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Para professor da USP, liberação do eucalipto transgênico é um erro

16, abril, 2015 Sem comentários

Paulo Kageyama afirma que existem, ainda, muitas dúvidas científicas sobre os impactos do plantio do eucalipto transgênico e do prejuízo para, principalmente, os pequenos produtores rurais.

Agência Brasil, 09/04/2015

A liberação comercial do eucalipto transgênico no Brasil é um erro, segundo avaliação de um dos integrantes da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) e professor da Universidade de São Paulo (USP), Paulo Kageyama. A CTNBio decidiu nesta quinta-feira (9) pela comercialização do produto por 18 votos a favor e 3 contra, e Kageyama foi um dos votos vencidos.

O professor disse que existem, ainda, muitas dúvidas científicas sobre os impactos do plantio do eucalipto transgênico e do prejuízo para, principalmente, os pequenos produtores rurais. Além disso, segundo ele, os produtos a partir da planta poderão sofrer sanções no comércio nacional e internacional.

Com a decisão, de acordo com a FuturaGene Brasil Tecnologia Ltda, empresa de biotecnologia da Suzano Papel e Celulose, o Brasil torna-se o primeiro país a liberar a comercialização do eucalipto transgênico. Segundo a FuturaGene, o eucalipto modificado tem 20% mais produtividade e poderá ser usado para produção de madeira, papel, entre outros itens.

Kageyama explicou que o aumento da produtividade ocorre às custas da aceleração do processo de crescimento e amadurecimento de uma árvore de 7 anos para 5 anos. Esse período, segundo ele, é o que a planta absorve mais água. O consumo pode ser ainda maior com o eucalipto transgênico, o que pode causar danos ao meio ambiente.

Além disso, o pólen dos eucaliptos geneticamente modificados pode ser transportado por quilômetros por insetos e podem contaminar o mel orgânico de cerca de 500 mil pequenos produtores, que serão prejudicados na hora da certificação de seus produtos.

De acordo com dados divulgados pelo Movimento dos Trabalhadores sem Terra (MST), o Brasil é o maior produtor de mel orgânico, só no ano passado foram 16 mil toneladas de mel de eucalipto.

O problema da certificação poderá chegar também ao mercado externo. “É um tiro no pé plantar transgênicos quando as principais certificadoras internacionais são contra a certificação de florestas transgênicas”, disse Kageyama.

De acordo com dados da Associação Brasileira de Celulose e Papel (Bracelpa), o Brasil, em 2010, posicionou-se como o décimo produtor mundial de papel e, em 2012, produziu 10,3 milhões de toneladas. Nos últimos dez anos, o país aumentou sua produção em 27%, com crescimento médio de 2,7% ao ano.

Kageyama manifestou sua preocupação também com o precedente aberto com a decisão da CNTBio. De acordo com o professor pelo menos outros dois processos para a autorização da comercialização de eucalipto transgênico tramitam no CNTBio. A liberação para a FuturaGene pode criar precedentes, o que considera preocupante.

Para a FuturaGene, a liberação é um dos marcos mais significativos para a indústria florestal. “A aprovação marca também o início de uma nova fase para o manejo florestal sustentável, com o Brasil ocupando a posição de primeiro país a completar o ciclo de desenvolvimento desta tecnologia, que possibilitará produzir mais com menos recursos”, afirmou a empresa por meio de nota.

 

Apicultores processam Syngenta e Bayer no Canadá

18, setembro, 2014 Sem comentários

adaptado de The Globe and Mail, 03/09/2014.

Apicultores de Ontario ingressaram na Justiça com uma ação contra duas gigantes do agronegócio alegando que seus agrotóxicos têm causado ampla mortalidade das abelhas, aumentando os custos e reduzindo a produção de mel.

Segundo a associação de apicultores de Ontario, Syngenta e Bayer foram negligentes no desenvolvimento, comercialização e distribuição dos produtos à base de neonicotinóides, que são usados nos plantios de milho e soja, entre outros.

Na ação os autores pedem indenização de 450 milhões de dólares pelos danos sofridos e pela perda de enxames.

 

Brasil avalia liberar eucalipto transgênico

8, setembro, 2014 Sem comentários

Greenpeace, 04/09/2014

Variedade desenvolvida pela FuturaGene
Suzano pode ser a primeira árvore transgênica plantada em todo mundo; estudos apresentados são insuficientes para garantir a segurança

Eugenio Ulian, vice-presidente de Assuntos Regulatórios da FuturaGene. ©Greenpeace

 

O Greenpeace participou hoje da audiência pública sobre o eucalipto transgênico, realizada pela CTNBio (Comissão Técnica Nacional de Biossegurança). O encontro é parte do processo de liberação comercial da variedade de eucalipto geneticamente modificada da FuturaGene / Suzano Papel e Celulose, desenvolvida com o objetivo de produzir mais celulose em menos tempo.

A audiência contou com a participação de representantes das empresas envolvidas, membros da CTNBio, cientistas autônomos, representantes de Ministérios, apicultores e representantes de ONGs e movimentos sociais. Caso o pedido seja aprovado pela CTNBio, o Brasil será o primeiro país do mundo a plantar árvores transgênicas em escala comercial.

