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Muita promessa e pouco resultado

26, julho, 2016 Sem comentários

‘Aedes do bem’ não será adotado pelas prefeituras da RPT

Mesmo com os bons resultados levantados em Piracicaba com os mosquitos transgênicos chamados “Aedes do bem”, os municípios da RPT (Região do Polo Têxtil) ainda estão cautelosos em investir na nova tecnologia. Em janeiro, duas prefeituras haviam manifestado interesse no mosquito, que combate o mosquito transmissor da dengue, zika vírus e chikungunya. Seis meses depois, nenhuma cidade avançou nas tratativas e informaram que esperam comprovações da efetividade do controle.

Desde o início do ano, foram registrados 2.716 casos de dengue na RPT, uma queda significativa quando comparado ao mesmo período de 2015, quando foram mais de 30 mil infectados. Até agora, foram 58 casos de zika e 14 chikungunya, estes últimos importados. Em janeiro, Nova Odessa e Hortolândia haviam demonstrado interesse em investir no “Aedes do bem” como forma de combate às transmissões. A assessoria de imprensa do primeiro município informou que “optou por aguardar novos testes relacionados ao assunto para depois fazer contato com empresa para discussão da implantação do projeto”. Hortolândia não se posicionou sobre o andamento nas negociações para adquirir a tecnologia.

A Secretaria de Saúde de Americana informou, por nota, que “os estudos são promissores, mas que carecem de mais comprovações”. Santa Bárbara “ainda não cogita o uso dessa tecnologia” e Sumaré “prefere manter cautela em relação à sua utilização e avaliar a possibilidade apenas quando as agências reguladoras de saúde comprovarem a eficácia do método”.

Uma fábrica para produção dos mosquitos geneticamente modificados está sendo construída em Piracicaba, devendo entrar em operação até o final do ano, com a capacidade de produzir 60 milhões de poupas por semana. Segundo a empresa produtora da tecnologia, a Oxitec, diversos municípios demonstraram interesse em adquirir os mosquitos, como Paranaguá, no Paraná, e Vitória, no Espírito Santo.

Os mosquitos geneticamente modificados se reproduzem com as fêmeas selvagens, mas carregam um gene que faz com que os filhotes morram antes de chegar à fase adulta. O bairro piracicabano Cecap/Eldorado reduziu em 91% os casos de dengue no período de 2015 e 2016 em comparação com 2014 e 2015, caindo de 133 para 12 registros. O bairro foi escolhido por ter o maior número de casos de dengue durante o Verão de 2014 e 2015, quando a taxa de incidência da doença foi 195% maior do que a contabilizada no resto do município.

Para o infectologista Rogério de Jesus Pedro, da Faculdade de Medicina da PUC-Campinas, a cautela dos municípios é justificada. “A tecnologia é experimental, ainda não tem uma consagração generalizada. Acho que é adequado aguardar resultados conclusivos para depois fazer investimentos maiores”.

Wanderlei Pignati fala da polêmica da pulverização aérea

8, julho, 2016 Sem comentários

Abrasco, 01/07/2016

Michel Temer sancionou lei (13.301/2016) que permite a pulverização aérea de inseticidas sobre cidades para controle do mosquito Aedes aegypti

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Temer pode rever lei que permite uso de aviões no combate ao Aedes

5, julho, 2016 Sem comentários


O presidente em exercício Michel Temer pode rever a lei que prevê o uso de aeronaves no co

mbate ao mosquito Aedes aegypti. Ele chamou para uma conversa o ministro da Saúde, Ricardo Barros, para pedir esclarecimentos sobre os efeitos na população do lançamento de inseticidas pelos aviões.
Reportagem de André Trigueiro, no Jornal Nacional desta segunda (04), revelou que especialistas em saúde pública estão fazendo um alerta sobre o risco de se lançar inseticida de aviões para combater o mosquito transmissor da dengue, chikungunya e zika.

A nova lei sancionada por Temer prevê o uso de aeronaves mediante aprovação das autoridades sanitárias e da comprovação científica da eficácia da medida. Segundo a reportagem, a lei contraria recomendação técnica do próprio Ministério da Saúde, que apontou em abril riscos para a população, para as águas e para os alimentos. Segundo a pasta, há risco de desequilíbrio ecológico causado pela morte de algumas espécies.

O inseticida mais usado no Brasil para combater o mosquito Aedes aegypti é o malathion. Ele costuma ser pulverizado nos carros fumacê, em locais específicos. Segundo a Organização Mundial da Saúde, há evidências de que o malathion causa câncer em animais, mas não se confirmou até o momento o mesmo efeito em seres humanos.

Clique aqui para aderir a abaixo-assinado ao presidente interino e ilegítimo pedindo a derrubada da medida

URGENTE: Aprovada pulverização aérea nas cidades

29, junho, 2016 Sem comentários

Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida, 28/06/2016

O presidente interino Michel Temer sancionou ontem a Lei nº 13.301/2016, que dispõe sobre medidas de controle do mosquito Aedes Aegypti.

Dentre elas, consta a “permissão da incorporação de mecanismos de controle vetorial por meio de dispersão por aeronaves mediante aprovação das autoridades sanitárias e da comprovação científica da eficácia da medida.

