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Arquivo de 8, abril, 2011

Lançada campanha nacional permanente contra o uso de agrotóxicos

8, abril, 2011 1 comentário

Raquel JúniaEscola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio – EPSJV/Fiocruz

Movimentos sociais e pesquisadores afirmam que é possível e urgente produzir sem venenos que afetam a saúde humana e do meio ambiente

08/04/2011

Suco de frutas, verduras, legumes, cereais. Alimentação saudável? Nem sempre. Lançada nesta semana, no Dia Mundial da Saúde (7 de abril), a Campanha permanente contra o uso de agrotóxicos e pela vida, pretende alertar que o veneno usado nos cultivos agrícolas brasileiros prejudica muito a saúde das pessoas e do meio ambiente.  De acordo com a organização da campanha, com os atuais níveis de utilização de agrotóxicos, cada brasileiro consome em média 5,2 kg de veneno por ano e o Brasil foi considerado em 2009, segundo o sindicato dos próprios produtores de defensivos agrícolas, o maior consumidor destas substâncias pelo segundo ano consecutivo. A campanha é organizada por mais de 20 entidades e movimentos sociais, que pretendem realizar atividades em todo o país para conscientizar sobre a necessidade de outro modelo de produção agrícola, sem utilização de veneno e baseado no respeito aos direitos humanos e ao meio ambiente, para aí, sim, produzir alimentos verdadeiramente saudáveis.

A campanha escolheu o Dia Mundial da Saúde, para lançar oficialmente as atividades.  Mas, mesmo antes da data, seminários, palestras e outros eventos tiveram como tema o prejuízo dos agrotóxicos à saúde.  Em Brasília, uma passeata contra o uso de agrotóxicos e em defesa do código florestal reuniu mais de duas mil pessoas. A atividade fez parte da Jornada contra o Uso de Agrotóxicos, em Defesa do Código Florestal e pela Reforma Agrária, realizada nos dias 6 e 7 de abril. O professor do Departamento de Saúde Coletiva da Universidade de Brasília, Fernando Carneiro, presente nas atividades da jornada, conta que os eventos foram lotados. Para ele, lançar a campanha no Dia Mundial da Saúde é muito simbólico. “Quando se fala de saúde da nossa população sempre se associa à fila de hospitais, mas hoje [7 de abril] foi uma manhã histórica porque estávamos discutindo verdadeiramente o conceito ampliado de saúde, discutindo o modelo agrícola brasileiro, o que este modelo tem gerado em termos de impacto às populações e as dificuldades do próprio sistema de saúde em notificar os problemas decorrentes do uso de agrotóxicos”, detalha.

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Materiais de comunicação da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela VIda

8, abril, 2011 Sem comentários
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Brasil é o país que mais usa veneno no mundo

8, abril, 2011 Sem comentários

AGÊNCIA CÂMARA, 07/04/2011

Participantes de audiência pública da Comissão de Seguridade Social e Família, nesta quinta-feira, divergiram radicalmente sobre o uso de agrotóxicos no Brasil.

Enquanto a Confederação Nacional da Agricultura (CNA) defendeu a modernização do uso desses insumos, um representante da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e uma deputada apontaram os efeitos negativos para a saúde humana. Já o representante dos pequenos agricultores defendeu o fim do uso dos agrotóxicos.

O tema foi discutido como parte do Dia Mundial da Saúde, comemorado hoje. Na audiência, foi ressaltada a influência dos agrotóxicos na qualidade de vida dos brasileiros.

O Brasil é o país que mais consome esses produtos no mundo. Foram usados cerca de 1 bilhão de litros em 2009, segundo dados do Sindicato Nacional para Produtos de Defesa Agrícola.

Consequências neurotóxicas

De acordo com o diretor da Anvisa José Agenor Álvares, os agrotóxicos podem provocar tontura e dor de cabeça, consequências conhecidas como neurotóxicas. “São questões neurológicas ou mutagênicas, que podem alterar alguns genes das pessoas.”

Segundo dados da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), 115 pessoas morreram contaminadas com agrotóxicos e quase 4 mil ficaram intoxicadas com o produto em 2009. Pesquisas da Anvisa também mostram contaminação acima da permitida por lei em alguns alimentos, como o pimentão.

Um estudo divulgado no mês passado, mostrando que a contaminação por agrotóxicos vai além da alimentação, preocupa a deputada Celia Rocha (PTB-AL). Segundo ela, “pesquisadora da Universidade Federal do Mato Grosso detectou no leite de 62 mulheres a presença de dois a seis tipos de agrotóxicos, inclusive um proibido no Brasil desde 1999”.