Se o uso indiscriminado de soja, milho e algodão transgênicos já é preocupante, o pedido de liberação comercial feito pela FuturaGene / Suzano polemiza a questão ainda mais. Árvores vivem por muito mais tempo e fazem parte de cadeias alimentares naturais e de ecossistemas complexos, e portanto representam ameaças ambientais de longo prazo para ecossistemas ricos em biodiversidade – ameaças que podem ser difíceis (se não impossíveis) de prever e avaliar. O escape de pólen ou semente de árvores de eucalipto geneticamente modificadas pode colocar em risco a vida natural.

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“Não é à toa que nenhum país do mundo tenha autorizado o plantio comercial de árvores transgênicas até hoje”, lembra Gabriela Vuolo, coordenadora da campanha de agricultura e alimentação do Greenpeace Brasil. “É importante que a CTNBio tenha realizado esta audiência pública, porque ficou ainda mais claro que a liberação desta variedade transgênica de eucalipto poderá trazer danos seríssimos para o meio ambiente, para a população e para a economia”, acrescenta ela.

Durante a audiência, diversas intervenções pontuaram a insuficiência ou inadequação dos estudos apresentados pela FuturaGene / Suzano. Perguntada, a empresa declarou que não realizou, por exemplo, estudos específicos para comparar o consumo de água da variedade transgênica com a variedade convencional. Representante do Ministério do Meio Ambiente afirmou que não foram apresentados estudos de longa duração, e lembrou que os efeitos da soja e do milho transgênicos no médio e longo prazo não foram positivos. Destacou-se também que a Convenção de Biodiversidade, da qual o Brasil é signatário, recomenda cautela com relação a árvores geneticamente modificadas.

O representante do Ministério do Desenvolvimento Agrário alertou que os estudos realizados para avaliar os efeitos do eucalipto nas abelhas e na produção de mel são insatisfatórios, pois levaram em conta apenas cinco colmeias de uma única localidade. Cerca de 25% do mel produzido no Brasil vem do eucalipto, e a pesquisa apresentada pela FuturaGene / Suzano não avalia os aspectos nutricionais do mel produzido a partir de pólen trangênico, tampouco sua toxicidade ou alergenicidade.

A Associação Brasileira dos Exportadores de Mel (ABEMEL) se mostrou preocupada com a possível liberação: como não há aprovação desta variedade em nenhum outro lugar do mundo, as exportações brasileiras de mel e própolis poderão ser afetadas, numa situação semelhante à ocorrida no México em 2011.

“Com base nos estudos apresentados, não dá pra dizer que o mel produzido a partir destes eucaliptos é seguro para consumo”, alerta Gabriela. E questiona: “O que vai acontecer com os 350 mil apicultores brasileiros que dependem da produção de mel para sobreviver? E a produção orgânica de mel, própolis, pólen e geleia real? Liberar o eucalipto transgênico sem estas respostas é uma temeridade, uma irresponsabilidade”.

Selo FSC

Outra preocupação levantada foi a de que os critérios do FSC (Forest Stewardship Council) não aceitam variedades transgênicas para certificação florestal. A Assembleia Geral do FSC se reúne na Espanha, na próxima semana, e a Campanha Internacional para Parar Árvores Geneticamente Modificadas (CSGET, na sigla em inglês) irá apresentar uma carta, pedindo que o FSC se desvincule da Suzano caso a liberação do eucalipto transgênico seja aprovada no Brasil.

Audiência discute liberação do plantio de eucalipto transgênico

8, setembro, 2014 Sem comentários

Empresas defendem aumento da produtividade e apicultores, a manutenção do mel orgânico

EM, 04/09/2014

O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação avalia a possibilidade de aprovação do plantio de eucalipto transgênico. Estudos de uma multinacional indicam que a planta geneticamente modificada pode elevar a produtividade das florestas em 20%. Uma audiência pública hoje em Brasília discute os prós e contras da liberação. Em favor da empresa, o maior aproveitamento da área plantada, mas, por outro lado, a Associação Brasileira dos Exportadores de Mel (Abemel) afirma que o projeto coloca em xeque a cadeia de apicultores, além das incertezas relacionadas aos transgênicos.

A madeira desenvolvida pela FuturaGene para Suzano Papel e Celulose é mais precoce que a tradicional. O mesmo volume obtido aos sete anos é conseguido com a transgênica aos cinco anos e meio. Ou, se preferir esperar até os sete anos, a madeira gerada corresponderá a 20% além do tipo original. O pedido é o primeiro do gênero no Brasil. A Suzano mantém 819 mil hectares de florestas em sete estados, incluindo Minas Gerais, dos quais 354 mil ocupados por eucalipto.

Antes de dar um parecer final ao pedido, a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) do governo federal deve estudar todas as manifestações da audiência pública. O tempo de avaliação é indefinido.

Segundo o vice-presidente de assuntos regulatórios da FuturaGene, empresa do grupo Suzano, Eugênio Ulian, em relação ao eucalipto convencional o melhoramento preconiza por volta de 0,8% de aumento de produtividade ao ano. Vinte por cento é o que se ganharia em aproximadamente 20 anos ou mais de melhoramento convencional. “É um aumento muito grande (de produtividade) que permitiria que a indústria repensasse os locais onde o eucalipto é plantado, buscando plantios mais próximos das fábricas e disponibilizando áreas em locais mais distantes”, diz.

