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Estudo aponta conflitos de interesse em pesquisas sobre cultivos OGM

19, dezembro, 2016 Sem comentários

casa branca e cientistas

Mais de metade dos estudos financiados pelas empresas de biotecnologia apresentou resultados favoráveis às plantas Bt.

via UOL, 16/12/2016

Washington, 16 dez 2016 (AFP) – Pelo menos 40% dos artigos publicados sobre estudos com cultivos de organismos geneticamente modificados (OGM) mostraram conflitos de interesse financeiros, afirmaram pesquisadores franceses.

As conclusões, publicadas na edição de 15 de dezembro da revista US Journal PLOS ONE, se baseiam em centenas de artigos de pesquisas difundidas em publicações científicas.

“Encontramos que foram comuns os vínculos entre os pesquisadores e a indústria do cultivo OGM, com 40% dos artigos considerados em conflitos de interesse”, destacou o estudo.

Os pesquisadores franceses encontraram que os estudos que têm conflitos de interesse foram mais favoráveis às empresas do setor de cultivos geneticamente modificados que os estudos que não receberam financiamento que pudesse interferir.

O estudo se concentrou em artigos sobre a eficácia e a durabilidade dos cultivos que são modificados para ser resistentes a pragas com uma toxina chamada Bacillus thuringiensis.

Thomas Guillemaud, diretor do estudo do Instituto de Pesquisas Agronômicas da França (INRA), disse à AFP que a equipe revisou originalmente 672 estudos antes de reduzi-los a um lote de 579 que mostrou claramente se havia ou não um conflito de interesse com o financiamento.

“Deste total, 404 foram estudos americanos e 83, chineses”, disse.

Para determinar se houve conflito, os pesquisadores examinaram a forma como os estudos foram financiados.

Os conflitos de interesse se determinaram nas pesquisas nas quais um dos autores declarou ter filiação com uma empresa de biotecnologia ou de sementes ou nos que receberam recursos para a sua realização.

“O ponto mais importante foi como nós também mostramos que existe um vínculo estatístico entre a presença dos conflitos de interesse e um estudo que chegará a uma conclusão favorável para o cultivo OGM”, disse Guillemaud.

“Quando os estudos apresentaram conflito de interesse, isto aumentou em 49% a probabilidade de que suas conclusões fossem favoráveis a colheitas de OGM”.

Entre os 350 artigos que não apresentaram conflito de interesse, 36% foram favoráveis a empresas do setor de cultivos OGM.

Enquanto isso, de 229 pesquisas com conflito de interesse, 54% se mostraram favoráveis a este tipo de companhias.

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Clima e pragas preocupam produtores de milho de Mato Grosso

4, maio, 2016 Sem comentários

No Mato Grosso avança a ocorrência de insetos praga que desenvolveram resistência ao milho transgênico Bt, que deveria controlar essas pragas. Além disso, como relata a matéria abaixo, pragas de importância secundária como o percevejo passam a ganhar importância. Ou seja, mais inseticidas sobre a tecnologia que prometia acabar com sua necessidade… [os grifos abaixo foram adicionados]

Notícias Agrícolas, 03/05/2016

Os produtores rurais de Mato Grosso estão preocupados com a safra de milho. Dados preliminares coletados pelas equipes do Circuito Tecnológico Etapa Milho mostram que haverá queda na produtividade. “Há o problema climático e também o plantio fora da janela ideal, consequência da safra anterior de soja. Na região Leste houve muitos relatos deste problema”, explica Cristiani Bernini, analista da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja).

Além disso, há a ocorrência de pragas na maior parte dos cultivos de milho transgênico, por causa da perda de resistência dos híbridos Bt. A Aprosoja monitora este problema e há rodadas frequentes para observar o desenvolvimento desta tecnologia no controle das pragas, especialmente da lagarta do cartucho.

O pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Alexandre Ferreira, observou que, além de milho semeado fora da janela, há área razoável de lavouras semeadas com milho grão. “Vimos também problemas com má distribuição de plantas na linha, principalmente por causa da velocidade no plantio. E ainda grande incidência de percevejos”, observa.

