MPF promove audiência pública sobre agrotóxicos em São Paulo

15, agosto, 2016 Sem comentários

29_e_30_08_Agrotoxicos

Carta Política da 14a Feira Regional das Sementes e da Agrobiodiversidade

8, agosto, 2016 Sem comentários

IMG_5102

Declaração Política da 14ª Feira Regional de Sementes e da Biodiversidade

“Sementes crioulas, construindo a nossa autonomia”.

 

Sob essa bandeira, mais de 2.000 agricultores e agricultoras familiares, adultos e jovens estudantes das escolas municipais do campo e da cidade, professores, representantes de Povos Indígenas, e pesquisadores, em quinze caravanas, de trinta e cinco Municípios do Paraná, dezesseis municípios de Santa Catarina, dois do Rio Grande do Sul e um do Rio de Janeiro, e sessenta e cinco expositores e expositoras participaram, em Palmeira, nos dias 05, 06 e 07 de agosto de 2016, da 14ª Feira Regional de Sementes Crioulas e da Agrobiodiversidade onde foram realizadas quatorze oficinas e três seminários sobre os temas relacionados às Redes de Abastecimento Alimentar, a Produção Ecológica da Erva-Mate e Ameaças dos Direitos à Biodiversidade.

A Feira foi convocada pelas organizações e lideranças da Agricultura Familiar e Escolas (rurais e urbanas) da região Centro-Sul do Paraná e Planalto Norte de Santa Catarina articuladas no Coletivo Triunfo como parte do processo de luta política há mais de 20 anos se constrói na região, por meio das trocas de experiências sobre a conservação da agrobiodiversidade.

As Feiras são espaços de enfrentamento ao massivo processo de extinção das variedades e raças promovido tanto pelo agronegócio regional quanto pela vinculação da Agricultura Familiar a cadeias produtivas, especialmente do “fumo” e da “soja”.

Nessa luta pela agrobiodiversidade é central o reconhecimento e resgate do papel essencial e insubstituível que têm desempenhado as mulheres agricultoras na reprodução e no fortalecimento da agricultura familiar e camponesa, como agentes da produção, da conservação e defesa da biodiversidade, como gestoras de diferentes fontes de renda e como promotoras de inovações técnicas e esteio da segurança alimentar das famílias.

Essa luta acontece desde a roça e encontra seu fundamento nas práticas herdadas de nossos antepassados. Mas elas apontam também para a garantia de uma agricultura mais promissora, que assegure a geração de renda e autonomia diante das ameaças impostas pelo agronegócio e dos efeitos das mudanças climáticas. Em nome desse futuro assistimos em nossa feira uma marcada mobilização da juventude rural manifestando-se em defesa da agrobiodiversidade e da agroecologia.

Diante do contexto de instabilidade política do país, resultante do golpe contra a democracia, em curso, e da instalação de um governo ilegítimo, nossas oficinas e seminários produziram as seguintes propostas:

  1. Defesa das Sementes e Raças e Políticas Públicas: As sementes e as raças animais crioulas são patrimônio da Humanidade e constituem identidade sociocultural além de ser componente histórico vital da agricultura camponesa, familiar e dos povos tradicionais.

Destacamos que o reconhecimento da importância das sementes crioulas avançou muito no país nos últimos anos, o que se reflete nos programas que fazem parte da Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica. As chamadas de ATER, especialmente as de ATER agroecologia, são uma conquista da sociedade, a exemplo do Ministério do Desenvolvimento Agrário que foi criado em resposta ao massacre de El Dorado dos Carajás e, neste momento de golpe, está reduzido a uma secretaria subordinada à Casa Civil. Referidos avanços estão ameaçados pelo governo interino, porém a sociedade seguirá defendendo essas conquistas históricas.

Denunciamos as ameaças legislativas articuladas pela bancada ruralista e empresas do agronegócio, que visam se apropriar do patrimônio genético e dos saberes tradicionais criados e recriados pelos povos do campo e da floresta.

