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Pesquisador da Embrapa alerta sobre riscos da resistência de plantas daninhas

29, maio, 2013 Sem comentários
Milho transgênico RR viceja em meio a lavoura de soja RR no Mato Grosso. Foto: Abrange

Milho transgênico RR viceja em meio a lavoura de soja RR no Mato Grosso. Foto: Abrange

[Problema está no próprio tripé que sustenta as monoculturas: plantio direto + herbicidas + sementes transgênicas]

Expresso MT, 23/05/2013

A resistência de plantas daninhas é atualmente uma das principais preocupações da agricultura mundial. No Brasil, casos de resistência já ocorrem no Sul e começam a aparecer no Centro-Oeste. Segundo o pesquisador da Embrapa Soja Fernando Adegas, é preciso fazer o controle correto para evitar que este problema chegue às lavouras de Mato Grosso.

O alerta está sendo feito a técnicos e produtores que participam do Encontro Nacional de Tecnologias de Safra (Entec$), em Lucas do Rio Verde. Durante o evento, que ocorre de 21 a 24 de maio, Adegas faz duas palestras como parte da Capacitação Continuada de Técnicos que atuam nas Cadeias produtivas de grãos, fibras e integração de sistemas, realizada pela Embrapa Agrossilvipastoril em parceria com a Aprosoja. Uma das palestras será na tarde desta quinta e outra na manhã de sexta, sendo a última aberta ao público.

De acordo com o pesquisador, a criação de resistência de plantas daninhas vem ocorrendo devido ao uso sucessivo de um mesmo herbicida, o glifosato, na dessecação para o plantio direto e no controle das lavouras geneticamente modificadas RR (Roundup resistent) de soja, milho e algodão. Com isto a população dos indivíduos resistentes aumenta, causando prejuízos às lavouras.

“Este é um dos principais problemas nos Estados Unidos, na Austrália, na Argentina e no Sul do Brasil. Vamos mostrar este cenário para não deixar isto acontecer no Cerrado. Provavelmente o problema vai chegar. Queremos reduzir a intensidade para ver se o pessoal se prepara melhor, para ter menor custo”, alerta Fernando Adegas.

Segundo o pesquisador, no Brasil há cinco espécies resistentes ao glifosato. Uma é o azevém, mais comum em regiões temperadas, como Rio Grande do Sul e Paraná, e que não deve chegar a Mato Grosso. Há ainda três espécies de buva e o capim amargoso, as quatro com incidência no estado.

Soluções

Para evitar que o problema da resistência de plantas daninhas aos herbicidas acometa as lavouras mato-grossenses, Adegas cita duas medidas que podem ser adotadas: rotação de herbicidas e formação de palhada.

De acordo com o pesquisador, houve uma redução na oferta de herbicidas, mas ainda há opções para serem alternadas com o glifosato.

“Ainda existem alternativas, apesar de terem diminuído muito. Só para ter uma ideia, em outros países havia de 30 a 40 produtos. Quando começou a utilizar o glifosato, voltou a ser 3 a 4 produtos utilizados. Continuamos com outras alternativas, mas não estamos utilizando. Precisamos voltar a utilizá-los. Mesmo que seja na soja ou milho RR”, explica.

Adegas ressalta a eficiência e praticidade do glifosato. Até por isso alerta para o uso moderado para evitar a perda da tecnologia.

“Glifosato é um produto excepcional. Em matéria de herbicidas, pode-se dizer que é o mais completo. É relativamente barato e de fácil utilização. É tão bom que deveríamos preservá-lo para não perdê-lo”, alerta.

Outra alternativa é a formação de palhada. Como as plantas daninhas resistentes têm grande dificuldade de crescer em solo coberto, o consórcio de milho com braquiárias, por exemplo, apresenta-se como uma importante alternativa para evitar o desenvolvimento das plantas resistentes.

“Se você consorciar com uma braquiária ruziziensis ou outra braquiária, você já evita quase 100% das plantas resistentes. As sucessões em que você usa o mesmo herbicida e forma pouca palhada são mais fáceis de ter plantas resistentes”, explica.

De acordo com o pesquisador da Embrapa Soja, os produtores que fizerem o manejo correto das plantas daninhas, poderão evitar prejuízos no futuro.

“Se fizer isto, alguns vão conseguir evitar, outros vão conseguir adiar e outros farão com que chegue com menor intensidade. Uma coisa é certa: quem tiver resistência na propriedade irá gastar mais dinheiro”, destaca o pesquisador.

Pesquisa monitora a resistência de plantas daninhas no Rio Grande do Sul

15, maio, 2013 1 comentário

Monsanto e cia prometeram mundos e fundos com suas novas sementes, mas os resultados práticos estão aí: prejuízos milionários arcados pelos produtores e um ambiente cada vez mais encharcado de venenos.

o custo adicional para controle de azevém e buva resistentes, com herbicidas ou medidas alternativas está entre R$ 140 e R$ 585 milhões por ano”

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Agrosoft, 15/05/2013

A produção de grãos, principalmente de soja no Sul do Brasil, vem de lavouras que utilizam sementes transgênicas, com o uso do herbicida glifosato em larga escala como forma de facilitar o manejo de plantas daninhas na lavoura. Contudo, esta prática tem resultado no aumento de casos de resistência de plantas daninhas aos diversos herbicidas disponíveis no mercado.

Somente no Rio Grande do Sul, biótipos de azevém e de buva resistentes ao glifosato estavam presentes em mais de 80% das lavouras de soja na última safra. Custos adicionais e perdas no rendimento de grãos estimados em R$ 1,15 bilhão. Os números estão no levantamento realizado por pesquisadores e cooperativas para monitorar a dispersão do problema no Estado.

O herbicida glifosato vem sendo utilizado há mais de 20 anos pelos agricultores, principalmente na dessecação da vegetação para formação da palhada, indispensável para implantação do sistema plantio direto. A introdução da soja transgênica, resistente ao glifosato, foi rapidamente aceita e adotada pelos produtores. Isso se deve, principalmente, ao fato do glifosato ser um herbicida eficiente sobre a maioria das espécies daninhas, relativamente de fácil aplicação e de baixo custo. Atualmente, são realizadas de duas a três aplicações de glifosato por ciclo da soja, uma na dessecação e uma ou duas na pós-emergência da cultura.

