os produtos [agrotóxicos] genéricos.” Em verdade, o avanço dos transgênicos ampliou de maneira astronômica o uso em geral de agrotóxicos no País (ao contrário de toda a propaganda, que sempre prometeu redução do uso de venenos). O fato de os genéricos terem ganhado participação neste mercado deve-se a outros fatores, como a regulamentação e taxas de importação.

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Projeto de líder do governo é redigido por lobby

22, dezembro, 2010 1 comentário

Congresso em Foco

Renata Camargo, 22/12/2010 – 07h17

Projeto de lei de Cândido Vaccarezza (PT-SP) é de coautoria de advogada da multinacional Monsanto. Proposta libera uso das sementes “terminator”, proibidas em todo o mundo e condenadas pela ONU e pelo Conselho de Segurança Alimentar no Brasil

Renata Camargo

Um projeto do líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP), sobre sementes transgênicas foi redigido com auxílio de uma advogada da empresa Monsanto. A proposta libera o uso da polêmica tecnologia “terminator” no Brasil e tem como coautora a advogada Patrícia Fukuma, conhecida por defender causas de empresas com patentes de organismos geneticamente modificados (OGMs) e assessorar juridicamente a indústria de alimentos. Entidades ambientais e da agricultura familiar ouvidas pelo Congresso em Foco entendem que Vaccarezza fez lobby para a indústria de alimentos e multinacionais de transgênicos. O petista nega a acusação.

A proposta revoga, da Lei de Biossegurança (Lei 11.105/2005), o artigo que proíbe a utilização, comercialização e outros usos das tecnologias genéticas de restrição do uso (Gurts, na sigla em inglês) no Brasil. Essa tecnologia é responsável por produzir plantas geneticamente modificadas com estruturas reprodutivas estéreis. A partir dessa tecnologia, são criadas sementes que só podem ser germinadas uma vez, pois as sementes originadas dessas plantas não têm capacidade de se reproduzir. Leia a íntegra da proposta

Uma das Gurts é conhecida como terminator. Por ser considerada uma ameaça à diversidade de cultivos e à soberania alimentar, desde 1998, a ONU, pela Convenção da Biodiversidade, recomenda aos países que não façam testes nem comercializem sementes com tecnologias genéticas de esterilização. Na convenção de 2006, o governo brasileiro decidiu manter moratória a essa tecnologia, compromisso que permanece atualmente.

“Pelo risco que representa, no âmbito da Conversão sobre Biodiversidade Biológica, existe uma moratória internacional para que nenhum país plante essas sementes nem faça estufa em plantio experimental, muito menos, em plantio comercial. Esse projeto de lei pega o artigo da Lei de Biossegurança, que reforça a moratória na legislação nacional, e altera a redação justamente para permitir essa tecnologia”, explica o engenheiro agrônomo Gabriel Fernandes, da ONG Agricultura familiar e agroecologia (Aspta).

Liberação de sementes estéreis divide opiniões

Interesses

Na avaliação das entidades, a coautoria da advogada da Monsanto comprova os interesses da indústria de alimentos e de multinacional que detém patentes de transgenias na aprovação do projeto de Vaccarezza. A coautoria da advogada ao projeto do líder do governo é comprovada no arquivo da proposta que consta no site da Câmara. Na página do projeto, o arquivo em PDF do PL 5575/2009 tem como autora Patrícia Fukuma. O nome da advogada aparece nas propriedades do documento. Em arquivos de matérias legislativas, a Câmara não costuma identificar o autor do documento.

Vaccarezza nega lobby: “Eu não defendo interesses de grandes empresas. Isso não merece crédito.” (José Cruz/ABr)

O líder do governo na Câmara nega que o projeto tenha sido elaborado com a participação da advogada da Monsanto. Questionado pelo site sobre a coautoria de Patrícia Fukuma, Vaccarezza afirmou inicialmente não saber quem é Patrícia e depois disse que não se recorda de ter tido nenhum contato com ela, mas que “pode até ser que a conheça”. “É possível que ela tenha tido conversa comigo. Mas não tem nenhuma relação”, afirmou o líder do governo.

Vaccarezza nega ter atendido lobby. “Essa acusação é uma acusação irresponsável. Primeiro, eles nem me conhecem. Segundo, porque eu não defendo interesses de grandes empresas”, afirmou. “Isso não merece crédito.”

A assessoria jurídica da Vaccarezza afirmou que o nome que aparece nas propriedades do documento do projeto pode ser de um técnico da Casa, responsável por inserir arquivos no sistema. Segundo a assessoria, eventualmente, o nome de técnicos pode constar para o público. No caso, a advogada Patrícia Fukuma não é funcionária da Câmara.

Contradições

A advogada Patrícia Fukuma confirma a participação na elaboração do projeto do líder do governo. Ao Congresso em Foco, a assessora jurídica da Monsanto afirmou que fez “uma revisão do projeto”. Patrícia conta que, na época, foi procurada pela assessora Maria Thereza Pedroso, assessora técnica da Liderança do PT na Câmara, que lhe pediu para “dar uma olhada no projeto”. “Na verdade, eu não sou autora do projeto. Eu, na verdade, dei alguns pitacos”, disse.

