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Arquivo de maio, 2016

O preconceito transgênico da Folha de S. Paulo

24, maio, 2016 Sem comentários

preconceito transgenico FolhaSP23mai2016

Nesta segunda (23) o jornal Folha de São Paulo publicou mais um editorial daqueles em que só faltou “jurar” que os transgênicos são mesmos seguros e que não causaram, não causam e nem nunca causarão nenhum tipo de problema para a saúde nem para o meio ambiente. As afirmações baseiam-se em relatório divulgado pela National Academies of Sciences, Engineering, and Medicine (EUA) que revisou mil estudos sobre o tema. O mesmo relatório diz, entretanto, que as plantas transgênicas não aumentaram a produtividade das lavouras, não trouxeram benefícios para o consumidores, mas sim criaram problemas para os agricultores a partir do desenvolvimento de novas pragas e de plantas resistentes a herbicidas. Ou seja, ao contrário do que noticiaram jornais como El País, o relatório não concluiu que “os transgênicos são tão saudáveis quanto os outros alimentos”. E, ao contrário do que defende o editorial da Folha de S. Paulo, o relatório da Academia de Ciências traz elementos que ajudam a sustentar a defesa e a necessidade da rotulagem de produtos transgênicos. Entre eles a possibilidade de a engenharia genética introduzir novos alergênicos na comida.

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Abaixo, um comentário de leitor que o jornal publicou hoje:

Painel de Leitores, Folha de S. Paulo, 24/05/2016

TRANSGÊNICOS

O editorial “Preconceito transgênico” baseia-se em revisão da Academia de Ciências dos Estados Unidos que desconsiderou pelo menos 750 estudos publicados na literatura científica. São pesquisas que levantam evidências de impactos negativos dos transgênicos à saúde e ao meio ambiente e estão organizadas em livro disponível na internet.

GABRIEL B. FERNANDES (Rio de Janeiro, RJ)

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Seed banks and national policy in Brazil

23, maio, 2016 Sem comentários

Farming Matters | Special issue on Access and Benefit Sharing

Written by Paulo Petersen , Gabriel Fernandes , Luciano Silveira , Emanoel Dias da Silva — last modified May 03, 2016 11:27 AM

Increasingly, seeds are the domain of professional breeders, agribusiness and policy makers. They decide what makes for a good variety and they develop legislation that excludes other varieties. Despite this, farmer organisations and social movements in Paraíba, Brazil, have managed to strengthen decentralised farmer-driven seed selection and distribution systems and public seed policies. They may well be opening the way for another seed regime in the country, with its own access and benefit sharing mechanisms.

Extinção do MDA: Crueldade e crime premeditado

23, maio, 2016 Sem comentários

Publicado na página da Democracia Socialista, em 16/05/2016

por Guilherme Cassel, ex-Ministro do Desenvolvimento Agrário

           “Ao decretar que o MDA é um ministério da área social, o governo golpista retira da Agricultura Familiar    brasileira o status de setor econômico e produtivo e a relega a um papel secundário, objeto não de políticas de estímulo econômico e produtivo, mas de políticas sociais e de combate a pobreza”.

 

Uma das primeiras medidas do governo ilegítimo que assaltou o poder no Brasil foi extinguir o Ministério do Desenvolvimento Agrário. Sob a justificativa de racionalidade administrativa, as estruturas do MDA foram fundidas com as do Ministério do Desenvolvimento Social, responsável, entre outras atribuições, pela gestão do Programa Bolsa Família. Mais do que uma insensatez, trata-se de um gesto de crueldade.

Tanto o MDS como o MDA têm estruturas enxutas, aquém das suas necessidades reais e trabalham com um enorme universo de pessoas e demandas: o Bolsa Família atende 13,8 milhões de famílias e o MDA é responsável pela gestão do crédito, do seguro agrícola, da assistência técnica e da comercialização, de mais de quatro milhões de famílias de Agricultores Familiares e de Assentados da Reforma Agrária. Nos dois casos, o volume de trabalho e a especialização necessária para bem realizá-lo justificam a existência dos dois ministérios. Simples assim. Autoexplicativo.