“A comissão de Defesa Agrícola está trabalhando fortemente com o grupo de trabalho que monitora a qualidade das sementes em relação a vigor e germinação. Nesta safra, a maior parte dos relatos sobre baixa qualidade das sementes foi na região Norte”, afirma Franciele Dal’Maso, analista da Aprosoja.

O circuito – As seis equipes técnicas do Circuito Tecnológico Etapa Milho percorreram mais de 7.600 quilômetros e cobriram uma área de mais de 210 mil hectares de lavouras de milho, um aumento de 12% da área em relação ao evento do ano passado. Foram visitados 30 municípios e aplicados 187 questionários. Os dados estão sendo analisados pelos especialistas da Aprosoja e da Embrapa e pelos estatísticos do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea).

O Circuito Tecnológico Etapa Milho ocorreu de 25 a 29 de abril e foi realizado pela Aprosoja e pela Embrapa, com apoio do Imea. São patrocinadores a Syngenta, Dupont e UPL.

Fonte: Aprosoja

Milho milagroso – promessas duvidosas dos transgênicos

15, dezembro, 2014 Sem comentários

Milho transgênico não resiste ao ataque de lagartas no Mato Grosso

11, agosto, 2014 Sem comentários

Reportagem mostra no campo o resultado de uma tecnologia que não funciona somado ao mercado de sementes concentrado nas mãos de meia dúzia de grandes empresas.

Globo Rural, 10/08/2014

Agricultores de Mato Grosso que apostaram no milho transgênico estão frustrados. As variedades, que deveriam resistir ao ataque de lagartas, não funcionaram

Falta pouco pro agricultor Daniel Schenkel terminar a colheita do milho safrinha, na propriedade em Campo Verde, sudeste do Mato Grosso. Pelo quarto ano seguido, ele apostou no milho transgênico. O agricultor plantou o milho com resistência à lagarta, conhecido como “bt”.
Ele é chamado assim porque recebeu uma toxina extraída da bactéria Bacillus thuringiensis. Quando a lagarta come a planta, ela morre.

O problema é que nesta safra, o desempenho de muitas lavouras no estado ficou abaixo do esperado. Em abril deste ano, o Globo Rural mostrou a plantação de Daniel. Na época, o milho transgênico estava infestado de lagartas e, para evitar mais prejuízos, o jeito foi adotar na lavoura transgênica o mesmo manejo usado  na plantação convencional, ou seja, passar mais inseticida. E gastar mais do que o previsto!

“A saca de semente transgênica custa R$ 450 pra gente e a convencional R$ 250. No convencional eu fiz quatro aplicações de inseticida. No transgênico fiz três. Não compensa”, explica o agricultor.

O milho transgênico foi desenvolvido justamente para reduzir os custos de produção, como explica o agrônomo Márcio Ferreira, professor da Universidade Federal de Mato Grosso. “Teoricamente, o milho transgênico não precisaria de pulverização com inseticidas para a lagarta”.

Para que o milho transgênico seja eficiente, a recomendação é que ele seja cultivado associada ao milho convencional em uma área chamada de refúgio. Neste local, os insetos poderão sobreviver e se reproduzir, reduzindo as chances de que desenvolvam resistência ao transgênico.

Na área de refúgio, as plantas convencionais devem estar no máximo a 800 metros de distância das plantas de milho “bt”. Elas podem ser cultivadas no perímetro da lavoura ou em faixas, dentro da área de cultivo.

O agricultor Daniel Schenkel diz que seguiu a recomendação. “Eu fiz 10% de refúgio com bordadura, com áreas nos cantos pro convencional exatamente como a empresa pedia e no final o resultado não foi o esperado”, diz.

O sinal verde para o uso do milho transgênico no Brasil foi dado em 2007 com a aprovação das três primeiras variedades com resistência ao ataque de lagartas. De lá prá cá, o número de materiais disponíveis aos agricultores se multiplicou, assim como a presença dos transgênicos nos campos brasileiros. Hoje a estimativa é de que 80% das lavouras plantadas em todo o país sejam transgênicas.

