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Família de Palmeira produz alimentos agroecológicos há mais de 20 anos

24, janeiro, 2017 Sem comentários

leiafolha.com.br

 

por Rogério Lima –

Há mais de 20 anos, a família de Nilce e Roberto Gurski, residente na localidade de Faxinal dos Quartins, interior do município de Palmeira, vem produzindo alimentos agroecológicos saudáveis. A propriedade da família tem três alqueires e a área cultivada ocupa apenas a metade do total, sendo o restante composto por matas e proteção de fontes.

Na propriedade dos Gurski, hoje são cultivadas diversas espécies de hortaliças, tubérculos e também cereais como milho e feijão, tudo com a comercialização garantida. A venda dos produtos acontece na feira agroecológica que é realizada todos os sábados na cidade, bem como com a entrega de sacolas em forma de kits nas casas dos consumidores, mercados locais, restaurantes e merenda escolar. Na casa da família vende-se a produção para vizinhos e os Gurski consomem o que produzem na alimentação da própria família.

Além de produzir, a família também transforma os produtos. Na propriedade, funciona uma agroindústria devidamente regularizada pela Vigilância Sanitária, na qual são produzidos conservas de diversas espécies, picles, molho de tomate, compotas, doces caseiros e sucos de frutas.

A propriedade dos Gurski é certificada como agroecológica pelo Instituto Tecnológico do Paraná (Tecpar) e também pela Rede Ecovida, o que é destacado na rotulagem dos alimentos comercializados.

Segundo a família, a demanda de alimentos para a comercialização no município é maior do que a produção que se tem na propriedade. “Se tivéssemos o dobro da produção de hoje, a venda era garantida, pois comércio tem, basta ter a insistência, teimosia e dedicação para produzir alimentos saudáveis agroecológicos”, afirma Roberto.

A produção das hortaliças e do morango é feita em estufas cobertas, o que evita danos dependendo da época do ano, como doenças e fungos que possam prejudicar a produção.

A família, que participa de um projeto desenvolvido por entidades do setor agrícola, tem o hábito de receber grupos de pessoas, incluindo consumidores, que buscam conhecer como são produzidos os alimentos. São grupos de vários municípios da região, mas principalmente de Palmeira.

Projeto

O projeto que a AS-PTA vem executando no município junto com a Associação dos Produtores Ecológicos de Palmeira (APEP) e a Cooperativa da Agricultura Familiar de Palmeira (Cafpal), do qual participa a família Gurski, tem como o título “Promoção da articulação entre cidade e campo em dinâmicas locais e regionais de abastecimento agroecológico, conjugado com incidência política em soberania e segurança alimentar”.

Segundo o assessor técnico da AS-PTA, André Emílio Jantara, “o objetivo principal do projeto é promover e articular as dinâmicas locais e regionais de produção, processamento e abastecimento agroecológico em organizações do campo e da cidade, orientadas em relações solidárias e nos princípios da soberania e segurança alimentar das populações”.

Na região, o projeto alcança os municípios, desenvolvido junto ao Sindicato dos Trabalhadores Rurais de São João do Triunfo e a Cooperativa de Agricultores Familiares de São Mateus do Sul. O projeto recebe financiamento externo da organização MISEREOR-Katholische Zentralstelle für Entwicklungshilfe, da Alemanha.

Também participam do projeto outras entidades ligadas à produção agroecológica nos estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul, onde também estão executando as atividades propostas junto aos consumidores locais de alimentos agroecológicos em suas respectivas regiões.

Intercâmbio

Jantara informa que em Palmeira, uma próxima etapa do projeto, ainda neste ano, é realizar algumas visitas de intercâmbio entre os consumidores locais e os agricultores que estão produzindo. “Assim, o consumidor poderá ver a forma como são produzidos os alimentos agroecológicos, preparados e até processados para que cheguem à sua mesa através da feira, mercados, restaurantes e das sacolas entregues em seus domicílios”, explica o assessor técnico da AS-PTA.

