Arquivo

Arquivo de dezembro, 2012

Milho Bt apresenta quebra de resistência

21, dezembro, 2012 1 comentário

As empresas venderam falsas promessas e tiraram as sementes convencionais do mercado; os doutores da CTNBio garantiram a tecnologia, enquanto seus críticos foram desacreditados. Os resultados estão aí: pragas resistentes, uma tecnologia que não funciona, mais inseticidas e maior custo de produção. Quem assume a fatura?

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O PARANÁ, 01/12/2012

O excesso de sementes transgênicos nas lavouras de milho e o papel do agricultor nos cuidados com o cultivo encabeçaram as discussões na tarde desta sexta-feira na sede da Areac (Associação Regional dos Engenheiros Agrônomos de Cascavel). O Simpósio Biotecnologia na Cultura do Milho contou com a presença de dezenas de produtores rurais, que puderam trocar experiências e debater com especialistas os desafios e estratégias para o aumento da produtividade.

As discussões despontam em um momento de preocupação de muitos produtores, pois, após o plantio do milho no fim de setembro, muitas áreas que deveriam ter suportado o ataque de pragas nesses dois meses apresentaram quebra de resistência. O presidente da Areac, Milton Locatelli, explica que os prejuízos se dão em virtude do excesso de transgênicos e que é preciso em simpósios como este dimensionar os problemas para definir uma estratégia de manejo adequado.

“Se todos os agricultores resolverem plantar milho transgênico, isso irá criar uma praga resistente à biotecnologia e todo aquele trabalho de pesquisa se perde. Na área de refúgio, o agricultor ainda deverá continuar plantando o milho tradicional para que os insetos que não são resistentes se desenvolvam ali e, cruzando com aqueles resistentes em áreas de milho transgênico, os novos insetos serão vulneráveis. Estamos debatendo aqui um assunto técnico para preservar a tecnologia”, afirmou Locatelli.

Outro desdobramento do simpósio foi a discussão sobre a participação do agricultor no acompanhamento da lavoura. Para Milton, o produtor não deve se tornar refém da tecnologia. “O que evita que a lagarta coma milho é uma proteína que a planta sintetiza. Em dias nublados, sem insolação, a planta não tem proteína desenvolvida e a lagarta começa a comer. Depois que atinge certo estágio, não morre nem com veneno. Então o agricultor tem que observar e aplicar inseticida”, resumiu o presidente da Areac.

Milho voluntário nas lavouras de soja preocupa produtores de Mato Grosso

21, dezembro, 2012 Sem comentários

APROSOJA, 21/12/2012

A equipe técnica da Aprosoja percorreu alguns municípios do estado para verificar a incidência de plantas de milho voluntárias e resistentes ao glifosato em meio às lavouras de soja. Segundo o diretor técnico Nery Ribas, esta situação foi verificada em áreas de soja semeadas após a colheita do milho de segunda safra com diferentes híbridos. “Alguns produtores tiveram mais problemas em reboleiras e outros em extensas áreas”, explicou.

Milho transgênico RR viceja em meio a lavoura de soja RR no Mato Grosso. Foto: Abrange

Milho transgênico RR viceja em meio a lavoura de soja RR no Mato Grosso. Foto: Abrange

As possíveis causas do aparecimento das plantas voluntárias de milho seriam a mistura vindo na semente e a polinização do milho “não-RR” por híbridos RR cultivados em áreas próximas. Após a demanda dos produtores, a Aprosoja orientou os produtores a utilizarem, além do glifosato, uma aplicação de graminicida. “Os produtores terão um custo maior com estas aplicações”, disse Ribas.

A preocupação dos técnicos é com o momento da colheita, pois pode ocorrer a mistura de grãos de milho com a soja. Antes disso, as plantas de milho estão concorrendo com as de soja por nutrientes e água. Para se certificar sobre a resistência das plantas de milho ao glifosato, a equipe técnica da Aprosoja deverá acompanhar até o final da safra junto com instituições de pesquisa. Também irão avaliar as possíveis perdas da soja por competição com este milho voluntário.