Com tanto transgênico no mercado, o agricultor Fernando Ferri encontrou um problema para fazer a área de refúgio. Na lavoura dele, não deu para plantar convencional. Ele não achou sementes para comprar: “As empresas não tem volume suficiente nem para esses 10$ de refúgio que são recomendados”.

A Aprosoja notificou extra judicialmente as quatro empresas detentoras das tecnologias disponíveis no mercado. Quer explicações para o que aconteceu no campo.

“Nós temos produtores com prejuízos em todas as regiões do estado e precisamos ter destas empresas detentoras, uma posição, uma resposta, porque desta perda de eficiência”,  afirma Luiz Nery Ribas, diretor técnico da Aprosoja- MT.

As quatro empresas não quiseram gravar entrevistam, mas enviaram notas. A Dupont Pioneer informou que constatou o desenvolvimento de resistência da lagarta do cartucho ao milho “bt”, mas que a tecnologia continua oferecendo ampla proteção contra importantes lagartas que atacam a cultura.

Já a Syngenta informou que tem equipes técnicas preparadas para esclarecer as dúvidas dos agricultores e buscar soluções integradas. A Dow Agrosciences disse que já entrou em contato com a associação dos produtores e que continua participando de discussões sobre o tema. E a Monsanto destacou que a preservação e a sustentabilidade das tecnologias “bt” dependem do cumprimento das recomendações técnicas.

Agricultores notificam empresas por falha em transgênicos

29, julho, 2014 Sem comentários

Eu já sabia, diria o Zagalo…

Agricultores do Mato Grosso notificaram quatro empresas de biotecnologia reclamando da perda de eficiência de um tipo de milho transgênico

Milho transgênico teria falhado em conferir a prometida resistência a lagartas

Khaled Desouki/AFP, via Exame, 28/07/2014

São Paulo – A Associação de Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) informou nesta segunda-feira que notificou extrajudicialmente quatro empresas de biotecnologia reclamando da perda de eficiência de um tipo de milho transgênico.

A entidade disse que variedades de milho Bt da Monsanto, DuPont, Dow Chemical e Syngenta falharam, na última safra, em conferir a prometida resistência a lagartas.

“As lagartas deveriam morrer ao comerem o milho. Mas, considerando que elas não morreram neste ano, produtores tiveram de gastar em média 120 reais por hectares… em um período em que os preços do milho estão terríveis”, disse o presidente da Aprosoja-MT, Ricardo Tomczyk, Segundo a Aprosoja-MT, o custo de produção aumentou em decorrência das aplicações a mais de inseticidas.

As empresas dizem que cabe aos produtores utilizar a tecnologia adequadamente, seguindo as recomendações técnicas para garantir a eficiência da tecnologia.

“A companhia orienta os produtores rurais quanto à necessidade de adoção de um sistema de manejo integrado de pragas, que inclui, entre outras ações, o cultivo das áreas de refúgio que são essenciais para manter o equilíbrio das populações de pragas-alvo”, disse a Dow AgroSciences, divisão de agronegócios da Dow Chemical, em nota.

Já a DuPont afirmou que seus híbridos “continuam a oferecer controle efetivo contra um amplo espectro de pragas e, quando combinados com as melhores práticas de manejo”, permitem que os produtores atinjam todo o potencial das variedades.

A Dow disse que está analisando as alegações indicadas no documento da Aprosoja e disse que vai se posicionar dentro de um prazo de dez dias cobrado pela associação.

Já a DuPont informou que “até o momento não recebeu nenhuma notificação” sobre a eficiência da tecnologia.

A Monsanto informou que ainda não recebeu a notificação extrajudicial da Aprosoja e que vai se manifestar quando analisar os respectivos termos da notificação. Procurada pela Reuters, a Syngenta não se manifestou imediatamente.

A Aprosoja quer que as empresas ofereçam soluções para as falhas apresentadas pela tecnologia e uma forma de ressarcir os prejuízos enfrentados pelos produtores rurais de Mato Grosso.

 

Milho que deveria resistir às pragas traz problemas para produtores de MS

15, julho, 2014 Sem comentários

E ainda há quem, como a senadora Kátia Abreu (PMDB-TO), insista em defender que o milho transgênico reduz o uso de agrotóxicos. “O fato incontestável é que as lavouras transgênicas são manejadas usando menos defensivos agrícolas”, atestou a ruralista em artigo na Folha de São Paulo três dias após publicação da matéria que segue.

milho herculex

G1, 02/07/2014

Lavouras com variedades transgênicas têm grande infestações.