Atualmente pesquisadora da Embrapa, a ex-assessora Maria Tereza nega ter procurado a advogada da Monsanto para apresentar o projeto. Ao site, a pesquisadora afirmou desconhecer quem é Patrícia Fukuma. “Eu nem sei quem é Patrícia… O deputado Paulo Piau propôs um substitutivo ao projeto do Vaccarezza. Só se ela que escreveu o substitutivo. Eu não sei quem é ela”, afirmou.

Especialista em Relações de Consumo pela Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Patrícia Fukuma é uma das referências no Brasil na área da biotecnologia. A advogada é conselheira do Conselho de Informação sobre Biotecnologia (CIB), que além da Monsanto, tem como associados multinacionais como a Basf, Bayer, Cargill, Dupont e Arborgen. A advogada também tem em seu currículo os dez anos de experiência como gerente do departamento jurídico da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA).

Preocupação

A aprovação do projeto é vista com grande preocupação por parte do Conselho de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea). Em março deste ano, o conselho encaminhou à Presidência da República um pedido de intervenção para que o projeto fosse arquivado. No documento, o presidente do Consea, Renato Maluf, afirma que a tecnologia terminator representa “graves ameaças” para a agricultura familiar e populações tradicionais, sendo ameaça também à “soberania e segurança alimentar e nutricional”.

“Considerando que a liberação da tecnologia genética de restrição de uso (Gurts), conhecida como terminator, e considerando que o governo brasileiro posicionou-se favoravelmente pela manutenção da moratória internacional à tecnologia terminator, em 2006, o Consea recomenda ao Presidente da República que interceda pelo arquivamento do projeto de lei”, diz Maluf. Veja a íntegra do documento

Em resposta ao Consea, segundo a assessoria do conselho, a Presidência da República afirmou que o governo brasileiro reafirma sua posição como signatário da moratória àquelas sementes transgênicas. Em relação ao arquivamento do projeto, no entanto, não houve manifestação do Palácio do Planalto e a proposta segue tramitando no Congresso.

O projeto está na Comissão de Meio Ambiente da Câmara, pronto para ser votado. Neste ano, a proposta entrou na pauta de votações por três vezes, mas não chegou a ser apreciada. De acordo com o trâmite legislativo, o projeto de Vaccarezza precisa passar ainda pela Comissão de Ciência e Tecnologia e pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

Liberação das sementes estéreis divide opiniões

Renata Camargo

A polêmica em torno da liberação das sementes estéreis no Brasil está apenas no começo. Em tramitação na Comissão de Meio Ambiente da Câmara, o projeto de lei do líder do governo na Câmara, deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), tem dividido opiniões. Enquanto, de um lado, ambientalistas e entidades da agricultura familiar se posicionam contrários à proposta, de outro, pesquisadores da Embrapa e geneticistas defendem a aprovação da matéria com celeridade.

Os contrários à liberação das tecnologias de restrição genética de uso (Gurts, a sigla em inglês) temem que o uso de sementes estéreis – como as batizadas por eles de terminator – cause dependência dos agricultores em relação a corporações que desenvolvem organismos geneticamente modificados. Essas sementes, que ainda são proibidas no Brasil, se caracterizam por modificações genéticas que deixem as plantas estéreis, ou seja, a semente com essa tecnologia dá origem a outras incapazes de se reproduzirem.

“Se for liberado, o agricultor ficará refém da indústria e, todo ano, será obrigado a comprar sementes”, afirma o engenheiro agrônomo Gabriel Fernandes. Para ele, haverá também o risco de contaminação de outras lavouras, pois não será possível garantir 100% de segurança na modificação genética. “Para os agricultores vizinhos também pode haver prejuízos, pois suas lavouras vão estar expostas a contaminação desse tipo de semente. E, se sua lavoura for contaminada, ele só vai saber no outro ano, quando o que ele plantou não nascer”, defende.

Para a engenheira agrônoma e geneticista do Conselho de Informações sobre Biotecnologia (CIB) Alda Lerayer, o desenvolvimento das tecnologias Gurts é importante como sistema de biossegurança, pois as sementes sendo estéreis é possível evitar a contaminação de lavouras. Na avaliação de Alda, a liberação dos Gurts traria ao Brasil ganho de produtividade agrícola, vantagem comercial e avanços na pesquisa farmacêutica.

“O interessante de usar esse sistema em que você não deixa formar a estrutura reprodutiva da planta, em plantas como a cana-de-açúcar, que se floresce no campo, tem menos produtividade em açúcar”, defendeu Alda. “E também por questão de biossegurança, já que plantas como o eucalipto, o pólen vai mais de metro. Um eucalipto transgênico não poderia ir para outras lavouras, então o ideal é ter um eucalipto que não forme estrutura reprodutiva.”

Para a Aspta, ONG que atua na defesa dos interesses da agricultura familiar e da agroecologia, a liberação de Gurts poderá também afetar a saúde do consumidor. A entidade defende que não há estudos seguros que comprovem que os transgênicos não fazem mal à saúde humana e, no caso das plantas estéreis, seria uma “transgenia dupla”. “A gente não sabe qual o risco dessas duas coisas combinadas, ainda mais se for usada para fazer vacinas”, defendeu Fernandes.

