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Feijão transgênico: Polêmica à mesa

17, abril, 2013 1 comentário

Intimidação: pesquisador da Embrapa Francisco Aragão diz que autora de estudo científico que criticou processo de liberação do feijoeiro transgênico “merecia responder em juízo”

 

Aprovado em 2011 para produção comercial, feijão geneticamente modificado desenvolvido pela Embrapa está no centro de discussão que envolve papel da CTNBio como regulador de biossegurança no Brasil.

CIÊNCIA HOJE, 16/04/2013

Por: Célio Yano

Até 2015 deve começar a ser cultivado no Brasil o feijão resistente ao vírus do mosaico dourado, primeiro transgênico desenvolvido com tecnologia 100% nacional e liberado para plantio e comercialização pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio).

O que pode soar boa notícia para agricultores, que veem na nova variedade uma solução para as perdas enfrentadas com a praga, é motivo de preocupação para alguns pesquisadores. Para eles, o cultivo e o consumo de organismos geneticamente modificados (OGMs) desenvolvidos com a tecnologia usada no feijão transgênico podem oferecer riscos à saúde e ao meio ambiente.

Essa tese é tema de artigo publicado na atual edição do periódico científico Environment International, no qual pesquisadores de Brasil, Austrália e Nova Zelândia questionam a atuação de órgãos reguladores de cada um dos países na liberação de OGMs.

Para eles, ao liberar o cultivo e o comércio de OGMs que contêm moléculas chamadas de RNA de fita dupla (dsRNA) – caso do feijão resistente ao mosaico dourado –, os órgãos reguladores estariam ignorando a possibilidade de efeitos adversos ao usar critérios ultrapassados de análise de risco.

Foram estudados os casos do Food Standards Australia New Zealand (FSANZ), que atua na Austrália e na Nova Zelândia, do Office of the Gene Technology Regulator (OGTR), da Austrália, e da CTNBio, do Brasil.

“A ideia de escrever o artigo surgiu porque vimos que esses três órgãos agem de maneira muito parecida”, diz a agrônoma brasileira Sarah Agapito, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), coautora do artigo.

A produção comercial do feijão resistente ao vírus do mosaico dourado foi aprovada em setembro de 2011 após cerca de uma década de estudos. O produto foi criado nos laboratórios da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), instituição pública que não pretende cobrar royalties de agricultores que cultivarem o OGM.

O problema

A técnica tradicional de modificação genética de uma espécie consiste na inserção de um pedaço de DNA em seu genoma. Dessa forma, o organismo transgênico passa a expressar uma proteína de interesse – por exemplo, que o torne resistente a determinada praga.

O feijão imune ao vírus do mosaico dourado pertence a outra categoria de OGM, que, em vez de expressar uma nova proteína, produz o dsRNA. É esse dsRNA gerado que, ao se acoplar a moléculas do vírus, impede que o agente infeccioso contamine o vegetal. “O problema é que não se sabe o que pode acontecer a um animal ou ser humano exposto a essa nova molécula de dsRNA”, diz Agapito. “Uma extensa literatura independente indica haver efeitos adversos dessas moléculas.”

Agapito: “O problema é que não se sabe o que pode acontecer a um animal ou ser humano exposto a essa nova molécula de dsRNA”

Entre as mais de 100 referências citadas no artigo, a pesquisadora destaca o trabalho do grupo de Lin Zhang. Em janeiro de 2012, o pesquisador chinês publicou artigo na revista Cell Research em que afirma ter encontrado moléculas de dsRNA de uma espécie de arroz geneticamente modificada na corrente sanguínea de humanos.

“Isso comprova que essas moléculas são estáveis, ou seja, sobrevivem à industrialização e ao cozimento, uma vez que não se consome arroz cru, e ainda passa incólume ao processo de digestão antes de chegar ao sangue”, diz a pesquisadora da UFSC. “Em laboratório, os chineses demonstraram ainda que a molécula de dsRNA encontrada na planta era capaz de regular genes de roedores que a consumiam.”

Agapito considera que os métodos usados para avaliação de riscos do feijão desenvolvido pela Embrapa não foram suficientes para verificar as rotas de exposição às moléculas de dsRNA. “O argumento da CTNBio para liberar o OGM foi que, por não produzir uma proteína nova, a variedade não teria risco de alergenicidade ou toxicidade”, diz. “Entre os testes feitos, alimentaram roedores com uma solução aquosa do dsRNA e com folhas ou grãos de feijão crus, o que claramente não é suficiente – ninguém come feijão desse jeito.”

Segundo a pesquisadora, todos os questionamentos expostos no artigo haviam sido enviados à CTNBio antes da votação que liberaria o feijão transgênico para cultivo e comércio. “Nós, da UFSC, redigimos um relatório técnico advertindo para a existência de literatura que aponta haver possibilidade de riscos, mas o documento foi rejeitado”, diz.

CNTBio se pronuncia

Procurado pela CH On-line, o farmacêutico bioquímico Flavio Finardi Filho, presidente da CTNBio, enviou documento de oito páginas em que contesta os argumentos levantados no artigo assinado por Sarah Agapito e detalha o processo de avaliação de riscos feito com OGMs.

Finardi: “Se a decisão final foi favorável é porque as informações coletadas não indicavam riscos importantes”

Ele nega que o relatório técnico produzido pelo grupo da UFSC tenha sido ignorado pela CTNBio na avaliação de risco do feijão transgênico. “Se a decisão final foi favorável é porque as informações coletadas não indicavam riscos importantes.” No processo de aprovação comercial da planta, o farmacêutico bioquímico foi um dos relatores. O presidente da CTNBio na ocasião era o agrônomo Edilson Paiva.

Em outro trecho do documento, Finardi rebate a crítica feita ao teste com folhas do feijão transgênico. Segundo ele, é nas folhas que os dsRNAs são metilados como nos grãos e estão disponíveis em maior concentração.

Pesquisador da Embrapa comenta artigo

O engenheiro agrônomo Francisco Aragão, da Embrapa e um dos coordenadores do projeto de desenvolvimento do feijão transgênico, também critica o artigo. Assim como Finardi, ele argumenta que o dsRNA presente na espécie geneticamente modificada já existe na natureza, uma vez que é produzido pela variedade não transgênica quando esta é infectada pelo vírus do mosaico dourado.

Aragão questiona ainda o artigo do chinês Lin Zhang, utilizado como referência por Sarah Agapito. “Há dezenas de outras pesquisas feitas antes e depois do trabalho de Zhang que dizem que isso não acontece [RNA de planta ser absorvido por mamífero e regular organismo do animal]”.

