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Textos com Etiquetas ‘guardiões da agrobiodiversidade’

Conheça Rede de Sementes do Polo de Borborema na Paraíba

28, novembro, 2016 Sem comentários

Brasil Rural, EBC, 25/11/2016

Emanoel Dias, da AS-PTA, fala sobre a conservação de sementes crioulas na região e sua importância para a agricultura familiar

Nesta semana, a AS-PTA (Agricultura Familiar e Agroecologia) realizou mais uma oficina de formação para agricultores no Polo de Borborema, Paraíba. A inauguração do novo Banco de Sementes Comunitário, no assentamento Che Guevara, em Casserengue, vem fortalecer as ações da Comissão de Sementes do Polo, que contabiliza cerca de 60 bancos. Em anos regulares de chuva, já houve bancos com até 12 toneladas de sementes estocadas.

As sementes crioulas, mais conhecidas como sementes da paixão no estado, são nativas da região e uma verdade paixão para os agricultores. Para entender melhor o funcionamento do trabalho e os programas da ONG, o Brasil Rural desta sexta-feira (25) entrevistou o engenheiro agrônomo e técnico da AS-PTA, Emanuel Dias.

“Como a gente vive numa região de muita seca e a agricultura familiar tem uma expressão muito grande, os agricultores cultivam as sementes que eles já conhecem e gostam, trazendo o conhecimento dos seus antepassados. São sementes de muita troca, muita sabedoria. A estratégia do banco familiar ou do banco comunitário é uma forma de você guardar e ter autonomia em plantar aquela semente que você já conhece”, disse ele, sobre o riqueza do material trocado entre as famílias.

Confira a íntegra da entrevista
O Brasil Rural vai ao ar, de segunda a sexta-feira, de 6h às 7h, sábado, às 7h, e domingo, às 6h, pela Rádio Nacional AM de Brasília. A apresentação é de Marcelo Ferreira.

Produtor
Simone Magalhães
Brasil Rural
em
25/11/2016 – 12:25
atualizado em
25/11/2016 – 14:16

Não planto transgênicos para não apagar minha história

7, setembro, 2016 Sem comentários

IV Festa da Semente Crioula

8, agosto, 2016 Sem comentários

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Sistemas agrícolas quilombola do Vale do Ribeira

30, julho, 2016 Sem comentários

Neste belo vídeo o Instituto Socioambiental mostra o que são e como funcionam os sistemas agrícolas quilombolas do Vale do Ribeira (SP-PR) e como o conhecimento ali criado e recriado é o fio condutor que mantém viva essa cultura.

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O vídeo descreve o Sistema Agrícola Quilombola do Vale do Ribeira a partir do diálogo entre os olhares de quilombolas e de pesquisadores acadêmicos, em diferentes perspectivas: a produção de alimentos dentro do ciclo anual da roça, a sustentabilidade do sistema em meio à Mata Atlântica, o conjunto de saberes, celebrações, expressões e práticas culturais relacionados ao modo tradicional de fazer roça, e a contribuição dos quilombolas do Vale do Ribeira para o fortalecimento da agrobiodiversidade regional e do patrimônio genético da humanidade.

Feira de Sementes Crioulas no Paraná

29, julho, 2016 Sem comentários

A cidade de Palmeira, no Paraná, vai sediar a 14ª Feira Regional de Sementes Crioulas e da Agrobiodiversidade, que acontecerá entre os dias 5 e 7 de agosto de 2016.

cartaz-palmeiraSob o lema “Sementes Crioulas: cooperando para a preservação da biodiversidade na agricultura familiar”, o evento reunirá na sede do Ginásio de Esportes Sebastião Amâncio dos Santos agricultores e agricultoras experimentadores em agroecologia da região Sul do país.

O evento tem como objetivo propiciar a construção coletiva do conhecimento agroecológico e a troca de experiências e saberes tradicionais entre agricultores familiares, guardiões de sementes, organizações da agricultura familiar e camponesa, estudantes, professores, técnicos e visitantes.

A Feira oferecerá um amplo cardápio de atividades, como seminários, apresentações culturais, exposição e palestra sobre Políticas Públicas de Sementes Crioulas. Também serão promovidas trocas de sementes nos estandes, além de Oficinas Temáticas sobre temais tais como: manejo ecológico dos solos, compostagem, sementes crioulas, bioconstrução e produção de sementes de hortaliças.

Entre as questões que serão debatidas estão as ameaças aos direitos sobre o uso da biodiversidade, os riscos da contaminação por transgênicos e agrotóxicos e os desafios da comercialização de produtos agroecológicos.