Os dois primeiros casos de resistência ao glifosato no Brasil foram identificados no Rio Grande do Sul (azevém em 2003 e buva em 2005). Depois disso, dispersou-se rapidamente por todo o Estado e também para Santa Catarina e regiões frias do Paraná. Em 2010 e 2011, foram identificados biótipos de azevém com resistência múltipla, tanto ao glifosato como a herbicidas inibidores da enzima Acetyl-CoA Carboxylase (ACCase) e inibidores da Acetolactato sintase (ALS).

As resistências do azevém e da buva restringem o controle dessas espécies ao uso de herbicidas alternativos, que são menos eficientes, possuem maior custo e são fitotóxicos para as culturas. Dessa forma, o controle ineficiente de buva e azevém resistentes tem resultado em perdas de rendimento, em casos extremos, superiores a 45%.

Diagnóstico no Rio Grande do Sul

Uma ação conjunta da Embrapa Trigo e da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) junto com 28 cooperativas e revendas do Rio Grande do Sul, está monitorando e mapeando a dispersão das resistências de azevém e buva no Estado, com coleta de sementes e levantamentos nas áreas infestadas.

“Os locais de coleta de sementes são georeferenciados e as plantas originadas dessas sementes, usadas em estudos de ecofisiologia e determinação das bases genéticas da resistência. As informações são utilizadas na elaboração de mapas de dispersão das resistências. Após elaboração dos mapas, são enviados alertas e indicações de manejo específicas para cada região e realizados cálculos do custo da resistência, ajudando a assistência na decisão de quando e qual produto aplicar”, explica o professor e pesquisador da UFPel, Dirceu Agostinetto.

A partir dos levantamentos, identificou-se que, na safra 2012 de soja, os biótipos de azevém e buva resistentes ao glifosato estavam presentes em mais de 80% das lavouras do Rio Grande do Sul. Além disso, os biótipos de azevém resistentes aos inibidores da ACCase e da ALS, além de glifosato, estavam em mais de 30% das lavouras. A presença de azevém com resistência múltipla e de buva resistente ao glifosato elimina a possibilidade de uso dos principais herbicidas utilizados para controle dessas espécies. Com isso, aumentou a presença dessas plantas daninhas nas lavouras.

Com base nos mapas de dispersão e a partir de informações sobre a capacidade competitiva da invasora e o nível de dano que pode causar, foi possível estimar as perdas de rendimento e os custos da resistência em 2012, no RS. Assim, o custo adicional para controle de azevém e buva resistentes, com herbicidas ou medidas alternativas está entre R$ 140 e R$ 585 milhões por ano. Em média, as perdas são ao redor de 10%, aproximadamente R$ 1,15 bilhão no RS. Dessa forma, o retorno pelo uso das indicações de manejo está entre R$ 565 milhões a R$ 1,01 bilhão.

De acordo com o pesquisador da Embrapa Trigo, Leandro Vargas, os casos de resistência historicamente foram resolvidos com uso de moléculas alternativas ou com a introdução de novas tecnologias (como a soja RR). “O problema é que no momento não existem perspectivas de lançamento de novas moléculas ou tecnologia com potencial de controle eficiente do azevém e da buva. O produtor e a assistência técnica precisam estar conscientes do quanto é importante buscar estratégias alternativas para controle dessas espécies, que passam obrigatoriamente pelo manejo correto dos herbicidas e pelo próprio sistema de manejo da lavoura”, alerta Vargas.

Tem solução?

Os pesquisadores têm avaliado o cultivo consecutivo, ou seja, sem períodos de pousio das áreas de lavoura, como a melhor estratégia de controle de plantas daninhas. Culturas como trigo, centeio, canola, aveia e soja, que apresentam elevada capacidade de cobertura do solo com reconhecido efeito alelopático, podem diminuir o número de plantas de buva e azevém em até 65%, quando comparado a áreas de pousio.

O uso de estratégias como sobre-semeadura de aveia em lavouras de soja e cultivo de culturas concomitantes, a exemplo de Brachiaria ruziziensis cultivada juntamente com o milho, também apresentaram excelentes resultados.

“O uso dessas práticas associadas à alternância e à associação de diferentes mecanismos de ação herbicida, juntamente com o monitoramento e a eliminação mecânica ou manual de plantas daninhas sobreviventes aos tratamentos herbicidas, resultou em controle total das daninhas”, comemora Leandro Vargas.

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OGM, Alerta Mundial

8, março, 2013 Sem comentários

Vídeo apresenta o trabalho inédito realizado por pesquisadores franceses que demonstraram que o milho transgênico NK 603 da Monsanto aumenta a ocorrência de tumores em ratos e sua taxa de mortalidade.

Coamo tenta deter capim-amargoso

18, fevereiro, 2013 Sem comentários

GAZETA DO POVO, 05/02/2013

Quando a buva parecia estar dominada, uma nova erva daninha virou tema central do Dia de Campo da Coamo, evento que reúne 4 mil cooperados do Paraná, Santa Catarina e Mato Grosso em Campo Mourão nesta semana. Entre dez temas selecionados, o capim amargoso concentra atenção porque seu controle é mais complexo que o da buva resistente a glifosato, disso o agrônomo responsável pela Fazenda Experimental da Coamo, Joaquim Mariano Costa.

A fazenda tem cerca de 200 hectares usados em canteiros experimentais. Os técnicos plantaram capim-amargoso com diferentes graus de resistência ao glifosato e aplicaram herbicidas diferentes em estágios distintos de desenvolvimento da planta. Com isso, acreditam ter mapeado o que pode ocorrer no campo dependendo do manejo adotado pelo produtor.

“Ao contrário do que se imaginava, o capim-amargoso não tem época para emergir, do inverno ao verão. E a aplicação de defensivo tem mais efeito logo após a emergência, mas quanto menor a erva daninha melhor”, resumiu o agrônomo Paulo Henrique Battisti. A espécie existe em praticamente todas as regiões do Brasil, frisou.