Agricultores pagam caro por milho transgênico que não funciona

20, dezembro, 2012 Sem comentários

Canal Rural, 14/12/2012.

Lagartas que deveriam ser controladas pela toxina Bt causam prejuízos nas lavouras de milho transgênico em Cascavel, Paraná. Mesmo assim, Sindicato Rural defende manutenção da tecnologia.

Buva resistente a glifosato

19, dezembro, 2012 Sem comentários

A reportagem abaixo mostra o prejuízo que a adoção da soja transgênica Roundp Ready vem trazendo para os produtores, embora não cite que as lavouras mostradas são transgênicas, nem que foram modificadas justamente para serem resistentes ao glifosato.

No final, cita queixa da Aprosoja em relação à demora do governo para liberar novas moléculas de herbicidas que supostamente dariam conta do problema – até criarem novos. É uma corrida sem fim e insustentável, na qual a repetição do modelo vai sempre gerar novas pragas e plantas espontâneas, que demandarão novos agrotóxicos, que gerarão novas pragas e plantas resistentes… É o que muitos chamam de tecnologia de ponta.

Plante sementes crioulas

18, dezembro, 2012 Sem comentários

Área com transgênicos no Brasil deve superar 37 milhões de hectares

18, dezembro, 2012 Sem comentários

VALOR ECONÔMICO, 17/12/2012.

A área plantada com sementes geneticamente modificadas – soja, milho e algodão – no Brasil deve atingir 37,1 milhões de hectares em 2012/13, um aumento de 4,6 milhões de hectares (14%) em relação à safra anterior. Os dados são do 2º Acompanhamento da adoção de biotecnologia agrícola no Brasil, realizado pela consultoria Céleres. De acordo com o relatório, a soja mantém-se na liderança, com 24,4 milhões de hectares (65,7% da área total), seguida pelo milho verão e inverno, com 12,2 milhões de hectares (32,9%) e do algodão, com 0,55 milhão de hectares (1,5%).

O milho de inverno teve taxa de adoção de 87,8% ou 6,9 milhões de hectares a serem plantados com híbridos transgênicos na safra 2012/13, crescimento de 1,2 milhão de hectares em relação ao plantio em 2011/12. Para a safra verão, que começou a ser plantada em outubro, a expectativa é de que a taxa de adoção chegue aos 5,3 milhões de hectares, ou 64,8%, o que representa aumento de 305 mil hectares se comparado ao plantio 2011/12.

Somando as duas safras, 76,1% (12,2 milhões de hectares) da área total plantada com milho utilizou a biotecnologia. Há cinco anos, a adoção total era de apenas 1,2 milhão de hectares. “Os produtores brasileiros estão investindo mais em tecnologias que favorecem os ganhos de produtividade. Na cultura do milho, tem se mostrado uma importante ferramenta para auxiliar no incremento dos indicadores de produtividade do Brasil”, diz Anderson Galvão, sócio-diretor da Céleres.

No caso da soja, a previsão da Céleres é que 88,8% da estimativa atual de plantio para essa safra utilize eventos biotecnológicos. Se comparado à safra anterior, projeta-se um crescimento de 3 milhões de hectares.

Já a cultura do algodão deve ocupar 50,1% da área total prevista, chegando a 546,7 mil hectares. Segundo dados do relatório da Céleres, a tecnologia mais utilizada é a tolerante à herbicida, com 25,7 milhões de hectares e com crescimento de 3,6 milhões de hectares em relação à adoção de 2011/12. Em seguida, aparece a tecnologia de resistência a insetos, com 5,8 milhões de hectares e com crescimento de 450 mil hectares em relação ao ano anterior.

