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Arquivo de janeiro, 2014

Soja transgênica custa R$118 a mais que a comum no MS, diz Embrapa

31, janeiro, 2014 Sem comentários

 Cana News, 29/01/2014

Produtor de MS gasta R$ 188 a mais por hectare para cultivar soja transgênica. Em 2010 levantamento semelhante também mostrou maior lucratividade da soja convencional

Os dados são de levantamento da Embrapa Agropecuária Oeste (CPAO) e foram divulgados pelo Siga

Desvantagem econômica também já tinha sido mostrada para milho safrinha transgênico no estado

O agricultor de Mato Grosso do Sul está gastando R$ 118,40 a mais por hectare para cultivar soja transgênica na safra 2013/2014 em comparação com a anterior. Os dados são de levantamento da Embrapa Agropecuária Oeste (CPAO) e foram divulgados em circular técnica do Sistema de Informações Geográficas do Agronegócio do estado (Siga).

Conforme o Siga, no ciclo anterior, o custo de produção com a utilização de variedades geneticamente modificadas era de R$1.287,92 por hectare e passou para R$ 1.406,32 por hectare na atual, o que representa um incremento de 9,1%.

A circular aponta que o maior volume de despesas do produtor no cultivo da soja transgênica é no plantio, 54%, em razão da tecnologia que o produto possui. Depois, aparecem os desembolsos com os tratos culturais, que representam 18,6%, do total dos custos, seguidos pela colheita, com 15,2% do investimento no cultivo e o manejo da área, com 11,9%.

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Indústria aponta crescimento de área com transgênicos

31, janeiro, 2014 Sem comentários

Valor Econômico, 30/01/2014

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Refrigerante leva à obesidade? Depende de quem financia o estudo!

30, janeiro, 2014 Sem comentários

NY Times, 03/01/2014

Existem evidências científicas mostrando que o consumo de refrigerantes aumenta o risco de obesidade? Depende de quem financia o estudo.

Entre as 12 revisões sem conflito de interesses, 10 (ou 83,3%), relataram que as bebidas açucaradas estão associadas à obesidade e ao ganho de peso. Já os estudos financiados pela indústria obtiveram resultado inverso. É o que mostra a pesquisa indicada abaixo.

 

Financial Conflicts of Interest and Reporting Bias Regarding the Association between Sugar-Sweetened Beverages and Weight Gain: A Systematic Review of Systematic Reviews

Abstract

Background: Industry sponsors’ financial interests might bias the conclusions of scientific research. We examined whether financial industry funding or the disclosure of potential conflicts of interest influenced the results of published systematic reviews (SRs) conducted in the field of sugar-sweetened beverages (SSBs) and weight gain or obesity.

Methods and Findings: We conducted a search of the PubMed, Cochrane Library, and Scopus databases to identify published SRs from the inception of the databases to August 31, 2013, on the association between SSB consumption and weight gain or obesity. SR conclusions were independently classified by two researchers into two groups: those that found a positive association and those that did not. These two reviewers were blinded with respect to the stated source of funding and the disclosure of conflicts of interest. We identified 17 SRs (with 18 conclusions). In six of the SRs a financial conflict of interest with some food industry was disclosed. Among those reviews without any reported conflict of interest, 83.3% of the conclusions (10/12) were that SSB consumption could be a potential risk factor for weight gain. In contrast, the same percentage of conclusions, 83.3% (5/6), of those SRs disclosing some financial conflict of interest with the food industry were that the scientific evidence was insufficient to support a positive association between SSB consumption and weight gain or obesity. Those reviews with conflicts of interest were five times more likely to present a conclusion of no positive association than those without them (relative risk: 5.0, 95% CI: 1.3–19.3). An important limitation of this study is the impossibility of ruling out the existence of publication bias among those studies not declaring any conflict of interest. However, the best large randomized trials also support a direct association between SSB consumption and weight gain or obesity.

Conclusions: Financial conflicts of interest may bias conclusions from SRs on SSB consumption and weight gain or obesity. Please see later in the article for the Editors’ Summary

Tecnologia de restrição de uso compromete segurança alimentar, alertam técnicos

29, janeiro, 2014 Sem comentários

Agência Brasil, 26/01/2014

Mariana Branco

Edição: Nádia Franco

Além da possibilidade da contaminação genética de lavouras não transgênicas, a tecnologia de restrição de uso pode comprometer a segurança alimentar, alertam especialistas contrários à adoção dessa prática. Especialistas e representantes da sociedade civil temem que a permissão para aplicar tal tecnologia em sementes usadas na produção de fármacos seja o passo inicial para  esterlização de sementes destinadas à alimentação.

