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Arquivo de janeiro, 2011

Da teoria à prática, o desafio da Amyris

31, janeiro, 2011 Sem comentários

Reportagem dá conta de que a própria empresa não sabe se microrganismo transgênico desenvolvido com técnicas de biologia sintética para produzir diesel a partir de cana-de-açúcar funcionará em escala comercial. Enquanto isso, na dúvida, a CTNBio já liberou seu uso, 4 usinas já contrataram com a empresa, outras 5 da área de cosméticos e petroquímica fizeram o mesmo, suas ações estão sendo negociadas na Nasdaq e BNDES, Finep e BID investem em seu fundo de capitalização.

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Da teoria à prática,o desafio da Amyris

Dona da tecnologia que permite substituir derivados de petróleo por cana, empresa se prepara para a produção industrial

31 de janeiro de 2011

Paula PachecoO Estado de S.Paulo

A Amyris Biotechnologies, empresa americana de biotecnologia, nasceu há oito anos com as melhores referências. Criada por um grupo de pesquisadores da renomada Universidade da Califórnia, em Berkeley, a companhia teve como primeiro investidor a Fundação Bill & Melinda Gates. Pouco depois, recebeu o voto de confiança de outro peso pesado, o investidor indiano Vinod Khosla, entusiasta de tecnologias verdes.

Nos laboratórios, a empresa já se provou. A partir da modificação genética em uma levedura utilizada na produção de álcool combustível, a Amyris chegou a uma substância chamada farneceno, capaz de substituir os derivados de petróleo em várias frentes. A possibilidade de trocar diesel de petróleo por um diesel de cana livre de enxofre (substância altamente poluidora) foi festejada. Agora, a companhia se prepara para uma prova de fogo: repetir no mercado o sucesso obtido nos laboratórios. Daqui a dois meses, o farneceno, batizado pela Amyris de Biofene, será produzido em escala industrial. A linha de produção será em Piracicaba, interior de São Paulo.

Um dos desafios da empresa é ter certeza de que as leveduras modificadas terão nos tanques da usina, de 200 mil litros, o mesmo comportamento que tiveram nos recipientes de teste, com capacidade para 5 mil litros.

Desafios. Além da questão técnica, há incertezas de mercado. “O que se viu até agora em escala piloto aponta para um custo mais baixo que o do diesel de petróleo. Se for viável economicamente, será um produto revolucionário”, explica Fernando Reinach, biólogo que presidiu a Votorantim Novos Negócios e hoje faz parte do conselho da Amyris.

Executivo sênior da área de agronegócios da consultoria Accenture Brasil, Kleber Alencar explica que produzir em grande escala traz o benefício da diluição dos custos e, potencialmente, dos preços do produto final. Mas a Amyris está sujeita a uma variável que define o desempenho de boa parte das tecnologias verdes: o preço do petróleo. “Na produção de combustíveis alternativos, por exemplo, a variação do valor do barril pode estimular a migração do consumo”, diz Alencar. Há ainda a influência dos preços dos demais derivados da cana (açúcar e etanol), que podem tornar menos atraente a produção do diesel.

O farneceno estará também sob a influência dos custos de logística, em função das distâncias entre as regiões produtoras e consumidoras, e da política de subsídios do governo. “No Brasil o biodiesel vem sendo ajudado pelo Programa Nacional de Produção de Biodiesel (PNPB), do governo federal. Pelo programa, a União adquire o combustível para cumprir a meta de adição ao diesel comum, fixada em 5%. Na Europa, o programa está bem mais avançado e conta com importantes subsídios do governo”, comenta Alencar.

Roel Collier, diretor-geral da Amyris no Brasil, recorre a uma equação simples para defender a viabilidade do projeto. “O diesel de cana é baseado na competitividade da cana para a produção de biocombustíveis. Da mesma forma que o álcool é competitivo em comparação à gasolina, o diesel de cana deverá ser em relação ao diesel de petróleo”, diz.

Outros produtos. Na operação de Piracicaba, em parceria com a belga Biomin, a previsão de Mario Portela, presidente da Amyris Brasil, é que nos 12 primeiros meses a produção de farneceno oscile entre 3 milhões e 5 milhões de litros. Em 2012, quando começa a funcionar a unidade de produção em parceria com o Grupo São Martinho, serão 92 milhões de litros por ano.

Além de apostar no diesel, o menos rentável dos produtos obtidos do farneceno, a expectativa da Amyris é fornecer matéria-prima para, pelo menos, mais cinco indústrias diferentes. A empresa quer entrar no mercado de querosene de aviação e nas indústrias cosmética, química, petroquímica e farmacêutica.

E, antes mesmo de a produção industrial começar, já foram assinados vários contratos para fornecimento de farneceno. Entre eles, um com a matriz americana da P&G (para pesquisas com detergentes), com a Soliance (fabricante francesa de cosméticos), Firmenich (multinacional da área de fragrâncias), Gruppo Mossi & Ghisolfi (fabricante italiano de polímeros e aditivos plásticos), Shell e Total (gigantes da área de petróleo).

Para o fornecimento de cana, a Amyris conseguiu um feito incomum: ter relação comercial com vários concorrentes do setor sucroalcooleiro. A empresa tem contratos com São Martinho, Cosan, Açúcar Guarani e Bunge.

Como a colheita de cana no Centro-Sul, onde a Amyris tem parcerias, ocorre entre abril e dezembro, o grupo começa a sondar usinas no Nordeste, onde a safra é em outro período. “O Nordeste está nos nossos planos”, confirma Portela.

Expansão. Num primeiro momento, a Amyris vai comercializar o Biofene para as indústrias de cosméticos e de lubrificantes. Para dar conta do projeto de expansão, assinou contratos de terceirização da produção – além da Biomin, com mais duas empresas americanas: a Tate & Lyle, que deve operar ainda em 2011, e com a Glycotech.

