Arquivo

Arquivo de julho, 2012

Ibama alerta para produtos tóxicos para as abelhas

30, julho, 2012 Sem comentários

Para inseticidas à base de Imidacloprido, Tiametoxam, Clotianidina ou Fipronil fica proibida a pulverização aérea e seus rótulos devem passar a trazar a informação: “Este produto é toxico para abelhas. A aplicação aérea NÃO É PERMITIDA. Não aplique este produto em época de floração, nem imediatamente antes do florescimento ou quando for observada visitação de abelhas na cultura.”

Estudos associam esses produtos ao crescente fenômeno do desaparecimento das abelhas.

Abaixo segue íntegra do Comunicado do IBAMA publicado no DOU dia 19/07/2012, que apresenta as marcas comerciais desses produtos e trata de seu processo de reavaliação.

Categories: agrotóxicos Tags: , ,

Cumadre Kátia

30, julho, 2012 Sem comentários

Saiu sábado passado na coluna do Jorge Bastos Moreno n’O Globo:

“Kátia Abreu não sai mais do Palácio do Planalto. Recentemente, almoçou com Gleisi, depois com Helena Chagas. Na segunda-feira, visitou Dilma. Levou flores e chocolate.”

O título da nota era “Ministra”. É Kátia Abreu cada vez mais próxima do Bloco D da Esplanada…

Já uma matéria da Gazeta do Povo (31/07) informa que Dilma pretende fazer mudanças no seu ministério após as eleições municipais. Esse movimento abriria espaço para a ruralista Kátia Abreu, que, segundo o jornal gaúcho, “é considerada uma peça fundamental pelo Planalto para a aprovação do Código Florestal neste segundo semestre.”

Categories: editorial Tags:

Magé lança Feira de Agricultura Familiar

30, julho, 2012 Sem comentários

Consumidor poderá encontrar produtos frescos vendidos por 48 agricultores da região

Piabetá, 27/07/2012

Pela primeira vez Magé receberá a Feira da Agricultura Familiar, onde serão oferecidos produtos frescos produzidos no município. O projeto será inaugurado neste sábado, 28 de Julho, na Rua São Fidélis, localizada no centro de Piabetá (6° distrito de Magé). O horário de funcionamento da feira será das 7h às 15h e acontecerá todos os sábados.

Na Feira da Agricultura Familiar o consumidor encontrará frutas, legumes, verduras, plantas ornamentais, mudas, artesanato, produtos da agroindústria familiar, alimentos prontos para serem consumidos, caldo de cana e o atendimento será feito pelos próprios agricultores, responsáveis pela produção.

A Feira da Agricultura Familiar é uma iniciativa conjunta entre a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Agricultura, EMATER-Magé e da Organização Não-Governamental AS-PTA (Assessoria e Serviços a Projetos em Agricultura Alternativa), atendendo a uma solicitação apresentada pelas cooperativas e associações de produtores rurais de Magé. O projeto conta ainda com o apoio do Banco do Brasil, Petrobrás, Ministério do Desenvolvimento Social e dos governos Federal e Estadual.

Segundo o secretário de agricultura, Aloísio Sturm, “esta é uma boa oportunidade para o consumidor encontrar produtos frescos e saudáveis a um preço justo e de conhecer aqueles que são responsáveis pelo cultivo destes produtos em nosso município” explicou.

A agricultura é ponto forte de Magé

Magé possui um distrito exclusivamente agrícola que abrange 75,9 Km², de um total de 386,80 km² que compõe todo o município, e é o maior produtor de tubérculos no estado. Os tubérculos são vegetais que geram os frutos abaixo da superfície, como batata, aipim e inhame. Cerca de 900 produtores são responsáveis pelo cultivo de alimentos distribuídos em mais 1,1 milhão de caixas a cada ano.

Com volume expressivo que atinge a marca de 20 milhões de quilos produzidos em 160 Km² de área rural explorada no município, o que corresponde à fatia de um pouco mais que 40% do território total, Magé apresenta expressivo potencial econômico na agricultura.