Neste sentido repudiamos especificamente os Projetos de Lei:

– PL 827/2015 (PL Cultivares): busca alterar a Lei de Proteção de Cultivares ampliando a restrição ao livre uso das sementes e mudas registradas, impondo a cobrança de royalties sobre as sementes salvas, e ampliando os prazos de proteção para os “melhoristas” e a criminalização sobre o uso das cultivares protegidas. Exigimos que sejam mantidas as exceções legais para os Povos Indígenas, Agricultura Familiar, Camponesa, Povos e Comunidades Tradicionais tais como previstas na legislação atual;

– PL 4961/2005 (PL Patenteamento de Seres Vivos): busca possibilitar o patenteamento de seres vivos;

– PL 1117/2015 (PL Terminator): traz novamente a discussão do antigo PL 268/2007, para que o Brasil seja o primeiro e único país do mundo a garantir, por lei, a possibilidade de aprovação, uso e comercialização das sementes suicidas, ou estéreis, o que é proibido pela legislação atual de biossegurança e alvo de moratória internacional;

– PLC 34/2015 (PL Rotulagem), antigo PL 4148/2008: aprovado na Câmara dos Deputados em 2015, e atualmente com recomendação pelo arquivamento no Senado, esse Projeto de Lei prevê o fim da rotulagem dos alimentos transgênicos e a alteração dos testes de detecção, tornando impossível detectar a presença de Organismos Geneneticamente Modificados nos alimentos, especialmente os ultraprocessados.

 

  1. Contra a Contaminação Genética e por Agrotóxicos: A experiência prática e estudos têm comprovado que as promessas dos transgênicos não se concretizaram, pois o que se vê é a queda da qualidade dos alimentos, a redução da agrobiodiversidade através da ampliação dos monocultivos, da intensificação do uso de agrotóxicos, inclusive ainda mais tóxicos como é o caso das sementes resistentes ao 2,4-D, aprovadas em 2015 pela CTNBio. As sementes crioulas e demais variedades, especialmente do milho, estão ameaçadas pela contaminação que se alastra no campo sem que existam regulamentação e fiscalização suficientes para impedir, assim impondo o ônus da proteção a quem utiliza as sementes crioulas e demais variedades. Por isso denunciamos as falsas promessas dos transgênicos que só aumentam a vinculação aos pacotes tecnológicos, que geram lucros privados e prejuízos públicos ao provocar o endividamento e a dependência de agricultores.

 

  1. Defesa da Terra e Território: Terra e Semente são bens comuns, não são mercadoria!

Repudiamos a imposição, promovida pelo governo interino, da titularização dos lotes de assentamentos destinados à Reforma Agrária, trazendo a lógica de mercantilização da terra para dentro dos assentamentos.

Repudiamos a PEC 215 e todos os seus efeitos nefastos para a demarcação de Terras Indígenas e titulação de Territórios Quilombolas.

Territórios coletivos como Faxinais, Terras Indígenas, e Assentamentos devem ser estimuladas a se autodeclararem áreas livres de transgênicos e agrotóxicos, e de proteção da agrobiodiversidade.

Reivindicamos que os poderes municipais, estaduais e federal estimulem através da educação, em todos os níveis, a construção de projetos de vida no campo para a juventude.

 

  1. Implementação das Redes de Abastecimento Alimentar e Circuitos Curtos de Comercialização: nas merendas escolares e programas de compras institucionais de alimentos, defendemos a alimentação 100% livre de agrotóxicos e transgênicos, diversificada com alimentos de estação e da região, priorizando as cadeias produtivas da Agricultura Familiar e Camponesa.

Defendemos a promoção de encontros entre o campo e a cidade, nas escolas e municípios, valorizando assim a agricultura local e os circuitos curtos de comercialização.