Segundo a pesquisadora da Embrapa Maria Thereza Pedroso, responsável técnica pela elaboração do projeto de lei do líder Vaccarezza, a intenção é liberar a tecnologia para o desenvolvimento de pesquisas. A pesquisadora afirma que esse tipo de tecnologia é importante para produzir os biofármacos, plantas geneticamente melhoradas capazes de produzir medicamentos como fatores de coagulação sanguínea, anticorpos e imunobióticos.

“Os Gurts estão proibidos hoje até para produzir alguma vacina importante. É melhor nesse caso que seja uma semente estéril para não se reproduzir no meio ambiente coisa que não vale à pena”, defendeu Maria Thereza. Segundo a pesquisadora, o projeto de Vaccarezza não libera todas as tecnologias Gurts. Ele deixa a critério da CNTBio a análise, caso a caso, de cada pedido de liberação de comercialização e uso de plantas geneticamente modificadas para produzir estruturas reprodutivas estéreis.

CTNBio libera mais duas variedades de milho e gera polêmica

22, dezembro, 2010 Sem comentários

Mauro Zanatta, no Valor Econômico, 17/12/2010

Em sua última reunião neste ano, a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) aprovou ontem a liberação comercial de mais dois produtos geneticamente modificados e abriu uma nova polêmica que deve alimentar a guerra interna no início da gestão do futuro ministro da Ciência e Tecnologia, o atual senador Aloizio Mercadante (PT-SP).

Os membros do colegiado aprovaram, pela primeira vez no Brasil, a comercialização de um transgênico composto por um conjunto de genes produzido por duas empresas concorrentes. O milho “piramidado” criado pelas multinacionais Monsantoe Dow AgroSciencesreúne três características diferentes em um só produto. O milho, batizado de “MON 89034 x TC1507 x NK603”, levantou uma polêmica no plenário: alguns membros questionaram se o produto não serviria apenas para prevenir futuros processos contra eventuais cruzamentos desses genes no campo.

“Ao que parece, as duas concorrentes tentaram se antecipar para não sofrer punições legais que o cruzamento de seus milhos no campo poderia trazer”, afirmou o agrônomo geneticista Leonardo Melgarejo, representante do Ministério do Desenvolvimento Agrário na CTNBio.

O presidente da CTNBio, o geneticista Edilson Paiva, defendeu a aprovação: “Isso já é comum lá fora. Temos 500 genótipos de milho aprovados pela nossa Lei de Sementes. E 136 já são transgênicos”, afirmou. Procurada pela reportagem, a Monsanto informou que dará explicações sobre a parceria com a Dow apenas hoje.

A reunião também autorizou a comercialização do milho “MON88017” da Monsanto, resistente a pragas da raiz e tolerante a agrotóxicos a base de glifosato. “Essa aprovação é mais um sinal de que a agricultura brasileira caminha a passos largos para o desenvolvimento cada vez mais sustentável”, disse, em nota, o presidente da Monsanto do Brasil, André Dias.

Em mais uma polêmica interna, a CTNBio debateu ontem as novas regras sobre o sigilo dos processos. Sem submeter as alterações ao plenário do colegiado, o MCT publicou a Portaria nº 979 para alterar o regimento interno da comissão. O texto determinou que o presidente decidirá sobre os casos de sigilo. Além disso, a portaria estabeleceu que os processos só poderão ser manuseados por servidores da CTNBio ou funcionários da empresa interessada.

Todos os documentos que contenham sigilo não poderão ser acessados. “Isso acaba com a transparência. Antes, eram sigilosas só partes do processo. Agora, passa a ser todo processo”, afirmou Leonardo Melgarejo. Na reunião, o consultor jurídico do MCT Alessandro Stefanato afirmou que a portaria “talvez possa melhorar”.

O presidente Edilson Paiva afirmou que a portaria não mudará nada nos procedimentos. “A lei permite confidencialidade. Sempre entendemos que era para partes, como proteção da cultivar e patente. E vai ser exatamente isso. Só vai ser confidencial isso. Não muda nada o que fazemos”, diz. Mas admite que será necessário um consenso sobre o alcance dessa portaria: “Vamos deixar bem claro o que será confidencial”, diz Paiva.

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Europeus recolhem 1 milhão de assinaturas contra transgênicos

22, dezembro, 2010 Sem comentários

As organizações não governamentais Greenpeace e Avaaz entregaram ontem à Comissão Europeia a primeira “iniciativa cidadã” da União Europeia: uma petição para que se aplique uma moratória à aprovação de produtos transgênicos. O documento recebeu a assinatura de mais de 1 milhão de pessoas.

O texto pede à CE que interrompa as autorizações de cultivo de organismos geneticamente modificados (OGM) ou transgênicos. Também exige a constituição de uma autoridade reguladora “independente, ética e científica” encarregada de avaliar o risco desses produtos para a saúde e para o meio ambiente.

O abaixo-assinado, composto pela internet por cidadãos dos 27 países que integram a UE, representa a “grande brecha existente entre a opinião dos cidadãos europeus e as políticas da Comissão”, afirmou o diretor do escritório europeu do Greenpeace, Jorgo Riss.