Categories: agroecologia, alimentação Tags: ,

Mutações em pragas ameaçam eficácia dos transgênicos

28, julho, 2012 Sem comentários

Um novo estudo mostra que as mutações genéticas que levam os insetos praga a desenvolver resistência às plantas transgênicas podem ser muito mais diversas em condições de campo do que nos testes de laboratório. Estes são frequentemente usados visando o desenvolvimento de estratégias que possam evitar a emergência da resistência nas pragas, mas as novas evidências indicam que tais testes podem ser insuficientes. A pesquisa foi publicada no Proceeding of the National Academy of Sciences (PNAS).

Haonan Zhang, pesquisador da Nanjing Agricultural University, China, e sua equipe, investigaram as mutações genéticas de Helicoverpa armigera em áreas de algodão transgênico no norte do país e descobriram que a lagarta apresenta mutações genéticas mais diversas do que antes imaginado, permitindo-a sobreviver, potencialmente, nas culturas transgênicas.

Assim como nas mutações recessivas já observadas em estudos de laboratório, os pesquisadores identificaram também mutações dominantes que podem blindar as lagartas da ação de toxinas como o Bacillus thuringiensis (Bt) – bactéria de solo que produz uma toxina letal a organismos com sistema digestivo alcalino [e que é usado nas plantas transgênicas] – e outros inseticidas. A dominância na mutação significa que uma única cópia do gene seria suficiente para conferir resistência nos descendentes da praga.

Isso também pode significar que o recomendado plantio de áreas de refúgio para a multiplicação dos insetos em plantas convencionais também pode ser menos eficaz do que se imaginava.

“A resistência dominante é mais difícil de se manejar e não pode ser prontamente reduzida pelo refúgio, que são úteis para quando a resistência é recessiva”, disse Bruce Tabashnik, co-autor do estudo e chefe de Entomologia da Universidade do Arizona.

Tabashnik acrescentou que para além das mutações conhecidas, a equipe achou muitas outras mutações, a maioria no mesmo gene, mas uma em um gene completamente diferente.

Graham Head, chefe da gestão global de resistência de insetos da Monsanto disse ao SciDev.Net que a detecção precoce de resistência é um objetivo importante, mas afirmou que o estudo de Zhang não estabelece uma relação direta entre esses novos mecanismos genéticos e a real capacidade da larva de sobreviver nas plantações de algodão.

Adaptado de Scidev.net, 26/07/2012.

Link to the report abstract

 

Apicultores conseguem impedir soja transgênica no sudeste do México

27, julho, 2012 1 comentário

Adaptado de La Jornada, 23/07/2012.

Com uma decisão judicial favorável, apicultores mexicanos conseguiram barrar o plantio de 253 mil hectares de soja transgênica nos distritos de Campeche, Quintana Roo, Yucatán, Tamaulipas, San Luis Potosí, Veracruz e Chiapas, região sudeste do País.

Em nota, 59 organizações de apicultores, agricultores, ambientalistas e ONGs defendem que a decisão estabelece precedente para que se continue exigindo a suspensão definitiva das autorização emitidas pela Secretaria de Agricultura (Sagarpa) à Monsanto. As organizações acrescentam que não desistirão de lutar por uma agricultura livre de transgênicos e esperam sentenças favoráveis nas ações referentes a Chiapas, Quintana Roo e Yucatán.

“Os produtores interessados na soja transgênica correm risco de investir nesse tipo de cultivo pois existe aqui uma forte oposição e luta legal e política para que o país seja decretado zona livre de transgênicos”, alertam as entidades.

O pantio da soja da Monsanto afetaria cerca de 25 mil famílias que vivem da apicultura, sendo que empresas europeas reduziram as compras de mel procedente de Yucatán e Quintana Roo até que se comprove que o produto está livre de transgênicos. Ademais, o preço baixou entre 300 e 400 dólares por tonelada.

Entre 1998 e 2009 a Monsanto realizou plantios experimentais. Em maio deste ano a Sagarpa liberou o plantio comercial da soja modificada, que inclui o uso de 13 mil toneladas de sementes.