Não há pesquisa sobre a área de lavouras atingida pelo capim-amargoso. O pesquisador Dionísio Gazziero, da Embrapa Soja, estima que 600 mil hectares enfrentam o problema, principalmente em Mato Grosso do Sul, São Paulo e Paraná. Em áreas com quatro a oito plantas por metro quadrado que poderiam render 3,3 mil quilos de soja por hectare, a produtividade cai para 1,88 mil kg/ha, mostra projeção também da Embrapa Soja.

O produtor Sebastião Corrêa, de Mangueirinha (PR), participou do Dia de Campo para evitar que a nova erva-daninha cause tanto problema quanto a buva. Ele afirma ter controlado os danos da buva à produtividade, mas que ainda precisa arrancar plantas que crescem na lavoura e na pastagem. As sementes vêm da vizinhança e ficam no solo por mais de três safras.

Roundup afeta bactérias intestinais benéficas

11, janeiro, 2013 1 comentário

in vitro

por AS-PTA, Via GMWatch

Pesquisadores da Universidade de Leipzig publicaram estudo mostrando que o herbicida Roundup impacta negativamente bactérias gastrointestinais de aves. Os testes, realizados in vitro, revelaram ainda que enquanto bactérias altamente patogênicas como as que causam salmonela e botulismo resistiram ao Roundup, aquelas benéficas foram de moderada a altamente suscetíveis ao produto.

O estudo fornece bases científicas para os relatos de aumento de doenças gastrointestinais em animais alimentados com soja Roundup Ready, que é tolerante ao herbicida Roundup, cujo ingrediente ativo é o glifosato. No Brasil, quando liberado o sistema soja RR-herbicida Roundup, o governo multiplicou por 50 o limite de resíduo de glifosato permitido nos grãos modificados.

Abstract

Shehata, A. A., W. Schrodl, et al. (2012). The effect of glyphosate on potential pathogens and beneficial members of poultry microbiota in vitro. Curr Microbiol. Publ online 9 December.

http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/23224412

 

Abstract: The use of glyphosate modifies the environment which stresses the living microorganisms. The aim of the present study was to determine the real impact of glyphosate on potential pathogens and beneficial members of poultry microbiota in vitro. The presented results evidence that the highly pathogenic bacteria as Salmonella Entritidis, Salmonella Gallinarum, Salmonella Typhimurium, Clostridium perfringens and Clostridium botulinum are highly resistant to glyphosate. However, most of beneficial bacteria as Enterococcus faecalis, Enterococcus faecium, Bacillus badius, Bifidobacterium adolescentis and Lactobacillus spp. were found to be moderate to highly susceptible. Also Campylobacter spp. were found to be susceptible to glyphosate. A reduction of beneficial bacteria in the gastrointestinal tract microbiota by ingestion of glyphosate could disturb the normal gut bacterial community. Also, the toxicity of glyphosate to the most prevalent Enterococcus spp. could be a significant predisposing factor that is associated with the increase in C. botulinum-mediated diseases by suppressing the antagonistic effect of these bacteria on clostridia.

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Monsanto não deve elevar produção de glifosato

10, janeiro, 2013 Sem comentários

VALOR ECONÔMICO, 08/01/2013

por Mariana Caetano | Valor com Dow Jones Newswires

Mesmo em meio a um aumento nos preços do glifosato, a Monsanto não deve voltar com força a este mercado. Segundo Hugh Grant, CEO da multinacional, as altas “não vão durar para sempre” e a companhia manterá o foco em produzir um volume limitado do herbicida, com a venda a um nível de preços um pouco acima dos produtos genéricos.

Em 2010, a Monsanto decidiu reduzir a fabricação de glifosato, por conta de uma queda acentuada nos preços do herbicida. Agora, Grant ressalta que a valorização do produto, que colaborou para os bons resultados do primeiro trimestre fiscal de 2013, devem persistir e impulsionar os ganhos da companhia ao longo do ano.

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VALOR ECONÔMICO, 08/01/2013

Lucro da Monsanto quase triplica no 1º trimestre fiscal

por Fernanda Pressinott

A Monsanto apresentou um lucro líquido atribuído aos acionistas de US$ 339 milhões no primeiro trimestre fiscal de 2013, encerrado em 30 de novembro. O valor é 169% maior que os US$ 126 milhões lucrados no primeiro trimestre fiscal de um ano antes. O lucro por ação ficou em US$ 0,62 ante US$ 0,23 na mesma base de comparação.

As vendas líquidas da empresa somaram US$ 2,94 bilhões no primeiro trimestre fiscal do calendário, 21% maior na comparação com os US$ 2,44 bilhões de um ano antes. A margem bruta aumentou para 47,5% ante 44,9%.

Segundo comunicado da companhia, os resultados fortes foram reflexo da expansão dos negócios na América Latina, principalmente de milho, e as vendas de sementes nos Estados Unidos.

“Conseguimos um bom início do ano, com contribuições de várias áreas, o que nos oferece confiança em nossa capacidade de ter um terceiro ano consecutivo de crescimento significativo”, disse Hugh Grant, CEO da companhia, em conferência a jornalistas.

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Leia mais em:

http://www.valor.com.br/empresas/2961772/lucro-da-monsanto-quase-triplica-no-1#ixzz2HamVQylO

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Projeto de lei restringe uso de agrotóxicos no País

8, janeiro, 2013 Sem comentários

CÂMARA NOTÍCIAS, 03/01/2012

Deputado Paulo Teixeira, autor da proposta

A Câmara avalia proposta que proíbe a utilização e o estoque de uma série de agrotóxicos com suspeita de causarem danos à saúde e ao meio ambiente. A medida está prevista no Projeto de Lei 4412/12, do deputado Paulo Teixeira (PT-SP).

Pela proposta, ficam banidos do País os produtos com os seguintes ingredientes ativos: abamectina, acefato, benomil, carbofurano, cihexatina, endossulfam, forato, fosmete, heptacloro, lactofem, lindano, metamidofós, monocrotofós, paraquate, parationa metílica, pentaclorofenol, tiram, triclorfom e qualquer substância do grupo químico dos organoclorados.

Alguns desses agrotóxicos já foram proibidos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Outros ainda estão no mercado, mas contam com restrições de uso, ou estão em fase de avaliação. Segundo Teixeira, no entanto, “há evidências de que os produtos em fase de análise são altamente danosos à saúde humana”.

