Arquivo

Arquivo de janeiro, 2012

Alimentos orgânicos invadem as mesas dos niteroienses

30, janeiro, 2012 3 comentários

O FLUMINENSE | revista

Por: Natália Kleinsorgen 29/01/2012

Aumenta a consciência pelo consumo de alimentos sem adição de química. Produtos podem ser encontrados em feiras livres e lojas especializadas da cidade

Os últimos dados liberados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) foram alarmantes, mas só evidenciaram o que muita gente estava cansada de saber. Diversos tipos de agrotóxicos estão presentes nos pratos dos brasileiros, que precisam pensar em alternativas para alimentarem-se de maneira saudável. As comidas orgânicas e agroecológicas garantem a ausência de química na produção de grãos, verduras e legumes, mas elas custam caro.

Em Niterói, são raras as feiras livres que comercializam estes produtos. Em geral, eles são encontrados em lojinhas especializadas de produtos naturais, nas prateleiras dos supermercados e sacolões de grande porte. Mas nem sempre foi assim. Antes aconteciam quatro feirinhas no município – no Campo de São Bento, em Itaipu, no Horto do Fonseca e na Rua Ministro Otávio Kelly, em Icaraí. Hoje não dá para confiar na regularidade delas, que podem ser canceladas por fatores como mau tempo e pouca demanda.

Quem mora em Icaraí e Santa Rosa não tem desculpa para ficar sem orgânicos. A “Veio da Roça”, na Avenida Sete de Setembro, está desde 1986 comercializando esses produtos, vindos, principalmente, da localidade do Brejal, em Teresópolis, e da Associação de Agricultores Biológicos do Estado do Rio de Janeiro (Abio). Naquela época, poucas pessoas trabalhavam com alimentos livres de agrotóxicos. É lá que, há quatro anos, o médico Carlos Cerqueira faz suas compras de hortaliças e grãos.

Leia mais…

Categories: agroecologia, alimentação Tags:

Glifosato contamina fontes de águas subterrâneas

30, janeiro, 2012 Sem comentários

Contrariando as afirmações feitas pela indústria química e governos de diversos países no sentido de que o herbicida glifosato não se infiltra até as águas subterrâneas, novas evidências demonstram que o produto é plenamente capaz de contaminá-las.

Um novo estudo realizado por pesquisadores do Instituto de Diagnóstico Ambiental e Estudos da Água (IDAEA), em Barcelona, na Espanha, e publicado pela revista Analytical Chemistry and Bioanalytical confirma que, “embora a mobilidade do glifosato nos solos seja baixa, o produto é capaz de alcançar as águas subterrâneas”. Foram analisadas cerca de 140 amostras de água subterrânea coletadas na Catalunha. O glifosato foi encontrado acima dos limites detectáveis em 41% das amostras, com concentrações que chegaram até 2.5 μg/L (a concentração média encontrada foi de 200 ng/L).

Essa não foi a primeira vez que se demonstrou a presença de glifosato na água doce. Um outro estudo divulgado em agosto de 2011 pelo U.S. Geological Survey, órgão vinculado ao Ministério do Interior dos EUA (U.S. Department of the Interior), encontrou resíduos de glifosato no ar e em água da chuva e de riachos em zonas agrícolas da bacia hidrográfica do rio Mississippi, nos EUA. O metabólito AMPA, um produto da degradação do glifosato, altamente tóxico e que tem persistência ambiental maior que a do próprio glifosato, também foi frequentemente detectado em riachos e na chuva. A ocorrência do veneno em riachos e no ar indica que ele é transportado a partir do ponto de uso e se espalha no meio ambiente. Tanto no ar como na chuva, a frequência de detecção de glifosato variou de 60 a 100%.

No Brasil, estudo realizado pela Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo) e publicado em 2010 informa que um monitoramento realizado entre 2004 e 2005 encontrou resíduos de glifosato (além de outros agrotóxicos) nas águas do rio Corumbataí e tributários (o rio Corumbataí nasce no município de Analândia, atravessa Corumbataí, Rio Claro e Cordeirópolis e desagua no rio Piracicaba).

Segundo o relatório da Cetesb, Monteiro, Armas e Queiroz (2008) analisaram vários herbicidas em amostras de água do rio Corumbataí e principais afluentes e verificaram que a frequência de detecção e a concentração dos herbicidas foram maiores no início das chuvas intensas.

