Soja convencional é alternativa em áreas com plantas daninhas resistentes ao glifosato

21, fevereiro, 2017 Sem comentários

Antes era aplicar o glifosato para economizar outros produtos, agora é aplicar outros produtos para economizar no glifosato…

 
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Buva viceja em meio a campo de soja transgênica em Alto Paraná, Paraguai. Resistência de plantas espontâneas a herbicidas aumenta o uso de químicos e enseja novos pacotes pela empresas, como  o2,4-D, da Dow, e o Dicamba, da Monsanto. Foto: AS-PTA

 

 

 

 

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Embrapa, 20/02/2017

Soja convencional é alternativa em áreas com plantas daninhas resistentes ao glifosato

A praticidade do uso de glifosato no manejo de plantas daninhas em soja RR é um dos motivos que fazem com que produtores optem por cultivares transgênicas. Porém, com o aumento da incidência de ervas tolerantes e resistentes a esse herbicida, o cultivo de soja convencional passa a ser uma boa alternativa.

Para o pesquisador da Embrapa Sidnei Cavalieri, como muitas vezes o produtor já precisa utilizar outros mecanismos de ação na soja RR, o manejo e o custo operacional acabam não sendo muito diferentes daqueles empregados em lavouras convencionais.

“Optando pela soja convencional, o produtor vai utilizar herbicidas tradicionalmente usados, sem o glifosato. Ele vai economizar essa aplicação do glifosato. Então, entrando com uma soja convencional, seguida da aplicação de um pré-emergente ou de pós-emergentes com outros mecanismos de ação, realiza o controle da mesma forma, possibilitando ter maior ganho financeiro, comparado à soja transgênica, por conta do prêmio”, afirma o pesquisador se referindo ao maior valor pago pela soja convencional. Atualmente, o bônus chega a R$ 10 por saca em algumas trades.

Conhecimento da área

Para cultivar soja convencional, uma das exigências é que o produtor conheça muito bem sua área, quais as espécies de plantas daninhas mais comuns e qual o grau de infestação delas. A partir daí é que poderá definir a forma de manejo dessas invasoras e quais herbicidas utilizar.

O pesquisador ressalta ainda a importância de sempre se trabalhar com herbicidas pré-emergentes, garantindo maior segurança no controle das plantas daninhas.

“No caso de soja convencional, gosto de recomendar a aplicação de herbicida pré-emergente para possibilitar que a cultura se desenvolva no limpo desde o início. Até porque temos uma limitação quanto ao estádio de controle com pós-emergente. Se, por ventura, começar a chover muito na época em que a soja está se desenvolvendo e passar o ponto indicado para o controle, muito possivelmente o produtor terá dificuldade de controle usando somente pós-emergentes. Dai então a aplicação fundamental dos pré-emergentes, com os pós-emergentes entrando para complementar o controle”, orienta o pesquisador Sidnei Cavalieri.

Soja livre

Estas e outras orientações o pesquisador Sidnei Cavalieri passou aos produtores e técnicos que participaram do Dia de Campo do Programa Soja Livre realizado na Embrapa Agrossilvipastoril, em Sinop (MT), nessa segunda-feira, dia 20.

O evento apresentou oito cultivares de soja convencionais desenvolvidas pela Embrapa, Agronorte e TMG e que são recomendadas para o cultivo em Mato Grosso. Entre os materiais há diferentes características de ciclos produtivos e de resistência a nematoides. Todos, contudo, com alto potencial produtivo.

O dia de campo ainda abordou o grande mercado da soja convencional, atendendo, sobretudo, aos países Europeus e, em demanda crescente, a China e a Rússia.

O Programa Soja Livre é coordenado pela Aprosoja e Embrapa, juntamente com uma rede de parceiros e busca garantir a oferta de sementes de soja convencional no mercado, mantendo o direito de escolha do produtor.

Além do evento em Sinop, outros dez eventos estão sendo realizados em todas as regiões de Mato Grosso nesta safra. A programação de dias de campo segue esta semana com eventos em Sorriso, no dia 21, em Tangará da Serra, dia 22, e em Deciolândia no dia 24.

Conheça as cultivares de soja convencionais da Embrapa e saiba mais sobre o Programa Soja Livre

Gabriel Faria (mtb 15.624 MG JP)

Embrapa Agrossilvipastoril

agrossilvipastoril.imprensa@embrapa.br

Telefone: 66 3211-4227

– Mais informações sobre o tema

Serviço de Atendimento ao Cidadão (SAC)

www.embrapa.br/fale-conosco/sac/

 

 

 

 

 

 

 

 

Grupo de consumidores da igreja Vida Nova visita propriedade agroecológica

17, fevereiro, 2017 Sem comentários

Folha de Palmeira, 17/02/2017

André Emílio Jantara | Assessor Técnico da AS-PTA

Na tarde de ontem, foi realizada uma visita a campo em nosso município na propriedade agroecológica de Nilce e Roberto Gurski, comunidade de Faxinal dos Quartins, onde estiveram presentes o grupo de mulheres da Igreja Menonita Vida Nova e assessores técnicos da AS-PTA- Agricultura Familiar e Agroecologia.

Apresentação dos participantes

Apresentação aos participantes pelo Roberto sobre a agroindústria

O objetivo principal da visita que a AS-PTA vem organizando é mostrar a produção de alimentos saudáveis agroecológicos produzidos pelas famílias agricultoras colocando os consumidores em contato com o dia a dia das famílias, mostrando os sistemas que utilizam para a produção, colheita e processamento de alimentos até chegar ao consumidor, sendo através de feiras agroecológicas e entregas de sacolas domiciliar.

