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Pesquisador da Embrapa alerta sobre riscos da resistência de plantas daninhas

29, maio, 2013 Sem comentários
Milho transgênico RR viceja em meio a lavoura de soja RR no Mato Grosso. Foto: Abrange

Milho transgênico RR viceja em meio a lavoura de soja RR no Mato Grosso. Foto: Abrange

[Problema está no próprio tripé que sustenta as monoculturas: plantio direto + herbicidas + sementes transgênicas]

Expresso MT, 23/05/2013

A resistência de plantas daninhas é atualmente uma das principais preocupações da agricultura mundial. No Brasil, casos de resistência já ocorrem no Sul e começam a aparecer no Centro-Oeste. Segundo o pesquisador da Embrapa Soja Fernando Adegas, é preciso fazer o controle correto para evitar que este problema chegue às lavouras de Mato Grosso.

O alerta está sendo feito a técnicos e produtores que participam do Encontro Nacional de Tecnologias de Safra (Entec$), em Lucas do Rio Verde. Durante o evento, que ocorre de 21 a 24 de maio, Adegas faz duas palestras como parte da Capacitação Continuada de Técnicos que atuam nas Cadeias produtivas de grãos, fibras e integração de sistemas, realizada pela Embrapa Agrossilvipastoril em parceria com a Aprosoja. Uma das palestras será na tarde desta quinta e outra na manhã de sexta, sendo a última aberta ao público.

De acordo com o pesquisador, a criação de resistência de plantas daninhas vem ocorrendo devido ao uso sucessivo de um mesmo herbicida, o glifosato, na dessecação para o plantio direto e no controle das lavouras geneticamente modificadas RR (Roundup resistent) de soja, milho e algodão. Com isto a população dos indivíduos resistentes aumenta, causando prejuízos às lavouras.

“Este é um dos principais problemas nos Estados Unidos, na Austrália, na Argentina e no Sul do Brasil. Vamos mostrar este cenário para não deixar isto acontecer no Cerrado. Provavelmente o problema vai chegar. Queremos reduzir a intensidade para ver se o pessoal se prepara melhor, para ter menor custo”, alerta Fernando Adegas.

Segundo o pesquisador, no Brasil há cinco espécies resistentes ao glifosato. Uma é o azevém, mais comum em regiões temperadas, como Rio Grande do Sul e Paraná, e que não deve chegar a Mato Grosso. Há ainda três espécies de buva e o capim amargoso, as quatro com incidência no estado.

Soluções

Para evitar que o problema da resistência de plantas daninhas aos herbicidas acometa as lavouras mato-grossenses, Adegas cita duas medidas que podem ser adotadas: rotação de herbicidas e formação de palhada.

De acordo com o pesquisador, houve uma redução na oferta de herbicidas, mas ainda há opções para serem alternadas com o glifosato.

“Ainda existem alternativas, apesar de terem diminuído muito. Só para ter uma ideia, em outros países havia de 30 a 40 produtos. Quando começou a utilizar o glifosato, voltou a ser 3 a 4 produtos utilizados. Continuamos com outras alternativas, mas não estamos utilizando. Precisamos voltar a utilizá-los. Mesmo que seja na soja ou milho RR”, explica.

Adegas ressalta a eficiência e praticidade do glifosato. Até por isso alerta para o uso moderado para evitar a perda da tecnologia.

“Glifosato é um produto excepcional. Em matéria de herbicidas, pode-se dizer que é o mais completo. É relativamente barato e de fácil utilização. É tão bom que deveríamos preservá-lo para não perdê-lo”, alerta.

Outra alternativa é a formação de palhada. Como as plantas daninhas resistentes têm grande dificuldade de crescer em solo coberto, o consórcio de milho com braquiárias, por exemplo, apresenta-se como uma importante alternativa para evitar o desenvolvimento das plantas resistentes.

“Se você consorciar com uma braquiária ruziziensis ou outra braquiária, você já evita quase 100% das plantas resistentes. As sucessões em que você usa o mesmo herbicida e forma pouca palhada são mais fáceis de ter plantas resistentes”, explica.

De acordo com o pesquisador da Embrapa Soja, os produtores que fizerem o manejo correto das plantas daninhas, poderão evitar prejuízos no futuro.

“Se fizer isto, alguns vão conseguir evitar, outros vão conseguir adiar e outros farão com que chegue com menor intensidade. Uma coisa é certa: quem tiver resistência na propriedade irá gastar mais dinheiro”, destaca o pesquisador.

