Arquivo

Textos com Etiquetas ‘feijão’

Feijão transgênico: Polêmica à mesa

17, abril, 2013 1 comentário

Intimidação: pesquisador da Embrapa Francisco Aragão diz que autora de estudo científico que criticou processo de liberação do feijoeiro transgênico “merecia responder em juízo”

 

Aprovado em 2011 para produção comercial, feijão geneticamente modificado desenvolvido pela Embrapa está no centro de discussão que envolve papel da CTNBio como regulador de biossegurança no Brasil.

CIÊNCIA HOJE, 16/04/2013

Por: Célio Yano

Até 2015 deve começar a ser cultivado no Brasil o feijão resistente ao vírus do mosaico dourado, primeiro transgênico desenvolvido com tecnologia 100% nacional e liberado para plantio e comercialização pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio).

O que pode soar boa notícia para agricultores, que veem na nova variedade uma solução para as perdas enfrentadas com a praga, é motivo de preocupação para alguns pesquisadores. Para eles, o cultivo e o consumo de organismos geneticamente modificados (OGMs) desenvolvidos com a tecnologia usada no feijão transgênico podem oferecer riscos à saúde e ao meio ambiente.

Essa tese é tema de artigo publicado na atual edição do periódico científico Environment International, no qual pesquisadores de Brasil, Austrália e Nova Zelândia questionam a atuação de órgãos reguladores de cada um dos países na liberação de OGMs.

Para eles, ao liberar o cultivo e o comércio de OGMs que contêm moléculas chamadas de RNA de fita dupla (dsRNA) – caso do feijão resistente ao mosaico dourado –, os órgãos reguladores estariam ignorando a possibilidade de efeitos adversos ao usar critérios ultrapassados de análise de risco.

Foram estudados os casos do Food Standards Australia New Zealand (FSANZ), que atua na Austrália e na Nova Zelândia, do Office of the Gene Technology Regulator (OGTR), da Austrália, e da CTNBio, do Brasil.

“A ideia de escrever o artigo surgiu porque vimos que esses três órgãos agem de maneira muito parecida”, diz a agrônoma brasileira Sarah Agapito, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), coautora do artigo.

A produção comercial do feijão resistente ao vírus do mosaico dourado foi aprovada em setembro de 2011 após cerca de uma década de estudos. O produto foi criado nos laboratórios da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), instituição pública que não pretende cobrar royalties de agricultores que cultivarem o OGM.

O problema

A técnica tradicional de modificação genética de uma espécie consiste na inserção de um pedaço de DNA em seu genoma. Dessa forma, o organismo transgênico passa a expressar uma proteína de interesse – por exemplo, que o torne resistente a determinada praga.

O feijão imune ao vírus do mosaico dourado pertence a outra categoria de OGM, que, em vez de expressar uma nova proteína, produz o dsRNA. É esse dsRNA gerado que, ao se acoplar a moléculas do vírus, impede que o agente infeccioso contamine o vegetal. “O problema é que não se sabe o que pode acontecer a um animal ou ser humano exposto a essa nova molécula de dsRNA”, diz Agapito. “Uma extensa literatura independente indica haver efeitos adversos dessas moléculas.”

Agapito: “O problema é que não se sabe o que pode acontecer a um animal ou ser humano exposto a essa nova molécula de dsRNA”

Entre as mais de 100 referências citadas no artigo, a pesquisadora destaca o trabalho do grupo de Lin Zhang. Em janeiro de 2012, o pesquisador chinês publicou artigo na revista Cell Research em que afirma ter encontrado moléculas de dsRNA de uma espécie de arroz geneticamente modificada na corrente sanguínea de humanos.

“Isso comprova que essas moléculas são estáveis, ou seja, sobrevivem à industrialização e ao cozimento, uma vez que não se consome arroz cru, e ainda passa incólume ao processo de digestão antes de chegar ao sangue”, diz a pesquisadora da UFSC. “Em laboratório, os chineses demonstraram ainda que a molécula de dsRNA encontrada na planta era capaz de regular genes de roedores que a consumiam.”

Agapito considera que os métodos usados para avaliação de riscos do feijão desenvolvido pela Embrapa não foram suficientes para verificar as rotas de exposição às moléculas de dsRNA. “O argumento da CTNBio para liberar o OGM foi que, por não produzir uma proteína nova, a variedade não teria risco de alergenicidade ou toxicidade”, diz. “Entre os testes feitos, alimentaram roedores com uma solução aquosa do dsRNA e com folhas ou grãos de feijão crus, o que claramente não é suficiente – ninguém come feijão desse jeito.”

Segundo a pesquisadora, todos os questionamentos expostos no artigo haviam sido enviados à CTNBio antes da votação que liberaria o feijão transgênico para cultivo e comércio. “Nós, da UFSC, redigimos um relatório técnico advertindo para a existência de literatura que aponta haver possibilidade de riscos, mas o documento foi rejeitado”, diz.

CNTBio se pronuncia

Procurado pela CH On-line, o farmacêutico bioquímico Flavio Finardi Filho, presidente da CTNBio, enviou documento de oito páginas em que contesta os argumentos levantados no artigo assinado por Sarah Agapito e detalha o processo de avaliação de riscos feito com OGMs.

Finardi: “Se a decisão final foi favorável é porque as informações coletadas não indicavam riscos importantes”

Ele nega que o relatório técnico produzido pelo grupo da UFSC tenha sido ignorado pela CTNBio na avaliação de risco do feijão transgênico. “Se a decisão final foi favorável é porque as informações coletadas não indicavam riscos importantes.” No processo de aprovação comercial da planta, o farmacêutico bioquímico foi um dos relatores. O presidente da CTNBio na ocasião era o agrônomo Edilson Paiva.

Em outro trecho do documento, Finardi rebate a crítica feita ao teste com folhas do feijão transgênico. Segundo ele, é nas folhas que os dsRNAs são metilados como nos grãos e estão disponíveis em maior concentração.

Pesquisador da Embrapa comenta artigo

O engenheiro agrônomo Francisco Aragão, da Embrapa e um dos coordenadores do projeto de desenvolvimento do feijão transgênico, também critica o artigo. Assim como Finardi, ele argumenta que o dsRNA presente na espécie geneticamente modificada já existe na natureza, uma vez que é produzido pela variedade não transgênica quando esta é infectada pelo vírus do mosaico dourado.

Aragão questiona ainda o artigo do chinês Lin Zhang, utilizado como referência por Sarah Agapito. “Há dezenas de outras pesquisas feitas antes e depois do trabalho de Zhang que dizem que isso não acontece [RNA de planta ser absorvido por mamífero e regular organismo do animal]”.

Segundo o pesquisador da Embrapa, os testes de avaliação de risco do feijão transgênico seguiram a resolução normativa número 5 da CTNBio e envolveram caracterização molecular e agronômica da planta, análise de composição de fatores nutricionais e antinutricionais, experimentos no campo em três regiões do Brasil e alimentação de animais com as plantas cozidas. Posteriormente, esses animais ainda teriam sido analisados do ponto de vista bioquímico e celular.