A estratégia da Amyris atraiu investidores de fora, como a TPG Ventures, a DAG Ventures e a Total (principal acionista, com 20,7%), além de brasileiros, como a Votorantim, o fundo que a coreana Temasek tem no País e a gestora de fundos Stratus. Álvaro Gonçalves, sócio da Stratus, diz: “Isso tudo vai quebrar o paradigma da cadeia da cana. As próprias usinas já têm uma visão diferente sobre seus negócios”. Fazem parte do fundo da Stratus que investe na Amyris, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a Finep (Financiadora de Estudos e Projetos, vinculada ao Ministério da Ciência e Tecnologia) e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

Em setembro do ano passado, a Amyris abriu seu capital na bolsa eletrônica americana Nasdaq. Com um desempenho bem acima do principal índice da bolsa, a empresa vale hoje US$ 1,3 bilhão.

Para se firmar, além de enfrentar desafios técnicos e de mercado, o farneceno da Amyris precisa sair vitorioso das negociações governamentais que envolvem os combustíveis verdes. No começo do mês, a empresa contratou Joel Velasco, que representava os interesses da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) em Washington, para o cargo de vice-presidente sênior.

Para Velasco, não há dúvidas do caminho da Amyris. “Na medida em que o mundo dos biocombustíveis está evoluindo, a Amyris vai ser uma líder na expansão da indústria, tanto no Brasil quanto nos EUA.”

Pesquisas sobre a malária deram início à empresa

A Amyris Biotechnologies, criada em 2003, surgiu do trabalho de um grupo de pesquisadores americanos de pós-doutorado que trabalhavam no Departamento de Engenharia Química e Bioengenharia da Universidade da Califórnia, em Berkeley, coordenados pelo professor Jay Keasling, hoje sócio-fundador da companhia.

A primeira descoberta da empresa foi a artemisinina obtida a partir de uma bactéria muito usada em laboratório, a Escherichia coli – tudo graças a um processo de reengenharia genética. A artemisinina é o princípio ativo de um medicamento que combate a malária e é usado na África e na Ásia. Até a descoberta, só a planta artemísia era capaz de fornecer a matéria-prima para o medicamento. A principal vantagem da bactéria modificada em laboratório é que ela produz o remédio a um custo 90% mais baixo.

As pesquisas da Amyris foram financiadas pelo Instituto OneWorld Health, da Fundação Bill & Melinda Gates, que transferiu a tecnologia de produção para a Sanofi-Aventis. O objetivo da transferência de tecnologia é que o laboratório farmacêutico produza o medicamento em grande escala a preços menores e possa distribuí-lo em países pobres.

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A propósito, vem bem a calhar a análise de Wilson da Costa Bueno sobre a crise do jornalismo agrícola no Brasil e o fato de que este cada vez mais se limita a noticiar só aquilo que é de interesse das corporações do agronegócio.

A eterna dívida (do agronegócio) e a eterna ajuda (do governo)

31, janeiro, 2011 Sem comentários

Segue artigo de Alfredo da Mota Menezes “A dívida dos agricultores” publicado em A Gazeta – MT, 30/01/2011.

E-mail: pox@terra.com.br; site: www.alfredomenezes.com

Publicou a imprensa que Silval Barbosa deverá se encontrar com o ministro Guido Mantega para discutir o endividamento dos agricultores do estado. Comenta-se que, frente aos problemas econômicos desses agricultores, terras estariam sendo vendidas para grupos estrangeiros.

Parece que o pedido de renegociação tem base maior em empréstimos do BNDES para máquinas. A história ensina que atrás disso podem vir outras renegociações. É função política do governador fazer o que vai fazer em Brasília. Mas essa questão das dívidas dos agricultores brasileiros é uma novela quase eterna.

Desde 1994 foram feitas quatro negociações até chegar à maior de todas em 2009 quando o Congresso aprovou a mais ampla renegociação de dívida do setor agrícola no país. Foram renegociados 75 bilhões de reais de dívida [Em 2010 o agronegócio produziu cerca de R$ 127 milhões, com superavit de R$ 105 bi]. Algo como 2.8 milhões de agricultores foram contemplados. Renegociou-se em 2009 até dívidas já renegociadas antes. Todos teriam até dez anos para pagar.

Naquela renegociação haveria descontos de 5% a 45% sobre o saldo devedor para quem fizesse o pagamento antecipado. Os juros variariam entre 3% a 12%. Com os descontos, o governo deixava de receber nove bilhões de reais.

Acreditava-se que aquela ampla renegociação faria esse assunto sumir da agenda nacional por um bom tempo. Dois anos depois ele pode está de volta. Se a conversa atual se circunscrever somente nos maquinários tem uma pergunta na rua: como é que se aceitaram as condições draconianas dos empréstimos? Não era previsível que isso iria desembocar na atual situação?

Quando se toca na dívida dos agricultores no estado parece crime de lesa-pátria. Mas é que o setor agrícola, historicamente, sempre teve algum tipo de ajuda. Têm parlamentares que sobrevivem politicamente resolvendo pendências dessa atividade econômica.

Outros setores da economia não gozam desses benefícios. Comerciantes esgoelam que nunca tiveram chance de renegociar dívidas. Ninguém vê nada disso também para a pecuária. Alguém já ouviu pecuaristas do estado pedir a governadores que fossem a Brasília renegociar suas dívidas?

O Brasil reclama muito dos subsídios que se dá na Europa e nos EUA para a agricultura. Gente nos EUA aponta o dedo para o setor agrícola brasileiro e diz que as diferentes renegociações e perdões de parte de dívidas (já se teve vez na história de se perdoar dívida inteira) seria uma maneira indireta de se dar subsídio também.

Sabe-se que a maior parte dos empréstimos dos agricultores não é com o Banco do Brasil ou com o BNDES, é com as grandes empresas comercializadoras de GRÃOS. Nunca se ouve falar em pedir renegociação com as cinco irmãs (Bunge, Cargil, Amaggi, Dreyfus e ADM), só com bancos públicos. Com elas o negócio é diferente.

Essa situação da agricultura nacional deve continuar. O mundo precisa de mais comida. Os agricultores ficarão ainda mais fortes em suas reivindicações que, aliás, vem desde o século 19.

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Empresas financiam cultivo de não-transgênicas no Mato Grosso

31, janeiro, 2011 1 comentário

DIÁRIO DE CUIABÁ, 30/01/2011

A maior processadora de soja não transgênica do país, Imcopa, é uma das empresas financiadoras do programa Soja Livre. Em parceria com a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), Aprosoja (Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado de Mato Grosso), Abrange (Associação de Produtores de Grãos Não Geneticamente Modificados) e outras organizações, o projeto fomenta o desenvolvimento e cultivo de novas variedades de soja convencional, livre de organismos geneticamente modificados, para assegurar ao produtor o direito de escolha entre soja convencional ou transgênica.

