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Arquivo de junho, 2011

Transgênicos ameaçam produção orgânica no PR

30, junho, 2011 Sem comentários

Vídeo produzido pela Folha de São Paulo, 25/06/2011

Categories: CTNBio, transgênicos Tags:

Oficina de jardinagem agroflorestal

30, junho, 2011 Sem comentários

Categories: agroecologia Tags:

Transgênico ameaça produção orgânica

30, junho, 2011 1 comentário

Folha de São Paulo, 24/06/2011

AGNALDO BRITO

ENVIADO ESPECIAL A CAPANEMA (PR)

O cultivo de variedades transgênicas de soja e de milho está ameaçando a frágil cadeia de produção orgânica no sudoeste do Paraná -área cujo perfil fundiário é o da pequena propriedade rural.

A dificuldade na obtenção de grãos convencionais e a deficiência da logística são apontadas como as responsáveis pela contaminação da produção.

“Está cada vez mais difícil obter sementes não transgênicas para os produtores orgânicos. Além disso, há o problema da contaminação na colheita ou no transporte da safra”, afirma Marcio Alberto Challiol, diretor da Gebana, empresa com sede em Zurique, Suíça.

A Gebana, especializada na comercialização de soja, milho e trigo orgânicos, negocia por ano 10 mil toneladas de cereais do Brasil. É uma gota, diante dos volumes da safra brasileira.

Mas a história desse modelo de produção (livre de agrotóxicos e de transgênicos) tem relevo não pelos volumes, mas como prova de que a prerrogativa da Lei de Biossegurança no Brasil não está sendo cumprida.

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Forte aumento na falsificação de agrotóxicos

28, junho, 2011 Sem comentários

VALOR ECONÔMICO, 28/06/2011

Fernando Lopes

A falsificação superou o contrabando e tornou-se a principal preocupação das empresas de defensivos que atuam no país no que se refere à proliferação de produtos ilegais no mercado.

Levantamento do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Agrícola (Sindag) mostra que as apreensões de agrotóxicos ilegais somarão praticamente 20 mil toneladas no primeiro semestre deste ano, 52% mais que em igual intervalo de 2010.

Segundo Fernando Henrique Marini, gerente do Sindag, as falsificações representaram metade das apreensões, sendo que quando esse tipo de crime começou a ganhar força no Brasil, há cerca de dez anos, o percentual não passava de 5% e o contrabando dominava.

“No caso do contrabando, indústria e autoridades uniram esforços desde meados da década passada, fiscalização e inteligência melhoraram e o problema diminuiu. Temos que fazer um trabalho semelhante para coibir a falsificação, que em geral é realizada no próprio país e segue outra lógica”, afirma Marini.

No caso dos produtos contrabandeados, as fronteiras de Paraná e Mato Grosso do Sul com o Paraguai continuam as principais portas de entrada, mas aumentou o movimento no Rio Grande do Sul. “Quando a fiscalização aperta, normalmente há uma mudança de rota”, observa o executivo.

E é em parte por causa disso que as falsificações têm aumentado. Para regiões de plantio de grãos e algodão em Mato Grosso e no Cerrado de Maranhão, Piauí, Tocantins e Bahia não há muitos roteiros alternativos e o transporte aéreo encarece as cargas ilegais, incentivando a mudança da prática criminosa.

Cálculos da Croplife International estimam que a indústria brasileira perde 9% de seu faturamento por causa dos produtos ilegais, contrabandeados ou falsificados. De acordo com a entidade, são cerca de US$ 660 milhões por ano em perdas.

Neste primeiro semestre, graças ao avanço das falsificações, Mato Grosso lidera o ranking de apreensões, com quase 7,9 mil toneladas. O Paraná vem em segundo lugar, de acordo com o Sindag, com mais de 7,2 mil toneladas, seguido pelo Rio Grande do Sul, com cerca de 2,6 mil.

“Além da fiscalização integrada [com participação da Polícia Federal], a campanha de estímulo às compras em canais seguros continua. E ela é fundamental, já que hoje em dia é possível encontrar e comprar produtos ilegais até pela internet”, conclui Marini.

 

Ibama flagra desmatamento com agrotóxico

28, junho, 2011 Sem comentários

O Ibama apreendeu na sexta-feira quatro toneladas de agrotóxicos que seriam utilizados para desmatar 3.000 hectares de floresta nativa da União em Novo Aripuanã, sul do Amazonas.

Folha de S. Paulo, 28/06/2011

Kátia Brasil

O único registro de uso de agrotóxico em desmatamentos no Estado ocorreu em 1999. Durante um sobrevoo, fiscais do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) encontraram uma área de 250 hectares, no município de Boca do Acre, já destruída por ação do veneno Tordon 2,4 D.