Saída foi aumentar o número de aplicações de defensivos.

 

Os produtores de milho de Mato Grosso do Sul estão preocupados. Eles investiram em sementes de variedades transgênicas resistentes ao ataque de lagartas, só que a infestação nas lavouras é grande. A saída foi aumentar o número de aplicações de defensivos.

O agricultor Edemilson Vincenzi cultiva 830 hectares de milho em uma propriedade no município de Maracaju. Há sete anos, ele investe em uma variedade transgênica, por ser mais resistente às pragas, mas nas últimas safras, a eficiência tem diminuído e o produtor precisou aumentar o número de aplicações de defensivos. O resultado foi o aumento no custo de produção.

A lavoura recebeu três aplicações de inseticidas e ainda assim é possível ver espigas danificadas. Em uma delas, a lagarta do cartucho come os grãos a vontade. O agricultor explica que em espigas como esta, a produção pode cair pela metade.

A tecnologia utilizada nessas variedades transgênicas promete maior resistência das plantas às pragas, como lagartas e percevejos, mas para maior eficiência é preciso sempre reservar uma área para o plantio do milho convencional, a chamada área de refúgio, que deve ser de 5% a 10% da área total.

A técnica do refúgio não é obrigatória, apenas uma recomendação, e, por isso, nem sempre é praticada por todos os produtores, conforme explica o pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), especialista em combate de pragas, Crébio José Ávila.

Em outra lavoura, também em Maracaju, foram cultivados 850 hectares com milho com a mesma tecnologia e outros 260 hectares com o tipo convencional. Mesmo seguindo todas as recomendações, as aplicações de inseticidas foram necessárias, como conta a agricultora Renata Azambuja.

O pesquisador explica que o problema não é visto apenas em Mato Grosso do Sul, produtores de outros estados também tem enfrentado a mesma situação. “É um problema generalizado no Brasil porque essa não-adoção da área de refúgio, principalmente, contribuiu para o desenvolvimento da resistência”, diz Crébio.

Área de refugio será obrigatória nas lavouras que usam tecnologia BT, diz Mapa

10, junho, 2014 Sem comentários

A CTNBio não considera a adoção de refúgio medida de biossegurança e por isso nunca regulamentou o assunto; Preferiu deixar as pragas desenvolverem resistência e a empresas venderem novas promessas de sementes resistentes

Agrolink, 06/06/2014

O ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Neri Geller, garantiu que a implantação de áreas de refúgio nas culturas do algodão, soja e milho vai passar a valer na próxima safra, visto que a colheita destas culturas acontecem só em 2015. A garantia foi dada em reunião da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Algodão e Derivados realizada nesta quinta-feira (05.06).

De acordo com o ministro, os técnicos do Ministério da Agricultura participam de uma discussão técnica para delimitar o percentual das áreas de refúgio nas propriedades. “O refúgio é importante para manter a sustentabilidade”, frisou Geller.

O objetivo da técnica do refúgio é garantir à suscetibilidade dos insetos às toxinas do plantio transgênico. No entanto, se a área não for delimitada corretamente, o uso da tecnologia BT corre o risco de se tornar ineficiente, uma vez que pragas mais resistentes podem se desenvolver.

Esses espaços ainda não são regulamentados no Brasil e necessitam de parâmetros federais, inclusive para fiscalização. A intenção é que sejam adotadas regras semelhantes às utilizadas nos Estados Unidos e na Austrália, mas com padrões adaptados à realidade brasileira.

O fracasso do milho transgênico

21, maio, 2014 Sem comentários

Milho transgênico em xeque em Mato Grosso

Valor Econômico, 19/05/2014 (Via IHU-Unisinos).

“Paguei pela tecnologia transgênica, gastei a mais para combater lagartas e ainda acho que vou ter uma quebra de 10% a 15% de produtividade”, prevê.