“Queremos garantir que o consumidor final possa decidir se deseja ou não consumir o produto transgênico”, afirmou José Enrique Marti Traver, diretor de operações da Imcopa. De acordo com ele, a necessidade de um projeto dessa natureza decorre de uma distorção na legislação Brasileira que regula o mercado de sementes. “Por um lado as sementes de produtos convencionais são enquadrados na legislação de novas cultivares (sementes), enquanto que as sementes de produtos transgênicos são enquadrados na Lei de Propriedade Intelectual, o que permite a obtenção de patentes e cobrança de royalties por um período de 10 anos”, esclareceu Traver.

Na regulamentação das cultivares convencionais essa proteção não existe, o que leva os sementeiros a desenvolver sementes transgênicas, que lhes garante a propriedade intelectual e o retorno dos investimentos.

“Cerca de 90% das novas variedades de semente de soja introduzidas no mercado a cada ano são transgênicas, o que ameaça a continuidade do produto convencional. A médio prazo isso implicaria na extinção dessas sementes”, complementou o diretor da empresa.

As empresas e entidades que participam do programa Soja Livre se comprometem a financiar, desenvolver e produzir novas e competitivas variedades de soja que se adequem às necessidades de cada região produtora.

De acordo com a processadora, as empresas participantes do projeto garantem a compra da soja não transgênica com pagamento de prêmio ao produtor. “A iniciativa vai ao encontro dos exportadores de soja convencional e seus derivados para o mercado europeu, onde a rejeição aos trânsgênicos é mais acentuada e crescente”, comentou Traver.

Soja transgênica

O Brasil é o segundo maior produtor mundial de soja. Da safra de 68 milhões de toneladas neste ano, 65% são soja transgênica, produzida principalmente a partir de sementes que incorporam tecnologias desenvolvidas pela empresa Monsanto. A empresa recebe royalties pelo uso da tecnologia, e os agricultores temem que a escassez de sementes não transgênicas os deixe nas mãos da multinacional.

“Em poucos anos estaremos totalmente dependentes das multinacionais que trabalham com biotecnologia”, afirmou Blairo Maggi, ex-governador e produtor de soja. Ele admitiu que a soja transgênica tem um “papel importante’, mas lembrou que as variedades naturais não devem ser abandonadas, pois valem mais.

A Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), que lançou um programa para estimular a produção de sementes não transgênicas de soja, irá desenvolver vários tipos de sementes convencionais, adequadas às diferentes condições de cultivo e ampliará sua produção em instalações próprias por meio de empresas parceiras.

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Europeus evitam os transgênicos

Principal mercado comprador da soja convencional de Mato Grosso, a Europa tende cada vez mais a optar pelos alimentos não-transgênicos ou orgânicos. A verdade é que a soja OGM não é bem aceita pelo consumidor europeu. Boa parte desse mercado aceitava soja transgênica, mas, com a entrada em vigor da lei de rotulagem e de rastreabilidade imediata de transgênicos, e uso de código identificador único, até o mercado de farelo para ração de animais está comprando soja convencional em razão da ração precisar ser rotulada como contendo OGM (Organismo Geneticamente Modificado) e a forte rejeição do público consumidor europeu contra os transgênicos.

O maior mercado para soja transgênica mato-grossense, que a aceita sem restrições, é a China, embora recentemente tenha colocado e retirado restrições a transgênicos na mesa várias vezes. De acordo com os especialistas a China é um importante parceiro comercial de Mato Grosso e já é um grande mercado comprador que alivia a pressão do mundo desenvolvido sobre a economia brasileira, haja vista a vitória do Brasil na Organização Mundial do Comércio (OMC), no caso do algodão e nas negociações envolvendo redução de subsídios à agricultura e abertura de mercado para produtos agrícolas do G-20, grupo de países liderado pelo Brasil, fortalecido principalmente pela China e depois pela Índia e África do Sul.

São os alimentos geneticamente modificados que, de um lado, agradam os produtores porque são resistentes a pragas e mais rentáveis. De outro, despertam pânico nos ambientalistas, que apontam riscos à saúde e à natureza.

“A verdade é que existem argumentos favoráveis ao cultivo dos transgênicos, mas também existem razões para se defender a proteção de algumas áreas, em que os GRÃOS seriam totalmente puros. O principal aspecto a ser considerado em favor dos alimentos geneticamente modificados é o potencial de expansão da safra agrícola. Os GRÃOS modificados têm maior resistência a pragas e necessitam de menos herbicidas, o que teoricamente barateia os custos de produção. Mas isso não é uma verdade”, afirma o agrônomo Pedro Paulo Tirloni Júnior, que dá assistência a lavouras de soja na região do Médio Norte de Mato Grosso.

Mas, segundo ele, existem também aspectos econômicos em favor da produção de alimentos convencionais, “uma vez que alguns dos principais mercados importadores, especialmente Europa e Japão, favorecem as compras de produtos com certificação não-transgênica”.

(MM)

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Alfafa transgênica é liberada nos Estados Unidos

28, janeiro, 2011 Sem comentários

Variedade é tolerante ao herbicida glifosato e estará disponível aos agricultores ainda este ano

por Globo Rural Online, 28/01/2010

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) anunciou nesta quinta-feira (27/01) a liberação da variedade transgênica de alfafa tolerante ao herbicida glifosato para plantio e comercialização. A decisão foi tomada pelo Serviço de Inspeção de Saúde Animal e Vegetal do Usda, depois que o estudo de potenciais impactos ambientais e econômicos conduzido pelo departamento concluiu que a planta transgênica é tão segura quanto a convencional.

O secretário de Agricultura dos Estados Unidos, Tom Vilsack, afirmou que essa é uma decisão que favorece a coexistência de plantas transgênicas e convencionais. “Os agricultores devem ter a opção de plantar a variedade convencional, transgênica ou orgânica”, disse Vilsack.