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Suplente de Blairo Maggi será relator de PL sobre rotulagem

18, julho, 2016 Sem comentários

Foto: Marcos Oliveira | Agência Senado

O senador Cidinho Santos (PR-MT) foi designado relator do projeto de lei que acaba com a rotulagem de transgênicos. Ele assumiu cadeira no Senado com a ida de Blairo Maggi para o Ministério da Agricultura do governo interino e golpista e Michel Temer. Santos, que é dono de grandes extensões de terra e tem participações em agroindústrias, foi indicado para a função de relator pela senadora ruralista Ana Amélia (PP-RS), presidente da Comissão de Agricultura e Reforma Agrária.

Tido como o “rei da soja“, o atual ministro da Agricultura fez fortuna, entre outros, com o plantio de soja convencional, e essa produção beneficiou-se internamente pela venda de óleo de soja e outros com a inscrição “livre de transgênicos” nos rótulos. Esperamos que seu suplente mantenha a rotulagem de transgênicos e defenda o direito dos consumidores à informação .

O acesso à ciência e o direito às informações sobre transgênicos

25, junho, 2016 Sem comentários

 

O Direito de Beneficiar-se do Avanço da Ciência e os Transgênicos

 


Dia 27 de junho, das 14h às 17h00

Sala Ruy Leme – FEA/USP – Av. Prof. Luciano Gualberto, 908, 1º andar, Cidade Universitária, São Paulo, SP.
Evento gratuito, com inscrição prévia e transmissão ao vivo.
Informações com Cláudia R. Tavares, email clauregi@usp.br
Página do evento
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por Sylvia Miguel, 20/06/2016 17:55 – última modificação 21/06/2016 16:55

Responsável pelos grandes avanços da humanidade, a ciência e seus benefícios ainda permanecem inacessíveis para grande parte da população. Não por acaso, diversos acordos internacionais tentam garantir que todos possam usufruir da ciência e de suas aplicações. Algumas inovações tecnocientíficas trazem impactos diretos nas sociedades, em especial aquelas ligadas a aspectos da vida, como é o caso da transgenia.

Tendo em vista o direito fundamental de acesso à ciência e a seus resultados, o Grupo de Pesquisa Filosofia, História e Sociologia da Ciência e da Tecnologia do IEA dará prosseguimento às atividades iniciadas no primeiro seminário do dia 13 de junho,propondo um debate sobre transgênicos.O Direito de Beneficiar-se do Avanço da Ciência e os Transgênicos será o tema do dia 27 de junho.

A questão central dos pesquisadores será discutir se e como devem ser informadas à sociedade as deliberações realizadas no âmbito das comissões responsáveis pela liberação de variedades de transgênicos para comercialização e uso agrícola. O debate acontece das 14h às 17h, na Sala Ruy Leme da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) da USP. O encontro é público, gratuito, terá transmissão online ao vivo e requer inscrição prévia.

Com a moderação do coordenador do grupo de pesquisa, Pablo Rubén Mariconda, professor da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, o debate trará a professora Marijane Vieira Lisboa, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), para discutir os procedimentos adotados pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. Seu foco será o impacto dos transgênicos na saúde e no ambiente e se as deliberações de uso dos transgênicos vêm assegurando o direito de acesso a essas informações.

O professor visitante do IEA, Hugh Lacey, que no primeiro encontro discutiu o Princípio da Precaução, pretende aprofundar o tema das tensões dentro do modelo da interação das atividades científicas e valores (M-CV). Propõe, nesse encontro, refletir sobre quais riscos e prejuízos devem ser investigados cientificamente em relação a determinadas variedades de transgênicos. Além disso, quais seriam as estratégias seguras de cultivo, distribuição e consumo de variedades transgênicas, tendo em vista as condições socioeconômicas e os agroecossistemas atuais.

No primeiro encontro, os pesquisadores discutiram o significado e o alcance do direito de beneficiar-se do avanço da ciência e de suas aplicações no contexto do modelo da interação entre a atividade científica e valores (M-CV). Além disso, foram discutidas as implicações desse direito para a pesquisa médica e a área da saúde, e as tensões entre esse direito e a ciência comercializada. Outro tema debatido foi a tensão existente entre a liberdade da pesquisa científica afirmada na Declaração de Veneza, ante a participação democrática nas decisões sobre as prioridades da pesquisa científica.