No primeiro momento, além de uma breve apresentação e depois a família contou a sua história de vida e a forma que produzem alimentos saudáveis, mostrando as dificuldades que enfrentam, mas os pontos positivos em viver em harmonia com a natureza, conservando o meio ambiente, hoje tão agredido pelo uso indiscriminado dos agroquímicos.

Debate sobre produção agroecológica

Este projeto que a AS-PTA vem executando no município junto com a APEP e CAFPAL- Cooperativa da Agricultura Familiar de Palmeira, tendo como o título a Promoção da articulação entre CIDADE E CAMPO em dinâmicas locais e regionais de abastecimento agroecológico, conjugado com incidência política em soberania e segurança alimentar.

Também se estende pelos municípios de São João do Triunfo junto ao sindicato dos trabalhadores rurais e a COAFTRIL- cooperativa de agricultores familiares e São Mateus do Sul, junto com o sindicato e cooperativa também. Este projeto está sendo financiado por MISEREOR-KatholischeZentralstellefürEntwicklungshilfe da Alemanha.

Para a próxima etapa do projeto é organizar mais algumas caravanas de consumidores interessados em participar e conhecer sistemas de produção agroecológicos em nosso município e em sequência reunir estes consumidores para um encontro de formação e capacitação em temas que ainda desconhecem sobre a produção de alimentos saudáveis.

No final da visita, foi servido um café a todos os participantes com alimentos que a família vem produzindo e como temos chamados de CAFÉ DA BIODIVERSIDADE.


Produção na agroindústria

Visita a propriedade

Café da biodiversidade

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As mentiras sobre o glifosato

10, fevereiro, 2017 Sem comentários

Família de Palmeira produz alimentos agroecológicos há mais de 20 anos

24, janeiro, 2017 Sem comentários

leiafolha.com.br

 

por Rogério Lima –

Há mais de 20 anos, a família de Nilce e Roberto Gurski, residente na localidade de Faxinal dos Quartins, interior do município de Palmeira, vem produzindo alimentos agroecológicos saudáveis. A propriedade da família tem três alqueires e a área cultivada ocupa apenas a metade do total, sendo o restante composto por matas e proteção de fontes.

Na propriedade dos Gurski, hoje são cultivadas diversas espécies de hortaliças, tubérculos e também cereais como milho e feijão, tudo com a comercialização garantida. A venda dos produtos acontece na feira agroecológica que é realizada todos os sábados na cidade, bem como com a entrega de sacolas em forma de kits nas casas dos consumidores, mercados locais, restaurantes e merenda escolar. Na casa da família vende-se a produção para vizinhos e os Gurski consomem o que produzem na alimentação da própria família.

Além de produzir, a família também transforma os produtos. Na propriedade, funciona uma agroindústria devidamente regularizada pela Vigilância Sanitária, na qual são produzidos conservas de diversas espécies, picles, molho de tomate, compotas, doces caseiros e sucos de frutas.

A propriedade dos Gurski é certificada como agroecológica pelo Instituto Tecnológico do Paraná (Tecpar) e também pela Rede Ecovida, o que é destacado na rotulagem dos alimentos comercializados.

Segundo a família, a demanda de alimentos para a comercialização no município é maior do que a produção que se tem na propriedade. “Se tivéssemos o dobro da produção de hoje, a venda era garantida, pois comércio tem, basta ter a insistência, teimosia e dedicação para produzir alimentos saudáveis agroecológicos”, afirma Roberto.

A produção das hortaliças e do morango é feita em estufas cobertas, o que evita danos dependendo da época do ano, como doenças e fungos que possam prejudicar a produção.

A família, que participa de um projeto desenvolvido por entidades do setor agrícola, tem o hábito de receber grupos de pessoas, incluindo consumidores, que buscam conhecer como são produzidos os alimentos. São grupos de vários municípios da região, mas principalmente de Palmeira.

Projeto

O projeto que a AS-PTA vem executando no município junto com a Associação dos Produtores Ecológicos de Palmeira (APEP) e a Cooperativa da Agricultura Familiar de Palmeira (Cafpal), do qual participa a família Gurski, tem como o título “Promoção da articulação entre cidade e campo em dinâmicas locais e regionais de abastecimento agroecológico, conjugado com incidência política em soberania e segurança alimentar”.

Segundo o assessor técnico da AS-PTA, André Emílio Jantara, “o objetivo principal do projeto é promover e articular as dinâmicas locais e regionais de produção, processamento e abastecimento agroecológico em organizações do campo e da cidade, orientadas em relações solidárias e nos princípios da soberania e segurança alimentar das populações”.

Na região, o projeto alcança os municípios, desenvolvido junto ao Sindicato dos Trabalhadores Rurais de São João do Triunfo e a Cooperativa de Agricultores Familiares de São Mateus do Sul. O projeto recebe financiamento externo da organização MISEREOR-Katholische Zentralstelle für Entwicklungshilfe, da Alemanha.

Também participam do projeto outras entidades ligadas à produção agroecológica nos estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul, onde também estão executando as atividades propostas junto aos consumidores locais de alimentos agroecológicos em suas respectivas regiões.

Intercâmbio

Jantara informa que em Palmeira, uma próxima etapa do projeto, ainda neste ano, é realizar algumas visitas de intercâmbio entre os consumidores locais e os agricultores que estão produzindo. “Assim, o consumidor poderá ver a forma como são produzidos os alimentos agroecológicos, preparados e até processados para que cheguem à sua mesa através da feira, mercados, restaurantes e das sacolas entregues em seus domicílios”, explica o assessor técnico da AS-PTA.