A alfafa é usada principalmente como feno para gado e já poderá ser cultivada na próxima primavera. De acordo com o Conselho de Informações sobre Biotecnologia (CIB), agricultores que usam sementes da planta transgênica afirmam que, com elas, seus rendimentos aumentariam, e que isso poderia ajudar a reduzir o preço final para o consumidor.

A alfafa é quarta maior cultura nos Estados Unidos, com um valor aproximado de US$ 9 bilhões e cerca de 20 milhões de hectares plantados.

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Saiba mais sobre a polêmica e a decisão contraditória da Suprema Corte dos EUA

Japão investe em não-transgênicos

27, janeiro, 2011 Sem comentários

Japan Today, 13/01/2011.

A Federação Nacional das Associações Cooperativas Agrícolas do Japão, conhecida como JA Zen-Noh, firmou um contrato de cinco anos com a Pioneer Hi-Bred, divisão de sementes da estadunidense DuPont [segunda maior empresa do ramo das sementes e sexta maior em agrotóxicos] para assegurar o suprimento de milho não transgênico. Segundo o contrato, a Federação encarrega a Pioneer de desenvolver sementes de milho não transgênico e de fornecê-las a agricultores estadunidenses, na expectativa de depois poder importar milho convencional para ração animal.

Ultimamente tem sido difícil nos EUA assegurar o fornecimento de sementes convencionais aos agricultores. Há, por outro lado, uma grande resistência aos transgênicos no Japão, que depende das importações de milho dos EUA e de outros países para a fabricação da maior parte da ração animal que consome. Das 650 mil toneladas de milho para ração que a Pioneer negocia com o Japão anualmente, a JA Zen-Noh planeja assegurar o fornecimento de 500 mil toneladas com milho não transgênico.

Criação de defensivo agrícola genérico retorna ao debate

25, janeiro, 2011 Sem comentários

JORNAL DO SENADO, 25/01/2011.

Requerimento da senadora Serys Slhessarenko defende que o projeto de lei de Heráclito Fortes seja discutido primeiro na Comissão de Meio Ambiente

Para Serys, adoção de genéricos de defensivos agrícolas deve ser analisada primeiro sob a ótica ambiental

A criação do defensivo agrícola genérico voltará a ser discutida no Senado a partir de fevereiro, quando recomeçam os trabalhos legislativos. O Plenário terá de decidir sobre requerimento (RSF 925/10) da senadora Serys Slhessarenko (PT-MT) para que a Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle (CMA) seja a primeira a se manifestar sobre o projeto (PLS 190/10), inicialmente distribuído apenas para a Comissão de Agricultura e Reforma Agrária (CRA).

A matéria é do senador Heráclito Fortes (DEM-PI), que está encerrando seu mandato nesta legislatura, assim como Serys. Ela propôs o requerimento em novembro passado, quando o texto de Heráclito já estava pronto para ser votado em decisão terminativa na CRA. Preparado pelo senador Gerson Camata (PMDB-ES), o relatório sugere a aprovação do texto.

Para Serys, como trata de produtos químicos para o campo, o projeto deve ser também analisado sob a ótica ambiental, tarefa da competência da CMA. Os defensivos são utilizados para o controle de pragas em lavouras e pastagens. Já tramita no Congresso proposição que institui o medicamento genérico para uso veterinário (PLC 3/05), mas nenhuma que mencione os defensivos.

Quando apresentou o projeto, Heráclito disse que a adoção do defensivo genérico incentivaria a concorrência entre os fabricantes e, assim, contribuiria para a redução dos preços dos produtos.

Durante a campanha presidencial, o candidato José Serra (PSDB) chegou a prometer criar os defensivos agrícolas genéricos, assim como foi feito para os remédios durante sua gestão no Ministério da Saúde. Segundo Serra, a existência de defensivos agrícolas barateará os produtos na mesma proporção que teria acontecido para o consumidor final em relação aos remédios.

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Orgânicos crescem mais no mercado interno

25, janeiro, 2011 Sem comentários

FOLHA DE SÃO PAULO, 25/01/2011

O crescimento das vendas de produtos orgânicos no mercado interno ultrapassou o das exportações em 2010.

O diretor-executivo do projeto Organics Brasil, Ming Liu, estima um aumento de 30% das vendas externas do setor em relação a 2009.

Só as 72 empresas associadas ao projeto, que representam pelo menos 60% do setor, exportaram US$ 108 milhões no ano passado.

Já para as vendas domésticas, Liu estima um aumento de 40%, com base em dados de redes varejistas. Segundo ele, as vendas de alimentos orgânicos já se aproximam de R$ 350 milhões no país.

A adesão de supermercados aos alimentos sem agrotóxicos, hormônios ou antibióticos (no caso das carnes), a maior preocupação com a origem e a qualidade dos produtos e o aumento da renda explicam essa expansão.

O fato de o consumidor, que cada vez mais busca produtos que tragam benefícios à sua saúde, não precisar se locomover a uma loja especializada em orgânicos para comprar esse tipo de alimento tem impulsionado as vendas, segundo Liu.

No Pão de Açúcar, as vendas de orgânicos apresentaram crescimento entre 40% e 50% em 2010, segundo dados citados por Liu.

O avanço no grande varejo não anula a expansão de lojas especializadas. A rede de franquias Mundo Verde, por exemplo, faturou R$ 180 milhões em 2010, um aumento de 30%, e para este ano prevê a abertura de 50 lojas.

Segundo Marcos Leite, diretor da Mundo Verde, o aumento da renda está possibilitando a inserção da classe C no consumo de itens ligados ao bem-estar e que não são considerados essenciais.

A rede carioca, que abriu as primeiras lojas paulistas em áreas nobres da capital, como Moema e Itaim Bibi, agora amplia sua presença para bairros como Jabaquara e Ipiranga.

Avança projeto de lei que libera sementes terminator

24, janeiro, 2011 Sem comentários

Relator na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara emite parecer favorável à proposta


24/01/2011  | Deu mais um passo o projeto do deputado Eduardo Sciarra (DEM/PR) que pretende liberar o uso das chamdas plantas transgênicas biorreatoras. Trata-se, na verdade, de flexibilização da proibição imposta pela lei de biossegurança e pela Convenção da Diversidade Biológica às tecnologias genéticas de restrição de uso (GURTs em inglês).