Ou seja, preparem seus guarda-chuvas, pois em breve vai chover veneno na sua cabeça.

Mesmo que a Campanha, Abrasco, Consea, Consems, Conass, Fiocruz, o próprio Ministério da Saúde e tantas outras instituições tenham se posicionado contra, a sede de lucro falou mais alto. A proposta veio justo do Sindicato de Aviação Agrícola (Sindag), coincidentemente no mesmo ano em que a venda de agrotóxicos recua 20%.

A pulverização aérea para controle de vetores, além de perigosa é ineficaz. Anos e anos de aplicação de fumacê serviram apenas para selecionar os mosquitos mais fortes, forçando o aumento nas doses de veneno e a utilização de novos agrotóxicos. Os efeitos na saúde da população exposta à pulverização aérea nas lavouras está extremamente bem relatado no Dossiê Abrasco.

A pulverização aérea é perigosa porque atinge muitos outros alvos além do mosquito. E justo por isso, é também ineficaz. O agrotóxico será pulverizado diretamente sobre regiões habitadas, atingindo residências, escolas, creches, hospitais, clubes de esporte, feiras, comércio de rua e ambientes naturais, meios aquáticos como lagos e lagoas, além de centrais de fornecimento de água para consumo humano. Atingirá ainda, indistintamente, pessoas em trânsito, incluindo aquelas mais vulneráveis como crianças de colo, gestantes, idosos, moradores de rua e imunossuprimidos.

Ainda que a lei aprovada exige a aprovação das autoridades sanitárias, sabemos que o atual ministério interino da saúde  partilha dos mesmos interesses sujos, e não deve demorar muito a aprovar medidas, ou iniciar temerosos testes em populações feitas de cobaia.

Não reconhecemos este governo, e lutaremos até o fim para que o prejuízo da indústria de agrotóxicos não seja recuperado às custas da nossa saúde.

Assine aqui:

https://secure.avaaz.org/en/petition/Presidencia_da_Republica_Veto_a_emenda_que_permite_pulverizacao_aerea_nas_cidades/

 

Contato para imprensa

Jakeline Pivatto: 41 9676 5239

Íris Pacheco: 11 97581 8121

 

Manifestações contra a pulverização aérea nas cidades:

Abrasco: https://www.abrasco.org.br/site/2016/04/nota-contra-pulverizacao-aerea-de-inseticidas-para-controle-de-vetores-de-doencas/

Ministério da Saúde: http://portalsaude.saude.gov.br/images/pdf/2016/abril/01/Esclarecimentos-sobre-pulveriza—-o-a–rea-e-o-controle-de-endemias.pdf

Fiocruz: http://www.ensp.fiocruz.br/portal-ensp/informe/site/materia/detalhe/39855

Conass e Conasems: http://www.conasems.org.br/servicos/todas-noticias/45-ultimas/4615-conasems-e-conass-pedem-veto-a-proposta-de-utilizacao-de-aeronaves-para-dispersao-de-inseticidas-para-controle-do-aedes

Pesquisadores condenam uso de agrotóxicos para combater mosquito

3, março, 2016 Sem comentários

Uma das principais revistas científicas da área médica publicou esta semana nota técnica produzida por pesquisadores brasileiros ligados à Abrasco em que condenam e pedem o fim do uso de agrotóxicos no combate ao mosquito Aedes aegypti.

“Para a Abrasco, a degradação das condições de vida nas cidades, saneamento básico inadequado, particularmente no que se refere à dificuldade de acesso contínuo a água, coleta de lixo precária, esgotamento sanitário, descuido com higiene de espaços públicos e particulares – são os principais responsáveis por esse desastre [os surtos de dengue, Zika e Chinkungunya].”

Confira a nota publicada pelo The Lancet: http://www.thelancet.com/journals/lancet/article/PIIS0140-6736(16)00626-7/fulltext

Quem vai registrar o uso do mosquito transgênico?

24, fevereiro, 2016 Sem comentários
foto: Leonardo Melgarejo

foto: Leonardo Melgarejo

Há no site da Anvisa uma nota que dá a entender que ela pode querer passar a batata quente do registro do Aedes GM para outra instância. O processo está lá desde meados de 2014 e é de se imaginar a pressão que estão recebendo. Na última sexta a Dilma visitou a fábrica da Moscamed em Juazeiro. Se registra o produto a Anvisa terá o ônus de fiscalizar seu uso, se diz não baterá de frente com a ctnbio e criará um problema político para o governo.

E como no caso do Espírito Santo e do Mato Grosso do Sul, outros governos, inclusive municipais, estão argumentando que essa é uma ferramenta a mais e deve portanto ser adotada. Mas para tanto falta o registro pela Anvisa…

Já no sábado passado a Folha de S. Paulo publicou matéria que melhor situa a manifestação da OMS sobre o mosquito transgênico. Alguns jornais noticiaram apoio da OMS ao uso do mosquito transgênico desenvolvido pela britânica Oxitec, quando o texto divulgado recomenda a realização de mais teste e de uma avaliação de riscos da nova tecnologia.