CTNBio discute agrotóxicos e acesso à informação

25, fevereiro, 2013 Sem comentários

Plenário da CTNBio: siiiiim!

MCTI, 21/02/2013

Realizada nesta quinta-feira (21), a 159ª Reunião Ordinária da CTNBio não aprovou a comercialização de nenhum item. “Fevereiro costuma ser mais um mês para seguir nas nossas avaliações, e menos de resultados de liberação comercial”, comentou Finardi. “Mas avançamos bastante nas pautas das duas subcomissões setoriais – de saúde humana e animal e das áreas vegetal e ambiental.” O colegiado se encontra mensalmente, exceto em janeiro e julho.

Na reunião, representantes do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama/MMA) e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa/MS) deram palestras e esclareceram sobre regulação de herbicidas pelo governo federal. Os três órgãos são responsáveis por conceder registro de agrotóxicos, a partir de avaliações simultâneas, de acordo com cada ponto de vista – agropecuária, meio ambiente e saúde.

“Organizamos essas palestras porque a CTNBio analisa organismos geneticamente modificados que são resistentes a determinados agroquímicos”, explicou a coordenadora-geral da instância, Tassiana Fronza. “Os membros às vezes se sentem desconfortáveis em analisar um organismo sem saber o grau de segurança do agrotóxico que pode vir a ser utilizado em conjunto com ele.”

No cargo desde 7 de dezembro, Tassiana participou de sua primeira reunião como coordenadora-geral. Entre os desafios para este ano, ela aponta adaptações à Lei de Acesso à Informação, em vigor desde maio de 2012. “A gente tem que redefinir nossos critérios de documentos confidenciais”, disse.

A necessidade de sigilo ocorre somente em situações em que empresas peçam liberação comercial para organismos com sequências gênicas que sejam frutos de suas pesquisas. “O restante dos dados e estudos são de domínio público, tanto é que as reuniões são abertas”, completou Tassiana.

Coamo tenta deter capim-amargoso

18, fevereiro, 2013 Sem comentários

GAZETA DO POVO, 05/02/2013

Quando a buva parecia estar dominada, uma nova erva daninha virou tema central do Dia de Campo da Coamo, evento que reúne 4 mil cooperados do Paraná, Santa Catarina e Mato Grosso em Campo Mourão nesta semana. Entre dez temas selecionados, o capim amargoso concentra atenção porque seu controle é mais complexo que o da buva resistente a glifosato, disso o agrônomo responsável pela Fazenda Experimental da Coamo, Joaquim Mariano Costa.

A fazenda tem cerca de 200 hectares usados em canteiros experimentais. Os técnicos plantaram capim-amargoso com diferentes graus de resistência ao glifosato e aplicaram herbicidas diferentes em estágios distintos de desenvolvimento da planta. Com isso, acreditam ter mapeado o que pode ocorrer no campo dependendo do manejo adotado pelo produtor.

“Ao contrário do que se imaginava, o capim-amargoso não tem época para emergir, do inverno ao verão. E a aplicação de defensivo tem mais efeito logo após a emergência, mas quanto menor a erva daninha melhor”, resumiu o agrônomo Paulo Henrique Battisti. A espécie existe em praticamente todas as regiões do Brasil, frisou.

Não há pesquisa sobre a área de lavouras atingida pelo capim-amargoso. O pesquisador Dionísio Gazziero, da Embrapa Soja, estima que 600 mil hectares enfrentam o problema, principalmente em Mato Grosso do Sul, São Paulo e Paraná. Em áreas com quatro a oito plantas por metro quadrado que poderiam render 3,3 mil quilos de soja por hectare, a produtividade cai para 1,88 mil kg/ha, mostra projeção também da Embrapa Soja.

O produtor Sebastião Corrêa, de Mangueirinha (PR), participou do Dia de Campo para evitar que a nova erva-daninha cause tanto problema quanto a buva. Ele afirma ter controlado os danos da buva à produtividade, mas que ainda precisa arrancar plantas que crescem na lavoura e na pastagem. As sementes vêm da vizinhança e ficam no solo por mais de três safras.

Invasão de “super-inços” nas fazendas norte-americanas

7, fevereiro, 2013 Sem comentários

Mother Jones, 06/02/2013

Cerca de metade dos produtores dos EUA enfrenta superervas

Plantas resistentes ao Roundup infestaram 24 milhões de hectares em 2012, 50% a mais do que em 2011

Área infestada com espécies resistentes ao glifosato (milhões de acres)

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Uma empresa de consultoria em agronegócio nos EUA, a Stratus, vem desde 2010, entrevistando “milhares de agricultores norte-americanos” ao longo de 31 estados a respeito do avanço da infestação de ervas espontâneas que desenvolveram resistência ao herbicida Roundup, da Monsanto, fabricado a base de glifosato e usado nas lavouras transgênicas da mesma empresa desenvolvidas para tolerar aplicações do produto [links no original em inglês abaixo].