Em relatório apresentado em meados de dezembro o relator Ernandes Amorim (PTB/RO) manifestou sua posição favorável ao mérito da matéria e propôs emenda redefinido as atribuições da CTNBio:

Art. 14. Compete à CTNBio: XXIV – estabelecer processos específicos de análise e critérios especiais a que se sujeitarão aqueles que implantam áreas de lavouras de plantas biorreatoras, objetivando assegurar a plena contenção biológica. (NR)”

A proposta em discussão visa permitir o uso das tecnologias genéticas de restrição de uso em duas situações:

a) quando a tecnologia for introduzida em plantas biorreatoras ou plantas que possam ser multiplicadas vegetativamente (Ex.: cana, mandioca, batata); ou

b) quando o uso da tecnologia comprovadamente constituir uma medida de biossegurança benéfica à realização da atividade (supostamente para evitar a contaminação de plantios orgânicos ou convencionais).

Existem dois tipos de Tecnologias Genéticas de Restrição de Uso, as V-GURTS e as T-GURTS. As V- GURTs envolvem a manipulação da capacidade reprodutiva da planta, impedindo-a de germinar, ou, no caso de raízes, de crescer. São também chamadas de tecnologia “terminator” ou sementes suicidas, que visam assegurar uma espécie de “patente biológica”, mais difícil de “piratear” do que no caso da patente Jurídica, impedindo que os agricultores reutilizem sementes de uma safra para outra.

As T-GURTs são manipulações genéticas que condicionam a expressão de características das plantas transgênicas a um indutor químico externo, como um agrotóxico, por exemplo.

O projeto de lei autoriza as T-GURTs, batizadas de “plantas biorreatoras”, e autoriza as tecnologias genéticas de restrição de uso quando aplicadas em “plantas biorreatoras” ou “quando o uso da tecnologia comprovadamente constituir uma medida de biossegurança benéfica à realização da atividade.” Esse argumento usado pela indústria desconsidera o fato de que uma planta terminator irá produzir flores e pólen e contaminar as demais assim como fazem as plantas transgênicas. Apenas sua segunda geração será estéril, caso a tecnologia funcione sem falhas. Na prática esse tipo de tecnologia, se liberada, irá matar as sementes dos produtores vizinhos. Por esses e outros motivos que essas sementes nuncam foram liberadas em nenhum país do mundo nem para testes de campo.

Ainda tramita na Câmara outro PL visando tornar o Brasil cobaia da liberação das sementes terminator e vitrine das empresas donas das patentes. O atual líder do governo Candido Vaccarezza (PT/SP) apresentou em 2009 projeto redigido pelo lobby da indústria dos transgênicos, conforme revelou reportagem do Congresso em Foco.

Detalhes sobre o andamento do projeto do deputado Sciarra podem ser obtidos na página da Câmara.

Por: AS-PTA

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Leia também:

Consea pede que Lula interceda pelo arquivamento do projeto que libera sementes terminator

Deputado petista apresenta PL redigido por lobbista da Monsanto

Pesticidas exterminam as abelhas

24, janeiro, 2011 Sem comentários

Jaqueline Falcão,  O Globo, 21/012011.

Desaparecimento desses insetos ameaça a produção agrícola do planeta

O misterioso desaparecimento de abelhas observado em vários países, inclusive no Brasil, pode estar associado ao uso de novos pesticidas. Os venenos matam esses insetos, segundo estudo do Laboratório de Pesquisa sobre Abelhas do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, divulgado no jornal britânico “Independent“.

A extinção das abelhas traz grande prejuízo à apicultura e contribui para a fome no planeta, pois 80% da produção de alimentos depende da polinização por abelhas e outros insetos.

Mesmo em dose muito baixa, os inseticidas, especialmente os neonicotinoides (como o imidacloprida) que imitam as propriedades da nicotina, matam as abelhas. Porém o laboratório Bayer, principal fabricante, insiste que eles são seguros para as abelhas, se aplicados corretamente.

O que se tem certeza é que os neocotinoides contaminam completamente as plantas, incluindo o néctar e o pólen, usados pelos insetos polinizadores. Assim o veneno acaba atacando o sistema nervoso dos insetos e as colméias entram em colapso.

Osmar Malaspina, professor do Centro de Estudos de Insetos Sociais da Unesp, alerta que a pulverização aérea – principalmente em plantações de laranja – é uma ameaça às abelhas.

Criador de um projeto de proteção aos polinizadores e autor de três livros sobre o tema, ele diz que a prática espalha inseticidas numa área muito grande, atingindo abelhas de apiário e as 1.500 espécies da natureza. Malaspina pesquisou de 2008 a 2010 a perda de 10 mil colmeias de abelhas africanizadas, mortas por inseticidas na região de Rio Claro, em São Paulo, num raio de 200 quilômetros. Em 800 a mil colmeias havia sinais de neonicotinoides.

Média anual de mortes nas colmeias atinge 30% Ele quer formar um grupo com representantes dos ministérios da Agricultura e do Meio Ambiente, do Ibama e de fabricantes para estabelecer políticas de aplicação e controle dos pesticidas:

— Não somos contra inseticidas, mas devemos estabelecer uma política adequada para minimizar seus efeitos. Na região Sul do país, as abelhas sumiram, mas por outro motivo, diz Malaspina. – Muitas vezes, a colméia diminui e não se veem abelhas mortas. Isso indica que elas migraram para outro ponto em busca de alimento. Quando um apicultor encontra abelhas mortas, é quase certo que morreram por inseticida.

Em países da Europa, como Itália, França e Alemanha, apesar da mortalidade de abelhas ter sido menor que nos Estados Unidos nos últimos três anos, alguns venenos foram proibidos. Nos EUA, a destruição das colmeias atingiu 23% de todas as criações entre 2006 e 2007. Na União Europeia o estudo “A saúde das abelhas melíferas” reforça a preocupação de cientistas e apicultores com a sobrevivência desses insetos.

A média anual de baixas nas colmeias chegou a 30%, quando a mortalidade natural é de 10%. O uso de pesticidas seria o motivo.

Há outras hipóteses para o sumiço das abelhas. Uma delas, da Universidade de Columbia, afirma que o fenômeno seria causado pelo vírus IAPV. Também se especulou que a causa seria radiação de celulares e aquecimento.

