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Superma Corte dos EUA mantém direito de patentes da Monsanto

14, maio, 2013 Sem comentários

Monsanto: “Se o Supremo apoiar o agricultor nosso modelo de negócios vai pro brejo”

Adaptado de Forbes e Wired, ambas de 13/05/2013

Por unanimidade, a Suprema Corte dos Estados Unidos manteve os direitos de patente da empresa Monsanto sobre a soja transgênica, rejeitando o pedido de um agricultor que reivindicara o direito de colher e replantar o grão.

O argumento do agricultor Vernon Bowman de 74 anos ganhou na Corte o apelido de “blame-the-bean defense” que, para os juízes envolvidos na sentença, caso aceito, acabaria com o valor do sistema de patentes.

Bowman recorreu à doutrina da exaustão da patente, segunda a qual seu proprietário abre mão de seus direitos após vender a tecnologia protegida. Para Bowman esse entendimento é aplicável à soja que ele adquiriu de um silo vizinho e que estava contaminada com a variedade Roundup Ready já que mais de 90% da leguminosa na região é transgênica. Uma parte das sementes foi plantada para safrinha e pulverizada com o herbicida Roundup. As sementes colhidas foram plantadas no ano seguinte. Dado que as sementes se auto multiplicam, não fui eu que violei as patentes da Monsanto, argumenta. Já a empresa defende que ele sabia que as sementes eram modificadas uma vez que resistiram à aplicação do herbicida e por isso o processou. Bowman perdeu o caso na Justiça.

O voto unâmime em favor da Monsanto defende que “o produtor poderia multiplicar as sementes de sua primeira compra e as sementes que colhe dela ad infinitum – beneficiando-se de cada um desses ciclos sem recompensar seu inventor.”

O contrato que o produtor assina ao comprar um saco de sementes patenteadas ainda proíbe que as sementes sejam vendidas para plantio comercial, e não podem ser usadas para pequisas, cruzamento, seleção ou produção de sementes [e ainda dizem que o sistema de patentes estimula a pesquisa e a inovação...].

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Bayer CropScience dá novo passo para crescer em sementes

7, março, 2013 1 comentário

Assim avança o controle das multinacionais sobre as sementes, que definem as estratégias de melhoramento genético e lançamento de cultivares de acordo com seus interesses na venda de insumos. Restam cada vez menos opções para os agricultores.

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VALOR ECONÔMICO, 07/03/2013

Por Gerson Freitas Jr. | De São Paulo

A Bayer CropScience anunciou ontem mais um passo em sua estratégia para crescer em sementes de soja no Brasil – um mercado no qual ainda é incipiente.

A múlti alemã oficializou a aquisição do banco de germoplasma da Agropastoril, de Cascavel (PR), e um acordo para comprar a unidade de sementes de soja da Agrícola Wehrmann e a sua divisão de melhoramento genético (a Wehrtec), com sede em Cristalina (GO). A multinacional não revelou quanto desembolsou nos dois negócios.

A Bayer CropScience já havia adquirido outras duas companhias de perfil semelhante – a CVR, em 2010, e a Soytech, no ano seguinte. Com isso, a múlti tenta criar um banco de germoplasma que a permita acelerar o desenvolvimento de novas variedades e a sua pesquisa com transgênicos.

Desde que decidiu entrar no mercado de sementes, hoje dominado por Monsanto, DuPont e Syngenta, há apenas quatro anos, a gigante do setor químico elegeu como prioridades os mercados de soja e trigo, o que colocou o Brasil no centro de sua estratégia global.

“A área plantada com soja no Brasil deve alcançar cerca de 40 milhões de hectares até 2020, ante 28 milhões cultivados na última safra”, justificou o presidente da Bayer CropScience para a América Latina, Marc Reichardt, em entrevista ao Valor.

“Temos planos muito ambiciosos para expandir e finalmente ser um líder em sementes de soja no Brasil. Estamos muito bem posicionados para isso”. Segundo o executivo, a empresa possui um amplo portfólio de produtos geneticamente modificados em processo de desenvolvimento.

Entre eles, a Bayer estuda uma variedade de soja resistente ao nematoide (verme que ataca as raízes das plantas) e plantios tolerantes a novas classes de herbicidas. Ele não revelou, porém, quando esses produtos serão submetidos a registro no Brasil.

Apenas três meses depois de assumir a cadeira de CEO global da Bayer CropScience, o irlandês Liam Condon desembarcou ontem em São Paulo para sua primeira visita ao país. “O Brasil é um dos quatro “países-alvo” [mercados considerados prioritários do ponto de vista de investimento] para a Bayer. Acreditamos que o mercado de soja vai dobrar nos próximos 20 anos e queremos participar desse crescimento”, afirmou. Estados Unidos, Índia e China são os outros países-alvo da companhia.

No ano passado, as vendas da Bayer CropScience no Brasil cresceram 38% em moeda local, para R$ 3,085 bilhões (cerca de € 1,2 bilhão). Contudo, a maior parte da receita ainda está atrelada ao mercado de defensivos agrícolas. Em 2012, o segmento respondeu por quase 80% do faturamento global de € 8,4 bilhões, enquanto a participação das sementes foi inferior a 12%.

Em 2012, a Bayer CropScience registrou um crescimento nominal de 15% (12,4% considerando os ajustes de câmbio e portfólio). O resultado foi puxado pelas vendas para América do Norte e América Latina (bloco que inclui ainda os países da África e do Oriente Médio), que cresceram respectivamente 26,5% e 18,5%, em termos nominais, seguida por Ásia, com avanço de 11,4%, e Europa, com 8%.

Embora cresça menos, a Europa ainda é o principal mercado da companhia em volume de vendas (€ 2,7 bilhões), seguida por América do Norte (€ 2,15 bilhões), América Latina (€ 2,13 bilhões) e Ásia (€ 1,3 bilhões)

“Ficamos muito felizes com esse desempenho. Foi um ano bom para o mercado, com os preços das commodities em patamares ainda elevados”, afirma Condon. Para 2013, pondera o executivo, o cenário é menos favorável. Segundo ele, os mercados de defensivos e sementes tendem a desacelerar ao longo do ano. “A expectativa é que cresçamos apenas um dígito ao ano”. “Estamos falando de um setor cíclico. Tivemos dois anos de crescimento na casa dos dois dígitos, o que é inédito, então achamos que em algum momento o mercado vai desacelerar”, afirma Condon.