Se isso ocorresse, os agricultores ficariam impossibilitados de reutilizar sementes da colheita anterior e dependentes das grandes empresas do setor. Para a engenheira agrônoma Maria José Guazelli, da organização não governamental (ONG) Centro Ecológico, o Projeto de Lei 268/2007 – que não é o único sobre o assunto, mas tem a tramitação mais adiantada no Congresso Nacional – busca contornar a moratória internacional, ao propor a autorização do mecanismo apenas para um tipo de semente.

“A moratória deixa de ser total. Primeiro é [o uso da tecnologia] não alimentar e depois vai debilitando a moratória”, avalia a agrônoma. Para ela, o argumento da assessoria do deputado Eduardo Sciarra (PSD-PR), autor do projeto de lei, de que a própria moratória recomenda que sejam realizados estudos sobre a tecnologia, não se sustenta. “Isso [que a proposta de lei autoriza] não é estudar, e sim pôr em prática. Já tentaram derrubar a moratória em 2006 e agora estão tentando novamente”, diz Maria José, referindo-se à 8ª Conferência das Partes da Convenção sobre a Biodiversidade, em que um grupo de países pediu a discussão do uso da tecnologia com avaliação caso a caso.

A nutricionista Daniela Frozi, membro do Conselho Nacional de Segurança Alimentar (Consea) e da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), também acredita que a aprovação do projeto no Brasil abriria um precedente. “Avançamos [ao ter uma lei que proíbe] e agora estamos retrocedendo. [A tecnologia] já foi rejeitada em várias partes do mundo, tem uma moratória, documentação em diferentes fóruns”, enumera.

Daniela ressalta que faltam estudos que atestem a segurança dessa e de outras técnicas de manipulação genética de alimentos e plantas, inclusive para a saúde humana. “Não há estudos conclusivos, nem para o bem, nem para o mal.” No caso específico das sementes terminator, a nutricionista acredita que há uma questão ética envolvida. “A semente é um bem comum. É como se  estivéssemos falando do ar. Não procede do ponto de vista de qualquer tipo de senso criar uma semente que não é capaz de se reproduzir”, defende.

O próprio Consea, colegiado composto de membros do governo e da sociedade civil, que assessora a Presidência da República e tem papel apenas consultivo, já emitiu mais de um documento com posicionamento contrário à tecnologia de restrição de uso. No mais recente, de 2013, o Consea pede o arquivamento do Projeto de Lei 5.575/2009, do deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), que também permite o uso do procedimento de manipulação genética, argumentando que “a tecnologia visa a reforçar a privatização das sementes, fortalecendo a capacidade de cobrança de royalties”.

O pesquisador Francisco Aragão, responsável pelo laboratório do Centro Nacional de Pesquisa de Recursos Genéticos e Biotecnologia , da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), afirma que a construção de uma semente terminator, para ser usada na agricultura, não seria viável. “Da maneira como ainda existe, ela pode ser feita, mas não é um mecanismo muito prático. Exige que se produzam as sementes, que são mergulhadas em solução de tetraciclina, e isso reduz a germinação, dificulta o uso no plantio. Está no papel, é possível ser feita, mas não é viável para a agricultura”, destaca Aragão. Por esse motivo, ele acredita que a produção seria improvável.

Além da suposta dificuldade, buscando acalmar os ânimos, a Monsanto, uma das multinacionais que detêm patente da tecnologia, mantém um comunicado em seu site no qual garante que não comercializará sementes estéreis de culturas alimentícias. Segundo a empresa, o compromisso foi assumido em 1999. “Permanecemos firmes em nosso compromisso. Não temos nenhum plano ou pesquisa que o viole”, diz o texto, ressaltando que a restrição de uso tem aspectos “positivos e negativos”.

Para Maria José Guazelli, no entanto, esse posicionamento não traz tranquilidade. “A Monsanto reafirma que não vai usar [a tecnologia] para alimentos, mas não afirma que não vai usá-la”, pondera a agrônoma.

Syngenta tenta reverter proibição de pesticidas na Europa

28, janeiro, 2014 Sem comentários

é o lucro acima de tudo…

VALOR ECONÔMICO, 23/01/2014

DAVOS – O CEO da Syngenta, Michael Mack, repudiou fortemente hoje a proibição na Europa do uso de certos pesticidas, que o bloco europeu afirma que possam prejudicar a saúde das abelhas.

Em entrevista durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, ele afirmou que a companhia fará “tudo o que puder” para ter a decisão revertida. Ele chamou a proibição – liderada no ano passado pela França, Alemanha e Holanda — de “política, na sua intenção”.

Os países europeus estão preocupados com a possibilidade de alguns tipos de pesticidas, conhecidos como neonicotinóides, prejudicarem as populações de abelhas do continente e, assim, afetar o suprimento de alimentos na região. Um estudo divulgado pela Autoridade de Segurança Alimentar da Europa afirmou que essas substâncias impõem um “risco agudo” às abelhas.

Mack, no entanto, afirmou que o impedimento do uso desses pesticidas é um “mau uso da ciência” e que dados colhidos em campo refutam as conclusões da União Europeia.