 

  1. Valorização dos Ecossistemas Locais: a presença da diversidade dos ecossistemas locais, tais como da Bracatinga, Pinheiro do Paraná, Frutas e Abelhas Nativas, assim como dos ervais nativos na região são oportunidades para fortalecer as cadeias produtivas ecológicas, proporcionando circuitos de solidariedade, como o da Erva-Mate, contemplando o manejo sustentável e solidário através das organizações da Agricultura Familiar e Camponesa, fortalecendo o protagonismo e pertencimento dessas nos territórios.

 

  1. Defesa do protagonismo das Mulheres: Requeremos políticas e programas públicos que reconheçam a identidade sociocultural e econômica própria da mulher agricultora e lhes garantam os instrumentos legais e normativos para seu desempenho autônomo como profissional da agricultura familiar. Ao mesmo tempo, conclamamos as organizações da agricultura familiar de nossa região a assegurar o protagonismo das mulheres agricultoras em suas direções.

Ao realizar a 14ª Feira Regional das Sementes Crioulas e da Agrobiodiversidade reafirmamos nosso compromisso e nossa disposição para continuar na luta pela defesa e fortalecimento da agricultura familiar, com base nos princípios da agroecologia. Temos exercitado esse caminho em nossas casas, comunidades e redes, temos reconhecido nele a alternativa para um futuro de equilíbrio socioambiental e de prosperidade para nossas famílias, adultos e jovens. Temos certeza de que esse é também o caminho para assegurar a satisfação das demandas e necessidades da população por um alimento saudável em suas mesas.

 

Palmeira, PR, 07 de agosto de 2016.

 

Categories: agroecologia Tags:

IV Festa da Semente Crioula

8, agosto, 2016 Sem comentários

cartaz_mandirituba

I Caravana da Agrobiodiversidade do Semiárido

3, agosto, 2016 Sem comentários

semiarido_Caravana

Conheçam, visitem, acompanhem e compartilhem a nossa página

Entre os dias 31/07 e 05/08/2016 sairemos em caravana do Sertão do São Francisco (PE/BA) rumo ao Sertão do Pajeú-PE, Pólo da Borborema-PB e Sertão do Cariri Paraibano com objetivo de conhecer e trocar experiências entre agricultores e agricultoras, agentes de ATER, pesquisadores, professores e alunos(as) com foco na conservação, multiplicação e manejo da agrobiodiversidade local, destacando-se os bancos e casas de sementes comunitárias do Semiárido Nordestino.

Essa atividade interinstitucional e em rede faz parte do plano de ação de um dos projetos do Núcleo de Agroecologia do Semiárido da Embrapa Semiárido por meio da CHAMADA CNPq/Embrapa Semiárido – Edital 38/2014 em parceria com diversas organizações não-governamentais e os diferentes núcleos de agroecologia consolidados por meio das chamadas do CNPq. São nossos parceiros diretos para realização desse intercâmbio: o Instituto Regional da Pequena Agropecuária Apropriada – IRPAA, Serviços de Assessoria a Organizações Populares Rurais – SASOP, Centro de Habilitação e Apoio ao Pequeno Agricultor do Araripe – CHAPADA, a Rede Territorial de Agroecologia do Sertão do São Francisco(PE/BA), Embrapa Tabuleiros Costeiros, Embrapa Algodão, Embrapa Meio Norte, Embrapa Cocais, Associação Comunitária Mantedora da Escola Família Agrícola de Sobradinho-BA-AMEFAS/EFAS, o Núcleo de Pesquisa e Estudos em Agroecologaia Sertão Agroecológico da Universidade Federal do Vale do São Francisco – Univasf, IF Sertão Pernambucano e a Rede de Núcleos de Agroecologia do Nordeste – RENDA. Para realização dessa caravana, contamos com a parceria fundamental das organizações que atuam e assessoram os agricultores(as), assim como os grupos socioprodutivos nos territórios do Sertão do Pajeú-PE, Pólo da Borborema-PB e Sertão do Cariri Paraibano: o Centro de Desenvolvimento Agroecológico Sabiá – Centro Sabiá,  Associação de Desenvolvimento Rural Sustentável da Serra da Baixa Verde – ADESSU,  Casa da Mulher do Nordeste – CMN, Agricultura Familiar e Agroecologia – AS-PTA/PB, Rede de Sementes da Paraíba – ASA/PB, O Coletivo Regional do Cariri, Seridó e Curimataú-PB e Programa de Aplicação de Tecnologias Apropriadas – PATAC.