A cadeia de florestas plantadas no Brasil tem a determinação de dobrar a base cultivada em 10 ou 12 anos. A meta é atingir 14 milhões de hectares para absorver novos produtos. Diante disso, segundo a presidente executiva da Associação Brasileira de Celulose e Papel (Bracelpa), Elizabeth Carvalhaes, a cadeia tem forte interesse no avanço das pesquisas em biotecnologia como meio de aumentar a produtividade. “Temos que aprofundar ainda mais as pesquisas em genética”, afirma. Entre os produtos projetados para os próximos anos está o etanol celulósico. “Vai ser uma realidade em algum momento”, diz ela.

PARCERIA

O representante e associado da Abemel e proprietário da Néctar Farmacêutica, de Caeté, José Alexandre Silva de Abreu, afirma que hoje todas as empresas de florestas plantadas têm parceria com os apicultores. As famílias cuidam da interação das abelhas com as áreas reflorestadas. A adoção de transgênicos impossibilita tais parcerias. Isso porque pelas diretrizes gerais das associações internacionais que classificam os produtos orgânicos o cultivo não pode ter contato direto com os transgênicos. “O consumidor que busca um produto natural não vai querer um mel que vem de algo transgênico”, afirma Abreu.

Atualmente, 350 mil famílias trabalham na produção de mel, pólen, geleia real, própolis e outros produtos similares. O Brasil é o quinto país com maior exportação de produtos apícolas do mundo, com o total próximo a US$ 100 milhões por ano. Estudo da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) mostra que, por ano, são comercializados US$ 17 bilhões destes produtos em países asiáticos, europeus e norte-americanos. “A própolis brasileira é benchmarking (referência) de qualidade”, afirma Abreu. Elizabeth Carvalhaes afirma saber da lista de temores relacionadas aos transgênicos, mas que tudo foi testado antes de o projeto ser apresentado. “Tem muitas perguntas, mas tem que ter 100% das respostas”, afirma. (Com agências)


EUCALIPTO TRANSGÊNICO – O QUE VOCÊ PRECISA SABER

27, agosto, 2014 Sem comentários

Transgenia promete árvores com produtividade 20% maior

4, agosto, 2014 Sem comentários

Mais promessas…

Zero Hora, 04/08/2014

Maior produtor mundial de celulose, o Brasil está perto de despontar como o primeiro país a liberar comercialmente o plantio de eucalipto geneticamente modificado. Experimentos de empresas florestais estão em campo há quase uma década e uma variedade transgênica que promete produtividade 20% maior — em tempo de crescimento — poderá ser aprovada ainda neste ano pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio). A introdução de um novo gene na planta reduziu de sete para cinco anos e meio o período entre plantio e colheita e aumentou o diâmetro do tronco.

A biotecnologia que permite árvores com crescimento mais rápido, por meio de clones transgênicos, promete ampliar o ganho do setor florestal, que responde por 6% do Produto Interno Bruto (PIB) industrial. Esse segmento da indústria extrativista movimentou R$ 60 bilhões em 2013.

— Essas variedades permitirão que a mesma área plantada renda uma quantidade maior de celulose. Produzir mais madeira por hectare vai nos tornar ainda mais competitivos — destaca João Fernando Borges, presidente da Associação Gaúcha de Empresas Florestais (Ageflor).

Com experimentos em campo há oito anos, a Futuragene, empresa de biotecnologia da Suzano Papel e Celulose, protocolou pedido de liberação comercial de variedade transgênica na CTNBio em janeiro deste ano.

— Cultivamos experimentos no interior de São Paulo, no sul da Bahia e no Piauí, onde as variedades aumentaram em 20% o volume de metros cúbicos de madeira por hectare — explica Eugênio César Ulian, vice-presidente de Assuntos Regulatórios da Futuragene, empresa com sede em Itapetininga (SP).

Na quinta-feira da semana passada, o projeto foi colocado em votação em reunião da CTNBio. Com pedido de vista, a matéria foi retirada de pauta e deverá ser reavaliada em setembro. A liberação será discutida nos próximos meses em audiência pública, para então ser submetida à avaliação final dos 27 membros.

— Queremos iniciar o plantio logo após a aprovação. A primeira colheita chegará ao mercado em até sete anos depois — diz Ulian.

Pelo menos 15 empresas florestais desenvolvem pesquisas laboratoriais e experimentos de campo de variedades geneticamente modificadas no país, com autorização da CTNBio. Nos Estados Unidos, as pesquisas e pedidos de liberação comercial são de eucaliptos mais resistentes ao frio.

— No Brasil, a maioria das pesquisas é para alteração da composição da madeira, com objetivo de produzir árvores com mais celulose e menos lignina — explica o professor Giancarlo Pasquali, pesquisador do Centro de Biotecnologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Membro da CTNBio de 2006 a 2009, o professor não vê dificuldades na aprovação dos pontos de vista técnico e científico. A variedade transgênica desenvolvida pela Futuragene, em análise pelo órgão, não envolve a redução de lignina, apenas o crescimento mais rápido da planta. A lignina é um dos principais elementos da madeira, responsável pela rigidez do material. Em menor quantidade, facilita a retirada de celulose.

— São anos de cultura de eucalipto no Brasil, com cruzamento e polinização de árvores. Os objetivos da transgenia nesse caso são os mesmos do melhoramento genético — aponta.

Se aprovado pela CTNBio, o plantio comercial da variedade ainda precisa da avaliação do Conselho Nacional de Biossegurança, ligado ao Ministério do Desenvolvimento, que analisa aspectos sociais, políticos e econômicos. Normalmente, o conselho costuma referendar as decisões tomadas pela CTNBio [o Conselhoé na verdade ligado à Casa Civil e não se reúne nem emite um único ato desde 2008. Portanto, é por omissão que o CNBS referenda as decisões da CTNBio].