As duas ONGs começaram a recolher assinaturas no mês de março, quando a CE autorizou o cultivo da batata transgênica Amflora “sem cumprir os requisitos da legislação comunitária”, afirmou a diretora da Avaaz, Ricken Patel. Para ela, a CE “deixou de ouvir as opiniões da comunidade científica e a oposição majoritária dos cidadãos” à aprovação de produtos transgênicos, que ocorre na Europa desde 1998.   A iniciativa cidadã europeia é um novo procedimento previsto no Tratado de Lisboa, que permite que os cidadãos europeus exerçam atividade legislativa. As assinaturas foram autenticadas para descartar duplicações, explicou o responsável pelo Greenpeace europeu.

Mas as ONGs temem o fato de que o procedimento de iniciativa cidadã ainda não tenha sido formalmente aprovado. Faltam vistos definitivos do Parlamento Europeu e do Conselho da União Europeia. Isso pode atrapalhar a tramitação da medida.   “Espero que isso não sirva de desculpa para ignorar a voz dos cidadãos europeus”, afirmou Riss. Segundo ele, a iniciativa “está respaldada por uma sólida base jurídica” e as ONGs “estão prontas para apelar ao Tribunal da UE caso a iniciativa não gere uma resposta política.   A CE estima que a iniciativa cidadã “não entrará em vigor” até que ela seja formalmente aprovada. Por esse motivo, declarou que não “está obrigada a responder” à petição, afirmou o porta-voz do órgão para Saúde e Consumo, Frédéric Vincent. O comissário europeu desse ramo, John Dalli, disse que vai “analisar seriamente” a petição. / EFE

Fonte: O Estado de São Paulo, 10/12/2010.


Área de milho transgênico em Portugal baixa em 2010

22, dezembro, 2010 Sem comentários

De acordo com dados recentemente divulgados pelo Ministério da Agricultura de Portugal, a área ocupada pelo cultivo de milho transgênico, que se iniciou em 2005, sofreu, em 2010 e pela primeira vez, uma redução.

Esta redução não resulta apenas da contração verificada na produção de milho em geral, uma vez que a proporção de milho transgênico em relação à área total plantada com milho em Portugal também desceu de 2009 para 2010, rondando agora apenas os 3.7% (não tem real significado).

Tudo indica que os produtores portugueses estejam perdendo o interesse pelas sementes geneticamente modificadas depois de as terem experimentado.  

Adaptado de: Naturlink, 14/12/2010.


CTNBio libera mais transgênicos

22, dezembro, 2010 Sem comentários

Camila Moreira, da Agência Estado, 17/12/2010

SÃO PAULO – A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) aprovou na quinta-feira, 16, a liberação comercial de mais duas variedades transgênicas de milho e outra de algodão.

A CTNBio deu luz verde para um milho geneticamente modificado desenvolvido pela Monsanto e conhecido como MON 88017, que combina a característica de tolerância ao herbicida glifosato com a proteção contra praga de raiz.

“Essa é a primeira tecnologia da empresa para o controle de praga de raiz aprovada no Brasil”, disse a Monsanto em nota.

A outra semente de milho liberada pelo órgão foi desenvolvido pela Monsanto em parceria com a Dow AgroSciences, e combina resistência a insetos com tolerância ao glifosato e ao glufosinato de amônio.

“Este milho combina, via melhoramento genético clássico, três eventos geneticamente modificados individualmente aprovados previamente pela CTNBio”, completa a nota. Não há previsão para o lançamento desses produtos no mercado.

A CTNBio aprovou ainda o plantio comercial do algodão GHB614, desenvolvido pela Bayer, e com tolerância ao herbicida glifosato. A empresa espera ter esta tecnologia disponível no mercado por volta de 2012.

“A tecnologia GlyTol foi desenvolvida pela Bayer CropScience para auxiliar o produtor a controlar melhor as plantas daninhas em lavouras de algodão. O Algodão GlyTol é uma linhagem geneticamente modificada, que permite o uso seletivo de herbicida à base de glifosato para o controle das plantas invasoras, que comprometem a qualidade de pluma e produtividade da lavoura”, disse a Bayer em comunicado.

Com essas aprovações, chegam a 27 o número de sementes transgênicas aprovadas pela CTNBio para plantio no Brasil. Dessas, 15 são de milho, cinco de soja e o restante é de algodão.

Cresce uso se semente certificada de soja

17, dezembro, 2010 Sem comentários

VALOR ECONÔMICO, 17/12/2010.
Abrasem estima que variedades registradas ocuparam 70% da área plantada na safra 2010/11 no Brasil

Com praticamente toda a área de soja da safra 2010/11 já semeada no país, as primeiras estimativas da Associação Brasileira de Sementes e Mudas (Abrasem) indicam que o uso de sementes certificadas é um dos mais altos dos últimos dez anos. Dos pouco mais de 24 milhões de hectares cultivados, cerca de 70% receberão variedades certificadas.

O resultado representa um avanço de seis pontos percentuais em relação à safra 2009/10, quando 63,6% dos 23,5 milhões de hectares de soja foram plantados com sementes certificadas. Assim, quase dois milhões de hectares a mais estão sendo plantados com variedades registradas e aprovadas pelo governo, fato que tende a melhorar as condições sanitárias das lavouras e garantir melhores níveis de produtividade.

“No Rio Grande do Sul existe uma tendência de retorno das variedades certificadas. No Estado, onde as sementes “salvas” ainda são maioria, observamos uma redução nessa tradição”, diz Narciso Barison Neto, presidente da Abrasem.