As tecnologias com genes combinados figuram em terceiro lugar, totalizando 5,5 milhões de hectares, com estimativa de crescer 527 mil hectares em relação ao ano anterior. Porém, o atraso na aprovação da soja com tecnologia de genes combinados na China pode impossibilitar seu potencial de crescimento no Brasil. O Mato Grosso segue na liderança, com 9,9 milhões de hectares semeados com lavouras transgênicas, seguido pelo Paraná, com 6,8 milhões de hectares, e pelo Rio Grande do Sul, com 5,4 milhões de hectares.

(Bettina Barros | Valor)

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Consea envia pedido à Câmara dos Deputados

17, dezembro, 2012 Sem comentários

rotulagemFonte: Ascom/Consea, 17/12/2012

O Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea) enviou ofício na última sexta-feira (14) ao presidente da Câmara Federal, deputado Marcos Maia (PT-RS), e às lideranças partidárias pedindo a derrubada de um projeto de lei que pretende acabar com o rótulo nas embalagens de alimentos transgênicos.

De acordo com a atual legislação, as embalagens desses tipos de alimentos devem conter rótulo informando se tratar de produto transgênico. O projeto de lei 4.14, de autoria do deputado ruralista Luiz Carlos Heinze (PP-RS), pretende acabar com a obrigatoriedade.

No documento, que também foi enviado ao líder da Frente Parlamentar de Segurança Alimentar e Nutricional, deputado Nazareno Fonteles (PT-PI),  a presidenta do Consea, Maria Emília Lisboa Pacheco lembra que “segurança alimentar e nutricional abrange a garantia da qualidade biológica, sanitária, nutricional e tecnológica dos alimentos, estimulando práticas alimentares saudáveis”.

O Consea já obteve respostas de algumas lideranças informando que irão votar contra o projeto. Além disso, diversas entidades da sociedade civil têm se mobilizado para evitar o que consideram “uma ameaça à saúde e segurança alimentar da população”.

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Rotulagem de transgênicos ainda em pauta

17, dezembro, 2012 Sem comentários

Tarso Veloso, Valor Econômico, 17/12/2012

Milho transgênico

Milho transgênico

A briga entre indústrias alimentícias e organização de direitos do consumidor em torno da obrigatoriedade de uma rotulagem específica para produtos que contenham ingredientes transgênicos, iniciada em 2001, pode estar próxima do fim. Um projeto de lei que tramita na Câmara dos Deputados e prestes a ser votado na próxima semana, define que o aviso só será obrigatório quando mais de 1% do produto final for composto por algum organismo geneticamente modificado (OGM) – uma exigência já estabelecida por meio do decreto 4680 desde 2003.

Porém, em outubro deste ano, o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) ganhou uma ação no Tribunal Regional Federal (TRF) ao definir que produtos que contenham qualquer quantidade de OGM apresente um aviso na embalagem. A obrigatoriedade seria válida até mesmo para alimentos altamente processados, como papinhas de bebês, cuja presença de transgênicos não é fácil de diagnosticar.

No processo, a União e a Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação (Abia) argumenta que a exigência já estabelecida pelo decreto de 2003 contempla a advertência necessária. Por esse ponto de vista, a ação do Idec perde força, ainda mais se for levado em consideração os custos das empresas com testes adicionais que no final das contas poderiam ser repassados aos preços para o consumidor.

Em contrapartida, desembargadores que avaliam o processo compreendem a solicitação do Idec, apoiado pelo Ministério Público Federal (MPF), sobre a exigência de rotulagem para qualquer percentual de transgênico nos produtos. Na ação, o instituto pede ainda a adoção de medidas fiscalizatórias pelo governo incluindo o recolhimento de produtos em caso de desobediência. Sobre o risco de alta nos custos alegado pelas empresas, o procurador regional da República Nicolao Dino Neto, ressalta que a Abia não conseguiu demonstrar qual seria “o ônus adicional para as indústrias cumprirem a medida”, afirma ele.