Segundo ele, o mercado ainda deve se manter aquecido no primeiro semestre, mas pode perder força no segundo, caso a previsão de uma safra recorde nos Estados Unidos se confirme. “Se isso acontecer, os preços das commodities tendem a cair, o que pode desestimular os investimentos por parte dos produtores”, explicou.

Condon ponderou, no entanto, que as vendas de defensivos e sementes para a América do Sul e do Norte (sobretudo, os Estados Unidos) devem continuar a crescer de maneira acelerada, provavelmente na casa dos dois dígitos – “se o mercado concordar”. “Ainda é cedo para fazer qualquer avaliação sobre a safra americana”. “Se tivermos alguma desaceleração, será na margem”, concorda Reichardt.

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Domínio argentino na venda de soja transgênica no Sul do Brasil

25, outubro, 2012 Sem comentários

A reporagem abaixo mostra que além de as patentes do sistema Roundup Ready serem de propriedade da Monsanto, o desenvolvimento das cultivares usadas no Sul do Brasil é cada vez mais feito por argentinos. Pergunta: onde está o progresso científico e todo o avanço que a suposta revolução tecnológica dos transgênicos traria? Instituições brasileiras como a Embrapa caíram no canto da sereia e estão ficando para trás. Não se trata de perder o bonde, como disse um dos entrevistados, mas sim de pegar o bonde errado.

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VALOR ECONÔMICO, 25/10/2012

É cada vez maior o domínio argentino no negócio de sementes geneticamente modificadas de soja no Sul do Brasil. No Rio Grande do Sul, em Santa Catarina e no Paraná, cerca de 70% desse mercado está nas mãos de companhias que usam germoplasma desenvolvido no país vizinho. Conjunto de genótipos (grupos de genes) de uma espécie, o germoplasma pode ser considerado a fonte de variabilidade genética disponível para o melhoramento das plantas.

Segundo a consultoria Céleres, a área plantada com soja transgênica deve alcançar 23,9 milhões de hectares na safra 2012/13 no país (88,1% da área total que será semeada com o grão) e o Sul responderá por 8,8 milhões. Assim, o cultivo com germoplasma argentino na região deverá atingir 6,2 milhões de hectares.

Segundo a Céleres, o mercado de transgenia no Brasil movimentou US$ 350 milhões em 2011, dos quais US$ 162 milhões referiram-se às empresas que comercializam germoplasma. A Associação Brasileira de Sementes e Mudas (Abrasem) não tem um levantamento específico sobre as lavouras de soja, mas informa que o mercado total de sementes no Brasil chega a US$ 4,5 bilhões/ano.

Narciso Barison Neto, presidente da Abrasem, lembra que as sementes de soja com genótipos desenvolvidos na Argentina começaram a dominar o Sul do Brasil há quase uma década e de forma ilegal, já que as sementes transgênicas ainda eram proibidas por aqui. De lá para cá, só conquistaram mais espaço.

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Multa do CADE

9, outubro, 2012 Sem comentários

Valor Econômico, 09/10/2012

Monsanto quer tungar 7,5% da receita dos agricultores pela soja RR 2

13, julho, 2012 Sem comentários

CORREIO DO POVO, 13/07/2012

Fetag não irá negociar royalty

Após consultar coordenadores de regionais produtoras de soja nos últimos dias, a Fetag decidiu não participar das negociações com a Monsanto sobre os royalties da Intacta RR2 Pro. Farsul e Fecoagro contestam a tabela estipulada pelo uso da nova tecnologia, ainda não liberada. Os valores vão de R$ 115,00 a R$ 127,00 por hectare ou 7,5% na moega. Hoje, o custo da soja transgênica da Monsanto varia de R$ 18,00 a R$ 24,00/ha ou 2%.

Segundo o presidente Elton Weber, a Fetag discorda da cobrança sobre a produção e, por isso, é parte de processo judicial movido contra a empresa. No início deste mês, Weber não pôde comparecer à reunião realizada pelas federações e pela CCGL Fundacep, mas, conforme a ata do encontro, teria manifestado intenção em participar na sequência de tratativas. “Nossa posição, hoje, reafirma o que foi decidido em assembleia.”

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p.s. Onde estão empresas públicas como Embrapa e outras que ao invés de oferecer alternativas aos agricultores aliam-se às grandes do setor e reforçam o monopólio sobre as sementes?

Senado debate royalties sobre sementes

11, maio, 2012 Sem comentários

Setores que lutaram pela liberação dos transgênicos e por uma legislação que favorece as empresas agora choram sobre o leite derramado. Em tema conexo, esses mesmos grupos, junto com o Ministério da Agricultura, defendem mudanças na lei de cultivares que, se aprovadas, aproximarão a proteção intelectual sobre as sementes melhoradas aos efeitos das patentes. Com isso, os produtores que usam sementes convencionais passariam a sofrer os mesmos problemas enfrentados pelos que plantam transgênicos, ficando sujeitos às regras abusivas aplicadas pelas grandes empresas sementeiras.

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Empresas confiscam parte da produção

AGÊNCIA SENADO, 10/05/2012 | Iara Guimarães Altafin

Em debate na Comissão de Agricultura e Reforma Agrária (CRA) nesta quinta-feira (10), representantes dos produtores de soja e de sementes defenderam regras mais claras para cobrança de royalties para biotecnologias, em especial para sementes transgênicas.

Segundo explicou Glauber Silveira da Silva, presidente da Associação dos Produtores de Soja, os royalties são cobrados na compra da semente geneticamente modificada e também na entrega da colheita, havendo confisco de parte da produção.

– As empresas auditam e fiscalizam a cobrança de royalties – protestou ele, ao defender a uniformização do processo de remuneração aos detentores de patentes de sementes.

O presidente da Associação dos Produtores de Sementes de Mato Grosso, Pierre Narie Jean Patriat, apontou o domínio que as empresas que controlam os transgênicos exercem sobre os produtores. As empresas, explicou ele, licenciam a produção de variedades de interesse do setor produtivo, mas apenas as opções disponibilizadas pelas corporações.

Em 2005, apenas um quarto da soja produzida no Brasil era transgênica. A situação hoje se inverteu e 82% da soja brasileira já são geneticamente modificados. No milho, o transgênico já chega a 67% da produção e no algodão, a 32% do total. No conjunto, o Brasil é o segundo no uso de sementes geneticamente modificadas, no mundo, ficando atrás apenas dos Estados Unidos.

Escolha limitada

Glauber da Silva e Pierre Patriat discordaram da alegação de Ivo Carraro, diretor da Associação Brasileira de Sementes e Mudas, de que há liberdade de mercado, tendo o produtor amplo direito de escolha, o que também foi rebatido pelo senador Blairo Maggi (PR-MT).