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Agroecología y los Objetivos de Desarrollo Sostenible

23, janeiro, 2017 Sem comentários

edición especial

En esta edición especial, publicamos estudios de caso realizados en los países de América Latina sobre la contribución de la agroecología a la realización del potencial multifuncional de la agricultura familiar campesina.

Los efectos positivos sistematizados a partir de diferentes perspectivas de análisis explican el papel central que el campesinado puede desempeñar para contribuir al logro de los Objetivos del Desarrollo Sostenible (#ODS).

 

Haga clic en la imagen para descargar el archivo

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Agroecologia e os ODS

18, janeiro, 2017 Sem comentários

#ODS

A Agroecologia contribui diretamente para pelo menos 10 dos 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável

 

Conheça nesta edição de Agriculturas experiências de 7 países da América Latina sobre benefícios da Agroecologia:

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Fundação Banco do Brasil quer captar US$ 100 mi para construir 40 mil cisternas no Nordeste

13, janeiro, 2017 Sem comentários

www1.folha.uol.com.br

PATRICIA PAMPLONA ENVIADA ESPECIAL A JOÃO PESSOA (PB)

Após já ter construído 92 mil cisternas no semiárido nordestino nos últimos quatro anos, a FBB (Fundação Banco do Brasil) está concorrendo ao prêmio de US$ 100 milhões da Fundação MacArthur para erguer outras 40 mil, o que deve beneficiar 200 mil pessoas.

Apesar de expressivo, o número representa 5,7% do total máximo estimado para que o acesso à água seja universalizado na região com a construção de mais 700 mil cisternas, segundo informou o presidente da FBB, Gerôncio Luna, na abertura do 10° Encontro de Jornalistas da organização.

10° Encontro de Jornalistas da FBB

O evento que começou nesta quarta-feira (19), em João Pessoa (PB), reúne 60 profissionais de comunicação de 16 Estados do país. Durante três dias, a cobertura do terceiro setor será a pauta dos jornalistas.

A participação no prêmio da Fundação MacArthur, que destinará o valor a uma iniciativa que solucione problemas críticos envolvendo pessoas, lugares ou o planeta, faz parte da nova frente de mobilização de recursos de fora do Brasil para projetos do banco de tecnologias sociais da FBB.

“As fundações no Brasil atuam muito com o dinheiro de seu instituidor. É preciso trazer recursos de fora”, afirmou Gerôncio Luna. “Isso não significa menor participação da FBB.”

A estratégia para captação de investidores fora do Brasil inclui, ainda, uma aproximação com as embaixadas em Brasília (DF), aproveitar a atuação do Banco do Brasil em 24 países e a internacionalização do Prêmio FBB de Tecnologias Sociais, como Luna divulgou em entrevista exclusiva à Folha.

A fundação é patrocinadora da categoria Escolha do Leitor, onde o público decide seu finalista favorito entre os seis líderes que concorrem ao Prêmio Empreendedor Social e Empreendedor Social de Futuro. A votação está aberta; participe.

INOVAÇÃO SOCIAL EM PAUTA

Anualmente, a FBB reúne jornalistas do país para discutir a cobertura do terceiro setor pela mídia. Neste ano, as mesas reúnem nomes como Rinaldo de Oliveira, do portal Só Notícia Boa, e Deborah Fernandes, que trabalhou na elaboração do documentário “Novos olhares sobre a produção e consumo”.

A noite de abertura contou com a palestra magna do economista Leandro Morais. Com grande foco na área do desenvolvimento sustentável, o especialista trouxe o contexto a ser debatido até esta sexta-feira (21).

Esse panorama inclui 320 milhões de pessoas que vivem na extrema pobreza no mundo e 2,5 bilhões que não têm acesso a água e saneamento.

Ele expôs que, ao longo das duas revoluções industriais e durante a terceira que ocorre, com o avanço tecnológico, houve a “emergência de um padrão produtivo e de consumo que se moderniza e incrementa”.

Para ele, “o padrão produtivo não precisa ser destruído, mas precisamos discutir quando os benefícios dessa evolução não são para todos”.

Durante o evento, serão ainda apresentadas tecnologias sociais da FBB e discutidas diferentes formas de fazer jornalismo com a exposição de plataformas de comunicação produzidas no nordeste.

A repórter PATRICIA PAMPLONA viajou a convite da Fundação Banco do Brasil, patrocinadora do
Prêmio Empreendedor Social

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Curso Internacional Agroecologia e Restauração Ecológica

12, janeiro, 2017 Sem comentários

 

Curso Internacional

Agroecologia e Restauração Ecológica: Agropaisagens Sustentáveis com Resiliência

De 15 a 17 de Março de 2017, Florianópolis – SC

 

Promoção

Sociedad Cientifica Latinoamericana de Agroecología –SOCLA

Centro para la Investigación en Sistemas Sostenibles de Producción Agropecuaria – CIPAV

Programa de Pós-Graduação em Agroecossistemas – PGA/UFSC

Programa de Pós-graduação em Recursos Genéticos Vegetais – PPGRGV/UFSC

Local

Centro de Ciências Agrárias (CCA), Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Rodovia Admar Gonzaga, 1346, Florianópolis, Santa Catarina, Brasil, CEP 88.034-001

Docentes

Clara Nicholls – Universidade da Califórnia, Berkeley – SOCLA

Enrique Murgueitio – CIPAV, Colômbia

Illyas Seddiqui – PGA e PPGRGV/UFSC, Brasil

Miguel Altieri – Universidade da Califórnia, Berkeley – SOCLA

Zoraida Calle Díaz – CIPAV, Colômbia

Tópicos principais

  • Bases científicas da Agroecologia
  • Função da biodiversidade nos agroecossistemas
  • Conversão de sistemas convencionais ao manejo agroecológico
  • Criação sustentável de bovinos na América Latina e Caribe
  • Sistemas agroflorestais pecuários
  • Sistemas silvopastoris intensivos (SSPi)
  • Avaliação técnica, econômica e de bem estar animal dos SSPi
  • Bases teóricas da restauração ecológica
  • Restauração ecológica em agropaisagens.
  • Agroecologia e resiliência a mudanças climáticas
  • Sistemas Agroflorestais sucessionais
  • Construção e socialização de conhecimentos agroecológicos e agroflorestais para a resiliência socioecológica

Inscrição

O prazo de inscrição e pagamento da taxa do curso é dia 15 de Janeiro de 2017.