Principal matéria-prima para a indústria florestal

Originário da Austrália, o eucalipto é a espécie com maior área plantada no Brasil para a produção de celulose e papel. Com 5,1 milhões de hectares cultivados no país, é a principal matéria-prima para a indústria florestal. Desse total, o Rio Grande do Sul responde por 301 mil hectares — pouco mais de 5%. Na indústria, a participação gaúcha no setor é ainda menor: 3% de celulose e 2% de papel.

— A produção do Estado ainda é pequena, mas temos potencial para avançar muito mais — avalia Walter Lídio Nunes, diretor-presidente da Celulose Riograndense.

Instalada em Guaíba, a empresa está concretizando o maior investimento privado da história gaúcha — de R$ 5 bilhões — para ampliar a unidade. Desde o ano passado, já foi investido mais de R$ 1 bilhão.

— O Brasil já tem materiais genéticos destacados no mundo. Com florestas ainda mais produtivas, teremos mais tranquilidade para ampliar nossas bases produtivas — acrescenta o executivo.

A maior relevância do Estado na atividade, hoje, é na indústria de painéis de madeira. Cerca de 30% do volume produzido no país têm origem no Rio Grande do Sul.

Contaminação de florestas é o maior risco

Se para a indústria de celulose e papel o eucalipto transgênico poderá ampliar os ganhos, para outros setores o impacto dessa variedade é questionado. Pesquisador florestal, o professor Paulo Kageyama, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (USP), explica que a maioria dos experimentos no país são para reduzir a quantidade de lignina, facilitando a retirada de celulose.

A aprovação comercial no Brasil de uma variedade com menos lignina, avalia o pesquisador da USP, é uma estratégia de mercado que interessa somente ao setor de celulose e papel.

A substância reduzida no processo de modificação genética, porém, é importante para setores como indústria de móveis, construção, energia, óleo e mel.

— O risco é de contaminação de florestas não transgênicas por meio da polinização de abelhas, que voam mais de mil metros — avalia Kageyama.

Diretor da AS-PTA — Agricultura Familiar e Agroecologia, Gabriel Fernandes diz que o aumento da produtividade é uma promessa antiga da indústria de biotecnologia e ainda não cumprida:

— A produtividade de uma cultura depende de uma série de fatores interligados que vão muito além da genética da planta. Não é diferente com o eucalipto.

 

Pesticidas que matam insetos também estão diminuindo a população de aves, alerta estudo

16, julho, 2014 Sem comentários

Se é Bayer…

O Globo, 10/07/2014

Cientistas holandeses mostraram que número de espécies diminuiu, com o aumento do uso de neonicotinoides

Um polêmico pesticida que se tornou um dos mais utilizados no mundo foi, pela primeira vez, associado diretamente à redução do número de aves em áreas agrícolas. Cientistas mostraram que a população de 15 espécies que se alimentam de insetos, como andorinhas e estorninhos, têm diminuído significativamente na Holanda, ao longo dos últimos 20 anos, com o aumento do uso de pesticidas neonicotinoides, ou neônicos, que começaram a ser utilizados nos anos 1990.

Segundo os pesquisadores, os resultados sugerem que os neonicotinoides, que também são associados à diminuição do número de abelhas e outros insetos polinizadores, pode ter impactos ainda mais negativos sobre o meio ambiente, em relação ao que já se acreditava.

O estudo é o primeiro a encontrar uma correlação direta entre o produto, fabricado pela empresa alemã Bayer Cropscience, e o declínio de aves. A expectativa é que os resultados aumentem a pressão sobre o governo do Reino Unido para mudar sua postura tolerante em relação a neonicotinoides, considerados, até então, seguros para o meio ambiente.

Ecologista da Universidade de Radboud, na Holanda, Caspar Hallmann disse que havia uma ligação forte e estatisticamente significativa entre os níveis de concentrações de uma substância química chamada imidacloprida, encontrada em águas de superfície, e o registro de diminuição de diversas espécies de aves, como a toutinegra, cotovias e tordos, compilado anualmente por ornitólogos.

– Em locais onde a concentração de imidacloprida na água passa de 20 nanogramas por litro, as populações de aves tendem a diminuir em 3,5%, em média, a cada ano. Isto significa que, dentro de dez anos, 30% da população dessas aves estaria em declínio – disse ele. – Esta não é, definitivamente, a prova de que o produto causa as mortes. No entanto, há uma linha de evidência sendo construída para explicar o que está acontecendo. Sabemos que o número de insetos também caiu nestas áreas e que os mesmos são um alimento importante para estas aves.

No mês passado, um grupo de pesquisadores analisou centenas de estudos publicados sobre neonicotinoides e descobriu que estavam ligados ao declínio de uma grande variedade de vida selvagem – de abelhas a minhocas e borboletas – que não são as pragas-alvo dos inseticidas.

O estudo mais recente, publicado na revista Nature, procurou analisar as variações das populações de uma grande variedade de espécies de aves em diferentes zonas da Holanda, antes e depois da introdução do imidacloprida em 1995.

– Também levamos em consideração outros fatores que possam estar relacionados ao declínio destas aves. Mas nossa análise mostra que o imidacloprida foi de longe o melhor fator explicativo para as diferentes tendências registradas nas áreas – disse o professor Hans de Kroon of Sovon, do Centro Holandês para Campo Ornitologia, que supervisionou a pesquisa.