– O mercado não é tão livre assim – disse o parlamentar, que defende o pagamento de royalties, mas de forma justa. Ele defendeu a revalidação das patentes, para avaliar se a tecnologia oferecida continua viável, justificando a remuneração de seus detentores.

Fundo

Para desonerar os produtores, Irineu Orth, presidente da Associação dos Produtores de Soja do Rio Grande do Sul, sugeriu a criação de fundos que remunerem detentores de patentes, pesquisadores e produtores de sementes. Seria um fundo para cada uma das commodities, abastecido por 0,5% do valor obtido na comercialização e administrado por representantes do governo federal e de entidades nacionais representativas de cada cultura.

A medida teria o objetivo de evitar conflitos judiciais como o relatado no início do debate pelo presidente da CRA, Acir Gurgacz (PDT-RO), entre a empresa Monsanto e produtores do Rio Grande do Sul, quando a Justiça Federal considerou abusiva a cobrança da taxa tecnológica sobre a comercialização da soja transgênica.

Pesquisa e segurança alimentar

Os participantes da audiência pública foram unânimes na defesa da pesquisa nacional em biotecnologia, como condição para o país competir com as multinacionais. Na opinião de Blairo Maggi, o governo deve reforçar o orçamento da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), responsável pelo conhecimento necessário ao avanço do agronegócio brasileiro. Kátia Abreu (PSD-TO) concordou com o colega.

– Um país que não tenha seu próprio patrimônio intelectual, que não tenha uma corporação forte em pesquisa, de acordo com seus climas, com suas terras, é um país que tende a ir para o atraso – frisou a parlamentar, sendo apoiada por Casildo Maldaner (PMDB-SC).

O representante da Embrapa, Felipe Teixeira, reconheceu a importância das investigações em biotecnologias, mas ressaltou a necessidade de se manter também a pesquisa sobre variedades convencionais. Ao concordar, Blairo Maggi disse que o país deve conservar um banco de germoplasma, necessário à segurança alimentar. O senador alertou para o fato de as multinacionais exigirem que o produtor de sementes deixe de produzir variedades convencionais como condição para o licenciamento da produção de sementes modificadas.

– Aí é que mora o perigo, da força que tem essa tecnologia de impedir que os sementeiros possam reproduzir as sementes convencionais. Isso é um monopólio, um crime contra o país, que precisa ser denunciado – disse Blairo Maggi.

Sobre esse assunto, o diretor executivo da Associação Brasileira de Produtos de Grãos não Geneticamente Modificados, César Borges Sousa, lembrou que os produtores já enfrentaram a falta de oferta de sementes não transgênicas e hoje se destacam no mercado mundial.

– O Brasil é líder mundial de soja convencional. 50% do farelo de soja exportado pelo Brasil são provenientes de soja não transgênica.

Em resposta a Ana Amélia (PP-RS), Souza informou que o custo de produção e a produtividade da soja transgênica e da convencional estão muito próximos.

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Agrotóxicos: um mercado bilionário e cada vez mais concentrado

25, abril, 2012 Sem comentários

Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV/Fiocruz), 18/04/2012

por Raquel Júnia

Seminário realizado na Anvisa mostra o processo de concentração da produção e comercialização de insumos agrícolas. Pesquisador alerta para risco à soberania nacional.

O mercado mundial de agrotóxicos movimentou US$ 51,2 bilhões em 2010. E o brasileiro US$ 7,3 bilhões. As seis maiores empresas – Basf, Bayer, Dow, Dupont, Monsanto e Syngenta – controlam hoje 66% do mercado mundial. E, no Brasil, as dez maiores empresas foram responsáveis por 75% da venda nacional de agrotóxicos na última safra. As gigantes do setor estão comprando as empresas menores, tanto de agrotóxicos, quanto de sementes, formando monopólios e oligopólios. Os dados foram apresentados no 2º Seminário Mercado de Agrotóxicos e Regulação, realizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), no dia 11 de abril, com a palestra do professor da Universidade Federal do Paraná Victor Pelaez.

Segundo o pesquisador, que também é coordenador do Observatório da Indústria de Agrotóxicos, a tendência é de que as grandes empresas continuem adquirindo as pequenas. “Existe um ciclo vicioso porque para baixar os preços é preciso produzir em escala maior, e, portanto, as menores empresas não têm condição de se manterem no mercado com os preços menores. Por isso cada vez o mercado se concentra mais”, explica.

Victor avalia que se por um lado esse processo de concentração representa um risco para as condições de concorrência do mercado e ainda evidencia o poder econômico e político das empresas, por outro revela também uma resposta da indústria a uma maior exigência das agências reguladoras quanto à segurança na produção e comercialização de venenos. “A trajetória tecnológica nesse ramo de atividade tem evoluído no sentido de buscar moléculas que tenham um bom desempenho agronômico, também combinado com um menor impacto ambiental e à saúde, com substâncias menos tóxicas. Os organismos regulatórios tendem a ser mais exigentes à medida que se desenvolvem novos métodos de análise, inclusive exigindo que alguns produtos sejam eliminados do mercado. Quem tem condição de atender a essas exigências regulatórias são essas grandes empresas. Isso está provocando uma tendência a maior concentração”, observa.

Para Pelaez, apesar de haver essa evidência positiva de um maior controle das agências reguladoras, o quadro é preocupante, pois as empresas passam a controlar cada vez mais também os alimentos que as pessoas vão consumir. “Essa dependência a um número muito pequeno de empresas que produzem sementes e todos os insumos é extremamente arriscado para a soberania de qualquer país, não só do Brasil. Essas empresas controlam também o comércio internacional de grãos e definem em primeira instância as políticas agrícolas e alimentares de grande parte do planeta”, alerta.

O professor mostrou durante a apresentação que quase todas as grandes corporações do ramo de agrotóxicos adquiriram empresas de sementes nos últimos anos. E aquelas que não participam desse esquema acabam ficando de fora do mercado. “Ao vender para o agricultor, a empresa faz o pacote com a semente e o agrotóxico junto, com uma série de facilidades. Isso dá uma competitividade fantástica às empresas que conseguem ter esse portfólio de produtos. É o que chamamos de economia de escopo. Elas podem dar um desconto grande num produto e ganhar dinheiro em outro produto, e com isso vai faltando espaço e recursos para as empresas que não tiverem essa estratégia”, detalha.