 

Ibama reavalia agrotóxicos e sua relação com o desaparecimento de abelhas no país

26, julho, 2012 Sem comentários

Agência Brasil, 25/07/2012  | por Carolina Gonçalves

Brasília – Mesmo na ausência de levantamentos oficiais, alguns registros sobre a redução do número de abelhas em várias partes do país, em decorrência de quatro tipos de agrotóxico, levaram o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) a restringir o uso de importantes inseticidas na agropecuária brasileira, principalmente para as culturas de algodão, soja e trigo.

Além de reduzir as formas de aplicação desses produtos, que não podem ser mais disseminados via aérea, o órgão ambiental iniciou o processo de reavaliação das substâncias imidacloprido, tiametoxam, clotianidina e fipronil. Esses ingredientes ativos foram apontados em estudos e pesquisas realizadas nos últimos dois anos pelo Ibama como nocivos às abelhas.

Segundo o engenheiro Márcio Rodrigues de Freitas, coordenador-geral de Avaliação e Controle de Substâncias Químicas do Ibama, a decisão não foi baseada apenas na preocupação com a prática apícola, mas, principalmente, com os impactos sobre a produção agrícola e o meio ambiente.

Estudo da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO), publicado em 2004, mostrou que as abelhas são responsáveis por pelo menos 73% da polinização das culturas e plantas. “Algumas culturas, como a do café, poderiam ter perdas de até 60% na ausência de agentes polinizadores”, explicou o engenheiro.

A primeira substância a passar pelo processo de reavaliação será o imidacloprido, que responde por cerca de 60% do total comercializado dos quatro ingredientes sob monitoramento. A medida afeta, neste primeiro momento, quase 60 empresas que usam a substância em suas fórmulas. Dados divulgados pelo Ibama revelam que, em 2010, praticamente 2 mil toneladas do ingrediente foram comercializadas no país.

A reavaliação é consequência das pesquisas que mostraram a relação entre o uso desses agrotóxicos e a mortandade das abelhas. De acordo com Freitas, nos casos de mortandade identificados, o agente causal era uma das substâncias que estão sendo reavaliadas. Além disso, em 80% das ocorrências, havia sido feita a aplicação aérea.

O engenheiro explicou que a reavaliação deve durar, pelo menos, 120 dias, e vai apontar o nível de nocividade e onde está o problema. “É o processo de reavaliação que vai dizer quais medidas precisaremos adotar para reduzir riscos. Podemos chegar à conclusão de que precisa banir o produto totalmente, para algumas culturas ou apenas as formas de aplicação ou a época em que é aplicado e até a dose usada”, acrescentou.

Mesmo com as restrições de uso, já em vigor, tais como a proibição da aplicação aérea e o uso das substâncias durante a florada, os produtos continuam no mercado. Juntos, os agrotóxicos sob a mira do Ibama respondem por cerca de 10% do mercado de inseticidas no país. Mas existem culturas e pragas que dependem exclusivamente dessas fórmulas, como o caso do trigo, que não tem substituto para a aplicação aérea.

Hoje (25), o órgão ambiental já sentiu as primeiras pressões por parte de fabricantes e produtores que alertaram os técnicos sobre os impactos econômicos que a medida pode causar, tanto do ponto de vista da produção quanto de contratos já firmados com empresas que fazem a aplicação aérea.

Freitas disse que as reações da indústria são naturais e, em tom tranquilizador, explicou que o trabalho de reavaliação é feito em conjunto com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e com o Ministério da Agricultura – órgãos que também são responsáveis pela autorização e registro de agrotóxicos no país. “Por isso vamos levar em consideração todas as variáveis que dizem respeito à saúde pública e ao impacto econômico sobre o agronegócio, sobre substitutos e ver se há resistência de pragas a esses substitutos e seus custos”, explicou o engenheiro.