PROGRAMAÇÃO

 

14h – Hugh Lacey (pesquisador visitante CNPq-IEA-USP e Swarthmore College)

A primeira questão é reformulada em termos do M-CV, de modo que agora trata-se de: (a) que tipos de prejuízos e riscos do uso de uma variedade particular de transgênicos (ocasionados por quais tipos de mecanismos) devem ser investigados cientificamente? E (b) que tipos de estratégias precisam ser adotadas nessas pesquisas, para fornecer forte apoio científico para a reivindicação de que os usos (cultivo, distribuição, consumo) do transgênico – sob as condições socioeconômicas e nos agroecossistemas atuais – são seguros?

15h – Marijane Vieira Lisboa (PUC-SP)

Que procedimentos são seguidos pela CTNBio para avaliar as possíveis consequências prejudiciais dos usos dos transgênicos? Servem para assegurar que o direito de beneficiar-se do avanço da ciência será promovido?

16h        Intervalo

16h15    Debate


 

Vitória: STF garante rotulagem de qualquer teor de transgênicos, fruto de ação do Idec

20, maio, 2016 Sem comentários

Idec, 19/05/2016

Ministro rejeita recurso e mantém decisão obtida pelo Idec que exige informação no rótulo sobre uso de ingredientes geneticamente modificados, independentemente da quantidade 

 

O direito dos consumidores brasileiros à informação sobre transgênicos volta a prevalecer. Em decisão proferida no último dia 12, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin manteve a decisão obtida pelo Idec e voltou a garantir a indicação no rótulo de alimentos que utilizam ingredientes geneticamente modificados, independentemente da quantidade presente.

A exigência estava suspensa desde 2012, por uma decisão liminar (provisória) do ministro Ricardo Lewandovski, do STF, que atendeu ao pedido da União e da Associação Brasileira de Indústria de Alimentos (Abia) contra a decisão do Tribunal Regional Federal da Primeira Região (TRF-1), que foi favorável à ação do Idec.

A União e Abia alegavam que a decisão do TRF-1 “usurpava a competência” do STF de decidir sobre o tema. Mas, ao julgar o recurso, Fachin não concordou. Em decisão monocrática (analisada apenas por um julgador), o ministro relator do processo validou a decisão do Tribunal.

Código do Consumidor x Decreto

A decisão do TRF-1 que voltou a valer acolhe o pedido do Idec de rotulagem de qualquer teor de transgênicos e afasta a aplicação do Decreto n° 4.680/03, que flexibiliza a exigência de rotulagem apenas para produtos que contêm mais de 1% de ingredientes geneticamente modificados.

O Tribunal considerou que o direito à informação previsto no Código de Defesa do Consumidor (CDC) se sobrepõe ao decreto.

“A decisão do STF é muito importante neste momento, pois  enfraquece o PL que quer acabar com a rotulagem de transgênicos. Ela mantém a decisão fruto de uma Ação Civil Pública que garante que todos os alimentos geneticamente modificados devem ser rotulados, fortalecendo o direito à informação e o CDC”, destaca Claudia Pontes Almeida, advogada do Instituto.

A União e a Abia ainda podem entrar com novo recurso para que o tema seja analisado pelo plenário do STF. Mas, por hora, o direito à informação venceu mais uma vez.

Histórico da ação

Relembre os principais fatos envolvendo a ação do Idec para garantir a rotulagem de transgênicos:

2001: Idec entra com Ação Civil Pública contra a União para exigir informação clara no rótulo de alimentos sobre o uso de transgênicos, independentemente do teor de ingredientes geneticamente modificados presentes

2003: publicado o Decreto 4.680/03, que exige rotulagem apenas para produtos com mais de 1% de transgênicos

2007: sentença acolhe o pedido do Idec e obriga rotulagem de transgênicos, independentemente do teor. União e Abia entram com recurso

2009:  TRF-1 rejeita recurso e mantém sentença favorável aos consumidores, fruto da ACP do Idec. Abia e União recorrem ao STF.

2012: ministro do STF Ricardo Lewandovski acolhe pedido da União e Abia e concede liminar suspendendo decisão do TRF-1 até que o recurso seja julgado.

maio de 2016: ministro Edson Fachin, do STF, julga e rejeita o recurso, validando decisão do TRF-1 que garante a rotulagem de qualquer teor de transgênicos, como pediu o Idec em 2001.