Pulverizados sobre a floresta, os agrotóxicos têm o poder de desfolhar as árvores.

“A floresta vira um grande paliteiro, facilitando o desmatamento. É o mesmo processo usado pelo exército norte-americano para encontrar os vietnamitas na guerra do Vietnã”, disse o superintendente do Ibama no Amazonas, Mário Lúcio Reis.

OPERAÇÃO

Os fiscais do Ibama monitoravam o envio da carga de Rondônia para Novo Aripuanã (227 km de Manaus) havia uma semana.

Na sexta-feira, os produtos foram apreendidos em uma região de floresta desabitada às margens do rio Acari (afluente do Madeira), que fica nos limites entre a RDS (Reserva de Desenvolvimento Sustentável) do Juma e uma propriedade de um fazendeiro de Rondônia.

Os produtos químicos estavam escondidos debaixo de uma lona. Na carga, foram identificados os agrotóxicos 2,4 D Amina 72, U46BR, Garlon 480 e óleo mineral. Eles são comercializados legalmente como herbicidas para matar ervas daninhas em plantações de arroz e milho.

O nome do fazendeiro, que já foi multado por desmatar floresta nativa em outra ocasião, está sob sigilo devido às investigações do novo crime ambiental. A multa pode chegar a R$ 2 milhões.

Reis afirma que os fiscais encontraram uma pista de pouso na fazenda, de onde partiria um avião pulverizador para jogar os agrotóxicos sobre a floresta.

QUEIMADAS

Ainda de acordo com o superintendente, após a pulverização as árvores que têm valor comercial são derrubadas com motosserras. “Depois, eles fazem queimadas para limpar o terreno. No lugar da floresta, o fazendeiro iria criar um grande pasto.”

Segundo o agrônomo e pesquisador do Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia) Hiroshi Noda, ao serem lançados sobre a floresta, os agrotóxicos contaminam solo, lençóis freáticos, animais e seres humanos.

“Eles causam uma reação química no metabolismo das árvores, provocando seu colapso imediato”, disse.

Noda afirmou que, meses após a pulverização dos agrotóxicos, a terra pode ser utilizada para pastagens.

UFSC debate impactos à saúde do milho Bt

27, junho, 2011 Sem comentários

Seminário divulga pesquisa sobre impactos dos transgênicos na saúde‏

http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=78139

O Centro de Ciências Agrárias da UFSC sedia hoje (27), um seminário sobre a resposta imunológica do consumo de alimentos transgênicos com a toxina Bt.

Essa toxina é produzida por plantas transgênicas que têm inserido em seu genoma o transgene Cry1Ab, modificado da bactéria Bacillus thuringiensis. A resposta imunológica está relacionada aos mecanismos adotados por organismos na defesa contra invasores externos.

O encontro é no auditório do CCA, Bloco B, Bairro Itacorubi, a partir de 16h30. Pesquisas com transgênicos são desenvolvidas junto ao Programa de Pós-Graduação em Recursos Genéticos Vegetais da UFSC há mais de 20 anos.

Os resultados do novo estudo serão apresentados pela pós-doutoranda italiana Elena Rocca, que faz um intercâmbio no Brasil. Sua pesquisa integra o Projeto de Pesquisa em Biossegurança de Organismos Geneticamente Modificados, executado em um convênio entre a UFSC e o Centre of Biosfety (Genok), vinculado à Universidade de Tromso, na Noruega.

O objetivo da pesquisadora da universidade norueguesa é verificar o impacto da toxina Bt na saúde. Para realizar o estudo, Elena Rocca alimentou 100 frangos com milho transgênico (Bt) e 100 frangos com milho orgânico no município de Campos Novos (SC).

Duas amostragens de sangue das aves foram analisadas nos laboratórios da UFSC. Posteriormente serão avaliados alguns órgãos do sistema digestivo das aves.

Esta é a primeira pesquisa realizada com o milho brasileiro. “Não existem estudos sobre o comportamento da proteína transgênica nas variedades de milhos cultivados no Brasil”, ressalta a doutoranda Sarah Agapito, que também integra o projeto de biossegurança.

Toxina BT – A toxina Bt produzida por plantas transgênicas é oriunda de um gene modificado da bactéria Bacillus thuringiensis. Esse evento transgênico foi desenvolvido para ser mais tolerante ao ataque de lagartas (insetos da Ordem Lepidoptera). No entanto, alguns estudos comprovam o efeito da toxina também em organismos que não são alvos. Um estudo canadense realizado por Azziz Aris e Samuel Leblanc, da Universidade de Quebec, por exemplo, constatou a presença da toxina no sangue de mulheres e fetos, comprovando que a substancia não é quebrada no intestino, portanto pode ser prejudicial também a outros organismos.

