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EUCALIPTO TRANSGÊNICO – O QUE VOCÊ PRECISA SABER

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No próximo dia 4 de setembro será realizada em Brasília audiência pública sobre o eucalipto transgênico [1].

A Futuragene/Suzano quer fazer do Brasil o único país do mundo a liberar essa tecnologia. Mas a própria empresa reconhece que não avaliou os efeitos da modificação genética que faz a planta aumentar a produção de madeira [2]. Além disso, afirma que faltou tempo para estudar seu impacto sobre as abelhas e sobre a produção do mel [3].

As abelhas são os principais polinizadores dos eucaliptos e o mel é produto de elevado valor medicinal e nutricional. A empresa reconhece que as abelhas voam distâncias superiores a 6 km e que outras plantações podem ser contaminadas [4], mas alega que isso não é um problema pois os plantios hoje são feitos a partir de clones e não de mudas produzidas a partir de sementes. Acontece que só em 2013 o Instituto de Pesquisas Florestais comercializou 525 kg de sementes de eucaliptos [5], que seriam suficientes para plantar mais de 10.000 ha.

A empresa também deixou de avaliar os aspectos nutricionais do mel produzido por abelhas que visitaram as árvores transgênicas e não realizou nenhum experimento sobre sua toxicidade e alergenicidade [6]. Assim, não se pode dizer se é ou não seguro consumir esse mel.

O que acontecerá com os apiários e produção de mel? E a produção orgânica de mel, própolis, pólen e geleia real?

Certificados socioambientais como o FSC não aceitam a produção de árvores transgênicas [7].

A empresa diz que esse eucalipto transgênico é mais produtivo e assim não será necessário avançar sobre áreas nativas. Já o setor da silvicultura projeta expansão de 50% até 2020, chegando a 9 milhões de hectares [8].

Hoje não há estudos disponíveis para se avaliar os potenciais impactos do eucalipto transgênico. Sem essas informações não se pode tomar uma decisão confiável sobre liberá-lo ou não. É isso o que diz o Princípio da Precaução, que está no artigo 1º da lei de biossegurança (Lei 11.105, de 24 de março de 2005).

 

[1] A partir das 14h no auditório do CNPq, SHIS, Quadra 1, Lago Sul.

[2] Ex. p.12, 56, 67 e 69 do dossiê disponível em http://bit.ly/eucaliptoGM

[3] Idem, p. 17, 76 e 134.

[4] Ibidem, p. 225.

[5] Ibidem, p. 11, 13, 125, 129.

[6] Relatório IPEF 2013.

[7] http://bit.ly/fsc-gm-trees

[8] ABRAF, 2011.