Mosquito ‘transgênico’ não é solução contra zika; entenda por que

23, fevereiro, 2016 Sem comentários

Se o raciocínio abaixo é válido, o mosquito transgênico não funciona nem para o Zika nem para a dengue

Super Interessante, 22/02/2016

Em resposta ao avanço do vírus zika, que classifica como “emergência pública internacional”, a Organização Mundial da Saúde recomendou que os países afetados realizem testes com mosquitos geneticamente modificados. No caso, o mosquito OX513A, que foi desenvolvido pela empresa inglesa Oxitec (derivada da Universidade de Oxford). A lógica do processo é a seguinte. Libera-se o OX513A no ambiente, onde ele se reproduz com as fêmeas de Aedes aegypti. Só que os filhotes nascem defeituosos, e não conseguem alcançar a idade adulta nem se reproduzir – o que, com o tempo, vai extinguindo a população de mosquitos.

O OX513A foi aprovado pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança, e testado em duas cidades brasileiras: Jacobina e Juazeiro, ambas na Bahia. Em ambos os casos, obteve sucesso. Alguns meses após a introdução do mosquito transgênico, a população de Aedes aegypti nessas cidades foi reduzida em mais de 90% (o OX513A foi um elemento a mais na estratégia municipal, que continuou envolvendo mutirões de limpeza e educação da população). O mosquito geneticamente modificado é uma criação sofisticada e engenhosa. Mas há dois poréns.

Os mosquitos OX513A liberados na natureza são machos, e não picam os seres humanos (só as fêmeas picam, pois precisam do sangue humano para produzir ovos). As fêmeas geradas durante o processo de criação do OX513A são separadas e mortas pela Oxitec. Mas a empresa admite que até 0,2% das fêmeas transgênicas podem escapar a esse processo, e acabar sendo liberadas junto com os machos. Elas picam – e poderiam se tornar vetores de transmissão de doenças. Inclusive porque a técnica envolve uma quantidade gigantesca de mosquitos, o que nos leva ao segundo ponto.

Jacobina é uma cidade relativamente pequena, e Juazeiro também. Em áreas maiores, o OX513A não é uma estratégia viável, por um motivo simples: seria preciso liberar enormes quantidades dele. O mosquito modificado é menor e mais fraco que o Aedes aegypti normal, e por isso só consegue se acasalar com as fêmeas ganhando pelo número – é necessário liberar dez OX513A para cada Aedes existente na natureza. Isso significa que para tratar uma área bem pequena, com 10 mil habitantes, é preciso soltar 2 milhões de mosquitos modificados por semana durante a fase inicial de tratamento, que dura de quatro a seis meses. Para tratar uma cidade grande, a quantidade de mosquitos necessários seria astronômica – e seria extremamente difícil, ou impossível, criar e distribuir centenas de milhões de mosquitos transgênicos por semana.

Mosquitos transgênicos: alta tecnologia

26, maio, 2015 Sem comentários

Veja como são soltos no ambiente, vale dizer, em áreas urbanas, os Aedes aegypti transgênicos. A promessa é modificar geneticamente os machos para que estes cruzem com fêmeas nativas, que picam e transmitem a doença, e gerem larvas que não cheguem à fase adulta. Assim, espera-se combater a doença.

Só o Brasil autorizou ouso essa tecnologia, sendo que os testes apresentados pela empresa proponente Oxitec não avaliaram se de fato a redução do número de mosquitos diminui também a incidência da doença, já que poucos mosquitos contaminados podem seguir reproduzindo a doença.

Também não foram respondidas questões sobre a segurança da tecnologia, como o que acontece com as fêmeas transgênicas criadas em laboratório que acabam escapando para o meio ambiente (numa taxa de cerca de 3%, segundo a empresa) e que podem picar as pessoas?


Este vídeo foi divulgado junto com a reportagem do jornal canadense The Globe and Mail, 25/05/2015, disponível em:http://www.theglobeandmail.com/news/world/buzz-kill/article24600886/

 

Piracicaba debate liberação de mosquitos transgênicos

15, abril, 2015 Sem comentários

AP Mosquitos GM Piracicaba15abr

Pressão popular contra Aedes transgênico ganha força em Piracicaba

26, março, 2015 Sem comentários
Rede Brasil Atual, 25/03/2015

População, que não tinha sido ouvida pela prefeitura, lotou audiência pública para saber mais sobre o Aedes transgênico

São Paulo – O Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente (Comdema) de Piracicaba realizou na noite de ontem (24) a primeira audiência pública para discutir os riscos da soltura de mosquitos Aedes aegipty geneticamente modificados no bairro Cecap, na zona leste da cidade.

Organizadora da audiência, a presidenta do Condema, Sonia Cristina Ramos, conta que o encontro foi um sucesso. Além de representantes da Oxitec, empresa produtora do inseto transgênico, da prefeitura, de cientistas – entre eles os professores José Maria Gusman Ferraz, do programa de pós-graduação em Agroecologia e Desenvolvimento Rural da Ufscar, e Paulo Kageyama, da Esalq/USP – e ativistas, compareceram muitos moradores.

“Em Piracicaba, audiência pública não costuma reunir mais do que 30 pessoas. Ontem lotamos o plenário e dezenas de participantes ficaram do lado de fora, o que demonstra o interesse da população pelo tema”, afirma Sonia Cristina.