Pela proposta, os produtos com glifosato como ingrediente ativo deverão ser reavaliados em até 180 dias após a publicação da nova lei. Até a análise dos possíveis danos causados pelo princípio, esses produtos serão classificados como extremamente tóxicos ou altamente perigosos, com consequentes restrições de uso.

Estoques

De acordo com o projeto, as pessoas que tiverem estoque desses produtos na data da publicação da nova lei deverão devolvê-lo aos fabricantes ou aos importadores, que serão responsáveis pelo seu descarte correto. Caso essas empresas não existam mais, o órgão de registro dos agrotóxicos deverá indicar a destinação necessária para cada produto.

Tramitação

O projeto foi apensado ao PL 713 que tramita na Câmara desde 1999. Agora, falta apenas a votação na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ). Nesta comissão, onde a proposta original já tem parecer favorável do relator Pedro Uczai (PT-SC), pela constitucionalidade, juridicidade e técnica legislativa da Emenda da Comissão de Seguridade Social e Família, do PL 1388/99 e do PL 7564/06, com substitutivo, que tramitam apensados.

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Milho voluntário nas lavouras de soja preocupa produtores de Mato Grosso

21, dezembro, 2012 Sem comentários

APROSOJA, 21/12/2012

A equipe técnica da Aprosoja percorreu alguns municípios do estado para verificar a incidência de plantas de milho voluntárias e resistentes ao glifosato em meio às lavouras de soja. Segundo o diretor técnico Nery Ribas, esta situação foi verificada em áreas de soja semeadas após a colheita do milho de segunda safra com diferentes híbridos. “Alguns produtores tiveram mais problemas em reboleiras e outros em extensas áreas”, explicou.

Milho transgênico RR viceja em meio a lavoura de soja RR no Mato Grosso. Foto: Abrange

Milho transgênico RR viceja em meio a lavoura de soja RR no Mato Grosso. Foto: Abrange

As possíveis causas do aparecimento das plantas voluntárias de milho seriam a mistura vindo na semente e a polinização do milho “não-RR” por híbridos RR cultivados em áreas próximas. Após a demanda dos produtores, a Aprosoja orientou os produtores a utilizarem, além do glifosato, uma aplicação de graminicida. “Os produtores terão um custo maior com estas aplicações”, disse Ribas.

A preocupação dos técnicos é com o momento da colheita, pois pode ocorrer a mistura de grãos de milho com a soja. Antes disso, as plantas de milho estão concorrendo com as de soja por nutrientes e água. Para se certificar sobre a resistência das plantas de milho ao glifosato, a equipe técnica da Aprosoja deverá acompanhar até o final da safra junto com instituições de pesquisa. Também irão avaliar as possíveis perdas da soja por competição com este milho voluntário.

Buva resistente a glifosato

19, dezembro, 2012 Sem comentários

A reportagem abaixo mostra o prejuízo que a adoção da soja transgênica Roundp Ready vem trazendo para os produtores, embora não cite que as lavouras mostradas são transgênicas, nem que foram modificadas justamente para serem resistentes ao glifosato.

No final, cita queixa da Aprosoja em relação à demora do governo para liberar novas moléculas de herbicidas que supostamente dariam conta do problema – até criarem novos. É uma corrida sem fim e insustentável, na qual a repetição do modelo vai sempre gerar novas pragas e plantas espontâneas, que demandarão novos agrotóxicos, que gerarão novas pragas e plantas resistentes… É o que muitos chamam de tecnologia de ponta.

Tecnologia de resistência do milho está atrapalhando cultivo de soja em Mato Grosso

21, novembro, 2012 Sem comentários

A reportagem abaixo retrata o que há muito foi anunciado, que a liberação do milho transgênico provocaria uma contaminação generalizada do milho convencional. Os técnicos da região levantam inclusive a possibilidade de que nem as próprias sementeiras estejam sendo capazes de evitar a contaminação. E os especialistas da CTNBio falam que isolamento de 100 metros é suficiente…

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As próprias empresas de sementes de milho não estariam mais conseguindo segregar as sementes com tecnologia de resistência das convencionais. Seria uma “contaminação de tecnologia”.

http://www.cenariomt.com.br, 21/11/2012

A tecnologia de resistência do milho transgênico está atrapalhando o cultivo de soja em Mato Grosso nesta safra 2012/13. Produtores reclamam da grande quantidade de pés de milho persistentes nas lavouras de soja, mesmo após aplicações de glifosato, principal herbicida utilizado no controle de plantas infestantes.

Jaime Coradini, produtor em Primavera do Leste (200 km de Cuiabá), só planta milho convencional em sua propriedade. No entanto, vê sua recém plantada lavoura de soja infestada de pés do grão, resistentes à aplicação do tipo de herbicida.

Ele explica que o problema vem acontecendo há três anos, mas nesta safra está muito intensificado. Para ele, uma das explicações é que, como muitos produtores já estão fazendo uso do milho transgênico, pode estar havendo contaminação através da polinização dos pés de milho entre lavouras próximas.

Coradini teve de contratar uma equipe para fazer a retirada manual das plantas na lavoura de soja.

Na Agro-Sol Sementes, em Campo Verde, o problema também é sentido. Já foram feitas duas aplicações de glifosato, uma para dessecação de culturas anteriores e ervas daninhas – antes do plantio da soja, e outra após 20 dias da planta. Ainda assim, muitos pés de milho aparecem como intrusos na lavoura.

Para Pedro Tales Tomazelli, engenheiro agrônomo da Agrosol, a explicação mais plausível é que, junto às sementes convencionais de milho que eles e outros produtores plantam, estão vindo algumas sementes transgênicas, resistentes ao glifosato.

As próprias empresas de sementes de milho não estariam mais conseguindo segregar as sementes com tecnologia de resistência das convencionais. Seria uma “contaminação de tecnologia”.

Os problemas do milho na soja

De acordo com o agrônomo, existem três principais conseqüências causadas pelo problema. A primeira delas dá-se no ciclo inicial da soja. A planta de milho pode ser uma competidora, roubando nutrientes e luz da planta de soja e atrapalhando seu desenvolvimento.
Em segundo lugar, o milho pode ser hospedeiro de outras pragas que não estão previstas para a soja e podem atrapalhar o cultivo. Em seguida, as plantas “intrusas” estragam a estética da lavoura.
A solução, além do controle manual praticado pelo produtor Jaime Coradini, pode ser o controle químico com um herbicida de princípio ativo diferente do glifosato. No entanto, essa solução é mais cara, fugindo do orçamento e do planejamento da lavoura, o que pode não ser viável para todos.