Ferri não está sozinho. Boa parte dos produtores de milho de Mato Grosso enfrenta problemas na safrinha atual com o ataque de lagartas ao milho Bt, variedade que recebe por meio de engenharia genética uma toxina da bactéria Bacillus thuringiensis com ação inseticida. Ocorre que a praga passou a ter resistência ao transgênico, e não o contrário, como a tecnologia propunha.

O Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) estima que as aplicações extras de inseticidas farão os produtores locais gastarem mais R$ 228,8 milhões nesta safrinha, que está em fase de desenvolvimento.

A entidade concluiu que a média está em quatro aplicações – o “normal” seria até duas, mesmo porque há outras pragas na lavoura – e que esse gasto representa 4% do custo total de produção do milho de alta tecnologia, hoje em torno de R$ 1,8 mil por hectare.

No cálculo, o Imea leva em conta toda a área plantada de Mato Grosso, mas como 88% das lavouras do grão no Estado utilizam o Bt, fica claro que há um impacto significativo da resistência das lagartas nesse custo adicional.

Nery Ribas, gerente técnico da Aprosoja/MT, afirma que a lagarta do cartucho é a maior vilã do Bt no momento. “Nossa preocupação é tão grande quanto foi com a helicoverpa na soja”.

A resistência da praga já era esperada, acrescenta Ribas, mas os produtores acreditavam que ela demoraria mais para aparecer. A tensão se acirrou este ano, embora o problema exista há pelo menos dois ciclos, afirma.

A primeira variedade comercial de milho Bt foi lançada no Brasil pela Monsanto, em 2007, uma década depois dos EUA. Nos anos seguintes, outras gigantes do segmento, como Syngenta, DuPont e Dow AgroSciences , trilharam esse caminho e 16 cultivares de milho resistente a insetos já estão aprovadas no país.

Entre as boas práticas da tecnologia, consta a necessidade de plantio de milho convencional em pelo menos 10% da área que receberá o Bt, para evitar a rápida seleção de insetos resistentes.

Mas, para Fernando Valicente, pesquisador da Embrapa Milho e Sorgo, a falta dessa “área de refúgio”, ou a destinação de uma área muito pequena (considerando que o Brasil é um país tropical e que há regiões onde há três cultivos por ano), são agravantes. “Já há relatos parecidos em Minas Gerais, no Paraná e na Bahia”, diz.

A pedido do Ministério da Agricultura, a Embrapa está trabalhando em uma política pública de manejo de resistência de lagartas ao milho Bt. O documento deverá ser encaminhado ao ministério nos próximos dias.

Ribas, da Aprosoja/MT, afirma que os produtores estão atentos ao refúgio, mas muitos tiveram dificuldades em obter sementes não-transgênicas. Foi o caso de Ferri, que não conseguiu o material convencional e plantou toda a lavoura com Bt – um dos possíveis gatilhos para a resistência.

Para o próximo ciclo, o produtor cogita semear toda a área sem transgenia. “Posso gastar mais com defensivos, mas a semente é mais em conta e não terei de pagar R$ 80 a R$ 100 por hectare em royalties [às empresas detentoras da tecnologia]”.

Em nota, a DuPont, por meio de sua divisão de sementes Pioneer, confirmou que um monitoramento no Brasil apontou o desenvolvimento de resistência da lagarta do cartucho à proteína Cry1F, usada no milho Bt da companhia. A empresa afirma estar trabalhando junto aos produtores “em práticas de manejo eficazes para estender a durabilidade da tecnologia”, processo que envolve “o monitoramento, a aplicação de inseticidas e o manejo efetivo durante a safra”.

Também em nota, a Dow AgroSciences defendeu a adoção do manejo integrado de pragas e disse que “condições climáticas adversas, fertilidade do solo e práticas de adubação de plantio e cobertura nitrogenada podem contribuir para a redução da eficácia das tecnologias de controle de pragas”.

A Syngenta ressaltou a importância de “estratégias abrangentes” de manejo, como “área de refúgio, rotação de culturas e tecnologias de proteção de cultivo”. A Monsanto preferiu não se pronunciar.