De acordo com ela, como nem todos os questionamentos foram esclarecidos pela Oxitec, será convocada nova audiência para a segunda semana de abril, ainda sem data e local confirmados.

No começo de março, o prefeito Gabriel Ferrato dos Santos (PSDB) anunciou a compra de um lote dos insetos da Oxitec, pelo “valor simbólico” de R$ 150 mil, para ser soltos em abril. No entanto, não ouviu a população e nem os conselhos municipais de Saúde e de defesa do Meio Ambiente.

Quando tomaram conhecimento da soltura dos insetos, pelos jornais, os integrantes do Condema consultaram os professores da Ufscar e da Esalq, entre outros especialistas, e entraram com representação no Ministério Público estadual, pedindo a suspensão da soltura dos insetos até que a população seja esclarecida sobre os riscos à saúde e ao meio ambiente, uma vez que estarão em contato com organismos geneticamente modificados que nem sequer tiveram comercialização e uso aprovados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Na semana passada, o Ministério Público estadual recomendou – e a prefeitura atendeu – a suspensão da soltura dos insetos. E abriu inquérito civil público para apurar possíveis irregularidades no contrato que o poder público municipal assinou com a Oxitec.

‘Aedes do Bem’ é único modo eficaz de combate à dengue, diz secretário

20, março, 2015 Sem comentários

O representante da empresa que desenvolveu o mosquito diz que o inseto transgênico é muito pouco modificado. A afirmação é tão rigorosa do ponto de vista técnico quanto dizer que uma mulher está meio grávida.

De onde vem a segurança do secretário dado que ainda não foram apresentados estudos mostrando eficácia da tecnologia para reduzir casos de dengue?

G1, 19/03/2015 07h50

Método propõe soltar Aedes geneticamente modificados para reduzir casos.
MP questiona a eficácia do projeto e Prefeitura de Piracicaba se defende.
Secretário de Saúde de Piracicaba coloca a mão em mosquiteiro com 'Aedes do Bem' (Foto: Marcello Carvalho/G1)
Secretário de Saúde coloca a mão em mosquiteiro com Aedes do Bem (Foto: Marcello Carvalho/G1)

O secretário de Saúde de Piracicaba (SP), Pedro Mello, afirmou que o lançamento do mosquito Aedes aegypti geneticamente modificado, que não pica e nem transmite a dengue, é o único modo eficaz de tentar acabar com o problema da dengue no município. Nesta quarta-feira (18), o Executivo apresentou no Ministério Público a defesa do projeto, que tem o objetivo de lançar filhotes machos produzidos em laboratório, chamados de “Aedes do Bem”, para reduzir o número de mosquitos transmissores da doença. A Promotoria havia pedido a suspensão da iniciativa e instaurou inquérito para apurar detalhes.

“Existem duas alternativas de acabar com o problema da dengue. A vacina e o mosquito transgênico. Como a vacina ainda não existe, a gente tem a oportunidade de diminuir consideravelmente o número de criadores da doença com esse chamado Aedes do Bem. Isso é para tentar exterminar o vetor, é claro que temos ações de combate à epidemia, mas não é o suficiente”, afirmou.

O secretário de Saúde ainda afirmou que a defesa do projeto no Ministério Público consiste em responder as recomendações do promotor, como explicar quais ações são feitas pelo município no combate à doença, como nebulização, visitas às residências e remoção dos criadouros. Além disso, a administração detalhou tecnicamente no documento as funções do mosquito geneticamente modificado.

Explicações técnicas

O supervisor de produção da empresa Oxitec do Brasil, Guilherme Trivelatto, responsável por implantar o projeto, explicou que o lançamento do mosquito transgênico possui todas as regulamentações da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) e que ele é eficaz porque diminui a população de mosquitos transmissores.

“O mosquito é muito pouco modificado [sic], ele não tem nenhum componente tóxico e ele morre depois de quatro dias no ambiente. Então a única função é se reproduzir e, assim, por ele ser geneticamente modificado, as crias não vão nascer e vão morrer na fase de larvas”, disse.A liberação está prevista para abril apenas no bairro Cecap, onde há maior incidência de casos de dengue no município. Conforme o último balanço, a cidade tem 270 infectados. Agora o Executivo espera o retorno do Ministério Público para saber se vai poder dar andamento ao projeto.

Inquérito

O texto do inquérito, assinado pela promotora Maria Christina Marton de Freitas, solicita à Secretaria de Saúde informações sobre as medidas adotadas pela Prefeitura no combate à dengue, as razões técnicas e os estudos que justifiquem o uso de biotecnologia e as medidas adotadas para o esclarecimento da população do bairro Cecap.

Além disso, a Promotoria e o Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente (Comdema), que entrou com a representação no MP, também solicitam quais são as obrigações previstas no contrato com a empresa Oxitec do Brasil, responsável por desenvolver o projeto, quanto ao monitoramento das populações de Aedes aegypti selvagens.

O mosquito transgênico vive de 2 a 4 dias. Para que não cheguem à fase adulta, eles são criados com uma disfunção genética. De acordo com a Oxitec, seriam soltos em Piracicaba entre 1 milhão e 2 milhões do inseto modificado semanalmente, uma média de 100 a 200 mosquitos por habitante do município.