O engenheiro agrônomo minimiza o fato de o artigo, que ele considera ser “de opinião”, ter sido publicado em uma revista de fator de impacto relevante (qualificação A1 na Qualis/Capes). “Há trabalhos sendo despublicados de periódicos de mais prestígio o tempo todo”, ressalta. “Quando a publicação aceita o paper, significa que o texto passou por um crivo mínimo, mas é só depois da publicação que vai poder ser confrontado por toda a comunidade científica.”

Sem acordo

Para Sarah Agapito, as justificativas dadas por Finardi e Aragão não são suficientes. “A argumentação de que moléculas de dsRNA produzidas pelo feijão transgênico da Embrapa já estão presentes no meio ambiente em plantas infectadas com o vírus do mosaico dourado é falsa”, diz. “Foram inseridos cerca de 50 mil nucleotídeos [DNA] no feijão transgênico, sendo que mais de uma cópia da sequência que produz o dsRNA está presente. E, mais importante, essas sequências estão truncadas, ou seja, são diferentes daquela que era esperada.”

Por fim, a pesquisadora desafia os integrantes da comissão de biossegurança brasileira. “Se alguns membros da CTNBio acreditam que sua metodologia de análise de risco de plantas transgênicas contendo tecnologia de dsRNA está correta, eles deveriam expor seus argumentos em artigo científico. E que este seja, é claro, submetido a uma avaliação peer-reviewed [revisão por pares] e, se aprovado, que tenha livre acesso para que toda a comunidade científica fique sabendo.”

Aragão: “Em minha opinião, algumas coisas que estão escritas no artigo mereciam que a autora respondesse em juízo”

À CH On-line, Aragão afirmou que ainda estuda se encaminhará algum tipo de resposta à revista Environment International. “Mas, em minha opinião, algumas coisas que estão escritas no artigo mereciam que a autora respondesse em juízo”, diz, ressaltando que fala apenas em seu nome, não como porta-voz da Embrapa.

O trabalho recebeu manifestação de apoio de ONGs como a European Network of Scientists for Social and Environmental Responsibility, a Third World Network e a GM Watch.

Embora a produção comercial do feijão transgênico tenha sido aprovada pela CTNBio em setembro de 2011, a leguminosa ainda passa por ensaios técnicos nas cinco regiões do Brasil por exigência do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. No ano que vem deve ser feita a multiplicação das sementes para que em 2015 tenha início o cultivo em larga escala.

Célio Yano
Ciência Hoje On-line/ PR

Órgãos reguladores não avaliam adequadamente risco de transgênicos, diz estudo

9, abril, 2013 2 comentários

Pesquisadores alertam que órgãos reguladores falham ao analisar riscos de novos transgênicos

A conclusão dos autores é de que não existe nenhum procedimento validado para testar a segurança de moléculas de dsRNAs, seja para alimentação humana ou meio ambiente.

Por Agência de Comunicação (Agecom) da UFSC, 22/03/2013

Em recente artigo publicado em revista científica Environment International Journal, classificada com o conceito máximo do ranking da Capes, A1, pesquisadores afirmam que órgãos governamentais regulamentadores não estão considerando riscos importantes relacionados a novos tipos de plantas geneticamente modificadas. O estudo aborda os riscos de produtos emergentes contendo moléculas chamadas de RNA de fita dupla (dsRNA).

Processo de liberação do feijão transgênico da Embrapa pela CTNBio também foi analisado pelos pesquisadores

Intitulado “A comparative evaluation of the regulation of GM crops or products containing dsRNA and suggested improvements to risk assessment”, o artigo é escrito por pesquisadores de três países: Jack Heinemann, Universidade de Canterbury da Nova Zelândia, Sarah Agapito-Tenfen, da Universidade Federal de Santa Catarina, Brasil, e Judy Carman, Universidade de Flinders, Austrália.

A conclusão dos autores é de que não existe nenhum procedimento validado para testar a segurança de moléculas de dsRNAs, seja para alimentação humana ou meio ambiente. Também não existem documentos de orientação para aconselhar órgãos reguladores internacionais. Além de demonstrar as falhas dos sistemas atuais em avaliar a possibilidade de efeitos adversos oriundos de moléculas dsRNA, os autores propõem um processo para testar organismos geneticamente modificados (OGMs) ou outros produtos que possam conter moléculas de dsRNAs.

Demanda por mais estudos

Os novos organismos geneticamente modificados são desenhados para produzir uma forma de RNA, os RNAs de fita dupla, chamados de dsRNA. Enquanto a maioria das plantas transgênicas é desenhada para produzir proteínas, os novos tipos de plantas transgênicas produzem dsRNAs para alterar a maneira como os genes são expressos. Essas moléculas de dsRNA podem ser transferidas de plantas para humanos e outros animais através da alimentação. Além disso, poderiam ser potencialmente transferidas por inalação de partículas oriundas destas plantas transgênicas (como por exemplo, inalação de farinha de trigo transgênico) ou por absorção através da pele.

A mesma tecnologia está sendo desenvolvida para ser pulverizada diretamente na lavoura como um tipo de pesticida. Também existe a proposta de uso na alimentação de insetos, como é o caso da tentativa de controle de um vírus que ataca abelhas.

Embora o RNA seja um componente normal de todas as células, na forma de dsRNAs ele pode ter efeitos que dependem da espécie e do tecido a que são expostos. De acordo com a professora Judy Carman, da Universidade de Flinders na Austrália e co-autora do artigo, “As moléculas de dsRNA produzidas pelas plantas transgênicas podem funcionar exatamente como pretendido e não apresentar nenhum outro efeito”, explica. “Por outro lado, elas podem ter efeitos adversos tanto em organismos alvo da tecnologia, quanto em outros organismos, tais como humanos e espécies selvagens. Nós não saberemos até fazermos análises completas, e estas análises ainda não foram feitas”, completa.

Os autores defendem que não existe base científica para extrapolar a segurança destas novas moléculas de dsRNA a partir do histórico de uso seguro de moléculas de dsRNA de células de plantas, animais, fungos e microorganismos que comemos.

Como os produtos são autorizados

Os autores revisaram conjuntamente três órgãos regulamentadores responsáveis pela segurança alimentar e ambiental, com jurisdição em três países: Austrália, Brasil e Nova Zelândia. As decisões destes órgãos são relativas a aprovações de três tipos de plantas transgênicas que foram desenvolvidas para produzir, ou que poderiam produzir, novos dsRNA a serem utilizadas na alimentação humana ou animal. Os autores fazem registro às suas recomendações a estes órgãos e as respostas dos mesmos.

“Cada regulador encontrou motivos para não questionar as empresas proponentes para testar efeitos específicos relacionados às moléculas de dsRNA, e assim contaram com suposições ao invés de testarem para determinar a segurança destes produtos” diz a co-autora Sarah Agapito-Tenfen, doutoranda na Universidade Federal de Santa Catarina, Brasil, que analisou o trabalho da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), na liberação de feijões transgênicos (Phaseolus vulgaris) produzidos pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

O artigo demonstra que os órgãos reguladores têm negado a priori a necessidade de se avaliar tanto os efeitos diretos quanto os efeitos secundários potenciais das moléculas de dsRNA. Ainda, tais instituições têm recorrido a informações falhas e desatualizadas sobre a bioquímica destas moléculas de dsRNA.