Dificuldade de informações 

No final do ano passado, a Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara dos Deputados aprovou um relatório sobre os impactos dos agrotóxicos na saúde. O texto aborda inúmeras evidências dos malefícios desses venenos e da falta de controle na utilização dos produtos. Dentre as inúmeras recomendações do documento, está a necessidade de melhoria das informações repassadas pelas empresas aos órgãos de fiscalização.

O tema também apareceu no seminário. De acordo com Pelaez, os dados informados pelo setor regulado à Anvisa, ao Ministério da Agricultura e ao Instituto Nacional do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), responsáveis pela fiscalização dos agrotóxicos, são divergentes. “As empresas não têm um controle muito rígido no atendimento dessa demanda. E, por outro lado, é uma demanda que exige muita atenção e cuidado na leitura do manual de preenchimento dos formulários online e também um esforço e trabalho criterioso no preenchimento das informações. O que percebemos em grande parte é uma desatenção e uma falta de cuidado nesse sentido. E os sistemas têm alguns critérios diferentes que fazem com que a empresa não consiga aportar exatamente os mesmos dados”, avalia o professor.

O pesquisador acrescenta que tanto as empresas, quanto os órgãos públicos deveriam se esforçar para aprender a usar os sistemas e para aprimorá-los. Ele reforça que o ideal é que existisse um único sistema de informações sobre a produção, comercialização e utilização de agrotóxicos. “O Ministério do Meio Ambiente não disponibiliza os dados. Portanto, se os órgãos não conseguem ter acesso aos dados uns dos outros, fica difícil. A Anvisa se viu obrigada a criar um terceiro sistema de coleta de dados, mas o racional seria um único sistema”, opina.

Controle 

Além das dificuldades no acesso às informações sobre o mercado de agrotóxicos, outro problema é a falta de estrutura dos órgãos de fiscalização brasileiros. Enquanto nos Estados Unidos a Agência de Proteção Ambiental (EPA) tem 850 técnicos, a Anvisa tem 26 e somados os profissionais do Ibama e do Ministério da Agricultura não chega a 50 o número de técnicos responsáveis por essa fiscalização. “É absurda a diferença considerando que nós temos um mercado que é 10% maior do que o mercado americano”, comenta Victor.

Outra diferença do Brasil em relação aos Estados Unidos são os valores pagos pelo registro e reavaliação dos agrotóxicos. No Brasil, o custo para registro varia entre 50 e mil dólares. Já nos EUA, esse valor chega a custar 630 mil dólares. A reavaliação e a manutenção anual não são cobradas no Brasil e nos Estados Unidos as empresas precisam pagar 150 mil dólares em caso de reavaliação e de cem a 425 dólares para manutenção anual.

Segundo Pelaez, são esses montantes que arcam com a estrutura de funcionamento da fiscalização nos Estados Unidos. “Nos EUA, conseguiram fazer com que a indústria arque com esse valor que gira em torno de US$ 14 milhões. Esses recursos são destinados para financiar programas de treinamento de agricultores e uma política mais consistente de redução do risco da utilização dos agrotóxicos. Para ter mais celeridade, maior segurança e melhor qualidade no processo, alguém tem que pagar por isso, e aqui no Brasil é a sociedade que paga. As empresas são, inclusive, isentas de IPI e têm isenção de até 60% de ICMS”, aponta.

Representantes das empresas presentes no seminário criticaram a demora da Anvisa em conceder registros de novos produtos, o que, segundo o presidente da Agência, José Agenor da Silva, de fato é uma realidade devido, entre outros motivos, à falta de estrutura da Agência. Por outro lado, José Agenor e Pelaez comentaram que muitas vezes as empresas conseguem o registro, mas não concretizam a fabricação do produto, o que torna a reclamação contraditória. De acordo com os dados apresentados no seminário, metade dos produtos com registro no Brasil não chegam às mãos dos agricultores. Além disso, 24% das empresas instaladas no Brasil não produziram nem comercializaram nenhum produto durante a última safra. “As empresas estão sempre desqualificando o trabalho da Anvisa porque ela não consegue cumprir as demandas de registro. Dizem que, ao não cumprir essa demanda, está sendo contra a agricultura nacional. Mas aí mostramos que não é bem assim, porque uma quantidade de produtos são aprovados e não são comercializados, porque não há recursos para isso”, observa o professor.

Pelaez defende a existência de critérios de prioridade para concessão de registros. Ele explica que a fila hoje é por ordem de chegada, o que ignora uma série de procedimentos fundamentais em um processo regulatório. Segundo o pesquisador, a Anvisa já divulgou essa proposta de elaboração de critérios para a fila de registro e recebeu resposta favorável de alguns setores do empresariado. “Estabelecendo prioridades podemos começar a pensar onde há um gargalo e se há possibilidade de incluir produtos menos tóxicos”, detalha.

Agricultores à mercê das empresas

Os dados sobre o mercado mundial de agrotóxicos apresentados no seminário revelam que esse comércio e o modelo de agricultura que o sustenta não mostram sinais de enfraquecimento. De 2000 a 2010, este mercado cresceu 190% no Brasil e 93% no mundo. Durante a ultima safra (segundo semestre de 2010 e primeiro de 2011), foram produzidos 833 mil toneladas de produtos em 96 empresas analisadas, do total de 130 cadastradas no país. A América Latina detém 22% do mercado mundial de agrotóxicos, sendo que o Brasil, sozinho, é responsável por uma fatia de 19%.

Para Pelaez, é fundamental discutir qual modelo de agricultura o país quer manter. “Esse modelo de agricultura não esteve aí sempre, não é a ordem natural das coisas como tentam colocar como sendo inevitável e irreversível. Pelo contrário, são escolhas econômicas e políticas que vão acontecendo ao longo do tempo. E lógico, depois de algumas décadas, passa a ser o modelo dominante”, diz.

O professor caracteriza o modelo hegemônico na agricultura mundial como altamente excludente e dependente de subsídios do poder público. “Tentativas de implantação desse modelo agrícola na África, em alguns países que não tinham recursos financeiros para subsidiar, fracassaram. A indústria de sementes, agrotóxicos e fertilizantes na verdade é subsidiada pelas populações em geral, dado o custo elevadíssimo”, explica.