Os números levantados mostram que:

- Em 2012, praticamente metade (49%) dos agricultores entrevistados disseram ter mato resistente a herbicidas em suas lavouras. Em 2011, eram 34%;

- A resistência é ainda pior no sul do país. Por exemplo, 92% dos agricultores do estado de Georgia disseram ter mato resistente ao glifosato em suas lavouras;

- A resistência está avançando rapidamente também no meio-sul e no meio-oeste. Entre 2011 e 2012, a área infestada com essas invasoras praticamente dobrou nos estados do Nebaska, Iowa e Indiana;

- O avanço da infestação acontece de maneira mais rápida a cada ano: a área total infestada aumentou em 25% em 2011 e em 51% em 2012;

- Em 2010, apenas 12% das propriedades tinham mais de uma espécie de mato resistente. Apenas dois anos depois, 27% das propriedades já tinham ao menos duas espécies resistentes.

A solução proposta pela Monsanto para driblar o problema são as “próximas gerações” de sementes tolerantes a herbicidas – ou seja, lavouras desenvolvidas para resistir não apenas ao Roundup, mas também a outros herbicidas ainda mais tóxicos, como o 2,4-D e o Dicamba. O problema é que tal escalada na guerra química contra o mato levará ao desenvolvimento de variedades de mato mais prolíficas e mais resistentes, e a um dramático aumento no uso de herbicidas.

Nos EUA, o Departamento de Agricultura (USDA) ainda não autorizou o cultivo comercial do milho transgênico da Dow chamado Enlist, resistente ao Roundup e ao 2,4-D (um dos dois ingredientes ativos do famoso “agente laranja”, usando como desfolhante na Guerra do Vietnam e que causou milhares de mortes e de nascimentos de bebês com malformações congênitas). A autorização era esperada para o final de 2012, mas foi adiada, segundo notícias divulgadas pela Reuters, devido à forte oposição pública.

O recurso que tem sido usado pelos agricultores para enfrentar a infestação do super mato é aumentar, cada vez mais, a quantidade de agrotóxicos aplicada. Segundo um estudo publicado pela Universidade da Califórnia em 2012, realizado por uma equipe da Penn State University liderada por David A. Mortensen, “em 2011 o combate à resistência ao glifosato já custava aos agricultores perto de US$ 1 bilhão por ano”.

Mas despejar cada vez e sempre mais venenos nos campos não é a única saída. Em um estudo publicado em 2012 na revista científica PLoS ONE, pesquisadores da Iowa State University mostraram que a simples diversificação na rotação de culturas, aliada à introdução de cultivos de cobertura, podem suprimir o mato – inclusive o mato resistente ao Roundup – e diminuir entre 6 e 10 vezes o uso de fertilizantes químicos [mas essas técnicas simples e baratas não interessam às corporações do agronegócio].

Venda de milho transgênico da Dow nos EUA é adiada pelo menos até 2014

22, janeiro, 2013 Sem comentários

Versões semelhantes de milho e soja resistentes ao 2,4-D estão na pauta de votação da CTNBio. Esse herbicida é classificado como “Extremamente tóxico” e, assim como nos demais casos, seus uso dispararia com a aprovação da semente transgênica para uso casado. Espera-se que com decisão dos EUA o pedido aqui também vá para a geladeira.

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Agência Estado, 01/01/2013 | via G1

Uma nova semente de milho transgênica da Dow Chemical não estará disponível para agricultores dos Estados Unidos pelo menos até a temporada de plantio de 2014, informou na sexta, dia 18, a empresa, que aguarda aprovação regulatória para o produto. A Dow AgroSciences, subsidiária da Dow Chemical, disse no final do ano passado que esperava comercializar a semente na temporada de plantio de 2013, depois que ela fosse aprovada pelo Departamento de Agricultura e Proteção Ambiental dos EUA.

A semente, chamada de Enlist, é geneticamente modificada para suportar a aplicação do herbicida 2,4-D. A tecnologia é uma resposta do setor ao surgimento de ervas daninhas resistentes ao glifosato, um herbicida amplamente usado em conjunto com sementes transgênicas de milho e soja da Monsanto. Críticos argumentam que a nova semente da Dow, junto com uma semente que está sendo desenvolvida pela Monsanto e que é resistente ao herbicida dicamba, levará a um aumento do uso de herbicidas, elevando o risco para o meio ambiente e para fazendas adjacentes. Eles defendem também que as ervas daninhas acabarão se tornando resistentes a esses novos produtos.