Segundo o pesquisador da Embrapa, os testes de avaliação de risco do feijão transgênico seguiram a resolução normativa número 5 da CTNBio e envolveram caracterização molecular e agronômica da planta, análise de composição de fatores nutricionais e antinutricionais, experimentos no campo em três regiões do Brasil e alimentação de animais com as plantas cozidas. Posteriormente, esses animais ainda teriam sido analisados do ponto de vista bioquímico e celular.

O engenheiro agrônomo minimiza o fato de o artigo, que ele considera ser “de opinião”, ter sido publicado em uma revista de fator de impacto relevante (qualificação A1 na Qualis/Capes). “Há trabalhos sendo despublicados de periódicos de mais prestígio o tempo todo”, ressalta. “Quando a publicação aceita o paper, significa que o texto passou por um crivo mínimo, mas é só depois da publicação que vai poder ser confrontado por toda a comunidade científica.”

Sem acordo

Para Sarah Agapito, as justificativas dadas por Finardi e Aragão não são suficientes. “A argumentação de que moléculas de dsRNA produzidas pelo feijão transgênico da Embrapa já estão presentes no meio ambiente em plantas infectadas com o vírus do mosaico dourado é falsa”, diz. “Foram inseridos cerca de 50 mil nucleotídeos [DNA] no feijão transgênico, sendo que mais de uma cópia da sequência que produz o dsRNA está presente. E, mais importante, essas sequências estão truncadas, ou seja, são diferentes daquela que era esperada.”

Por fim, a pesquisadora desafia os integrantes da comissão de biossegurança brasileira. “Se alguns membros da CTNBio acreditam que sua metodologia de análise de risco de plantas transgênicas contendo tecnologia de dsRNA está correta, eles deveriam expor seus argumentos em artigo científico. E que este seja, é claro, submetido a uma avaliação peer-reviewed [revisão por pares] e, se aprovado, que tenha livre acesso para que toda a comunidade científica fique sabendo.”

Aragão: “Em minha opinião, algumas coisas que estão escritas no artigo mereciam que a autora respondesse em juízo”

À CH On-line, Aragão afirmou que ainda estuda se encaminhará algum tipo de resposta à revista Environment International. “Mas, em minha opinião, algumas coisas que estão escritas no artigo mereciam que a autora respondesse em juízo”, diz, ressaltando que fala apenas em seu nome, não como porta-voz da Embrapa.

O trabalho recebeu manifestação de apoio de ONGs como a European Network of Scientists for Social and Environmental Responsibility, a Third World Network e a GM Watch.

Embora a produção comercial do feijão transgênico tenha sido aprovada pela CTNBio em setembro de 2011, a leguminosa ainda passa por ensaios técnicos nas cinco regiões do Brasil por exigência do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. No ano que vem deve ser feita a multiplicação das sementes para que em 2015 tenha início o cultivo em larga escala.

Célio Yano
Ciência Hoje On-line/ PR

Órgãos reguladores não avaliam adequadamente risco de transgênicos, diz estudo

9, abril, 2013 2 comentários

Pesquisadores alertam que órgãos reguladores falham ao analisar riscos de novos transgênicos

A conclusão dos autores é de que não existe nenhum procedimento validado para testar a segurança de moléculas de dsRNAs, seja para alimentação humana ou meio ambiente.

Por Agência de Comunicação (Agecom) da UFSC, 22/03/2013

Em recente artigo publicado em revista científica Environment International Journal, classificada com o conceito máximo do ranking da Capes, A1, pesquisadores afirmam que órgãos governamentais regulamentadores não estão considerando riscos importantes relacionados a novos tipos de plantas geneticamente modificadas. O estudo aborda os riscos de produtos emergentes contendo moléculas chamadas de RNA de fita dupla (dsRNA).

Processo de liberação do feijão transgênico da Embrapa pela CTNBio também foi analisado pelos pesquisadores

Intitulado “A comparative evaluation of the regulation of GM crops or products containing dsRNA and suggested improvements to risk assessment”, o artigo é escrito por pesquisadores de três países: Jack Heinemann, Universidade de Canterbury da Nova Zelândia, Sarah Agapito-Tenfen, da Universidade Federal de Santa Catarina, Brasil, e Judy Carman, Universidade de Flinders, Austrália.

A conclusão dos autores é de que não existe nenhum procedimento validado para testar a segurança de moléculas de dsRNAs, seja para alimentação humana ou meio ambiente. Também não existem documentos de orientação para aconselhar órgãos reguladores internacionais. Além de demonstrar as falhas dos sistemas atuais em avaliar a possibilidade de efeitos adversos oriundos de moléculas dsRNA, os autores propõem um processo para testar organismos geneticamente modificados (OGMs) ou outros produtos que possam conter moléculas de dsRNAs.

Demanda por mais estudos

Os novos organismos geneticamente modificados são desenhados para produzir uma forma de RNA, os RNAs de fita dupla, chamados de dsRNA. Enquanto a maioria das plantas transgênicas é desenhada para produzir proteínas, os novos tipos de plantas transgênicas produzem dsRNAs para alterar a maneira como os genes são expressos. Essas moléculas de dsRNA podem ser transferidas de plantas para humanos e outros animais através da alimentação. Além disso, poderiam ser potencialmente transferidas por inalação de partículas oriundas destas plantas transgênicas (como por exemplo, inalação de farinha de trigo transgênico) ou por absorção através da pele.

A mesma tecnologia está sendo desenvolvida para ser pulverizada diretamente na lavoura como um tipo de pesticida. Também existe a proposta de uso na alimentação de insetos, como é o caso da tentativa de controle de um vírus que ataca abelhas.

Embora o RNA seja um componente normal de todas as células, na forma de dsRNAs ele pode ter efeitos que dependem da espécie e do tecido a que são expostos. De acordo com a professora Judy Carman, da Universidade de Flinders na Austrália e co-autora do artigo, “As moléculas de dsRNA produzidas pelas plantas transgênicas podem funcionar exatamente como pretendido e não apresentar nenhum outro efeito”, explica. “Por outro lado, elas podem ter efeitos adversos tanto em organismos alvo da tecnologia, quanto em outros organismos, tais como humanos e espécies selvagens. Nós não saberemos até fazermos análises completas, e estas análises ainda não foram feitas”, completa.

Os autores defendem que não existe base científica para extrapolar a segurança destas novas moléculas de dsRNA a partir do histórico de uso seguro de moléculas de dsRNA de células de plantas, animais, fungos e microorganismos que comemos.