A ampliação dos transgênicos no Brasil. Entrevista especial com Leonardo Melgarejo

25, setembro, 2012 Sem comentários
Do portal do Instituto Humanitas / Unisinos , 25/09/2012

“Entendo que os riscos são grandes, que as avaliações de biossegurança são insuficientes, mas espero estar errado”, pondera o engenheiro agrônomo.

Confira a entrevista.

soja transgênica Intacta RR2 Pro, que causou polêmica entre os produtores do Mato Grosso, incorpora um novo trangene e resiste “a banhos de herbicidas à base de glifosato, como também carrega, em todas suas células, uma toxina que não está presente na soja convencional”, diz o engenheiro agrônomo,Leonardo Melgarejo, à IHU On-Line em entrevista concedida por e-mail. Para ele, a crítica dos produtores à Monsanto, por comercializar o produto antes da aprovação do mercado chinês, é “coerente”. “Os produtores se preocupam com a contaminação das cargas destinadas à exportação, que poderiam ser rejeitadas pelo maior mercado consumidor da soja brasileira. As implicações seriam enormes, pois, uma vez liberado o plantio, a contaminação seria inevitável”, salienta.

De acordo com Melgarejo, a Intacta RR2 Pro promete reduzir o uso de inseticidas e combater lagartas que “prejudicam” a produção. Entretanto, esclarece, “o que costuma ocorrer é que os insetos-alvo terminam adquirindo resistência, e, mesmo antes disso, outros insetos que eram pragas secundárias crescem em importância, exigindo tratamentos químicos que antes não eram realizados”. Representante do Ministério do Desenvolvimento Agrário – MDA na CTNBio, o agrônomo ressalta que “não há sequer um acompanhamento” de plantio transgênico e não transgênico. “Dispomos apenas de estimativas com base na comercialização de sementes, que ocultam dados relativos ao contrabando e ao uso de sementes próprias”. E dispara: “Ademais, o milho e a soja entram em praticamente todas as cadeias de alimentos processados. A única maneira de assegurar ausência ou pelo menos redução no consumo de transgênicos, isso na alimentação de qualquer família, reside na aproximação com redes de produtores orgânicos”.

Leonardo Melgarejo é engenheiro agrônomo, mestre em Economia Rural, e doutor em Engenharia de Produção pela Universidade de Santa Catarina – UFSC. É membro do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária – Incra, no Rio Grande do Sul.

Confira a entrevista. 

IHU On-Line – Quais as características da soja transgênica Intacta RR2 Pro? O que a
diferencia das demais variedades transgênicas?

Leonardo Melgarejo – Ela incorpora um novo transgene, que gera toxinas que matam lagartas. Esta produção de toxinas (tecnologia BT) se soma à tolerância ao glifosato (tecnologia HT), característica apresentada pela soja RR. Isso significa que a soja RR2 não apenas resiste a banhos de herbicidas à base de glifosato, como também carrega, em todas suas células, uma toxina que não está presente na soja convencional.

IHU On-Line – Recentemente a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) criticou a Monsanto por comercializar sua nova variedade transgênica de soja, a Intacta RR2 Pro, antes da liberação para importação pela China. Como vê essa crítica?

Leonardo Melgarejo – Trata-se de posição coerente com os riscos de mercado. Os produtores se preocupam com a contaminação das cargas destinadas à exportação, que poderiam ser rejeitadas pelo maior mercado consumidor da soja brasileira. As implicações seriam enormes, pois, uma vez liberado o plantio, a contaminação seria inevitável. A utilização das mesmas máquinas para colheita, secagem e transporte fatalmente misturaria os grãos levando à sua recusa em alguns dos portos de chegada. Isso seria especialmente grave no caso do mercado chinês. A China, que é o principal comprador da soja brasileira, ainda não se posicionou quanto à proteína tóxica Cry1Ac, presente nesta soja, e até o momento não demonstra interesse em adquirir a soja RR2. Portanto, ela não seria aceita. Temos precedentes de devolução de produtos contaminados pelo mercado chinês, portanto seria temerário correr riscos em situação de tamanha relevância.

Por este motivo, os agricultores pressionaram a Monsanto, que informou desistir da venda de sementes enquanto a soja RR2 apresentar este quadro de rejeição pelo mercado chinês. As preocupações dos agricultores são mais do que fundamentadas, porque os impactos socioeconômicos, no caso de comprometimento daquele mercado, seriam enormes.

Aliás, já aconteceu fato semelhante com o arroz LL, tolerante ao herbicida glufosinato de amônio. Quando ele estava prestes a ser aprovado pelaCTNBio, as principais organizações dos orizicultores pressionaram aBayer em função de riscos de mercado. Como a contaminação seria inevitável e os consumidores europeus rejeitariam o produto, perderíamos alternativas para escoamento de safras. Naquela ocasião, a Bayer cedeu e solicitou que o processo fosse retirado da pauta das reuniões da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança – CTNBio, antes de qualquer deliberação.

No caso da soja RR2, a Monsanto preferiu obter a aprovação da CTNBio, multiplicar as sementes, e agora se vê instada a atender os reclamos dos agricultores brasileiros. Terá que destruir ou exportar as sementes, talvez para algum país onde a classe produtora se mostre mais afoita.

Chama atenção o fato de que nestes dois casos foram as empresas que decidiram se atenderiam ou não aos imperativos de ordem socioeconômica associados à produção e comercialização dos organismos geneticamente modificados. Infelizmente, a CTNBio não leva em conta estes aspectos em suas decisões. Embora se trate de assunto relativo à soberania nacional, os riscos de prejuízos de curto e médio prazo, decorrentes do comprometimento de mercados, têm ficado nas mãos das empresas. No Brasil, as avaliações de impactos socioeconômicos deveriam ser realizadas pelo Conselho Nacional de Biossegurança – CNBS, conselho de ministros responsável por decidir sobre a conveniência e oportunidade de liberar comercialmente organismos geneticamente modificados, após parecer da CTNBio, que focaliza apenas questões de biorrisco. Infelizmente, o CNBSnão tem se reunido e não existem avaliações fundamentadas que examinem as implicações socioeconômicas do plantio de transgênicos aprovados pelaCTNBio.