Interessados, por favor, enviar email a Rubens Onofre Nodari (rubens.nodari@ufsc.br) ou para Secretaria da SOCLA (m.mayrag.m@gmail.com).

Numero de vagas

30 para profissionais e 15 para estudantes.

Custo

US$ 100 dólares ou valor equivalente em Reais para profissionais e US$ 50 dólares ou valor

equivalente em Reais para 15 estudantes

O pagamento deve ser feito via PayPal ou Skype, cujo acesso está na página www.socla.co (mais detalhes serão informados proximamente). A SOCLA emitirá recibo de pagamento, que não equivale a uma nota fiscal.

Certificado

O certificado de participação será emitido pelos promotores SOCLA, CIPAV, PGA e PPGRGV/UFSC.

Para os alunos do PGA e PPGRGV, o curso poderá ser validado como um crédito em disciplinas

 

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Em meio a seca histórica, agroecologia gera renda para sertanejos do NE

12, janeiro, 2017 Sem comentários

Reportagem da Folha se S. Paulo destaca trabalho realizado desde 1993 pela AS-PTA, em parceria com o Polo da Borborema, no agreste paraibano.

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www1.folha.uol.com.br

 

PATRICIA PAMPLONA ENVIADA ESPECIAL A ESPERANÇA (PB)

Em meio ao sertão da Paraíba, que enfrenta uma seca histórica de cinco anos, Marlene Pereira, 46, sustenta sua família com o que planta em seu terreno de menos de meio hectare, menor que um campo de futebol, em Lagoa Seca, a 142 quilômetros de João Pessoa.

A venda de cebolinha, coentro, batata doce, alface, couve, milho, além das criações de galinha e bode, na feira agroecológica da cidade, uma das 12 na região do Polo da Borborema, garante a renda.

“Nossos produtos são livres de agrotóxicos”, conta a agricultora. “A gente mesmo produz o biofertilizante. É totalmente agroecológico.”

Agroecologia gera renda

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A variedade nem sempre esteve nos terrenos de Marlene. “Nossos pais e avós diziam que tinha que plantar uma coisa, não dava um monte de coisa no mesmo local”, diz. “Hoje, eu boto tudo no chão e dá. Tendo água, dá tudo.”

A água vem das cisternas que chegaram ao município em 2010. A tecnologia social é certificada pela FBB (Fundação Banco do Brasil), que já construiu 92 mil equipamentos do tipo em todo o semiárido nordestino e pretende alcançar ainda mais municípios.

Elas servem tanto para consumo das famílias, com captação da chuva no telhado para reservatórios de 16 mil litros, quanto para criação de animais e produção, em calçadões inclinados de 200 metros quadrados e com tanques de 52 mil litros.

“Antes, era uma vida só da cacimba [poço]. Acabou a água, acabou tudo”, lembra Marlene. “Hoje, não. A gente, mesmo nesse período de seca, continua mantendo nossas feiras agroecológicas.”

Delfino Oliveira, 23, também é um dos agricultores da região. Na zona rural do município de Esperança, ele mantém a variada plantação no terreno onde mora com os pais e os irmãos.

Além das cisternas para captação de água, a área conta com um biodigestor, que gera gás de cozinha a partir do esterco dos animais. O uso do equipamento reduziu o consumo de botijões de gás para um ao ano.

O jovem agricultor vende seus produtos em uma das 12 feiras da região. O restante, utiliza para consumo próprio. “Aqui não tem desperdício. Se não vender na feira, comemos em casa. E se não der para a gente comer, vai para os animais”, diz.

TRANSFORMAÇÃO

Apesar de a rede de agroecologia da região existir desde 1994, a feira em Lagoa Seca surgiu apenas em 2002, e as melhorias vieram em 2014, quando foi lançado o projeto Ecoforte – Redes de Agroecologia na Borborema.

Com recursos da FBB e do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), ele incentiva o protagonismo das mulheres, o acesso a feiras e promove fundos solidários e bancos de sementes crioulas.

Há dois anos, os mercados contam com estrutura como barracas e equipamentos de transporte. “A gente não toma chuva, sol. As pessoas que vêm comprar também tem um local mais adequado”, relata Marlene.

As iniciativas facilitam a vida no semiárido e ajudam a permanência dos sertanejos na agricultura. Com incentivo do sindicato da região, Delfino deixou a vida urbana quando viu a qualidade de vida no campo.

“Na cidade, teria um chefe que gritaria se chegasse atrasado ou não fizesse alguma tarefa”, compara.

Outra mudança para a família do jovem veio do Pais (Produção Agroecológica Integrada e Sustentável), que prevê a produção de alimentos orgânicos para consumo familiar e incentiva a comercialização do excedente, além de capacitação técnica para as melhores práticas.

“Quando chove e você planta, é bom. Quando começa a ter lucro, é melhor ainda”, afirma sobre o programa.