Como os produtos são autorizados

Os autores revisaram conjuntamente três órgãos regulamentadores responsáveis pela segurança alimentar e ambiental, com jurisdição em três países: Austrália, Brasil e Nova Zelândia. As decisões destes órgãos são relativas a aprovações de três tipos de plantas transgênicas que foram desenvolvidas para produzir, ou que poderiam produzir, novos dsRNA a serem utilizadas na alimentação humana ou animal. Os autores fazem registro às suas recomendações a estes órgãos e as respostas dos mesmos.

“Cada regulador encontrou motivos para não questionar as empresas proponentes para testar efeitos específicos relacionados às moléculas de dsRNA, e assim contaram com suposições ao invés de testarem para determinar a segurança destes produtos” diz a co-autora Sarah Agapito-Tenfen, doutoranda na Universidade Federal de Santa Catarina, Brasil, que analisou o trabalho da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), na liberação de feijões transgênicos (Phaseolus vulgaris) produzidos pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

O artigo demonstra que os órgãos reguladores têm negado a priori a necessidade de se avaliar tanto os efeitos diretos quanto os efeitos secundários potenciais das moléculas de dsRNA. Ainda, tais instituições têm recorrido a informações falhas e desatualizadas sobre a bioquímica destas moléculas de dsRNA.

Assim, não há registro público de nenhum órgão regulador requisitando ou revisando estudos que forneçam evidências para a ausência de efeitos indesejados de novas moléculas intencionais de dsRNA no OGM, efeitos de novas moléculas não-intencionais de dsRNA no OGM e produção de novas moléculas de dsRNA secundárias no OGM ou em pessoas expostas ao OGM (por exemplo: através de inalação, ingestão ou absorção) – incluindo insetos não-alvo, espécies selvagens e humanos. Consequentemente, nunca foi realizado um estudo de toxicidade aguda ou crônica em qualquer OGM comercial que tenha a capacidade de detectar qualquer efeito que pudesse surgir especificamente a partir das moléculas de dsRNA primárias ou secundárias geradas pelo OGM.

Proposta de novos testes

“Para nossa surpresa, descobrimos que não existem protocolos internacionalmente aceitos ou sequer diretrizes sobre como conduzir uma análise de risco adequada e completa em produtos com essas novas moléculas de dsRNA” diz Prof. Jack Heinemann, professor da Universidade de Canterbury na Nova Zelândia e principal autor do artigo. A fim de preencher esta lacuna, os autores desenvolveram o que seria o primeiro procedimento formal para análise de risco de produtos baseados em dsRNA, tanto para organismos vivos geneticamente modificados como para agentes pulverizados em lavouras.

Os autores defendem que todos os OGMs sejam avaliados para a presença de moléculas de dsRNA adversas. Ou seja, até mesmo aqueles OGMs que não foram produzidos com a intenção de expressarem essas moléculas necessitam ser avaliados para a presença destas, pois estas moléculas são subprodutos comuns do processo de engenharia genética. Até hoje nenhum OGM foi avaliado desta maneira.

O esquema de avaliação de risco proposto pelos autores baseia-se na aplicação daquilo que está mais cientificamente desenvolvido até hoje. A capacidade de utilizar mecanismos baseados nesta ciência de ponta está bem alocado dentro da experiência da indústria e da comunidade acadêmica e não é particularmente caro. Por exemplo, as técnicas de bioinformática sugeridas requerem apenas um computador, acesso à internet e pessoal capacitado, com um treinamento comum para qualquer profissional da área de biologia molecular.

Mais informações:

Jack A. Heinemann é Professor Titular na disciplina de Genética e Biologia Molecular na Escola de Ciências Biológicas e Diretor do Centro de Pesquisas Integradas em Biossegurança, ambos na Universidade de Canterbury, Nova Zelândia. Contatos: jack.heinemann@canterbury.ac.nz; +64 3 364 2500

Sarah Z. Agapito-Tenfen tem Mestrado em Recursos Genéticos Vegetais pela Universidade Federal de Santa Catarina e atualmente faz seu doutorado na mesma instituição. Contatos: sarahagro@gmail.com; +55 48 3721-5336 e (48) 8823-7793.

Dra. Judy Carman é Professora Associada na área de Saúde e Meio-Ambiente na Escola de Meio-Ambiente da Universidade de Flinders/Austrália e é Diretora do Instituto de Pesquisas em Saúde e Meio-Ambiente. Ela possui qualificações em epidemiologia e bioquímica. Contatos: judycarman@ozemail.com.au; +61 408 480 944

Link para o Artigo:

http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0160412013000494

Pela responsabilização das empresas de biotecnologia por danos causados pelos transgênicos

26, junho, 2012 Sem comentários

      O segundo boletim informativo “Biodiversidade e Rio+20”, produzido pela Terra de Direitos, aponta a necessidade de responsabilização das empresas de biotecnologia pelos danos gerados pelos transgênicos no meio ambiente.

Segundo a publicação, o Protocolo Suplementar ao protocolo de Cartagena pode ser instrumento de responsabilização das transnacionais da biotecnologia por danos causados pelos transgênicos ao meio ambiente e à saúde pública.

Clique aqui para acessar o boletim em pdf.

Acesse também o planfleto sobre o tema.

OAB-RJ na Cúpula dos Povos

20, junho, 2012 Sem comentários

Categories: transgênicos Tags:

EFSA impõe restrições para milho TC 1507

2, dezembro, 2011 Sem comentários

A autoridade europeia em segurança alimentar reviu sua avaliação de risco referente ao milho Bt 1507 (Pioneer), letal para alguns tipos de lagartas. Diante de novas evidências científicas, o órgão estabeleceu medidas de restrição para seu cultivo e monitoramento.

O Painel sobre OGMs concluiu que a variedade não deve levantar preocupações acerca de sua segurança ambiental desde que medidas apropriadas de manejo sejam implementadas durante seu cultivo. Foram recomendadas medidas para enfrentar o desenvolvimento de resistência ao inseticida Cry1F presente no milho 1507 pelos insetos praga e para reduzir a exposição de insetos altamente sensíveis como borboletas e mariposas ao pólen da planta.

Além disso, o Painel reconheceu a necessidade de atualizar sua posição anterior, emitida em 2005, e também concluiu que o desenvolvimento de resistência nos insetos praga pode gerar danos adversos ao meio ambiente, que seriam traduzidos na necessidade de novas medidas de manejo para controlar os insetos resistentes.

A publicação do EFSA está disponível em: http://www.efsa.europa.eu/en/efsajournal/pub/2429.htm

Com informações do GENET.

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p.s.: É importante que um órgão regulador reconheça que deve rever suas decisões de tempos em tempos ou sempre que apareçam fatos novos. Por outro lado, como evitar que borboletas ou mariposas se aproximem das lavouras transgênicas ou entrem em contato com o pólen produzido por suas plantas? Parece que o único jeito seria proibir o plantio dessa variedade.