 

<http://www.idec.org.br/em-acao/em-foco/vitoria-stf-garante-rotulagem-de-qualquer-teor-de-transgenicos-fruto-de-aco-do-idec>

 

 

 

 

Rotular é preciso, artigo sobre a identificação de produtos transgênicos

11, agosto, 2015 Sem comentários

Revista Mundo Jovem, julho de 2015

http://www.mundojovem.com.br/

Rotular é preciso

Gabriel Bianconi Fernandes

Assessor Técnico da AS-PTA

foto T busSe os transgênicos são tão bons como alguns defendem, porque então esconder essa informação e acabar com a rotulagem desses produtos? Esse foi um dos argumentos levantados na Câmara dos Deputados durante sessão recente em que se aprovou projeto de lei que acaba com a obrigatoriedade do símbolo T no rótulo dos produtos derivados ou contendo mais de 1% de organismos geneticamente modificados (OGMs). O projeto de lei 4.148/2008 ainda precisa ser votado pelo Senado Federal para virar lei, sendo que os senadores podem tanto ratificar a visão da Câmara como derrubá-la, e assim assegurar de volta o direito dos consumidores de acesso à informação.

A identificação dos produtos transgênicos foi regulamentada no Brasil em 2003 e desde 2008 o deputado Luiz Carlo Heinze (PP/RS) tenta derrubá-la. Alinhado à bancada ruralista, o parlamentar recebeu para sua campanha doações de empresas de alimentos e do agronegócio, entre outras, passando pela Associação Nacional da Indústria de Armas e Armamentos [1]. Esse exemplo, que é um grande retrocesso na legislação e na realização de direitos básicos das pessoas, nos remete para o debate mais amplo da reforma política. Não há argumento razoável para defender a ocultação desse tipo de informação ao consumidor, ainda mais tratando-se de tema tão controverso como o da modificação genética dos alimentos. Há, por exemplo, pesquisas recentes indicando que o milho transgênico pode desencadear reações alérgicas [2]. Mas sendo assim, como então evitar a exposição a esses alimentos se a informação no rótulo pode ser sonegada?

A Associação Brasileira da Indústria de Alimentos é contra a rotulagem [3]. Nos Estados Unidos, as empresas, tanto de alimentos como do agronegócio, fizeram campanha milionária para impedir que lá fosse criada legislação obrigando a rotulagem de produtos transgênicos [4]. E que comportamento se pode esperar dos parlamentares cujas campanhas foram financiadas por essas empresas?

Caso o Senado confirme a decisão da Câmara e de fato caia a rotulagem de produtos transgênicos, uma coisa que podemos estar certo é que seus efeitos extrapolarão as fronteiras nacionais. O Brasil é hoje o segundo maior país do mundo em área cultivada com sementes transgênicas. São cerca de 40 milhões de hectares, segundo as empresas do setor. Cerca de 90% da soja, 80% do milho e 60% do algodão produzidos no Brasil são cultivados com sementes transgênicas [5]. Ou seja, o país é hoje um dos principais mercados para as multinacionais que vendem as sementes transgênicas, que são todas patenteadas, e os agrotóxicos que são associados em seu cultivo. Além disso, a lei que regulamenta as pesquisas, uso e comercialização de OGMs no Brasil é extremamente permissiva, exigindo poucos testes sobre sua segurança. Muitos pesquisadores que já participaram do órgão responsável (CTNBio) afirmam que as liberações aqui tomadas não se basearam em informações que possam assegurar que esses produtos não trarão problema futuros, seja para a saúde, seja para o meio ambiente. Por outro lado, essas mesmas grandes empresas e os segmentos da Academia a elas vinculados defendem que o modelo brasileiro de regulação dos transgênicos é um exemplo para o mundo.

Novos transgênicos como o mosquito da dengue e o eucalipto foram liberados só no Brasil, que é assim apontado como vanguarda na área. Caso caia a rotulagem, a indústria poderá argumentar que se no Brasil, que tem o peso que tem no cenário dos transgênicos, a rotulagem foi dispensada depois de vigorar por mais de dez anos, porque seria então necessária em outras partes? Vemos então que tinha muito mais coisa em jogo na votação recente na Câmara do que “apenas” o contexto nacional. Essa pode ser uma pista para nos ajudar a entender porque mais de 300 deputados apoiaram a sonegação de informação aos consumidores, criando argumentos para defender o indefensável. Cabe agora que o Senado evite esse grande retrocesso, mas esse passo só será dado se os legisladores se sentirem pressionados pela população.