– Os neonicotinóides sempre foram considerados toxinas seletivas. Mas nossos resultados sugerem que eles podem afetar todo o ecossistema. Este estudo mostra o quão importante é ter bons dados de campo, e analisá-los com rigor – disse o professor de Kroon.

Os pesquisadores não conseguiram encontrar um declínio comparável em aves antes da introdução do imidacloprida e não foram capazes de vincular os declínios em aves a mudanças nos métodos de cultivo ou uso da terra. Eles acreditam que a explicação mais provável é que os neonicotinóides estão causando escassez de alimentos para as aves que comem insetos, especialmente quando estão alimentando seus filhotes.

A União Europeia introduziu uma moratória de dois anos sobre determinados usos de neonicotinóides. No entanto, estes pesticidas são amplamente utilizados no tratamento de sementes para cultivos aráveis. Eles são criados para serem absorvidos pela muda em crescimento e são tóxicos para o sistema nervoso central de pestes que prejudicam o plantio.

Ao comentar o assunto, representantes da Bayer disseram que a pesquisa não apresenta argumentos aceitáveis.

 

 

Dois agrotóxicos mataram 4 milhões de abelhas em Gavião Peixoto, diz laudo

20, fevereiro, 2014 Sem comentários

G1, 18/02/2014

O uso de dois agrotóxicos em lavouras de feijão, café e soja pode ter sido responsável pela morte de mais de quatro milhões de abelhas em Gavião Peixoto, segundo resultados de exames feitos nas abelhas mortas por um laboratório. O município quer incentivar os produtores de mel a fazerem a apicultura migratória, afastando as colmeias das áreas agrícolas.

A análise, feita a pedido da Secretaria de Meio Ambiente, apontou a presença de princípio ativo do fosfonometil, mais conhecido como glifosato, e que está presente em cerca 20 marcas herbicidas aplicados para eliminar mato. Também foi encontrado o clorpirifós, um inseticida usado em mais de 70 produtos no combate de pragas em lavouras de soja, café e feijão.

O apicultor José Luiz dos Santos foi um dos que tiveram prejuízo, após perder 130 colmeias.  O resultado confirmou a suspeita dele. “Fico revoltado, porque os caras usam veneno sem saber o que está passando e acabam me prejudicando. Então a gente tem que ver, porque eu vivo disso”, afirmou.

Osmar Malaspina, que é pesquisador no Departamento de Biologia da Unesp de Rio Claro, acredita que é mais provável que o inseticida pode ter matado as abelhas, mas não descarta que os dois agrotóxicos, juntos, podem ter aumentado o efeito nocivo para as abelhas. “A junção desses dois produtos pode potencializar e tornar o produto mais tóxico e evidentemente vai matar mais as abelhas”, disse.

O apicultor Valdeir Ribeiro de Sousa acumula prejuízos e, nos últimos dois anos, perdeu 40 colmeias. Neste ano ele vai tentar mais uma vez, só que não sabe se vai conseguir fugir dos agrotóxicos. “Hoje você arma a caixa e não pega as abelhas, pega bem pouco. Os que tem mata, então vai acabar. Quem depende da apicultura vai ter que partir para outro ramo”, afirmou.

Mais veneno
Em 2012, os apicultores da cidade perderam centenas de colmeias e morreram mais de um milhão de abelhas. Na época, um laudo constatou que elas também morreram por causa de um outro veneno usado nas lavouras.

A venda desses agrotóxicos é permitida pelo Ministério da Agricultura. Por isso de acordo com o diretor de Meio Ambiente de Gavião Peixoto, Fábio Edson Rodrigues, não há como punir ninguém. A ideia é reunir os produtores para acompanhar a aplicação de inseticidas na região. “Ter uma fiscalização para saber onde está sendo usado, por quem está sendo usado, a periodicidade. A gente acredita que há um uso indiscriminado desses defensivos. Os agricultores usam sem ter noção da potencialidade que esse veneno pode atingir”, afirmou.

Apicultura migratória
As colmeias ficavam no meio de uma mata na cidade e a dois quilômetros existem plantações de café, soja e feijão. Com a ameaça tão próxima, os apicultores vão pegar toda esta estrutura e levar para uma área isolada, mais longe dos agrotóxicos. Eles querem desenvolver a apicultura migratória, que muda as colmeias de uma região para outra acompanhando as floradas. “Onde as abelhas possam fazer o mel e, no período da colheita, traz esse mel de volta e ele é processado, embalado e comercializado no município”, explicou Rodrigues.

O Departamento de Agricultura e Meio Ambiente de Gavião Peixoto pretende incentivar os produtores de mel a formarem uma cooperativa e, com isso, tenham facilidades para participar da apicultura migratória.

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Syngenta tenta reverter proibição de pesticidas na Europa

28, janeiro, 2014 Sem comentários

é o lucro acima de tudo…

VALOR ECONÔMICO, 23/01/2014

DAVOS – O CEO da Syngenta, Michael Mack, repudiou fortemente hoje a proibição na Europa do uso de certos pesticidas, que o bloco europeu afirma que possam prejudicar a saúde das abelhas.

Em entrevista durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, ele afirmou que a companhia fará “tudo o que puder” para ter a decisão revertida. Ele chamou a proibição – liderada no ano passado pela França, Alemanha e Holanda — de “política, na sua intenção”.