Dias 5 e 6 – Seminários e atividades a partir das 8:00h

Dia 7 – 14ª Feira Regional de Sementes Crioulas e da Agrobiodiversidade a partir das 8:00h

Local: Ginásio de Esportes Sebastião Amâncio dos Santos, Palmeira – PR

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Maiores informações:

AS-PTA – Agricultura Familiar e Agroecologia

E-mails: asptapr-sc@aspta.org.br   / andre@aspta.org.br / fabio@aspta.org.br / mirianeas@hotmail.com

Tel.: (42) 3252-7290 / (42) 8888-9093 (Fábio) / (42) 8402-1511 (André)

XIV Feira Regional de Sementes Crioulas e da Agrobiodiversidade – Palmeira, PR

21, julho, 2016 Sem comentários

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Paraguay: EL VALOR DE LA AGROECOLOGÍA PARA LA VIDA

28, junho, 2016 Sem comentários

Realizada nos dias 24 e 25 de maio, a 7a feira de intercâmbio de sementes foi convocada por organizações indígenas, camponesas e da agricultura familiar do Paraguai. Confira no vídeo.

projeto Alianza por la Agroecología

 

Estudo da Embrapa avalia desempenho de sementes crioulas e comerciais de feijão macassar na Paraíba

23, junho, 2016 Sem comentários

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A Embrapa acaba de publicar Comunicado Técnico com resultados que reafirmam a superioridade das variedades crioulas, inclusive em produtividade, quando comparadas a variedades convencionais. O estudo avaliou em condições reais de cultivo variedades crioulas e melhoradas de feijão macassa e foi realizado no Agreste da Paraíba a partir de parceria da Embrapa com a AS-PTA e o Polo da Borborema.

Entre as variedades melhoradas estão duas que foram desenvolvidas para a região amazônica mas curiosamente foram distribuídas pelo governo para plantio no semiárido.

Em pesquisa anterior, a mesma parceria confirmou a campo a superioridade e maior adaptação das variedades locais das sementes da paixão de milho.

Nenhum dos dois estudos têm como objetivo negar a importância das variedades melhoradas. Pelo contrário, há muitos materiais melhorados, das mais diferentes espécies, com bom potencial e boa adaptação que podem contribuir para a produção dos agricultores familiares. O que o resultado do estudo permite concluir é que as sementes crioulas são sim sementes de qualidade e não podem ser preteridas em programas públicos nem simplesmente substituídos por outras ditas modernas.

O estudo está disponível em: http://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/144055/1/cot-186.pdf

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Agricultores familiares do Polo da Borborema, na Paraíba, visitam a Embrapa

3, junho, 2016 Sem comentários

Da esquerda para direita (sentados): Emanoel Dias, Erivan Farias, Marcelânia Machado e Maria da Penha Batista. Em pé: Cleibson Santos e Dulce Alves

 

Embrapa, 02/06/2016

Objetivo foi conhecer as formas de conservação de plantas e técnicas de produção de mudas.

Três agricultores familiares do Polo da Borborema, que abrange 15 municípios no estado da Paraíba, acompanhados de dois técnicos da AS-PTA – Agricultura Familiar e Agroecologia, visitaram a Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia e a Embrapa Cerrados, duas unidades da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) localizadas no Distrito Federal, nos dias 31 de maio e 01 de junho de 2016, com o objetivo de conhecer a experiência da Empresa na conservação e produção de sementes.

A visita foi um dos resultados da participação da Embrapa no Plano Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (PLANAPO), lançado pelo governo federal, em 2013, para regulamentar o acesso de agricultores organizados aos recursos genéticos conservados nos mais de 100 bancos mantidos pela Empresa em vários estados da Federação.

O Polo da Borborema faz parte do Programa de Desenvolvimento Local do Agreste da Paraíba, conduzido pela AS-PTA, que abrange uma rede de 15 sindicatos de trabalhadores rurais (STRs), aproximadamente 150 associações comunitárias e uma organização regional de agricultores ecológicos. Ao todo, mais de cinco mil famílias agricultoras são atendidas pelo Programa.

Conservação de sementes será feita a partir de intercâmbio entre a Embrapa e os agricultores

Na Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, os agricultores foram recebidos pelas pesquisadoras Dulce Alves, Antonieta Salomão e Terezinha Dias e visitaram os laboratórios de sementes e a Coleção de Base (Colbase), na qual as sementes são conservadas a longo prazo a 20ºC abaixo de zero. O objetivo, como explicaram os técnicos da AS-PTA, Cleibson Santos e Emanoel Dias, foi conhecer melhor as técnicas de conservação de sementes em seus locais de origem (in situ) e fora de seus habitats (ex situ), nos bancos ativos, onde as espécies são manipuladas, e na Colbase, que funciona como uma espécie de backup das coleções mantidas no campo.

Segundo a pesquisadora Dulce Alves, além de promover a aproximação dos agricultores aos bancos genéticos, que foi uma solicitação decorrente do PLANAPO, houve também avanço na discussão da possibilidade de armazenar os recursos genéticos cultivados por eles no Polo da Borborema no Banco da Embrapa, em Brasília. A primeira coleção a ser incorporada à Coleção de Base deverá ser a de sementes de milho. “Mas, como essa iniciativa é pioneira na Empresa, a equipe de Transferência de Tecnologia da Unidade está trabalhando na construção de um modelo de Acordo de Transferência de Material”, afirmou

Trata-se de uma ação paralela ao PLANAPO com o intuito de colaborar para a conservação da diversidade genética. “O acesso aos bancos genéticos não implica apenas doar, mas também receber material Os nossos bancos precisam ser retroalimentados”, explica a pesquisadora, lembrando que o armazenamento das sementes cultivadas por eles é também uma forma de evitar a erosão genética. Segundo o técnico da AS-PTA, Emanoel Dias, existem hoje 62 casas de sementes no Polo da Borborema. “O depósito de sementes nas câmaras frias da Embrapa será uma cópia de segurança para os agricultores. O primeiro material a ser enviado será o de milho, mas futuramente pretendemos estimular o encaminhamento de outras espécies de importância socioeconômica para a região, como a fava, por exemplo”, complementou.