 

 

[1] http://www.asclaras.org.br/@candidato.php?CACodigo=82840&cargo=6&ano=2010

[2] Andreassen, M. et al., (2014). Disponível em: http://www.tandfonline.com/doi/abs/10.1080/09540105.2014.988128?journalCode=cfai20

[3] ABIA. http://www.abia.org.br/vs/vs_conteudo.aspx?id=28

[4] http://pratoslimpos.org.br/?p=4580

[5] Área plantada com transgênicos no mundo cresceu 3,5% em 2014. Valor Econômico, 29/01/2015

Baixe o artigo: Rotular é preciso (pdf 600 KB)

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Rede de agricultura familiar cria feira para compras online em Piracicaba

16, novembro, 2012 Sem comentários

G1, 16/11/2012.

Usuários conseguem, pela internet, adquirir hortaliças, frutas e doces, etc.

Opções de produtos são divulgadas em lista enviada ao email dos clientes.

A internet, aberta ao público no Brasil desde 1995, se tornou uma via rápida para a compra e venda de roupas, entrega de alimentos e diferentes bens de consumo. Atentos a isso, profissionais ligados à agricultura em Piracicaba (SP) criaram a Rede Guandu de Consumo Responsável, que comercializa pela internet produtos usualmente encontrados em feiras, como hortaliças, verduras, frutas, cogumelos, leite, etc.

Pelo menos 500 pessoas em Piracicaba estão cadastradas como compradoras na “feira online” e 19 fornecedores, entre cooperativas e produtores independentes, vendem os produtos por meio de compra coletiva. As opções de produtos ficam disponíveis em uma lista enviada semanalmente ao email de cada cliente, que faz o pedido e retira os produtos às terças-feiras.

A Rede Guandu é um braço do Instituto Terra Mater, organização não-governamental voltada para o desenvolvimento social ligado aos recursos naturais. A gestora da rede Raquel Izidoro, de 26 anos, explicou que o objetivo do sistema de vendas online era dar espaço para um grupo de agricultura familiar com quem trabalha na região de Piracicaba e, conforme o sucesso da rede, os fornecedores se ampliaram para cidades da região.

Agilidade aos pedidos

Com o financiamento público foi possível desenvolver um software prático para dar agilidade aos pedidos online. Hoje o sistema é coordenado por três profissionais e estagiários, responsáveis pela parte operacional e pela relação com os produtores. O projeto hoje já é autosuficiente financeiramente e a coordenação da rede pretende disponibilizar o sistema online de pedidos para que outros trabalhos nessa mesma área possam usá-los.

Base orgânica

“Apesar dos 500 cadastros, a nossa média de clientes por semana varia entre 35 e 40 pessoas. Todos os fornecedores recebem auxílio técnico e acompanhamento, pois a exigência é que tudo seja comercializado com uma base ecológica e orgânica”, disse Raquel. Para que haja interação entre fornecedores e compradores, as terças-feiras também são usadas para a degustação de novos produtos e oficinas com os produtores.

Campanha Contra os Agrotóxicos realiza 3º encontro de formação no Rio

27, outubro, 2011 Sem comentários

por Alan Tygel, do boletim do MST RJ | 26/10 a 8/11

 

O comitê RJ da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida aproveitou o dia mundial da alimentação (16/10) para realizar o seu terceiro encontro de formação. Desta vez, o assunto foram as doenças causadas pelos agrotóxicos. Na parte da manhã foram abordados aspectos laterais às doenças, como classificação toxicológica, medidas e sistemas de notificação. Após o almoço, discutiu-se as doenças em si, com a apresentação do estudo da pesquisadora Silvana Rubatto (ENSP/Fiocruz) sobre o assunto.