 

Milho Bt vira pasto para lagartas no Mato Grosso

25, abril, 2014 Sem comentários

G1,  23/04/2014 [clique no link para ver o vídeo]

Em Mato Grosso, lagartas atacam lavouras de milho transgênico

Semente transgênica deveria dispensar o uso de inseticidas.

Lavouras plantadas em fevereiro estão infestadas da lagarta do cartucho.

Os agricultores de Mato Grosso reclamam da eficácia de uma variedade de milho transgênico resistente às lagartas. As lavouras estão infestadas e, para controlar as pragas, é necessário aplicar mais agrotóxico do que o previsto, um que acontece em muitas regiões do Brasil.

Folhas parcialmente destruídas, plantas que não vão produzir o esperado, tudo muito diferente do que o agricultor Daniel Schenkel esperava ver no milharal em Campo Verde, sudeste de Mato Grosso. Dos 600 hectares, 540 foram cultivados com milho transgênico, que deveria resistir ao ataque das principais lagartas da cultura, como a lagarta do cartucho.

Quem aposta no milho transgênico está de olho na principal vantagem prometida pela tecnologia, que é justamente a possibilidade de controlar as lagartas sem a necessidade do uso de inseticidas. Só que nesta safra, o pessoal da fazenda não está conseguindo ter este benefício na prática. A lavoura plantada no início de fevereiro já passou por três pulverizações para combater a praga.

Cada aplicação custou ao agricultor R$ 46 por hectare, uma despesa de quase R$ 65 mil, que não estava planejada.

Em grandes infestações, a praga pode provocar perdas de até 50% da produção, segundo o engenheiro agrônomo Cláudio Gonçalves. Ele explica que em Campo Verde, os agricultores reclamam da presença deste inseto em várias plantações transgênicas.

O problema preocupa a Associação dos Produtores, que já identificou a quebra de eficiência do milho transgênico em todas as regiões do estado. A entidade está levantando o tamanho do prejuízo e quer saber quem vai arcar com as perdas no campo.

“O primeiro prejuízo, o do produtor comprar a tecnologia e ela não existir mais, já ter quebrado, acho que a empresa que vendeu a semente tem que se responsabilizar por isso. Não dá para vender gato e entregar lebre, isso é inadmissível! Agora, a responsabilidade de todos com a perpetuação da resistência, com a garantia da qualidade da tecnologia essa tem que envolver produtor, revenda, multinacionais, todo mundo para o bem da produção brasileira”, explica Carlos Fávaro, presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado de Mato Grosso (Aprosoja).

A empresa Dupont Pioneer, responsável pela venda das sementes, confirma que há casos de resistência da lagarta do cartucho ao milho BT, mas que a tecnologia continua sendo eficiente no controle de várias outras pragas. A empresa diz que está trabalhando com os agricultores para encontrar práticas de manejo que ajudem a estender a durabilidade da tecnologia.

China terá de pagar prêmio em futuras importações de milho transgênico, alertam EUA

21, março, 2014 Sem comentários

Reuters, 20/03/2014

GENEBRA, 20 Mar (Reuters) – A China poderá ter de pagar prêmios em suas compras futuras de milho “transgênico”, depois de ter rejeitado carregamentos com sementes geneticamente modificadas dos Estados Unidos, disse um oficial do Departamento de Agricultura norte-americano (USDA).

“Os chineses terão de aprender que as suas ações terão consequências”, disse o representante do USDA para a China, Fred Gale, em evento da AgResource Cereals Europe.

A China rejeitou oficialmente 887 mil toneladas de milho dos EUA desde novembro do ano passado, depois de ter detectado a variedade geneticamente modificada da Syngenta MIR162, não aprovada no país.

A variedade designada para oferecer proteção contra insetos foi aprovada em muitos países.

A China é o terceiro maior comprador de milho dos EUA e aprovou 15 variedades geneticamente modificadas para importação.

A MIR162 aguarda aprovação desde que a Syngenta submeteu uma aplicação em março 2010. Mas o MIR162 tem sido misturado a outras variedades desde que a China começou a importar outras variedades de milho dos EUA em 2011.

A Câmara de Comércio Americana, que tem entre seus membros a Syngenta, reclamou no mês passado que o processo de aprovação de transgênicos na China tornou-se “lento, imprevisível e não transparente”.