Embora o quadro de concentração das empresas de agrotóxicos e sementes tenda a se intensificar na avaliação do pesquisador, as contradições dessa estratégia e os prejuízos para os próprios agricultores e para o país também estão se tornando cada vez mais evidentes. Pelaez dá o exemplo da empresa Monsanto, que aumentou recentemente em cinco vezes o preço da semente resistente ao agrotóxico glifosato, ambos – agrotóxico e semente – produzidos pela empresa. “Essa era a crônica da morte anunciada. Essa combinação que a Monsanto faz do glifosato com a semente resistente ao glifosato possibilita esse aumento de preços fantástico. Agricultores gaúchos que sempre foram extremamente favoráveis à difusão da soja transgênica resistente ao glifosato entraram com uma liminar contra o pagamento desses royalties. Isso é surpreendente porque eles sempre foram os grandes aliados desse modelo e agora estão sendo vítimas do que sempre defenderam. Isso mostra como o risco está presente”, alerta.

A ineficácia dos transgênicos e suas verdadeiras intenções

19, abril, 2012 Sem comentários

Por José Coutinho Júnior
Da Página do MST

Para o professor e pesquisador da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), Pedro Ivan Christoffoli, é preciso duvidar e questionar as informações existentes sobre alimentos transgênicos. Em entrevista concedida à Página do MST, o professor discute o porquê do uso dominante dos transgênicos na agricultura brasileira, a falta de liberdade para pesquisar o assunto e reflete sobre a atual situação da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária). Confira a entrevista:

Como você analisa o discurso das empresas de que os “transgênicos são a tecnologia para acabar com a fome”?

Na verdade, usam-se dois argumentos que tem se mostrado falsos: o de que o transgênico vem para diminuir o uso de agrotóxicos e que eles vem para acabar com a fome. Ambos argumentos são fortes, pois quem não é contra o uso de agrotóxicos e quem não quer acabar com a fome? Só que se olharmos os dados da soja – o transgênico mais bem implementando e sucedido no mundo, que ocupa mais área e está sendo plantado há 10 anos -, os dados de produção são menores do que os da semente normal. São dados de pesquisas científicas dos países, como EUA e Brasil.

A soja não aumenta a produtividade; pelo contrário, esta diminui por volta de 3% a 4 %. Isso se dá por vários fatores, como o tipo de variedade de soja que foi engenheirada e problemas fisiológicos resultantes do processo de transgenia, pois não há certeza de onde você está mexendo quando se faz engenharia genética. Isso provoca mudanças nas plantas que causam diminuição de produtividade. O argumento de diminuição da fome é inválido devido à queda de produtividade na soja. O mundo deixou de produzir soja, não aumentou.

Então por que os agricultores plantam?

Porque nos primeiros anos a soja transgênica apresentava diminuição no custo de aplicação de herbicidas. No cálculo econômico, o saco de soja saía mais barato. Ao longo dos anos, o frequente uso do herbicida glifosato fez com que certas plantas resistissem a ele, então foi necessário aumentar o uso, ou mesmo utilizar outros venenos. O efeito da aplicação dos herbicidas nos transgênicos é uma curva em U: primeiro há uma baixa, para depois voltar a subir. Aí começam a surgir mais herbicidas para matar as ervas daninhas que ficaram resistentes a outros produtos. E a indústria continua pesquisando outros tipos de veneno, pois a natureza não fica parada; ela encontra brechas para poder emergir.

Outro motivo do uso dos transgênicos é o monopólio de sementes por parte das empresas. Quando se vai procurar semente convencional, muitas vezes não se encontra. Muitos médios e grandes produtores preferiam a soja convencional porque elas produziam muito mais a um preço menor. À medida que as sementes ficam escassas, os agricultores não têm opção a não ser os transgênicos. Então a questão dos transgênicos não é aumentar a produtividade, é monopolizar o mercado. 80% da produção de sementes do mundo está concentrado em seis, sete empresas. O Brasil tinha centenas de empresas produtoras de sementes, que foram compradas pelas transnacionais.

O mundo está ficando dependente da vontade de poucas empresas que determinam que tipo de semente estará no mercado, se vai ser transgênica ou não, e que tipo de transgênico, porque daqui há pouco a Monsanto lança a RR2, que tem uma cobrança de royalties muito maior, e tira a RR1 do mercado. A Monsanto controla a semente, ofertando o que ela quer, pela taxa que ela quer. O agricultor fica controlado por um punhado de empresas que dominam a tecnologia e os preços. Quem ganha com isso são as transnacionais que detém essa tecnologia, algumas empresas que fabricam agrotóxicos, mas perdem a natureza e os pequenos agricultores, que vão sendo forçados a usar transgênicos ou sair do mercado convencional.

O que Estado e sociedade devem fazer para monitorar as empresas e os transgênicos?

Para o capital, os transgênicos foram um achado, pois a engenharia genética abre todas as possibilidades de manipulação da natureza. Agora, isso é seguro? Uma vez que se introduz transgênicos, que são seres vivos, é muito difícil, praticamente impossível, de removê-los do ecossistema, pois esses organismos se auto-reproduzem. Eles se espalham pelo mundo e você perde o controle. A sociedade tem que controlar isso, tem que acompanhar; não pode deixar na mão das empresas, porque elas querem lucro. Se descobrirem mais tarde que os transgênicos fazem mal à saúde, o ônus será da sociedade.

Na ciência, existe o princípio da precaução. Se não temos certeza que os transgênicos fazem mal à saúde, o princípio da precaução diz que você deve agir no sentido de evitar que o dano aconteça, e não liberar barreiras. O argumento que se usa é simplório: ‘há mais de 10 anos tem transgênicos e não apareceu nada ainda’. Só aparece se a gente procurar, e ninguém está procurando. O Estado brasileiro não pode ficar a mercê da multinacional, do capital. O Estado está indo a reboque dos interesses das grandes empresas. Se há interesse nessa tecnologia, e eu acho que tem que haver do ponto de vista da pesquisa, deve existir uma série de protocolos de segurança antes da liberação acontecer. O que acontece hoje é muito superficial.

A questão é que há muita controvérsia científica, e quando isso ocorre o princípio da precaução intervém no sentido de aprofundar a pesquisa para se ter certeza de que a tecnologia é segura. O Governo brasileiro não faz nada disso. Ele devia exigir mais dados das organizações que querem a liberação dos transgênicos, e nós, como cidadãos, devemos exigir do Estado ações concretas de regulação.

Muitas das pesquisas sobre transgênicos são financiadas pelas próprias empresas. Qual o efeito desses estudos enviesados na discussão dos transgênicos?