(Dow Jones Newswires)

Leia mais em:

http://www.valor.com.br/agro/3405300/syngenta-tenta-reverter-proibicao-de-pesticidas-na-europa#ixzz2riqgZ8Ak

 

Dez anos de transgênicos no Brasil é pauta de palestra no FST

27, janeiro, 2014 Sem comentários

Agapan no FST2014: propostas sustentáveis X inviabilidade das monoculturas

agapan21jan2014

Quase 50 pessoas participaram da oficina temática sobre o plantio e consumo de alimentos transgênicos, realizada na noite desta terça-feira (21/1), primeiro dia do Fórum Social Temático (FST), que acontece até domingo (26) em Porto Alegre e Canoas. O objetivo do debate foi analisar os dez anos de cultivo de transgênicos no Brasil, abordando os aspectos socioeconômicos dos transgênicos e enfatizando suas implicações para a saúde humana e ambiental. O debate foi realizado no Memorial do RS, e integra o Eixo 3 do FST, sobre Justiça Social e Ambiental. O evento foi promovido pela Agapan, Grupo de Estudos em Agrobiodiversidade (GEA), do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), e Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS).

“Se analisássemos todos os fatores (ambientais, sociais, éticos e técnicos) que envolvem a produção de transgênicos, concluiríamos que seria proibido produzir monoculturas, como a soja”, destacou, em sua palestra, Antônio Andrioli, vice-reitor da UFFS, membro do GEA, especialista em meio ambiente e representante da Agricultura Familiar na Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio). Andrioli relatou discussões sobre o posicionamento e perspectivas da Comunidade Econômica Europeia sobre a produção e consumo de Organismos Geneticamente Modificados (OGMs), que participou na Alemanha e na Áustria, em novembro e dezembro de 2013. Segundo o palestrante, a principal diferença entre Brasil e União Europeia é a mobilização dos consumidores, muitas delas relacionadas a temas ambientais. “O pimentão ter veneno é quase nada se comprado com o milho e a soja que comemos em muito maior quantidade, pois estão embutidos em muitos outros alimentos que ingerimos todos os dias”, comparou.

Andrioli observou que o mercado, “que considera apenas a quantidade, regulariza o plantio e o uso de soja e milho transgênicos no Brasil para alimentar rebanhos na Europa”. Para ele, é preciso mudar esse foco e incentivar os países a utilizarem outras plantas, a exemplo do que fazem Alemanha e Áustria. “Precisamos recuperar o custo ambiental da monocultura da soja, que é absurda e economicamente inviável”, afirmou, ao criticar que o agronegócio brasileiro continua se afirmando como um bom negócio.

Para Andrioli, o problema ambiental é de conhecimento, enquanto que a lógica da concorrência, que é a base do mercado, destrói a natureza e torna o ar, a água, a semente e a vida expropriáveis, ou seja, objetos de proprietário privado, fortalecendo a palavra sagrada do lucro a qualquer preço. Ao se dizer otimista, Andrioli argumenta que “há muitas coisas nas contradições que mostram que não seguimos apenas um único caminho”, e complementa que “temos que nos desafiar para novas ideias para que não digam que não existem ou que não dá para fazer diferente”.

Após a palestra, houve debate e as manifestações da plenária serão reunidas pela Agapan para a construção de propostas de encaminhamento aos futuros candidatos nas próximas eleições.

Com o tema central Crise Capitalista, Democracia, Justiça Social e Ambiental, o FST acontece entre os dias 21 e 26 de janeiro, em Porto Alegre e Canoas.

Mais informações pelo http://www.forumsocialportoalegre.org.br e www.agapan.org.br

 

Assessoria de Imprensa da Agapan

Jornalista Adriane Bertoglio Rodrigues

51-9813-1785/8204-3730

 

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Projeto sobre tecnologia que pode tornar sementes estéreis avança na Câmara

27, janeiro, 2014 Sem comentários

Agência Brasil, 26/01/2014

Mariana Branco

Edição: Nádia Franco

Poucos brasileiros sabem, mas as discussões estão avançadas na Câmara dos Deputados que seja aprovado projeto que libera uma tecnologia genética polêmica – a tecnologia de restrição de uso, que, entre outras aplicações, pode ser usada para criar sementes estéreis a partir da segunda geração, popularmente apelidadas de sementes terminator.

O Projeto de Lei (PL) 268/2007, do deputado Eduardo Sciarra (PSD-PR), abre uma brecha na redação da Lei de Biossegurança para que seja permitida a comercialização de sementes produzidas com a tecnologia, no caso de plantas biorreatoras, usadas para produzir substâncias de uso industrial ou terapêutico.