Reunir tudo isso em uma só pasta é apostar no fracasso e no desmantelamento das estruturas e programas no curto e no médio prazo e, cá entre nós, não temos o direito de, ingenuamente, pensar que se trata de um simples erro de avaliação ou desconhecimento. Não é. É crime premeditado.
Mas como afirmei que se trata de um gesto de crueldade, quero justificar. Ao decretar que o MDA é um ministério da área social, o governo golpista retira da Agricultura Familiar brasileira o status de setor econômico e produtivo e a relega a um papel secundário, objeto não de políticas de estímulo econômico e produtivo, mas de políticas sociais e de combate a pobreza.

Eles, os golpistas, sabem que a Agricultura Familiar Brasileira produz 70% de tudo aquilo que a população consome no dia a dia e que, portanto,trata-se de um setor econômico vital para a segurança alimentar e nutricional do país. Sabem – e sabem muito bem – que nos últimos 14 anos a renda média das famílias da Agricultura Familiar cresceu três vezes mais do que a média nacional, impulsionada por programas de crédito, seguro, assistência técnica e comercialização, que alavancaram a produção de alimentos no Brasil. Eles sabem de tudo isso. Sabem e não gostam.

Querem devolver os Agricultores Familiares brasileiros à pobreza do passado e isso tem nome: crueldade. Apostam no empobrecimento de uns para concentrar terra, crédito e riqueza nas mãos de uns poucos latifundiários. Querem minar a produção interna de alimentos para abrir mercado para a importação.

É necessário lembrar que o Ministério do Desenvolvimento Agrário foi criado no governo FHC, por pressão dos movimentos populares do campo. Não foi uma concessão, foi uma conquista, resultado de muitos anos de luta. De lá para cá, muita coisa mudou. O PRONAF é hoje um programa nacional de crédito para a produção que gira com mais de três milhões de contratos/ano, movimenta cerca de R$ 30 bilhões e tem sido copiado por diversos países em todo o mundo. O Programa Mais Alimentos, outro bom exemplo, permitiu que os Agricultores Familiares modernizassem suas propriedades, adquirindo máquinas e implementos agrícolas a juros baixos e prazos longos, aumentando com isso a produção e melhorando em muito as condições de trabalho no campo. Mais de 50 mil tratores foram adquiridos pelos agricultores depois da criação do programa em 2008.

Tudo isso tem nome e autor: o nome é mobilidade social e diminuição da desigualdade; os autores foram os governos Lula e Dilma. E é com isso que eles estão tentando acabar. As conseqüências, mais cedo ou mais tarde, todos iremos sofrer: alimentos mais caros e menos saudáveis, degradação ambiental e êxodo rural deteriorando a qualidade de vida no campo e nas cidades.

Extinguir o MDA no primeiro dia diz muito do caráter e das pretensões dos golpistas. A crueldade, o sadismo e o sentimento de impunidade costumam sempre andar juntos. Até que o povo os derrote.

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Futuro do herbicida glifosato em suspenso na União Europeia

20, maio, 2016 Sem comentários

Sem acordo, comité de peritos da Comissão Europeia não chegou a votar o prolongamento da autorização de venda do herbicida. Se nada for decidido até 30 de Junho, será proibida a venda de glifosato na União Europeia.

O futuro da comercialização do controverso herbicida glifosato continua em suspenso. O Comité Permanente de Plantas, Animais, Alimentos de Consumo Humano e Animal da Comissão Europeia, com representantes dos 28 Estados-membros, esteve reunido na quarta e na quinta-feira em Bruxelas para, entre outros assuntos, votar o prolongamento da venda do glifosato no espaço comunitário. A 30 de Junho, a autorização de venda deste herbicida expira. Em Março, o comité já tinha debatido o assunto sem ter chegado a uma conclusão. Nesta quinta-feira, sem os votos a favor de França e Alemanha, seria impossível obter-se uma maioria qualificada. E o assunto voltou a ser adiado.