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No início de 2010, agricultores da Paraíba se mobilizaram para impedir a distribuição desse mesmo agrotóxico para controle da mosca negra do citrus.

Mais sobre o assunto:

“Exclusive: Bees facing a poisoned spring”, Michael McCarthy, The Independent, 20 January 2011, http://www.independent.co.uk/environment/nature/exclusive-bees-facing-a-poisoned-spring-2189267.html

Ban Neonicotinoid Pesticides to Save the Honeybee

Soja RR reduz fixação de Nitrogênico e absorção de nutrientes

19, janeiro, 2011 Sem comentários

Pesquisa recém publicada na revista Ciência Rural mostra que as doses crescentes de glifosato exigidas pela soja RR da Monsanto prejudicam a absorção de micronutrientes, reduzem a nodulação e a produção de massa seca.

Outdoor em Cascavel - PR: Entidades do agronegócio alegavam que menos veneno seria usado na soja da Monsanto. E agora?

A íntegra do estudo está disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-84782011000100013&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt

Taí mais uma pesquisa, publicada em revista especializada, confirmando aquilo que os críticos dos transgênicos alertam há pelo menos uma década.

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RESUMO

Com o desenvolvimento da soja resistente ao glifosato, Roundup Ready (RR), observa-se um aumento considerável no uso desse herbicida, com aplicações de três a quatro vezes durante o ciclo da cultura. Dessa forma, essas aplicações podem estar influenciando a nutrição mineral da cultura. Objetivou-se realizar este experimento para avaliar a influência do glifosato na eficiência nutricional de N, Mn, Cu, Zn e Fe pela soja transgênica cv. ‘P98R31 RR’. O experimento foi realizado em casa de vegetação, na ESALQ/USP, Piracicaba (SP), em 2009. A unidade experimental foi constituída por vaso contendo 11kg de substrato (NITOSSOLO VERMELHO Eutroférrico latossólico), com duas plantas por vaso. Os tratamentos foram arranjados em um esquema fatorial 5X5, com cinco níveis do fator Mn (0, 20, 40, 60 e 80mg dm-3) e cinco de glifosato (0; 0,648; 1,296; 1,944 e 2,592kg i.a. ha-1), sendo que o Mn foi fornecido a partir do sulfato de manganês (MnSO4.H2O). O delineamento experimental foi em blocos casualizados, com quatro repetições. Não houve influência na resposta das plantas com relação ao fator Mn. A aplicação de glifosato interferiu de forma negativa na eficiência nutricional da planta e nos teores totais de N, Mn, Cu, Zn e Fe. A utilização de glifosato causou redução ao número de nódulos e redução na produção de massa seca.

CONCLUSÃO

Não houve influência na resposta das plantas com relação aos níveis de Mn utilizados no experimento. A aplicação de glifosato interferiu de forma negativa na eficiência de: absorção de N e Fe, uso de N, Fe e Cu na planta e nos teores totais de N, Mn, Zn, Cu e Fe. Não houve efeito na eficiência de translocação dos nutrientes avaliados na planta, mediante os tratamentos utilizados. A utilização de glifosato nas condições de casa de vegetação causou redução no número de nódulos na soja cv. ‘P98R31 RR’. A produção de massa seca reduziu-se com o aumento das dosagens de glifosato.

Transgênicos ocupam área recorde no Brasil

18, janeiro, 2011 2 comentários

Não pára de crescer a dependência da agricultura brasileira em relação a algumas múltis. Por meio do crescente controle do mercado de sementes, essas empresas cada vez mais ditam o que será plantado por aqui. O controle segue pelo restante da cadeia, incluindo os demais insumos, transporte, processamento e comercialização da produção.

As matérias abaixo referem-se a estudo divulgado esta semana pela consultoria Céleres, que cita a redução dos custos de produção como o fator responsável pela rápida adoção de variedades transgênicas, sobretudo de milho. Faltou a empresa apresentar os dados que permitiram tal conclusão, já que há cada vez mais informação disponível apontando o contrário, inclusive dados da Embrapa. Faltou também mencionar que é cada vez menor a oferta de semente convencional de milho e que essa falta de opção pode estar por trás da maior adoção da semente modificada.

No Mato Grosso, a soja transgênica perde espaço, e os produtores se uniram para garantir apoio da Embrapa para o fornecimento de sementes convencionais de soja. Isso também não é relatado. Faltou ainda mencionar o descontentamento dos produtores em relação ás políticas de cobrança de royalties das empresas e a contribuiçao do aumento da área com transgênicos para a liderança do Brasil no ranking mundial do consumo de agrotóxicos.

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CORREIO BRAZILIENSE, 18/01/2011.

O Brasil elevou a área cultivada com organismos geneticamente modificados na safra de verão 2010/11. É o que aponta estudo divulgado ontem pela consultoria Céleres, segundo o qual as razões da expansão do plantio de trangênicos foram o crescimento estimulado pela disponibilidade de novas sementes e o custo de produção mais baixo em comparação ao produto convencional. De acordo com o relatório, a área de soja transgênica foi estimada em 18 milhões de hectares, o equivalente a 76,2% dos 23,7 milhões de hectares semeados com a oleaginosa nesta temporada no Brasil. Na safra passada, quando a área total foi ligeiramente menor, a soja geneticamente modificiada cobriu 70,6% da total.

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Céleres prevê 25,8 milhões de hectares cultivados com OGMs na safra 2010/11

Alexandre Inácio. VALOR ECONÔMICO, 18/01/2011

Três em cada quatro hectares cultivados com soja na safra 2010/11 – que está em curso – utilizaram sementes geneticamente modificadas no Brasil. No caso do milho, mais da metade da área foi plantada com as variedades transgênicas disponíveis, enquanto no algodão, quase um terço do plantio está sendo feito com sementes modificadas na safra 2010/11. Considerando as três culturas juntas, a área alcança 25,8 milhões de hectares, a maior taxa de adoção de transgênicos da história da agricultura nacional, segundo levantamento da Céleres.

“Esse é um caminho que não tem mais volta, e a tendência é que a adoção dessa tecnologia aumente cada vez mais”, diz Leonardo Menezes, pesquisador da Céleres. Ele lembra que, no caso do algodão, a adoção só não foi maior na safra atual porque a disponibilidade de sementes era pequena para atender à demanda.