Um grupo de agricultores deixou de fazer oposição à semente Enlist em setembro passado, depois que a Dow se comprometeu a rastrear as aplicações de herbicidas pelos produtores e investigar alegações de que o produto se espalhou para plantações vizinhas. Ao mesmo tempo, a Dow está desenvolvendo a semente Enlist de soja, que planeja vender a agricultores em 2015.

As informações são da Dow Jones.

Milho transgênico em lavoura de soja transgênica prejudica fazendeiros no MT

7, janeiro, 2013 Sem comentários

Milho transgênico RR viceja em meio a lavoura de soja RR no Mato Grosso. Foto: Leonardo Melgarejo

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VALOR ECONÔMICO, 03/1/2012

Por Tarso Veloso

Os produtores de soja de Mato Grosso têm se queixado que a tecnologia Roundup Ready (RR), empregada à primeira geração de milho transgênico no país, começou a atrapalhar o plantio da oleaginosa na safra atual (2012/13)

Os produtores de soja de Mato Grosso têm se queixado que a tecnologia Roundup Ready (RR), desenvolvida pela americana Monsanto e empregada à primeira geração de milho transgênico no país, começou a atrapalhar o plantio da oleaginosa na safra atual (2012/13). Como os dois grãos são dotados da mesma tecnologia que garante resistência ao herbicida glifosato utilizado no controle de plantas daninhas, ocorre, segundo os sojicultores, uma “concorrência” entre eles no campo.

A hipótese mais aceita pela Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado de Mato Grosso (Aprosoja/MT), está na mistura de sementes. Segundo o diretor técnico da entidade, Nery Ribas, o produtor deixa sobrar sementes no solo de forma involuntária quando planta e colhe o milho safrinha (de maio a setembro). Na sequência, e assim que caem as primeiras chuvas, ocorre o plantio de soja. “E o milho que ficou na terra também acaba nascendo”.

Os agricultores tratam o cultivo invasor como “tiguera”, palavra de origem tupi para designar o aparecimento indesejável dessas plantas. Segundo a Aprosoja/MT, a aplicação do glifosato para esse fim não tem eliminado com eficácia o milho das lavouras de soja, que ainda concorre por nutrientes, luz e água. A associação também ouviu relatos similares de produtores que plantam milho convencional. A suposição é que a lavoura tenha sofrido contaminação por meio da polinização de plantios transgênicos, que por precaução deveriam estar separadas por uma barreira formada por vegetação.

Assim, os produtores já se preocupam com a possibilidade de a colheita da soja sofrer prejuízos com a presença de impurezas nos grãos, o que termina por reduzir os valores pagos pelas tradings.

A entidade mato-grossense planeja fazer um acompanhamento junto a instituições de pesquisa até o fim da colheita da oleaginosa, ainda neste mês, para se certificar sobre a resistência do milho RR ao herbicida. A variedade voltou a ser largamente utilizada nessa safra, embora a mais comum seja a do milho Bt, resistente a lagartas. Por enquanto, a Aprosoja/MT tem recomendado a aplicação de um graminicida – defensivo destinado a eliminar plantas de folha estreita, como é o caso do milho, transgênico ou convencional -, o que eleva os custos de produção, que incluem ainda a contratação de trabalhadores para retirar a “planta invasora” do campo.

Segundo Luciano Fonseca, gerente de gestão responsável de produto da Monsanto, o produtor não pode descuidar do controle das “tigueras”, a despeito da tecnologia. Segundo ele, a ocorrência dessas plantas depende de fatores como a qualidade da colheita do milho e o manejo correto do herbicida em um período muito curto entre uma cultura e outra, como é o caso de milho safrinha e soja. “Grãos que ficam no solo ou espigas em formação que não são retiradas, certamente irão se desenvolver quando houver condições favoráveis de umidade e temperatura”.

Plantas invasoras em cultivos com a tecnologia RR não são uma novidade no país. Sojicultores do Sul convivem há tempos com o aparecimento de ervas daninhas como o capim-amargoso e a buva resistentes ao glifosato. Por isso, a Fundação ABC, instituição de pesquisa formada por cooperativas paranaenses, insiste em recomendações tradicionais como rotação de plantios, uso de herbicidas com princípios ativos diferentes e respeito ao calendário de aplicações.