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Mais informações: Pós Graduação em Recursos Genéticos Vegetais (48) 3721-5333 / 8823-7793 (Sarah Agapito, doutoranda do Programa de Pos-Graduação em Recursos Genéticos Vegetais)

(Ascom UFSC)

Encontro Regional das Agrárias – UFPA Marabá

21, junho, 2011 Sem comentários

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Agricultor contaminado com grandes quantidades de agrotóxico

21, junho, 2011 Sem comentários

Tradução de Antonio Andrioli

Cientistas de Leipzig descobriram teores elevados do herbicida glifosato em um fazendeiro da Saxônia. A quantidade encontrada é mil vezes superior à média de outras amostras, afirmou a veterinária e microbiologista Monika Krueger, da Universidade de Leipzig para a revista Exakt, da rede MDR de notícias. A  professora Monika Krueger considera que os índices encontrados na urina do agricultor são preocupantes.

O glifosato é o herbicida mais utilizado mundialmente no controle de ervas daninhas. Milhares de toneladas são pulverizadas nos campos, só na Alemanha. Organizações ambientalistas vêm alertando há anos para potenciais problemas de saúde  provocados pelo glifosato e seus aditivos.

A consultora de Preservação Ambiental e Transgênicos da NABU (Sociedade de Preservação Ambiental da Alemanha), Steffi Ober, avalia o uso do glifosato como sendo uma espécie de “teste cego em toda a população.”

Especialistas suspeitam que o envenenamento com glifosato abre um perigoso caminho para bactérias causadoras de botulismo; bactérias que normalmente não prejudicam seres humanos saudáveis. O referido agricultor, no caso, vem sofrendo há algum tempo intensos distúrbios nervosos (causados pela toxina de uma bactéria, Clostridium botulinum).

Os sintomas do agricultor agora podem ser esclarescidos como sendo decorrentes de  uma intoxicação causada pela toxina botulínica simultânea à contaminação com glifosato. Segundo a Prof Monika Krüger: “Esta é nossa primeira hipótese: de que se trata de  um efeito resultante da ação do glifosato.”

Os cientistas agora estão analisando mais pessoas com relação a possíveis efeitos do herbicida.

Landwirt mit extremen Mengen Pflanzengift belastet

VII Congresso Brasileiro de Agroecologia

20, junho, 2011 Sem comentários

Ética na Ciência: Agroecologia com paradigma para o desenvolvimento rural

12 a 16 de dezembro de 2011, Fortaleza – Ceará

www.ematerce.ce.gov.br/cba2011

 

A Associação Brasileira de Agroecologia (ABA) vem realizando desde 2003 o Congresso Brasileiro de Agroecologia (CBA), ganhando cada vez mais importância em nível nacional e internacional. A sétima edição do Congresso Brasileiro de Agroecologia (VII CBA) será realizada na cidade de Fortaleza, capital do Estado do Ceará, numa parceria entre a Associação Brasileira de Agroecologia (ABA), o Governo do Estado do Ceará, através da Secretária de Desenvolvimento Agrário (SDA), a Universidade Federal do Ceará, através do Centro de Ciências Agrárias, Centro de Ciências, Centro das Humanidades e Centro de Saúde, a Universidade Estadual do Estado do Ceará (UECE), a Empresa de Assistência Técnica de Extensão Rural do Ceará (EMATER – CE), a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA) – com suas Unidades no Nordeste – Agroindústria Tropical, Tabuleiros Costeiros, Semiárido, Algodão e Ovino Caprinos – a Federação dos Trabalhadores e das Trabalhadoras Rurais no Estado do Ceará (FETRAECE), a Fundação Konrad Adenauer, o Núcleo de Trabalho Permanente em Agroecologia da Federação dos Estudantes de Agronomia do Brasil (FEAB), o Fórum Cearense pela Vida no Semiárido, a Rede Cearense de ATER, a Associação da Rede Cearense de Agroecologia – ARCA e outras entidades.

O VII CBA tem o objetivo de promover o intercâmbio entre cientistas, estudantes, agricultores familiares e suas representações, organizações não-governamentais, instituições governamentais, movimentos sociais do campo e da cidade, fomentando a construção do conhecimento agroecológico por meio do diálogo dos dos saberes acadêmicos e dos (das) agricultores (as) de forma holística. O VII CBA proporcionará uma articulação maior da Agroecologia no Nordeste e no Brasil, dando visibilidade aos projetos exitosos, que poderão ser referências para outros estados e regiões do país e impulsionando trabalhos acadêmico-empíricos nas Universidades e instituições de pesquisa e extensão.