Fim dos agrotóxicos

O representante da Secretaria Nacional do Movimento dos Pequenos Agricultores, Valter Israel, lembrou que o Dia Mundial da Saúde marcou o lançamento de uma campanha permanente contra o uso de agrotóxicos.

Ele ressaltou que é possível produzir de maneira diferente. “A nossa discussão não é a do agrotóxico genérico, que está rolando por aí. Não é de como nós vamos organizar a produção com agrotóxico com baixo custo, e sim de como vamos organizar a produção sem agrotóxicos.”

Modernização do Uso

Já o representante da Confederação Nacional da Agricultura, Aléssio Maróstica, diz que é impossível produzir alimentos para os brasileiros e para exportação sem usar esses defensivos químicos.

Segundo ele, é necessário “modernizar a aplicação” dos defensivos agrícolas existentes e já em uso no Brasil. “Sem os agrotóxicos, vai ser muito difícil nós termos alimentação para todos”, diz Aléssio.

Subcomissão

O debate desta quinta-feira foi o ponto de partida de uma subcomissão especial criada para avaliar as consequências do uso de agrotóxicos para o País. O presidente do colegiado, deputado Padre João (PT-MG), informou que, nos próximos meses, os deputados vão analisar a relação dos agrotóxicos com os trabalhadores, com o meio ambiente e com os consumidores dos produtos agrícolas.

Ao final dos trabalhos da subcomissão, acrescentou o parlamentar, será divulgado um relatório que mostre quais pontos da lei e da ação do Estado devem ser melhorados na área.

Reportagem – Ginny Morais
Edição – Newton Araújo

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Bayer e Syngenta anunciam acordo

8, abril, 2011 Sem comentários

Para combater os problemas provocados pela soja transgênica tolerante a herbicidas, as empresas anunciam a criação de mais uma soja transgênica tolerante a herbicidas.

 

Depois do glifosato, teremos sojas tolerantes a imidazolinonas (desenvolvida em parceria pela Basf e pela Embrapa), sojas tolerantes a sulfonilureias (da Coodetec), soja tolerante ao dicamba (desenvolvida pela Monsanto com a Basf) e, se a CTNBio quiser, até “soja laranja” tolerante ao 2,4-D, componente do famoso agente laranja da guerra do Vietnã (saiba mais – Boletim 530).

 

A última “inovação” deste grupo é a soja tolerante ao herbicida HPPD, desenvolvida em parceria pela Syngenta e pela Bayer.

 

É o que informa reportagem do Valor Econômico de 08/04/2011 que segue logo abaixo (disponível na íntegra em Pratos Limpos).

 

Uma observação que faltou à matéria do Valor (abaixo) foi a de que, nos EUA, já está sendo verificada resistência de Amaranthus (caruru) ao HPPD. A resistência do mato ao produto foi comprovada por pesquisadores da Universidade de Illinois em julho de 2010 e divulgada em diversos meios eletrônicos nos EUA (por exemplo, AgWeb, 19/07/2010). A novidade da Syngenta e da Bayer é mais uma tecnologia que decerto não vai longe, mas deixará grandes estragos.

VALOR ECONÔMICO, 08/04/2011

Alexandre Inacio

O aumento da resistência de ervas daninhas ao glifosato fez com que duas gigantes do mercado de defensivos, sementes e transgênicos se unissem para desenvolver uma nova tecnologia para a soja. Ontem, a alemã Bayer CropScience e a suíça Syngenta anunciaram um acordo global para desenvolver uma semente de soja resistente ao herbicida HPPD. Os valores envolvidos no projeto não foram divulgados, mas a expectativa é que o produto seja lançado nos EUA na segunda metade desta década.

 

O HPPD é a sigla para a enzima hidróxi fenil piruvato dioxigenase. O defensivo, que leva o mesmo nome, age sobre essa enzima, interrompendo o ciclo de fotossíntese, matando assim as plantas expostas a ele. Com a tecnologia, a soja ganhará tolerância ao defensivo, sobrevivendo mesmo após as aplicações, que matará apenas as ervas daninhas.

 

Pelo acordo, a Syngenta e Bayer combinarão suas tecnologias já existentes e experiências no setor para desenvolver o novo sistema de tolerância ao herbicida. Cada uma das partes, no entanto, terá o direito de adotar a estratégia comercial que for mais conveniente. As duas multinacionais terão a co-propriedade da tecnologia, podendo utilizá-la dentro de suas respectivas linhas de produtos, podendo, no futuro, licenciá-la para outras companhias.