Tecnologia de resistência do milho está atrapalhando cultivo de soja em Mato Grosso

21, novembro, 2012 Sem comentários

A reportagem abaixo retrata o que há muito foi anunciado, que a liberação do milho transgênico provocaria uma contaminação generalizada do milho convencional. Os técnicos da região levantam inclusive a possibilidade de que nem as próprias sementeiras estejam sendo capazes de evitar a contaminação. E os especialistas da CTNBio falam que isolamento de 100 metros é suficiente…

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As próprias empresas de sementes de milho não estariam mais conseguindo segregar as sementes com tecnologia de resistência das convencionais. Seria uma “contaminação de tecnologia”.

http://www.cenariomt.com.br, 21/11/2012

A tecnologia de resistência do milho transgênico está atrapalhando o cultivo de soja em Mato Grosso nesta safra 2012/13. Produtores reclamam da grande quantidade de pés de milho persistentes nas lavouras de soja, mesmo após aplicações de glifosato, principal herbicida utilizado no controle de plantas infestantes.

Jaime Coradini, produtor em Primavera do Leste (200 km de Cuiabá), só planta milho convencional em sua propriedade. No entanto, vê sua recém plantada lavoura de soja infestada de pés do grão, resistentes à aplicação do tipo de herbicida.

Ele explica que o problema vem acontecendo há três anos, mas nesta safra está muito intensificado. Para ele, uma das explicações é que, como muitos produtores já estão fazendo uso do milho transgênico, pode estar havendo contaminação através da polinização dos pés de milho entre lavouras próximas.

Coradini teve de contratar uma equipe para fazer a retirada manual das plantas na lavoura de soja.

Na Agro-Sol Sementes, em Campo Verde, o problema também é sentido. Já foram feitas duas aplicações de glifosato, uma para dessecação de culturas anteriores e ervas daninhas – antes do plantio da soja, e outra após 20 dias da planta. Ainda assim, muitos pés de milho aparecem como intrusos na lavoura.

Para Pedro Tales Tomazelli, engenheiro agrônomo da Agrosol, a explicação mais plausível é que, junto às sementes convencionais de milho que eles e outros produtores plantam, estão vindo algumas sementes transgênicas, resistentes ao glifosato.

As próprias empresas de sementes de milho não estariam mais conseguindo segregar as sementes com tecnologia de resistência das convencionais. Seria uma “contaminação de tecnologia”.

Os problemas do milho na soja

De acordo com o agrônomo, existem três principais conseqüências causadas pelo problema. A primeira delas dá-se no ciclo inicial da soja. A planta de milho pode ser uma competidora, roubando nutrientes e luz da planta de soja e atrapalhando seu desenvolvimento.
Em segundo lugar, o milho pode ser hospedeiro de outras pragas que não estão previstas para a soja e podem atrapalhar o cultivo. Em seguida, as plantas “intrusas” estragam a estética da lavoura.
A solução, além do controle manual praticado pelo produtor Jaime Coradini, pode ser o controle químico com um herbicida de princípio ativo diferente do glifosato. No entanto, essa solução é mais cara, fugindo do orçamento e do planejamento da lavoura, o que pode não ser viável para todos.

Transgênicos puxam vendas de agrotóxicos

3, agosto, 2012 1 comentário

Fonte: Valor Econômico, 31/07/2012.

Abaixo segue a íntegra da reportagem. A assunto foi comentado no Boletim 595 da AS-PTA.

 

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Efeitos colaterais da expansão do agronegócio no Uruguai

27, março, 2012 Sem comentários

Documentário produzido por Radio Mundo Real, Redes, Amigos da Terra e Uruguay Sustentable

Parte 1

 

Efectos Colaterales (capitulo 01) from Radio Mundo Real on Vimeo.

Parte 2

Efectos Colaterales (capitulo 2) from Radio Mundo Real on Vimeo.