Por AS-PTA, com informações de:

Red Universitaria de Ambiente y Salud, 07/01/2012.

Controle alternativo de pragas e doenças

30, janeiro, 2012 2 comentários

Conheças as cartilhas elaboradas pela PESAGRO-RJ com receitas e modo de uso de produtos alternativos para o controle de pragas e doenças:

DEFENSIVOS ALTERNATIVOS – 23p.

URINA DE VACA: ALTERNATIVA EFICIENTE E BARATA – 12p.

PRODUÇÃO DE TOMATE ORGÂNICO – 40p.

CONTROLE DE PRAGAS DE HORTAS E DE AMBIENTE DOMÉSTICO – 21p.

 

foto: AS-PTA

Após bloqueio dos EUA, indústria do suco admite mudar fungicida

28, janeiro, 2012 Sem comentários

Mais um exemplo de duplo padrão da indústria: os produtos melhores vão para fora.

Foto: Jornal de Londrina


Os EUA barraram cinco cargas de suco de laranja brasileiro com teor acima do permitido de um produto usado para combater doenças nos pomares. O fungicida carbendazim é liberado no Brasil, mas não em solo americano.

FOLHA DE S.PAULO, 28/01/2012 (Via IHU-Unisinos)

A agência que supervisiona alimentos e remédios nos EUA (FDA) está recolhendo amostras de cargas de suco importadas desde o início do mês, após o alerta de uma empresa local sobre o fungicida.

De 80 cargas avaliadas, 11 apontaram a presença de carbendazim acima do limite de 10 partes por bilhão (ppb), ou 10 gramas do fungicida para mil toneladas de suco.

Dessas, cinco partiram do Brasil. Cada carga representa um navio, que pode transportar entre 15 mil e 40 mil toneladas do produto.

As outras seis cargas reprovadas são do Canadá, que compra suco do Brasil para revendê-lo após misturas.

No nível encontrado, o carbendazim não prejudica a saúde, mas em doses altas pode causar danos ao fígado.

Os importadores terão 90 dias para exportar ou destruir o produto rejeitado. Segundo a FDA, 29 cargas passaram no teste, sendo duas do Brasil.

Os testes continuarão para autorizar a entrada do suco no país. O mercado continua aberto para o Brasil, mas, na prática, poucas cargas poderão entrar no país, pois todos os produtores usaram o fungicida na última safra.

Diante da possibilidade de ter mais cargas detidas, a indústria brasileira foi aos EUA propor um limite maior para o fungicida, de 55 a 60 ppb. “Pedimos que o suco concentrado seja avaliado na mesma proporção que o suco consumido”, diz Christian Lohbauer, presidente da CitrusBR (Associação dos Exportadores de Sucos Cítricos).

O setor também já admite a substituição do carbendazim por outra substância. “Mas precisamos de 18 meses para garantir que não haverá mais resíduos”, diz Lohbauer.

Sem divulgar estimativa para o impacto econômico dessa devolução, a indústria minimiza os efeitos do problema nos EUA, que em 2011 compraram US$ 344 milhões em suco brasileiro. “Eles representam 13% de nossas exportações”, diz Lohbauer.

Mas grandes indústrias brasileiras estão instaladas nos EUA, o que faz daquele país um mercado estratégico.

Além disso, muitos países seguem os americanos nesse tipo de decisão. Desde o início dos testes pela FDA, a CitrusBR tem sido procurada para prestar esclarecimentos. A União Europeia, principal destino do produto, é um dos mercados que avalia o tema.

“Os países serão cada vez mais exigentes em relação aos resíduos”, diz Maurício Mendes, presidente da Informa Economics FNP.

O mercado respondeu à devolução das cargas. Na contramão das demais commodities, o primeiro contrato de suco subiu 2% em Nova York.

De olho na Rio + 20 governo quer estimular produção orgânica

27, janeiro, 2012 1 comentário

Canal Rural, 27/01/2012

 

Produtividade da soja convencional ultrapassa a do grão transgênico

26, janeiro, 2012 Sem comentários

FAMASUL, 26/01/2012

A cada mil hectares plantados, uma lucratividade extra de até R$ 200 mil reais. Esses são os resultados da comercialização das cultivares de soja convencional apresentadas pela Fundação Meridional de Apoio à Pesquisa e Pecuária e pela Embrapa durante a 16ª edição da Showtec, que acontece na sede da Fundação MS, em Maracaju (MS), até o dia 27.