Técnicas de germinação aprendidas na Embrapa serão multiplicadas em Borborema

Outro objetivo da visita à Embrapa foi aprender técnicas de germinação e produção de mudas de espécies     nativas florestais e frutíferas com a pesquisadora Antonieta Salomão, que é especialista na germinação de plantas nativas. Muitos dos agricultores do Polo, cerca de 40 jovens e nove adultos, são viveiristas e vivem da produção e comercialização de espécies florestais e medicinais, como nim, aroeira, angico, sabiá, entre outras, e frutíferas, como pinha, graviola, caju, goiaba e acerola.

Segundo uma das agricultoras presentes à visita, Maria da Penha Batista, do município de Solânea, as técnicas ensinadas pela pesquisadora serão muito úteis para a sua produção local. Ela explica que Antonieta ensinou o passo a passo da germinação, além de técnicas que permitem uniformizar a produção.

“Ela nos explicou que é importante selecionar as sementes desde a coleta, pela cor e o formato, por exemplo, entre outras técnicas que permitem uniformizar a germinação. Isso vai ser muito bom para nós, pois a germinação padronizada garante maior produtividade na hora da colheita, além de plantas de melhor qualidade”, comemorou Maria da Penha.

A visita à Embrapa Cerrados também foi muito produtiva na opinião de Maria da Penha e dos outros dois agricultores presentes à visita: Marcelânia Machado (Queimadas) e Erivan Farias (Lagoa Seca). Lá eles aprenderam a quebrar dormência, montar estufa para germinação e usar tubetes para a produção de mudas nativas. Além de visitar o banco ativo de maracujá, eles ganharam sementes de maracujá pérola do Cerrado, Cambuci (fruta semelhante à goiaba) e de outras espécies frutíferas (incluindo uma nativa da Colômbia) e florestais.

Após a visita, eles pretendem multiplicar os ensinamentos aprendidos na Embrapa para os outros agricultores do Polo. Os três fazem parte da Rede de Coletores de Sementes, que abrange aproximadamente 60 pessoas.

Segundo Emanoel, a AS-PTA atende agricultores familiares em praticamente todo o território nacional. Como é impossível manter uma quantidade de funcionários à altura desse objetivo, uma das estratégias da ONG é fortalecer o estabelecimento de redes organizadas por áreas temáticas: recursos hídricos, agrobiodiversidade, criação animal, saúde e alimentação, cultivos ecológicos e comercialização.

Próxima visita terá como foco a coleta de espécie nativas

Os agricultores ficaram tão animados com a visita à Embrapa, que já estão planejando outra em breve. Da próxima vez, eles querem se reunir com os especialistas em coleta de recursos genéticos da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia para aprender técnicas utilizadas na coleta de espécies nativas.

A visita ainda não tem previsão de data, mas segundo eles, a “semente já está plantada, agora é trabalhar para que germine e possamos voltar, quem sabe com outros agricultores do Polo da Borborema”, finalizaram.

Fernanda Diniz (DRT/DF 4685/89)
Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia

Telefone: 61 3448-4768

Foto: Claudio Bezerra

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Levantamento da ASA comprova a rica diversidade das sementes do Semiárido

17, março, 2016 Sem comentários

“Ia com o pensamento que as famílias não guardavam sementes. Depois dos cursos, vimos que guardam demais da conta” | Foto: Arquivo Cáritas Diocesana de Araçuaí

 

ASA, 16/03/2016

Levantamento da ASA comprova a rica diversidade das sementes do Semiárido

Diante do cenário mundial da fome e má nutrição e dos efeitos das mudanças climáticas, o valor deste patrimônio genético extrapola os limites da região

Por Verônica Pragana – Asacom

Numa época em que um dos grandes problemas mundiais é a fome e a má nutrição de milhões de pessoas, o Semiárido brasileiro guarda e preserva uma grande variedade de sementes crioulas. A partir do processo de estocagem de água e sementes, a região vem se fortalecendo como um espaço de preservação e multiplicação de um importante patrimônio genético para a humanidade apesar de uma longa e intensa estiagem que acomete a região desde 2012. Um levantamento preliminar do Programa Sementes do Semiárido, da ASA, identificou milhares de variedades de 54 espécies alimentares e medicinais pesquisadas. Só de feijão de corda são 440 variedades, 335 de feijão comum, 322 de milho, 189 de fava, 116 de jerimum e 106 de batata doce.

Os dados foram coletados a partir de entrevistas com 7.380 famílias que vivem e produzem em 442 comunidades rurais de 179 municípios, que corresponde a quase 16% dos municípios do Semiárido. Quando concluída, a pesquisa vai abranger um total de 12,8 mil famílias envolvidas com o Programa Sementes do Semiárido e que desfrutam de água para consumo humano e para produção que foram disseminadas na região, principalmente, pela ASA.

Entre os fatores responsáveis pela situação de insegurança alimentar no planeta está a erosão genética. Há milhares de anos, há indícios da existência de sete mil espécies de plantas cultivadas ou coletadas. Atualmente, na base da alimentação mundial predominam quatro espécies: trigo, arroz, milho e batata, que fornecem mais de 60% da necessidade de energia que vem dos alimentos, segundo o documento em inglês intitulado “Recursos genéticos vegetais usá-los ou perdê-los”, publicado pela FAO.