De Agricultor para Agricultor – A verdade sobre as culturas transgénicas

14, março, 2012 Sem comentários

Vídeo enviado pela Plataforma Transgênicos Fora, de Portugal

Transgênicos crescem ainda junto à polêmica no País

15, fevereiro, 2012 Sem comentários

JORNAL DO COMÉRCIO, 15/02/2012 | Mayara Bacelar

Estima-se que 40% do milho seja geneticamente modificado

Na semana passada, estudo do Serviço Internacional para a Aquisição de Aplicações Biotecnológicas Agrícolas (ISAAA, na sigla em inglês) apontou que o Brasil vem sendo o vetor mundial no crescimento de áreas cultivadas com sementes transgênicas. Segundo a entidade, o País cresceu 20% em área, com 4,6 milhões de hectares destinados ao plantio de variedades geneticamente modificadas em 2011 [veja comentário a respeito da metodologia de cálculo]. No Rio Grande do Sul, a falta de levantamentos oficiais impossibilita mensurar o volume exato em áreas ou toneladas que sinalizem o avanço do cultivo transgênico em solo gaúcho [o mesmo vale para o país todo]. O que especialistas afirmam, porém, é que o crescimento existe e é rápido, levando facilidade aos agricultores e dúvidas sobre o impacto do plantio na saúde do consumidor e nos ecossistemas envolvidos.

O presidente da Associação dos Produtores e Comerciantes de Sementes e Mudas no Rio Grande do Sul (Apassul), Narciso Barison Neto, afirma que o aumento do uso de sementes transgênicas é uma contingência do mercado. A explicação para o fato é que a tecnologia empregada nas sementes trouxe vantagens no que diz respeito a aspectos econômicos e práticos no campo. “Quando uma tecnologia é interessante, ela avança rapidamente”, alega. “No Brasil, a taxa de utilização de transgênicos já ultrapassa 60% na cultura do milho”, acrescenta o dirigente. Ele destaca que o crescimento mais vertiginoso ocorreu nos últimos três anos.

Buva resistente a glifosato toma conta da área após alguns anos de soja RR da Monsanto

No Estado, Barison Neto calcula que quase a totalidade da soja tenha origem geneticamente modificada, enquanto na cultura do milho, esse patamar gira em torno dos 40%. “No caso do milho, só não é mais porque temos uma boa parte de área cultivada integrando programa do governo Troca-Troca, e como a semente transgênica de milho tem um custo mais alto, nessas regiões o avanço foi menos significativo”, ressalta o presidente da Apassul.

O dirigente aponta que os produtores e comerciantes de sementes não têm preferência por transgênicas em si, mas que atuam de acordo com a aceitação e receptividade dos produtores, que têm preferido variedades modificadas principalmente no caso da soja. Ainda assim, defende que os ganhos para os produtores são diversos e compensadores. De acordo com ele, os grãos gerados através de sementes transgênicas observam menos ataques de fungos e maior resistência aos herbicidas usados para eliminar as ervas daninhas. “Temos dados que apontam para menos utilização de água, diesel, e redução na emissão de CO2 em função disso”, elenca.

O diretor-técnico da Emater-RS, Gervásio Paulus, pondera que as mesmas sementes responsáveis por aumentar a resistência aos herbicidas em cultivos como a soja podem gerar também uma resistência nas plantas que nascem adjacentes a essas lavouras. Segundo o técnico, outros vegetais podem igualmente não responder às doses usuais desses agroquímicos, fazendo com que uma quantidade cada vez maior seja necessária para obter o mesmo resultado. Além disso, Paulus relata preocupação especial com a transgenia no cultivo do milho. Isso porque, através da polinização, exemplares sem modificação genética acabam por receber o pólen de outros cultivares transgênicos. “Isso coloca em risco aquelas culturas que, por alguma razão, o agricultor prefere não plantar transgênicos”, frisa. “E em algumas regiões ainda se preservam as sementes crioulas de milho, e o transgênico acaba comprometendo a preservação dessa variedade”, completa Paulus.

Consequências ao ambiente ainda são incertas, diz pesquisador da CTNBio

O pesquisador Leonardo Mergarejo, representante do Ministério do Desenvolvimento Agrário na Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), afirma que ainda não se pode afirmar com veemência as consequências do plantio de transgênicos. Segundo ele, não existem dados que comparem a área cultivada, mas confirma que o Brasil é o segundo produtor mundial dessas sementes. Mergarejo assinala que as propriedades nutricionais não se alteram quando comparadas sementes transgênicas ou não. De acordo com ele, uma das principais características das plantas oriundas de sementes geneticamente modificadas, é mesmo a capacidade de ser banhada em herbicida sem morrer.

Esse fator faz com que os grãos que vão às mesas dos consumidores possam carregar um nível alto de toxinas, inclusive acima do permitido. “Há dois anos, o governo do Paraná encontrou exemplares com 50 vezes mais de resíduos de herbicidas em relação ao permitido no grão de soja, em vistoria realizada pela Secretaria de Agricultura do Paraná”, observa o pesquisador. Segundo ele, a explicação é a aplicação continuada dos herbicidas, que gera resistência nas plantas dos arredores.