O Idec defende sua posição apoiado no Código de Defesa do Consumidor, que prevê a necessidade do comprador ter conhecimento pleno do que consome. Segundo o instituto, o projeto de lei que tramita pela Câmara não “traduz a vontade da população em saber se o alimento é ou não é transgênico”. O argumento é apoiado em uma pesquisa da própria entidade ao apontar que mais de 70% da população prefere ter informações claras sobre organismos modificados nas embalagens dos produtos. Questionado se ação ganha na Justiça será respeitada, o órgão respondeu que acredita que sim.

A Abia informou, por meio de nota, que é “extremamente favorável à adequada informação ao consumidor”. Porém, a associação diz que “não concorda com a inclusão de símbolos nas embalagens que representem perigo ou despertem medo ou insegurança no consumidor. No processo, a associação que representa as indústrias informou que o alimento aprovado para consumo não traz riscos à saúde para quem os consome, pois foi aprovado pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), órgão que libera os transgênicos no país.

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Ambientalistas pedem a suspensão de pesticidas da BAYER

17, dezembro, 2012 2 comentários

Coordinadora contra os perigos da BAYER, 17/12/2012

Ao revelar que no México se encontram 27 inseticidas altamente perigosos comercializados por Bayer, Basf e Syngenta, organizações ambientalistas enviaram carta aos executivos das transnacionais, exigindo a suspensão das vendas desses produtos “por seu impacto à saúde humana e ao meio ambiente”.

De acordo com um comunicado, “no dia internacional do Não uso de pesticidas, mais de 120 organizações e 10 mil pessoas mundialmente enviaram uma carta aos executivos das transnacionais Syngenta, Bayer e Basf, exigindo que deixem de vender pesticidas altamente perigosos à saúde humana e ao meio ambiente. Estas transnacionais fabricam, em seu conjunto, 50 inseticidas altamente perigosos que, em muitos casos, não são vendidos ou não estão registrados em seus países de origem e, no entanto, são comercializados em países da Ásia, África e América Latina”.

“A carta foi dirigida à suíça Syngenta, e as alemãs Bayer Cropscience e Basf porque elas são, em grande parte, responsáveis pelos envenenamentos e problemas ambientas causados pelos pesticidas. As três transnacionais foram beneficiadas, em 2012, com 47% das vendas do mercado mundial (seguidas das estadunidenses Monsanto, Dow e DuPont)”.

A carta foi uma iniciativa de Pestizid Aktions-Netzwerk e.V. – PAN Alemanha (rede de ação contra os pesticidas) e tem como título “Pesticidas altamente perigosos da Basf, Bayer e Syngenta. Resultados de uma investigação internacional”. Indica que há mais de 25 anos a indústria e os governos promovem o “uso seguro dos inseticidas”, no entanto, os problemas ocasionados pelos agrotóxicos continuam. Neste relatório, o PAN discrimina os produtos altamente perigosos que são divulgados em páginas eletrônicas das transnacionais em seu país e em nove países da Ásia, África e América Latina (Brasil e Argentina).

Referindo-se ao relatório, Fernando Bejarano, coordenador da Red de Acción em Plaguicidas y sus Alternativas no México (Rapam), informou que “no México encontramos 27 inseticidas altamente perigosos comercializados pela Bayer, Basf e Syngenta que estão incluídos no informe citado pelo PAN. Portanto, nos somamos à demanda internacional para que detenham sua comercialização”.


Por Juan Garciaheredia/ El Sol de México (http://www.oem.com.mx/eloccidental/notas/n2794299.htm)

Tradução: Sandra Luiz Alves

 

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Sobre o Conama

13, dezembro, 2012 Sem comentários

Representante da entidade ambientalista INGÁ no CONAMA divulga carta enviada à ministra do Meio Ambiente em que relata processo de esvaziamento do órgão e de desmanche da legislação ambiental em favor de um modelo predatório de desenvolvimento.

Confira a ítegra do documento:

http://www.inga.org.br/

 

p.s. O mesmo Conselho Nacional de Meio Ambiente criara na década de 1990 normas para estudo de impacto ambiental dos organismos transgênicos, que foram todas para debaixo do tapete com a aprovação da lei de biossegurança em 2005; agora a CTNBio faz o que bem entende; as empresas agradecem.