Assim, não há registro público de nenhum órgão regulador requisitando ou revisando estudos que forneçam evidências para a ausência de efeitos indesejados de novas moléculas intencionais de dsRNA no OGM, efeitos de novas moléculas não-intencionais de dsRNA no OGM e produção de novas moléculas de dsRNA secundárias no OGM ou em pessoas expostas ao OGM (por exemplo: através de inalação, ingestão ou absorção) – incluindo insetos não-alvo, espécies selvagens e humanos. Consequentemente, nunca foi realizado um estudo de toxicidade aguda ou crônica em qualquer OGM comercial que tenha a capacidade de detectar qualquer efeito que pudesse surgir especificamente a partir das moléculas de dsRNA primárias ou secundárias geradas pelo OGM.

Proposta de novos testes

“Para nossa surpresa, descobrimos que não existem protocolos internacionalmente aceitos ou sequer diretrizes sobre como conduzir uma análise de risco adequada e completa em produtos com essas novas moléculas de dsRNA” diz Prof. Jack Heinemann, professor da Universidade de Canterbury na Nova Zelândia e principal autor do artigo. A fim de preencher esta lacuna, os autores desenvolveram o que seria o primeiro procedimento formal para análise de risco de produtos baseados em dsRNA, tanto para organismos vivos geneticamente modificados como para agentes pulverizados em lavouras.

Os autores defendem que todos os OGMs sejam avaliados para a presença de moléculas de dsRNA adversas. Ou seja, até mesmo aqueles OGMs que não foram produzidos com a intenção de expressarem essas moléculas necessitam ser avaliados para a presença destas, pois estas moléculas são subprodutos comuns do processo de engenharia genética. Até hoje nenhum OGM foi avaliado desta maneira.

O esquema de avaliação de risco proposto pelos autores baseia-se na aplicação daquilo que está mais cientificamente desenvolvido até hoje. A capacidade de utilizar mecanismos baseados nesta ciência de ponta está bem alocado dentro da experiência da indústria e da comunidade acadêmica e não é particularmente caro. Por exemplo, as técnicas de bioinformática sugeridas requerem apenas um computador, acesso à internet e pessoal capacitado, com um treinamento comum para qualquer profissional da área de biologia molecular.

Mais informações:

Jack A. Heinemann é Professor Titular na disciplina de Genética e Biologia Molecular na Escola de Ciências Biológicas e Diretor do Centro de Pesquisas Integradas em Biossegurança, ambos na Universidade de Canterbury, Nova Zelândia. Contatos: jack.heinemann@canterbury.ac.nz; +64 3 364 2500

Sarah Z. Agapito-Tenfen tem Mestrado em Recursos Genéticos Vegetais pela Universidade Federal de Santa Catarina e atualmente faz seu doutorado na mesma instituição. Contatos: sarahagro@gmail.com; +55 48 3721-5336 e (48) 8823-7793.

Dra. Judy Carman é Professora Associada na área de Saúde e Meio-Ambiente na Escola de Meio-Ambiente da Universidade de Flinders/Austrália e é Diretora do Instituto de Pesquisas em Saúde e Meio-Ambiente. Ela possui qualificações em epidemiologia e bioquímica. Contatos: judycarman@ozemail.com.au; +61 408 480 944

Link para o Artigo:

http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0160412013000494

Promessa brasileira

1, abril, 2013 1 comentário

As promessas dos transgênicos das multinacionais foram caindo por terra uma a uma. Agora é a vez das promessas nacionais.

Nos testes feitos pela Embrapa, a primeira geração das plantas modificadas apresentou até 36% de plantas suscetíveis à doença que deveria controlar. Afirmam os pesquisadores que o evento de modificação para controle da doença ainda precisa ser melhor estudado. Pode-se falar em plantas resistentes?

O milho Bt veio para acabar com as lagartas, criou em 2 anos lagartas resistentes e deu a uma praga secundária o poder de causar grandes danos econômicos. Quanto tempo será necessário até que se crie um vírus resistente a esse feijão e ainda mais danoso às lavouras? 

Vale ainda notar que a matéria abaixo informa que as normas de segurança para uso do feijão transgênico serão feitas pela própria Embrapa, o que mostra que a CTNBio liberou as sementes sem cumprir aquilo que deveria ser sua função. Quais normas de segurança foram criadas para o plantio de soja, milho e algodão das empresas multinacionais?

DCI, 01/04/2013

Feijão transgênico brasileiro espera por normas de segurança

Camila Souza Ramos

O feijão geneticamente modificado pela Embrapa, que será a primeira semente transgênica desenvolvida no Brasil e o primeiro feijão transgênico do mundo, espera por mais testes e pela confirmação de normas de segurança antes de ser distribuído ao mercado nacional

O feijão geneticamente modificado pela Embrapa, que será a primeira semente transgênica desenvolvida no Brasil e o primeiro feijão transgênico do mundo, espera por mais testes e pela confirmação de normas de segurança antes de ser distribuído ao mercado nacional, segundo a gerente-geral interina da Embrapa Produtos e Mercados, Soraya Araújo. “Temos que seguir uma série de normativas de segurança”.

Ela confirmou que a previsão é que somente em 2015 o sistema de produção estará fechado, com padrão de qualidade garantido. Por enquanto, a Embrapa busca estruturar o sistema de segmentação e identificação da semente. A comercialização do feijão transgênico já foi aprovada pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) há dois anos.

A semente da Embrapa é resistente ao mosaico dourado, uma doença causada por um geminivírus transmitido pela mosca branca e que provoca o amarelecimento das folhas, nanismo, deformação das vagens e grãos e abortamento das flores. Uma plantação acometida pela doença tem perdas de 40% a 100%.

Segundo levantamento da Embrapa, outro produto que ainda está em desenvolvimento, também pela ela, é a alface transgênica, que teria mais ácido fólico em suas folhagens. Porém, essa hortaliça ainda não passou pela avaliação da CTNBio.

::

veja também:

Por trás de um prato de feijão

O feijão transgênico está na mesa

 

Categories: empresas, transgênicos Tags: ,

Agricultura familiar mira independência com sementes crioulas de milho

27, novembro, 2012 Sem comentários

Embrapa estuda política de royalties para feijão transgênico

27, junho, 2012 Sem comentários

GAZETA DO POVO, 26/06/2012

O agricultor brasileiro não vai pagar royalty para plantar o feijão transgênico desenvolvido pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Em­­­­brapa). O sistema de cobrança adotado para a soja ge­­neticamente modificada (porcentual sobre a semente ou produção) es­­tá descartado, conforme o pesquisador Josias Faria, da Embrapa Arroz e Feijão, que ajudou a desenvolver a nova semente.