Essa erosão tem uma forte relação com a mercantilização da alimentação. Como mercadoria, o alimento passa a ser produzido com custos cada vez mais baixos e lucros cada vez maiores para “um reduzido grupo de transnacionais ligadas ao setor do agronegócio, da indústria de alimentos e das redes de supermercados”, como afirma o editorial da Revista Agriculturas sobre alimentação adequada e saudável, publicada em dezembro de 2014.

Sementes de excelência

“Um dos grandes debates na produção de alimentos no mundo está associado aos desafios trazidos com as mudanças climáticas. Nele, as sementes adaptadas às regiões semiáridas e áridas, consideradas até então como grãos no Brasil, são altamente valorizadas pela ciência que quer estudar suas dinâmicas e características. De grão, elas passam a ser consideradas sementes de excelência”, ressalta Antônio Barbosa, coordenador dos Programas Uma Terra e Duas Águas (P1+2) e Sementes do Semiárido.

Glória Araújo, que representa a ASA Paraíba na Coordenação Executiva da ASA Brasil, lembra inclusive que quando as sementes crioulas eram consideradas de menos valor do que as das multinacionais, as famílias tinham vergonha e chegavam a escondê-las em casa. “Essa pesquisa vem visibilizar a cultura camponesa de guardar as sementes que são experimentadas, multiplicadas e selecionadas no agroecossistema familiar. E é através destas práticas que as famílias mostram a capacidade de resistência às ameaças a esse material genético, como as políticas públicas que continuam a valorizar as sementes externas”.

Os dados do levantamento referendam, inclusive, uma demanda antiga da sociedade civil com relação à política pública de distribuição de sementes: a diversificação das variedades entregues a partir das necessidades locais. “Hoje, são distribuídas quatro variedades de feijão, uma por região, e uma de milho, quando temos 322 variedades de milho que atendem a necessidades diversas das famílias agricultoras do Semiárido”, destaca Barbosa. Para Glória, essas informações desafiam as políticas públicas a reforçarem as práticas de preservação e multiplicação de sementes que estão na região há muito tempo.

Origem

Os dados apresentados revelam uma grata surpresa com relação à origem das sementes: 81,46% das sementes vieram da própria comunidade. A maioria delas (38,05%) foram herdadas dos pais, avós. Mas, a depender das espécies, essa origem varia. Enquanto as sementes de jerimum ou abóbora, que está na base da alimentação das famílias, 97,09% vêm da comunidade, as de hortaliças têm um significativo índice de aquisição em lojas. A alface, por exemplo, em 42,19% dos casos são compradas e 43,24% vem da comunidade.

“Antes do P1+2, quase todas as sementes de alface eram compradas”, destaca Barbosa evidenciando o processo de transformação que o Semiárido passa enquanto produtor de alimentos. A circulação das sementes na própria comunidade ou entre comunidades e regiões é uma estratégia que protege as sementes crioulas e é fortalecida pelos intercâmbios e encontros promovidos pelos programas da ASA.

Outra informação importante trazida pela sistematização dos dados diz respeito ao lugar de cultivo das espécies pesquisadas nas propriedades. Mais de 51% do material genético manejado pelas famílias estão no quintal, que é o espaço do entorno da casa que varia de 10 metros quadrados a meio hectare. E 44,9% no roçado das famílias. “Essa pesquisa revelou esse número todo de variedades de sementes tendo focado sua investigação em apenas dois subsistemas da propriedade. Imaginem se tivesse incluído todo o agroecossistema?”, destaca Glória.

A diversidade das comunidades

Entre as localidades pesquisadas, está a comunidade Cabral, na área rural do município de Pedro II, no Piauí, onde vive e produz a família de Antônio Alves Pereira e Francisca Francinete, ambos guardiões de sementes crioulas. Lá, foi construída uma casa de sementes comunitária para estocar o material genético que fica à disposição de todas as famílias da comunidade para plantio. A lógica da gestão das casas ou bancos de sementes é o empréstimo de uma quantidade e devolução de uma quantia maior, que não precisa ser, necessariamente, do mesmo tipo das sementes retiradas da casa, caso a colheita não tenha sido suficiente.

“O resgate das águas e das sementes são a melhor coisa que vi na vida”, declara seu Antônio, que, na região onde mora, é conhecido como Antônio Zifirino, por ser filho de Zifirino. “Antes das casas [comunitárias], já existiam as casas de famílias, que guardavam as sementes de plantar e os grãos de comer. Na década de 1970, deu uma seca forte, quando acabou os grãos comestíveis, as famílias iam pras sementes de plantar. As sementes que vão para as casas são iguais ao dinheiro que a gente coloca no banco e a gente esquece lá pra um dia poder pegar. Se ficasse em casa, a gente gastava tudo.”

Seu Antônio, que além de ser agricultor e guardião de sementes, é profeta da chuva e poeta, não imaginava que na sua comunidade tinha tantas variedades de semente. Ele reconhece que os intercâmbios ajudam bastante no resgate e ampliação do material genético local. “Com os intercâmbios, trazemos as sementes de outras comunidades e região pra cá. Se viver escondido, tem conhecimento?”.

O programa Sementes do Semiárido tem várias fases. A primeira é identificar as sementes ainda existentes. Com isso, as comunidades despertam para as sementes perdidas que precisam ser resgatadas. E a segunda fase incentiva a multiplicar o material genético que vai ser estocado nos bancos ou casas de sementes comunitárias para uso quando as famílias precisarem. Vale destacar que nem todas as sementes das famílias são armazenadas nos bancos comunitários. Lá, se guardam algumas variedades em grande quantidade para garantir o plantio. “O estoque da diversidade fica nas casas das famílias”, explica Barbosa.