“Os vendedores terão de adicionar um prêmio de risco se a China tornar-se um cliente arriscado, porque é claro que esta não é a primeira vez que acontece. Aconteceu sistematicamente com várias commodities que sofreram rejeições de embarques”, disse Gale.

A reunião anual do comitê de biossegurança da China está prevista para o final de março. Se nenhuma decisão for tomada sobre o pedido pendente da Syngenta, a próxima oportunidade para uma revisão será em junho.

O USDA estima as importações da China em 5 milhões de toneladas.

(Reportagem adicional de Christine Stebbins em Chicago)

 

França proíbe milho transgênico da Monsanto antes de plantio

17, março, 2014 Sem comentários

Exame (via Reuters) , 15/03/2014

Paris – O Ministério da Agricultura francês proibiu neste sábado a venda, uso e cultivo de milho MON 810 geneticamente modificado da Monsanto, a única variedade atualmente autorizada na União Europeia.

O governo francês, que mantém que as culturas geneticamente modificadas apresentam riscos ambientais, vem tentando colocar uma nova proibição ao milho após seu mais alto tribunal ter derrubado medidas semelhantes duas vezes anteriormente.

A decisão está programada para evitar qualquer semeadura de milho transgênico por parte dos agricultores antes de um projeto de lei que será debatido em 10 de abril e é destinado a proibir o plantio organismos geneticamente modificados.

Diferenças de longa data entre os países da UE ressurgiram em fevereiro, quando eles não conseguiram chegar a um acordo sobre se devem ou não aprovar uma outra variedade de milho geneticamente modificado, o Pioneer 1507, desenvolvido pela DuPont e Dow Chemical, deixando o caminho aberto para a Comissão da UE liberá-lo para o cultivo.

A França tenta ganhar apoio para reformar as regras da UE.

 

França proíbe cultivo de milho transgênico Monsanto MON 810

17, março, 2014 Sem comentários

EM (via AFP), 15/03/2014

O ministério francês da Agricultura proibiu neste sábado por decreto a comercialização, utilização e cultivo de milho geneticamente modificado MON 810, produzido pelo grupo americano Monsanto.

“A comercialização, a utilização e o cultivo de variedades de sementes de milho procedentes do milho geneticamente modificado MON 810 (…) ficam proibidos até a adoção (…) de uma decisão definitiva”, estipula o decreto, publicado no Diário Oficial.

Já estava previsto que uma proposta de lei que proíbe o cultivo de milho transgênico fosse debatida no Parlamento francês no dia 10 de abril.

Mas o ministério da Agricultura considerou que havia urgência “devido à proximidade do início do período de plantio” para estabelecer a proibição, invocando o “princípio de precaução”.

“Segundo dados científicos confiáveis e pesquisas internacionais muito recentes, o cultivo de sementes de milho MON 810 (…) apresentaria graves riscos para o meio ambiente, assim como um risco de propagação de organismos daninhos convertidos em resistentes”, indica o texto.

Os Estados da União Europeia têm a possibilidade de proibir em seu território um OGM autorizado pela UE.

 

Mas a França quer modificar uma proposta da Comissão Europeia para ampliar e consolidar os motivos pelos quais um Estado membro pode se negar a cultivar um OGM em seu território se Bruxelas autorizar.

 

Paris quer que cada empresa produtora de OGM “solicite a cada Estado uma autorização para cultivá-los”, disse recentemente o ministro da Agricultura, Stephane Le Foll.

China rejeita carga de 60 mil toneladas de milho transgênico

4, dezembro, 2013 Sem comentários

Globo Rural, 02/12/2013

A China rejeitou uma carga de 60 mil toneladas de milho transgênico proveniente dos Estados Unidos. De acordo com o Departamento de Supervisão e Inspeção de Qualidade chinês, a carga foi rejeitada por conter uma variedade que não foi liberada pelo governo do país asiático.

A notícia foi divulgada pela agência de notícias UPI. De acordo com a publicação, a carga foi rejeitada no porto de Shenzhen. O milho MIR 162 é produzido pela Syngenta e tem entre as principais características a resistência a insetos.