O prazo para a inscrição de trabalhos técnicos-científicos e experiências agroecológicas será de 30 de junho a 30 de julho.

Informações: <http://www.ematerce.ce.gov.br/cba2011>

Contato: cbagroecologia2011@gmail.com

 

Glifosato, duas décadas de mentiras de empresas e governos

20, junho, 2011 1 comentário

por Graciela Gomez

Associación Argentina de Periodistas Ambientales (AAPA)

17/06/2011

Uma longa e controvertida sequência de decisões e cumplicidades desembocaram no modelo agropecuário da monocultura. Além do mais, o tempo mostrou a existência de uma metodologia que conta com a participação de políticos, juízes, médicos e jornalistas, que são os atores necessários nessa partilha. Todos sabem que os agrotóxicos são utilizados em quantidade e sobre as populações, e também que produzem efeitos letais à saúde.

Um relatório publicado pelo Departamento de Agricultura dos EUA e pelo Serviço Nacional de Estatísticas Agrícolas dá conta que o uso do herbicida glifosato aumentou nos últimos anos, enquanto que o uso de outros produtos químicos, inclusive mais tóxicos ainda como a atrazina (1), não diminuiu. Contrariando as afirmações comuns dos fabricantes, o uso do glifosato disparou em relação à quantidade utilizada há apenas cinco anos.

O milho do estado de Nebraska, nos EUA, experimentou um crescimento no uso de glifosato de cinco vezes em somente sete anos. Por outro lado, o uso generalizado da atrazina é uma preocupação, devidos às ligações dessa substância química com graves efeitos sobre a saúde humana, incluindo malformações de nascimento. A resistência das pragas tem levado os agricultores a depender cada vez mais de misturas tóxicas, incluindo alternativas como a atrazina. Também houve uma ação maior por parte das empresas no sentido de pesquisar variedades de sementes que sejam resistentes aos tratamentos herbicidas múltiplos, tais como o glifosato e 2,4-D, ou glifosato e acetocloro.

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OS AGROTÓXICOS E AS SEMENTES TRANSGÊNICAS

20, junho, 2011 Sem comentários

Prof. Athen Teixeira Filho, da UFPEL, Pelotas-RS, junho de 2011.

 

“Agrotóxico” é um tema sobre o qual poderíamos debater horas ou dias, manifestar opiniões favoráveis ou contra, recomendar o uso ou não, entretanto, independente deste fato, eles são o que são; venenos sintéticos de alta potencialidade produzidos pelo homem para “matar pragas”. Aliás, como negar o óbvio expresso no próprio nome? São biocidas – matam tudo o que tem vida!

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Produção e preservação de sementes crioulas

17, junho, 2011 Sem comentários

Agricultura familiar é a grande aposta para os alimentos saudáveis

A União das Associações Comunitárias do Interior de Canguçu (Unaic), no Rio Grande do Sul, decidiu apostar na agricultura familiar e na conservação das sementes crioulas como a melhor forma de proteger os recursos genéticos vegetais brasileiros.

Uma reportagem sobre experiência será exibida no programa Mobilização, da TV Brasil, neste sábado (18), às 9h.

http://tvbrasil.org.br/novidades/?p=24727

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RS: Transgênico avança no Troca-Troca

17, junho, 2011 Sem comentários

Correio do Povo, 17/06/2011

Dados preliminares divulgados nesta quinta-feira (16) pela Secretaria de Desenvolvimento Rural e Cooperativismo do Rio Grande do Sul apontam que 182,5 mil agricultores solicitaram 316,3 mil sacas de 20 kg de sementes de milho por meio do Programa Troca-Troca. Deste total, 5,8% correspondem a material transgênico.

O secretário, Ivar Pavan, explica que o período para realização de pedidos encerrou na segunda-feira, mas os dados poderão ser enviados até a próxima terça-feira. É que aproximadamente 30 entidades ainda não enviaram as solicitações devido a problemas na transmissão dos dados pela Internet. Apesar disso, a secretaria mantém a previsão de distribuir as sementes nos municípios a partir do mês de julho.

Mesmo sem concluir o levantamento, é possível perceber que o percentual de solicitação de materiais transgênicos aumentou em relação ao ano passado. Em 2010, o governo estadual distribuiu 348 mil sacas por meio do programa, sendo 2% delas geneticamente modificadas. A cultivar, resistente à lagarta, também é mais cara que a utilizada habitualmente. O valor da saca de semente de milho híbrido é de R$ 88,00. Já o custo da saca de 20kg de semente transgênica é de R$ 178,00. Por isso, o agricultor interessado nessa variedade deve pagar a diferença de R$ 90,00 por saca de 20 kg, no ato do pedido.