Marlene também viu sua vida ter outro rumo. “Começamos numa moto, hoje temos um carro melhor, uma casa melhor, uma boa qualidade de vida. Estudei, cursei agricultura, sou técnica em agroecologia, em informática, em contabilidade e em agropecuária.”

A agricultora já disse que não sai da sua terra. “Meu maior sonho é ter saúde e um local maiorzinho para plantar. Meu terreno é muito pequeno para o que eu quero fazer.”

A repórter PATRICIA PAMPLONA viajou a convite da Fundação Banco do Brasil, patrocinadora do Prêmio Empreendedor Social

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Sementes tradicionais alimentam semiárido

11, janeiro, 2017 Sem comentários

envolverde.com.br

Por Mario Osava, da IPS –  

Apodi, Brasil, 9/1/2017 – Em seus 76 anos de vida, Raimundo Pinheiro Melo suportou inúmeras estiagens prolongadas decorrentes das secas no Nordeste do Brasil. Ele se lembra de todas desde a de 1958. “A pior foi em 1982 e 1983, a única vez que secou o rio”, em cuja proximidade vive desde 1962. “Também foi muito ruim em 1993”, contou à IPS, porque ainda não existia o Bolsa Família nem a Articulação Semiárido Brasileiro (ASA), que contribuem para uma convivência menos traumática com secas como a atual, que já dura cinco anos.

Raimundo Pinheiro de Melo, um camponês de 76 anos do município de Apodi, no Nordeste do Brasil, mostra a um agricultor que o visita uma garrafa com sementes de feijões que mantém guardada. Foto: Mario Osava/ IPS

Por meio do Bolsa Família, o governo federal ajuda com dinheiro 13,8 milhões  de famílias pobres no Brasil, metade delas no Nordeste. A ASA é uma rede de três mil organizações sociais que promove a coleta de água de chuva, bem como técnicas e conhecimentos para uma vida rural adequada ao clima de chuvas irregulares na ecorregião do semiárido nordestino.

Para Mundinho, como Raimundo é conhecido por todos, e seus vizinhos, a água não é tão escassa devido à proximidade do rio Apodi, que, mesmo quando seca, ainda conserva água para ser extraída nas cacimbas, buracos feitos no leito do rio ou em sua margem. Além do esforço para conseguir água na zona alta onde vive, em uma área rural de Apodi, município do Rio Grande do Norte, ele se dedica a outra tarefa vital para a sustentabilidade do modo de vida camponês no interior semiárido do Nordeste, conhecido tradicionalmente como sertão.

Mundinho é um guardião de sementes crioulas, ou tradicionais. Armazena em garrafas e pequenos barris de plástico sementes de milho, feijões, sorgo, melancia e outras espécies de cultivo local, em uma pequena instalação construída ao lado de sua casa, em meio a uma terra atualmente arenosa e de vegetação seca. Mais de mil dessas casas, ou bancos de sementes, compõem, com a participação de 20 mil famílias, a rede organizada pela ASA para preservar o patrimônio genético e a diversidade dos cultivos adaptados ao clima e ao solo semiárido nordestino.

Guardar sementes é uma velha tradição camponesa, que foi deixada de lado durante a modernização agrícola na chamada revolução verde, iniciada na metade do século passado, e que incluiu uma “ofensiva das empresas produtoras de sementes que diziam ser melhoradas” e das quais os agricultores passaram a depender, recordou à IPS Antônio Gomes Barbosa, coordenador do Programa de Sementes Crioulas da ASA.

Sementes crioulas armazenadas em garrafas plásticas reutilizadas, em uma construção especial erguida em sua propriedade por Raimundo Pinheiro de Melo, um orgulhoso guardião dessas sementes, que colaboram para a segurança alimentar no semiárido do Nordeste brasileiro, em meio a uma seca que já dura mais de cinco anos Foto: Mario Osava/IPS

A estratégia adotada em 2007, de disseminar tecnologias para armazenar água para a produção, buscando a segurança alimentar, levou a ASA a visualizar a necessidade de os pequenos agricultores disporem sempre de sementes, explicou Barbosa, sociólogo de formação. Um estudo com 12.800 famílias revelou que o “semiárido tem a maior variedade de sementes de espécies alimentares e medicinais do Brasil”, destacando uma região em que vivem mais de 25 milhões dos 56 milhões de habitantes no Nordeste, em um país com população de 208 milhões de pessoas.

Barbosa acrescentou que para isso contribuíram a herança familiar e comunitária de sementes armazenadas e “um intenso intercâmbio, promovido por emigrantes que retornaram ao semiárido trazendo sementes de São Paulo e do centro-leste” do país, onde viveram. O que a ASA fez foi identificar os bancos de sementes existentes, articulá-las e promover sua multiplicação, como forma de resgatar, preservar, ampliar existências e distribuir as sementes crioulas, detalhou.

Antônia de Souza Oliveira, ou Antonieta, como é mais conhecida, participa do banco de sementes número 639 nos registros da ASA, na comunidade Milagre, com 28 famílias assentadas na meseta de Apodi, que é cortada pelo rio de mesmo nome. É um banco comunitário, que “conta com 17 guardiões e existências principalmente de sementes de milho, feijões e sorgo”, acrescentou.

Antônia de Souza Oliveira, em frente ao Banco de Sementes da comunidade rural Milagre, um assentamento de 28 famílias no Estado do Rio Grande do Norte, onde há 17 guardiões de sementes e que ficou famoso pelo protagonismo das mulheres nas atividades de coleta. Foto: Mario Osava/IPS

A forte presença feminina nas atividades desse assentamento levou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2011) a escolher Milagre para inaugurar uma linha de crédito para mulheres do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar. Um caso exemplar, destacado pela ASA, é o banco de sementes de Tabuleiro Grande, outro assentamento rural de Apodi. Ali, uma iniciativa familiar acumula sementes de 450 variedades de milho, feijões, outras leguminosas e ervas. Antônio Rodrigues do Rosário, de 59 anos, encabeça a quarta geração que mantém esse “banco familiar”.