Sugestões e informações: nucleoagroecologiadosemiarido@gmail.com

 

Semiárido Vivo, Nenhum Direito a Menos!

Sistemas agrícolas quilombola do Vale do Ribeira

30, julho, 2016 Sem comentários

Neste belo vídeo o Instituto Socioambiental mostra o que são e como funcionam os sistemas agrícolas quilombolas do Vale do Ribeira (SP-PR) e como o conhecimento ali criado e recriado é o fio condutor que mantém viva essa cultura.

::

::

O vídeo descreve o Sistema Agrícola Quilombola do Vale do Ribeira a partir do diálogo entre os olhares de quilombolas e de pesquisadores acadêmicos, em diferentes perspectivas: a produção de alimentos dentro do ciclo anual da roça, a sustentabilidade do sistema em meio à Mata Atlântica, o conjunto de saberes, celebrações, expressões e práticas culturais relacionados ao modo tradicional de fazer roça, e a contribuição dos quilombolas do Vale do Ribeira para o fortalecimento da agrobiodiversidade regional e do patrimônio genético da humanidade.

Encontro: Juventude Agroecológica

29, julho, 2016 Sem comentários

cartaz rede carioca

Feira de Sementes Crioulas no Paraná

29, julho, 2016 Sem comentários

A cidade de Palmeira, no Paraná, vai sediar a 14ª Feira Regional de Sementes Crioulas e da Agrobiodiversidade, que acontecerá entre os dias 5 e 7 de agosto de 2016.

cartaz-palmeiraSob o lema “Sementes Crioulas: cooperando para a preservação da biodiversidade na agricultura familiar”, o evento reunirá na sede do Ginásio de Esportes Sebastião Amâncio dos Santos agricultores e agricultoras experimentadores em agroecologia da região Sul do país.

O evento tem como objetivo propiciar a construção coletiva do conhecimento agroecológico e a troca de experiências e saberes tradicionais entre agricultores familiares, guardiões de sementes, organizações da agricultura familiar e camponesa, estudantes, professores, técnicos e visitantes.

A Feira oferecerá um amplo cardápio de atividades, como seminários, apresentações culturais, exposição e palestra sobre Políticas Públicas de Sementes Crioulas. Também serão promovidas trocas de sementes nos estandes, além de Oficinas Temáticas sobre temais tais como: manejo ecológico dos solos, compostagem, sementes crioulas, bioconstrução e produção de sementes de hortaliças.

Entre as questões que serão debatidas estão as ameaças aos direitos sobre o uso da biodiversidade, os riscos da contaminação por transgênicos e agrotóxicos e os desafios da comercialização de produtos agroecológicos.

Dias 5 e 6 – Seminários e atividades a partir das 8:00h

Dia 7 – 14ª Feira Regional de Sementes Crioulas e da Agrobiodiversidade a partir das 8:00h

Local: Ginásio de Esportes Sebastião Amâncio dos Santos, Palmeira – PR

——————————

Maiores informações:

AS-PTA – Agricultura Familiar e Agroecologia

E-mails: asptapr-sc@aspta.org.br   / andre@aspta.org.br / fabio@aspta.org.br / mirianeas@hotmail.com

Tel.: (42) 3252-7290 / (42) 8888-9093 (Fábio) / (42) 8402-1511 (André)