De acordo com o presidente da Fundação Meridional, Almir Montecelli, das variedades de soja que foram plantadas na sede da Fundação MS, a soja BRS 284 rendeu 74 sacas por hectare. A média de produtividade é de 50 a 60 sacas. “As sojas convencionais apresentadas aqui são mais resistentes a doenças como a neumatóide, por exemplo”, explica Montecelli. “O preço das cultivares da soja convencional testadas aqui também tem um valor de R$ 3 reais a mais por saca”, complementa Ivan Pagui, diretor técnico da Associação Brasileira de Produtores de GRÃOS Não Geneticamente Modificados (Abrange).

A Fundação Meridional trabalha com um grupo de 64 produtores de sementes nos estados de Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Goiás e Rondônia. A apresentação feita na Showtec faz parte do programa Soja Livre que conta com a parceria da própria Fundação Meridional, Embrapa, da Abrange e da Importação e Comércio Paraná (Imcopa).

– Informações sobre evento podem ser obtidas pelo site www.fundacaoms.org.br, pelo telefone (67) 3454-2631 ou pelo e-mail fundacaoms@fundacaoms.org.br

Lançamento no Fórum Social Mundial

25, janeiro, 2012 2 comentários

Categories: transgênicos Tags:

Mutirão Agroecológico do Verdejar

24, janeiro, 2012 Sem comentários

para chegar ao local de metrô, ver este mapa: http://g.co/maps/4kjvs

 

Categories: agroecologia Tags:

23 mil protestam na Alemanha contra modelo agroindustrial

24, janeiro, 2012 Sem comentários

PULSAR BRASIL, 23/01/2012

Cerca de 23 mil pessoas participaram ontem (21) de uma grande marcha contra a política agrária da Alemanha e da Comunidade Europeia. Mesmo sob chuva e muito frio em Berlim, a manifestação conseguiu mandar um forte sinal de protesto às autoridades.

O protesto da capital alemã teve como lema “Basta. Agricultura Familiar em vez de Agroindústria!”. A Ministra de Agricultura, Ilse Aigner, foi alvo das críticas. Dias antes, ela causou indignação entre muitos camponeses e consumidores ao dizer que a fome no mundo “só pode ser combatida pela intensificação da agricultura europeia”.

Organizações de política de desenvolvimento e de camponeses afirmaram que é inaceitável usar a fome no mundo para defender a agricultura industrial. Eles defendem a agricultura familiar e em pequena escala como modelo sustentável para a produção de alimentos.

Também lembram que são os danos ecológicos causados pelo agronegócio que dificultam a segurança alimentar em muitos países. Presente na manifestação, King David Amoah, representante da redes camponesas em Gana e na África Ocidental, afirmou que a causa da fome não se deve à falta de alimentos, mas a falta de terra e meios de produção.

Os manifestantes na Alemanha também acusavam a exportação agrícola, por parte dos países industrializados, por dificultar o desenvolvimento de uma agricultura local em muitos países do sul. (pulsar)

Categories: governos Tags:

RUMO A RIO+20: POR UMA OUTRA ECONOMIA

23, janeiro, 2012 Sem comentários

Seminário

Porto Alegre, 23 e 24 de janeiro de 2012

Convidamos as organizações e movimentos sociais, preocupados com a grave crise socioambiental planetária provocada pela expansão da globalização capitalista, e críticos da “economia verde” proposta pelas corporações e pela agenda oficial da Rio+20 a participarem do seminário Rumo a Rio+20: Por uma Outra Economia, que será realizado nos dias 23 e 24 de janeiro de 2012, em Porto Alegre.

O seminário pretende se somar aos esforços de construção de um diagnóstico crítico da economia verde e do contexto em que a Rio+20 se realizará, visando fortalecer um campo de organizações e movimentos sociais que possam, através de seus acúmulos, reflexões e práticas contra-hegemônicas, contribuir para a construção da resistência às teses dominantes e para o fortalecimento das alternativas que emergem das práticas baseadas no olhar feminista, agroecológico, da economia solidária e de outras práticas baseadas na não-mercantilização e nos bens comuns.

Programa:

23 de janeiro

9:30 h – Trajetória de lutas desde a Eco 92, crise global e a necessária desconstrução da economia verde no caminho para a Rio+20.