 

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Por que deveríamos confiar na segurança dos transgênicos?

10, dezembro, 2012 3 comentários

Leitores do Jornal da Ciência da SBPC criticam artigo publicado pelo presidente da CTNBio

JC e-mail 4639, de 07 de Dezembro de 2012.

Opinião do Leitor

Comentário de Domingos SL Soares sobre o artigo “A segurança alimentar e a desinformação do consumidor, de Flávio Finardi Filho“, publicado no JC Email nº 4638 de 6 de dezembro de 2012.

A “correta informação ao consumidor”, a respeito dos alimentos transgênicos (OGMs), preconizada pelo senhor Flávio Finardi Filho, presidente da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), parece querer se fundamentar no execrável “argumento de autoridade”, garantido pelo fato de que – em suas próprias palavras – “os membros e assessores técnicos da comissão são cientistas e pesquisadores renomados, doutores especialistas nas questões de segurança dos processos de transformação nas áreas humana, animal, vegetal e ambiental”.

Mas não é isso que interessa, e isso não basta. Para começar, devemos saber quais são, e quais foram, nos últimos dez anos, por exemplo, as instituições públicas e privadas responsáveis pelos financiamentos das pesquisas de todos os membros da CTNBio. Isto nos daria uma ideia da isenção científica dos membros. Em pleno século XXI é demais exigir confiança absoluta em quem quer que seja. O senhor Flávio Finardi Filho pede muito, portanto, quando requer confiança cega por parte do consumidor brasileiro.

Comentário de Cristiano Kern Hickel sobre o mesmo artigo.

Vejamos, seguindo um processo de alto nível de sofisticação e detalhamento, com rigorosos critérios de padrões internacionais, eu afirmo: é leviandade afirmar que a desacreditada CTNBio é imparcial ou livre de enganos, bem como sugerir que a aceitação de OGMs tenha aumentado. Os supermembros e assessores técnicos da comissão, supercientistas, pesquisadores renomados e doutores especialistas também são seres humanos, dotados de opinião própria, de ideologias e de ego e, portanto, passíveis de falhas, parcialidade e corruptibilidade.

Também acredito que, se existe alguma incompreensão do consumidor, por certo não é falta de informação, mas sim por falta de interesse. Observe-se que quase ninguém se importa em ler os ingredientes, dos poucos que lêem, boa parte não enxerga o que está escrito e outra parte têm dificuldade em vencer a inércia e abrir mão do produto ou encontrar alternativa caso haja algum ingrediente não desejado. Em todas as redes de supermercados que tenho visitado nos últimos anos, encontro um corredor repleto de biscoitos em que 100% deles contém gordura trans. Até mesmo aqueles tracionais amanteigados tiveram a manteiga substituída. Não se salva um único! Até o pão de queijo da padaria contém gordura trans! E quem se importa com isso? Podemos chamar isso de “aceitação” do consumidor?

Falta de opção, falta de interesse, prioridade no preço, propaganda enganosa ou que induz à escolha errada são algumas das variáveis que precisam ser observadas para que não se cometa o erro de afirmar que consumo está direta e linearmente relacionado com “aceitação”. Estamos consumindo milho geneticamente modificado que não é seguro, segundo pesquisas as quais são mais confiáveis que as metodologias da CTNBio. As pessoas sabem disso, foi reportagem de programa popular de TV de grande audiência. Também é reportagem recorrente de TV e jornais a quantidade de resíduos de venenos nos alimentos. E daí? Deixamos de consumir por isso? O que esse comportamento significa? Somos um povo pacífico e passivo, um prato cheio aos interesses ativos.

Abaixo segue o artigo original do presidente da CTNBio que deu origem às críticas acima:

JC e-mail 4638, de 06 de Dezembro de 2012.

A segurança alimentar e a desinformação do consumidor, artigo de Flávio Finardi Filho

Flávio Finardi Filho é presidente da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), especialista em segurança dos alimentos e pesquisador do Departamento de Alimentos e Nutrição Experimental da Universidade de São Paulo (USP). Artigo publicado no Correio Braziliense de hoje (6).