Dada a gravidade do assunto, o grupo optou por começar o dia com uma mística animadora. Após cantar a música Xote Ecológico, de Aguinaldo Batista e Luiz Gonzaga, o grupo cantou o recém composto Xote Agroecológico, de Igor Conde. A primeira música, composta em 1989, um ano após o assassinato de Chico Mendes, traz uma visão bem pessimista sobre os efeitos da ação do homem sobre a natureza. Já a nova versão traz um alento a todos nós que acreditamos num futuro agroecológico:

Xote Ecológico (1989)
Aguinaldo Batista e Luiz Gonzaga

Não posso respirar, não posso mais nadar
A terra está morrendo, não dá mais pra plantar
Se plantar não nasce se nasce não dá
Até pinga da boa é difícil de encontrar

Cadê a flor que estava aqui? (Poluição comeu)
E o peixe que é do mar? (Poluição comeu)
E o verde onde que está? (Poluição comeu)
Nem o Chico Mendes sobreviveu

Xote Agroecológico (2011)
Igor Conde

Já posso respirar e voltar a plantar
A terra renascendo, brotando sem parar
É Agroecologia e agricultura familiar
Com organização e resistência popular

Cadê o arroz e o feijão? (Plantou e colheu)
E o milho de São joão? (Plantou e colheu)
E a agrofloresta como tá? (Plantou e colheu)
Transgênico e veneno desapareceu

Em seguida, Ivi Tavares apresentou um panorama geral sobre as classificações dos agrotóxicos e os tipos de doença que cada um pode causar. Os venenos podem ser classificados quanto ao seu grupo químico – organoclorados, organofosforados, carbamatos, etc, – quanto à sua toxicidade – extremamente tóxicos (Faixa vermelha), altamente tóxicos (Faixa Amarela), mediamente tóxicos (Faixa Azul) e pouco ou muito pouco tóxicos (Faixa Verde) ou ainda quanto ao seu efeito: fungicidas, herbicidas, inseticidas, etc. Essa última classificação levou o grupo a debater sobre a possibilidade de se chamar os agrotóxicos de biocidas, reforçando que eles agem não só contra a vida de insetos, fungos, plantas, mas também contra a do ser humano.

Em seguida, Gabriel Fernandes apresentou dois conceitos muito controversos: limite máximo de resíduos (LMR) e ingestão diária aceitável (IDA). Ambos são definidos de forma extremamente arbitrária, e muitas vezes baseados em pesquisas das próprias empresas. Mas o absurdo não para por aí: estes estudos, além de tudo, não são publicados em revistas especializadas. Ou seja, não passam pelo crivo da comunidade científica. Esta situação foi ilustrada com um trecho do filme “O veneno nosso de cada dia”, que retrata muito bem as portas giratórias entre governos, empresas e agências reguladoras.

Gabriel chamou ainda a atenção para a falsa imagem de segurança que estes limites criam. Ele exemplificou: “Quando temos uma intoxicação aguda, na qual o agricultor é exposto a altas doses de venenos e apresenta sintomas poucas horas depois, pode-se argumentar que foi uma acidente, uma situação não prevista, mesmo que este argumento seja bastante frágil. Mas no caso das intoxicações crônicas, que aparecem após anos de exposição a baixas doses de agrotóxicos, não há justificativa. Foi tudo dentro do permitido, dentro do limite seguro, e mesmo assim surgem as doenças graves como câncer, má-formação e depressão, que em muitos casos leva ao suicídio.”

Gabriel apresentou ainda o PARA – Programa de Monitoramento e Avaliação de Resíduos de Agrotóxicos. Realizado pela ANVISA, o programa analisa diversas variedades de frutas, legumes e verduras nos supermercados e faz duas avaliações: se há mais resíduos de agrotóxicos do que o permitido (LMR), e se há a presença de agrotóxicos não permitidos para aquela cultura.

Além do PARA oficial, existem alguns programas similares nos níveis estadual e municipal. Um dos mais interessante é o aplicado no Ceasa de Pernambuco. Financiado através de uma taxa cobrada de cada caminhão que entra, o programa, além de fazer as medições, rastreia a origem dos produtos irregulares. Em caso de problemas, a mercadoria do produtor irregular é proibida de entrar no mercado. Agentes de fiscalização são enviados para a propriedade, que é obrigada a sanar os problemas antes de voltar a comercializar a produção.

Após o almoço, foi encenada uma mística. Nela, buscou-se retratar uma situação que infelizmente ainda é cotidiana entre os agricultores familiares. Um trabalhador, preocupado com sua lavoura, aplica altas doses de veneno. Seu companheiro tenta alertar, avisando que aquele produto é nocivo à saúde, mas o aviso é recebido com escárnio: “Isso não faz mal não, eu sou forte, posso aguentar.” Após seguidas aplicações, o agricultor desmaia. A partir de então, ele decide parar de usar agrotóxicos.