A proposta já passou pelas comissões de Agricultura e Meio Ambiente, sendo aprovada na primeira e rejeitada na segunda. Atualmente, está na Comissão de Constituição e Justiça, (CCJ) onde recebeu parecer favorável do relator e quase foi votada em outubro do ano passado. A votação não ocorreu porque organizações da sociedade civil e movimentos sociais entregaram à presidência da CCJ um abaixo-assinado com 30 mil assinaturas pedindo a retirada de pauta do projeto.

No site da Câmara dos Deputados, a última movimentação relativa à proposta é um requerimento de audiência pública sobre o assunto, feito pelo deputado Alessandro Molon (PT-RJ), no início de dezembro.

Até o momento, nenhum organismo do tipo foi desenvolvido em campo aberto, embora acredite-se que as empresas façam pesquisas em ambientes controlados. Uma moratória internacional, apoiada pelo Brasil, barra a produção em campo e a comercialização desde 2000. Um dos riscos da liberação é a contaminação das espécies não modificadas geneticamente pelas lavouras de transgênicos. A engenheira agrônoma Maria José Guazelli, da organização não governamental (ONG) Centro Ecológico, explica que espécies não transgênicas poderiam assimilar características como a esterilidade.

Para ela, mesmo que a liberação se restrinja às sementes desenvolvidas para uso terapêutico e industrial, há risco de poluição genética das espécies alimentícias. “Uma boa parte dessas plantas biorreatoras são arroz, milho. Dependendo de que planta for, pode haver cruzamento, sim”, afirma.

Para Maria José, as normas de contenção que têm sido aplicadas no Brasil não são suficientes para mitigar os riscos. “Geralmente, a CTNBio [Comissão Técnica Nacional de Biossegurança] determina distância [entre a lavoura transgênica e não transgênica]. Mas o pólen voa centenas de metros e até quilômetros. O que tem acontecido é a contaminação”, disse a agrônoma, citando casos em que agricultores orgânicos constataram contágio por soja e milho transgênicos.

A Agência Brasil entrou em contato com a assessoria de comunicação do deputado Eduardo Sciarra, pedindo uma entrevista com o parlamentar, mas foi informada de que ele está fora de Brasília e não poderia falar naquele momento. No entanto, a assessoria encaminhou à reportagem material sobre o PL 268/2007.

Sobre a questão da possível contaminação de espécies não modificadas geneticamente, o texto afirma que “pode-se construir plantas [biorreatoras] que não se reproduzem pelo polén”. Segundo o material enviado pelos assessores do deputado, “a tecnologia genética de restrição de uso não se resume à modalidade conhecida como terminator. Pode haver diversos tipos de construção dessa tecnologia. Em um deles, elimina-se a floração, retardando a data de maturidade sexual da planta e construindo plantas com pólen estéril”.

No entanto, para o agrônomo e assessor técnico da organização da sociedade civil AS-PTA Agricultura Familiar e Agroecologia Gabriel Fernandes, ainda há muitas incertezas em relação à tecnologia de restrição de uso e, portanto, não há garantia da eficácia das soluções apontadas .“Primeiro, o projeto de lei não está prevendo regras de segurança. Outra coisa que pode ser questionada é se essas regras funcionam. Não tem nada que garanta [que a esterilidade do pólen] funcione 100%.”

Para Fernandes, trata-se de uma tecnologia que não é necessária. Os estudos não dão segurança, e há uma moratória internacional. “Nenhum país faz experimentos a campo”, argumenta. Na visão do agrônomo, vantagens apontadas com a adoção da tecnologia de restrição de uso, como manipulação da floração e de outras fases do ciclo reprodutivo das plantas, não compensam o risco assumido e parte delas poderia ser obtida com outras técnicas de manejo.

O pesquisador Francisco Aragão, responsável pelo laboratório do Centro Nacional de Pesquisa de Recursos Genéticos e Biotecnologia, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), tem opinião diferente. Para ele, é possível conter os riscos de contaminação e, além disso, a tecnologia de restrição de uso abre várias possibilidades. Aragão exemplifica com a cana-de-açúcar, que gasta na floração uma energia que, segundo ele, poderia ser aplicada na produção de mais açúcar. A restrição de uso poderia impedir a floração e tornar o processo mais eficiente, afirma.

“Pretende-se fazer o cultivo dessas plantas, a princípio em ambientes fechados. Há possibilidade de escape, mas existe todo um mecanismo de segurança. Já tem pesquisa para produção de fármacos em plantas e a restrição de uso colocaria um mecanismo de segurança a mais no sistema [em razão da esterilidade]”, explicou o pesquisador. Para ele, deve ser mantida a proibição para a agricultura e haver permissão para alguns casos, como a produção de fármacos e a obtenção de características agronômicas, que “nada têm a ver com a retirada do direito do produtor de reutilizar sementes”.