Até 2014, o feijão resistente ao mosaico dourado – doença que pode provocar perdas de 40% – estará em fase de multiplicação. Nesse período, a Embrapa vai definir um sistema que permita o aces­­so do produtor brasileiro à tecnologia sem elevação de custos, e também que preserve os direitos da instituição quando outras empresas lucrarem com a alternativa, afirma o especialista.

“Não será cobrado royalty do feijão. Mas, em relação à apropriação da tecnologia pelo mercado, isso não vai acontecer graciosamente. O que nós queremos é que o feijão diminua os custos do produtor que usa defensivos contra o mosaico dourado”, disse Faria.

A semente tende a ganhar o mercado nacional em 2015 e desperta interesse também da Argentina e dos Estados Uni­­dos. Promete sistematizar a distribuição de sementes da leguminosa. Para ficar livre do mosaico dourado, os agricultores que produzem suas próprias sementes tendem a migrar para o mercado de variedades registradas. Se isso ocorrer, a participação da semente industrial, estimada em 15%, dará um salto.

Não está descartada a cobrança pelo uso da tecnologia da Embrapa, principalmente quando associada a um feijão de propriedade de uma empresa privada. Mesmo assim, conforme a Embrapa Arroz e Feijão, o custo não deve ter o peso que apresenta no milho transgênico – no cereal, os valores extras pagos às indústrias podem passar de dois terços dos ganhos na produção.

Por enquanto, apesar de apro­­vado há nove meses pela Comissão Técnica Nacional de Biotecnologia (CTNBio), o feijão transgênico não pode ser plantado. Isso porque ainda não foi estruturado o sistema de segmentação e identificação. O alimento geneticamente modificado que chegar aos supermercados sem um triângulo amarelo com a letra T no meio será considerado ilegal. Por outro lado, a Embrapa já pesquisa outras sementes transgênicas, como o feijão resistente ao mofo branco.

A fiscalização ficará a cargo do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Ma­­pa). A Embrapa alerta para a necessidade de conscientização dos produtores pela cadeia de instituições ligadas ao agronegócio. A tarefa deve ser discutida nos próximos meses.

Comercialização

Plantio de norte a sul deve começar apenas em 2015

Com plantio comercial aprovado pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) desde setembro do ano ano passado, o primeiro feijão transgênico só deve chegar a todo o mercado nacional em 2015, um ano após o estimado, conforme a Embrapa. O ritual de multiplicação está levando um pouco mais de tempo que o esperado.

A semente passa por uma fase de ensaios, em campos experimentais localizados em Ponta Grossa, no Paraná. A partir de agosto, os grãos serão multiplicados nas principais regiões produtoras, incluindo os estados de São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Tocantins, Bahia e Pernambuco.

Essas lavouras é que vão fornecer dados para registro no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) do material que será comercializado. Esse procedimento é realizado tanto no caso de sementes convencionais como no de transgênicas. A tecnologia estará disponível primeiro no feijão pérola e no pontal.

Categories: transgênicos Tags: , ,

E se os doutores estiverem errados?

13, novembro, 2011 Sem comentários

A edição deste mês da revista Le Monde Diplomatique Brasil traz artigo da AS-PTA com análise sobre a liberação do feijão transgênico.

“A aprovação do feijão transgênico da Embrapa permitiu reavivar a promessa de que a transgenia abrirá caminho para uma revolução na alimentação. Foi o mote perfeito para tirar o foco do fato de esse mercado ser dominado por poucas multinacionais que patenteiam as sementes e tiram de circulação as não transgênicas”

Artigo na íntegra em formato pdf

Embrapa avalia cobrança de royalty sobre feijão transgênico

28, outubro, 2011 Sem comentários

GAZETA DO POVO, 25/10/2011

Apesar de a cobrança de royalty não fazer parte dos protocolos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embra­­­pa), essa prática vem sendo discutida pela instituição como estratégia de proteção da tecnologia desenvolvida pela unidade especializada em arroz e feijão, localizada em Santo An­­­tônio de Goiás (GO). “Se constatarmos que haverá maior distribuição da tecnologia aos produtores brasileiros sem royalty, não vamos cobrar”, disse Filipe Teixeira, especialista em patentes da Embrapa. Porém, outras questões estão em jogo, acrescentou. Sem cobrança, haveria risco de a difusão da tecnologia ocorrer de forma desordenada (um dos objetivos da Embrapa e incentivar o uso de sementes registradas). Além disso, o órgão de pesquisa considera que o feijão resistente ao vírus do mosaico dourado, principal doença da cultura no Brasil, pode interessar a outros países produtores, como Argentina e Estados Uni­­­dos. Nesses casos, os royalties passam a ser vistos como uma forma de os pesquisadores brasileiros contarem com mais recursos para novos projetos.

Para especialista, feijão transgênico foi liberado no Brasil sem estudos consistentes

24, outubro, 2011 Sem comentários

Caros Amigos, 20/10/2011.

Em entrevista, o assessor técnico da AS-PTA Agricultura Familiar e Agroecologia, Gabriel Fernandes, aponta as falhas na liberação de sementes transgênicas no Brasil e os problemas de seu uso indiscriminado. Apesar das polêmicas em torno do tema, segundo o assessor, somente entre 2008 e 2011 foram liberados 29 tipos de sementes transgênicas, entre soja, milho e algodão, e o feijão é o próximo alvo. Para piorar, o uso dos trangênicos avança em parceira com o aumento do uso de agrotóxicos nas lavouras. Confira a entrevista:

Por Paula Salati

Caros Amigos – Foram apontadas irregularidades e erros no estudo da Embrapa sobre o feijão transgênico 5.1. Gostaria que comentasse um pouco sobre as falhas encontradas no estudo.

Gabriel Fernandes – Foram apontados dois tipos de problemas: estudos não realizados e estudos de consistência duvidosa. Os testes de campo foram feitos em apenas três localidades (Londrina-PR, Sete Lagoas-MG e Santo Antônio de Goias-GO), enquanto a lei exige que sejam gerados dados em todas as regiões onde a nova semente poderá vir a ser plantada. Ou seja, as informações disponíveis são insuficientes em termos nacionais. Nenhum estudo ambiental foi feito no Nordeste, que responde por cerca de 25% da produção nacional de feijão.

Não foram feitos ensaios alimentares com animais prenhes nem ao longo de duas gerações, também requisitados por lei. Sem isso não se pode ter indicativos do risco potencial de médio e longo prazo decorrente da ingestão continuada desse produto. Lembremos que o brasileiro consome em média 9 kg de feijão por ano.

Um dos membros da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança apresentou parecer criticando a fragilidade dos dados da Embrapa, com destaque para a avaliação de segurança alimentar. De 10 ratos que fizeram parte de um experimento, apenas 3 foram testados, todos machos e antes de atingirem idade reprodutiva, quando há grandes mudanças hormonais. Mesmo assim foram observadas diferenças em relação aos que consumiram feijão comum, como maior tamanho das vilosidades do intestino delgado. Observou-se ainda diminuição do tamanho dos rins e aumento no peso do fígado dos animais alimentados com o feijoeiro 5.1. São dados que sugeririam ao menos a repetição dos ensaios. Cabe perguntar qual revista científica aceitaria publicar estudo feito com uma amostra que sequer permite análise estatística. Mesmo assim o parecer crítico foi derrotado.