Muita promessa e pouco resultado

26, julho, 2016 Sem comentários

‘Aedes do bem’ não será adotado pelas prefeituras da RPT

Mesmo com os bons resultados levantados em Piracicaba com os mosquitos transgênicos chamados “Aedes do bem”, os municípios da RPT (Região do Polo Têxtil) ainda estão cautelosos em investir na nova tecnologia. Em janeiro, duas prefeituras haviam manifestado interesse no mosquito, que combate o mosquito transmissor da dengue, zika vírus e chikungunya. Seis meses depois, nenhuma cidade avançou nas tratativas e informaram que esperam comprovações da efetividade do controle.

Desde o início do ano, foram registrados 2.716 casos de dengue na RPT, uma queda significativa quando comparado ao mesmo período de 2015, quando foram mais de 30 mil infectados. Até agora, foram 58 casos de zika e 14 chikungunya, estes últimos importados. Em janeiro, Nova Odessa e Hortolândia haviam demonstrado interesse em investir no “Aedes do bem” como forma de combate às transmissões. A assessoria de imprensa do primeiro município informou que “optou por aguardar novos testes relacionados ao assunto para depois fazer contato com empresa para discussão da implantação do projeto”. Hortolândia não se posicionou sobre o andamento nas negociações para adquirir a tecnologia.

A Secretaria de Saúde de Americana informou, por nota, que “os estudos são promissores, mas que carecem de mais comprovações”. Santa Bárbara “ainda não cogita o uso dessa tecnologia” e Sumaré “prefere manter cautela em relação à sua utilização e avaliar a possibilidade apenas quando as agências reguladoras de saúde comprovarem a eficácia do método”.

Uma fábrica para produção dos mosquitos geneticamente modificados está sendo construída em Piracicaba, devendo entrar em operação até o final do ano, com a capacidade de produzir 60 milhões de poupas por semana. Segundo a empresa produtora da tecnologia, a Oxitec, diversos municípios demonstraram interesse em adquirir os mosquitos, como Paranaguá, no Paraná, e Vitória, no Espírito Santo.

Os mosquitos geneticamente modificados se reproduzem com as fêmeas selvagens, mas carregam um gene que faz com que os filhotes morram antes de chegar à fase adulta. O bairro piracicabano Cecap/Eldorado reduziu em 91% os casos de dengue no período de 2015 e 2016 em comparação com 2014 e 2015, caindo de 133 para 12 registros. O bairro foi escolhido por ter o maior número de casos de dengue durante o Verão de 2014 e 2015, quando a taxa de incidência da doença foi 195% maior do que a contabilizada no resto do município.

Para o infectologista Rogério de Jesus Pedro, da Faculdade de Medicina da PUC-Campinas, a cautela dos municípios é justificada. “A tecnologia é experimental, ainda não tem uma consagração generalizada. Acho que é adequado aguardar resultados conclusivos para depois fazer investimentos maiores”.

XIII Festa Regional das Sementes – Francisco Beltrão, PR

22, julho, 2016 Sem comentários

francisco_beltrao

XIV Feira Regional de Sementes Crioulas e da Agrobiodiversidade – Palmeira, PR

21, julho, 2016 Sem comentários

cartaz-palmeira

Bola fora de prêmios Nobel

20, julho, 2016 Sem comentários

 

“Os experts são incompetentes para tudo aquilo que excede a sua especialidade”

Edgar Morin, 2007, p.150

No final de junho o jornal The Whashington Post publicou matéria divulgando que mais de cem ganhadores do prêmio Nobel haviam assinado manifesto dirigido ao Greenpeace no qual pedem que a organização ambientalista deixe de fazer campanha contra os transgênicos. Na carta aberta, que também é dirigida às Nações Unidas e aos governos ao redor do mundo, os laureados chegam a insinuar que as campanhas do Greenpeace seriam equivalentes a crimes contra a humanidade.