IHU On-Line – Desde quando e por que essa nova variedade transgênica foi aceita no Brasil?

Leonardo Melgarejo – Os interesses se associam aos pacotes tecnológicos desenvolvidos pelas empresas, que detêm os mercados de sementes transgênicas e dos agrotóxicos a elas associados. No caso desta soja, a novidade se resume a uma promessa de redução no uso de inseticidas para combate a algumas lagartas. Entretanto, o que costuma ocorrer é que os insetos-alvo terminam adquirindo resistência, e, mesmo antes disso, outros insetos que eram pragas secundárias crescem em importância, exigindo tratamentos químicos que antes não eram realizados. A aprovação desta soja ocorreu em agosto de 2010, conforme pode ser verificado no parecer técnico 2542/2010 da CTNBio. A aprovação ocorreu contrariando opiniões dos representantes do Ministério da Saúde, do Ministério do Meio Ambiente e do Ministério do Desenvolvimento Agrário. Também votaram contra representantes da Agricultura Familiar e dos Consumidores. Portanto, resta interpretar que esta soja foi liberada porque atendia às expectativas e opiniões da maior parte dos membros da CTNBio, em que pese a resistência de ministérios e outros representantes especificamente preocupados com a saúde humana e ambiental. Agora se revela que os interesses socioeconômicos, desconsiderados naquela votação da CTNBio, não apenas se mostram ameaçados como justificam esta reação de parte dos produtores.

IHU On-Line – Como os países que importam soja do Brasil se posicionam diante da produção transgênica brasileira?

Leonardo Melgarejo – O Brasil perdeu seu momento na história quando aceitou o fato consumado da contaminação de nossas safras, e agravou nossa dependência das grandes sementeiras transnacionais quando, posteriormente, optou por políticas agrícolas que apoiam – com recursos públicos – a pesquisa e a produção da soja, do milho e do algodão transgênicos. Não ganhamos em produtividade; estes produtos não são desenhados para isso. No máximo eles reduzem as perdas sob ataque pesado de insetos controlados pelas toxinas, no caso das tecnologias HT. Não reduzimos problemas ambientais. Tornamo-nos os maiores consumidores globais de agrotóxicos. Mas seguramente perdemos a condição de ditar preços no mercado internacional, circunstância que ocorreria caso dispuséssemos de safras não transgênicas.

IHU On-Line – O que justifica a ampliação de transgênicos no Brasil? Por que, diferentemente de outros países do mundo, o Brasil aceita a transgenia com facilidade?

Leonardo Melgarejo – No Brasil, como na Índia, existem dois movimentos. De um lado, temos o desaparecimento de sementes não transgênicas. As grandes empresas compram as pequenas, e as sementes tradicionais somem dos mercados. Os vendedores recebem comissões por volume vendido e, como as sementes transgênicas custam mais caro, isso estimula o interesse pessoal dos balconistas.

Além disso, é fato que os agricultores que trabalham em grande escala percebem facilidades no uso de tecnologias que uniformizam os tratos culturais. A agricultura se torna menos complexa quando se utiliza ummesmo tipo de herbicida em toda a área cultivada, sem preocupações com riscos de queimar a cultura principal. Da mesma forma, a ideia de que as plantas carregam dentro de si um inseticida é muito atraente. Supostamente existirão reduções na aplicação de agroquímicos, haverá proteção ambiental, e os consumidores não serão afetados.

Estudos

Infelizmente, essas suposições não são confirmadas. De um lado, os estudos são insuficientes, muitas vezes não se sustentam sequer nos próprios dados. A maior parte dos documentos apresentados para a CTNBio foi elaborada pelas empresas, provém de seus relatórios técnicos, internos, não publicados. Portanto, não existem avaliações independentes, o que permite dúvidas quanto aos resultados, posto que só são conhecidos aqueles que reforçam os interesses comerciais dos proponentes destas tecnologias. Além disso, praticamente inexistem estudos de longo prazo e, mais grave ainda, os estudos de toxicologia e de nutrição animal são realizados com base em grãos sobre os quais não foram aplicados os agrotóxicos que deram razão de existir àquelas sementes transgênicas. Em outras palavras, os testes nutricionais realizados com a soja RR, com a soja RR2 e com todos os demais organismos geneticamente modificados, criados para sobreviver a banhos de glifosato, foram realizados na ausência do glifosato. Isso, que jamais ocorre em lavouras e que, portanto, não acontece com os grãos destinados ao consumo, é a regra nos laboratórios que realizam os testes de segurança alimentar e nutricional. Além disso, tais testes são de curto prazo, realizando apenas avaliações de intoxicação aguda.

Os únicos estudos de longo prazo a que se tem notícia foram realizados naÁustria, com camundongos, e na França, com ratos. Ambos, na presença dos herbicidas, mostraram problemas hormonais graves, com impactos sobre rins e fígado, com emergência de tumores malignos, redução na fertilidade, entre outros. Por que isso é assim? Porque a maior parte dos membros da CTNBio considera suficiente e adequado que assim seja. Porque no Brasil as decisões de liberação se dão por maioria simples, em contexto onde a maior parte dos votantes não parece ter dúvidas relevantes quanto à segurança destas tecnologias, ou pelo menos entende que todas suas dúvidas são apaziguadas pelas informações contidas nos processos.

IHU On-Line – É possível estimar o percentual de alimentos brasileiros que são transgênicos?

Leonardo Melgarejo – Não. Não há sequer um acompanhamento de plantio, discriminando as áreas cultivadas com sementes transgênicas e não transgênicas. O IBGE não está preparado para isso. Dispomos apenas de estimativas com base na comercialização de sementes, que ocultam dados relativos ao contrabando e ao uso de sementes próprias.

Ademais, o milho e a soja entram em praticamente todas as cadeias de alimentos processados. A única maneira de assegurar ausência ou, pelo menos, redução no consumo de transgênicos, isso na alimentação de qualquer família, reside na aproximação com redes de produtores orgânicos. Porém, dificilmente isto será alcançado para todos os itens de consumo, dado que estas redes e cadeias de produtos “limpos” não contemplam o universo de itens alimentares.