No Brasil, a relação entre o uso dessas substâncias nas lavouras e o desaparecimento de abelhas começou a ser identificada há pouco mais de quatro anos. O diagnóstico foi feito em outros continentes, mas, até hoje, nenhum país proibiu totalmente o uso dos produtos, mesmo com alguns mantendo restrições rígidas.

Na Europa, de forma geral, não é permitida a aplicação aérea desses produtos. Na Alemanha, esse tipo de aplicação só pode ser feito com autorização especial. Nos Estados Unidos a aplicação é permitida, mas com restrição na época de floração. Os norte-americanos também estão reavaliando os agrotóxicos compostos por uma das quatro substâncias.

Edição: Lana Cristina

 

Categories: agrotóxicos Tags: , ,

À direita

25, julho, 2012 Sem comentários

Ministério da Agricultura lança comitê estratégico com personalidades do agronegócio

Na primeira reunião, o ministro Mendes Ribeiro Filho disse que o colegiado vai auxiliar na elaboração de uma agenda estratégica para fortalecer o agronegócio nacional.

::

Repare: Kátia Abreu cada vez mais perto do governo (o vice Michel Temer já a convidou para se filiar ao PMDB);

Agora, imagine se o combalido MDA propusesse algo semelhante, reunindo os movimentos sociais para debater uma agenda estratégica para fortalecer a agricultura familiar? Não é difícil imaginar que o clima que levou ao golpe no Paraguai se espalharia por aqui.

Enquanto isso, Pelé faz as vezes de garoto propaganda da CNA.

E a reforma agrária continua parada…

Agência Brasil, 24/07/2012.

Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) lançou nesta segunda-feira (23), em Brasília, o Comitê Estratégico do Agronegócio.

Fazem parte do comitê parlamentares, personalidades do agronegócio e do mundo empresarial, a exemplo do empresário Jorge Gerdau e da senadora Kátia Abreu (PSD-TO), presidenta da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), além de ex-ministros da Agricultura, como Antonio Delfim Netto (governo João Figueiredo), Alysson Paulinelli (governo Ernesto Geisel), Marcus Vinicius Pratini de Moraes (governo Fernando Henrique Cardoso) e Roberto Rodrigues (governo Luiz Inácio Lula da Silva).

O grupo se reunirá duas vezes por ano, nos meses de abril e novembro, para a definição de políticas agrícolas, indicadores e metas de desempenho e fixação de diretrizes. Além dessas ações, o comitê também é responsável por avaliar e acompanhar as ações de governo aplicadas ao desenvolvimento e sustentabilidade do agronegócio nacional.

Além dos 15 integrantes divulgados no último dia 20, no Diário Oficial da União, o comitê estratégico será integrado ainda por outros dois membros indicados pelo Senado Federal. A iniciativa faz parte da programação de aniversário de 152 anos do ministério, que vai ser comemorado no próximo dia 28.

Entre os presentes ao evento de lançamento do comitê estavam integrantes como os ex-ministros Alysson Paulinelli, Marcus Vinícius Pratini e Roberto Rodrigues, o senador Waldemir Moka (PMDB-MS), e os deputados Edinho Araújo (PMDB/SP) e Homero Pereira (PSD/MT), além de representantes de associações do setor.

Cada participante recebeu uma cópia do Plano de Ações Estratégicas do Mapa para os anos de 2012 a 2014. Segundo Mendes Ribeiro Filho, o plano é um instrumento que alavancará as ações de crescimento na agricultura brasileira. A próxima reunião está marcada para daqui a 45 dias, mas ainda não tem local definido.

Pioneira da agroecologia receberá prêmio mundial

23, julho, 2012 Sem comentários

TÂNIA RABELLO  | Agência Estado, 22/07/2012

A modéstia permeia as declarações da engenheira agrônoma Ana Primavesi quando ela se refere ao One World Award – o principal prêmio da agricultura orgânica mundial, conferido pela International Federation of Organic Agriculture Movements (Ifoam). Neste ano, foi ela a escolhida para receber a homenagem, na Alemanha.