A defesa aos transgênicos é feita a partir do caso do arroz dourado, teoricamente desenvolvido para produzir mais beta-caroteno, precursor da vitamina A, elemento indispensável para se evitar a cegueira. Na argumentação apresentada fica a ideia de que essa solução mágica nunca chegou aos pratos dos que dela poderiam se beneficiar pela difamação da tecnologia promovida pela ONG. Ora, se após 20 anos até hoje não se provou se essa semente funciona e até agora também ela não foi aprovada em nenhum país, não se pode acusar o Greenpeace por mais esse fracasso da indústria dos transgênicos e de sua produtiva fábrica de promessas.

Segundo o professor da UnB Nagib Nassar, FAO e OMS recomendam para crianças de 1-3 anos a ingestão diária de 400 ug da vitamina A, e, para adultos, 500 a 850 ug. O arroz dourado tem 1,6 ug do B-caroteno por grama de peso fresco. A batata doce, o alimento mais barato e abundante para populações pobres, e disponível em todo o mundo, possui 11,4 ug/g. Como o índice de conversão de B-carotena em vitamina A é de 6 por 1, seria necessária comer 1,5 kg de arroz dourado por dia para ter o nível médio de vitamina A recomendado.

Aliás, ainda que o arroz dourado fosse tudo aquilo que se prometeu, ele não poderia servir para uma defesa ampla de qualquer tipo de transgênico como fizeram nessa carta. Afinal de contas, a avaliação dos transgênicos deve se dar caso a caso. E se essas avaliações fossem isentas ou de fato baseadas em dados científicos dificilmente teríamos a ampla lista de soja, milho e algodão liberados por aqui, já que há pelo menos 700 estudos sobre riscos e impactos dos transgênicos que foram descartados pelos órgãos reguladores da biotecnologia e suas aplicações.

O manifesto ilustra bem como podem falhar os especialistas quando usam de sua autoridade científica para emitir opinião sobre áreas que não são as suas e não baseadas em dados de pesquisa.

p.s. Notem que entre a lista dos que assinam o manifesto tem até um Nobel falecido ano passado:
https://www.independentsciencenews.org/news/107-nobel-laureate-attack-on-greenpeace-traced-back-to-biotech-pr-operators/

 

 

Agrotóxicos – liderança indesejável no mundo

19, julho, 2016 Sem comentários

Preciso e respaldado por uma fartura de dados como sempre, o jornalista Washington Novaes expõe neste artigo o drama da questão dos agrotóxicos no Brasil e conclui que “Nada pode ser mais grave que o risco de morte evidenciado pela ciência”.

::

O ESTADO DE SÃO PAULO, 06/07/2016

As notícias não mudam: por mais que a ciência e a comunicação alertem com frequência, o Brasil continua a ser o líder mundial no uso de agrotóxicos – e ainda os isenta ou reduz o pagamento de impostos como ICMS (redução de 60%), PIS/Cofins e outros, enquanto medicamentos têm incentivos de 34% (Envolverde, maio de 2016)

Washington Novaes*

Há muitos alertas e advertências: morangos vermelhos e variedades de espinafre podem ter doses altas de resíduos químicos; muitas frutas, verduras e legumes são borrifados com pesticidas banidos há anos. O consumo, no mundo, desses ingredientes cresceu 93% em dez anos; no Brasil, 190%. Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), 28% das substâncias usadas por aqui não são autorizadas; a Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) afirma que 70% dos alimentos in natura consumidos no País estão “contaminados” por agrotóxicos; para a Organização Mundial de Saúde (OMS), a cada ano aumentam em 70 mil os casos de intoxicação aguda ou crônica provocados por agroquímicos.