O perigo dos agrotóxicos

24, janeiro, 2014 Sem comentários

O Globo, 24/01/14

por Fernando Carneiro*

O agronegócio brasileiro vem pressionando a Presidência da República e o Congresso para diminuir o papel do setor de saúde na liberação dos agrotóxicos. O Brasil é o maior consumidor desses venenos no planeta e a cada dia se torna mais dependente deles. Qual o impacto que essas medidas terão na saúde da população brasileira?

No Brasil, a cada ano, cerca de 500 mil pessoas são contaminadas, segundo o Sistema Único de Saúde (SUS) e estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS). Os brasileiros estão consumindo alimentos com resíduos de agrotóxicos acima do limite permitido e ingerindo substâncias tóxicas não autorizadas.

Em outubro, a Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa) revelou que 36% das amostras analisadas de frutas, verduras, legumes e cereais estavam impróprias para o consumo humano ou traziam substâncias proibidas no Brasil, tendência crescente nos últimos anos.

Os agrotóxicos afetam a saúde dos consumidores, moradores do entorno de áreas de produção agrícola ou de agrotóxicos, comunidades atingidas por resíduos de pulverização aérea e trabalhadores expostos. Mesmo frente a esse quadro, mais dramática é a ofensiva do agronegócio e sua bancada ruralista para aprofundar a desregulamentação do processo de registro no país.

Qualquer agrotóxico, para ser registrado, precisa ser analisado por equipes técnicas dos ministérios da Agricultura, Saúde e Meio Ambiente. Inspirados na CTNBIO, instância criada para avaliar os transgênicos, que até hoje autorizou 100% dos pedidos de liberação a ela submetidos, os ruralistas querem a criação da CTNAGRO, na qual o olhar da saúde e meio ambiente deixaria de ser determinantes para a decisão.

Quem ganha e quem perde com essa medida? Não há dúvida que entre os beneficiários diretos está o grande agronegócio, que tem na sua essência a monocultura para exportação. Esse tipo de produção não pode viver sem o veneno porque se baseia no domínio de uma só espécie vegetal, como a soja. Por isso, a cada dia, surgem novas superpragas, que, associadas aos transgênicos, têm exigido a liberação de agrotóxicos até então não autorizados para o Brasil. O mais recente caso foi a autorização emergencial do benzoato de amamectina usado para combater a lagarta Helicoverpa, que está dizimando as lavouras de soja de norte a sul do país. A lei que garantiu a liberação desse veneno tramitou e foi aprovada em um mês pelo Congresso e pela Presidência da República.

A pergunta que não quer calar é: no momento em que a população brasileira espera um Estado que garanta o direito constitucional à saúde e ao ambiente, por que estamos vendo o contrário? Na maioria dos estados brasileiros os agrotóxicos não pagam impostos.

O Estado brasileiro tem sido forte para liberalizar o uso de agrotóxicos, mas fraco para monitorar e controlar seus danos à saúde e ao ambiente. Enquanto isso, todos nós estamos pagando para ser contaminados…

* FERNANDO CARNEIRO é professor da UnB e Coordenador do GT Saúde e Ambiente da Abrasco

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/opiniao/o-perigo-dos-agrotoxicos-11386588#ixzz2rLMzC9lz

 

 

Deputado denuncia lobby por transgênicos

24, janeiro, 2014 Sem comentários

O Globo, 22/12/2014

por EVANDRO ÉBOLI

BRASÍLIA- Um deputado do próprio PT, Doutor Rosinha (PR), protocolou denúncia contra a Comissão Técnica Nacional de Biotecnologia (CTNBIO), na Comissão de Ética da Presidência da República e no Ministério Público Federal. O parlamentar diz que oito integrantes da comissão, responsável, entre outras missões, pela liberação de transgênicos, têm vínculos com esse setor privado de biotecnologia e incorrem em conflito de interesse e até na prática de improbidade administrativa. Rosinha, que preside a Comissão de Seguridade Social da Câmara, quer a saída imediata desses profissionais da CTNBio.

A comissão tem 27 titulares e 27 suplentes. Dos oito acusados, quatro são titulares e quatro, suplentes. O deputado ainda acusa um assessor técnico de participar de um lobby pró-transgênico na CTNBio. “É inadmissível que participem desse órgão pessoas vinculadas profissionalmente a empresas de biotecnologia, por serem as maiores interessadas nos julgamentos da CTNBio e na aprovação de suas propostas de liberação de produtos e processos”, afirma o parlamentar.

Cada integrante da CTNBio tem dois anos de mandato. Entre os acusados está o presidente da comissão, Flávio Finardi Filho, em seu terceiro mandato, que termina em agosto de 2014.

Finardi, segundo o deputado, elaborou pareceres encomendados e favoráveis a liberação de transgênicos. Segundo Rosinha, ele manteve vínculos com o setor privado, como a Nestlé e desenvolveu projeto de pesquisa financiado por essa empresa. E teria assinado um documento dirigido à Presidência da República enaltecendo os benefícios e a importância dos transgênicos, no início do governo Lula.