“Cada comunidade faz a gente ficar mais besta. Ia com o pensamento que as famílias não guardavam sementes. Depois dos cursos, vimos que guardam demais da conta.” O depoimento é de Valteir Antunes, guardião de sementes da região do Vale de Jequitinhonha, em Minas Gerais. Ele é gestor do banco de sementes comunitário mais antigo de Minas, a Casa de Sementes da Gente e do Amor, na comunidade Caldeirão, em Itinga, onde vive. Essa casa é um verdadeiro banco de germoplasma, abriga mais de 120 variedades de milho, feijão, sementes nativas e hortaliças.

O conhecimento e experiência de Seu Valteir com relação às sementes crioulas o têm levado a visitar cerca de 60 comunidades ao longo do Rio Jequitinhonha. O principal motivo da sua andança é que ele assumiu o papel de facilitador das capacitações do Programa Sementes. E, desde então, seu Valteir passou a testemunhar o amor e carinho que cada família dedica às sementes crioulas. “A família guarda logo. São todas naturais”.

SERGIPE: Carta do I Seminário Estadual sobre Legislação de Sementes Crioulas

10, novembro, 2015 Sem comentários

Movimentos sociais querem legislação para sementes crioulas em SE

6, novembro, 2015 Sem comentários

Embrapa, 03/11/15

Embrapa sedia evento sobre sementes crioulas em Aracajú, Sergipe

Ana Lúcia Silva - Mesa de abertura do primeiro Seminário Estadual Sobre Legislação de Sementes Crioulas em Sergipe

Mesa de abertura do primeiro Seminário Estadual Sobre Legislação de Sementes Crioulas em Sergipe (Foto: Ana Lúcia Silva)

 

Que lei de sementes queremos para Sergipe?

Em decorrência dessa indagação aconteceu o primeiro Seminário Estadual Sobre Legislação de Sementes Crioulas em Sergipe, em 30 de outubro de 2015, no Auditório da Embrapa Tabuleiros Costeiros, em Aracaju.

Sementes crioulas são as tradicionais, que foram mantidas e selecionadas por várias décadas em grande parte por agricultores familiares. Normalmente, as sementes crioulas se adaptam muito bem às condições de clima e solo da região de acordo com a experiência e a seleção dos próprios agricultores.

Mais de 200 participantes, entre autoridades, pesquisadores, técnicos agrícolas, extensionistas rurais, estudantes e agricultores familiares, tanto de Sergipe como de Alagoas e Pernambuco, debateram a urgência em construir e implementar uma política estadual que favoreça o conhecimento camponês presente nas sementes crioulas, principalmente visando a criação e manutenção de bancos de sementes crioulas.

De acordo com os organizadores, a inspiração em reivindicar uma política de sementes crioulas para o Estado de Sergipe vem da existência de leis presentes nos estados da Paraíba e Alagoas que favorece um programa estadual de Bancos de Sementes Comunitários (BSC). Eles propõe que o governo estadual garanta recursos para o resgate, multiplicação e conservação de sementes de variedades locais, que estão sendo preservadas por agricultores familiares. O evento foi uma iniciativa da Rede Sergipana de Agroecologia, do Núcleo de Agroecologia da Embrapa Tabuleiros Costeiros, do Instituto Federal de Sergipe, a Articulação do Semiárido de Sergipe e do Curso de Especialização em Residência Agrária, contando com o apoio do CNPq.

“Essa tendência em criar políticas públicas de semente crioula está avançando em todo o país”, disse Gabriel Fernandes, assessor técnico da AS-PTA (Agricultura Familiar e Agroecologia), integrante da ANA (Articulação Nacional de Agroecologia). “Queremos avançar os debates que estão ligados à Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica que está trabalhando em uma série de iniciativas para fortalecer as ações dos agricultores com sementes crioulas”, complementou

“No semiárido nordestino, mais de um milhão e meio de famílias vivem da agricultura familiar. Muitos deles optaram pelas sementes locais ou crioulas, guardadas desde muitas gerações e que são mais adequadas ao semiárido, tonando-se assim, guardiões dessas sementes, e eles estão se organizando para mantê-las”, afirma Amaury da Silva dos Santos, pesquisador da Embrapa Tabuleiros Costeiros e coordenador do Seminário Estadual Sobre Legislação de Sementes Crioulas em Sergipe.

No Nordeste, a ASA (Articulação Semiárido Brasileiro) está articulando os agricultores familiares para criação de bancos comunitários de sementes crioulas. Mais de oito mil famílias, em 61 municípios, já foram beneficiadas com a criação de 225 bancos comunitários de sementes crioulas, com a parceria do Ministério do Desenvolvimento Agrário, Ministério de Desenvolvimento Social e Combate À Fome, BNDES e Conab.

A deputada estadual de Sergipe e coordenadora da Frente Parlamentar Mista de Meio Ambiente, Segurança Alimentar e Comunidades Tradicionais, Ana Lúcia, presente no evento, se colocou à disposição para formalizar o projeto de lei e dialogar com o governo enquanto que o delegado do Ministério do Desenvolvimento Agrário, Cássio Murilo, disse que pretende contribuir para que a semente crioula seja uma referência no Brasil e que atenda aos interesses da agricultura familiar.