O aumento no uso de sementes certificadas coloca o Brasil à frente da Argentina, porém, ainda muito distante dos Estados Unidos, os dois maiores concorrentes na produção e exportação de soja. Segundo Barison, enquanto os argentinos utilizam variedades certificadas em metade da área plantada, nos EUA o percentual supera 90%.

“Infelizmente, com a atual legislação, acho difícil chegar a um patamar semelhante ao americano. Precisaríamos alterar o marco legal existente para avançar”, diz Barison, ao se referir à possibilidade de o produtor utilizar parte da sua produção como semente.

Junto com o maior uso de sementes certificadas, cresce também a demanda por variedades transgênicas, segundo as empresas do setor. A estimativa é que 80% da área de soja no Brasil na safra 2010/11 tenha sido plantada com transgênicos ante 65% no ciclo anterior. Até no Paraná, onde o governo estadual tentou criar um polo livre dos transgênicos, o uso da tecnologia ficou perto de 80%.

“Na região de Londrina, 90% da área de soja é transgênica. Houve um grande salto, tanto que neste ano houve uma sobra maior de sementes convencionais nas prateleiras”, diz Wilian Guerreiro, gerente de sementes da Belagrícola, revenda com sede no município.

Segundo Guerreiro, no ano passado, a empresa vendeu cerca de 40 mil sacas de sementes convencionais de soja. Já neste ano foram comercializadas 18 mil sacas, uma retração de 55%. No casos das variedades transgênicas, as vendas passaram de 230 mil para 300 mil sacas, aumento superior a 30%.

Na região do Cerrado, a demanda por transgênicos também é maior. A goiana Tecnoseeds, que abastece os mercados da Bahia, Maranhão, Piauí, Tocantins e Mato Grosso e Goiás produz por safra cerca de 250 mil sacas, das quais 85% são transgênicas e apenas 15% são de variedades convencionais. “O potencial produtivo dos transgênicos para o Cerrado melhorou muito. A maioria dos novos materiais são geneticamente modificados, o que fez esse tipo de tecnologia ganhar espaço”, diz Laerte Baechtold, diretor da Tecnoseeds.

Feijão transgênico na CTNBio

16, dezembro, 2010 2 comentários

VALOR ECONÔMICO, 16/12/2010.

Feijão transgênico

Pesquisadores da Embrapa Recursos Genéticos e da Embrapa Arroz e Feijão, entregaram à Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) pedido de liberação para cultivo comercial de variedades de feijão transgênicas resistente ao vírus do mosaico dourado, o pior inimigo dessa cultura agrícola na América do Sul. A doença está presente em todas as regiões do país.

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CTNBio aprova liberação comercial de três variedades transgênicas

16, dezembro, 2010 Sem comentários

CANAL RURAL, 16/12/2010

Pesquisadores receberam pedido de análise da primeira variedade geneticamente modificada totalmente produzida no Brasil

Maíra Gatto | Brasília (DF)

Três liberações comerciais de sementes geneticamente modificadas marcaram a última reunião do ano na Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio). Os pesquisadores também receberam o pedido de análise da primeira variedade transgênica totalmente produzida no Brasil.

Dos oitos itens que estavam na pauta de análise para liberação comercial, três foram aprovados pela Comissão Técnica da CTNBio. O algodão Glytol da Bayer é tolerante ao glifosato e é a sétima semente transgênica da cultura com autorização para comercialização no país. O milho MON88017 da Monsanto combina resistência a insetos e tolerância ao glifosato. Também teve parecer positivo o cruzamento de três tipos de milho transgênico, que originou uma semente resistente a lagartas e com tolerância ao glifosato e glufosinato [de amônio]. A pesquisa é uma parceria entre a Monsanto e a Dow AgroSciences.

– Foram aprovados milhos que têm mais de um gene. Nós estamos seguindo a tendência mundial de começarmos a agregar mais de um gene transgênico na mesma planta – explica o presidente da CTNBio, Edilson Paiva.

– Essas três aprovações de hoje [quinta, dia 16] dão uma alternativa de tecnologia de ponta para o agricultor brasileiro para que ele possa ter competitividade no mercado externo – avalia a diretora executiva do Conselho de Informações sobre Biotecnologia, Alda Lerayer.

A próxima reunião da CTNBio será em fevereiro. Para 2011, uma das análises mais esperadas envolve uma produção 100% nacional.

– Nós estamos analisando no ano que vem o primeiro transgênico verde-amarelo, produzido pela Embrapa. É um feijão resistente a viroses e isso coloca o país em um outro patamar. Será um dos poucos países do mundo capazes de desenvolver suas próprias culturas transgênicas – conclui Paiva.

A Monsanto informou que ainda não sabe estimar quando as novas sementes estarão disponíveis no mercado. Já a Bayer espera disponibilizar o produto aos agricultores em 2012.

Fepam diz que não autoriza os testes com capina química

15, dezembro, 2010 Sem comentários

por Valquíria Vita , O Caxiense, 15/12/2010

Pouco mais de um mês depois da assinatura de um contrato de R$ 200 mil entre o Município e a UCS, a Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam) esclarece que não autorizou testes de capina nas ruas de Caxias do Sul com utilização do herbicida glifosato. Na ocasião, a Codeca, que encomendou o estudo, havia informado à imprensa que a iniciativa tinha o aval da Fepam.