Entre as três culturas, a adoção da tecnologia ocorreu mais rapidamente no milho. O uso de híbridos geneticamente modificados alcançou 52,7% da área plantada já no terceiro ano após a liberação oficial da primeira variedade transgênica, cultivada na safra 2008/09. Para comparar, a soja só alcançou o percentual de 56% sete anos após ter sido liberada oficialmente pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), na safra 2000/01.

No caso da soja, a expectativa da Céleres é que 18,1 milhões de hectares sejam cultivados com variedades transgênicas no ciclo 2010/11, ou seja, 76,2% do total. Os Estados do Maranhão e Piauí são os que menos adotaram as sementes geneticamente modificadas – 60,7% da área cada um. Segundo Menezes, o motivo para isso é que ainda faltam cultivares transgênicas melhor adaptadas à região.

“Vale lembrar que Mato Grosso, maior produtor de soja do Brasil, não é o que mais utiliza transgênicos. Algumas variedades convencionais ainda apresentam uma produtividade superior que as geneticamente modificadas”, afirma Menezes. Em Mato Grosso, 66,8% da área é plantada com soja transgênica.

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Milho transgênico chega a 64,7% no Rio Grande do Sul

Com um avanço em ritmo cada vez mais acelerado nas lavouras gaúchas, o milho geneticamente modificado é uma realidade que veio para ficar. Do total da área plantada para a safra 2010/2011 no Estado, 64,7% é cultivada com sementes transgênicas – mais resistentes a insetos, com tolerância a herbicidas ou de genes combinados –, como mostra estudo realizado pela Céleres, consultoria especializada em agronegócio.

Gisele Loeblein, Zero Hora, 18/01/2011, via IHU.

Da mesma forma, o Brasil também prevê um aumento do uso da biotecnologia no cultivo da cultura. No Estado, a área de cultivo de milho geneticamente modificado cresceu pouco mais de sete vezes na comparação com o ciclo de 2008/2009.

Sobre o avanço no Rio Grande do Sul, o diretor da Céleres, Anderson Galvão, observa:

– O ritmo está maior do que na soja. Isso é resultado de um produtor satisfeito, devido à facilidade de manejo.

Os números impressionam porque esta é apenas a terceira safra desde a liberação do uso. Para Alda Lerayer, do Conselho de Informações sobre Biotecnologia, a adoção também trouxe uma redução de custos. E a equação custo-benefício mostra uma vantagem.

– O produtor gasta mais na hora de comprar a semente, mas gasta menos com o uso do herbicida – diz o presidente da Associação dos Produtores de Milho do Estado, Cláudio de Jesus.

Hoje, a lista de milhos geneticamente modificados aprovados pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança chega a 15 itens. Mas a semente capaz de ajudar os gaúchos a diminuir os impactos do clima não deve chegar antes de três a quatro anos.

Vigilância sanitária bane agrotóxico em todo o País

18, janeiro, 2011 Sem comentários

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou o banimento do agrotóxico metamidofós no Brasil. O produto, usado nas lavouras de algodão, amendoim, batata, feijão, soja, tomate e trigo, pode prejudicar o feto, além de ser tóxico para os sistemas neurológico e imunológico. A substância também é prejudicial aos sistemas reprodutor e endócrino.

Lígia Formenti, O Estado de S. Paulo, 18/01/2011, divulgada via IHU.

É o quarto agrotóxico cuja comercialização é proibida pela Anvisa desde 2008, quando a agência preparou uma lista de reavaliação com 14 produtos suspeitos de causar danos para a saúde. Além do metamidofós, foram proibidos cihexatina, tricloform e endossulfam. “Nossa expectativa é avaliar todos os produtos da lista neste ano. Até porque, certamente, novos produtos deverão ser incluídos para reavaliação”, afirmou Luiz Claudio Meirelles, gerente-geral de toxicologia da Anvisa.

A retirada do metamidofós do mercado brasileiro será feita de maneira programada. Pela decisão, publicada ontem no Diário Oficial, o produto poderá ser comercializado somente até o fim do ano. O agrotóxico poderá ser usado nas lavouras até junho de 2012. Meirelles afirmou que a retirada programada é feita de forma a não provocar impacto negativo na agricultura. “É preciso também que haja tempo para os produtores se adaptarem, para eles terem acesso a produtos menos tóxicos.” O metamidofós já foi banido nos países da União Europeia, China, Paquistão, Indonésia, Japão, Costa do Marfim e Samoa. De acordo com Meirelles, o produto se encontra em processo de retirada nos Estados Unidos.

O agrotóxico havia sido reavaliado pela Anvisa no ano de 2002. Na época, o uso do produto foi restrito, além de a forma de aplicação ter sido alterada. Naquele ano, também foi realizada a primeira reavaliação de agrotóxicos no Brasil pela Anvisa, com banimento de quatro produtos.

A avaliação dos agrotóxicos da lista de 2008, por sua vez, demorou para ganhar ritmo. Por pressões políticas, divergências no governo e ações na Justiça, somente no ano passado as análises começaram a ser feitas com mais rapidez.

Para evitar que fabricantes tentem acabar com seus estoques, a venda do metamidofós até dezembro não poderá ultrapassar a média histórica. “Vamos fiscalizar o cumprimento dessa determinação”, disse Meirelles.

Com a decisão da Anvisa, também não serão autorizados registros de novos produtos que levem metamidofós nem a importação do produto. Terminado o prazo em que a comercialização é permitida, fabricantes ficarão responsáveis pela retirada do produto do mercado.

Não transgênico é mercado estratégico e rentável

13, janeiro, 2011 Sem comentários

BRASIL ECONÔMICO, 13/01/2010.

Maiores compradores são Alemanha, França, Itália, Inglaterra, Coreia do Sul e Japão

Enquanto as exportações de soja em GRÃOS registraram queda de 3,3% nos valores cobrados em 2010 ante 2009, as exportações do farelo tiveram alta de 2,8% nos preços. Além do óbvio valor agregado do farelo, a diferença também pode ser explicada pelos prêmios pagos pelo insumo não transgênico, que têm a preferência de alguns países europeus nas compras brasileiras. Os produtores nacionais já entenderam a importância do nicho e estão cada vez dividindo o cultivo entre sementes geneticamente modificadas e as não transgênicas.