Os países europeus estão preocupados com a possibilidade de alguns tipos de pesticidas, conhecidos como neonicotinóides, prejudicarem as populações de abelhas do continente e, assim, afetar o suprimento de alimentos na região. Um estudo divulgado pela Autoridade de Segurança Alimentar da Europa afirmou que essas substâncias impõem um “risco agudo” às abelhas.

Mack, no entanto, afirmou que o impedimento do uso desses pesticidas é um “mau uso da ciência” e que dados colhidos em campo refutam as conclusões da União Europeia.

(Dow Jones Newswires)

Leia mais em:

http://www.valor.com.br/agro/3405300/syngenta-tenta-reverter-proibicao-de-pesticidas-na-europa#ixzz2riqgZ8Ak

 

Bayer e Syngenta tentam derrubar proibição de inseticidas tóxicos a abelhas na Europa

22, dezembro, 2013 Sem comentários

Greenpeace Espanha, 16/12/2013.

ONGs intervêm na justiça em favor da proibição

Greenpeace Internacional, o Bee Life European Beekeeping Coordination e outras quarto organizações ambientais e de defesa dos consumidores (Pesticides Action Network Europe, ClientEarth, Buglife e SumOfUs) solicitaram intervir ante o Tribunal de Justiça da União Europeia em defesa da proibição parcial a três agrotóxicos em toda a UE, como resposta à ação judicial impetrada pelas empresas químicas Syngenta e Bayer, que querem anular a proibição. O Greenpeace considera esta proibição necessária e que deve ser ampliada dadas as evidências existentes.

“A Bayer e a Syngenta lançaram seus advogados para atacar uma proibição que é cientificamente rigorosa, juridicamente correta e que ajuda a proteger os interesses gerais dos agricultores e dos consumidores europeus. A proibição parcial destes três inseticidas é só um primeiro passo, mas necessário, para proteger as abelhas na Europa. Deve ser defendida dos ataques das empresas que perseguem seus interesses particulares em detrimento do meio ambiente”, afirmou Marco Contiero, diretor de Política Agrícola da UE do Greenpeace.

proibição, que entrou em vigor em 01 de dezembro, recai sobre três inseticidas produzidos pela Syngenta (tiametoxam) e Bayer (imidacloprido e clotianidina) que pertencem a uma classe de substâncias químicas conhecida como neonicotinoides. A Comissão Europeia adotou a proibição baseando-se nas avaliações científicas da Autoridade Europeia de Segurança Alimentar (EFSA, na sigla em inglês) que demonstram os impactos negativos destes inseticidas sobre as abelhas. A proibição recebeu um forte apoio político dos governos da UE.

O Greenpeace Internacional publicou em 16 de dezembro os resultados de um estudo científico piloto de campo que proporciona uma prova mais sobre as vias de exposição das abelhas à contaminação. O estudo mostra que a água exudada por plantas cujas sementes tenham sido tratadas com certos neonicotinoides contêm concentrações muito altas destes inseticidas, o que dá lugar a uma exposição potencialmente mortal para as abelhas que bebem este líquido, denominado água de gutação. (…)

Agrotóxicos exterminam abelhas no triângulo mineiro

20, agosto, 2013 Sem comentários

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Duelo desigual

15, abril, 2013 Sem comentários

PÁGINA 22, 08/04/2013

por José Alberto Gonçalves

Contra lobby da indústria, Ibama tenta limitar o uso de inseticidas nocivos às abelhas

A mortandade de abelhas tornou-se acontecimento corriqueiro no mundo do século XXI, inclusive no Brasil. O fenômeno foi batizado de Colony Collapse Disorder (CCD) e identificado inicialmente nos Estados Unidos no inverno em fins de 2006, quando apicultores relataram perdas de 30% a 90% de suas colmeias [O CCD é provavelmente efeito de uma combinação de fatores, especialmente perda de habitat, doenças e agrotóxicos].

O mais recente caso no Brasil, com relato às autoridades, ocorreu em fevereiro na região de Dourados (MS), onde 70 colmeias de um único apicultor feneceram em poucos dias, selando o destino de quase 3,5 milhões de abelhas, que produziam mais de 1 tonelada de mel ao ano. “Há forte suspeita de que a morte das abelhas foi provocada pela aplicação de um inseticida da classe dos neonicotinoides em um canavial”, conta Osmar Malaspina, professor do Instituto de Biociências da Unesp de Rio Claro (SP). O especialista ainda não possui detalhes da matança, que está sendo investigada pelo governo do Mato Grosso do Sul.

Foram casos como o de Dourados e evidências científicas recentes que levaram o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) a comprar uma briga – desigual – com a indústria dos agrotóxicos, ao proibir temporariamente a aplicação de quatro inseticidas em lavouras que recebem insetos polinizadores: fipronil (um pirazol) e três neonicotinoides, imidacloprido, clotianidina e tiametoxam (Veja o comunicado). “O Ibama apanhou muito da indústria e do Ministério da Agricultura por causa da medida”, revela uma fonte de fora do governo, que prefere não se identificar.

Acossado pelo poderoso lobby do agronegócio, a agência ambiental teve de ceder e assinou duas instruções normativas conjuntas com a Secretaria de Defesa Agropecuária (SDA), órgão do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). A de outubro passado liberou a pulverização aérea dos quatro agrotóxicos, e a publicada no início de janeiro flexibilizou ainda mais a medida original, apenas resguardando a floração.