Coordenação – Jean Pierre Leroy – FASE

Jean Marc von der Weid, AS-PTA Agricultura Familiar e Agroecologia

Lucia Ortiz – Amigos da Terra Internacional

Fundação Boell – Camila Moreno

Pablo Bertinat – Argentina, Cono Sur Sustentable

Silvia Ribeiro – Grupo ETC

13:00 h – Almoço

14:30 h – Premissas de Outra Economia – não-mercantilização, estratégias coletivas e não-individuais, direitos e justiça ambiental, bens comuns.

Coordenação – Nalu Faria – SOF/Marcha Mundial de Mulheres

Patricia Amat – REMTE – Rede Mulheres Transformando a Economia

Jean Pierre Leroy – FASE

Beatriz Busaniche – Argentina, Cono Sur Sustentable

24 de janeiro – Manhã – Reflexões a partir das experiências e práticas das organizações e movimentos sociais.

Coordenação – Denis Monteiro – ANA – Articulação Nacional de Agroecologia

Maria Emilia Lisboa Pacheco FASE/ANA

Maiana – Rede Brasileira de Justiça Ambiental

Lyda Fernanda – TNI – Transnational Institute

Florencia – Via Campesina Chile e Cono Sur Sustentable

Marcos Arruda – PACS

13 h – almoço

14 h – Estratégias de ação: o que fazer rumo a Rio+20 e depois.

16 h – Encerramento

Local:

IAB-RS – Instituto de Arquitetos do Brasil – Departamento do Rio Grande do Sul CENTRO

CULTURAL IAB-RS | SOLAR CONDE DE PORTO ALEGRE

Rua General Canabarro, 363 esq. com Rua Riachuelo

Centro – Porto Alegre, RS

Organizadores:

ANA Articulação Nacional de Agroecologia

AS-PTA Agricultura Familiar e Agroecologia

FASE – Solidariedade e Educação

Fórum Brasileiro de Economia Solidária

Fórum Brasileiro de Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional

Núcleo Amigos da Terra Brasil

SOF – Sempreviva Organização Feminista

Apoio – Fundação Heinrich Boell

Categories: agroecologia Tags:

Campanha mobiliza pela agricultura ecológica e familiar na Alemanha

20, janeiro, 2012 Sem comentários

Pulsar Brasil, 20/01/2012

Neste sábado (21) cerca de 15 mil pessoas participarão de uma manifestação na capital da Alemanha, Berlim, com o objetivo de mudar o padrão de política de agricultura no país.

A manifestação está sendo organizada pela Campanha “Minha Agricultura”, que aglutina mais de 90 organizações dos movimentos de ecologia e do campo. Com o lema “Basta. Agricultura Familiar em vez de Agroindústria!” acontecerá no inicio da Semana Verde, uma das maiores feiras de agricultura do mundo.

Essa feira conta com a presença de uma delegação brasileira, formada entre outros pelo ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Mendes Ribeiro Filho, e representantes da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Entre as exigências do movimento está o fim do uso de antibióticos na criação de porcos e bovinos, que cada vez mais prejudicam os alimentos com resíduos nocivos para a saúde humana. Outra crítica se faz à expansão das monoculturas, responsáveis pela diminuição da biodiversidade e a exploração da terra.

Segundo a campanha “Minha Agricultura”, a alternativa à agroindústria seria uma agricultura ecológica e familiar, baseada em princípios da sustentabilidade. O novo caminho da agricultura seria importante também frente ao desafio da crise climática e das necessidades de uma proteção real dos consumidores.

Stig Tanzmann, agrônomo do EED (Serviço das Igrejas Luteranas da Alemanha), e integrante da Campanha explica que, enquanto a Alemanha importa seis milhões toneladas de soja de países do sul para alimentar o gado, exporta produtos agrícolas para a África à preço abaixo do mercado. Para ele, se trata de “um favorecimento arbitrário ao agronegócio por parte do governo” do país.

A Campanha a “Minha Agricultura” na Alemanha visa influenciar a reformulação da política agrária da Comunidade Europeia, prevista para 2013. Essa política tradicionalmente favorece as grandes empresas no campo e gasta bilhões de euros com o subsídio da produção agrícola. (pulsar)

Categories: agroecologia, governos Tags:

Selo para não transgênicos

19, janeiro, 2012 Sem comentários

Revista Época, 16/01/2012

A legislação atual obriga os produtos transgênicos a ser identificados com um selo característico. A Associação Brasileira de Produtores de Grãos Não Geneticamente Modificados – ABRANGE considera essa medida insuficiente. Por isso, lançará ainda neste ano um selo específico para os alimentos livres de transgênicos. A marca poderá ser usada por derivados de soja e milho convencionais, como óleos, e por carnes de frangos e porcos alimentados por eles.