Prefeitura de Piracicaba vai defender no MP liberação do ‘Aedes do Bem’

20, março, 2015 Sem comentários
Como mostra a foto abaixo, a prefeitura convidou a população a tocar nos mosquitos!!
Administração pretende manter medida de combate à dengue no município.
Ministério Público pede suspensão do projeto com mosquitos transgênicos.

G1 Piracicaba e Região, 17/03/2015

Em campanha, população é convidada a entrar em contato com 'Aedes do Bem' em Piracicaba (Foto: Rodrigo de Proença Guidi/Secretaria de Saúde)
População é convidada a tocar ‘Aedes do Bem’ (Foto: Rodrigo de Proença Guidi/Secretaria de Saúde)

Após dizer que vai “respeitar as determinações” do Ministério Público (MP) sobre a suspensão da distribuição de mosquitos Aedes aegypti geneticamente modificados em Piracicaba (SP), a Prefeitura afirmou, na manhã desta terça-feira (17), que vai apresentar na Promotoria argumentos em defesa do projeto contratado como medida para combate ao inseto transmissor da dengue no município.

O MP pediu para que seja suspensa a liberação do chamado “Aedes do Bem”, que não pica e nem transmite a dengue, segundo a administração municipal, e instaurou um inquérito sobre a eficiência e os riscos do projeto piloto. A cidade seria a primeira do estado de São Paulo a usar o método.

De acordo com a Promotoria, a biotecnologia será aplicada em caráter experimental e ainda não tem regulamentação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O inquérito foi aberto na sexta-feira (13), após uma representação do Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente (Comdema) que pediu a liberação do mosquito transgênico e a investigação sobre o método.Segundo nota desta terça-feira do Centro de Comunicação Social da Prefeitura, a Secretaria de Saúde e a Procuradoria Jurídica do município providenciam as respostas para os questionamentos do Ministério Público. A nota acrescenta, porém, que até a data prevista para o início da distribuição dos mosquitos modificados, a pasta atuará junto ao MP para reverter o pedido de suspensão do projeto.

A liberação está prevista para abril apenas no bairro Cecap, onde há maior incidência de casos de dengue no município. Conforme o último balanço, a cidade tem cerca de 110 infectados. O projeto tem o objetivo de lançar filhotes machos produzidos em laboratório, chamados de “Aedes do Bem”, para reduzir o número de mosquitos transmissores, já que as crias dos “transgênicos” com as fêmeas selvagens não chegarão à fase adulta.

Aprovação e riscos

Na última quarta-feira (11), quando o Comdema entrou com a representação contra o projeto no MP, a assessoria de imprensa da Prefeitura afirmou: “A avaliação dos riscos ao meio ambiente e à saúde humana foi feita pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), o órgão colegiado responsável pela aprovação e regulação de organismos geneticamente modificados no Brasil. A CTNBio aprovou a liberação comercial do mosquito geneticamente modificado Aedes aegypti OX513A desenvolvido pela Oxitec”.

Mosquitos geneticamente modificados são expostos em Piracicaba (Foto: Rodrigo de Proença Guidi/Secretaria de Saúde)
Mosquitos geneticamente modificados são expostos (Foto: Rodrigo de Proença Guidi/Secretaria de Saúde)

Conselho quer barrar liberação de ‘Aedes transgênico’ em Piracicaba

20, março, 2015 Sem comentários

“Mosquito do bem”: pura jogada de marketing

Se a tecnologia já foi liberada pela CTNBio para uso comercial, porque a empresa segue com testes em seres humanos?

A reportagem diz que os mosquitos modificados não picam, acontece que a própria empresa reconhece que pelo menos 3% dos mosquitos transgênicos liberados no ambiente são fêmeas, e são as fêmeas que picam e transmitem a doença. O que acontece com uma pessoa picada por uma dessas “mosquitas”?

G1, 11/03/2015

Comdema recorreu ao MP para pedir apuração sobre eficiência de método.

Prefeitura diz que alternativa de combate à dengue tem aprovação técnica.

O Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente (Comdema) de Piracicaba (SP) pretende impedir a liberação de mosquitos Aedes Aegypti geneticamente modificados, que não picam nem transmitem a dengue, na cidade. O projeto piloto foi anunciado no início do mês pela Prefeitura e pela empresa contratada que desenvolveu os insetos em laboratório.

A presidente do conselho, Sônia Cristina Ramos, disse que a entidade entrou nesta quarta-feira (11) com uma representação no Ministério Público (MP) para pedir uma investigação sobre a eficácia do método. O prefeito Gabriel Ferrato (PSDB) disse que a ação é política e que a iniciativa do governo local é sustentada pela aprovação de órgãos competentes.

Segundo Sônia, a tecnologia não deu resultados convincentes em outras cidades do Brasil onde foi aplicada. Piracicaba é o primeiro município do estado de São Paulo a usar os chamados “Aedes do Bem” como forma de combate à dengue. “A liberação dos mosquitos está programada para abril, queremos que o Ministério Público instaure um inquérito e os insetos só sejam soltos após uma confirmação técnica de que não haverá riscos à população ou impactos ao meio ambiente”, disse.