Além disso, pesquisadores independentes da Universidade Federal de Santa Catarina criticaram o fato de dados indispensáveis à análise de risco do produto terem sido mantidos sob sigilo.

Caros Amigos – Como avalia a votação da liberação do feijão transgênico pela CTNBio no Brasil? Há pressões econômicas envolvidas?

Já era esperada. A CTNBio nunca recusou um pedido de liberação comercial de transgênico. Uma vitória das empresas de biotecnologia dotou essa comissão de superpoderes, que passaram a vigorar com a nova lei de biossegurança, aprovada em 2005 pelo Congresso com o apoio do governo e dos ruralistas. Criou-se uma comissão composta por doutores, não-remunerados para este fim, que se reúnem uma vez por mês em Brasília. Suas decisões enquadram Ibama, Anvisa e demais órgãos da administração pública. Muitos de seus integrantes fazem pesquisa na área e podem se beneficiar direta ou indiretamente da liberação de transgênicos.

A novidade neste caso foi que o presidente da Comissão assumiu defesa pública do feijão modificado antes mesmo de sua votação, assim como outros 15 integrantes da Comissão, que promoveram abaixo-assinado on-line nas semanas que antecederam a votação, endereçado a várias autoridades, pedindo a liberação comercial do produto. Parece que o juízo estava formado antes mesmo da apresentação do voto contraditório e da conclusão do processo. A lei, entretanto, impede de votar aqueles que possuam envolvimento pessoal ou profissional com a matéria. O feijão foi aprovado com exatos 15 votos. Pedimos ao Ministério Público que avalie a ocorrência de conflito de interesses neste caso.

Caros Amigos – Um dos motivos bastante utilizados pelos defensores da liberação do feijão transgênico 5.1, foi que ele seria resistente ao vírus “Mosaico Dourado”. Há outras maneiras de se combater esse vírus? Se sim, quais são?

Sim, e há alternativas da própria Embrapa que já comprovaram que o plantio orgânico de feijão é viável e rentável (clique para ver exemplo). A principal ideia da agricultura orgânica é aumentar o equilíbrio ecológico nas plantações, fazendo rotações de culturas, plantios diversificados e tratando o solo com matéria orgânica para que ele recupere sua capacidade produtiva. A planta que cresce num solo biologicamente ativo é mais resistente a pragas e doenças.

Por outro lado, há uma relação entre a ocorrência do vírus do mosaico dourado e o plantio intensivo de três safras seguidas no mesmo ano agrícola, bem como com o aumento da área de soja, que abriga o inseto vetor da doença. É uma visão um tanto reducionista achar que o problema será controlado com a alteração de um gene da planta mantendo-se todo o resto.

Caros Amigos – Poderia me dizer quais as principais diferenças entre a composição de um feijão normal e o feijão 5.1?

Essa foi outra crítica feita em relação aos dados apresentados. Foram identificadas diferenças estatisticamente significativas nos teores de proteínas e de vitamina B12 quando a variedade modificada foi comparada com a parental, sendo que esses valores deveriam ter sido os mesmos. Quem acompanhou a votação em Brasília pôde ouvir os defensores da liberação argumentarem que esses valores, embora cientificamente válidos, não deveriam ser levados em consideração: “Se há mais de uma proteína e vitamina e menos de outra, não há problema, pois isso se compensa com o arroz, verdura ou outro alimento que será ingerido junto com o feijão”. Também falou-se que a panela de pressão pode anular as diferenças com o cozimento. (sic)

Caros Amigos – Quais outras conseqüências do feijão transgênico para a saúde e para a segurança alimentar?

Outras, para serem conhecidas, exigiriam estudos que não foram apresentados. O CONSEA manifestou à presidente Dilma sua preocupação com a liberação precipitada. O Ministério da Saúde votou pela diligência, pedindo mais estudos.

Caros Amigos – E para agricultura familiar e o meio ambiente, o que a liberação do feijão transgênico implica?

Ainda não está claro se a Embrapa cobrará royalties por suas sementes, assim como fazem as grandes empresas de biotecnologia.

Além disso há o risco de o agricultor trocar suas sementes por uma tecnologia que pode ter curta durabilidade. Os dados da Embrapa mostraram que até 36% das plantas derivadas da variedade transgênica foram suscetíveis ao vírus. Se isso se confirmar nas plantações, novas versões do vírus resistente poderão passar a causar prejuízos em um pouco tempo.

Outro problema potencial é a contaminação genética das sementes locais ou crioulas. Há estudos mostrando que pode haver até 13% de polinização cruzada entre plantas de feijão, embora não se saiba ao certo a que distâncias. Uma pesquisa de mestrado feita em 5 municípios do agreste paraibano identificou 55 variedades de feijoeiros adaptados às condições locais e mantidas por produtores familiares. A liberação do feijão transgênico não prevê nenhuma medida para preservar essa riqueza genética.

Caros Amigos – Qual sua avaliação sobre o tratamento governamental em relação à política alimentar no Brasil?

Há avanços, mas no geral prevalece o apoio a monoculturas para exportação e à formação de gigantes para disputar espaço no mercado global. Basta ver o volume de dinheiro público investido na formação da Brazil Foods, Ambev e JBS-Marfrig. Além disso, o governo destina R$ 16 bi para a agricultura familiar, que ocupa 9 vezes mais pessoal do que a patronal e produz cerca de 80% da nossa alimentação. Já o agronegócio, que responde por apenas 16% dos estabelecimento agropecuários do país, receberá este ano mais de R$ 107 bi via plano agrícola e pecuário.

Os avanços dizem respeito a políticas de valorização da produção familiar que vêm fomentando práticas agroecológicas, como o Programa de Aquisição de Alimentos e o Programa Nacional de Alimentação Escolar. Ambos vêm criando importantes mercados para a agricultura familiar, sendo que o da merenda determina que pelo menos 30% da alimentação servida nas escolas da rede pública venham da agricultura familiar da região, com preferência para alimentos orgânicos.

Caros Amigos – Acredita que a liberação do feijão transgênico abre precedentes para outras liberações de transgênicos?

Na verdade a porteira já foi aberta há mais tempo. Entre 2008 e 2011 foram liberados 29 tipos de sementes transgênicas, entre soja, milho e algodão, mais 10 vacinas de uso veterinário, uma levedura para produção de agrocombustível e testes com mosquito da dengue transgênico em bairros urbanos. A indústria investe mais em sementes transgênicas resistentes a agrotóxicos para fazer a venda casada. Entre 2003 e 2009, período de forte expansão da soja transgênica da Monsanto, resistente ao herbicida glifosato (“mata-mato”), o Brasil passou a usar 5 vezes mais esse produto, segundo a Anvisa. Em 2008 o Brasil passou a ser o país que mais usa agrotóxicos no mundo.