O superintendente do Incra em Sergipe, André Bonfim, lembrou sobre as inúmeras variedades de milhos existentes no mercado do país vizinho, o Peru, enquanto que a representante do Movimento dos Pequenos Agricultores, Rafaela da Silva Alves, ressaltou que “os agricultores familiares produzem mais de 70% do alimento que vai para a mesa do brasileiro e que a preservação e recuperação dessas sementes são primordiais para que continuemos produzindo”.

Em cada região do Brasil, o agricultores denominam as sementes crioulas de forma diferente e afetuosa. Em Sergipe, eles a chamam de Semente da Liberdade. Em Alagoas, são as Sementes da Resistência. No Piauí, é a Semente da Fartura e, em Minas Gerais, é a Semente da Gente. Mais a denominação que melhor exprime o sentimento do agricultor, o amor pela terra e aos métodos tradicionais de plantio é a Semente da Paixão, tal qual é chamada na Paraíba. São muitas variedades de milho, feijão, jerimum, maxixe, pepino, tomate entre tantas outras. Há também os guardiões de determinadas raças de aves, bovinos, ovinos e caprinos.

 

Ivan Marinovic Brscan (1634/09/58/DF)

Embrapa Tabuleiros Costeiros

tabuleiros-costeiros.imprensa@embrapa.br

Telefone: 79 40091381

 

 

Seminário Estadual sobre Legislação de Sementes Crioulas

29, outubro, 2015 Sem comentários

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VI Festa Estadual das Sementes da Paixão celebra conquistas na preservação das sementes e no campo das políticas públicas para a agroecologia

20, outubro, 2015 Sem comentários

ASA-PB, 20/10/2015

A Articulação do Semiárido Paraibano (ASA Paraíba) realizou entre os dias 14 e 16 de outubro, a VI edição da “Festa Estadual das Sementes da Paixão”, que teve como lema: “Agricultura Familiar: guardiã da sociobiodiversidade, pela soberania alimentar, livre de transgênicos e agrotóxicos”. Os dois primeiros dias de evento foram realizados no Santuário de Padre Ibiapina, entre as cidades de Solânea e Arara-PB, na região do Polo da Borborema. Esta parte da programação foi dedicada à formação e reuniu mais de 350 agricultores e agricultoras das sete microrregiões da Paraíba onde a ASA-Paraíba está presente. Já o terceiro e último dia aconteceu em Campina Grande, com uma Feira Estadual de Sementes no centro da cidade. A ASA Paraíba é uma rede de mais 300 organizações que trabalham pelo fortalecimento da agricultura familiar de base agroecológica. Ela está ligada à Articulação Nacional do Semiárido (ASA Brasil) e as ASAs dos outros oito estados do Semiárido Brasileiro.

 

Abertura – A acolhida das caravanas foi realizada com trio de forró que animou a montagem da feira de sementes. No final da manhã foi realizada uma mística de abertura, que abordou os dois modelos de agricultura em disputa. Um primeiro, o do agronegócio, com as grandes corporações produtoras de transgênicos e agrotóxicos, a bancada ruralista e a pesquisa à serviço do agronegócio. E a do modelo de convivência com o Semiárido, que defende a agricultura familiar agroecológica e a soberania dos povos tradicionais. Uma homenagem aos mais de 30 convidados de outras ASAs estaduais foi feita com as diversas denominações que as sementes crioulas têm nos outros estados: “Sementes da Fartura”, “Sementes da Resistência”, “Sementes Nativas”, entre outras. Foram relembradas ainda os conteúdos e os resultados das festas anteriores.

 

Mesas de diálogo – No período da tarde, duas mesas de diálogo trouxeram, primeiro uma reflexão sobre as conquistas e os acúmulos dos últimos 20 anos de trabalho pela preservação e pelo fortalecimento das Sementes da Paixão no Estado e em todo o Semiárido, com depoimentos de guardiões e guardiãs e de lideranças agricultoras. Já a segunda mesa trouxe um panorama sobre a conjuntura atual das políticas públicas para as sementes e também as suas ameaças ou desafios. A agricultora e liderança do Polo a Borborema, Roselita Vitor, do Assentamento Queimadas, em Remígio-PB destacou o papel das famílias guardiãs para a humanidade: “Se os guardiões não existissem, a gente não teria o que comer, sem as sementes crioulas, a gente não vive, elas são a autonomia das famílias, garantia de saúde. A nossa luta é de resistência, devemos essa luta as agricultoras e agricultores. Se a gente não tivesse a experiência prática das Sementes das Paixão, nós não teríamos condições de enfrentar o modelo do agronegócio”, afirmou.

 

Gabriel Fernandes da AS-PTA debateu a conjuntura atual e ressaltou a importância da instituição de uma Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (Pnapo), que pela primeira vez apontou a agroecologia e a agricultura familiar como um caminho viável para o desenvolvimento do país, fruto de uma luta histórica dos movimentos sociais como a ASA. Gabriel também ressaltou as contradições do governo que institucionalizou a agroecologia e ao mesmo tempo deu força para os transgênicos e aumentou os investimentos para o agronegócio.

 

O primeiro dia foi encerrado com um cine debate sobre a democratização da comunicação, com a exibição do vídeo “Levante sua voz”, do Coletivo de Comunicação Social Intervozes, e também se coletou assinaturas para o Projeto de Lei da Mídia Democrática.