A Anvisa está reavaliando 16 pesticidas, além de fazer consulta pública. Nos Estados Unidos, Canadá e países da União Europeia já são proibidos, por temor de serem cancerígenos. Há dez anos a Anvisa reavaliou os riscos ambientais do 2,4D, um dos componentes do Agente Laranja, que os EUA usaram na Guerra do Vietnã para eliminar florestas e plantações utilizados como esconderijos de guerrilheiros. Segundo a Cruz Vermelha Internacional, 150 mil crianças têm malformações congênitas por esse motivo – que os EUA contestam. E segundo a Organização para a Alimentação e a Agricultura (FAO-ONU) e a OMS, é urgente diminuir o uso de praguicidas e substituí-lo pelo plantio direto nas lavouras, que reduz as pragas.

Um dos argumentos usados pelos defensores de agrotóxicos é a “volta da mosca-branca” (Bemisia tabaci), que está levando produtores de soja do Centro-Oeste a um gasto 37% maior que no ano passado. Mato Grosso, por exemplo, que gastava R$ 385 por hectare, agora gasta R$ 508,90. Em outros lugares, R$ 543,69.

Um dos itens mais polêmicos nessa agenda é o glifosato, principalmente depois que a OMS e a FAO voltaram atrás em sua condenação anterior, prorrogaram a liberação por 18 meses e agora asseguram que esse produto não provoca câncer em humanos. E que novas tecnologias reduzirão o uso de praguicidas. A questão do uso ou não de sementes transgênicas também está em suspenso. Uma especialista francesa, Marie-Monique Robin, afirmou (7/5) que “o glifosato é o maior escândalo sanitário de toda a história da indústria química”. Mesmo depois da decisão da OMS, a França tornou a proibir a venda livre do produto.

Há um capítulo à parte, que é o das mudanças climáticas, com muitos cientistas afirmando que a criação de gado em confinamento (na Argentina, 70% do rebanho) aumenta os gases, contribuindo para essas mudanças. A China suspendeu a importação de carne bovina da Austrália, por essa e outras razões.

Há muitos polos nessa luta. A pulverização eletrostática reduz o uso de agroquímicos, dizem seus defensores. Com 70% colocados no alvo certo, a redução é de 30%. A tecnologia é da Fundação do Meio Ambiente, que a recomenda para legumes, frutas e verduras (Eco-finanças, 23/5). Também há quem defenda a supressão de árvores contaminadas como o melhor caminho para evitar a propagação dos problemas – como a Fundação de Defesa da Citricultura, em 349 municípios de São Paulo e Mato Grosso. De qualquer forma, 16,92% das laranjeiras foram suprimidas. De abril do ano passado a março deste ano foram erradicadas em 21,3 mil hectares, mais de metade delas com sintomas de problemas.

Seja como for, a briga é difícil e complicada. As empresas produtores de agrotóxicos constituem um verdadeiro cartel, que domina o mercado mundial, algumas delas com mais de cem anos de existência, como a Monsanto. A Bayer e a Syngenta e poucas mais fazem parte do grupo. Algumas participaram até do Projeto Manhattan, da primeira bomba atômica. Ou do projeto do Agente Laranja, muito em evidência na Guerra do Vietnã.

Mas a luta contra os agrotóxicos também tem aliados importantes, como instituições que participam da Moratória da Soja, que luta contra o desmatamento desde 2006. Ela proíbe o comércio, aquisição e financiamento de grãos produzidos em áreas desmatadas de maneira ilegal no bioma amazônico e em áreas embargadas pelo Ibama e propriedades que estejam na lista de trabalho escravo do Ministério do Trabalho e Previdência. Desde seu início, a moratória expandiu-se em 2,3 milhões de hectares, nos quais a produção aumentou 200% (amazonia, 23/6).

Parece não haver dúvida de que cresce rapidamente em toda parte – no Brasil e nos países para os quais exportamos grãos e outros itens agrícolas – a resistência a produtos de regiões que usem agrotóxicos. Ainda assim, estas têm conseguido protelar novas tentativas de ampliar legalmente as restrições. Mas a Agência Europeia dos Produtos Químicos conclui pesquisa sobre riscos cancerígenos na origem dos produtos. Só que a OMS e sua agência de pesquisa sobre câncer não conseguiram apertar as restrições, que ficaram para ser decididas até o fim de 2017. Até lá só vigorarão restrições ao uso de agrotóxicos em áreas de parques e jardins .