De qualquer maneira, as instruções normativas não mexeram na reavaliação do registro do imidacloprido, prevista pelo comunicado do Ibama para terminar em junho próximo. “Voltamos praticamente à estaca zero pois foi ignorado solenemente o efeito bordadura da vegetação adjacente, que fornece pólen e néctar aos polinizadores”, protesta Aroni Sattler, pesquisador do laboratório de apicultura da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Para o presidente da Confederação Brasileira de Apicultura (CBA), José Cunha, a flexibilização foi obra da pressão da indústria e da inexistência de agrotóxicos alternativos no País. “A exceção para a fase da floração atenua o problema”, diz.

A reportagem insistiu, mas não conseguiu agendar entrevista com o porta-voz do Ibama. Não há dados oficiais sobre o tamanho do declínio nas populações de abelhas domésticas e silvestres no Brasil, mas os relatos de apicultores e cientistas sobre a mortandade em massa das colmeias recomendam ações urgentes por parte do governo e do setor privado.

Campeão de vendas no mercado mundial de inseticidas, o imidacloprido foi desenvolvido nos anos 1970 pela Shell e na década de 1980 pela Bayer. Estima-se que as vendas globais de imidacloprido somem pouco mais de US$ 1 bilhão, vindo depois o tiametoxan, da Syngenta, com faturamento anual de mais de US$ 600 milhões. As empresas não divulgam os dados. Os neonicotinoides funcionam como neurotoxinas que interferem no sistema nervoso dos insetos, prejudicando o olfato e a memória, elementos essenciais para a manutenção das colmeias, como mostram inúmeras pesquisas recentes.

PRINCÍPIO DA PRECAUÇÃO ATROPELADO

Na opinião da bióloga Maria Cecília Rocha, doutoranda em Ecologia na Universidade Federal da Bahia (UFBA), o princípio da precaução está sendo atropelado pela concorrência entre as empresas de agrotóxicos. A pesquisadora assinala, ainda, que o surgimento de resistência de diversas pragas aos venenos existentes força a indústria de agrotóxicos a uma correria na elaboração de novos compostos. “Os novos produtos precisam ser aprovados o mais rápido possível, tornando relapsos os testes sobre controle e previsão de possíveis situações de contaminação do ambiente”, critica Maria Cecília. Ela é coautora de estudo publicado pelo Ibama em outubro e acessível no link.

Procurado para esclarecer a posição da indústria, o Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Agrícola (Sindag) preferiu enviar uma nota por email. Nela, a entidade informa que participa do grupo de trabalho formado pelo Ministério da Agricultura para estudar possíveis decorrências de eventual proibição a determinados usos de agroquímicos. A Associação Nacional de Defesa Vegetal (Andef), que reúne as principais companhias do setor, também foi procurada, mas não designou representante para falar com a reportagem.

Parece irônico que o lobby do agronegócio se volte contra uma medida que visa proteger um serviço ambiental que aumenta a produtividade das lavouras em até 20%, ensina o pesquisador Aroni Sattler. Segundo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), as abelhas, sobretudo as silvestres, polinizam 71 de pouco mais de 100 culturas que respondem por 90% da oferta global de alimentos.

Nos Estados Unidos, a polinização das plantações por abelhas e outros insetos contribuiu com US$ 29 bilhões na receita dos produtores agrícolas em 2010 [6]. O lobby da indústria também tem sido bastante ativo no Velho Continente, onde a Comissão Europeia tenta suspender por dois anos a aplicação dos três inseticidas neonicotinoides sob cerco do Ibama. Apesar dos prognósticos sombrios para os polinizadores, a percepção de sua relevância para uma economia limpa e próspera poderá salvá-los da extinção.

Leia mais em “Declínio de abelhas associado a inseticidas”

UE suspeita de inseticidas por “sumiço” de abelhas

21, janeiro, 2013 1 comentário

As autoridades europeias informaram que três inseticidas há muito suspeitos de contribuir para a queda acentuada das populações de abelhas representam risco para os insetos, e defenderam que esses produtos químicos sejam submetidos a um exame mais detalhado.

Trata-se dos neonicotinoides clotianidina e imidacloprida, da Bayer, e do tiametoxam, da Syngenta. Exatamente os mesmos que aqui no Brasil o Ibama tentou restringir e depois acabou engolindo sua permissão para pulverização aérea formalizada em conjunto com o Ministério da Agricultura.

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The Wall Street Journal | Valor Econômico, 18/01/2013.

França, Alemanha, Itália e outros países europeus já proibiram ou suspenderam o uso de determinados inseticidas, conhecidos como neonicotinoides, que, segundo argumentam muitos agricultores e cientistas, são a causa principal da queda das populações de abelhas comuns. A indústria de pesticidas e outros cientistas dizem que as doenças e as mudanças ambientais é quem são os responsáveis.

A avaliação de risco, publicada anteontem, afirmava que três neonicotinoides – a clotianidina e o imidaclopride, fabricados principalmente pela Bayer, e o tiametoxam, produzido pela Syngenta – representam riscos para as abelhas por meio da presença de resíduos de terra e pesticida contaminados no néctar e no pólen. O órgão europeu vê “alto e grave risco” para as abelhas na forma pela qual os três inseticidas são aplicados a cereais, algodão, canola, milho e girassol.

Sua análise “propôs uma avaliação de risco muito mais abrangente para o caso das abelhas e introduziu, além disso, um nível mais alto de atenção na interpretação dos estudos de campo”, disse a EFSA. Mas a agência observou que não há dados para concluir que os inseticidas contribuem para o colapso das colônias de abelhas.