Essa mesma variedade TC 1507 está liberada no Brasil e para o seu cultivo não existe nenhum tipo de restrição ou recomendação . Para completar, a mesma CTNBio que a liberou acaba de descartar a necessidade de realização de monitoramento pós-comercialização, que foi uma das recomendações da EFSA.

Debate sobre feijão transgênico no boletim da SBPC

7, outubro, 2011 Sem comentários

A seguir você encontra os links para artigos publicados no Jornal da Ciência E-mail apresentando diferentes visões sobre a liberação do feijoeiro transgênico da Embrapa.

 

O feijão nosso de cada dia

JC e-mail 4359, de 06 de Outubro de 2011.

http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=79594

Artigo de José Maria Gusman Ferraz, membro da CTNBio.

Seria obscurantismo optar por mais estudos para esclarecer dúvidas, ou seria cegueira científica a desconsideração destes fatos?”

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O feijão transgênico da Embrapa é seguro

JC e-mail 4358, de 05 de Outubro de 2011.

http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=79573

Francisco G. Nóbrega e Maria Lucia Zaidan Dagli são membros da CTNBio e votaram a favor da liberação do feijão transgênico.

(…) consumam alegremente e com orgulho o feijão com “tesão” da Embrapa, o símbolo nazista-alimentar que transformaremos, espero, em motivo de satisfação nacional.”

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Avaliação de risco do feijoeiro transgênico: serenidade na condução e consistência dos resultados

JC e-mail 4356, de 03 de Outubro de 2011.

http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=79511

Artigo de Alexandre Nepomuceno, Amilcar Tanuri , Antônio Euzébio Goulart, Augusto Schrank, Bivanilda Tápias, Flávio Finardi, Francisco Aragão, Francisco Campos, Francisco Gorgônio da Nóbrega, Leandro Astarita, Maria Lúcia Carneiro Vieira, Odir Dellagostin, Paulo Paes de Andrade e Walter Colli, que são ou foram membros da CTNBio.

Por acaso algum animal anda como um carro?”

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Por um feijão maravilha seguro

JC e-mail 4347, de 20 de Setembro de 2011.

http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=79348

Artigo assinado por Rubens Onofre Nodari, professor titular da UFSC, Solange Teles da Silva, professora da UEA, Paulo Yoshio Kageyama, professor titular da ESALQ/USP, Luiza Chomenko, pesquisadora MCN/FZB-RS e Magda Zanoni, professora da Universidade Paris-Diderot, todos ex-integrantes da CTNBio.

Sim, há muita desinformação e por vezes mentiras no ar. Escutamos e lemos repetições de afirmativas sem fundamento, como as (…) que alegam que uma panela de pressão pode dar conta de inativar todos os produtos no caso de feijão GM (Jornal Nacional 06.09.2011).”

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Feijão Maravilha

JC e-mail 4338, de 06 de Setembro de 2011.

http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=79160

Artigo do tucano Xico Graziano publicado originalmente em O Estado de São Paulo, 06/09/2011.

Está chegando o transgênico verde-amarelo, maravilha da biotecnologia nacional.”

 

Por um feijão maravilha seguro

20, setembro, 2011 Sem comentários

JC e-mail, SBPC, 20/09/2011

Artigo enviado ao JCEmail pelos autores, em resposta ao artigo “Feijão maravilha”, de Xico Graziano, publicado no jornal O Estado de São Paulo de 6 de setembro.

“Uma vez que biossegurança interessa todos, vale a pena então discutirmos a questão de um feijão maravilha seguro!”

Respondemos inicialmente a um artigo do Sr. Xico Graziano publicado no Jornal o Estado de São Paulo aos 06.09.2011 intitulado por um feijão maravilha, no qual ele apresentou um discurso estranhamente triunfalista e afirmou que o “transgênico verde amarelo maravilha da biotecnologia nacional” representava um “golaço da moderna agronomia”. Em primeiro lugar não se trata de trabalho da agronomia, não é verde e amarelo, e dificilmente poderá vir a ser um golaço. Vários feijões transgênicos já foram desenvolvidos, testados e descartados. Dada à escassez de informações que o cerca, com muita sorte, pode vir a ser um escanteio.

Em segundo lugar os elogios rasgados se apoiam em forte demonstração de desconhecimento dos procedimentos realizados nesta obra. O autor revela supor que, porque “demoraram toda uma década”, os cientistas da Embrapa comprometidos com este projeto teriam trabalhado demais, ou mais rápido do que o resto do mundo (…) e, mais, supondo que a “biobalística, técnica de bombardeamento celular em laboratório” oferece alguma segurança e precisão científica e que o acaso não interferiu neste resultado onde “os cientistas conseguiram introduzir parte de material genético do vírus diretamente no genoma nuclear do feijoeiro”; o autor deixa claro que não entende do assunto. Talvez por isso não lhe ocorram dúvidas a respeito do que mais possa ter ocorrido com o genoma do feijoeiro e nem sequer questionou os experimentos que foram realizados em campo, aliás, foram realizados em 2008-2009.

Ao imaginar que há seriedade em frases como “o mosaico dourado trombou com a ciência”, a “transgenia foi copiada da natureza”, e que “a ciência superou o medo”, o autor literalmente equivoca-se profundamente, não sabe quais são as regras do jogo e nem mesmo a diferença entre futebol de areia e em um gramado, mas isso se estivéssemos diante de jogo de futebol. Entretanto, a questão merece um tratamento adequado e não se trata de levantar uma bandeira de um time de futebol, de ser contra ou a favor.

Trata-se de pensar no futuro do País, no futuro de sua população, em sua saúde e bem-estar. Somos todos brasileiros, somos todos seres humanos e estamos no mesmo barco. O feijão é o segundo alimento da lista de consumo dos brasileiros, com um consumo diário médio de 182,9 gramas de acordo com pesquisa do IBGE (2011).

O que nós temos então nesse caso? Literalmente, a ciência se utilizou de mecanismos de uma bactéria, para incorporar transgenes que não se prestam a relações simbióticas – e nisso ainda estaríamos diante de mecanismos menos imprecisos do tiro no escuro da biobalística, método aleatório e sem precedentes na natureza-, e a ciência trombou, sim, não com o vírus transmitido pela mosca branca, mas com os interesses de curto prazo estabelecidos em instâncias decisórias, a ponto de permitir que a transgenia ameace definitivamente a natureza, e que esta pseudociência gere novos e fundados temores, apesar do ufanismo e miopia de muitos. Aliás, dos 22 eventos do feijão gerados para resistência ao mosaico, apenas dois destes funcionaram e não se sabe o porquê – isso relata a própria Embrapa!