Nessa hora decisiva, o Pnuma afirmou na recente convenção de Nairóbi que os danos ao meio ambiente estão entre as maiores causas de morte no mundo. Por que, então, não se consegue avançar na questão dos agrotóxicos? Por que nossos Poderes – principalmente o Legislativo – não conseguem estabelecer regras duras nessa área relacionada com alimentos e saúde? Os eleitores precisam cobrar. Se a opinião pública deixar claro que não aceita os prejuízos, o panorama poderá mudar. Nada pode ser mais grave que o risco de morte evidenciado pela ciência.

*Washington Novaes é jornalista

E-mail: wlrnovaes@uol.com.br

 

 

Suplente de Blairo Maggi será relator de PL sobre rotulagem

18, julho, 2016 Sem comentários

Foto: Marcos Oliveira | Agência Senado

O senador Cidinho Santos (PR-MT) foi designado relator do projeto de lei que acaba com a rotulagem de transgênicos. Ele assumiu cadeira no Senado com a ida de Blairo Maggi para o Ministério da Agricultura do governo interino e golpista e Michel Temer. Santos, que é dono de grandes extensões de terra e tem participações em agroindústrias, foi indicado para a função de relator pela senadora ruralista Ana Amélia (PP-RS), presidente da Comissão de Agricultura e Reforma Agrária.

Tido como o “rei da soja“, o atual ministro da Agricultura fez fortuna, entre outros, com o plantio de soja convencional, e essa produção beneficiou-se internamente pela venda de óleo de soja e outros com a inscrição “livre de transgênicos” nos rótulos. Esperamos que seu suplente mantenha a rotulagem de transgênicos e defenda o direito dos consumidores à informação .

Wanderlei Pignati fala da polêmica da pulverização aérea

8, julho, 2016 Sem comentários

Abrasco, 01/07/2016

Michel Temer sancionou lei (13.301/2016) que permite a pulverização aérea de inseticidas sobre cidades para controle do mosquito Aedes aegypti

Categories: agrotóxicos Tags: , ,

Temer pode rever lei que permite uso de aviões no combate ao Aedes

5, julho, 2016 Sem comentários


O presidente em exercício Michel Temer pode rever a lei que prevê o uso de aeronaves no co

mbate ao mosquito Aedes aegypti. Ele chamou para uma conversa o ministro da Saúde, Ricardo Barros, para pedir esclarecimentos sobre os efeitos na população do lançamento de inseticidas pelos aviões.
Reportagem de André Trigueiro, no Jornal Nacional desta segunda (04), revelou que especialistas em saúde pública estão fazendo um alerta sobre o risco de se lançar inseticida de aviões para combater o mosquito transmissor da dengue, chikungunya e zika.

A nova lei sancionada por Temer prevê o uso de aeronaves mediante aprovação das autoridades sanitárias e da comprovação científica da eficácia da medida. Segundo a reportagem, a lei contraria recomendação técnica do próprio Ministério da Saúde, que apontou em abril riscos para a população, para as águas e para os alimentos. Segundo a pasta, há risco de desequilíbrio ecológico causado pela morte de algumas espécies.

O inseticida mais usado no Brasil para combater o mosquito Aedes aegypti é o malathion. Ele costuma ser pulverizado nos carros fumacê, em locais específicos. Segundo a Organização Mundial da Saúde, há evidências de que o malathion causa câncer em animais, mas não se confirmou até o momento o mesmo efeito em seres humanos.

Clique aqui para aderir a abaixo-assinado ao presidente interino e ilegítimo pedindo a derrubada da medida