Ela afirmou que a representação foi motivada por uma reunião no Comdema com especialistas. No encontro, segundo Sônia foram elencadas algumas preocupações. “Os mosquitos não vão de fato reproduzir filhotes transmissores? Será que o vírus da dengue não vai se modificar e começar a exigir formas de combate da doença ainda mais complicadas? São questões como estas que achamos que devem ser respondidas. Se não houver riscos, o Comdema não terá nada contra a liberação dos mosquitos transgênicos”, disse Sônia.

O projeto

A Prefeitura e a empresa Oxitec do Brasil apresentaram em 2 de março como o mosquito “Aedes do Bem” atua. É uma linhagem geneticamente modificada, que não pica nem transmite a dengue.

O projeto contratado pela administração municipal prevê a liberação de filhotes machos produzidos em laboratório no bairro Cecap, onde há maior incidência de casos. O objetivo é a redução do número de mosquitos transmissores, já que as crias dos “transgênicos” com as fêmeas selvagens não chegarão à fase adulta.

Rapaz coloca a mão em 'caixa' cheia de Aedes aegypti 'do bem' em Piracicaba (Foto: Alexandre Carvalho/Oxitec do Brasil )
Rapaz põe a mão em caixa com Aedes ‘do bem’
(Foto: Alexandre Carvalho/Oxitec do Brasil )

O mosquito transgênico vive de 2 a 4 dias. Para que não cheguem à fase adulta, eles são criados com uma disfunção genética. De acordo a Oxitec, a previsão é de que sejam soltos em Piracicaba entre 1 milhão e 2 milhões de insetos modificados semanalmente.

Um trabalho semelhante foi realizado na Bahia, em cidades como Jacobina e Juzeiro, onde a redução na quantidade do Aedes Aegypti selvagem chegou a 90%, segundo a empresa.

Prefeitura

Nesta quarta-feira, o prefeito Gabriel Ferrato (PSDB) afirmou que a representação do Comdema tem motivação política, já que o projeto tem todas as autorizações de órgãos competentes. Ele afirmou ainda que a Prefeitura não tinha a obrigação de consultar o Comdema ou outro conselho municipal sobre a iniciativa.

Em nota, a assessoria de imprensa de Ferrato afirmou: “A avaliação dos riscos ao meio ambiente e à saúde humana foi feita pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), o órgão colegiado responsável pela aprovação e regulação de organismos geneticamente modificados no Brasil. No dia 10 de abril de 2014, a CTNBio aprovou a liberação comercial do mosquito geneticamente modificado Aedes aegypti OX513A, também conhecido como Aedes aegypti do Bem, desenvolvido pela Oxitec. Ou seja: a CTNBio considerou que o Aedes aegypti OX513A não apresenta riscos do ponto de vista humano, ambiental, vegetal e animal.”

A nota da assessoria diz ainda que “a CTNBio é composta por 27 cidadãos brasileiros de reconhecida competência técnica, de notória atuação e saber científicos, com grau acadêmico de doutor e com destacada atividade profissional nas áreas de biossegurança, biotecnologia, biologia, saúde humana e animal ou meio ambiente. Em nenhum momento a Secretaria de Saúde e a Oxitec do Brasil foram procuradas pelo Comdema”.


Projeto usa ‘Aedes do Bem’ para combater o mosquito da dengue

20, março, 2015 Sem comentários

Piracicaba contratou empresa que modifica geneticamente inseto.

Município é o 1º do estado de São Paulo a utilizar essa tecnologia.

[só ainda não foi comprovada a eficácia nem a segurança da tecnologia; dados apresentados pela empresa mostram apenas redução no número de mosquitos no ambiente]

G1, 02/03/2015

Uma linhagem do mosquito Aedes Aegypti geneticamente modificada, que não pica nem transmite a dengue [desde que fêmeas não sejam liberadas também, fato que acontece segundo dados da própria empresa], será espalhada em Piracicaba (SP) como forma de combate à doença. O projeto contratado pela Prefeitura e batizado de ‘Aedes do Bem’ prevê a liberação de filhotes machos produzidos em laboratório no bairro Cecap, onde há maior incidência de casos. O município é o primeiro do estado de São Paulo a utilizar a estratégia, que começou a ser apresentada aos moradores na manhã desta segunda-feira (2). O objetivo é a redução do número de mosquitos transmissores, já que as crias dos “transgênicos” com as fêmeas selvagens não chegarão à fase adulta.

O ‘Aedes do Bem’ ainda terá uma espécie de identificador. “Além da liberação dos mosquitos que vai causar a morte da prole, teremos um marcador fosforescente que nos permitirá identificar os insetos geneticamente modificados”, afirmou o coordenador do projeto Guilherme Trivellato, da empresa Oxitec do Brasil, contratada para desenvolver a experiência.

“Assim, a partir do monitoramento dos ovos, com as armadilhas no campo, consigo trazer de novo o mosquito para o laboratório e saber se ele é selvagem ou é o Aedes do Bem. Isso nos permite saber qual área ele percorreu, o quanto se deslocou e o quanto persistiu no ambiente”, disse.