A Comissão Europeia, o braço executivo da União Europeia (UE), solicitará novas informações das fabricantes dos produtos químicos, disse um porta-voz da comissão. A UE está preparada para tomar “as medidas necessárias” se novos estudos revelarem a existência de ameaça definitiva imposta pelos produtos químicos às populações de abelhas, acrescentou.

Um alto executivo da Syngenta criticou o estudo. “Fica evidente para nós que a EFSA sofreu pressão política para produzir uma avaliação de risco apressada e imprópria, que ela mesma reconhece conter alto nível de incerteza”, disse John Atkin, diretor operacional da Syngenta. “Este relatório não é digno da EFSA e seus cientistas”.

A EFSA não respondeu a uma solicitação por seus comentários.

A Bayer diz que sustenta os dados anteriores apresentados aos órgãos reguladores, que demonstravam que os produtos químicos não causam danos às abelhas se usados da maneira pela qual foram aprovados na Europa. “Consideramos que os novos relatórios da EFSA não alteram a qualidade e a validade dessas avaliações de risco e os estudos subjacentes”, disse a companhia química alemã.

O Departamento de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA), que regulamenta o uso de pesticida, diz desconhecer dados que demonstrem que os neonicotinoides tenham contribuído para o colapso das colônias de abelhas. Pesquisadores do Departamento de Agricultura americano examinam a questão, mas dizem não ter encontrado prova que relacione pesticidas às mortes de abelhas.

A EPA rejeitou solicitações emergenciais de ambientalistas de que uma série de neonicotinoides seja retirada do mercado. Mas, em resposta à pressão pública, acelerou a análise periódica de segurança de produtos químicos para verificar a necessidade da adoção de restrições adicionais a seu uso.

Os grupos ambientais dizem que a EPA está se movimentando com excessiva lentidão e cogitam mover uma ação judicial para obrigar o órgão a agir. “A EPA tem um enorme problema de conformidade”, disse Jay Feldman, diretor-executivo do grupo antipesticidas Beyond Pesticides. A EPA não comentou de imediato o assunto.

Nos EUA os neonicotinoides substituíram pesticidas considerados mais perigosos, gradualmente retirados do mercado americano.

Governo flexibiliza pulverização aérea de agrotóxicos

14, janeiro, 2013 Sem comentários

Importante observar o recuo do Ibama, que, em julho de 2012, propusera medidas de restrição de uso desses mesmos produtos bem como sua reavaliação toxicológica em função de seus impactos sobre as abelhas.

Governo federal altera regras para pulverização aérea nas lavouras

MAPA, 04/01/2013

As aplicações aéreas de produtos agrotóxicos que contem Imidacloprido, Tiametoxam, Clotianidina e Fipronil para as culturas de algodão e de soja serão flexibilizadas de acordo com o ciclo de cada região do país. A partir de agora, a aplicação será permitida apenas para algumas culturas, cujo uso da aviação agrícola é essencial, preservando o máximo possível o período de visitação das abelhas. Antes, existia um prazo fixo para todos os estados.

Em 3 de outubro deste ano, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) autorizaram e regulamentaram a aplicação do uso desses quatro produtos de forma excepcional e temporária para as culturas de arroz, cana-de-açúcar, soja e trigo, até 30 de junho de 2013.

A regulamentação foi publicada nesta sexta-feira, dia 4 de janeiro, no Diário a Oficial da União (DOU) em Ato conjunto da Secretaria de Defesa Agropecuária (SDA/Mapa) e o Ibama.

De acordo com o coordenador-geral de Agrotóxicos e Afins do Mapa, Luís Rangel, a utilização dos aviões é fundamental para o processo de produção dessas culturas. “Identificamos que o período crítico de controle de percevejos na soja é logo após a floração, quando ocorre a formação e o enchimento dos grãos. Criamos regras de aplicação segura que contam com a restrição no momento de visitação das abelhas, mas permitem o controle dos percevejos, no caso da soja. Construímos junto com o Ibama as exceções e consideramos as necessidades do agricultor. O Mapa apóia fortemente a medida que visa proteger o Meio Ambiente e os polinizadores”, explicou.

Condições

A aplicação aérea para controle de pragas agrícolas desses produtos deve seguir uma série de condições. Antes da aplicação, os produtores rurais deverão notificar os apicultores localizados em um raio de 6 km com antecedência mínima de 48h.

A cultura do algodão foi incluída na exceção aprovada pelo governo, somando-se às culturas da soja, cana-de-açúcar, trigo e arroz para o uso desses produtos por meio da aviação agrícola. Essas empresas ficam responsáveis por comunicar o Mapa, mensalmente, sobre a aplicação dos produtos. A fiscalização dessa modalidade de uso será intensificada no período de validade da restrição do Ibama.

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Pesquisadores avaliam efeitos da exposição crônica das abelhas a agrotóxicos

24, outubro, 2012 Sem comentários

Pesquisadores ingleses avaliam efeitos da exposição crônica das abelhas a múltiplas fontes de agrotóxicos, que é a situação real às quais as abelhas estão expostas. Os resultados mostram que tanto individualmente quanto em termos de colônia esses insetos vitais estão sendo afetados pela presença massiva de agrotóxicos no meio ambiente.

Com informações da Nature, 21/10/2012.

 

Nature doi:10.1038/nature.2012.11626

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