IHU On-Line – Como acontece hoje a produção e exportação de grãos e alimentos transgênicos e não transgênicos? Há alguma divisão na produção?

Leonardo Melgarejo – Não há separação, excetuados exemplos de algumas cadeias de produção orgânica ou mesmo de produção convencional destinada a mercados específicos, não necessariamente para exportação. Como regra geral, não há segregação de cadeias produtivas. Os mecanismos envolvidos estabelecem tamanha convergência em pontos de estrangulamento, como máquinas e equipamentos alugados para colheita, secagem e transportes, que os grãos fatalmente acabam se misturando. Todos consomem transgênicos, com exceção daqueles que buscam cadeias específicas de produção orgânica ou de produção convencional não geneticamente modificada.

IHU On-Line – Como a lei de biossegurança tem sido aplicada diante dos novos produtos transgênicos? Como a questão da segurança é abordada diante da apresentação de novas variedades transgênicas?

Leonardo Melgarejo – Nossa lei de biossegurança é boa. Seus pressupostos deveriam permitir resultados muito satisfatórios. Entretanto, as preocupações quanto aos resultados que vimos obtendo são mais do que justificadas.

Explico melhor. A lei prevê que as empresas devem constituir Comissões Internas de Biossegurança, com corpo técnico especializado, e que estas CIBios devem apresentar estudos para a avaliação e deliberação daCTNBio. A CTNBio é composta por doutores, especialistas nos temas de biossegurança, que avaliam estudos apresentados pelas CIBios e deliberam por maioria quanto aos riscos de impactos ao ambiente e à saúde humana e animal para cada organismo geneticamente modificado. Em havendo motivo, os membros da CTNBio podem solicitar novos estudos, até que quaisquer dúvidas sejam sanadas. Esta condição se reflete em “pedidos de diligência”, em que os membros votam argumentos dos relatores que se consideram insatisfeitos com as informações contidas nos processos.

Os 27 membros da CTNBio representam a perspectiva de vários ministérios, da comunidade científica, da defesa do consumidor, do meio ambiente e da agricultura familiar, de maneira a garantir representatividade para todos os interesses envolvidos. Após a deliberação da CTNBio, a lei prevê que haveria intervenção do Conselho de Ministros. Portanto, o Conselho Nacional de Biossegurança – CNBS deliberaria, em última instância, pela conveniência e oportunidade de ratificar decisões aprovação para liberação tomadas pela CTNBio.

Pedidos de diligência

Entretanto, o que se observa é que pedidos de diligência apresentados peloMinistério do Desenvolvimento Agrário – MDA, pelo Ministério do Meio Ambiente – MMA, pelos representantes dos consumidores e dos agricultores familiares tendem a ser rejeitados, com base nos votos da maioria. Aliás, isso acontece mesmo em casos onde os pedidos de diligência ou os pedidos para rejeição da liberação comercial apontam estudos não apresentados no processo, em que pese previstos nas normas daCTNBio. Isso ocorreu no processo da soja RR2 e em muitos outros que foram liberados para plantio comercial no Brasil sem apresentação de estudos de longo prazo, de estudos plurigeracionais, de estudos com animais em gestação, entre outros. Trata-se de algo grave, pois os seres em formação são os mais frágeis, os mais sujeitos a alterações em rotas metabólicas. Portanto, são aqueles onde os problemas podem exigir tempo de maturação que excede os prazos observados nos estudos contidos nos processos, que raramente excedem os 42 dias.

Além disso, os estudos apresentados pelas Comissões Internas de Biossegurança – CIBios, como já referido, são efetuados sob o controle exclusivo das empresas, raramente são publicados na literatura especializada, e ainda costumam ocultar os dados básicos. Via de regra, são apresentadas médias que embutem elementos de distorção com impacto sobre a dispersão dos resultados. Com a ampliação na variância dos resultados, impulsionada pelo uso de diferentes dosagens de diferentes agroquímicos, os testes de diferença de média tendem a mostrar similaridade que facilita a aceitação de “igualdades” entre as plantas transgênicas e não transgênicas. Quando, ainda assim, os testes mostram diferenças estatísticas significativas, a influência dos diferentes locais e práticas de manejo conduzidas onde os plantios são realizados permitem argumentar pela confusão e superposição entre os efeitos dos tratamentos e os efeitos do ambiente, permitindo argumentar por sua não significância biológica.

Por último, observa-se omissão do Conselho de Ministros, que abdica de sua obrigação de realizar avaliações de ordem socioeconômica, endossando as decisões da CTNBio. Como a maioria dos membros daCTNBio rejeita argumentos que examinam os riscos e os impactos socioeconômicos, surgem situações como as observadas no caso do Arroz LL e da soja RR2, onde os agricultores se mobilizam, em desespero, para evitar prejuízos à economia nacional. Não parece estranho que decisões associadas à nossa soberania sejam tomadas pelas empresas? Não parece grave que os agricultores recorram a quem detém a tecnologia das sementes geneticamente modificadas e que pode, eventualmente, resolver prejudicar o mercado de alguns ofertantes para beneficiar o de outros?

IHU On-Line – Deseja acrescentar algo?

Leonardo Melgarejo – Sim. Os processos decisórios que ocorrem naCTNBio são todos previsíveis. A composição daquela comissão e sua prática permitem segurança para os demandantes. Os pedidos serão aprovados e o histórico mostra inexistência de rejeição a qualquer pedido de liberação comercial. Isso se dá, na opinião da maioria, porque “quando os processos vão para votação, todas as dúvidas foram resolvidas”. Esta não tem sido a opinião da minoria. Entretanto, houve muitas aprovações unânimes.

A unanimidade observada em alguns casos de aprovação, assim como a inexistência de rejeições por maioria, mostra que o radicalismo está incrustrado no grupo dos que não possuem dúvidas relativamente à eficácia e a segurança destas tecnologias, no grupo da maioria. Aliás, é possível mapear os votos. Os argumentos apresentados pelos representantes do Ministério da Saúde, do Ministério do Meio Ambiente, sempre são rejeitados por determinados membros. Basta olhar a degravação das reuniões para constatar este fato. Esta espécie de “contaminação” do argumento em função de sua origem, independentemente de sua substância, não deve ser visto como algo que compromete a própria CTNBio?