A CTNBio, em nota, informou que tomou conhecimento da representação do parlamentar pelo GLOBO. Disse que todos os citados se comprometeram a se declarar impedidos em casos que possam caracterizar conflito de interesse. “Adiantamos que todos os membros citados da CTNBio assinam a declaração de conduta prevista no Art. 11, § 1º, do regimento interno da comissão. Assim, se comprometem a declarar qualquer circunstância pessoal que caracterize potencial conflito de interesse, ou que possa ser percebida como impeditiva para um parecer isento. Durante as reuniões, tem sido a prática dos membros da CTNBio”, afirma a nota do Ministério de Ciência e Tecnologia, ao qual a comissão está vinculada.

Parlamento Europeu rejeita cultivo do milho transgênico 1507, da Pioneer

24, janeiro, 2014 Sem comentários

Países do bloco ainda votarão sobre a medida

Em votação realizada em 16 de janeiro o Parlamento Europeu rejeitou a aprovação para cultivo comercial do milho transgênico da Pioneer 1507, que é Bt (tóxico a insetos) e também tolerante à aplicação de herbicida a base de glufosinato (classificado como altamente tóxico na União Europeia).

A votação foi uma forte mensagem política para a indústria de biotecnologia, com 385 votos contra a autorização, 201 a favor e 30 abstenções.

Este, entretanto, é apenas o primeiro passo para a rejeição completa ao milho 1507 na União Europeia, pois os governos nacionais começaram no dia 17 de janeiro o processo de votação sobre a questão no âmbito da Comissão Europeia. Contrariando as regras da UE, as avaliações de risco relacionadas ao uso do herbicida associado à lavoura transgênica não foram realizadas.

Um grupo de ONGs europeias organizou a campanha Stop the Crop e está coletando assinaturas contra a liberação do milho 1507. A campanha também disponibiliza online um vídeo de 9 minutos (em inglês) que fala sobre os perigos das lavouras transgênicas e convoca os europeus a agirem contra a liberação desses produtos.

Se aprovado, o milho 1507 seria o primeiro produto transgênico autorizado para plantio na Europa desde 1998, quando foi liberado o milho Bt da Monsanto MON 810 (atualmente proibido em 7 países europeus e cultivado apenas na Espanha).

Com informações de Sustainable Pulse, 16/01/2014; GMWatch, 16/01/2014; e Stop the Crop

Leia também (em inglês) a moção aprovada pelo Parlamento Europeu em 16/01/2014

–  Via: http://aspta.org.br/campanha/660-2/

China culpa semente transgênica contrabandeada dos EUA por quebra em produção de milho

24, janeiro, 2014 Sem comentários

A China tem conseguido manter os alimentos transgênicos fora de suas lavouras, rejeitando e mesmo incinerando carregamentos de milho provenientes dos EUA. Mas apesar dos esforços algumas sementes conseguiram invadir os campos, e essas sementes dos EUA têm sido culpadas por perdas de safra na região leste do país.

A polícia do estado de Hunan descobriu um caso de contrabando de sementes que pode ter contribuído para o fracasso na produção de 80 hectares de milho no distrito de Tongdao no ano passado. Chamado de “milho dourado americano” por autoridades locais, as sementes são originárias de gigantes multinacionais como a Monsanto e a Syngenta.

Mais recentemente um contrabandista chamado Luo Haihong foi preso, acusado de ter contrabandeado mais de 500 mil toneladas de sementes de milho para a China desde 2003.

“Veio à tona o caso da infiltração de sementes transgênicas de milho na China, trazendo potenciais riscos à segurança alimentar e mesmo à segurança nacional no país”, disse Li Wenliang, professor da Universidade de Relações Internacionais.

Acredita-se que algumas dessas sementes tenham chegado pela alfândega com turistas que entraram no país. Outras podem ter vindo por Hong Kong em caminhões e pelo envio em pacotes. De todo modo, não se tem ideia de como tantas sementes transgênicas puderam infiltrar o sistema agrícola chinês. (…)

Natural Society, 18/01/2014.

– Via: http://aspta.org.br/campanha/660-2/

N.E.: A estratégia da disseminação de lavouras transgênicas através do contrabando de sementes não é uma novidade, sendo utilizada para forçar a liberação da tecnologia. No Brasil o contrabando de sementes de soja transgênica oriundas da Argentina no final da década de 1990 e início da década de 2000 e a disseminação dos plantios ilegais pela região Sul do país levaram à chamada situação do “fato consumado” (dizia-se que o plantio de transgênicos já era uma realidade irreversível) e à legalização das lavouras sem a realização de qualquer estudo de impacto ambiental e de riscos à saúde. Duas medidas provisórias (113/2003 e 131/2003) legalizaram as safras 2003 e 2004 plantadas ilegalmente e a Lei de Biossegurança (11.105/2005) tornou definitiva a autorização (Art. 35).