De acordo com dados da Associação Brasileira de Produtores de GRÃOS Não Geneticamente Modificados (Abrange), relativos à safra 2009/2010, o Brasil exportou 8,6 milhões de toneladas de farelo de soja não transgênico e 3,9 milhões de toneladas de farelo transgênico.

“Nossos maiores compradores de não transgênicos são Alemanha, França, Itália, Inglaterra, Coreia do Sul e Japão”, diz o diretor-executivo da Abrange, Ricardo Sousa.

Segundo Sousa, em torno de 35% do total de soja plantada no Brasil hoje é de não transgênica.

No caso do milho, essa proporção vai a 40%. Países como Estados Unidos e Argentina também produzem não transgênicos,mas em menor proporção. “O importante nesse segmento é que haja segurança em relação à segregação da produção, tem que haver uma logística bem coordenada para que efetivamente seja uma produção livre de GRÃOS geneticamente modificados”, explica.

A opção segue a lógica do mercado. “Se o consumidor tem suas ideologias ou crenças, temos a preocupação em atender essas demandas”, diz Sousa, ao observar que na Europa, muito mais do que no Brasil, há uma parcela da população com preocupações profundas em relação aos transgênicos.

Preço do farelo de soja teve alta de 2,8%. Parte do aumento é creditada aos prêmios pagos pelo insumo sem modificação genética

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Genômica não rende patentes ao país

12, janeiro, 2011 Sem comentários

Folha de São Paulo, 12/01/2011.

Dez anos após cientistas brasileiros sequenciarem o genoma do amarelinho, ele continua atacando laranjais

O Brasil saiu na frente em biologia molecular quando sequenciou o genoma da Xylella fastidiosa, causadora do “amarelinho” da cana, em 2000. Mas os resultados do investimento, pelo menos em número de patentes, foram abaixo do esperado.

É isso que mostra um levantamento feito pelo cientometrista da USP Rogério Meneghini e pelo seu orientando Estêvão Gamba.

Em um artigo que será publicado em maio nos anais da ABC (Academia Brasileira de Ciências), eles revisaram dez anos de patentes de biologia molecular, de 1996 a 2007 (em geral, esse tipo de análise se debruça a partir dos últimos três anos).

A base verificada foi a americana USPTO, em que são registradas marcas e patentes de todo o mundo.

Nesse período, o Brasil teve um total de 279 registros de patentes em biologia molecular. O número é menos da metade do México (776) e de um terço da China (996).

Mesmo assim, o crescimento de patentes do país na área foi de 3.700%.

“É preciso lembrar que partimos praticamente do zero em patentes de biotecnologia. Sob esse ponto de vista, crescemos muito”, explica o engenheiro agrônomo Sérgio Salles-Filho. Ele é especialista da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) em política científica.

No entanto, o aumento da China no mesmo período foi de 5.275%. Em 1996, aquele país só tinha quatro patentes em biologia molecular.

“Os números do Brasil mostram que a atividade de produção tecnológica é baixa”, explica Salles-Filho.

De fato, em termos de produção científica em biologia molecular, ou seja, artigos publicados, os números são bem diferentes.

Num ranking feito por Meneghini a partir da base de dados bibliográfica “Scopus”, o país teve um crescimento de 515% em artigos na área -e só perdeu para a China (que cresceu 1.243%).

“Isso se deve a uma questão cultural. Ainda temos pouca cultura de patenteamento”, complementa Salles-Filho, da Unicamp.

Em 2000, o sequenciamento da bactéria do “amarelinho”, que causa o entupimento dos vasos da planta e atinge cerca de 30% dos laranjais paulistas, foi capa da revista “Nature” e colocou o Brasil como protagonista na genômica internacional.

A Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) investiu cerca de US$ 12 milhões nas pesquisas da Xylella, que reuniram quase 200 cientistas em 35 laboratórios do país.

Hoje, porém, a rede de sequenciamento foi desfeita, e a doença do citrus continua sem cura -apesar de que a “cura” não era um objetivo inicial das pesquisas. O foco, de acordo com a Fapesp, era formar pessoas na área.

Além disso, algumas empresas de base tecnológica emergentes acabaram mudando de percurso.

Exemplos disso são a Allelyx e a Canavialis, compradas pela multinacional Monsanto em 2008 por R$612 milhões. Ambas foram fundadas em 2002 com capital de risco da Votorantim.

Para o biólogo Fernando Reinach, fundador da Allelyx e diretor-executivo da Votorantim Novos Negócios, é esperado que empresas de fundo de risco sejam vendidas.

Mas, na época, a negociação foi criticada pelo governo e, conforme a Folha apurou, acabou retraindo os investimentos públicos em empresas de base tecnológica.

De acordo com Reinach, a Allelyx teve cerca de 30 patentes registradas na USPTO entre 1996 e 2007. “Mas não basta analisar número de patentes. É preciso ver o que elas geraram de lucro”, diz.

Em editorial recente publicado na “Nature”, a revista cobrou uma postura mais agressiva da ciência brasileira na área de biotecnologia. Mas afirmou: “A Xylella mudou a percepção do Brasil de si mesmo e seu lugar no mundo da ciência”.

(Sabine Righetti)

I SEMINÁRIO PIAUIENSE DE AGROECOLOGIA

11, janeiro, 2011 Sem comentários

O evento é uma realização do GRUPO CAJUÍ – Grupo de Pesquisa e extensão em Agroecologia da Universidade Estadual do Piauí, Campus Alexandre Alves de Oliveira – Parnaíba, PI.

O evento acontecerá em Junho de 2011 na cidade de Parnaíba, Localizada a 345 Km de Teresina(PI).

Estamos preparando um site com todas as informações necessárias, inscrições, hospedagens, envio de trabalhos de pesquisas, experiências agroecologicas e Palestrantes. Convidamos Palestrantes do Rio de Janeiro, Pernambuco, Ceará e Paraíba.

O evento terá recurso aprovado pelo CNPq

Comissão organizadora (valdinar.bezerra@pq.cnpq.br)

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