Os que possuem dúvidas, os que gostariam de mais estudos, os que gostariam de ver os resultados publicados em revistas científicas, os que gostariam de maior transparência e independência nos processos, estes são minoria. Particularmente, faço parte deste grupo. Representando o MDA, tenho dúvidas. Não entendo como a CTNBio possa aprovar a liberação de produtos transgênicos sem apresentação dos estudos previstos, não entendo como as questões socioeconômicas possam ser desconsideradas, não entendo como membros da CTNBio possam se esforçar em defender as tecnologias, quando deviam duvidar delas. Não entendo como o conhecimento científico possa ser colocado antes a serviço das justificativas do que de críticas aos argumentos das empresas.

E minhas preocupações aumentam enormemente quando percebo esforços e interesses no sentido de ampliar o sigilo sobre o que se passa na CTNBio. Entendo que os riscos são grandes, que as avaliações de biossegurança são insuficientes, mas espero estar errado. Espero que a maioria tenha razão, que os estudos não apresentados sejam desnecessários, que a ausência de avaliações independentes não comprometa decisões baseadas em relatórios das empresas, que as movimentações dos agricultores sejam suficientes para resguardar interesses nacionais e que, no futuro, o desinteresse da sociedade sobre este tema não reverta em problemas insolúveis.

 

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Transgênicos aumentam em até três vezes ocorrência de câncer em ratos

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Estudo revelou que ratos alimentados com milho geneticamente modificado morreram mais rápido. Cientistas afirmam que resultados de pesquisa são alarmantes

No estudo, 200 ratos foram alimentados durante dois anos com três tipos diferentes de milho

O milho NK 603 está liberado para plantio e consumo no Brasil e foi considerado seguro pela CTNBio

Os ratos alimentados com organismos geneticamente modificados (OGM) morrem antes e sofrem de câncer com mais frequência do que os demais, destaca um estudo publicado nesta quarta-feira (19) pela revista “Food and Chemical Toxicology”, que considera os resultados “alarmantes”.

“Os resultados são alarmantes. Observamos, por exemplo, uma mortalidade duas ou três vezes maior entre as fêmeas tratadas com OGM. Há entre duas e três vezes mais tumores nos ratos tratados dos dois sexos”, explicou Gilles-Eric Seralini, professor da Universidade de Caen, que coordenou o estudo.

Para realizar a pesquisa, 200 ratos foram alimentados durante um prazo máximo de dois anos de três maneiras distintas: apenas com milho OGM NK603, com milho OGM NK603 tratado com Roundup (o herbicida mais utilizado do mundo) e com milho não alterado geneticamente tratado com Roundup.

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UOL, 19/09/2012

Ratos alimentados com alimentos transgênicos morrem antes do previsto e sofrem de câncer com mais frequência do que os outros animais da espécie, destaca um estudo publicado nesta quarta-feira (19) pela revista Food and Chemical Toxicology. 

“Os resultados são alarmantes. Observamos, por exemplo, uma mortalidade duas ou três vezes maior entre as fêmeas tratadas com organismos geneticamente modificados [OGM]. Há entre duas e três vezes mais tumores nos ratos tratados dos dois sexos”, explicou Gilles-Eric Seralini, coordenador do estudo e professor da Universidade de Caen, na França.

Para fazer a pesquisa de dois anos, 200 ratos foram divididos em grupos e alimentados de maneiras diferentes. Eles seguiram proporções equivalentes ao regime alimentar nos Estados Unidos. O primeiro grupo teve 11% de sua dieta composta pelo milho OGM NK603; o segundo comeu também 11% do milho OGM NK603 tratado com Roundup, o herbicida mais usado no mundo; e o terceiro foi alimentado com milho não alterado geneticamente, mas tomava água com doses de Roundup usadas nas plantações.

O milho transgênico (NK603) e o herbicida são produtos do grupo americano Monsanto, comercializados em vários países. No Brasil, amostras foram aprovadas em setembro de 2008 pela CTNBio (Comissão Técnica Nacional de Biossegurança), órgão ligado ao Ministério da Ciência e Tecnologia e, no começo de 2009, o Ministério da Agricultura aprovou o registro de doze híbridos de milho com a tecnologia Roundup. O certificado de biossegurança foi aprovado pela comissão em novembro de 2010.

Segundo o estudo francês, 50% dos machos e 70% das fêmeas dos três grupos morreram prematuramente, contra 30% e 20%, respectivamente, do grupo de controle. Os tumores na pele e nos rins aparecem até 600 dias antes nos machos do que no grupo de controle. No caso das fêmeas, os tumores nas glândulas mamárias aparecem uma média de 94 dias antes naquelas alimentadas com transgênicos. A hipófise foi o segundo órgão que mais sofreu alterações prejudiciais no período de testes – é ela quem produz hormônios importantes para o organismo, o que a torna a glândula principal do sistema nervoso.

“Os resultados revelam uma mortalidade muito mais rápida e importante durante o consumo dos produtos”, afirmou Seralini, cientista que integra comissões oficiais sobre os alimentos transgênicos em diversos países. “O primeiro rato macho alimentado com OGM morreu um ano antes do rato indicador (que não se alimenta com OGM). A primeira fêmea oito meses antes. No 17º mês foram observados cinco vezes mais machos mortos alimentados com milho OGM”, explica o cientista.

“Pela primeira vez no mundo, um transgênico e um pesticida foram estudados por seu impacto na saúde a mais longo prazo do que haviam feito até agora as agências de saúde, os governos e as indústrias”, disse o coordenador do estudo.

Séralini faz parte de um grupo, o Criigen, que faz uma série de pesquisa sobre segurança de alimentos. Em dezembro de 2009, ele publicou um estudo com ratos alimentados com os três principais tipos de milhos transgênicos, tanto administrados em rações de animais quanto vendidos para humanos. As amostras dos milhos NK603, MON810, MON863, da Monsanto, causaram danos sérios nos rins e nos fígados das cobaias, além de outros efeitos notados no coração, em glândulas supra-renais e no baço. (Com informações de agências internacionais)

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20, agosto, 2012 Sem comentários

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