Ainda de acordo com a UPI, o governo chinês comunicou o Departamento de Comércio dos Estados Unidos para que reforce a inspeção desse tipo de produto. Já a Syngenta confirmou que a variedade integra uma série de tecnologias que aguardam aprovação das autoridades chinesas e que questões como esta podem provocar problemas no mercado.

Mapa diz que milho Bt favoreceu Helicoverpa armigera ao reduzir Spodoptera

29, outubro, 2013 Sem comentários

Lagarta pode atacar diferentes culturas

O título anuncia bem mais do que depois a matéria fornece. Não se trata de uma posição institucional nem de algum relatório divulgado pelo Ministério. De qualquer forma, é um reconhecimento importante vindo do órgão que até então procurou dissociar a explosão populacional desse inseto com a presença de lavouras transgênicas na região.

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Agrolink, 28/10/2013

Segundo o coordenador da Defesa Vegetal do Ministério da Agricultura, Wanderlei Dias Guerra, o uso em grande escala do milho BT pode ter sido um dos responsáveis pelo aumento da população da Helicoverpa armigera. Isso porque essa modificação com genes da bactéria Bacillus thuringiensis reduziu a população de uma praga conhecida como Spodoptera, que é um inimigo natural da Helicoverpa.

“São situações que encontramos no campo, e vamos tecendo algumas hipóteses, e teorias do que pode ter acontecido. Nos últimos anos tem havido uma utilização massiva de milho BT, que controla a Spodoptera. Mas não seria esse o fator principal. O importante é que isso sirva para mostrar que qualquer desequilíbrio que se faça num ecossistema pode causar explosões de determinadas pragas”, sustenta Guerra.

O representante do Mapa ressalva que a Spodoptera é “uma praga importante, que causa danos no cartucho do milho”. “Mas talvez seja um explicação para a explosão da Helicoverpa. Estive na Bahia com a Aprosoja, e aqueles agricultores enfrentaram um período grande de seca. Os insetos, as pragas de solo, se aproveitam da estiagem. Também vimos grandes áreas abandonadas, onde os produtores simplesmente deixaram de fazer qualquer aplicação porque não valia mais a pena”, completou.

Guerra aponta ainda que o “plantio direto” é outra prática que pode ter estimulado a explosão da Helicoverpa armigera. “Ela completa seu ciclo no solo. A falta de revolvimento no solo também explica um pouco esse aumento populacional”, afirma ele.

Itália proíbe milho transgênico da Monsanto

24, julho, 2013 Sem comentários

Itália é o nono país europeu a proibir o milho da Monsanto

Com informações da Reuters, 12/07/2013.

Três ministros italianos – da agricultura, da saúde e do meio ambiente – assinaram um decreto banindo o cultivo do milho transgênico da Monsanto MON810.

O ministro da agricultura citou os impactos negativos à biodiversidade como principal justificativa para a publicação do decreto. “Nossa agricultura é baseada na biodiversidade, na qualidade, e precisamos continuar a buscar esses objetivos, sem jogos [os transgênicos] que mesmo do ponto de vista econômico não nos tornariam competitivos”, declarou o ministro.

Enquanto as aprovações para o cultivo de transgênicos na Europa são definidas de forma conjunta no nível da União Europeia, governos nacionais podem, individualmente, estabelecer salvaguardas caso considerem que o plantio represente riscos para a saúde ou o meio ambiente.

No ano passado, a França estabeleceu uma moratória similar aos transgênicos.

Segundo a maior organização de agricultores da Itália, a Coldiretti, uma pesquisa recente apontou que cerca de 80% dos italianos apoiam a proibição.

N.E.: Até hoje a União Europeia só autorizou o cultivo de dois transgênicos: o milho MON810, da Monsanto, tóxico a lagartas, e a batata Amflora, da Basf, modificada para produzir amido industrial, que foi um fiasco de mercado e já teve a comercialização suspensa pela Basf. Antes da Itália, outros nove países europeus já tinham proibido o cultivo do milho da Monsanto: Polônia, Alemanha, Áustria, Hungria, Luxemburgo, França, Grécia, Itália e Bulgária.