Sim, há muita desinformação e por vezes mentiras no ar. Escutamos e lemos repetições de afirmativas sem fundamento, como as do autor a quem respondemos, ou ainda outras que alegam que uma panela de pressão pode dar conta de inativar todos os produtos no caso de feijão GM (Jornal Nacional 06.09.2011). E, a rigor, a população acaba por não saber o que mais mudou no feijão GM, não há informações sobre a contaminação e os riscos humanos e à saúde, enfim não sabemos sobre os perigos dessa tecnologia.

Mas, sabemos com certeza que graças à pressa desenfreada e a uma política do “jeitinho brasileiro” que não considera o fato que estamos lidando com alta tecnologia, “vem aí o feijão maravilha, obra prima da pesquisa nacional”, e que se calem os cientistas que pensam o contrário, e torçamos todos para que o acaso ajude os que pensam ter tudo sob controle, pois só assim o pior será evitado. Ou no máximo estabeleceremos como para os veículos uma política de recall… a questão é… como fazer esse recall quando o que está em jogo é a saúde da população brasileira, o meio ambiente e relações que muitas vezes não são visíveis a olho nu.

Em que pese tudo isso, o autor estava certo quando afirmava que “resta[va] aguardar a liberação do plantio comercial do feijão transgênico, decisão a ser tomada nos próximos dias pela CTNBio” e isso foi o que ocorreu, sem que houvesse, todavia, no seio dessa comissão a possibilidade de manifestação de vários setores da sociedade civil, dentre eles, especialistas em defesa do consumidor e em saúde do trabalhador. Coincidência ou não, seria essa mais uma tática para afastar das discussões aqueles que questionam indagam e indicam a necessidade da realização de estudos para que efetivamente tenhamos um feijão maravilha seguro?

Foi assim então que na 145ª Reunião Plenária da CTNBio aos 15 de setembro de 2011 o feijão transgênico evento Embrapa 5.1 resistente ao vírus do mosaico dourado do feijoeiro foi aprovado: 15 votos a favor, 2 abstenções e 5 votos pela diligência, quer dizer, posicionando-se para que fossem realizados mais estudos. Merece destaque o voto do representante do Ministério da Ciência Tecnologia e Inovação que se absteve e fica a indagação: diante de questão tão complexa e importante para a sociedade brasileira poderia ele ter simplesmente ficado em cima do muro, enquanto em discurso nesse ano diante dessa comissão mostrou-se favorável não apenas a aplicação do principio da precaução e da biossegurança, mas do desenvolvimento do campo da geossegurança? Por que alguns membros indicaram a necessidade de mais estudos? Seriam eles radicais ou teriam como objetivo que houvesse um equilíbrio entre os interesses econômicos do desenvolvimento desse feijão GM e a saúde da população brasileira e proteção ambiental?

Há uma imensa dificuldade de controlar as partículas virais e a análise de risco nesse caso deve levar em conta essa particularidade. Trata-se de um feijão transgênico, a ser utilizado como alimento, que utiliza uma nova tecnologia que não foi nunca antes utilizada em larga escala em nenhum outro país, ou seja, nenhuma população foi em larga escala alimentada diretamente por um transgênico com essa tecnologia.

Entretanto, várias informações em relação a esse feijão transgênico foram consideradas confidenciais não permitindo saber exatamente o que foi inserido no feijão e, como relatam Nodari e Agapito-Tefen “Não se sabe quais proteínas transgênicas são expressas nesta planta. Não se sabe como detectar este transgênico em alimentos ou em outras plantas contaminadas” (Parecer técnico independente encaminhado a CTNBio por Nodari e Agapito-Tenfen – UFSC – a CTNBio sobre o processo 01200.00.005161/2010-86). A Embrapa, através de parte de seus pesquisadores, ao impedir o acesso da comunidade científica ou da população às informações moleculares está contribuindo para o obscurantismo da ciência, ao não querer mostrar o que de fato está ocorrendo no feijão transgênico. Esconder da sociedade o que estará dentro de um prato de comida não foi uma prerrogativa dada pela sociedade a uma empresa mantida com recursos oriundos desta própria sociedade.

E parte do que se sabe foi relatado na reunião por um dos membros da CTNBio: em parte do processo a Embrapa indica que os estudos com sete cobaias foram realizados por 35 dias, em outra parte o período indicado foi de 45 dias e, dessas sete cobaias, quatro são fêmeas e três machos. Apenas os três machos foram sacrificados e estudos realizados em seus órgãos, tendo sido constatados problemas. Assim, a Embrapa não se diferencia de outras empresas que também submeteram pedidos de liberação de OGMs, cujos estudos são de baixa qualidade científica. Há ainda vários aspectos a serem considerados que exigem estudos adicionais. Mas mais uma vez, a maioria dos membros da CTNBio desobedeceram o artigo da Lei de Biossegurança, que exige a observância do principio da precaução.

É possível afirmar que essa decisão não observou as próprias normas da CTNBio: não foram apresentados todos os estudos exigidos pelas normas da comissão, os poucos estudos não analisam as condições observadas nos biomas nacionais, pouco se sabe sobre o que ocorrerá quando o transgene migrar para as variedades crioulas de feijão, e enfim, o parecer final não considerou estudo apresentado por geneticistas da UFSC nem o parecer contrário apresentado em Plenária. Alias o parecer consolidado já estava preparado e os 15 votos favoráveis já eram conhecidos e estavam assegurados como demonstra inclusive uma lista de adesão veiculada na internet pelo presidente daquela Comissão: o momento é de festa, em que pese a penumbra. O momento é de festa em que pese não estejamos efetivamente em face do feijão maravilha seguro! E segure-se quem puder, já que o poder público não nos assegura segurança!

Rubens Onofre Nodari, professor titular da UFSC

Solange Teles da Silva, professora da UEA

Paulo Yoshio Kageyama, professor titular da ESALQ/USP

Luiza Chomenko, pesquisadora MCN/FZB-RS

Magda Zanoni, professora da Universidade Paris-Diderot

Quem se importa com transgênicos?