“A Fepam não autorizou nada. A Fepam autoriza com documentos autorizatórios. O que demos foi um ofício dizendo que a Fepam está de acordo em participar de um projeto de avaliação de impacto e controle de plantas daninhas. Só isso. Não emitimos declaração nenhuma”, diz Mauro Moura, assessor da presidência do órgão estadual.
Segundo ele, os testes com o produto não podem ocorrer, já que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proíbe o uso de qualquer herbicida em área urbana.

A chefe do serviço de licenciamento e controle de agrotóxicos da Fepam, Marta Elisabeth Valin Labres, reforça que o órgão estadual não autorizou o uso do glifosato em testes:

“Não foi emitido nenhum documento de licença de operação para a Codeca, e é daqui que toda licença sai”.

O acordo com a UCS prevê testes com oito tipos de capina: além do glifosato (conhecido pelo nome comercial Roundup), com água quente, fogo, produto biodegradável à base de extrato vegetal, roçada convencional, produto orgânico a base de extrato de ervas, ureia e cloreto de sódio). O objetivo é encontrar uma alternativa mais econômica e rápida do que as roçadeiras tradicionais.

O diretor-presidente da Codeca, Adiló Didomenico, afirmou em entrevistas anteriores que o glifosato não é a principal opção. No entanto, deve-se lembrar que no final de 2009 a Codeca tentou mudar a legislação municipal – que também proíbe a capina química – para poder utilizar o herbicida. Diante da reação de ambientalistas e da contrariedade do Conselho Municipal do Meio Ambiente, acabou retirando o projeto da Câmara.

Na terça-feira (14), Didomenico se recusou a conceder entrevista ao jornal O CAXIENSE. Limitou-se a responder à repórter, por e-mail, que “os testes serão realizados pela UCS – não pela Codeca – e, por isso, deves buscar essas informações junto à universidade”. Recentemente, em entrevista à Rádio São Francisco, o diretor-presidente da Codeca acusou o jornal de “querer prestar um desserviço à comunidade” ao tratar do assunto.

O coordenador do curso de Agronomia da UCS e um dos responsáveis pelos testes, Jaime Lovatel, dá uma versão diferente sobre a participação da Companhia de Desenvolvimento de Caxias do Sul no estudo. Diz que o trabalho será feito “totalmente em conjunto com a Codeca”. A função da UCS, segundo ele, será analisar o impacto de cada técnica no meio ambiente.

“A Codeca nos passou o documento em que a Fepam autoriza a execução dos tratamentos a campo, porque senão não faríamos. Só começamos a trabalhar em cima de um documento oferecido pela Fepam. Consta no cronograma a execução da aplicação de herbicida, e o que vai ser testado é o glifosato. Não estamos sabendo dessa situação”, afirmou Lovatel na terça.

A previsão da UCS é iniciar os testes nos primeiros meses de 2011.

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Soja louca e resistência de erva daninha desafiam pesquisadores

14, dezembro, 2010 Sem comentários

Agência Estado/iG, 14/12/2010

Dois problemas que afetam a produtividade das lavouras de soja no Brasil têm desafiado os pesquisadores atualmente – um novo tipo de anomalia conhecido como Soja Louca II e a resistência das chamadas super ervas daninhas aos produtos utilizados em associação com o glifosato, um dos herbicidas mais utilizados no mundo

Em casos mais extremos, ambos podem provocar perdas de cerca de 50% da produção.

A Soja Louca II vem sendo tratada como uma anomalia, mas sua causa ainda é desconhecida. Quando ocorre, a planta não amadurece e registra alto índice de abortamento de flores e vagens. Em outros anos foram registradas ocorrências no final do ciclo de desenvolvimento da soja, mas nesta safra ela surgiu mais cedo, no começo da fase vegetativa, e preocupa principalmente em áreas mais quentes, com casos no Maranhão, Tocantins, Pará e norte de Mato Grosso, o principal Estado produtor.

“Normalmente é nas folhas mais novas que ocorrem os sintomas mais fortes. Elas ficam deformadas, as flores caem, não vingam e não produzem vagens. Isso nos ajuda a entender o problema, porque aparentemente a anomalia se instala na parte mais nova da planta”, explicou à Agência Estado Mauricio Meyer, pesquisador da Embrapa Soja, que coordena as pesquisas sobre a doença.

De acordo com Meyer, o problema da Soja Louca II vem aumentando de forma gradual e consistente desde a safra 2005/06, mas foi neste ano que começou a ficar mais preocupante.

Em parceria com outras instituições de pesquisa e cooperativas, a Embrapa montou unidades de observação e um questionário para tentar entender o momento e a situação em que a anomalia aparece, os sintomas e o histórico da área, como por exemplo algum manejo ou procedimento que estaria favorecendo o surgimento do problema.

O pesquisador explica que as observações já realizadas indicam que a anomalia provavelmente não está ligada ao uso de herbicidas. “O problema tem aparecido em várias formas de manejo de herbicidas. Talvez tenha alguma ligação com algum tipo de planta invasora que aparece na entressafra. Temos agora que ver como é transmitido de alguma erva daninha para a soja”, disse ele, explicando que soube de relatos esparsos sobre a Soja Louca II na Costa Rica e nos Estados Unidos, mas que não sabe de nenhuma estratégia de controle. “Parece que estamos sendo pioneiros (nos estudos)”.