“Já que não seria alcançada uma maioria qualificada, a votação não aconteceu”, segundo declarações oficiais de um porta-voz da Comissão Europeia no final da reunião. “A Comissão vai reflectir sobre os resultados destas discussões. Se nenhuma decisão for tomada até 30 de Junho, o glifosato não será mais autorizado na União Europeia e os Estados-membros terão de retirar a autorização [comercial] de todos os produtos à base de glifosato.”

O glifosato é um herbicida que mata uma grande variedade de espécies vegetais e é usado para queimar as ervas daninhas. É aplicado a nível urbano e na agricultura. Apesar de existir desde a década de 1970, o aparecimento de culturas geneticamente modificadas para serem resistentes ao glifosato fez disparar o uso do herbicida nas últimas décadas. Foi a gigante Monsanto que desenvolveu o químico. Mas na Europa há à venda mais de 300 herbicidas à base de glifosato de 40 empresas diferentes.

O actual impasse é um resultado directo da controvérsia existente sobre esta substância química. Em 2015, um relatório da Agência Internacional para a Investigação do Cancro, que faz parte da Organização Mundial da Saúde (OMS), concluiu que há “provas limitadas” de que o glifosato é carcinogénico. Mas um novo relatório de um comité conjunto da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e da OMS concluiu, na última segunda-feira, que “é pouco provável que o glifosato tenha um risco carcinogénico”.

A polémica levou a Comissão Europeia a decidir, em Março, que o prolongamento da autorização de venda do glifosato fosse de nove anos e não de 15 anos, como estava previsto inicialmente. Em Abril, uma votação no Parlamento Europeu recomendou que a renovação fosse de apenas sete anos. Segundo o jornal The Wall Street Journal, se nada ficar decidido até Julho, as lojas têm seis meses para vender os stocks dos produtos.

Portugal foi um dos países que se abstiveram sobre o assunto no comité, como tinha dito na quarta-feira no Parlamento o ministro da Agricultura, Luís Capoulas Santos. “Portugal absteve-se em função dos dados técnicos e científicos recolhidos, nos quais não encontrou argumentos sólidos para votar a favor ou contra”, especificou ao PÚBLICO o gabinete de comunicação do Ministério da Agricultura. Portugal esteve representado no comité por um técnico da Direcção-Geral de Agricultura e Veterinária.

“O Governo dispõe de uma margem para legislar em termos nacionais, que é considerada suficiente para dar uma resposta satisfatória à questão, enquanto não houver uma resposta europeia”, lê-se ainda na resposta por escrito do gabinete de comunicação. “Portugal já proibiu o uso da taloamina, um co-formulante utilizado em diversos herbicidas à base de glifosato, e está a ser desencadeado o processo legislativo com vista à proibição de utilização de fitofármacos em espaços públicos, com algumas excepções.”

Na quarta-feira, o projecto de lei do Bloco de Esquerda (BE) para proibir a aplicação de produtos contendo glifosato em zonas urbanas, de lazer e vias de comunicação foi chumbado com os votos contra da direita e do Partido Comunista Português. Um dos argumentos contra a substância usados pelo BE e pelos Verdes foi o princípio da precaução, que defende o não uso de uma substância até se provar que não faz mal. Do outro lado das barricadas, Pekka Pesonen, o secretário-geral de um grupo de sindicatos europeus de agricultores (Copa-Cogega), considera que a proibição do uso deste herbicida resultará numa “verdadeira desvantagem competitiva” para a Europa.