A formação seguiu-se com a apresentação dos sistemas de informações sobre intoxicações. Alan Tygel ressaltou a importância de se ter dados confiáveis sobre as intoxicações: “Em primeiro lugar, os dados são importantes comprovarmos os estragos que estão sendo causados pelos agrotóxicos. Além disso, eles servem para planejar as ações de saúde pública. Mas o mais importante é a capacidade que os dados têm de consolidar uma imagem de que os agrotóxicos fazem mal e devem ser banidos da sociedade. Assim como ocorreu no caso do fumo e do amianto, qualquer pessoa deve saber os riscos que estamos correndo como maiores utilizadores de agrotóxicos no mundo.”

Apesar de todos os problemas, que vêm desde a dificuldade no diagnóstico até as falhas na hora da notificação, o Sinitox ainda é a melhor base de dados que temos disponível. Os dados chegam até esse sistema através dos CIATs – Centros de Informação e Assistência Toxicológica, que recebem as ligações do disque-intoxicação. Umas das dificuldades é que as intoxicações não são obrigatoriamente notificadas aos CIATs, e a notificação do CIATs para o Sinitox também é voluntária. Além disso, alguns CIATs passaram a notificar as ocorrências para o Notivisa, sistema coordenado pela ANVISA.

Em seguida, a pesquisadora Silvana Rubatto apresentou sua pesquisa acerca das ocorrências de câncer relacionadas à profissão dos pacientes, na região serrana do Rio de Janeiro. A região é a maior produtora de hortaliças do estado, com alto índice de consumo de agrotóxicos.

A primeira parte da exposição da pesquisadora abordou questões gerais relacionadas aos agrotóxicos e as doenças que causam. Em seguida, Silvana abordou as causas de morte mais frequentes no Brasil e entrou mais especificamente nos dados sobre o câncer. Segundo ela, em 2002 foram registrados 10 milhões de casos no mundo, e para 2020 são projetados 15 milhões. O número de mortes, no entanto, deve subir mais: dos 6 milhões verificados em 2002, projeta-se 12 milhões para 2020, sendo a alimentação o maior fator de risco, seguido pelo tabaco.

O estudo na região serrana foi motivado pelo alto índice de câncer verificado naquela região, onde o consumo de agrotóxicos é 1822% maior que a média do estado do RJ. O estudo concluiu que alto índice de ocorrência de câncer é motivado por fatores ambientais. No entanto, a falta de dados mais precisos nos prontuários, como a profissão do paciente, impediu a pesquisa de relacionar os casos diretamente ao manuseio de agrotóxicos. Entretanto, verificar um alto índice de câncer na região que mais utiliza agrotóxicos no RJ já nos dá uma pista dos males que este produtos causam a quem os aplica.

A formação terminou com uma conversa sobre os rumos da campanha, e as próximas ações a serem desenvolvidas. Entre elas, estão a participação em feiras na cidade, e as ações diretamente com agricultores.

Transgênicos: crescimento sem limites

4, setembro, 2010 Sem comentários

Hoje, a soja dos brasileiros contém 50 vezes mais veneno do que em 1998. O aumento expressivo do uso de agrotóxicos é a indicação clara de que estes últimos e os transgênicos fazem parte de um mesmo modelo, onde a dominação do mercado de sementes e insumos está nas mãos de um pequeno grupo de grandes corporações

por Andrea Lazzarini Salazar

Publicado na revista Le Monde Diplomatique Brasil, edição de agosto de 2010. Leia mais…

Reportagem especial sobre transgênicos – Hoje, quarta, 23:30h na Globo News

9, junho, 2010 Sem comentários

Hoje na Globo News, 9/6 às 23:30h

Cidades e Soluções – INÉDITO

ESPECIAL TRANSGÊNICOS (PARTE 1)

Já foram licenciadas no Brasil 11 variedades de milho geneticamente modificado, 4 de soja, 6 de algodão e 10 vacinas para uso veterinário. Nenhum problema, não fosse o fato de que parte da comunidade científica vem denunciando os riscos que os transgênicos representam à saúde humana e ao meio ambiente. Confira os argumentos e tire suas próprias conclusões.