16, setembro, 2011 Sem comentários

por Washington Novaes

O POPULAR, 15/09/2011

A polêmica está de volta – redobrada: a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança programou para esta semana a decisão sobre liberar (ou não) o plantio de uma variedade transgênica de feijão, resistente à “mosca branca”, criada pela Embrapa – Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária. O presidente da CTNBio, Edilson Paiva, em carta à presidente da República e ao ministro de Ciência e Tecnologia, Aluizio Mercadante, já se declarou a favor da liberação. E é acompanhado por muitos membros da Comissão. Mas também há muitos outros cientistas contrários, cuja posição pode ser sintetizada na carta igualmente enviada à presidente pelo Conselho Nacional de Segurança Alimentar (Consea), órgão que assessora a chefia do Executivo.
Diz o Consea que, respeitando a adesão do Brasil ao princípio da precaução previsto em convenções internacionais, é contra a liberação, “enquanto não forem sanadas todas as dúvidas em torno do produto”. Em seu lugar, defende a adoção do feijão orgânico, que há oito anos está em pesquisa também na Embrapa. Esta assegura que já fez todos os testes necessários com o feijão transgênico; o Consea diz que não – inclusive porque as questões ambientais correlatas só foram testadas em quatro Estados (GO, MT, MG e SP). Também defende este órgão que lhe seja concedida representação na CTNBio (onde não está) e que seja ampliado o prazo para avaliação de transgênicos.

Já os defensores do novo feijão argumentam que ele dispensa as várias pulverizações e economiza agrotóxicos, favorece a agricultura familiar, reduz a perda de safras, com a introdução de parte do vírus da praga no genoma nuclear do feijoeiro.

O feijão transgênico viria – ou virá – somar-se ao milho transgênico, que em quatro anos passou a ocupar dois terços das áreas plantadas, crescendo 9,1 milhões de hectares em uma safra; ou à soja, que aumentou 13,4% e chegou a 82,7% do total; ou ainda ao algodão, que já está com 39% da área. Com tudo isso, o Brasil já é o maior produtor de transgênicos, após os Estados Unidos, em 30,4 milhões de hectares. No mundo todo o avanço é forte. Em 2000, apenas 13 países plantavam transgênicos em 40 milhões de hectares; no ano passado, já foram 29, com 148 milhões de hectares.

Fora do Brasil a polêmica é mais forte. Nos Estados Unidos, por exemplo, repercute muito estudo desenvolvido durante 15 anos pelo microbiólogo Bob Kremer, do Agricultural Research Service. Diz ele que o uso excessivo do Round Up (usado com produtos transgênicos) pode mudar a composição dos solos e prejudicar as lavouras; além disso, afeta as estruturas químicas das plantas; e pode ser responsável por doenças nas raízes. Na Europa, o Tribunal de Justiça da União Europeia reconheceu que culturas transgênicas afetam, com seu pólen, a produção de mel em áreas vizinhas(como provou um agricultor alemão); por isso, determinou que Espanha e outros países da União revejam a legislação sobre transgênicos. Só a Espanha tem 70 mil hectares de milho transgênico. É uma decisão que pode, inclusive, afetar as exportações de produtos transgênicos brasileiros para a Europa ( Valor Econômico , 20/8).

Ainda nos Estados Unidos, uma ação num tribunal federal tenta anular patentes da empresa Monsanto e outras na área dos transgênicos e impedir a venda. É uma ação movida pela Fundação de Patentes Públicas, em nome de centenas de ONGs e 270 mil agricultores orgânicos, que alegam danos à placenta humana, produção de linfomas, mielomas, abortos de animais, reações alérgicas em humanos (um cientista atribui a transgênicos 90 milhões de casos anuais de alergias atendidos pelos serviços de saúde). Já a Monsanto tem alegado em tribunais que eventual contágio de plantios convencionais por transgênicos é de responsabilidade dos usuários de sementes modificadas. Na Corte de Apelação de Minnesota, já se decidiu que fazendas orgânicas cercadas por plantios transgênicos podem exigir compensação – o que vinham pedindo desde 1998. E a Bayer concordou em pagar 750 milhões de dólares a 11 mil produtores de arroz de cinco Estados que tiveram suas lavouras contaminadas entre 1998 e 2001.

Não é só. A Autoridade Indiana de Biodiversidade está processando a Monsanto pela produção, sem autorização, de berinjelas transgênicas. E o governo do Peru declarou-se no mês passado a favor de moratória na área dos transgênicos, que começa a ser discutida no Congresso.

Mas ainda virão novos capítulos. As grandes empresas do setor estão investindo pesado nas pesquisas para chegar a variedades de cana-de-açúcar transgênica, que esperam viabilizar em quatro anos – mais resistentes a insetos, mais tolerantes a herbicidas, mais resistentes à seca e com teor de açúcar 40% mais alto, segundo dizem.

Não faltarão polêmicas. Mas ainda uma vez vale a pena observar uma inversão semântica: pessoas e cientistas que se manifestam a favor de respeito ao princípio da precaução e de estudos científicos (impactos sobre outras espécies e a biodiversidade) e na área de saúde (epidemiológicos, para avaliar possíveis danos à saúde humana) são acusados de ser contra a ciência, de manterem posturas “ideológicas”; já pessoas e cientistas a favor de liberação dos novos produtos, sem necessidade daqueles estudos científicos, são apontadas como “verdadeiros cientistas”.

A sociedade fica de fora, embora a Fiscalização do Departamento Nacional de Defesa do Consumidor tenha encontrado (ASPTA, 20/7) no mercado pelo menos 10 produtos que continham transgênicos, obrigados a identificar com um T os portadores de transgênicos, mas não o faziam. Isso incluía biscoitos recheados, tortilhas de chocolate com cereja, barras de cereais, mistura para panquecas, farinha de milho e outros itens. Mas quem quer saber disso?

Washington Novaes é jornalista

Estudo indica anomalias em ratos que consumiram transgênicos

21, julho, 2011 Sem comentários

rfi Português, 21/07/2011

por Ana Carolina Dani

Uma equipe de pesquisadores, liderada pelo francês Gilles-Eric Séralini, acabou de publicar um estudo sobre os transgênicos que mostra que ratos que consumiram alimentos geneticamente modificados apresentaram anomalias nos rins e fígado. Além dos problemas, o estudo indica que o lobby pró-transgênico teria tentado dissimular os resultados das análises. O Dr. Gilles-Eric Séralini realiza, há anos, pesquisas sobre transgênicos. Ele é o presidente do Conselho Científico do Griigen, o Comitê para Pesquisa e Informação Independente sobre Engenharia Genética e professor de Biologia Molecular na Universidade de Caen.

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A pesquisa realizada pela equipe do doutor Gilles-Eric Seralini foi publicada no Environmental Sciences Europe (2011, 23, 10-20) e está disponível na íntegra na página: http://www.enveurope.com/content/23/1/10

UFSC debate impactos à saúde do milho Bt

27, junho, 2011 Sem comentários

Seminário divulga pesquisa sobre impactos dos transgênicos na saúde‏

http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=78139

O Centro de Ciências Agrárias da UFSC sedia hoje (27), um seminário sobre a resposta imunológica do consumo de alimentos transgênicos com a toxina Bt.