O movimento de sementes crioulas se contrapõe à lógica da revolução verde, em que as sementes são distribuídas pelo Estado ou vendidas por grandes empresas especializadas, “em grande quantidade, mas pouca variedade”, e a partir de uma produção central. “Não precisamos dessa distribuição, mas de iniciativas locais, com cada território resgatando suas sementes locais, com grande diversidade e disseminação”, pontuou Barbosa.

Trata-se de conhecimento acumulado pelas famílias, com experiências de adaptação a cada localidade, solo e clima, ao tipo de produção desejada e à resistência às pragas. Barbosa observou que, por exemplo, “muitas variedades de milho atendem a diferentes necessidades, uma pode produzir mais palha para alimentar os animais, outra o grão para os humanos”. E acrescentou que “o quintal das casas é um laboratório familiar, onde são feitos experimentos, melhorias genéticas, testadas resistência e produtividade. É onde a mulher mais participa, inclusive ensinando os filhos”.

“Na grande seca de 1982 e 1983, uma variedade de batata de crescimento rápido, que em 60 dias foi reproduzida e guardada por uma avó, salvou muitas vidas”, apontou Barbosa. A permuta de materiais e conhecimentos também faz parte importante da história das sementes crioulas. Ocorre dentro da própria comunidade e nas relações com o exterior. A ASA procura intensificar esse intercâmbio promovendo contatos entre camponeses de diferentes áreas.

Antônio Gomes Barbosa, coordenador do Programa de Sementes Crioulas do movimento Articulação Semiárido Brasileiro, que aglutina mais de três mil organizações. A iniciativa é essencial para a segurança alimentar e a biodiversidade do Nordeste brasileiro, principalmente durante a longa seca que afeta a região. Foto: Mario Osava/IPS

“As sementes crioulas são o principal foco de resistência às imposições do mercado. Trata-se de superar a dependência em relação aos grandes fornecedores”, afirmou o coordenador do setor da ASA. A mudança climática aumenta a importância das sementes do semiárido. “Não há veneno agrícola para combater o aumento da temperatura”, ironizou.

O Programa de Sementes do Semiárido comprovou uma “grande capacidade criativa e de experimentação” dos agricultores familiares do Nordeste, ressaltou Barbosa em um diálogo com a IPS, no município próximo de Mossoró. Além disso, existe a tendência à autonomia. “O agricultor segue sua própria experiência, mais do que a orientação do agrônomo, porque escolhe o que é mais seguro para ele”.

Porém, duas ameaças preocupam o movimento referente às sementes da ASA. Uma é a “erosão genética”, que pode ser provocada pela atual seca, que em algumas áreas já dura sete anos. As chuvas isoladas induzem os camponeses a plantar. Sabendo da possibilidade de perder a colheita, nunca usam todas as sementes, mas as vai perdendo pouco a pouco, diante de cada chuva enganosa, com o risco de reduzir suas existências.

Outra ameaça são os transgênicos, rejeitados pelos agricultores vinculados à ASA. Foi comprovada a presença de milho geneticamente modificado em algumas plantações do Estado da Paraíba, que se suspeita ocorre devido ao contágio de sementes trazidas de outras regiões. (#Envolverde/IPS)

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Quer entender o que faz a austeridade fiscal? Veja o caso do Rio Grande do Sul

23, dezembro, 2016 Sem comentários

Sul21, 19/dez/2016, 10h05min

Conheça 11 projetos científicos ameaçados de extinção pelo governo Sartori

Marco Weissheimer

O Jardim Botânico possui estufas com coleções de bromélias, orquídeas, cactos, suculentas e outras plantas, que são acessadas por pesquisadores do Brasil e do Exterior. (Foto: Maia Rubim/Sul21)

 

A Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul é uma das principais entidades responsáveis pela elaboração da lista de espécies da fauna e da flora ameaçadas de extinção no Estado. Por uma ironia perversa motivada por uma escolha do governo José Ivo Sartori (PMDB), a própria Fundação ingressou numa lista de extinção, juntamente com outros órgãos públicos responsáveis pela produção de conhecimento no Estado. Mas não é apenas a Fundação que está ameaçada de extinção. O que boa parte da população não sabe é que a instituição abriga importantes pesquisas e projetos científicos reconhecidos nacional e internacionalmente que passaram a fazer também das espécies ameaçadas de extinção.

Em agosto de 2015, ao apresentar o documento da Fase 3 do “ajuste fiscal gaúcho”, o governador Sartori falou que iria “fazer o que precisa ser feito para um Rio Grande do Sul sustentável”. Paradoxalmente, uma das medidas apresentadas para garantir um “RS sustentável” foi a extinção de uma fundação que se dedica justamente a defender e promover a sustentabilidade. O “sustentável” de Sartori, neste caso, não tinha nada a ver com a questão ambiental, mas sim com um regime de “austeridade financeira”.

Na contramão do que ocorre nos países mais avançados do mundo, esse conceito de modernidade abre mão da ciência como um espaço e instrumento para a promoção de desenvolvimento humano, econômico e social. O objetivo central da Fundação Zoobotânica é a promoção e conservação a biodiversidade no Rio Grande do Sul. Para isso, conta com um jardim botânico, um parque zoológico e um museu de ciências naturais, que atuam nas áreas de pesquisa, educação ambiental, conservação e lazer. A instituição mantem coleções científicas de plantas e animais, atuais e fósseis, que subsidiam pesquisas realizadas por especialistas do Brasil e do Exterior.