“Eles distribuem o prêmio entre os vários continentes. Agora, foi a vez da América do Sul”, comenta uma das precursoras do movimento orgânico no Brasil. “Estão me premiando por toda parte… Não sei para que isso”, acrescenta, quase encabulada.

E ouve, em seguida, que a homenagem que receberá no dia 14 de setembro, com a participação de mais de mil pessoas, entre elas a vencedora do prêmio Nobel Alternativo da Paz, a indiana Vandana Shiva, é mais do que merecida, pelo trabalho que vem fazendo, há 65 anos, pela agricultura ecológica, auxiliando lavradores a tornarem suas terras produtivas e limpas, em harmonia com o ambiente, eliminando o uso de agrotóxicos e adubos químicos.

“Pois é… Pelo jeito…”, sorri Ana Primavesi, que arremata: “Dizem que eu inventei a agricultura orgânica. Conscientemente, não. A gente sempre trabalhou dessa forma”.

Impactos positivos

Instituído em 2008, o One World Award é conferido a cada dois anos a ativistas da agricultura orgânica no mundo. São pessoas cujo trabalho impacte positivamente a vida dos produtores rurais.

Em 2008, quem ganhou o prêmio foi o veterinário e professor alemão Engelhard Boehncke, por suas práticas e estudos em relação à criação orgânica de animais. Há dois anos, foi a vez do indiano pioneiro em agricultura orgânica Bhaskar Salvar, que, logo no início da década de 1950, contrapôs-se à Revolução Verde – que inaugurou o uso de adubos sintéticos e agrotóxicos nas lavouras -, ensinando agroecologia aos produtores, com o uso de fertilizantes orgânicos, a manutenção da vida no solo e o fortalecimento das plantas por meio de um ambiente equilibrado.

Neste ano, Ana Primavesi será a agraciada. Aos 92 anos, austríaca naturalizada brasileira, formada pela Universidade Rural de Viena, é Ph.D. em Ciências Agronômicas e especializada em vida dos solos. Publicou vários artigos científicos e livros sobre o assunto, mas um deles, Manejo Ecológico do Solo (Editora Nobel, 552 páginas, reeditado mais de 20 vezes), é uma das bíblias da produção orgânica e leitura obrigatória nas faculdades de Agronomia do País.

A obra é citada no livro Plantas Doentes pelo Uso de Agrotóxicos, de Francis Chaboussou, no qual prova que pragas e doenças não atacam plantas cujos sistemas estejam equilibrados. E que são os adubos químicos e os agrotóxicos que atraem os parasitas, gerando um ciclo de dependência, com nefastas consequências para o planeta.

Preservação

Desde 1947, quando iniciou sua vida profissional, e por meio de aulas na Universidade Federal de Santa Maria (RS), Ana Primavesi vem batendo na tecla da preservação da vida no solo. Em aulas, palestras, conferências, debates, assistências técnicas diretas aos produtores rurais e a suas associações, a engenheira agrônoma repete frases que se tornaram mantras.

E quem as coloca em prática vê os resultados na produção, na preservação e na saúde de quem planta e de quem consome os alimentos agroecológicos: “O segredo da vida é o solo, porque do solo dependem as plantas, a água, o clima e nossa vida. Tudo está interligado. Não existe ser humano sadio se o solo não for sadio e as plantas, nutridas.”

Observação

Tanto que a primeira coisa que ensina aos agricultores que a procuram é olhar para a terra. “Se o solo tem uma boa estrutura, o agricultor tem grande chance de modificá-lo e convertê-lo para a agricultura orgânica”, diz. “Terra com boa estrutura forma grumos, que nada mais são que o entrelaçamento de microrganismos que conferem vida ao solo e saúde às plantas, além de permitirem a infiltração da água. Em solos compactados e sem vida, água vira enxurrada e provoca erosão.”

Ana Primavesi lembra que uma planta precisa de no mínimo 45 nutrientes para se desenvolver e produzir de forma saudável. “A agricultura convencional dá, no máximo, 15 desses nutrientes para as plantas. E nem sempre esses 15 nutrientes são integralmente ministrados às lavouras convencionais”, diz.