Oficinas temáticas – No segundo dia de formação, os participantes se dividiram em sete oficinas sobre os seguintes temas: Gestão, Organização e Armazenamento das sementes nos Bancos de Sementes Comunitários (BSC); Integrando as sementes florestais e frutíferas nos BSC; Produção, Seleção das Sementes; Sementes dos animais; Produção das sementes de hortaliças; Beneficiamento de frutas nativas e adaptadas e Bancos de Germoplasma.

 

Cada oficina contou com a apresentação de uma experiência local e uma experiência vinda de outros territórios, a exemplo da Oficina “Integrando as sementes florestais e frutíferas nos BSC”. Com o objetivo de socializar conhecimentos de manejo, plantio, colheita, armazenamento das sementes florestais e frutíferas, foram apresentadas as experiências dos jovens coletores de sementes florestais da região do Polo da Borborema, na Paraíba e dos integrantes do Povo Xucurus do Ororubá do estado de Pernambuco.

Carta Política – Na tarde do segundo dia, dois jovens fizeram a leitura da carta política da VI Festa das Sementes da Paixão. O documento trouxe as principais reivindicações e conquistas ao longo do processo de trabalho da ASA Paraíba em torno da preservação e conservação das sementes crioulas. Segundo a carta “esse patrimônio inalienável constitui um bem comum, indispensável para a convivência com o Semiárido em bases agroecológicas para a garantia da soberania e segurança alimentar e nutricional e para enfrentar as mudanças climáticas”.

 

A carta também faz uma referência à Semana Mundial da Alimentação, período em que aconteceu a festa: “Na semana em que é celebrado o dia mundial da alimentação, juntamos nossas forças ao Consea (Conselho Nacional de Segurança Alimentar) em defesa da comida de verdade no campo e na cidade”, continua o documento. A carta se posicionou ainda contra os ataques à democracia na conjuntura atual: “Nos manifestamos contra qualquer ameaça à democracia e a retirada de direitos duramente conquistados. Reafirmamos a necessidade de continuarmos ativos e vigilantes, mantendo a disposição para lutar em defesa dos princípios democráticos e pela agroecologia”.

 

Após esse momento, uma mesa de diálogo reuniu representante do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), da Secretaria de Estado da Agricultura Familiar e do Desenvolvimento do Semiárido da Paraíba, do Conselho Nacional de Segurança Alimentar (Consea) e da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

 

O Secretário de Agricultura Familiar da Paraíba, Lenildo Morais, anunciou iniciativas que a sua pasta está desenvolvendo no campo da agricultura familiar a exemplo da conclusão da cessão do espaço do Banco Mãe de Sementes de Lagoa Seca ao Polo da Borborema, dinâmica integrante da ASA Paraíba, onde deverá funcionar uma mini fábrica de cuscuz orgânico e livre de transgênico, com recursos do Projeto Cooperar. Também anunciou a implementação de 2 mil barragens subterrâneas no Cariri do Estado.

 

O gestor destacou ainda o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) voltado para Sementes de 2016, com um projeto com orçamento de 1,5 milhão de reais: “A prioridade deste projeto é fortalecer os bancos-mãe de sementes do estado da Paraíba. Pela primeira vez vamos adquirir sementes de fava, de arroz vermelho do Vale do Piancó. Queremos fazer com que as sementes de feijão e de milho que vocês produzem possam ser também adquiridas. Estamos concluindo o nosso projeto de produção de sementes e mudas crioulas para o próximo ano. O Governador não quer mais comprar sementes como as que vinham sendo compradas. A ideia é viabilizar um programa de sementes e de mudas que possam beneficiar os agricultores e agricultoras da Paraíba. Esse é o nosso compromisso, a ASA é quem vai estar conosco no dia a dia da condução desse processo”, finalizou.

 

Naidson Baptista Quintela da Articulação Semiárido Brasileiro (ASA Brasil) e também representante do Consea em sua fala destacou o protagonismo da Paraíba no trabalho com as sementes da Paixão e os avanços dessa trajetória, entre eles o apoio dos programas de cisternas às casas de sementes e a criação do Programa Sementes do Semiárido: “É o exercício da política e da prática do estoque de água de consumo e de produção, de comida para os animais e de sementes de grãos e de animais que tem permitido ao povo viver bem no Semiárido nos momentos difíceis. Vocês sempre fizeram isso na Paraíba, é o que fazem, é o que celebram, vejam que isto aqui não é um encontro, é uma festa. Celebrar conquistas e se comprometer com o futuro”, disse. Naidson destacou ainda a pesquisa com 10 variedades de milho feita na Paraíba em parceria com a Embrapa Tabuleiros Costeiros que mostrou que as sementes dos agricultores apresentaram um resultado igual ou superior ao das variedades comerciais.

 

Após as falas e uma rodada de debate, Emanoel Dias, assessor técnico da AS-PTA e da rede de sementes da ASA Paraíba fez a entrega de uma carta destinada à Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), assinada por todos os presentes à plenária. Na carta fez-se a denúncia de que o milho que a companhia vende a preços subsidiados para servir de alimento para os animais na Paraíba é transgênico. A comprovação veio depois que um teste rápido de transgenia foi feito com resultado positivo e em seguida as amostras foram enviadas a um laboratório nacional, que emitiu um laudo oficial comprovando a presença de transgênicos. A carta e o laudo foram entregues a Gustavo Guimarães, representante da Conab no evento. Segundo informação da própria companhia, apenas no ano de 2013, mais de 33 mil toneladas desses grãos foram comercializados na Paraíba. No Nordeste foram mais 400 toneladas no mesmo período.