Os organismos geneticamente modificados (OGMs) – ou transgênicos – são uma realidade no agronegócio mundial e brasileiro. A maior parte da soja e do milho, matérias-primas de alimentos industrializados, é de origem transgênica e foi importante no processo de consolidação do País em potência agrícola. Aprovado recentemente, o feijão transgênico figurará, em breve, no rol dos produtos utilizados pelo brasileiro, assim como cana-de-açúcar e eucalipto, já em fase de estudos.

Se, por um lado, os OGMs se firmaram no agronegócio, o mesmo não se pode dizer quanto ao conhecimento dos consumidores sobre eles, como no aspecto da segurança dos alimentos. E é sobre esse ponto que vale esclarecer a posição da CTNBio (Comissão Técnica Nacional de Biossegurança), instância colegiada vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.

A CTNBio é responsável pela avaliação científica de biossegurança dos transgênicos. O processo envolve altos níveis de sofisticação e detalhamento, seguindo rigorosos critérios de padrões internacionais. Os membros e assessores técnicos da comissão são cientistas e pesquisadores renomados, doutores especialistas nas questões de segurança dos processos de transformação nas áreas humana, animal, vegetal e ambiental.

As análises, baseadas em aspectos científicos, não sofrem nenhum tipo de influência, seja ela política, seja por parte de empresas. Quando um OGM é aprovado pela CTNBio, a chancela leva em conta características nutricionais, toxicológicas, alergênicas e ambientais, entre outras.

Quanto à desinformação ao consumidor há muito a ser feito. É comum vermos pessoas confundindo transgênicos com gordura trans e atribuindo o seu cultivo ao aumento do uso de agroquímicos. No entanto, é fato que a aceitação dos OGMs tenha aumentado nos últimos anos, mas fica claro que a discussão sobre o assunto deve ser fomentada pela imprensa, indústria, empresas de biotecnologia e o próprio governo, sempre com o intuito de desmitificar as informações equivocadas existentes, a começar pela rotulagem de alimentos.

É inegável que o consumidor tem o direito de saber se um produto que está em sua mesa contém OGMs, mas o rótulo com a letra T dentro de um triângulo amarelo não ajuda a esclarecê-lo sobre a segurança e inocuidade, já cientificamente analisados pela CTNBio. Podemos afirmar que os transgênicos são tão seguros quanto os análogos convencionais, pois foram testados exaustivamente antes de aprovados.

O aspecto positivo na questão é a quebra de paradigmas e de comportamento em países historicamente contrários ao seu consumo, principalmente na Europa. Recentemente, grupos de agricultores europeus manifestaram-se a favor da adoção de OGMs, ótima notícia para o Brasil, hoje um dos grandes produtores e exportadores mundiais de alimentos transgênicos. Ainda há longo caminho a ser trilhado, mas com a correta informação ao consumidor, aliada ao aumento dos recursos e investimentos em pesquisas e novos projetos, o Brasil pode ampliar sua referência em biotecnologia.

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II Feira e Sementes e Mudas da Chapada dos Veadeiros

7, dezembro, 2012 Sem comentários

A rotulagem e a flexibilização geral dos transgênicos. Entrevista especial com José Maria Ferraz

5, dezembro, 2012 1 comentário

por IHU – Unisinos, 05/12/2012

“A partir da regulamentação do feijão transgênico dá para se ter uma ideia de como está funcionando a lei de biossegurança no país. Na verdade, ela está favorecendo o interesse do agronegócio e não da população”, observa o membro da CTNBio.

Confira a entrevista.