Essa toxina é produzida por plantas transgênicas que têm inserido em seu genoma o transgene Cry1Ab, modificado da bactéria Bacillus thuringiensis. A resposta imunológica está relacionada aos mecanismos adotados por organismos na defesa contra invasores externos.

O encontro é no auditório do CCA, Bloco B, Bairro Itacorubi, a partir de 16h30. Pesquisas com transgênicos são desenvolvidas junto ao Programa de Pós-Graduação em Recursos Genéticos Vegetais da UFSC há mais de 20 anos.

Os resultados do novo estudo serão apresentados pela pós-doutoranda italiana Elena Rocca, que faz um intercâmbio no Brasil. Sua pesquisa integra o Projeto de Pesquisa em Biossegurança de Organismos Geneticamente Modificados, executado em um convênio entre a UFSC e o Centre of Biosfety (Genok), vinculado à Universidade de Tromso, na Noruega.

O objetivo da pesquisadora da universidade norueguesa é verificar o impacto da toxina Bt na saúde. Para realizar o estudo, Elena Rocca alimentou 100 frangos com milho transgênico (Bt) e 100 frangos com milho orgânico no município de Campos Novos (SC).

Duas amostragens de sangue das aves foram analisadas nos laboratórios da UFSC. Posteriormente serão avaliados alguns órgãos do sistema digestivo das aves.

Esta é a primeira pesquisa realizada com o milho brasileiro. “Não existem estudos sobre o comportamento da proteína transgênica nas variedades de milhos cultivados no Brasil”, ressalta a doutoranda Sarah Agapito, que também integra o projeto de biossegurança.

Toxina BT – A toxina Bt produzida por plantas transgênicas é oriunda de um gene modificado da bactéria Bacillus thuringiensis. Esse evento transgênico foi desenvolvido para ser mais tolerante ao ataque de lagartas (insetos da Ordem Lepidoptera). No entanto, alguns estudos comprovam o efeito da toxina também em organismos que não são alvos. Um estudo canadense realizado por Azziz Aris e Samuel Leblanc, da Universidade de Quebec, por exemplo, constatou a presença da toxina no sangue de mulheres e fetos, comprovando que a substancia não é quebrada no intestino, portanto pode ser prejudicial também a outros organismos.

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Mais informações: Pós Graduação em Recursos Genéticos Vegetais (48) 3721-5333 / 8823-7793 (Sarah Agapito, doutoranda do Programa de Pos-Graduação em Recursos Genéticos Vegetais)

(Ascom UFSC)

Mercadante veta redução de prazo para liberação de transgênicos

17, junho, 2011 Sem comentários

Valor Econômico, 17/06/2011

Ministro veta redução de prazo para liberação de transgênicos

O ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, interveio diretamente ontem na Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) ao rejeitar a redução dos prazos máximos de análise de liberação comercial de organismos geneticamente modificados no país. A alteração, feita no novo regimento do colegiado e aprovada pelo plenário da comissão em maio, transformou o prazo mínimo de 90 dias em prazo máximo para análise dos relatores. Sob o argumento de respeito a questões legais, Mercadante vetou a redução dos prazos e pediu “pluralidade” nas discussões sobre a liberação dos transgênicos.

Além da inédita intervenção, o ministro deu novos contornos à atuação da comissão, delimitando o terreno ao grupo majoritário “pró-transgênicos” e determinando o “amplo debate” como regra geral nas próximas reuniões da CTNBio. Foi a primeira vez que Mercadante esteve na reunião da comissão em seis meses de gestão. “Quando vi as mudanças [no regimento], pedi não a interferência do MCT, mas uma avaliação com segurança. Não podemos agredir o espírito ou a essência da lei. Há procedimentos para o uso de transgênicos”, afirmou o ministro aos membros da comissão. “As mudanças no regimento têm que ter amplo debate e consenso, além de assegurar questões legais”. E defendeu o “direito de obstruir” as liberações da minoria que discorda da celeridade na avaliação dos processos. “A maioria tem interesse em dar mais agilidade, mas a minoria tem direito de obstruir. É um instrumento de negociação da minoria”, afirmou, comparando o caso ao processo legislativo.

Pouco antes, o presidente da CTNBio, Edilson Paiva, havia dito que o ministro fora “mal orientado” por sua assessoria ao decidir pelo veto às mudanças no regimento. “Ele foi mal orientado, propôs manter o prazo anterior, mas encurtou em 30 dias porque [o prazo máximo] passou de 120 dias para 90 dias. Ele foi mal assessorado. Não vamos mais mexer nisso”. As críticas provocaram constrangimento entre os membros. A posição de Mercadante surpreendeu aos membros da comissão. Em geral, os ministros de Ciência e Tecnologia, ao qual a CTNBio está vinculada, sempre foram mais simpáticos, quando não entusiastas, dos produtos transgênicos, como o ex-ministro Sergio Rezende.

Pela primeira vez, um ministro faz apelos por divergências internas e disputas em nome da transparência. “Vamos manter o diálogo, a disputa entre agricultura e meio ambiente, entre a pressa e a cautela, ou até com quem é contra. Isso é melhor do que ouvir um lado só. Vamos avaliar os dois polos. Não podemos render uma à outra. Seria um erro histórico”, afirmou. Mercadante disse que mudanças no regimento interno precisam seguir um rito. “Isso preserva a comissão na legalidade e o MCT na defesa da lei. Se quiserem mudar, peço antes uma consulta à área jurídica, um parecer jurídico prévio do MCT”, orientou o ministro. E reafirmou a necessidade de “cuidados indispensáveis” para evitar “atropelos”, uma velha reivindicação de ONGs de defesa do consumidor e dos ambientalistas.

Em sua participação, Mercadante defendeu posições que modificam as relações internas da CTNBio. “Vai ser um espaço de disputa de convicções, mas com amplo espaço para debate. Precisamos de rigor científico com pluralidade e cuidado na análise. Mas também manter o calor do debate e a divergência para avançar nesta fronteira do conhecimento”. E foi além no redesenho do colegiado: “Além de aprovar ou vetar transgênicos, o papel desse fórum é aprimorar as políticas públicas”, disse. “Nas sementes transgênicas, tem gente que acha que o risco já está posto. Não tivemos, até agora, nenhum problema. Mas vamos ser rigorosos, debater e respeitar a pluralidade para dar segurança a quem consome alimentos do Brasil”. O ministro lembrou as barreiras não tarifárias impostas à agricultura brasileira. “O rigor é a garantia para o futuro. Essa comissão tem que ser bastante rigorosa com segurança”.

Mercadante pediu transparência e disse que enviará cartas a outros ministros para recompor ausências na composição da CTNBio.