 

Atos em Campina Grande – O terceiro e último dia da festa agricultoras e agricultores da Paraíba promoveram três atos simultâneos em defesa das sementes da paixão. Na Embrapa Algodão, exigiram pesquisas adaptadas à realidade da agricultura familiar e da agroecologia. Na Conab, pediram o fim da distribuição de milho transgênico, em uma empresa de cuscuz, alertaram à população sobre a necessidade de sabermos o que estamos comendo, com a permanência da rotulagem dos transgênicos. Após os três atos, foi aberta, na Praça Clementino Procópio, no Centro de Campina Grande, a Feira Estadual das Sementes da Paixão, que contou com a participação de mais de mil pessoas, vindas de todas as regiões do estado.

 

Representantes da Articulação do Semiárido Paraibano falaram sobre a importância da feira e das sementes da paixão para o povo do semiárido. “Agricultores e Agricultoras de todo o semiárido brasileiro estiveram reunidos durante esses três dias discutindo suas conquistas e levantando os desafios para continuar a luta, a favor de uma comida livre de transgênicos e agrotóxicos, livre da dominação e exploração das mulheres, uma garantia através das sementes da paixão”, disse Madalena Medeiros da Articulação do Semiárido Brasileiro (ASA Paraíba). A coordenadora da ASA Paraíba, Maria da Glória Batista também falou sobre o papel que as políticas públicas de conivência com o semiárido têm desempenhado para a o fortalecimento da segurança e soberania alimentar.

 

Além da troca de sementes os agricultores e agricultoras também comercializaram seus produtos, entre eles as mudas de plantas medicinais, artesanatos, frutas, verduras, legumes, bolos, canjicas, doces, iogurtes e tapiocas. O grupo de mulheres do Assentamento Socorro, da cidade de Areia, produz bolos, doces e brigadeiros, todos feitos com banana, mas a novidade produzida pelo grupo “Doces Socorro” é a banana chips, um salgado feito com banana verde e sal. “Começamos a fazer depois de um curso lá na comunidade, ele tem o sabor de um salgado de batata e as pessoas gostam muito”, afirmou a integrante Josefa Teixeira. Na feira houve espaço ainda para testes rápidos de transgenia, com distribuição de certificados de “Livre de Transgênicos” para os guardiões que levaram as suas sementes para serem testadas.

 

A feira foi encerrada com uma benção inter-religiosa com representantes de praticantes de diversas religiões. A água, as sementes, a terra e a palma foram alguns elementos utilizados na benção para simbolizar a importância das sementes da paixão para as diversas comunidades, elementos que são essenciais para que a semente cresça e germine, garantindo alimento saudáveis as famílias agricultoras.

 

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Começa hoje em Arara, Paraíba, a VI Festa Estadual da Semente da Paixão

14, outubro, 2015 Sem comentários

PROGRAMAÇÃO

Dia 14 de outubro, quarta-feira

9h – Chegada e Inscrição dos participantes | Montagem da feira de sementes | Mística de abertura

10h – Abertura Oficial da Festa Estadual das Sementes da Paixão

Mesa 1: Oportunidade de afirmar os princípios, conquistas e os desafios do trabalho da Rede de Bancos Comunitários de Sementes da ASA Paraíba

Mesa 2: Panorama das políticas publicas conquistas e ameaças à agrobiodiversidade no contexto do semiárido brasileiro

Painelista: Gabriel Fernandes (AS-PTA, CNAPO)

19h – Vídeo-debate sobre a Democratização da Comunicação

20h – Abertura da Feira de Sementes das Sementes (Forro na Feira)

Museu de Padre ibiapina | Barracas com testes de transgenia e emissão de certificado livre de transgênicos

Dia 15 de outubro, quinta-feira

8h – Mística de abertura e início das atividades

Fala de abertura e orientações para divisão dos grupos;

Oficina 1: Gestão, Organização e Armazenamento das sementes nos BSC;

Oficina 2: Integrando as sementes florestais e frutíferas nos BSC;

Oficina 3: Produção, Seleção e Comercialização das Sementes – Foco PAA;

Oficina 4: Sementes dos animais;

Oficina 5: Produção das sementes de hortaliças;

Oficina 6: Beneficiamento de frutas nativas e adaptadas;

Oficina 7: Armazenamento e abertura de unidades conservadoras de material genético (bancos de germoplasma);

14h – Socialização das Oficinas

15h – Mesa de Diálogo com gestores públicos:

Dialogo com as políticas de sementes no semiárido, avanços e desafios para construção de políticas publicas

Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA)

Governo do Estado da Paraíba

Secretaria de Agricultura Familiar do Estado da Paraíba

Conselho Nacional de Segurança Alimentar (Consea)

Programa Sementes do Semiárido

Embrapa

Dia 16 de outubro, sexta-feira

9h – Atos simultâneos de denúncia em Campina Grande-PB

10h – Feira Estadual das Sementes da Paixão na Praça Clementino Procópio

13h – Benção inter-religiosa das Sementes da Paixão

14h – Almoço e retorno das Caravanas.