Evitar uma relação de causa e efeito entre alimentos transgênicos e possíveis problemas de saúde. Essa é a razão para alterar a legislação que determina a rotulagem de produtos transgênicos comercializados no Brasil, diz o agrônomo José Maria Ferraz à IHU On-Line. Na entrevista a seguir, concedida por telefone, Ferraz esclarece que a legislação que permite a comercialização de agrotóxicos no país determinava o monitoramento e a rotulagem dos produtos. Hoje, o monitoramento foi flexibilizado pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança – CTNBio, e a rotulagem pode deixar de ser obrigatória coso o Projeto de Lei 4148/08 seja aprovado. “O grande problema é que o monitoramento e a rotulagem foram condições sine qua non para a aprovação, à época, do uso de organismos geneticamente modificados (…) no Brasil. Mas, agora que aprovaram o uso, querem retirar a legislação para não haver responsabilidade do que estão fazendo”, lamenta.

De acordo com Ferraz, o tema ainda não foi debatido pelos membros da CTNBio, mas a Comissão não deve se opor ao PL 4148/08, porque apenas um grupo seleto de pesquisadores questiona a liberação dos transgênicos. “Não vejo grandes possibilidades de haver uma posição contrária à mudança. Isso porque, através de uma discussão interna, feita por e-mail, propus uma reflexão sobre o PL PL4148/08 para todos os membros da CTNBio, e três se manifestaram. Um deles disse que a rotulagem era algo ‘nazista’, que estão querendo marcar os produtos transgênicos tal como marcaram os judeus. Ocorre que outros produtos também são rotulados e não há nenhum preconceito”, reitera.

José Maria Gusman Ferraz
 é mestre em Agronomia pela Universidade de São Paulo – USP e doutor em Ecologia pela Universidade Estadual de Campinas – Unicamp. Cursou pós-doutorado em Agroecologia pela Universidade de Córdoba – UCO, Espanha. É professor do curso de mestrado em Agroecologia e Desenvolvimento Rural da UFSCar e professor convidado da Universidade Estadual de Campinas.

Confira a entrevista.

IHU On-Line – Como avalia o Projeto de Lei 4148/08, que propõe a não rotulagem dos produtos transgênicos?

José Maria Ferraz – Os organismos geneticamente modificados – ou simplesmente OGMs – foram aprovados, à época, com uma série de considerações para poderem ser aprovados. Uma delas era o monitoramento dos produtos após a liberação comercial, e outra era a rotulagem dos alimentos transgênicos. Essas foram as duas condicionantes para a aprovação de sua comercialização propostas pelos órgãos oficiais e por autoridades que instituíram a lei.

No entanto, este Projeto de Lei prevê a retirada do monitoramento dos produtos transgênicos, e a não rotulagem dos produtos. O monitoramento já havia sido flexibilizado pela CTNBio, porque antes havia uma série de regras de monitoramento e, com a flexibilização, uma empresa pode pedir o não monitoramento do produto caso considerar conveniente. Então, não havendo monitoramento ou ocorrendo de forma muito flexível – ou ainda, se os produtos deixarem de ser rotulados –, não será possível estabelecer uma relação de causa e efeito no sentido de identificar se determinado produto está, ou não, causando algum efeito à saúde da população.

Os produtos orgânicos, por exemplo, são rotulados e todo mundo gosta que assim seja. Então, por que não rotular os transgênicos, se se acredita que eles são bons? Não tem lógica não rotular, até por garantia de o consumidor poder optar se ele quer ou não comer determinado produto.

IHU On-Line – Quais são as razões e justificativas para alterar a legislação acerca da rotulagem de produtos transgênicos neste momento?

José Maria Ferraz – A justificativa é para não estabelecer uma relação de causa e efeito em um produto que pode gerar problemas à saúde. Trabalhos de pesquisadores franceses estabelecem claramente uma correlação entre omilho NK603 com tumores em ratos testados em laboratórios no longo prazo. Os estudos realizados no Brasil são de curtíssimo prazo, de 30 a 35 dias. Se os produtos estiverem rotulados, será possível estabelecer uma relação de causa e efeito caso aconteça algum problema.

IHU On-Line – A rotulagem de transgênicos permite o monitoramento dos produtos transgênicos após a introdução deles no mercado. Como será feito o controle dos produtos transgênicos e os estudos sobre as implicações à saúde, caso o PL seja aprovado?