Notícia actualizada às 19h30

Vitória: STF garante rotulagem de qualquer teor de transgênicos, fruto de ação do Idec

20, maio, 2016 Sem comentários

Idec, 19/05/2016

Ministro rejeita recurso e mantém decisão obtida pelo Idec que exige informação no rótulo sobre uso de ingredientes geneticamente modificados, independentemente da quantidade 

 

O direito dos consumidores brasileiros à informação sobre transgênicos volta a prevalecer. Em decisão proferida no último dia 12, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin manteve a decisão obtida pelo Idec e voltou a garantir a indicação no rótulo de alimentos que utilizam ingredientes geneticamente modificados, independentemente da quantidade presente.

A exigência estava suspensa desde 2012, por uma decisão liminar (provisória) do ministro Ricardo Lewandovski, do STF, que atendeu ao pedido da União e da Associação Brasileira de Indústria de Alimentos (Abia) contra a decisão do Tribunal Regional Federal da Primeira Região (TRF-1), que foi favorável à ação do Idec.

A União e Abia alegavam que a decisão do TRF-1 “usurpava a competência” do STF de decidir sobre o tema. Mas, ao julgar o recurso, Fachin não concordou. Em decisão monocrática (analisada apenas por um julgador), o ministro relator do processo validou a decisão do Tribunal.

Código do Consumidor x Decreto

A decisão do TRF-1 que voltou a valer acolhe o pedido do Idec de rotulagem de qualquer teor de transgênicos e afasta a aplicação do Decreto n° 4.680/03, que flexibiliza a exigência de rotulagem apenas para produtos que contêm mais de 1% de ingredientes geneticamente modificados.

O Tribunal considerou que o direito à informação previsto no Código de Defesa do Consumidor (CDC) se sobrepõe ao decreto.

“A decisão do STF é muito importante neste momento, pois  enfraquece o PL que quer acabar com a rotulagem de transgênicos. Ela mantém a decisão fruto de uma Ação Civil Pública que garante que todos os alimentos geneticamente modificados devem ser rotulados, fortalecendo o direito à informação e o CDC”, destaca Claudia Pontes Almeida, advogada do Instituto.

A União e a Abia ainda podem entrar com novo recurso para que o tema seja analisado pelo plenário do STF. Mas, por hora, o direito à informação venceu mais uma vez.

Histórico da ação

Relembre os principais fatos envolvendo a ação do Idec para garantir a rotulagem de transgênicos:

2001: Idec entra com Ação Civil Pública contra a União para exigir informação clara no rótulo de alimentos sobre o uso de transgênicos, independentemente do teor de ingredientes geneticamente modificados presentes

2003: publicado o Decreto 4.680/03, que exige rotulagem apenas para produtos com mais de 1% de transgênicos

2007: sentença acolhe o pedido do Idec e obriga rotulagem de transgênicos, independentemente do teor. União e Abia entram com recurso

2009:  TRF-1 rejeita recurso e mantém sentença favorável aos consumidores, fruto da ACP do Idec. Abia e União recorrem ao STF.

2012: ministro do STF Ricardo Lewandovski acolhe pedido da União e Abia e concede liminar suspendendo decisão do TRF-1 até que o recurso seja julgado.

maio de 2016: ministro Edson Fachin, do STF, julga e rejeita o recurso, validando decisão do TRF-1 que garante a rotulagem de qualquer teor de transgênicos, como pediu o Idec em 2001.

 

<http://www.idec.org.br/em-acao/em-foco/vitoria-stf-garante-rotulagem-de-qualquer-teor-de-transgenicos-fruto-de-aco-do-idec>

 

 

 

 

Homenagem do MST ao prof. Paulo Kageyama

18, maio, 2016 Sem comentários

NOSSA ETERNA HOMENAGEM AO COMPANHEIRO PAULO KAGEYAMA!

A Direção Nacional do Movimento das Trabalhadoras e Trabalhadores Rurais Sem Terra – MST, reunida em São Paulo neste dia 17 de maio de 2016, recebe com profunda tristeza a notícia do falecimento do professor Paulo Kageyama, agrônomo, professor titular da ESALQ-USP, membro da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) e consultor da FAO.