Médicos de Clínicas alertan sobre vínculo entre el aumento de casos de cáncer y los transgénicos

24, janeiro, 2014 Sem comentários

E’A, 23/01/2014

Estudio advierte que aumento de enfermedades cancerígenas no solo está vinculado a la exposición a las fumigaciones con agrotóxicos, sino al consumo de productos elaborados a base de transgénicos.

El profesor de la Segunda Cátedra de Clínica Médica de la Facultad de Ciencias Médicas de la Universidad Nacional de Asunción (UNA), José Luis Insfrán, alertó que el aumento de personas que están siendo diagnosticadas con cáncer en el Hospital de Clínicas es producto de la exposición a las fumigaciones con agrotóxicos y al consumo de alimentos que son elaborados a base de productos transgénicos.

“El monocultivo mecanizado y el de la soja con los transgénicos y las fumigaciones son uno de los factores primordiales al que se le puede culpar como determinante del gran aumento en la aparición de diferentes tipos de cáncer”, expresó Insfrán citado en un boletín de la Facultad de Ciencias Médicas de la Universidad Nacional de Asunción (UNA).

El médico explicó que existe mucha preocupación en diversos países, ya que diariamente se consumen transgénicos a través de los productos que provienen de semillas genéticamente modificadas, y que el proceso final termina con el consumo humano.

“Nosotros intencionadamente hicimos este estudio porque éramos sorprendidos por los casos que los alumnos de Clínica Médica y semiología presentaban a la hora de sus exámenes sobre enfermos que padecían linfomas y leucemias. Actualmente el 30% de los casos presentados están sustentados sobre el diagnóstico de enfermedades hematológicas, cosa que no se veía antes en las mesas examinadoras, porque presentaban otros tipos de diagnósticos y entonces nos sorprendió”, detalló Insfrán.

Señaló además que los médicos hematólogos han detectado un gran aumento de las enfermedades hematológicas como linfomas y leucemias, que actualmente ocupan el tercer lugar en tipos cáncer y que 15 años atrás estaban en el lugar número 17. De esto resulta la preocupación y el motivo de la investigación, que despertó la alarma en el Hospital de Clínicas, informa el reporte médico.

Por su parte, la Dra. Imelda Martínez, jefa del Departamento de Hematología de Adultos del Hospital de Clínicas, brindó datos estadísticos sobre el gran incremento de consultas en dicho centro hospitalario sobre posibles tipos de cáncer en pacientes jóvenes.

Precisó que desde enero a agosto del 2013 han pasado por el servicio 40 pacientes con linfoma de hodgkin, 52 con linfomas no hodgkin, 77 con leucemia mieloide crónicas, 25 con mieloblástica de diversas clases, aplasia medulares 12, mieloma múltiples 29 y leucemia mieloide aguda 24.

Los médicos que realizaron la investigación en el Hospital de Clínicas presentaron el informe al presidente de la Comisión Especial de Investigación del Senado, Luis Alberto Wagner, que está realizando un seguimiento a los casos de fumigaciones ilegales en el campo y sus efectos en la salud. También estuvo presente el doctor Joel Filártiga, autor de varios trabajos sobre la toxicidad de los transgénicos.

Entrevista especial com Karen Friedrich

21, janeiro, 2014 Sem comentários

Por IHU-Unisinos, 15/01/2014

“O modelo de produção agrícola baseado na ‘tecnologia’ química e de transgênicos tem que ser revisto”, afirma a toxicóloga.

Com a resistência gradual das pragas e plantas daninhas aos agrotóxicos tradicionais, a indústria dos transgênicos precisou buscar alternativas mais eficientes para a manutenção de seus resultados. Uma das apostas do mercado é liberar a comercialização de sementes resistentes ao herbicida 2,4-D. A substância já tem o seu uso regulado no País, mas, ainda assim, dúvidas quanto à sua segurança toxicológica levaram uma série de especialistas a apontar a exigência da revisão de sua licença. Neste contexto, a toxicóloga Karen Friedrich alerta: “A liberação da semente legitimaria uma forma de aumentar a aplicação de uma substância tóxica, cujo uso deveria ser diminuído, não incentivado”.

075075075.jpg075075.jpg075Em entrevista concedida por e-mail à IHU On-Line, Friedrich alerta para os perigos da substância, que é conhecida como um dos componentes do Agente Laranja. O composto foi utilizado pelos Estados Unidos durante a Guerra do Vietnã como desfolhante, e sua toxidade gerou milhares de relatos sobre má-formação congênita, câncer e problemas neurológicos. Ainda assim, desde 1945 a substância teve sua patente requerida e utilizada para a agricultura. A toxicóloga da Fundação Oswaldo Cruz ressalta que o uso conjunto do 2,4-D com o 2,4,5-T é que forma o Agente Laranja, mas isoladas as substâncias também geram graves problemas.