Para o governador Sartori, porém, extinguir essa instituição é uma condição para a “modernização administrativa do Rio Grande do Sul”. Conheça alguns dos projetos científicos ameaçados de extinção no Estado em nome dessa “modernização”:

Conservação de espécies vegetais nativas do RS, especialmente aquelas ameaçadas de extinção

Instalado em uma área de 39 hectares, o Jardim Botânico é uma coleção viva de plantas nativas do Rio Grande do Sul e também de outras regiões. Cada exemplar é identificado, catalogado e monitorado durante seu crescimento e vida no parque. O Brasil tem 82 jardins botânicos sendo que, deste total, apenas quatro tem conceito A. Um deles é o da Fundação Zoobotânica. A conservação dos ecossistemas do Estado é prioridade para o Jardim Botânico. Grande parte da sua área é ocupada por espécies representantes dos principais ecossistemas florestais do Estado.

Educação ambiental para estudantes e professores

A Fundação recebe cerca de 70 mil visitantes por anos, especialmente estudantes de escolas que aprendem sobre a flora nativa do Estado e participam de atividades de educação ambiental. Os professores dessas escolas também recebem formação ambiental. Em 2003, o Jardim Botânico foi decretado patrimônio cultural do Estado.

Coleções de plantas envasadas

O Jardim Botânico possui estufas com coleções de bromélias, orquídeas, cactos, suculentas e outras plantas, que são acessadas por pesquisadores do Brasil e do Exterior. “Cada uma dessas coleções é uma biblioteca, um registro da história da biodiversidade do nosso Estado. Além de cuidar dessa biblioteca, atendemos também demandas da própria Sema (Secretaria Estadual do Ambiente), fazendo planos de manejo de unidades de conservação”, relatam as biólogas Natividad Fagundes e Priscila Porto Alegre Ferreira, da Seção de Coleções da Fundação.

Plantas raras endêmicas ou ameaçadas de extinção do RS

Natividad Fagundes e Priscila Ferreira destacam também ao projeto que envolve a conservação de plantas raras endêmicas (que ocorrem apenas em um determinado local) ou ameaçadas de extinção no Rio Grande do Sul. Em 2002 foi inaugurada no Jardim Botânico uma coleção de ”Espécies raras, endêmicas ou ameaçadas de extinção do Rio Grande do Sul”, onde estão plantadas árvores como a Callisthene inundata, espécie rara e endêmica que é encontrada apenas no Vale do Rio das Antas.

Coleção de plantas medicinais

O Jardim Botânico também abriga uma coleção de plantas medicinais com cerca de 200 espécies, entre nativas e exóticas. Essa coleção faz parte de um projeto de constituição de uma cadeia produtiva de plantas medicinais no Estado. Ela já fornece mudas dessas plantas para hortas e postos de saúde. Cerca de 25% dos fármacos empregados hoje derivam de produtos naturais, principalmente de plantas.

Banco de sementes

Criado em 1999, desenvolve trabalhos de pesquisa com espécies nativas do Estado, envolvendo germinação e armazenamento de sementes, propagação in vitro e desenvolvimento de mudas, que são vendidas ao público. Além disso, realiza pesquisas em estudos embriológicos, conservação de germoplasma, propagação vegetal e cultivo de tecidos vegetais.

Coleções científicas de várias espécies de animais

O Museu de Ciências Naturais conta com coleções de insetos, aranhas, répteis, peixes e várias outras espécies que, assim como ocorre no caso das coleções de flora, são um registro da história da biodiversidade do Rio Grande do Sul. “Essas coleções possuem animais que vem sendo coletados desde as décadas de 40 ou 50. Temos casos como o do peixe elétrico do Rio Grande do Sul e de uma coral verdadeira que foi coletada nos altos da rua Coronel Bordini, em Porto Alegre, há algumas décadas”, assinalam os biólogos Patrick Colombo, Vinicius Bertaco e Roberto Oliveira, que trabalham com essas coleções.

O Museu possui a terceira maior coleção de aracnídeos do Brasil, com mais de 1.200 espécies, sendo 800 delas do Rio Grande do Sul. O biólogo Ricardo Ott, responsável por essa coleção, manifesta preocupação com o destino da mesma, caso a fundação seja extinta. “Esses potes precisam de manutenção de três em três meses pelo menos. Quem é que vai cuidar disso? Todo esse acervo vai acabar sendo jogado fora”, adverte.

Produção de soro antiofídico

A Fundação Zoobotânica é a única instituição da Região Sul do Brasil que fornece veneno ao Instituto Vital Brazil, do Rio de Janeiro, produtor de soro antiofídico. O serpentário da Fundação tem mais de 300 cobras. Essa parceria tem algumas características peculiares. O veneno das cobras cascaveis gaúchas possui um componente em concentração superior à encontrada em cobras similares que vivem em outras regiões do país. Isso permite à produção de um soro antiofídico capaz de responder a esse veneno mais potente. “No Rio Grande do Sul, ocorrem entre 800 e 900 acidentes envolvendo picadas de cobras por ano. A ausência de casos fatais se deve à existência de uma rede de postos dotados de soro bem distribuídos pelo Estado”, destaca Roberto Oliveira.

Coleção de insetos com bioindicadores de qualidade ambiental

O Museu de Ciências Naturais conta também com uma coleção de insetos que é utilizada para pesquisas no Brasil e no Exterior. “Esse acervo é utilizado para diferentes tipos de pesquisa. Temos espécies de besouros que são pragas na agricultura e espécies de borboletas e besouros que são bioindicadores de qualidade ambiental”, diz o biólogo Luciano Moura, curador dessa coleção. “Isso aqui não é minha profissão, é minha paixão”, afirma ainda o pesquisador lamentando a intenção do governo do Estado de extinguir com a Fundação.