A história do professor Paulo Kageyama é marcada pela dedicação em pensar outra matriz agrária e agrícola para nosso país, levando em consideração a conservação e manejo da grande biodiversidade, consolidando-se como um dos maiores pesquisadores dos bens naturais e da agroecologia. Seu legado científico e político é um marco fundamental para a civilização brasileira.

O prof. Kageyama sempre entendeu que essa biodiversidade é um bem comum dos povos, sendo historicamente conservada pela diversidade do campesinato brasileiro. Seu compromisso com os seringueiros, com os ribeirinhos, com os agricultores tradicionais, garantiu o desenvolvimento de uma teoria articulada com a prática que muito contribuiu para diversas iniciativas populares.

Em especial, desde o início dos anos de 1990 o MST e o prof. Kageyama construíram uma forte parceria para pensar e implementar sistemas produtivos pautados na agroecologia e na soberania alimentar em diversos estados do país. Inúmeras experiências se tornaram referência de práticas como a Agrofloresta e o planejamento territorial agroecológico.

Nos últimos 10 anos o prof. Kageyama, mantendo a coerência de suas posições científicas e políticas, se tornou um dos maiores lutadores contra os transgênicos, denunciando as consequências dessa tecnologia para a destruição da biodiversidade e o envenenamento do meio ambiente e da população. Ressaltamos sua postura combativa na Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) onde sempre defendeu os interesses do povo brasileiro frente às empresas transnacionais.

O legado de grandes intelectuais do povo, como o prof. Paulo Kageyama, perdura muito além de suas contribuições em vida. A agroecologia brasileira e a luta pela terra levarão seus aprendizados rumo à construção de um país agroecológico, solidário e socialista.

Kageyama sempre teve convicção de que a questão ambiental passa por um campo democratizado, pela realização da Reforma Agrária e pelo enfrentamento aos grandes grupos econômicos do agronegócio e da mineração que privatizam a terra, a água, a vida e toda natureza.

Para eternizar sua contribuição à luta pela agroecologia e à reforma agrária, o MST através de sua base, no estado da Bahia, decidiu em assembleia no dia de hoje, dar o nome a um assentamento que Kageyama acompanhava no município de EUNAPOLIS-Bahia, com 200 famílias assentadas, de Assentamento Prof. Paulo Kageyama. 

Para os trabalhadores e trabalhadoras sem terra Kageyama é como semente crioula que nunca morre, e sempre se multiplica: em cada latifúndio ocupado, nas escolas que se erguem, nos processos de formação, nas marchas, no plantio das agroflorestas, nas experiências agroecológicas e no movimento do povo de luta em mutirão. Que viva para sempre Kageyama, germinando nos lutadores e lutadoras do povo!!

São Paulo, 17 de maio de 2016

Direção Nacional do MST

 

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Homenagem a Paulo Kageyama, lutador da agroecologia

18, maio, 2016 Sem comentários

Kageyama era um defensor da agroecologia e atuante junto aos movimentos populares / Gerhard Waller

 

Pensem em um bom exemplo a ser seguido; Kageyama se foi e ainda estará entre nós, ajudando para um futuro mais justo

 

por Leonardo Melgarejo

 

Brasil de Fato, 17 de Maio de 2016

Pensem numa pessoa gentil, respeitosa, com disposição e humildade para ouvir a todos, demonstrando que sempre haverá o que apreender, na escuta atenciosa do que cada um tem a dizer. Pensem em um professor disposto a enfrentar escolas; insistindo, sempre, que os mestres devem aprender com os alunos. Que devemos desconfiar das tecnologias e estudar não para divulgá-las ou ganhar com elas, mas para filtrar seus efeitos a partir das respostas da natureza e da interpretação trazida pelos que com elas interagem, em sua vivência cotidiana. Nosso líder na luta contra os transgênicos, Paulo Kageyama.

Pensem em uma pessoa que em Seminário da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), no qual todos só falam sobre a importância da engenharia genética para acabar com a fome no planeta, sobe na tribuna para dizer o contrário. E que dali afirma ter chegado o momento do mundo reconhecer os erros, as ameaças e os danos contidos neste caminho, que além de comprometer a democracia e a solidariedade entre os povos, está ameaçando a natureza da vida, cujas dimensões sequer conhecemos em totalidade.