O resultado são plantas deficientes nutricionalmente e frágeis aos ataques de pragas e doenças, dependentes, portanto, do uso de agrotóxicos.

É justamente a maneira de devolver esses nutrientes ao solo que Ana Primavesi ensina aos agricultores. Ela lembra de agricultores na cidade de Diamantina, em Minas Gerais, que há cerca de 15 anos a procuraram porque já não conseguiam produzir com o pacote convencional.

“Eles estavam a desanimados, quase falindo, porque a cada ano a terra respondia menos às adubações”, conta. “Começamos a melhorar o solo e a qualidade dos nutrientes, passando a aplicar adubações orgânicas”, continua. “Demorou uns quatro a cinco anos, mas agora eles produzem com fartura. Há uns anos voltei lá e vi como estavam felizes com a produção orgânica”, conta Ana, ressaltando que a recompensa sempre vem. “O problema é que ela não é rápida, e muitos desistem.”

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Categories: agroecologia Tags:

A experiência paraguaia interessa a todos os sul-americanos

18, julho, 2012 Sem comentários

O que significa essa queda sem resistência? A experiência paraguaia interessa a todos os sul-americanos. Mais vale pensar nela e preparar-se do que se deixar surpreender.

 

A queda de um presidente, por Daniel Aarão Reis

O Globo, 17/07/2012

Na sexta-feira, 22 de junho passado, foi deposto o presidente do Paraguai, Fernando Lugo. Um processo-relâmpago: a Câmara dos Deputados aprovou o impeachment por 73 votos a 1. Menos de 24 horas depois, o Senado, por 39 votos a 4, confirmou o veredito. Em quase 32 horas, um presidente eleito de menos na América do Sul.

Um processo legal? Ou uma nova modalidade de golpe de Estado?

Os que depuseram o presidente alegam que respeitaram a Lei e a Constituição. No mesmo sentido foi a decisão da Suprema Corte, confirmando a decisão do Parlamento.

Uma avaliação sujeita a controvérsias.

Luis Lezcano Claude, ex-ministro da Corte Suprema, apontou o caráter vago e a incongruência das cinco acusações formuladas contra Lugo: um ato politico realizado num quartel do exército, configurando instrumentalização das forças armadas; a assinatura de um protocolo internacional (Ushuaia II) que atentaria contra a soberania do país; invasões de terras; crescente insegurança social; um choque armado em Curuguaty, onde perderam a vida dezessete pessoas, entre policiais e camponeses, em torno de uma questão de terras.

As duas primeiras acusações primam pela inconsistência: o ato diplomático sequer entrara em vigor, pois dependente de aprovação do próprio Parlamento; a reunião política em recinto das forças armadas ocorrera em 2009 e não se repetira.

Restou a questão maior da reforma agrária que, embora não referida explicitamente, tem suscitado, de fato, inquietação e lutas sociais. Não à-toa, nas razões finais formuladas pelo Senado, o presidente foi formalmente acusado de “complacência com a agitação agrária” e de “fomentar a luta de classes”. Em nenhum momento, porém, evidências factuais foram trazidas à consideração.

Outra questão essencial teria sido igualmente desconsiderada: o direito de defesa. Assegurado nas leis e na Constituição, foi atropelado pelo Parlamento. Sempre segundo Lezcano Claude, o prazo para preparar as alegações e apresentá-las oralmente — trinta minutos — foi “ínfimo ao ponto de determinar a irrelevância desta etapa”.

Também de nada valeram as pressões diplomáticas que tentaram deter o processo invocando a Convenção Americana sobre Direitos Humanos, no referente ao direito de defesa, e em especial a existência da Cláusula de Compromisso com a Democracia, constante nos protocolos assinados no âmbito do Mercosul, e reafirmados pelo tratado que constituiu a União das Nações Sul-Americanas/Unasul. Foi tudo em vão.