Há tentativas dessas empresas em barrar pesquisas independentes com transgênicos, usando o argumento de que elas são proprietárias daquele código genético. O acordo da OMC (Organização Mundial do Comércio) diz que qualquer pesquisa que utilize patentes pode ser vetada pela empresa. Essa lógica atenta contra a pesquisa científica. Se eu quero fazer uma pesquisa para saber se há problemas nos transgênicos, mas as transnacionais se negam a liberar seu material e acesso aos resultados caso eles sejam contrários aos seus interesses econômicos, como é possível confiar nos dados que vem a público?

Há claramente um problema de restrição da liberdade científica. Há denúncias de que a Monsanto tentou destruir reputações de cientistas que vão contra a sua noção de entendimento da realidade. No México, pesquisadores notaram contaminação do milho ancestral pelos transgênicos, e a Monsanto chegou a contratar empresas especializadas em fazer marketing viral contra os pesquisadores. São práticas terroristas de destruição dos pesquisadores independentes. Temos toda a razão de duvidar do viés destas pesquisas.

Outro fato que eu considero grave é o acordo Monsanto-Embrapa, que é uma empresa pública. A Embrapa é guardiã de uma base genética de várias espécies brasileiras que são patrimônio do povo e até da humanidade. A Embrapa faz um acordo para poder utilizar o gene RR da Monsanto. Só que esse acordo é lesivo ao interesse público brasileiro, porque os royalties do gene RR obrigam a Embrapa, quando quiser utilizar o recurso das espécies criadas que usaram o gene da transnacional, a passar por um comitê do qual faz parte a Monsanto, que tem de concordar com a destinação daquele recurso. Este recurso é público, pois não é só o gene criado pela Monsanto que está ali; há toda uma base genética que já era de controle da Embrapa, e a Monsanto que determina, tendo poder de veto inclusive, para onde vai o recurso. Mais grave ainda: se os pesquisadores da Embrapa trabalharem com material genético da empresa, eles não podem divulgar livremente os resultados. Eles devem submeter isso a análise do comitê. A Monsanto pode então vetar estudos de uma empresa pública brasileira.

Por que a Embrapa perdeu força e foi absorvida por empresas estrangeiras?

Há três motivos: o primeiro, o corte de verbas públicas para a pesquisa da questão agrícola, impulsionado pela onda neoliberal nos anos 90, o que estrangula a Embrapa. O segundo elemento é o volume de recurso necessário para a tecnologia na época. Hoje ela está mais barata, mas antes era caríssimo e o resultado era incerto. A Embrapa não tinha condição de operar neste nível. Por fim, há a opção da Embrapa de se associar à Monsanto, o que é nocivo, pois lega a empresa brasileira a um papel de subordinação aos interesses da transnacional.

Se tivéssemos um programa público de agroecologia com o peso da Embrapa, seria muito importante e colocaria o Brasil na vanguarda da produção de orgânicos do mundo. Infelizmente nisso a Embrapa também peca: no governo Lula, por causa da pressão dos movimentos sociais, foi criado o marco referenciado a agroecologia. Mas o peso do orçamento é muito pequeno: quando participava do conselho da Embrapa,  de 2004 a 2008, apenas 8% do orçamento da entidade era direcionado à agricultura familiar; os outros 92% iam para o agronegócio. A proporção que ia para a agroecologia não chegava a 1%, o que limita a produção de tecnologias que possam criar um desenvolvimento sustentável para o país.

A Embrapa tem um problema de direcionamento político. A agricultura familiar no Brasil não é 8%; a capacidade produtiva, de geração de empregos e de proteção ao meio ambiente é muito mais do que isso. A Embrapa está descalibrada, infelizmente a favor de um modelo que para mim é insustentável.

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Monsanto é alvo de investigação por suspeita de venda casada

23, março, 2012 2 comentários

Apuração é da Secretaria de Direito Econômico; empresa nega

FOLHA DE SÃO PAULO, 23/03/2012

A SDE (Secretaria de Direito Econômico), do Ministério da Justiça, investiga a multinacional Monsanto pela prática de venda casada.

Segundo denúncia recebida pelo órgão, a empresa estaria obrigando agricultores a comprar sementes transgênicas para ter acesso às convencionais.

A Folha apurou que a averiguação é preliminar e corre sob sigilo. Procurada, a secretaria não quis comentar.

A Monsanto disse que não faz venda casada e que não tomou conhecimento de nenhuma investigação da SDE.

Se o órgão entender que há indícios de prática anticoncorrencial, poderá enviar parecer ao Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) pedindo a punição da multinacional. Se condenada pelo conselho, a empresa de biotecnologia poderá ter que pagar multa de até 30% de seu faturamento.

DENÚNCIA

Em 2010, produtores de soja recorreram ao Cade contra o que chamavam de práticas abusivas da Monsanto. Na época, a empresa foi acusada de exigir que o agricultor apresentasse uma área plantada de 85% de transgênicos para que pudesse comprar sementes tradicionais.

Eles também denunciavam a cobrança de royalties muito altos, o que seria abusivo e impediria o acesso ao mercado de produtores menores. A reportagem tentou contato com a Aprosoja (Associação Brasileira dos Produtores de Soja), que representa o setor, mas o porta-voz da associação estava indisponível.

A Monsanto já foi investigada e punida pelo Cade por outras práticas consideradas prejudiciais à concorrência.

Em 2005, o conselho determinou que a multinacional retirasse de seus contratos cláusulas de exclusividade para a venda de ácido glifosato, que é usado na produção de herbicidas.

No ano seguinte, o Cade proibiu a celebração de acordos da Monsanto com comercializadores de semente e centros de pesquisa que impediam a utilização de tecnologia de transgênicos de outras empresas.

De Agricultor para Agricultor – A verdade sobre as culturas transgénicas

14, março, 2012 Sem comentários

Vídeo enviado pela Plataforma Transgênicos Fora, de Portugal

Reflexos de um mercado de sementes nas mãos de poucos

13, fevereiro, 2012 Sem comentários

MT Agora, 12/20/2012

Escassez de sementes preocupa agricultores

Com o avanço da demanda, empresas responsáveis pela comercialização estão cancelando os pedidos e oferecendo produtos de qualidade inferior para não deixar o produtor na mão.

Produtores de milho em Mato Grosso temem atraso no plantio ou perda de produtividade em decorrência da falta de sementes. Com o avanço da demanda, empresas responsáveis pela comercialização estão cancelando os pedidos e oferecendo produtos de qualidade inferior para não deixar o produtor na mão.

Presidente da Associação do Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja/MT), Carlos Henrique Fávaro, explica que houve aumento até abusivo no preço da sementes, mas que isso é consequência natural do mercado devido ao crescimento na demanda. Segundo ele o que preocupa, na verdade, é o não cumprimento dos compromissos na entrega das encomendas e possível atraso.

