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Sobre o Eucalipto transgênico

 

Considerações sobre o Eucalipto Transgênico H421 da FuturaGene/Suzano Papel e Celulose

por Paulo Yoshio Kageyama

professor titular da USP, agrônomo e doutor em genética

 

Trata-se de mais um pedido de aprovação comercial de transgênico, agora do eucalipto, requerido pela FuturaGene/Suzano Papel e Celulose, visando ao aumento da produtividade de celulose e diminuindo o ciclo de corte de 7 para 4 ou 5 anos.

Esse pedido, segundo avaliação na audiência pública realizada e manifestações de diversos pesquisadores e instituições idôneas, não apresenta condições mínimas exigidas na análise de biossegurança para sua aprovação.

Sendo o eucalipto uma espécie perene, isso faz com que os problemas de impactos sobre o meio ambiente (água, biodiversidade e solos) e saúde humana (mel e pólen) sejam mais agravados ou desconhecidos quando comparados às culturas agrícolas já aprovadas.

Com relação aos impactos na água, a redução da rotação para 4 ou 5 anos, mantido o atual manejo silvicultural, segundo os maiores especialistas na área, geraria um impacto drástico nas microbacias que recebem essas plantações, agravando drasticamente a atual crise hídrica. A empresa não realizou esses estudos essenciais.

O potencial impacto na fauna de polinizadores (nativos e exóticos) também não foi devidamente estudado, levando em conta que o próprio estudo da empresa demonstra que o pólen do transgênico possui uma concentração muito maior do efeito da transgenia do que outros tecidos da planta, o que pode levar ao colapso das colmeias.

A produção e a exportação de mel no Brasil hoje são diretamente relacionadas ao cultivo do eucalipto, praticada principalmente por milhares de pequenos produtores que têm nessa atividade sua principal fonte de renda. São hoje cerca de 350 mil produtores de mel, sendo 80% deles orgânicos. Com a eventual liberação do eucalipto transgênico, e inevitável contaminação do mel, a exportação de mel orgânico será prejudicada pela não aceitação pelo mercado internacional.

Merece destaque o fato de que a empresa proponente já vem realizando a aplicação aérea de inseticidas no eucalipto, o que no caso dessa cultura arbórea, com cerca de 20 metros de copa, toma outra dimensão ambiental, que já vem afetando pequenos produtores vizinhos às áreas de monocultivo, principalmente na Bahia.

Também merece atenção o fato de que os estudos de campo, que deveriam dar base ao pedido de liberação comercial, em sua maior parte ainda não foram concluídos.

Mais estranho ainda seria o fato de que, em sendo importantes, tais estudos não precisem ser concluídos e isso seja aceito como normal, por membros da CTNBio.

Por último, cabe lembrar que o Brasil assumiu compromisso internacional de não liberar o plantio de arvores transgênicas antes de concluídos os estudos necessários, sobre sua segurança. Chama atenção que, além de não estudar organismos não-alvo, a Empresa não apresentou acompanhamento do ciclo completo destas árvores.

Na prática foram adotados protocolos válidos para o estudo de plantas anuais, como soja e milho, para examinar riscos associados a plantas perenes, que podem permanecer ativas no ambiente por meio século ou mais.

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