Assim como o argumento — jocoso — de que um motorista flagrado pela polícia de trânsito do Paraguai tem cinco dias para se defender. Quase cinco vezes mais do que todo o processo que resultou na deposição do presidente.

Assim, o que houve no Paraguai foi uma espécie de “golpe branco”, desferido através do Parlamento, sob a cobertura — inconsistente e farisaica — de normas legais que, de fato e de direito, foram desrespeitadas. Como observou a historiadora argentina Liliana Brezzo, mais que uma ação arbitrária contra um presidente, um golpe — mais um. E quem o sofreu, mais que um presidente, foi a história do Paraguai.

A questão é saber: apenas a história do Paraguai?

Há, evidentemente, aspectos singulares, e, portanto, irrepetíveis em outras latitudes. Mas não é preciso uma lente de aumento para perceber o contexto histórico em que se inseriu este golpe recente.

Desde o início do século, já houve outras tentativas: Venezuela (2002), Bolívia (2008), Honduras (2009), Equador (2010), envolvendo em doses diferentes violência, arbitrariedade e “recursos legais”.

Em todos estes episódios, evidenciou-se a presença de forças conservadoras que se recusam a conviver com a democratização das instituições e com a atenuação das desigualdades sociais. Conservam posições decisivas na economia, nas forças armadas, na polícia, nos parlamentos, na grande mídia, nos tribunais, nas universidades e nas alturas da administração pública. Opõem-se a reformas e para isto mostram-se dispostas a recorrer a golpes — legais ou ilegais, democráticos ou não. Tais forças já demonstram seu “cansaço” com a democracia atualmente existente, o que dirá de seu aperfeiçoamento e aprofundamento. Infelizmente, elas não existem apenas no Paraguai.

No plano internacional, o alinhamento decorrente do golpe que depôs Lugo foi expressivo. Contra os golpistas, os países do Mercosul e que lideram a União das Nações Sul-Americanas, a Unasul. Com os golpistas, os governos dos Estados Unidos, da Espanha, da Alemanha e do Vaticano, tentando criar, através do Paraguai, uma brecha.

Ora, a democracia e as reformas sociais em terras da América do Sul têm como condição indispensável a união política e econômica das nações do subcontinente. É tão claro que chega a ofuscar.

E ainda, e não menos importante: a queda acovardada de Lugo suscita a lembrança — traumática — de derrotas e, pior, de derrotas sem luta. O compromisso com a democracia exige mais do que o respeito à Lei. Implica a decisão de resistir às tentativas golpistas.

Por tudo isto a experiência paraguaia não é só dos paraguaios. Interessa a todos os sul-americanos. Mais vale pensar nela e preparar-se do que se deixar surpreender.

Daniel Aarão Reis é professor de História Contemporânea da Universidade Federal Fluminense.

Categories: transgênicos Tags: ,

Maçã transgênica, quem precisa?

17, julho, 2012 Sem comentários

Cientistas desenvolveram uma maça transgênica que não escurece depois de aberta (O Globo, 17/07/2012 – ver abaixo). O problema também pode ser resolvido de pelo menos duas outras maneiras: comendo a maçã inteira de uma vez ou pingando na parte cortada uma gotinha de limão, que evita a oxidação que escurece a fruta. Acontece que nenhum desses métodos redem o patenteamento virtual da espécie.

Categories: alimentação, transgênicos Tags:

Monsanto quer tungar 7,5% da receita dos agricultores pela soja RR 2

13, julho, 2012 Sem comentários

CORREIO DO POVO, 13/07/2012

Fetag não irá negociar royalty

Após consultar coordenadores de regionais produtoras de soja nos últimos dias, a Fetag decidiu não participar das negociações com a Monsanto sobre os royalties da Intacta RR2 Pro. Farsul e Fecoagro contestam a tabela estipulada pelo uso da nova tecnologia, ainda não liberada. Os valores vão de R$ 115,00 a R$ 127,00 por hectare ou 7,5% na moega. Hoje, o custo da soja transgênica da Monsanto varia de R$ 18,00 a R$ 24,00/ha ou 2%.