 

Mercadante veta redução de prazo para liberação de transgênicos

17, junho, 2011 Sem comentários

Valor Econômico, 17/06/2011

Ministro veta redução de prazo para liberação de transgênicos

O ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, interveio diretamente ontem na Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) ao rejeitar a redução dos prazos máximos de análise de liberação comercial de organismos geneticamente modificados no país. A alteração, feita no novo regimento do colegiado e aprovada pelo plenário da comissão em maio, transformou o prazo mínimo de 90 dias em prazo máximo para análise dos relatores. Sob o argumento de respeito a questões legais, Mercadante vetou a redução dos prazos e pediu “pluralidade” nas discussões sobre a liberação dos transgênicos.

Além da inédita intervenção, o ministro deu novos contornos à atuação da comissão, delimitando o terreno ao grupo majoritário “pró-transgênicos” e determinando o “amplo debate” como regra geral nas próximas reuniões da CTNBio. Foi a primeira vez que Mercadante esteve na reunião da comissão em seis meses de gestão. “Quando vi as mudanças [no regimento], pedi não a interferência do MCT, mas uma avaliação com segurança. Não podemos agredir o espírito ou a essência da lei. Há procedimentos para o uso de transgênicos”, afirmou o ministro aos membros da comissão. “As mudanças no regimento têm que ter amplo debate e consenso, além de assegurar questões legais”. E defendeu o “direito de obstruir” as liberações da minoria que discorda da celeridade na avaliação dos processos. “A maioria tem interesse em dar mais agilidade, mas a minoria tem direito de obstruir. É um instrumento de negociação da minoria”, afirmou, comparando o caso ao processo legislativo.

Pouco antes, o presidente da CTNBio, Edilson Paiva, havia dito que o ministro fora “mal orientado” por sua assessoria ao decidir pelo veto às mudanças no regimento. “Ele foi mal orientado, propôs manter o prazo anterior, mas encurtou em 30 dias porque [o prazo máximo] passou de 120 dias para 90 dias. Ele foi mal assessorado. Não vamos mais mexer nisso”. As críticas provocaram constrangimento entre os membros. A posição de Mercadante surpreendeu aos membros da comissão. Em geral, os ministros de Ciência e Tecnologia, ao qual a CTNBio está vinculada, sempre foram mais simpáticos, quando não entusiastas, dos produtos transgênicos, como o ex-ministro Sergio Rezende.

Pela primeira vez, um ministro faz apelos por divergências internas e disputas em nome da transparência. “Vamos manter o diálogo, a disputa entre agricultura e meio ambiente, entre a pressa e a cautela, ou até com quem é contra. Isso é melhor do que ouvir um lado só. Vamos avaliar os dois polos. Não podemos render uma à outra. Seria um erro histórico”, afirmou. Mercadante disse que mudanças no regimento interno precisam seguir um rito. “Isso preserva a comissão na legalidade e o MCT na defesa da lei. Se quiserem mudar, peço antes uma consulta à área jurídica, um parecer jurídico prévio do MCT”, orientou o ministro. E reafirmou a necessidade de “cuidados indispensáveis” para evitar “atropelos”, uma velha reivindicação de ONGs de defesa do consumidor e dos ambientalistas.

Em sua participação, Mercadante defendeu posições que modificam as relações internas da CTNBio. “Vai ser um espaço de disputa de convicções, mas com amplo espaço para debate. Precisamos de rigor científico com pluralidade e cuidado na análise. Mas também manter o calor do debate e a divergência para avançar nesta fronteira do conhecimento”. E foi além no redesenho do colegiado: “Além de aprovar ou vetar transgênicos, o papel desse fórum é aprimorar as políticas públicas”, disse. “Nas sementes transgênicas, tem gente que acha que o risco já está posto. Não tivemos, até agora, nenhum problema. Mas vamos ser rigorosos, debater e respeitar a pluralidade para dar segurança a quem consome alimentos do Brasil”. O ministro lembrou as barreiras não tarifárias impostas à agricultura brasileira. “O rigor é a garantia para o futuro. Essa comissão tem que ser bastante rigorosa com segurança”.

Mercadante pediu transparência e disse que enviará cartas a outros ministros para recompor ausências na composição da CTNBio.

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Rio em bloco contra o novo código florestal

14, junho, 2011 Sem comentários

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