“Há vários estudos mostrando que o 2,4-D está associado a alguns tipos de câncer, como aos relacionados a alguns órgãos sexuais e linfomas”, relata ela. “Há estudos indicando alterações de hormônios sexuais e das funções da tireoide”, sem mencionar a produção de dioxina como subproduto – uma substância extremamente tóxica. Para a toxicóloga, as empresas de agrotóxicos apresentam-se como a “solução de todos os problemas” do trabalhador rural e da produção de alimentos no mundo, mas este discurso é enviesado devido aos interesses comerciais envolvidos. “Temos que fazer essa discussão com base científica. Tirar essa discussão ideológica da produção e do desenvolvimento e ver o que é bom para o meio ambiente, para a saúde, e que ao mesmo tempo sustente economicamente o país.”

Karen Friedrich possui graduação em Biomedicina pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, Mestrado e Doutorado em Saúde Pública pela Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca, Fundação Oswaldo Cruz. Atualmente é servidora pública do Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde (INCQS) da Fundação Oswaldo Cruz e professora assistente da Universidade Federal do Estado do Rio.

Confira a entrevista.

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Oficina temática sobre o plantio e consumo de alimentos transgênicos

20, janeiro, 2014 Sem comentários

inscrição n. 1129 no Fórum Social Temático

Debate e construção de propostas enfatizando implicações para a saúde humana e ambiental e aspectos socioeconômicos, no momento em que o Brasil contabiliza 10 anos de cultivo, levando em conta visão atualizada da Comunidade Econômica Europeia.

Promoção – AGAPAN-GEA-UFFS

Fórum Social temático – Eixo 3 – justiça social e ambiental

Objetivo: Discutir o estado atual da produção e consumo de produtos transgêncios levando em conta implicações socio-economicas e ambientais, com ênfase para aspectos relacionados à saúde humana. Após palestra de contextualização será aberto espaço de debates e manifestações da plenária. Durante o evento serão coletadas manifestações da plenária com vistas à construção de propostas de encaminhamento.

Desenvolvimento proposto:

Abertura Alfredo Gui Ferreira – Presidente da AGAPAN

Coordenação Leonardo Melgarejo – Membro do GEA e da AGAPAN

Palestrante convidado – Antônio Andrioli, vice reitor da UFFS, membro do GEA, especialista em meio ambiente representante da Agricultura Familiar na CTNBio.

Antônio Andrioli relatará discussões de que participou na Alemanha e na Áustria, relativamente a estas questões, em novembro e dezembro de 2013, enfatizando o posicionamento e perspectivas da Comunidade Econômica Européia sobre a produção e consumo de OGMs, traçando paralelo com a situação nacional no momento em que contabilizamos dez anos de cultivo de transgenicos no Brasil.

Dia 21 de janeiro

das 19 às 21h

Local: Memorial do Rio Grande do Sul – Correios -Rua Sete de Setembro, 1020 ; Praça da Alfândega – Centro Histórico –Porto Alegre – RS – Brasil

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Produtores enfrentam problemas com o Milho RR em lavouras de soja

19, janeiro, 2014 Sem comentários

Aprosoja, 11/12/2013

O milho guaxo, presente em algumas lavouras de soja, tornou-se um sério problema para as propriedades rurais em Mato Grosso. Resultado dos grãos perdidos durante a colheita da segunda safra, o milho cresce em meio à soja em estágio vegetativo que caminha para o estágio produtivo. A resistência já foi constatada na safra passada, mas este ano a situação se agravou, explica o diretor técnico da Aprosoja, Nery Ribas. “Já estamos alertando há duas safras sobre o problema, e os prejuízos que podem causar”.

O fato é sério e essa presença indesejada preocupa por três grandes motivos. Primeiramente, pelo custo que o produtor terá com a aplicação de herbicidas, pois o milho RR é resistente ao principio ativo do glifosato. Em segundo, o milho invasor funciona como uma hospedeira, tornando-se uma boa fonte para disseminação de pragas, servindo de alimento e proteção para a lagarta Helicoverpa spp. E terceiro, pelo milho se tornar uma planta daminha que acaba competindo com a soja pelos nutrientes e água.

O prejuízo pode ser ainda maior, quando há a mistura de grãos de soja e milho durante a colheita. Isso pode gerar descontos para o produtor ao entregar a produção.

Nas visitas realizadas pela equipe técnica da Aprosoja às lavouras de soja em Mato Grosso, a maior concentração do problema foi constatado em locais que houve o cultivo de segunda safra com o milho RR, e até mesmo em híbridos não RR. Dentre os possíveis motivos estão: a polinização do milho “não RR” por híbridos RR, cultivados em áreas próximas, e mistura de sementes de milho RR em híbridos não RR.