Segundo o presidente Elton Weber, a Fetag discorda da cobrança sobre a produção e, por isso, é parte de processo judicial movido contra a empresa. No início deste mês, Weber não pôde comparecer à reunião realizada pelas federações e pela CCGL Fundacep, mas, conforme a ata do encontro, teria manifestado intenção em participar na sequência de tratativas. “Nossa posição, hoje, reafirma o que foi decidido em assembleia.”

::

p.s. Onde estão empresas públicas como Embrapa e outras que ao invés de oferecer alternativas aos agricultores aliam-se às grandes do setor e reforçam o monopólio sobre as sementes?

Sementes livres

11, julho, 2012 Sem comentários

“Sementes controladas pela Monsanto, comércio agrícola controlado pela Cargill, processamento controlado pela Pepsi e Philip Morris, mercado varejista controlado pelo Walmart – é uma receita para a ditadura alimentar”.

Clique na imagem para saber mais sobre o movimento Seed Freedom (site em inglês)

França proíbe Tiametoxam

9, julho, 2012 Sem comentários

O ministro da agricultura francês Stéphane Le Foll anunciou, no último dia 28, o banimento do agrotóxico Cruiser OSR, usado no tratamento de sementes de colza, em função das suspeitas de causar efeitos danosos sobre as abelhas.

A Agência sanitária para alimentação e meio ambiente (Anses), também em junho, denunciou o impacto da molécula Tiametoxam (ingrediente ativo do Crusier) sobre as abelhas.

As populações de abelhas vêm declinando de forma acelarada e misteriosa nos últimos anos pelo mundo, fenômeno que desestabiliza os ecossistemas e que reforça as críticas feitas ao uso massivo de agrotóxicos.

Com informações de Le Monde, 29/06/2012.

p.s. No Brasil, o Tiametoxam está, segundo a Anvisa, na classe toxicológica III (moderadamente tóxico) e tem seu uso autorizado para 35 culturas, em diferentes modalidades de emprego, incluindo o tratamento de sementes de: algodão, amendoim, arroz, batata, cevada, feijão, girassol, milho, pastagem, soja, sorgo e trigo.

Assim como neste caso, há vários outros em que o Brasil ainda permite o uso de agrotóxicos perigosos já proibidos em outros países. Participe do abaixo-assinado exigindo o banimento desses produtos no Brasil.

IX Festa Regional das Sementes – Coronel Vivida, PR

9, julho, 2012 Sem comentários

Europa aceitará soja RR 2 da Monsanto

9, julho, 2012 Sem comentários

Comissão Europeia aprova comercialização do grão e reconhece segurança da semente geneticamente modificada

Globo Rural On-line, 06/07/2012

A Associação Brasileira de Sementes e Mudas (Abrasem) comemora a decisão da Comissão Europeia que aprovou, em 28 de junho, a comercialização da nova tecnologia de soja transgênica que combina, na mesma semente, tolerância a herbicidas e resistência a insetos. Para a entidade, a aprovação representa a abertura do mercado internacional para o produto brasileiro, além do reconhecimento da segurança das sementes geneticamente modificadas para o mundo.

A Europa é o segundo principal destino das exportações brasileiras de soja, atrás apenas da China. Com a decisão, os produtores agora têm a garantia de um novo mercado consumidor para escoar a produção de soja transgênica.

De acordo com a Abrasem, o marco regulatório brasileiro é um dos mais evoluídos do mundo com relação aos organismos geneticamente modificados. No entanto, a entidade acredita que os mercados importadores não acompanham o ritmo com que as empresas brasileiras investem em novas tecnologias de sementes.

Um dos principais benefícios da semente transgênica, tanto para o produtor quanto para o meio ambiente, é a redução da necessidade do uso de herbicidas nas lavouras. [As redações seguem reproduzindo acriticamente mais essa falsa promessa da indústria, que não se sustenta diante dos resultados obtidos nas lavouras modificadas, como mais uma vez demonstrado pelo pesquisador americano Charles Benbrook]