Além disso, Mergarejo explica que a modificação genética torna certas cultivares imunes a determinados tipos de pragas, o que pode influenciar no impacto das pragas na lavoura. “A modificação genética permite a redução da quantidade de inseticida nos primeiros períodos, mas vem se observando, na Índia, por exemplo, que pragas secundárias se tornaram as principais, e já temos indícios disso no Brasil”, alerta o pesquisador.

Monsanto é culpada por intoxicação de agricultor na França

14, fevereiro, 2012 Sem comentários

AFP, via Portal Terra, 03/02/2012

A justiça francesa declarou nesta segunda-feira o grupo americano Monsanto “responsável” pela intoxicação de um agricultor francês em 2004 com um herbicida, o que abre caminho para o pagamento de uma indenização.

“A Monsanto é responsável pelos danos causados a Paul François após a inalação do produto Lasso”, considerou o Tribunal Superior de Lyon, consultado pela AFP.

Consequentemente, o tribunal “condena a Monsanto a indenizar totalmente Pierre François por seu prejuízo”, informou o veredicto, que será avaliado após uma perícia médica no hospital Rothschild de Paris.

No dia 27 de abril de 2004, Paul François, hoje inválido, recebeu no rosto emanações do herbicida produzido pelo gigante da indústria agroquímica ao abrir o contêiner de um pulverizador.

O agricultor, produtor de cereais, sofreu rapidamente náuseas e outros sintomas (gagueira, vertigem, dores de cabeça, etc) que o obrigaram a interromper suas atividades por quase um ano.

Em maio de 2005, um ano depois de ter inalado o herbicida, análises médicas demonstraram que estavam presentes em seu organismo traços de monoclorobenzeno, um potente solvente que forma parte da composição do Lasso junto com o produto ativo, o anacloro.

Três anos mais tarde, o agricultor, que se tornou um porta-voz das vítimas de pesticidas, fez com que a justiça reconhecesse seus transtornos como doença profissional. Depois disso, abriu um processo contra a Monsanto.

No dia 12 de dezembro de 2011, o advogado do demandante, François Lafforgue, acusou a Monsanto no tribunal de “ter feito todo o possível para manter o Lasso no mercado” quando a periculosidade do produto havia sido demonstrada nos anos 1980, fazendo com que fosse proibido no Canadá, Inglaterra e Bélgica. Na França, o produto não foi retirado do mercado até 2007.

Segundo Lafforgue, a Monsanto também faltou com sua “obrigação de informação”, ao não detalhar a composição do produto na etiqueta e ao não advertir sobre os riscos de inalação, nem sobre a necessidade de utilizar uma máscara ao manipulá-lo.

Já o advogado da Monsanto, Jean-Philippe Delsart, colocou em dúvida a verdade sobre a intoxicação, alegando que os problemas de saúde só apareceram vários meses depois.

Milho: aumenta número de plantas daninhas resistentes a herbicidas

24, outubro, 2011 Sem comentários

 

Embrapa Milho e Sorgo (Via Agrolink), 24/10/11

Aumento dos custos de produção, impactos ambientais e maior resistência de plantas daninhas a herbicidas. Esses são os principais fatores provocados por práticas culturais ineficientes e pela utilização inadequada de herbicidas na cultura do milho. Segundo o pesquisador Décio Karam, da área de Fitossanidade da Embrapa Milho e Sorgo (Sete Lagoas-MG), a resistência de determinadas plantas daninhas a herbicidas foi primeiramente notificada no Brasil na década de 1980 com o surgimento da enzima ALS (acetolactato sintase), conforme relatado no site internacional de monitoramento de plantas daninhas resistentes a herbicidas (http://www.weedscience.org/in.asp).

A partir dessa data, outras espécies foram sendo descritas como resistentes, sendo que herbicidas inibidores dessa enzima – ALS – são os produtos que mais selecionaram plantas daninhas resistentes no Brasil e no mundo, de acordo com o pesquisador. “Com a introdução das culturas transgênicas resistentes ao herbicida glyphosate, a pressão de seleção imposta pelas glicinas tende a aumentar e veremos, consequentemente, o surgimento de mais populações resistentes a esse grupo herbicida”, explica Karam.
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A sequela da monocultura

23, agosto, 2011 Sem comentários

SCIENTIFIC AMERCIAN, 17/08/2011

Uso de herbicida pode causar sérias doenças em seres humanos

Segundo declarações de um cientista do governo americano, o uso excessivo do herbicida Roundup, da Monsanto, pode causar mudanças prejudiciais no solo e, potencialmente, prejudicar os rendimentos das culturas geneticamente modificadas pelos agricultores.