 

 

Categories: alimentação, empresas Tags: ,

Mercado dos transgênicos foge da Europa por rejeição social

19, janeiro, 2012 Sem comentários

A Europa não é um continente para transgênicos. A rejeição social e política em muitos países deixou a União Europeia muito atrasada nesse campo. E o anúncio de que a multinacional alemã BASF transferirá para os EUA e para a América do Sul a maior parte de suas pesquisas sobre transgênicos é o último sintoma da vitória dos ecologistas e dos grupos de consumidores nessa dura batalha. Das grandes do setor, só a Bayer mantém centros de pesquisa na Europa.

Reportagem é de Juan Gómez e Rafael Méndez. Tradução de Moisés Sbardelotto [Via IHU-Unisinos]

EL PAÍS, 18/01/2012.

A gigante química alemã BASF justifica a sua decisão na baixa demanda por esses produtos na Europa. Segundo a porta-voz Julia Meder, a multinacional continuará suas pesquisas genéticas no continente americano. A BASF fecha seus três laboratórios genéticos com a consequente redução de quadro e transfere a sua sede central de biotecnologia de Limburgerhof (Renânia) para Raleigh (Carolina do Norte). Os produtos geneticamente modificados “não encontram suficiente aceitação na Europa” para justificar os investimentos. Só a Espanha, diz, “é aparentemente a exceção”. Mas, em conjunto, “o mercado europeu é muito reticente” para que seja rentável.

Em 2004, a suíça Syngenta tomou uma decisão similar. Como a Monsanto, Dow e DuPont não mantêm centros de pesquisa na Europa, isso implica que, das grandes empresas do setor, só a Bayer mantêm centros na UE.

Carel du Marchie Sarvaas, diretor de Biotecnologia da Europa Bio, associação empresarial do setor, considera que a situação é desastrosa. “Falamos de postos de trabalho para doutores, bem remunerados, e as empresas europeias vão levá-los para os EUA. É a típica coisa que deveria fazer com que as pessoas refletissem”. A BASF não fornece os valores sobre os investimentos cancelados, mas assegura que pesquisou a um custo de mais de um bilhão de euros nos últimos 15 anos.

As dificuldades de implementação na Europa não se devem tanto a restrições legais para a pesquisa e o cultivo, mas sim à rejeição do consumidor. Um inquérito Eurobarômetro de 2010, com 16 mil enquetes, constatou um incremente na rejeição aos transgênicos: havia subido de 57% em 2005 para 61%. Enquanto isso, o apoio caiu de 27% para 23% (na Espanha, de 66% em 1996 para 35%). “Ao contrário da indústria e dos cientistas, os europeus consideram que os transgênicos não oferecem benefícios e são inseguros”, concluiu. Isso, apesar de que nas quase duas décadas de uso dos transgênicos até a Organização Mundial da Saúde (OMS) aprovou a sua segurança. Então, só seis países cultivavam transgênicos: Espanha (líder em milho resistente à praga do caruncho), a República Tcheca, Portugal, Romênia, Polônia e Eslováquia. Na Europa, havia apenas cerca de 100 mil hectares, comparadas com os 134 milhões no mundo.

Leia mais…

Mais um exemplo de porta giratótia

19, janeiro, 2012 Sem comentários

Ministro-chefe da Casa Civil de FHC é o atual presidente da Bunge.

::

Por dentro da Bunge: com o tanque cheio

segunda, 19 dezembro 2011 . Isto É Dinheiro

Exclusivo: a gigante do setor de alimentos e do etanol, comandada pelo executivo Pedro Parente, prepara sua estreia no varejo de combustíveis ao adquirir 50% da ALE, depois de comprar as rivais Etti e Salsaretti.