 

Em nota, o diretor-executivo da Syngenta, Davor Pisk, disse que a nova tecnologia transgênica “será uma ferramenta importante para os produtores de soja que enfrentam pressão crescente com ervas daninhas resistentes”. “Vai ampliar as opções disponíveis para agricultores e expandir a oportunidade no mercado para nosso herbicida líder”, disse Pisk no comunicado. Ainda em nota, Lykele van der Broek, diretor-executivo da Bayer CropScience disse que com a colaboração a empresa permitirá um complemento ao portfólio de herbicida para a soja.

 

A decisão em criar uma soja tolerante a um novo herbicida decorre o rápido crescimento de ervas daninhas resistentes ao glifosato. Estimativas das indústrias indicam que já existam hoje pelo menos onze espécies de ervas daninhas resistentes ao glifosato nos Estados Unidos. O problema já cobriu uma área de quase 3 milhões de hectares na última safra e as expectativas é que atinja mais de 15 milhões de hectares em 2013.

 

O princípio da tecnologia que está sendo desenvolvida pelas empresas europeias é semelhante à criada pela americana Monsanto, com o glifosato. A diferença, contudo, é que o glifosato inibe a produção de uma enzima que sintetiza aminoácidos necessários ao desenvolvimento dos vegetais.

 

Também no caminho de ser uma alternativa ao glifosato, a alemã Basf desenvolveu em parceria com a Embrapa uma soja resistente a seu herbicida. A tecnologia foi liberada em 2009 e tinha previsão de lançamento na safra 2011/12. O lançamento foi adiado em um ano para que fossem obtidos os registros nos países importadores.

Liminar suspende novos plantios de eucalipto em Guaratinguetá – SP

8, abril, 2011 Sem comentários

LIMINAR EM AÇÃO CIVIL PÚBLICA DE GUARATINGUETÁ SUSPENDE PLANTIOS FUTUROS DE EUCALIPTOS EM TODO O MUNICÍPIO

Foi acolhido o pleito de liminar formulado pela Defensoria Pública do Estado na Ação Civil Pública Ambiental nº 0000950-48.2011.8.26.0220 da Vara 1ª Vara Cível da Comarca de Guaratinguetá,  tendo o Poder Judiciário local determinado à FIBRIA CELULOSE S.A a imediata suspensão de todo e qualquer plantio de eucalipto no território do município, em empreendimentos presentes ou futuros, e que se abstenha de realizar quaisquer cortes de eucaliptos na Fazenda Santa Rita V, situada no Bº do Mandu, até a realização de EIA/RIMA – Estudo de Impacto Ambiental, junto com as correlatas audiências públicas,  em cada empreendimento silvicultural do município, sob pena de multa diária de R$ 15.000,00.

A Liminar também impõe ao Estado de S. Paulo e Município de Guaratinguetá a obrigatoriedade, através de seus órgãos próprios, de fiscalizar o cumprimento da ordem liminar e respeitar as normas ambientais, suspendendo quaisquer licenciamentos ambientais à empresa de celulose até a realização dos Estudos de Impactos Ambientais, como postulado pela Defensoria Pública.

Essa ação foi ajuizada em 3.2.2011 em razão de denúncias feitas à Defensoria Pública pelo pequeno campesinato,  noticiando que após a implantação de vastas áreas do eucalipto na região, começou a diminuição do abastecimento  d’água potável nas fazendas vizinhas, contaminação do lençol freático com agrotóxicos e metais pesados e êxodo de animais silvestres, fugindo das áreas de monocultivo, gerando impactos ambientais sem precedentes na região.

A Defensoria Pública constatou, em levantamento de campo, que a empreendedora do monocultivo possui mais de 6 mil hectares de terras recobertas com eucalipto, aproximadamente  12% do território do município, sem controle algum pelos Poderes Públicos. Constatou-se também que o monocultivo do eucalipto foi implantado em zonas localizadas em Áreas de Preservação Ambiental como Topos de Morro, o que gera impactos ambientais severos no ecossistema e desequilíbrio no nível do lençol freático.

A Defensoria Pública postula, através dessa ação, um maior controle sobre o avanço do monocultivo pelo Estado de S. Paulo e Município, com a criação de mecanismos de monitoramento e prevenção dos impactos ambientais, condicionando futuras licenças ambientais à feitura de EIA/RIMA pela empreendedora, além da recomposição, pela FIBRIA, das áreas de preservação ambiental atingidas pelos eucaliptais.

 

Wagner Giron de la Torre

Defensor Público

Pça. Cel. Vitoriano, 113, centro,

Taubaté-SP- CEP 12020-020

(12) 3624-2676