Globo News, Quarta, 9/6 às 23:30h

Reprise

Dom. 21:30h

Horários alternativos

Seg. 03:05, 08:30, 16:30h

Qua. 05:05h

Sab. 05:30h

E leia no site Mundo Sustentável:

Transgênicos: o direito de saber (Blog do Cidades e Soluções)

Há ainda muita controvérsia sobre a segurança da tecnologia empregada para a obtenção de novas substâncias, as rotinas do processo de licenciamento e os resultados do uso de sementes geneticamente modificadas no campo. A situação se agrava com o desconhecimento generalizado da população sobre o assunto.

No Brasil, o decreto que determina a rotulagem de produtos transgênicos não é obedecido pela maioria das empresas, e o governo não parece muito interessado em fazê-lo cumprir. Há 3 projetos de lei tramitando no Congresso tentando suprimir a exigência dessa informação nos rótulos dos produtos, o que poderia – segundo alguns especialistas no assunto – configurar grave desrespeito ao direito do consumidor saber exatamente o que está comendo ou usando.

O “Cidades e Soluções” especial sobre transgênicos pretende dar visibilidade a um debate que misteriosamente parece não ter importância, considerando os poucos espaços reservados ao assunto na mídia.

Achamos isso tão importante, que decidimos fazer dois programas. E logo no mês do meio ambiente.

– Cidades e Soluções Especial: Transgênicos. O primeiro programa vai ao ar no dia 09 de junho, às 23h30, na Globo News.

Alimento orgânico é mais barato na feira

22, abril, 2010 1 comentário

O consumidor de produtos orgânicos que se preocupa não apenas com uma alimentação saudável, mas também com os preços, deve fazer compras nas feiras. Nas bancas de rua, é possível achar os mesmos itens por valores bem abaixo dos praticados por supermercados e empresas que entregam em domicílio.

Esta é a conclusão da pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), que verificou o custo de alimentos orgânicos nos três canais de vendas. O resultado foi uma variação de até 115,29% entre os preços cobrados pelas feiras especializadas neste tipo de alimento e pelos supermercados, como é o caso do tomate. A reportagem é de Carolina Dall’olio e foi publicada no Jornal da Tarde (SP), 21/4/2010. Leia mais…

Ameaça à rotulagem de transgênicos

6, novembro, 2009 Sem comentários

Está pronto para votação em plenário o PL 4148/2008 do Deputado Luiz Carlos Heinze que pretende acabar com a rotulagem de alimentos transgênicos. A iniciativa tem o objetivo de tornar toda a produção de soja, milho, algodão (e outros alimentos que vierem a ser aprovados na CTNBio) transgênica. Se aprovado, o consumidor não terá mais o direito de saber e escolher entre um alimento transgênico ou não transgênico, assim como os agricultores que optam por cultivar não transgênico perderão as vantagens econômicas que têm obtido. Leia mais…

Stephanes e os orgânicos

24, julho, 2009 Sem comentários

O ministro da Agricultura Reinhold Stephanes, defensor dos transgênicos, revelou esta semana ser consumidor de produtos orgânicos. A declaração foi dada durante a abertura da 5ª Bio Brazil Fair – Feira Internacional de Produtos Orgânicos e Agroecologia, em São Paulo, segundo o Jornal DCI (24/07).

Deve ter aprendido com Lula, que tempos atrás disse que “a soja boa a gente come, com a transgênica a gente faz biodiesel”.

Essa coisa de transgênicos é tão boa que nem os responsáveis por sua liberação querem comer.

Animais alimentados com (ou sem) transgênicos

8, junho, 2009 1 comentário

ogm_jenveuxpasNa última quinta-feira (04), o Ministério da Agricultura publicou Instrução Normativa (n. 22, de 02 de junho de 2009) detalhando as regras para embalagens, rótulos e propagandas de produtos destinados à alimentação animal. Em relação ao uso de transgênicos nas rações, a norma apenas diz que “os produtos que contenham, sejam derivados ou produzidos a partir de OGMs devem atender aos princípios de rotulagem fixados em normas específicas” (art. 6).

Ou seja, como não podia deixar de ser, vale o decreto de rotulagem. E, sendo assim, o produtor de frangos, ovos, porcos, leite etc. saberá o que está fornecendo a sua criação e deverá rotular os produtos derivados. Leia mais…