José Maria Ferraz – A tentativa de não rotular os produtos flexibiliza também o monitoramento deles. Assim, o monitoramento acaba sendo parecido com o recall de carros: coloca-se o produto no mercado – segundo os economistas é mais barato deixar o produto no mercado do que fazer um controle de qualidade –, e, caso ocorrer algum problema, ele é recolhido. O fato é que isso não pode ser feito com alimentos que influenciam diretamente a saúde da população. Entretanto, a flexibilização do monitoramento levará a uma situação dessas. O produto será comercializado e, se apresentar algum problema, será relatado e então serão realizados estudos para ver se o caso procede. Só depois disso será tomada alguma atitude. Junto disso a não rotulagem dos produtos forma um pacote “extremamente interessante” para a flexibilização geral dos transgênicos no sentido de não poder estabelecer uma relação de causa e efeito do que está acontecendo com os OGMs.

O que me deixa estarrecido é o fato de essa alteração estar sendo proposta pelo presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia (PT), que está vinculado a um partido que sempre defendeu os interesses públicos e sociais. Mas, agora há uma inversão nos valores, porque as empresas têm interesse nesse governo e vice-versa.

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Jornal da Ciência on line perde sua editora

3, dezembro, 2012 Sem comentários

Boletim diário da SBPC perde sua editora

texto enviado por Nagib Nassar, professor emérito da Universidade de Brasília

http://www.geneconserve.po.br/

 

Recebi com muita inibição a notícia de que Renata Dias deixará o JC no dia 14 de dezembro. Nunca encontrei com ela, mas conheci sua habilidade como editora através do jornal. Incansável defensora do meio ambiente, e uma consciente intelectual, em sua estada o JC se tornou um instrumento muito ativo em transferir a comunidade científica no Brasil nossos alertas e nossas preocupações sobre o ambiente.

O jornal que foi criado 20 anos atrás nunca alcançou público, e tantos leitores e influenciou política de ciência no Brasil como agora. Foi pelo esforço dela e sua dedicação e incansável trabalho. Me parecia que não dormia antes ler todos as mensagens e comentar genuinamente sobre elas, editando-as se preciso, organizando-as e colocando no formato do JC.

Durante sua gestão criou o modelo ideal do jornal tanto na forma como no conteúdo e cuidou de todos os aspectos que garantiram ampla difusão, alcançando leitores distantes na geografia e na mentalidade, e de setores variáveis da comunidade científica.

A Renata sempre foi presente em todos os acontecimentos científicos no Brasil e reagiu com consciência e conhecimento, fazendo o jornal referência tanto para cientistas como para policymkers no Brasil e em toda América Latina.

Na sua gestão, o impacto do jornal estendeu fora do Brasil e do continente e foi procurado até por brasileiros que estudam no Exterior, Estado Unidos e Europa. Acharam nele um reflexo de seus pensamentos e anseios, e nele encontram notícia de ciência em seus países.

A própria ‘Opinião do Leitor’ é uma criação dela, de sua habilidade e sua inovação. Sempre cuidava que os artigos publicados atingissem seus alvos e tivessem maior impacto, despertando leitores e os incentivando a pensar e a comentar.

Sua visão sempre foi baseada em ampla base de conhecimentos editoriais e decidia sobre publicação após coleta de informações em áreas científicas variáveis, consultando autoridades e informando aos autores sobre outros pontos de vista. Ela comunicava com todos com espírito muito cordial e amistoso, tanto com autoridade de governo como os autores e trocava ideias com ambas pela mesma facilidade, trânsito e espírito muito amigável.

Recebia textos, os corrigia e editava. Durante minha vida científica de mais de cinquenta anos nunca vivenciei, tratei ou conheci uma editora tão hábil como a Renata. A Renata deixa o Jornal, mas continua em nossas mentes e nossos corações, e sua marca deixada no JC será lembrada por nós.

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