“O uso repetido do glifosat, o principal ingrediente do herbicida Roundup, causa impactos na estrutura química das plantas, e 15 anos de pesquisas indicam que a substância química pode ser a responsável por doenças nas raízes causadas por fungos”, explica Bob Kremer, microbiólogo do Agriculture’s Agricultural Research Service.

Roundup é o herbicida mais vendido no mundo, e seu uso tem fortalecido a Monsanto, maior empresa de sementes do planeta, que continua implantando culturas “Roundup Ready”, tolerantes ao herbicida.

O milho, a soja e outras culturas Roundup Ready são amados pelos agricultores, pois permitem que pulverizem o herbicida diretamente em suas colheitas para matar ervas daninhas. Além disso, o milho e a soja estão entre os produtos mais cultivados nos Estados Unidos.

Mas como os agricultores aumentaram a utilização de culturas Roundup Ready e consequentemente do herbicida Roundup, os problemas começaram a surgir. Um dos maiores problemas atualmente é a resistência de plantas daninhas ao Roundup. Mas Kremer disse que os problemas menos visíveis, presentes abaixo do solo, também devem ser observados e pesquisados mais amplamente.

Embora Kremer afirme que a pesquisa até o momento não comprovou que o glifosato provoca doenças fúngicas que limitam diretamente a produção agrícola e a saúde, os dados sugerem que poderia ser o caso. “Estamos sugerindo que esse potencial certamente existe”, disse Kremer em uma apresentação na conferência anual da Organização para Mercados Competitivos, realizada recentemente em Kansas City.

Kremer explica que a pesquisa mostra que essas culturas geneticamente alteradas não rendem mais do que as culturas convencionais, e deficiências de nutrientes ligadas a problemas de doenças na raiz são provavelmente fatores limitantes.

Kremer disse que os agricultores devem tomar cuidado e considerar uma maior rotatividade de culturas e maior acompanhamento do uso do glifosato. Ele está entre um grupo de cientistas que notou problemas potenciais com esse herbicida. Pesquisadores de outros países também manifestaram preocupações sobre o uso do glifosato poder estar ligado ao câncer, a abortos e outros problemas de saúde em pessoas e animais.

A Monsanto declarou que o glifosato liga-se fortemente à maioria dos tipos de solo e que não é prejudicial às colheitas. A empresa disse que suas pesquisas mostram que o glifosato é seguro tanto para seres humanos quanto para o meio ambiente.

“Nem o USDA (United States Department of Agriculture), nem a Agência de Proteção Ambiental que está analisando o registro do glifosato para a sua segurança e eficácia, demonstraram interesse em continuar a explorar essa área de pesquisa”, lamenta Kremer.

 

Ervas resistentes ao glifosato levam agricultores ao ‘desespero’ nos EUA

21, julho, 2011 Sem comentários

 

Sul21, 20/07/2011 (Via MST)

A resistência de ervas daninhas ao herbicida Roundup, da Monsanto, está levando agricultores do Estado norte-americano de Missouri a recorrerem à antiga prática da capina em plantações de algodão. Em casos mais graves, os agricultores estão fazendo “coquetéis” de agrotóxicos ainda mais prejudiciais à saúde e ao meio–ambiente.

A informação é do jornal Saint Louis Today, em reportagem publicada no último domingo (17). Na matéria intitulada “Ervas daninhas resistentes deixam agricultores desesperados”, o jornal informa que cada vez mais ervas daninhas estão se tornando resistentes ao Roundup da Monsanto, vendido genericamente como o glifosato, forçando os agricultores a usar outros herbicidas em suas lavouras de algodão, milho e soja.

Eles estão ficando sem opções? A resposta simples é: sim”, diz ao jornal o cientista da Universidade de Illinois, Aaron Hager. “É irônico que o glifosato tenha sido vendido como alternativa para esses pesticidas mais velhos, e agora os agricultores os estão usando novamente “, afirma o analista do grupo Environmental Working Group, Brett Lorenzen.

O problema da resistência das ervas daninhas ao glifosato é antigo. Em 2006, um estudo da Universidade de Passo Fundo (UPF), na região norte do Rio Grande do Sul, mostrou que pelo menos quatro plantas daninhas se mostravam resistentes ao glifosato da Monsanto. A própria Monsanto confirmou parcialmente a informação no ano seguinte. Na época, noticiou-se que os agricultores da região estavam recorrendo a agrotóxicos proibidos pela legislação brasileira.