>> Leia também reportagem sobre a relação dos agrotóxicos, transgênicos e o novo modelo de agronegócio
Por último, a liberação do transgênico “verde e amarelo” é tida por alguns como uma grande conquista nacional. E a indústria vem usando o feito para renovar suas promessas. Na esteira da euforia gerada algumas normas importantes podem ser mudadas para pior. A tendência é que se amplie a abrangência do sigilo sobre os pedidos de liberação de transgênicos e que sejam desmanchadas as regras que preveem que os impactos dos transgênicos ao meio ambiente e à saúde sejam monitorados depois que esses produtos são liberados para produção e consumo em larga escala. Tanto é assim que o presidente da CTNBio já convocou as empresas do setor, chamadas por ele de “nossos usuários”, para discutir a reforma dessas regras. E para concluir, não custa lembrar que esta comissão é órgão integrante do Ministério da Ciência e Tecnologia.

Feijão transgênico provoca divergência entre Consea e CTNBio

24, outubro, 2011 Sem comentários

Agência Brasil, 23/10/2011

Gilberto Costa

Brasília – O cultivo de alimentos transgênicos divide o governo e coloca em lados opostos o Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea), ligado à Presidência da República, e a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), ligada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). A liberação da venda do feijão GM Embrapa 5.1 expôs a divergência entre os dois órgãos.Em carta enviada à presidenta Dilma Rousseff durante o processo de liberação do feijão geneticamente modificado (Exposição de Motivos nº 009-2011, de 7 de julho), o presidente do Consea, Renato Sérgio Jamil Maluf, afirma que o Brasil “não tem respeitado o princípio da precaução, base fundamental da Agenda 21, em suas decisões referentes a temas de biossegurança”. Segundo Maluf, o Consea avalia que é preciso adequar as políticas de biossegurança aos preceitos da Conferência Rio 92 e avalia como “escassa” a análise genética e os estudos de campo em Goiás, Minas Gerais e no Paraná.

 

O presidente do conselho pediu a proibição da liberação do feijão transgênico e fez duras críticas à CTNBio, solicitando “especial atenção” de Dilma Rousseff às liberações comerciais do órgão. “Percebe-se que a referida comissão assumiu um caráter de entidade facilitadora das liberações de OGMs [organismos geneticamente modificados] no Brasil, em situação que rotineiramente contraria os votos e despreza argumentos apresentados pelos representantes da agricultura familiar, dos consumidores, dos ministérios da Saúde, do Meio Ambiente e do Desenvolvimento Agrário”.

 

A carta do Consea a Dilma fez com que o presidente da CTNBio, Edilson Paiva, enviasse ofício (nº 786, de 2 de agosto) ao ministro Aloizio Mercadante (Ciência, Tecnologia e Inovação) e criticasse o conselho pela visão “obscurantista”. Paiva ressalta que a CTNBio cumpre as regras internacionais, como a Codex Alimentarius da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) e a legislação brasileira sobre biossegurança.

 

Edilson Paiva enfatiza o rigor das avaliações na CTNBio. Segundo ele, a liberação comercial do feijão geneticamente modificado (ainda em análise naquela época) se basearia em documentação “bastante robusta” (500 páginas), em testes de “toxicidade e alergenicidade”, que tiveram resultados negativos, e em parecer de especialista independente apresentado em audiência pública. O presidente da CTNBio enfatizou que a produção de OGMs pela Embrapa levou “uma dezena de anos” e envolveu “quase uma centena de pesquisadores”.

 

No ofício, Paiva ainda pergunta “qual a perda para os agricultores brasileiros se deixarmos que o vírus afete a produtividade do feijão? Como este prejuízo se compara com os alegados e não comprovados potenciais danos à saúde ou ao ambiente?”.O feijão transgênico foi liberado em 15 de setembro após controvérsia dentro do governo.

 

O assunto poderá voltar à discussão pública durante a 4ª Conferência Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, que ocorrerá em Salvador (BA) entre 7 e 10 de novembro. Documento de referência para a preparação do evento aponta que “o agronegócio empresarial (…) expande um modelo frágil e insustentável que faz uso intensivo de agrotóxicos e sementes transgênicas, liberados por meio de processos da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) e repetidamente questionados pela sociedade civil. Esse pacote tecnológico faz do Brasil o maior mercado de agrotóxicos do mundo.

 

Os reflexos disso são manifestos nos registros de intoxicação de trabalhadores e na contaminação do solo, do ar (e consequentemente da água da chuva), das nascentes e dos aquíferos”.Na opinião do presidente da CTNBio, “o contraditório é bom”, mas a polêmica já se alonga por muito tempo. “São 16 anos em que se utilizam os mesmos argumentos, enquanto hoje no mundo se utilizam milhões e milhões de toneladas de grãos transgênicos na alimentação humana no mundo inteiro e até hoje não há único caso provado cientificamente de que isso possa ter causado qualquer mal”, reclama Edilson Paiva.A Agência Brasil entrou em contato com o Consea para entrevistar Renato Maluf, mas não obteve resposta.

 

A reportagem também tentou a entrevista por meio da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, onde Maluf é professor do Departamento de Desenvolvimento Agricultura e Sociedade, e não conseguiu retorno.

 

Edição: Lílian Beraldo

Feijão brasileiro esvazia críticas contra transgênicos, avalia pesquisador da Embrapa

24, outubro, 2011 Sem comentários

Agência Brasil, 23/10/2011

Gilberto Costa

Brasília – A liberação comercial da semente de feijão, do tipo carioquinha, geneticamente modificado e desenvolvido pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) esvaziou o discurso dos opositores aos transgênicos, opina o pesquisador da estatal Francisco Aragão.

“Durante muitos anos, as pessoas que são contra essa tecnologia sempre disseram que é uma tecnologia para grandes produtores, para commodities [produtos básicos de comercialização no mercado financeiro], e feita apenas por empresas multinacionais. O feijão mostra que não é isso, mas uma tecnologia para os programas de melhoramento, até para subsistência”, assinala Aragão.

O feijão GM Embrapa 5.1 é resistente ao vírus do mosaico dourado (transmitido por um inseto popularmente conhecido como mosca-branca), principal praga que ataca a cultura no Brasil e na América do Sul. Segundo o pesquisador, o organismo geneticamente modificado (OGM) “terá repercussão mais forte entre os pequenos produtores”, responsáveis por sete de cada dez grãos de feijão produzidos no Brasil e sem recursos para fazer o controle químico do vetor que transmite o vírus. Leia mais…

Carioquinha forte

24, outubro, 2011 Sem comentários

Compare as informações abaixo com o que está no processo da liberação comercial do feijão transgênico:

os experimentos foram tratados com inseticida + fungicida preventivo; as sementes foram tratadas, a aéra limpa com herbicida e as plantas dessecadas com até 3 outros herbicidas… (p. 411 e 412)

::

Jornal de Brasília, 24/10/2011

Resistente a praga, semente reduzirá uso de agrotóxicos nas lavouras liberação comercial da semente de feijão, do tipo carioquinha, geneticamente modificado e desenvolvido pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) esvaziou o discurso dos opositores aos transgênicos, opina o pesquisador da estatal Francisco Aragão.