Pensem nesta pessoa dizendo, com calma, gentileza e cuidados, que cabe aos cientistas assumir o papel responsável de levar para a sociedade as informações corretas. De que a biodiversidade e a agroecologia têm respostas melhores para estes e outros problemas. E demonstrar, com humildade, que suas afirmativas se apoiam em mais de 20 anos de pesquisa participativa construída com agricultores assentados graças à luta do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), em áreas recuperadas de latifúndios improdutivos, no centro-sul do Brasil. Nosso líder na luta por uma ciência cidadã, Paulo Kageyama.

Pensem numa pessoa forte, com disposição para enfrentar a todos em defesa de cada um, apontando a importância da solidariedade como fundamento insubstituível, orientador de qualquer ato consciente, da vida, da pesquisa e do ensino, em suas múltiplas possibilidades. Pensem em uma pessoa disposta a defender uma idéia, contra todos e com ela abraçar as causas dos sem-nada, contra os que têm tudo, e que perto do final, mesmo quando muitos se afastavam, permanecia ali, entre eles, lutador. Nosso irmão, Paulo Kageyama.

Pensem em um homem que deixa rastro e lembranças por onde passou e passará. Pensem em um bom exemplo a ser seguido. Pensem em Paulo Kageyama, que se foi e ainda assim estará sempre entre nós, ajudando na construção de um futuro mais justo para todos. Pensem em Paulo Kageyama, presente.

**Paulo Kageyama, professor da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da USP e reconhecido lutador em prol da agricultura familiar e da agroecologia, faleceu nesta terça-feira (17).

*Leonardo Melgarejo é agrônomo e presidente da Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan).

 

Categories: agroecologia, editorial Tags:

Organizações do campo repudiam governo Temer

16, maio, 2016 Sem comentários

Diferentes organizações sociais do campo que reúnem agricultores familiares, assentados da reforma agrária e povos indígenas divulgaram notas nos últimos dias manifestando seu repúdio ao governo do presidente ilegítimo Michel Temer.

Em um de seus primeiros atos o governo nascido do golpe extinguiu o Ministério do Desenvolvimento Agrário e o Ministério do Desenvolvimento Social, que juntos implementavam um conjunto integrado de políticas para a agricultura familiar, a agroecologia e a segurança alimentar. Não custa lembra que é esse o setor da sociedade que produz cerca de 70% da alimentação diária dos brasileiros, e que agora corre o risco de ter suas políticas de apoio desmanteladas.

 

Confira nos links abaixo algumas dessas notas:

Fetraf-Brasil

“Para nós da FETRAF-BRASIL, trata-se sim de um golpe contra a democracia, e mais ainda, representa um golpe contra a classe trabalhadora, contra a agricultura familiar, contra os povos do campo, das águas e das florestas, contra as mulheres, contra a juventude, contra a população negra, contra os povos indígenas e os povos tradicionais. Trata-se de um golpe contra os avanços sociais e contra nossos direitos e nossas conquistas.”

CONTAG

(…) “A CONTAG não admitirá retrocesso nas políticas conquistadas a partir de muita luta e sacrifícios. Precisamos de políticas que melhorem as condições de vida e trabalho no campo, e não que tragam ainda mais prejuízos para quem produz alimentos saudáveis e garante a soberania e segurança alimentar da população. Precisamos avançar no desenvolvimento rural, na reforma agrária e na estruturação dos assentamentos já existentes.”

MST

“A “Ponte para a recessão”, do golpista Michel Temer, só levará à acentuação da crise social e econômica e ampliará a instabilidade política do país. O novo governo que se anuncia, por seu histórico, tampouco representa ruptura com os métodos corruptos, que todos denunciamos nas ruas.”