O escritor americano James Dale Davidson, em seu livro The Sovereign Individual (O Indivíduo Soberano), previu há mais de uma década que as empresas do futuro só resistiriam às rápidas mudanças da economia mundial se desenvolvessem a capacidade de diversificar seus ramos de atuação sem negligenciar a atividade principal. A multinacional americana Bunge, gigante dos setores de alimentos, commodities agrícolas e etanol, tem seguido à risca a cartilha de Davidson. Na última semana, em uma ofensiva sincronizada, a companhia, presidida pelo ex-ministro Pedro Parente, comprou as fabricantes de molho de tomate Etti e Salsaretti, ambas da Hypermarcas, por R$ 180 milhões, e intensificou a disputa com a rival PepsiCo pela aquisição da biscoitos Marilan – em uma batalha ainda indefinida. A jogada que mais caracterizou a nova estratégia da Bunge de acelerar suas frentes de ataque, no entanto, foi a aquisição de 50% da ALE Distribuidora, a quarta maior rede de combustíveis do mercado nacional, com 1,8 mil postos de serviços espalhados por 21 Estados do País.

– O restante da reportagem por ser lido em www.biodieselbr.com

 

Categories: empresas, governos Tags:

Os benefícios dos agrotóxicos no “Mundo de Veja”

19, janeiro, 2012 Sem comentários

“A revista Veja afirma que chamar os venenos da agricultura de “agrotóxicos” seria uma imprecisão ultrapassada.”

RADIOAGÊNCIA NP, 18/01/2012. [clique para ouvir o áudio da matéria]

A revista Veja publicou uma matéria buscando “esclarecer” os brasileiros sobre os alegados “mitos” que vêm sendo difundidos sobre os agrotóxicos desde a divulgação pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), dos dados Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos referentes ao ano 2010. A revista se propõe a tranquilizar a população, certamente alarmada pelo conhecimento dos níveis de contaminação da comida que põe à mesa.

Os entrevistados na matéria são conhecidos defensores dos venenos agrícolas, alguns dos quais com atuação direta junto a indústrias do ramo – como é o caso do Prof. José Otávio Menten, que já foi diretor executivo da ANDEF (Associação Nacional de Defesa Vegetal), que reúne as empresas fabricantes de veneno.

A revista afirma que chamar os venenos da agricultura de “agrotóxicos” seria uma imprecisão ultrapassada e injustamente pejorativa, alertando os leitores que “o certo” seria adotar o termo “defensivos agrícolas”. Não menciona que a própria legislação sobre a matéria refere-se aos produtos como agrotóxicos mesmo.

A Veja passa então para a relativização dos resultados apresentados pelo relatório do Programa de Análise, elaborado pela Anvisa, fundamentalmente minimizando a gravidade da presença de resíduos de agrotóxicos acima dos limites permitidos. Para isso, cita especialistas alegando que os limites seriam “altíssimos”, e que, portanto, quando “um pouco ultrapassados”, não representariam qualquer risco para a saúde dos consumidores.

A verdade é que a ciência que embasa a determinação desses limites é imprecisa e fortemente criticada. Evidência disso é o fato de os limites comumente variarem ao longo do tempo – à medida que novas descobertas sobre riscos relacionados aos produtos são divulgadas, os limites tendem a ser diminuídos. Os limites “aceitáveis” no Brasil são em geral superiores àqueles permitidos na Europa – isso pra não dizer que aqui ainda se usa produtos já proibidos em quase todo o mundo.

A revista também relativiza os riscos de longo prazo para a saúde dos consumidores, bem como os riscos para os trabalhadores expostos aos agrotóxicos nas lavouras. Mesmo diante de tantas provas, a Veja alega que, não haveria comprovações científicas nesse sentido.

A reportagem termina tentando colocar em cheque as reais vantagens do consumo de alimentos orgânicos, a eficácia dos sistemas de certificação e mencionando supostos “riscos” do consumo de orgânicos. A revista alega que esses alimentos “podem ser contaminadas por fungos ou por bactérias como a salmonela e a Escherichia coli.” Só não esclarece que, ao contrário dos resíduos de agrotóxicos, esses patógenos – que também ocorrem nos alimentos produzidos com agrotóxicos – podem ser eliminados com a velha e boa lavagem ou com o simples cozimento.

Da revista Veja, sabemos, não se poderia esperar nada diferente. Trata-se do principal veículo de comunicação da direita conservadora e dos grandes conglomerados multinacionais no País. Mas podemos destacar que a publicação desse suposto “guia de esclarecimento” revela que o alerta sobre os impactos do modelo da agricultura industrial está se alastrando e informações mais independentes estão alcançando mais setores da população – ao ponto de merecerem tentativa de desmentido pela Veja e pela indústria.

Flavia Londres é engenheira agrônoma e consultora da AS-PTA Agricultura Familiar e Agroecologia.

 

Categories: agrotóxicos, empresas Tags: ,