O mosquito transgênico vive de 2 a 4 dias. Para que não cheguem à fase adulta, eles são criados com uma disfunção genética. De acordo a Oxitec, serão soltos em Piracicaba entre 1 milhão e 2 milhões do inseto modificado semanalmente, uma média de 100 a 200 mosquitos por habitante do município.Um trabalho semelhante já foi realizado na Bahia, em cidades como Jacobina e Juzeiro, onde a redução na quantidade do Aedes Aegypti selvagem chegou a 90%. Trivellato disse que no bairro Pedra Branca, em Jacobina, a diminuição do mosquisto transmissor da dengue ultrapassou esse índice. “O resultado não é pontual, a redução se mantém por semanas nas áreas em que a estratégia é aplicada”, afirmou.

Mosquitos machos modificados não picam e esterilizam fêmeas transmissoras - Piracicaba (Foto: Reprodução/EPTV)
Filhotes de mosquitos modificados não chegam à fase adulta (Foto: Reprodução/EPTV)

Custos

A Prefeitura de Piracicaba contratou por R$ 150 mil o projeto do ‘Aedes do Bem’. A administração municipal afirma que já gasta, anualmente, de R$ 6 milhões a R$ 7 milhões em ações de combate à dengue nas ruas. O município registrou neste ano um aumento de 281% nos casos da doença.

 

Sem aprovação da Anvisa, Piracicaba anuncia mosquito transgênico para combater a dengue

12, março, 2015 Sem comentários
Ferramenta produzida por empresa particular, aprovada a toque de caixa pela CTNBio, é criticada por cientistas.

Conselho de Meio Ambiente de Piracicaba vai recorrer ao Ministério Público
por Cida de Oliveira, da RBA, 11/03/2015 18:07, última modificação 11/03/2015 18:39

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Potes com Aedes transgênicos soltos em Juazeiro, na Bahia, em 2013; outros deverão ser soltos em Piracicaba. Ftot: CTNBio/MCTI

São Paulo – A prefeitura de Piracicaba, no interior paulista, pretende lançar mão de uma estratégia alternativa – e de eficácia ainda não comprovada – para reduzir os casos de dengue na cidade: introduzir no meio ambiente uma linhagem geneticamente modificada do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue. O bairro escolhido para ser o primeiro na cidade a testar a intervenção é o Cecap, na periferia da cidade – que registra alto índice de ocorrências da infecção. No último dia 3, a prefeitura divulgou que eram 107 os infectados. No balanço do último dia 20, eram 42.

O mosquito transgênico tem o nome de Aedes aegypti OX513 e foi comprado pela prefeitura, pelo valor considerado “simbólico” de R$ 150 mil, junto à Oxitec do Brasil. No último dia 2, o prefeito Gabriel Ferrato dos Santos (PSDB) anunciou a compra do lote de animais.

A empresa, de capital britânico com sócios brasileiros, promete “reduzir significativamente” a população do Aedes silvestre. A ideia é que as fêmeas do Aedes silvestre, ao cruzar com os transgênicos machos, gerem mosquitos estéreis ou que morram antes de chegar à fase adulta. Assim, esperam reduzir a incidência de dengue e da febre chikungunya, da qual o Aedes também é transmissor.

A iniciativa, porém, é polêmica. O mosquito transgênico da Oxitec ainda não teve sua comercialização aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) que, por meio de sua assessoria de imprensa, reforçou a exigência de registro ou autorização para que o produto seja liberado para venda – daí o valor “simbólico” da primeira remessa de mosquitos encomendado pela prefeitura.

De acordo com a Oxitec, trata-se do primeiro projeto desde a aprovação do inseto transgênico pela Coordenação-Geral da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), em abril do ano passado. E que nesta nova fase, em Piracicaba, serão coletadas ainda mais informações sobre os “benefícios alcançados com o controle do principal mosquito transmissor da dengue” e a empresa ficará cada vez melhor preparada para um possível registro comercial do produto.

No entanto, a Anvisa destaca que, apesar de ter obtido decisão favorável à comercialização na CTNBio, a Oxitec ainda não está autorizada a comercializar o serviço ou o produto. Em nota, ressaltou que a CTNBio, aliás, não fez nenhuma avaliação da eficácia; somente avaliou a biossegurança deste mosquito. E que cabe à Anvisa avaliar tanto a eficácia como a segurança. Além disso, que por se tratar de uma nova tecnologia, “há necessidade de uma avaliação que foge à rotina dos demais produtos registrados pela Anvisa. E que não é possível dar previsão para o seu encerramento”.

Incerteza

Alheio aos alertas recebidos, o prefeito comemora a parceria. “O uso desta solução de forma piloto em nossa cidade ratifica o DNA inovador de Piracicaba, que ao longo dos anos tem demonstrado seu pioneirismo em diversas áreas do conhecimento e se destacado principalmente nas questões ligadas à saúde”, disse Gabriel Ferrato dos Santos, em nota enviada à reportagem da RBA pela Secretaria de Saúde da cidade.

Pego de surpresa com a notícia, pela imprensa, o Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente (Comdema) de Piracicaba já decidiu, em reunião ordinária na última segunda-feira (8), que vai entrar com representação na Promotoria de Saúde do Ministério Público de São Paulo no município. Além disso, vai realizar audiência pública no próximo dia 24 para discutir o assunto com a população.

“A prefeitura não ouviu ninguém. Os conselhos municipais de Saúde e de Meio Ambiente nem sequer foram avisados, muito menos consultados”, afirma a presidenta do Condema, Sonia Cristina Ramos, que, como cidadã, se sente enganada.