Articulação dos Povos Indígenas do Brasil

“A nossa preocupação aumenta diante da instalação de um novo governo que a maioria dos setores sociais e populares, como nós, considera ilegítimo e cuja composição é notadamente conservadora e reacionária, além de ser ajustada aos interesses privados que assaltaram o Estado e que ameaçam regredir os direitos sociais conquistados e, em nome da ordem e do progresso, pretendem aprovar medidas administrativas, jurídicas e legislativas para invadir mais uma vez os nossos territórios com grandes empreendimentos: mineração, agronegócio, hidrelétricas, fracking, portos, rodovias e ferrovias, entre outros.”

Articulação do Semiárido Brasileiro

“Estar a favor do direito de governar da Presidenta Dilma Rousseff não significa concordar com sua política econômica, com a Reforma da Previdência, com as múltiplas ações que inviabilizam as políticas sociais, penalizam os/as trabalhadores e trabalhadoras e desrespeitam seus direitos. Acerca das políticas sociais, reconhecemos a importância e o significado da continuidade de políticas como o “Bolsa Família”, “Minha Casa Minha Vida”, “Programa Cisternas”, “Pronatec”, “Mais Médicos”, “PAA”, “PNAE”, “Assistência Técnica”, “Crédito” e muitas outras que vêm garantindo aos/às mais pobres o acesso a direitos fundamentais.”

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PUC-Rio: III Jornada Universitária em Defesa da Reforma Agrária

10, maio, 2016 Sem comentários

Clima e pragas preocupam produtores de milho de Mato Grosso

4, maio, 2016 Sem comentários

No Mato Grosso avança a ocorrência de insetos praga que desenvolveram resistência ao milho transgênico Bt, que deveria controlar essas pragas. Além disso, como relata a matéria abaixo, pragas de importância secundária como o percevejo passam a ganhar importância. Ou seja, mais inseticidas sobre a tecnologia que prometia acabar com sua necessidade… [os grifos abaixo foram adicionados]

Notícias Agrícolas, 03/05/2016

Os produtores rurais de Mato Grosso estão preocupados com a safra de milho. Dados preliminares coletados pelas equipes do Circuito Tecnológico Etapa Milho mostram que haverá queda na produtividade. “Há o problema climático e também o plantio fora da janela ideal, consequência da safra anterior de soja. Na região Leste houve muitos relatos deste problema”, explica Cristiani Bernini, analista da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja).

Além disso, há a ocorrência de pragas na maior parte dos cultivos de milho transgênico, por causa da perda de resistência dos híbridos Bt. A Aprosoja monitora este problema e há rodadas frequentes para observar o desenvolvimento desta tecnologia no controle das pragas, especialmente da lagarta do cartucho.

O pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Alexandre Ferreira, observou que, além de milho semeado fora da janela, há área razoável de lavouras semeadas com milho grão. “Vimos também problemas com má distribuição de plantas na linha, principalmente por causa da velocidade no plantio. E ainda grande incidência de percevejos”, observa.

“A comissão de Defesa Agrícola está trabalhando fortemente com o grupo de trabalho que monitora a qualidade das sementes em relação a vigor e germinação. Nesta safra, a maior parte dos relatos sobre baixa qualidade das sementes foi na região Norte”, afirma Franciele Dal’Maso, analista da Aprosoja.

O circuito – As seis equipes técnicas do Circuito Tecnológico Etapa Milho percorreram mais de 7.600 quilômetros e cobriram uma área de mais de 210 mil hectares de lavouras de milho, um aumento de 12% da área em relação ao evento do ano passado. Foram visitados 30 municípios e aplicados 187 questionários. Os dados estão sendo analisados pelos especialistas da Aprosoja e da Embrapa e pelos estatísticos do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea).

O Circuito Tecnológico Etapa Milho ocorreu de 25 a 29 de abril e foi realizado pela Aprosoja e pela Embrapa, com apoio do Imea. São patrocinadores a Syngenta, Dupont e UPL.

Fonte: Aprosoja