“Até mesmo os levantamentos de safra estão incertos porque os produtores estão de pendendo das sementeiras. Preocupação é se as entregas serão ou não feitas a tempo”. Data recomendável para semear o milho é 20 de fevereiro, mas o analista da CONAB, Petrônio Sobrinho acredita que esta data será ultrapassada, mesmo que os agricultores corram riscos de perder na produtividade.

Gerente do sindicato rural de Campo Novo do Parecis (a 384 km de Cuiabá), Antônio de La Bandeira, explica que os produtores estão reclamando principalmente da troca na hora de entregar os pedidos. “Como estão esgotando as sementes de primeira linha, as empresas oferecem produtos de qualidade inferior para garantir a venda e os produtores aceitam para não perder tudo“.

Fávaro revela que, como se prepararam para o plantio, com a compra de insumos e planejamento, os produtores não podem perder o investimento e aceitam a semente, mesmo que não seja a que foi pedida. De acordo com a Agroceres Sementes [comprada pela Monsanto], que atende o Estado, os clientes e distribuidores estão sendo abastecidos conforme o cronograma, sendo que o planejamento é feito com pelo menos 1 ano de antecedência. Segundo a assessoria, a região de Mato Grosso registrou aumento no volume de sementes em cerca de 30% em relação à safra passada e a empresa desconhece a falta dos híbridos.

 

O sucesso da tecnologia ou a força do monopólio?

2, agosto, 2011 Sem comentários

A resposta está na própria declaração da Pioneer. A empresa afirma que, para o próximo plantio, entre 85 a 90% das sementes de milho ofertadas serão transgênicas. Sobra o que?

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VALOR ECONÔMICO, 02/08/2011, Gerson Freitas Jr.

Milho transgênico chega a 65% da safra

A adoção do milho transgênico pelos agricultores no Brasil avança em ritmo surpreendente. Apenas quatro anos desde a sua liberação pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), as sementes geneticamente modificadas deverão ocupar aproximadamente dois terços da área destinada à cultura na safra 2011/12.

Ao todo, somando-se os plantios de verão e inverno, mais de 9,1 milhões de hectares deverão ser plantados com milho transgênico, uma expansão de 21,4% em relação à temporada passada.

Já na safra de verão, que começa a ser cultivada nas próximas semanas, cerca de 54% das lavouras de milho deverão serão transgênicas, em comparação aos 44,5% no ano passado. Na de inverno, cujo plantio acontece no primeiro trimestre de 2012, o índice pode chegar a 80,4%, ante 74,9% na última temporada.

Os números constam em um levantamento realizado pela consultoria mineira Céleres, obtido com exclusividade pelo Valor, sobre a adoção da biotecnologia no Brasil. De acordo com a pesquisa, que leva em conta as estimativas de oferta por parte da indústria de sementes e expectativa de demanda por parte dos produtores rurais, os transgênicos deverão responder por mais de 70% das vendas de sementes neste biênio.

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Monsanto prevê 80% de soja transgênica no Brasil

21, fevereiro, 2011 Sem comentários

Soja transgênica chegará a 80% no Brasil

BRASIL ECONÔMICO, 21/02/2010.

A previsão, válida para a safra deste ano, é da Monsanto, maior produtora de sementes do mundo. Hoje, é cerca de 70%. A expansão, segundo a companhia, é resultado da oferta de maior variedade de sementes. As variedades que melhor se adaptam ao Centro-Oeste estão chegando ao mercado e isso nos ajudará a expandir a presença da soja geneticamente modificada, disse o presidente da empresa no país, André Dias. O Centro-Oeste produz 47% da soja brasileira.

Monsanto cobra royalties duas vezes dos produtores

12, fevereiro, 2011 2 comentários

DIÁRIO DE CUIABÁ, 12/02/2011.

Pagamento de royalties pode ter alcançado R$ 600 milhões em Mato Grosso

Os produtores mato-grossenses defendem “transparência” nas demonstrações de cobrança de royalties à Monsanto, correspondente a um percentual sobre a rentabilidade da soja pelo uso da tecnologia roundup ready, desenvolvida pela multinacional. Estima-se que somente na safra 2009/2010 o pagamento de royalties tenha alcançado a cifra de R$ 1 bilhão no Brasil, cerca de R$ 600 milhões em Mato Grosso.

Segundo o agrônomo Naildo Lopes, da Aprosoja (Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado), os sojicultores pagam royalties duas vezes à Monsanto: a primeira na hora da aquisição dos produtos para a produção de grãos transgênicos (geneticamente modificados), e a outra sobre o excedente da produtividade estimada.

“Se o produtor produzir até 49,3 sacas por hectare, ele paga R$ 18 por hectare, usando 40 quilos de sementes OGMs (Organismos Geneticamente Modificados). Se a produtividade for maior e ele produzir 60 quilos [sacas], por exemplo, paga à Monsanto R$ 21,89. Ou seja, se o produtor for eficiente e produzir mais, ele acaba penalizado e paga royalties duas vezes”.

Lopes não discorda do pagamento de royalties à Monsanto. “Defendemos apenas que o pagamento não incida duas vezes sobre a mesma produção, por isso queremos transparência nas cobranças. O produtor precisa saber antes de plantar, quanto ele pagará em royalties para fazer o planejamento de seus custos na safra”.

O produtor Rogério Auri Milanesi sempre foi um defensor do uso das sementes OGMs, mas diz que, com o tempo, o lucro diminuiu. Os agricultores que usam as sementes com a tecnologia roundup ready desenvolvida pela Monsanto pagam 2% sobre o total da comercialização dos grãos para a multinacional, correspondentes ao royalties pela utilização da tecnologia roundup ready.

“A soja transgênica trouxe um ganho quando foi lançada no Brasil. O problema é que logo as margens são abrangidas pelo mercado. E hoje se nós pegarmos essa parte da rentabilidade da soja que dá e sobra para o produtor por ano por hectare de 5 a 10 sacas e nós pegarmos 2% sobre o que é pago por total bruto da produção, ele vai atingir mais ou menos 13% da receita líquida. Os 2% se transformam porque eles são pegos do bruto e não da receita líquida”, explica o produtor.

O glifosato é usado na agricultura em pulverizações para limpeza do terreno no pré-plantio, no manejo da vegetação em rotação de culturas, na dessecação na pré-colheita de cereais e para o controle geral das invasoras em cultivares. Segundo Marcelo Monteiro, o glifosato garante melhor produtividade e maior preservação do solo, daí a preferência dos produtores pelo uso do herbicida.