Apesar de não ter como comparar com danos provocados em outros anos devido à falta de informações, Meyer calcula que, nas áreas onde já ocorre a doença, houve uma redução de produtividade de 40% a 60%. “É uma preocupação muito forte porque a ocorrência tem aumentado, e isso vem diminuindo a produtividade consistentemente”.

Resistência

No que se trata de ervas daninhas, a preocupação agora é com a solução encontrada para controlar a resistência das chamadas super ervas daninhas ao glifosato, um dos herbicidas mais importantes na agricultura.

No Brasil já foram registradas cinco dessas plantas resistentes: o capim amargoso (digitaria insularis), o azevém, o amendoim bravo e dois tipos de buva, esses os mais preocupantes por serem um tipo de erva que está espalhada pelo Paraná e pelo Rio Grande do Sul, Estado pioneiro no uso de soja transgênica tolerante ao glifosato.

Para controlar a resistência dessas plantas ao glifosato, a solução encontrada foi utilizar outros produtos parceiros, como herbicidas graminicidas, inibidores da ACCase ou da ALS, dependendo da planta. E se a preocupação antes era com o uso errado do glifosato, agora é com a utilização indiscriminada desses produtos, já que as ervas daninhas também podem ampliar a resistência a eles.  “Existe um risco iminente de essas ervas que já têm resistência ao glifosato criarem resistência também a esses produtos que estão sendo a solução. Se não controlarmos muito bem o uso desses produtos, eles serão perdidos”, explicou Dionisio Gazzieiro, pesquisador da Embrapa Soja, a estatal brasileira de pesquisa agrícola.

Segundo ele, as perdas de produtividade nas lavouras de soja no caso da infestação pela buva chegam a até 50%. A solução para a resistência em ambos os casos passa pelo manejo adequado das lavouras, por meio da rotação de culturas e do próprio herbicida, tomando cuidado para que as indicações de uso sejam seguidas, como o momento ideal de aplicação e a quantidade. “Não existe uma solução mágica. O que existe é uma conscientização dos agricultores com boas práticas. O importante é não perder a molécula do glifosato, que viabiliza o plantio direto e é extremamente barata”, disse Julio Negreli, gerente de estratégia de proteção de cultivos da Monsanto, empresa que desenvolveu a soja, o milho e o algodão transgênicos tolerantes ao glifosato.

Syngenta avança em sementes de girassol

14, dezembro, 2010 1 comentário

Alexandre Inacio | VALOR ECONÔMICO, 14/12/2010

A multinacional suíça de sementes e defensivos agrícolas Syngenta anunciou ontem que concluiu a operação de compra dos negócios de sementes híbridas de girassol da americana Monsanto. Com a aquisição, já aprovada pela Comissão Europeia, a empresa suíça reforça sua liderança global no fornecimento de sementes de girassol, especialmente para a Europa, mas também em países em desenvolvimento como Rússia e Argentina.

A compra foi fechada entre as duas gigantes por US$ 160 milhões. O negócio envolve a aquisição de um banco de germoplasma até então administrado pela Monsanto, direitos de propriedade das variedades, todas as atividades de melhoramento genético e alguns campos de produção. Além disso, a Syngenta assume também os direitos de distribuição dos híbridos de girassol da Monsanto em nível global.

Antes da aquisição, a Syngenta vendia globalmente o equivalente a US$ 200 milhões em sementes de girassol e controlava uma fatia de quase 30% do mercado. Com incorporação das operações da Monsanto, o grupo suíço vai elevar seu faturamento no setor para um valor ao redor de US$ 275 milhões e passar a dominar uma participação de quase 40% do mercado mundial de sementes de girassol.

Com o avanço na produção e fornecimento de sementes de girassol, a Syngenta amplia a variedade de produtos na Europa, mas também passa a olhar com mais atenção para a demanda existente nos países em desenvolvimento. Estimativas da própria empresa indicam que globalmente o mercado desse tipo de semente movimenta anualmente US$ 700 milhões, dos quais 75% são provenientes dos mercados em desenvolvimento.

A produção de girassol ocorre em uma área de aproximadamente 24 milhões de hectares em todo mundo, sendo que Rússia, Ucrânia, Argentina, França e Europa Central estão entre as principais regiões produtoras.

Moção do I SIMPÓSIO BRASILEIRO DE SAÚDE AMBIENTAL

13, dezembro, 2010 Sem comentários


MOÇÃO CONTRA O USO DOS AGROTÓXICOS E PELA VIDA

1.Considerando que:

i. O Brasil é desde 2008 o maior consumidor de agrotóxicos do mundo;

ii. O Brasil é o maior consumidor de agrotóxicos já banidos por outros países;

iii. A liberação comercial desses agrotóxicos implica em contaminação dos ecossistemas, das matrizes hídricas, edáfica e atmosférica, produzindo sérios problemas para a saúde no campo e nas cidades;

iv. Estudos evidenciam que o nível e a extensão do uso dos agrotóxicos no Brasil está comprometendo a qualidade dos alimentos e da água para o consumo humano;

v. Práticas de pulverização aérea desses biocidas contaminam grandes extensões para além das áreas de aplicação, contaminando e impactando toda a biodiversidade do entorno, incluindo as águas de chuva;

vi. A bancada ruralista e as corporações transnacionais, responsáveis pelo agronegócio e pela indução e ampliação do pacote tecnológico agrotóxicos-transgênicos-fertilizantes fazem pressão constante sobre os órgãos reguladores no sentido de flexibilizar a legislação, a exemplo da revisão da Portaria n.518, do Ministério da Saúde, ampliando a permissividade de uso dos agrotóxicos;

vii. Que a Via Campesina está articulando com as organizações sociais, academia e instituições de pesquisa, a Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida que será lançada no dia 7 de abril de 2011 – Dia Mundial da Saúde.