Segundo Sonia, o objetivo não é barrar a utilização da tecnologia. E sim impedir a soltura dos insetos a tempo e poder discutir criteriosamente seus benefícios e riscos. “A Oxitec tem de comprovar o que diz, que o produto é maravilhoso e que realmente não há riscos”, afirma.

Também surpreso e indignado, o vereador integrante da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento de Piracicaba Chico Almeida (PT) defende outros métodos para combater a proliferação do mosquito da dengue. “Há muitas áreas na cidade que são verdadeiros criatórios de larvas a céu aberto, terrenos abandonados e sujos, com entulhos, pneus. Penso que deveriam ser tomadas outras medidas antes de alternativas desconhecidas como essa”, disse.

Protestos

O Aedes transgênico foi aprovado sob protestos de cientistas e ativistas. No final de fevereiro, a Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), que reúne pesquisadores de universidades e institutos de pesquisa, como a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), vinculada ao Ministério da Saúde, denunciou à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), do Rio de Janeiro, pressões que vem sofrendo por parte da Oxitec pelos alertas que vem fazendo, bem como irregularidades na produção do mosquito.

De acordo com a entidade, a produção do mosquito em escala comercial foi aprovada sem a exigência de cumprimento de protocolos de estudos de impacto ambiental. E que os dados colhidos nos testes realizados nos municípios de Jacobina e Juazeiro, no interior da Bahia, seriam insuficientes para fundamentar a aprovação de um organismo geneticamente modificado, que estará em contato direto com o organismo humano e outros animais.

“O problema é que ainda não existem normas de liberação para avaliação de insetos modificados geneticamente. Além disso, mudanças na reprodução dos Aedes silvestres podem permitir a atração de outros insetos, como o Aedes albopictus, espécie selvagem existente no Brasil e com capacidade vetorial para o vírus da dengue”, disse a professora da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e pesquisadora da Fiocruz, Lia Giraldo da Silva Augusto.

O Brasil é o único país do mundo a ter aprovado o produto da Oxitec. Pedidos de aprovação ainda tramitam no Pananá e Estados Unidos, entre outros. A OAB se comprometeu a debater o tema em suas comissões internas, bem como realizar audiências públicas para abrir a discussão sobre o assunto.

Irregularidades nos testes

Professor do programa de pós-graduação em Agroecologia e Desenvolvimento Rural da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), José Maria Gusman Ferraz integrava a CTNBio em 2013, quando participou de uma visita técnica em Juazeiro, na Bahia, no começo de julho, ocasião da soltura do Aedes transgênico.

Ele conta que tanto em Juazeiro como em Jacobina, a população ficou de fora da discussão dos possíveis riscos envolvidos nesta liberação. Em Jacobina os insetos transgênicos da Oxitec foram soltos numa operação na qual participa a organização social baiana Moscamed, voltada à produção de insetos empregados no manejo e monitoramento de espécies de interesse econômico, como as moscas-das-frutas.

O que, segundo ele, sugere desprezo pelo grau de risco do organismo geneticamente modificado envolvido e, principalmente, a segurança da população. De acordo com Ferraz, no parecer de aprovação da CTNBio foram relatados apenas os argumentos apresentados pela Oxitec, Moscamed e alguns professores da USP envolvidos no projeto. “Não foram nem sequer apresentados os argumentos levantados durante o parecer preliminar sobre o relatório parcial da Moscamed/Oxitec/USP, que gerou a solicitação de visita técnica para avaliar a continuidade ou não do experimento em Juazeiro e a nova liberação do mosquito em Jacobina.”

Num relatório que ele escreveu sobre essa visita para a própria CTNBio, o professor da UFSCar afirma que ao aprovar o inseto transgênico, a comissão desconsiderou normas e leis. E até hoje não respondeu as razões disso.

Entre as irregularidades, ele cita a falta da assinatura da população em um Termo de Consentimento Livre e Esclarecimento; um parecer do Conselho de Ética aprovando a execução já que envolve a utilização de sangue animal para manter a população do mosquito; a falta de informação da Oxitec quanto à taxa de sobrevivência do mosquito, que varia conforme a presença de certas substâncias no meio ambiente, como antibióticos largamente usados na saúde humana e animal, o que pode aumentar esta população transgênica e causar desequilíbrios ecológicos.

Ferraz explica que a situação é agravada pela imaturidade das bases para regulação e avaliação de risco de insetos transgênicos em geral e, em particular, dos mosquitos transgênicos. “Mesmo nos Estados Unidos, normalmente mais flexíveis na liberação desses organismos, o assunto ainda está em discussão.”

O mosquito da Oxitec ainda não foi aprovado na Flórida justamente por ser esta uma área completamente nova, com que o mundo regulatório não está familiarizado. De acordo com ele, houve uma convocação da Organização Mundial de Saúde para desenvolver os princípios norteadores para a avaliação dos mosquitos transgênicos, que ainda não está concluída.

Por essas razões, ele se posicionou contrário, dentro da CTNBio, à continuidade dos testes nos municípios baianos, bem como a aprovação dos mosquitos OX 513 A até que fossem esclarecidos e respondidos os seus questionamentos.