“Durante muitos anos, as pessoas que são contra essa tecnologia sempre disseram que é uma tecnologia para grandes produtores, para commodities (produtos básicos de comercialização no mercado financeiro), e feita apenas por empresas multinacionais. O feijão mostra que não é isso, mas uma tecnologia para os programas de melhoramento, até para subsistência”, assinala Aragão.

O feijão GM Embrapa 5.1 é resistente ao vírus do mosaico dourado (transmitido por um inseto popularmente conhecido como mosca-branca), principal praga que ataca a cultura no Brasil e em outros países da América do Sul.

Segundo Aragão, o organismo geneticamente modificado (OGM) “terá repercussão mais forte entre os pequenos produtores”, responsáveis por sete de cada dez GRÃOS de feijão produzidos no Brasil e sem recursos para fazer o controle químico do vetor que transmite o vírus.

MENOS POLUIÇÃO

“O pequeno agricultor vai deixar de jogar veneno, vai deixar de se intoxicar e de poluir o meio ambiente”, complementa o presidente da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), Edilson Paiva. Segundo ele, a “Embrapa é uma das poucas empresas públicas no mundo que podem enfrentar a concorrência de multinacionais”, diz se referindo às empresas norte-americanas Monsanto e Pioneer, à DuPont (de capital francês), à suíça Syngenta e às empresas alemãs Basf e Bayer. Diferentemente das grandes companhias, a Embrapa não cobra royalties das suas sementes.

SAIBA +

Após mais de 30 anos da modificação da bactéria Escherichia coli para produção de insulina e 16 anos do anúncio da soja transgênica, o mercado e a ciência ampliam o uso e falam sobre uma nova geração de transgênicos.

A promessa da engenharia genética é a de que a tecnologia aumente o número de vacinas, enriqueça os alimentos e diminua o impacto ambiental no campo e nas cidades. Segundo a Sociedade Brasileira de Genética, é possível, por exemplo, fabricar sabão com bactérias geneticamente modificadas e ter um produto menos poluente.

Defesa agressiva

18, outubro, 2011 Sem comentários

Diário da Saúde, 18/10/2011

A conceituada revista Nature apresentou nesta semana um longo artigo ponderando a aprovação do feijão transgênico da Embrapa.

“Junto com o arroz ou misturado na feijoada, o feijão é um componente essencial da culinária brasileira,” começa a reportagem, lembrando que agora o país será pioneiro no uso de um grão fruto da engenharia genética para consumo humano.

“Grupos ambientalistas e o Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, ligado à presidência da república, pediram mais transparência na biotecnologia e na tomada de decisões, e mais pesquisas para descartar os riscos à saúde derivados do feijão transgênico,” pondera a revista.

Mas essas demandas não foram ouvidas.

Referindo-se à CTNBio, a comissão que aprova os organismos transgênicos no Brasil, a revista afirma que “os membros atuais da comissão defenderam agressivamente sua posição”.

Não existe segurança absoluta

“Os agricultores têm plantado grandes áreas de milho, soja e algodão geneticamente modificados, com pequena resistência por parte do público, mas a Embrapa agora está lidando com um produto que as pessoas comem em grandes quantidades a cada dia,” afirmou Rubens Nodari, da Universidade Federal de Santa Catarina, ouvido pela Nature.

Quem defendeu mais “agressivamente” a aprovação do feijão transgênico foi Edison Paiva, presidente da CTNBio, que afirmou à revista que os opositores à aprovação do alimento humano transgênico estão querendo que os cientistas garantam segurança absoluta, o que seria impossível.

Embora os cientistas não possam garantir que não haverá riscos à população, Francisco Aragão, da Embrapa, afirmou que “as análises de segurança não mostraram razões para preocupações com relação ao feijão [transgênico]“.

Armamento molecular

Aragão afirmou ainda que o feijão geneticamente modificado não produz “proteínas não-familiares”, como acontece com outros grãos transgênicos, e que poderiam causar reações alérgicas quando esses grãos são ingeridos.

O feijão transgênico produz apenas fragmentos de RNA projetados para reagir e neutralizar o RNA dos vírus invasores.

Herve Vanderschuren, biotecnólogo suíço também ouvido pela revista, afirma que as plantas produzem fragmentos de RNA naturalmente para se defender de ataques virais, “e não há evidências de que esse armamento molecular seja perigoso para os humanos”.

“A comissão de biossegurança tem adotado uma posição favorável à biotecnologia nos anos anteriores, ajudando o Brasil a se tornar o segundo maior produtor de cereais geneticamente modificados, atrás dos Estados Unidos,” afirma a Nature.

Leia abaixo a matéria original da Nature:

Leia mais…

Brasil se torna referência em transgênicos

11, outubro, 2011 Sem comentários

Gazeta do Povo, 11/10/2011

por José Rocher (o repórter viajou a São Paulo a convite do CIB, ONG das empresas de transgênicos)

Em cinco anos, o Brasil se consolidou como segundo maior produtor de grãos transgênicos do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos, e se transformou em um centro de negócios para as indústrias de sementes geneticamente modificadas (GMs). Destravou o sistema de avaliação dos organismos GMs e passou a ser citado pelo setor como exemplo para Europa, Ásia e África.

Quem elogia as mudanças que fizeram da produção transgênica uma bandeira nacional são os representantes das indústrias e os pesquisadores que mais criticavam a lentidão na aprovação das sementes. Eles comemoram o quadro atual como uma vitória de organizações como o Conselho de Infor­­mações sobre Biotecnologia (CIB), que completou 10 anos e tem entre seus 29 associados as indústrias multinacionais Monsanto, Syngenta, Basf e Bayer, principais investidores do setor.

A última semente aprovada pela CTNBio foi o feijão transgênico da Embrapa. A liberação ocorreu em setembro, nove meses depois de ter sido solicitada. A semente pode estar disponível aos produtores em apenas dois anos

Leia mais…

Categories: empresas, transgênicos Tags: ,

Debate sobre feijão transgênico no boletim da SBPC

7, outubro, 2011 Sem comentários

A seguir você encontra os links para artigos publicados no Jornal da Ciência E-mail apresentando diferentes visões sobre a liberação do feijoeiro transgênico da Embrapa.

 

O feijão nosso de cada dia

JC e-mail 4359, de 06 de Outubro de 2011.

http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=79594

Artigo de José Maria Gusman Ferraz, membro da CTNBio.

Seria obscurantismo optar por mais estudos para esclarecer dúvidas, ou seria cegueira científica a desconsideração destes fatos?”

::

O feijão transgênico da Embrapa é seguro

JC e-mail 4358, de 05 de Outubro de 2011.

http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=79573

Francisco G. Nóbrega e Maria Lucia Zaidan Dagli são membros da CTNBio e votaram a favor da liberação do feijão transgênico.