2.Nesse sentido, os pesquisadores, profissionais e demais militantes da saúde ambiental, presentes neste simpósio, reafirmam o compromisso e a responsabilidade em desenvolver pesquisas, tecnologias, formar quadros, prestar apoio aos órgãos e instituições compromissadas com a promoção da saúde da sociedade brasileira, e com os movimentos sociais no sentido de proteger a saúde e o meio ambiente na promoção de territórios livres dos agrotóxicos, e fomentar a transição agroecológica para a produção e consumo saudável e sustentável;

3. Que ABRASCO apóie a Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida, que já conta com apoio de outras sociedades cientificas como Associação Latinoamericana de Sociologia Rural.

Belém do Pará, 10 de dezembro de 2010

Contaminação do ambiente por Endosulfan ameaça agricultura orgânica no Paraná

9, dezembro, 2010 Sem comentários

Os agricultores orgânicos de Capanema, na região Sul do Brasil, estão indignados. Eles têm produzido soja orgânica durante os últimos vinte anos, mas agora tudo está ameaçado. Suas plantações foram contaminadas por Endosulfan, mesmo eles nunca tendo usado este pesticida.

Capanema está localizada no Sul do Brasil, próximo às mundialmente famosas Cataratas do Iguaçu. Estes agricultores aboliram o uso de pesticidas desde o início da década de 80, pois observavam que algumas pessoas ficavam doentes após a utilização destes em suas lavouras. Atualmente, mais de 300 famílias de agricultores cultivam suas terras de acordo com padrões de agricultura orgânica. Desta forma, eles ajudam a preservar o rio Iguaçu além da fauna e flora ao seu redor.

Porém, a plantação de soja está contaminada por Endosulfan, e sua classificação como orgânica está sendo questionada. O que aconteceu? A região do Sul do Brasil tem uso intensivo de pesticidas. O Endosulfan, evapora após a aplicação na plantação e se espalha pelo ambiente, contaminando desta forma as plantações orgânicas, rios e lagos da região.

Durante 2010, as vendas de Endosulfan na região de Capanema quase duplicaram em relação a 2009. A suspeita é que a indústria de pesticidas esteja tentando vender todo seu estoque antes do possível banimento mundial do Endosulfan [e antes do seu banimento no Brasil, já programado pela Anvisa para 2013]. Mesmo sabendo que o Endosulfan é um dos pesticidas mais perigosos disponíveis no mundo.

Centenas de agricultores querem ter o direito de cultivar suas plantações de forma orgânica, sem pesticidas como o Endosulfan, por isso pedem o banimento imediato do veneno.

Colabore com esta causa assinando sua petição às autoridades brasileiras.

Fonte: Chega.org

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Vaticano desmente apoio aos transgênicos

9, dezembro, 2010 Sem comentários

Vários veículos da grande imprensa divulgaram na última semana a notícia de que “a Academia de Ciências do Vaticano reafirmou a segurança dos transgênicos”.

Poucos dias depois, o Vaticano publicou um desmentido:

VATICANO, 02 Dez. 10 / 01:06 pm (ACI).- O Diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Pe. Federico Lombardi, assinalou que a Declaração Final da Semana de Estudo sobre “Planta transgênicas para a Segurança Alimentar no Contexto do Desenvolvimento”, patrocinado pela Pontifícia Academia das Ciências, não pode ser considerada como uma posição oficial do Vaticano sobre este tema.

O sacerdote deu estas declarações ante as informações dos meios de imprensa, que afirmaram que com dito documento a Santa Sé dava seu apoio aos mantimentos transgênicos.

“A Semana de estudo em questão teve lugar na Sede da Pontifícia Academia das Ciências entre os dias 15 e 19 de maio de 2009 e contou com a participação de 40 peritos, 7 dos quais eram acadêmicos pontifícios (de um total de 80), entre os quais estava o então presidente Nicola Cabibbo. Os outros participantes eram peritos externos”, explicou.

Logo, indicou, “a declaração final, agora publicada no volume das atas da semana de estudo pela casa editora Elsevier, foi assinada pelos participantes, e portanto tem o valor de sua autoridade científica”.

“Entretanto, a declaração não deve ser considerada como declaração oficial da Academia Pontifícia das Ciências, que tem 80 membros, já que a Academia, como tal, não foi consultada a respeito, nem está em projeto tal consulta”, expressou.

“Por isso — afirmou o Pe. Lombardi –, essa declaração não pode ser considerada como uma posição oficial da Santa Sé ou do magistério da Igreja sobre o tema”.

Fonte: ACI Digital (Agência Católica de Informações), 02/12/2010.


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