MONOPÓLIO

A Monsanto e a Nortox detêm 100% da produção nacional de glifosato ácido e 64% da produção de glifosato formulado na concentração de 36%. O glifosato ácido é a base de todas as formas comerciais de glifosato (sais e formulados, torta, pó e solução), que são produzidos por outras quatro empresas no país.

Na avaliação dos produtores, o aumento de preços do herbicida possui relação com a estratégia da Monsanto no Brasil.

Além de possuir patentes sobre os genes que conferem resistência das plantas ao glifosato, há registro no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) de pelo menos outras 32 patentes de invenção envolvendo o glifosato sob domínio da Monsanto. Elas tratam, por exemplo, de diferentes formulações, armazenamento, remessa, processos para produção e preparação de glifosato e até métodos para produzir plantas tolerantes ao produto. Isto permite à empresa dominar praticamente todas as etapas de produção do herbicida.

Empresas financiam cultivo de não-transgênicas no Mato Grosso

31, janeiro, 2011 1 comentário

DIÁRIO DE CUIABÁ, 30/01/2011

A maior processadora de soja não transgênica do país, Imcopa, é uma das empresas financiadoras do programa Soja Livre. Em parceria com a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), Aprosoja (Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado de Mato Grosso), Abrange (Associação de Produtores de Grãos Não Geneticamente Modificados) e outras organizações, o projeto fomenta o desenvolvimento e cultivo de novas variedades de soja convencional, livre de organismos geneticamente modificados, para assegurar ao produtor o direito de escolha entre soja convencional ou transgênica.

“Queremos garantir que o consumidor final possa decidir se deseja ou não consumir o produto transgênico”, afirmou José Enrique Marti Traver, diretor de operações da Imcopa. De acordo com ele, a necessidade de um projeto dessa natureza decorre de uma distorção na legislação Brasileira que regula o mercado de sementes. “Por um lado as sementes de produtos convencionais são enquadrados na legislação de novas cultivares (sementes), enquanto que as sementes de produtos transgênicos são enquadrados na Lei de Propriedade Intelectual, o que permite a obtenção de patentes e cobrança de royalties por um período de 10 anos”, esclareceu Traver.

Na regulamentação das cultivares convencionais essa proteção não existe, o que leva os sementeiros a desenvolver sementes transgênicas, que lhes garante a propriedade intelectual e o retorno dos investimentos.

“Cerca de 90% das novas variedades de semente de soja introduzidas no mercado a cada ano são transgênicas, o que ameaça a continuidade do produto convencional. A médio prazo isso implicaria na extinção dessas sementes”, complementou o diretor da empresa.

As empresas e entidades que participam do programa Soja Livre se comprometem a financiar, desenvolver e produzir novas e competitivas variedades de soja que se adequem às necessidades de cada região produtora.

De acordo com a processadora, as empresas participantes do projeto garantem a compra da soja não transgênica com pagamento de prêmio ao produtor. “A iniciativa vai ao encontro dos exportadores de soja convencional e seus derivados para o mercado europeu, onde a rejeição aos trânsgênicos é mais acentuada e crescente”, comentou Traver.

Soja transgênica

O Brasil é o segundo maior produtor mundial de soja. Da safra de 68 milhões de toneladas neste ano, 65% são soja transgênica, produzida principalmente a partir de sementes que incorporam tecnologias desenvolvidas pela empresa Monsanto. A empresa recebe royalties pelo uso da tecnologia, e os agricultores temem que a escassez de sementes não transgênicas os deixe nas mãos da multinacional.

“Em poucos anos estaremos totalmente dependentes das multinacionais que trabalham com biotecnologia”, afirmou Blairo Maggi, ex-governador e produtor de soja. Ele admitiu que a soja transgênica tem um “papel importante’, mas lembrou que as variedades naturais não devem ser abandonadas, pois valem mais.

A Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), que lançou um programa para estimular a produção de sementes não transgênicas de soja, irá desenvolver vários tipos de sementes convencionais, adequadas às diferentes condições de cultivo e ampliará sua produção em instalações próprias por meio de empresas parceiras.

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Europeus evitam os transgênicos

Principal mercado comprador da soja convencional de Mato Grosso, a Europa tende cada vez mais a optar pelos alimentos não-transgênicos ou orgânicos. A verdade é que a soja OGM não é bem aceita pelo consumidor europeu. Boa parte desse mercado aceitava soja transgênica, mas, com a entrada em vigor da lei de rotulagem e de rastreabilidade imediata de transgênicos, e uso de código identificador único, até o mercado de farelo para ração de animais está comprando soja convencional em razão da ração precisar ser rotulada como contendo OGM (Organismo Geneticamente Modificado) e a forte rejeição do público consumidor europeu contra os transgênicos.

O maior mercado para soja transgênica mato-grossense, que a aceita sem restrições, é a China, embora recentemente tenha colocado e retirado restrições a transgênicos na mesa várias vezes. De acordo com os especialistas a China é um importante parceiro comercial de Mato Grosso e já é um grande mercado comprador que alivia a pressão do mundo desenvolvido sobre a economia brasileira, haja vista a vitória do Brasil na Organização Mundial do Comércio (OMC), no caso do algodão e nas negociações envolvendo redução de subsídios à agricultura e abertura de mercado para produtos agrícolas do G-20, grupo de países liderado pelo Brasil, fortalecido principalmente pela China e depois pela Índia e África do Sul.

São os alimentos geneticamente modificados que, de um lado, agradam os produtores porque são resistentes a pragas e mais rentáveis. De outro, despertam pânico nos ambientalistas, que apontam riscos à saúde e à natureza.

“A verdade é que existem argumentos favoráveis ao cultivo dos transgênicos, mas também existem razões para se defender a proteção de algumas áreas, em que os GRÃOS seriam totalmente puros. O principal aspecto a ser considerado em favor dos alimentos geneticamente modificados é o potencial de expansão da safra agrícola. Os GRÃOS modificados têm maior resistência a pragas e necessitam de menos herbicidas, o que teoricamente barateia os custos de produção. Mas isso não é uma verdade”, afirma o agrônomo Pedro Paulo Tirloni Júnior, que dá assistência a lavouras de soja na região do Médio Norte de Mato Grosso.

Mas, segundo ele, existem também aspectos econômicos em favor da produção de alimentos convencionais, “uma vez que alguns dos principais mercados importadores, especialmente Europa e Japão, favorecem as compras de produtos com certificação não-transgênica”.

(MM)

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