(…) consumam alegremente e com orgulho o feijão com “tesão” da Embrapa, o símbolo nazista-alimentar que transformaremos, espero, em motivo de satisfação nacional.”

::

Avaliação de risco do feijoeiro transgênico: serenidade na condução e consistência dos resultados

JC e-mail 4356, de 03 de Outubro de 2011.

http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=79511

Artigo de Alexandre Nepomuceno, Amilcar Tanuri , Antônio Euzébio Goulart, Augusto Schrank, Bivanilda Tápias, Flávio Finardi, Francisco Aragão, Francisco Campos, Francisco Gorgônio da Nóbrega, Leandro Astarita, Maria Lúcia Carneiro Vieira, Odir Dellagostin, Paulo Paes de Andrade e Walter Colli, que são ou foram membros da CTNBio.

Por acaso algum animal anda como um carro?”

::

Por um feijão maravilha seguro

JC e-mail 4347, de 20 de Setembro de 2011.

http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=79348

Artigo assinado por Rubens Onofre Nodari, professor titular da UFSC, Solange Teles da Silva, professora da UEA, Paulo Yoshio Kageyama, professor titular da ESALQ/USP, Luiza Chomenko, pesquisadora MCN/FZB-RS e Magda Zanoni, professora da Universidade Paris-Diderot, todos ex-integrantes da CTNBio.

Sim, há muita desinformação e por vezes mentiras no ar. Escutamos e lemos repetições de afirmativas sem fundamento, como as (…) que alegam que uma panela de pressão pode dar conta de inativar todos os produtos no caso de feijão GM (Jornal Nacional 06.09.2011).”

::

Feijão Maravilha

JC e-mail 4338, de 06 de Setembro de 2011.

http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=79160

Artigo do tucano Xico Graziano publicado originalmente em O Estado de São Paulo, 06/09/2011.

Está chegando o transgênico verde-amarelo, maravilha da biotecnologia nacional.”

 

O feijão nosso de cada dia

6, outubro, 2011 Sem comentários

JC e-mail 4359, de 06 de Outubro de 2011.

Artigo de José Maria Gusman Ferraz enviado ao JC Email pelo autor.

Pelas declarações da presidência da CTNBio Edilson Paiva parece que tudo é maravilha e que a nova tecnologia numa atitude ufanista e perigosa, foi aprovada em bases científicas sólidas. E que todo argumento pedindo precaução e mais estudos para esclarecer pontos questionáveis apresentados no processo são puro obscurantismo e posições simplesmente ideológicas.

Não vou discorrer sobre os princípios e tratados assinados pelo Brasil (Princípio da Precaução, Convenção sobre a Biodiversidade, em itens relacionadas à agrobiodiversidade, como a BFN -Biodiversidade, Alimentação e Nutrição-, Tratado Internacional sobre Recursos Fitogenéticos para Alimentação e Agricultura da FAO -TIRFAA- e Global Plan of Action (GPA) ,pois são sumariamente desconsiderados pela CTNBio. Pois vamos aos fatos científicos desprezados por aqueles que acham obscurantismo se preocupar com população brasileira que come diariamente em média 170 gramas de feijão, praticamente a vida toda.

Para garantir que não existe risco para a população de se alimentar com este feijão foram analisados 10 ratos, que foram alimentados por apenas 35 dias com o feijão transgênico comparados com o mesmo feijão não transgênico, Não foram avaliados, ao menos não foram apresentados, dados sobre os efeitos em animais em período de gestação e tampouco estudos de efeitos sobre mais de uma geração, previstos em normas da CTNBio ( RN.5). Para as observações listadas a seguir foram avaliados apenas 3 ratos dos 10 iniciais, e os resultados foram: um maior tamanho das vilosidades no intestino delgado (jejuno), esta mesma tendência foi observada nas avaliações do intestino delgado (íleo) mesma tendência também no intestino grosso (cólon) Availiando os rins, observou-se que houve uma diminuição do tamanho dos rins (direito e esquerdo), Fígado, houve também aumento no peso do fígado dos animais submetidos a dieta com o feijoeiro 5.1 da Embrapa.

A alegação para desconsiderar estas informações é que os dados não são estatisticamente significativos. Como se pode obter dados significativos com a avaliação de 3 animais alimentados durante 35 dias? Lembrando que a população brasileira consome durante toda a vida? Nenhuma revista científica séria no mundo aceitaria um trabalho destes para publicação com esta amostragem, mas os “cientistas” aceitaram.

Quando os dados foram estatisticamente significativos observados na planta do feijão, nos seguintes aspectos: a) no teor de vitamina B2 em grãos do feijoeiro Embrapa 5.1 comparados com seu parental, b) observada diferença estatisticamente significativa para o teor de Cisteína (aminoácido) entre o evento Embrapa 5.1 e seu parental, observada uma diferença estatística entre o evento Embrapa 5.1 e seu parental para o Extrato etéreo (gorduras), os “cientistas” não consideraram importantes em seu parecer.

Em todos os casos o comportamento deveria ser idêntico entre o feijão Embrapa 5.1, e o seu parental e não foram. Qual a causa destes resultados? Informações estas que são alertas mais que suficientes para que uma pesquisa preocupada com a biossegurança analisasse o caso com mais rigor.

Outro fato relevante é a falta de estudos com Rhizobium e nodulação no feijoeiro, característica importante em leguminosas. Quando levantado este questionamento, o presidente da CTNBio afirmou na última reunião que poderíamos ficar tranqüilos, ” ele garantia que não seria afetada a fixação biológica”, isto sem nenhum estudo realizado por ele ou pela Embrapa neste evento, numa demonstração clara de “isenção ideológica e alto espírito científico”, em prol da aprovação.

Um fato muito importante a ser considerado é de que trata-se da primeira liberação comercial no mundo de uma planta transgênica com esta construção genética,o que é motivo para comemorar, mas também para redobrar os cuidados antes de sua liberação.

A Embrapa informa no processo que feijão transgênico a Embrapa 5.1, interage de forma diferenciada com cada genoma recepto, istor pode comprometer biossegurança ou o biorrisco do produto resultante dos premeditados novos cruzamento decorrente da liberação pela CTNBio. A liberação comercial no evento Embrapa 5.1, é base para o desenvolvimento de variedades comerciais de feijoeiro, portanto a sua liberação implicará na possibilidade de ser utilizado em cruzamentos convencionais, com qualquer material de feijão e, que a partir daí no entender da CTNBio, não necessita mais passar por avaliações da CTNBio por ser considerado um cruzamento convencional em toda “Terra Brazilis”.

Seria obscurantismo optar por mais estudos para esclarecer estas dúvidas, ou seria uma cegueira científica a desconsideração destes fatos?

José Maria Gusman Ferraz é membro da CTNBio, pesquisador aposentado da Embrapa, professor do mestrado em agroecologia da UFSCar, pesquisador convidado do Laboratório de Engenharia Ecológica da Unicamp e diretor da Associação Brasileira de Agroecologia.