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DNA transgênico no leite e em órgãos de animais alimentados com transgênicos

26, agosto, 2010 1 comentário

Uma revisão da literatura científica conduzida recentemente pela ONG Testbiotech encontrou crescentes evidências de que fragmentos de DNA de plantas transgênicas podem ser encontrados em leite, órgãos internos e músculos de animais. Em abril de 2010, cientistas da Itália relataram a presença de sequências de DNA de soja transgênica em leite de cabras. Traços deste DNA foram também encontrados nos cabritos alimentados com o leite das cabras.

Leia mais sobre o assunto abaixo e no relatório elaborado pelo professor Jack Heinemann, da Universidade de Canterbury, Nova Zelândia: Report on Animals Exposed to GM Ingredients in Animal Feed

Leia mais…

Biossegurança de OGMs da SBPC

4, agosto, 2010 Sem comentários

Moção: Criação de uma agenda de Biossegurança de Transgênicos no âmbito da SBPC

Os associados signatários considerando que:

- as atividades sobre Biossegurança de Transgênicos programadas e realizadas nesta 62ª Reunião Anual da SBPC, como Ciência em Ebulição, Mini-curso e Conferência, contribuiram para o aprofundamento do debate sobre os OGMs;

- existem muitas lacunas sobre os possíveis efeitos dos transgênicos ou organismos genéticamente modificados (OGMs) no meio ambiente bem como sobre as situaçoes de risco à saúde humana;

- são poucos os recursos financeiros destinados à avaliaçao de possíveis efeitos à saúde humana e ao meio ambiente, o que reduz nossa capacidade de predizer o que poderá ocorrer com a introdução de OGMs no meio ambiente ou na alimentaçao;

- tem se afirmado que existe pouca transparência sobre o conteúdo dos dossiês e demais informações relacionadas a tramitação de processos discutidas no âmbito da CTNBio;

- este estado de pouco conhecimento cientifico e transparência sobre possíveis riscos provoca perplexidade e dúvidas na população brasileira;

- e, finalmente, que a SBPC pode prestar serviço relevante para a nação brasileira estabelecendo atividades que permitam contribuir para a resolução dos problemas acima mencionados.

- propõem que a Diretoria e o Conselho da SBPC criem uma agenda com distintas ações no tema em questão, que pode incluir, por exemplo, atividades nas próximas reuniões anuais ou regionais, a criação de Grupo de Trabalho ou outros instrumentos que julgarem adequados, visando o aprofundamento e a disseminaçao do conhecimento cientifico de temas inerentes aos possíveis riscos ambientais e à saúde humana dos transgênicos.

Moção aprovada quinta-feira, 29 de julho, pela assembleia geral ordinária de sócios durante a 62ª Reunião Anual da SBPC, em Natal (RN).

Síntese – Considerando a escassez de estudos independentes sobre os possíveis riscos dos OGMs no meio ambiente e à saúde humana, é proposto que a Diretoria e o Conselho da SBPC criem uma agenda com distintas ações neste tema, que pode incluir atividades nas próximas reuniões anuais ou regionais, criação de Grupo de trabalho ou outros instrumentos que julgarem adequados, visando o aprofundamento e a disseminaçao do conhecimento cientifico de temas inerentes aos possíveis riscos ambientais e à saúde humana dos transgênicos.

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SBPC aprova moção sobre biossegurança em assembleia geral de sócios

2, agosto, 2010 Sem comentários

A SBPC realizou na noite de quinta-feira, 29 de julho, a assembleia geral ordinária de sócios, durante a 62ª Reunião Anual, que terminou nesta sexta, em Natal (RN).

Entre outros temas deliberados, foi aprovada moção pela criação de uma agência de biossegurança de organismos geneticamente modificados (OGMs), no âmbito da SBPC.

A informação é de Daniela Oliveira, para o Jornal da Ciência, 30/07/2010.

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Ciência em ebulição – SBPC debate transgênicos

20, julho, 2010 Sem comentários

A reunião da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência deste ano terá em sua programação um conjunto de atividades chamado de “Ciência em ebulição”. A proposta do espaço é permitir um maior aprofundamento sobre temas atuais e controversos. Um de seus destaques será a questão dos transgênicos.

Já está confirmado debate com a presença de Edilson Paiva, presidente da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança e Rubens Nodari, professor titular da UFSC e ex-membro da CTNBio. A discussão sobre o tema terá ainda conferência com Terje Traavik, coordenador do Centro de Ecologia do Gene da Universidade de Tromso, Noruega, e referência na área de biossegurança, e mini-cursos coordenados pelos professores Paulo Kageyama, da Esalq/USP, e Rubens Nodari.

Espera-se com iniciativa que a comunidade científica se aproxime e participe mais das ações da CTNBio e entenda o porquê das controvérsias que cercam suas decisões.

Os eventos serão realizados entre os dias 26 e 30 de julho, no campus da UFRN, Natal-RN.

Contatos:

Prof. Paulo Kageyama – 19 9783 4258 – <kageyama@esalq.usp.br>

Prof. Rubens Nodari – 48 9980 2042 – <nodari@cca.ufsc.br>

Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência

De 26 a 30 de julho de 2010

Campus da UFRN, Natal, RN

Informações: http://www.sbpcnet.org.br/natal/home/

26/07 – Ciência em Ebulição – das 13:00 às 15:00h

BIOSSEGURANÇA DE TRANSGÊNICOS

Local: Escola de C&T – Anfiteatro A

Moderador: Roberto Germano Costa (INSA)

Participantes: Edilson Paiva (CTNBio) e Rubens O. Nodari (UFSC)

Mini Curso-66 – BIOSSEGURANÇA DE ORGANISMOS TRANSGÊNICOS

Dias: de 27/07 a 30/07

Horário: das 08:00 às 10:00h

Professor(es): Paulo Y. Kageyama (SBPC) e Rubens O. Nodari (SBPC)

Proponente(s): Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC)

Ementa: Introdução, histórico e evolução dos OGMs no Brasil e no Mundo. Metodologia de obtenção dos OGMs. A Lei de Biossegurança. A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança. O Protocolo de Cartagena de Biossegurança. O Princípio da Precaução. Liberação Planejada e Comercial de OGMs. Análise de risco e os principais impactos dos OGMs na saúde humana e no meio ambiente. Audiências Públicas. Monitoramento pós-liberação comercial. Conclusões.

28/07 – 10:30 às 12:00h – Conferência

RISKS OF GMOs: ABSENCE OF EVIDENCE IS NOT EVIDENCE OF ABSENCE

Local: Escola de C&T – Anfiteatro E

Conferencista: Terje Traavik (GenØk)

Apresentador: prof. Rubens O. Nodari (UFSC)