Coleção de algas e controle de algas na água

A coleção de algas do Herbário Prof. Dr. Alarich R.H. Schultz (HAS) possui espécies coletadas em vários sistemas hídricos de água doce do Rio Grande do Sul e realiza o estudo taxonômico e ecológico destas algas, fornecendo subsídios para o controle e conservação da qualidade da água consumida pela população. O herbário conta ainda com uma ainda, com uma coleção viva de cianobactérias, mantidas em meios líquidos e sólidos no Banco de Culturas da Seção de Botânica de Criptógamas, no Museu de Ciências, tendo como curadora a bióloga Vera Regina Werner. “Somos o único instituto do Rio Grande do Sul que realiza esse tipo de controle da água. É um trabalho muito importante porque a presença de cianobactérias na água pode produzir toxinas perigosas, além de mau cheiro.

Coleção de fósseis e pesquisa paleontológica

O trabalho desenvolvido pela Seção de Paleontologia da Fundação Zoobotânica está focado na pesquisa e divulgação científica relacionados à paleontologia, principalmente do Rio Grande do Sul. Também atua na formação de pesquisadores com alunos de iniciação científica, mestrado e doutorado. Além disso, faz avaliação de sítios fossilíferos no Estado, que atraem hoje a atenção de pesquisadores do mundo inteiro, especialmente na região da Depressão Central do Estado. A seção possui uma coleção de 15 mil espécies. “O que mais nos assusta é o que vai acontecer com todo esse material. A Secretaria do Meio Ambiente não tem, hoje, pessoal capacitado a cuidar desse acervo”, diz a paleontóloga Ana Maria Ribeiro, curadora da coleção de fósseis. “Esses fósseis são propriedade da União. Nós somos apenas fieis depositários deles. Eles não têm ideia do patrimônio científico que existe aqui dentro”, acrescenta o paleontólogo Jorge Ferigolo.

Galeria de imagens:

Foto: Maia Rubim/Sul21

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Exploração de cobre provoca violenta expulsão de comunidades indígenas no Equador

22, dezembro, 2016 Sem comentários

Entidades de defesa dos povos indígenas do Equador estão denunciando a crescente escalada de violência contra a etnia shuar, da província amazônica de Morona Santiago.

Ação de despejo em agosto. Foto de Raúl Ankuash.

A comunidade de Nankints, onde tradicionalmente vivem os shuar, está dentro de uma enorme área que foi cedida pelo governo, por um período de 25 anos, para uma empresa chinesa de mineração realizar estudos de prospecção e extração de cobre.

Sob essa justificativa, no dia 11 de agosto passado, forças do exército e da polícia invadiram violentamente a comunidade, dando cinco minutos para que os moradores abandonassem suas casas, que foram em seguida demolidas. “Éramos oito famílias, em um total de 32 pessoas, das quais 12 crianças. Nos expulsaram, tiraram nossas casas, nossas terras. Hoje, não temos nem o que comer. Não nos indenizaram. Nem vieram conversar conosco”, relatou, em entrevista a um jornal local, Luis Tiwiram, dirigente da Federação Shuar. Ele ressaltou também que a Constituição dá amparo legal à reivindicação de propriedade ancestral dessas terras, onde viviam várias gerações de indígenas, motivo pelo qual resistiram durante dez anos a abandoná-las. “Nas nossas terras, tínhamos cultivos de mandioca, banana, guineo, e pescávamos; agora, não temos nada”, denunciou.

Luis Tiwiram, dirigente da etnia shuar: “Nos expulsaram das nossas terras. Agora não temos nada”

No mesmo mês, Luis Tiwiram se reuniu com o representante das Nações Unidas (ONU) no Equador, Diego Zorrilla, para pedir que este levasse ao conhecimento do relator especial sobre os Direitos dos Povos Indígenas de ONU a expulsão das oito famílias shuar.

Violação dos direitos constitucionais

A Confederação de Nacionalidades Indígenas do Equador (Conaie) lembrou que “o projeto está localizado sobre um território ancestral shuar, mas nunca consultaram seus integrantes, violando seus direitos constitucionais”.

Ainda segundo a Conaie, no 21 de novembro, os shuar voltaram a ocupar a área de Nankints, onde se realizaria a construção do acampamento do projeto de mineração. Nos dias seguintes, os indígenas foram atacados, por terra e ar, por mais de 1.000 efetivos militares e policiais. Como resultado do confronto, “várias pessoas ficaram feridas, indígenas shuar foram presos e não se conhece o paradeiro de alguns deles”, denunciou a organização indígena.

Os dirigentes indígenas Severino Sharupi, Jorge Herrera e Katy Betancourt entregaram uma carta no Ministério de Defesa, pedindo o fim da repressão na zona.  Foto: Expreso

Para a organização equatoriana Acción Ecológica, “a zona em conflito é, majoritariamente, um território do povo shuar. Nesse espaço se impôs um projeto de mineração, no qual se planejam abrir duas minas a céu aberto, que contaminarão o território com enormes quantidades de produtos tóxicos, e utilizarão milhões de litros de água, afetando os rios e outras fontes de água. Quando terminarem a exploração, restarão duas crateras e irreversíveis impactos ambientais, sociais e culturais”, afirmou.

A organização ecologista acrescentou que “há total ausência de consulta e predisposição do governo a escutar as demandas das pessoas afetadas. A população está submetida a contínuos processos de criminalização, agressão e hostilização. Continuam impunes os três assassinatos de indígenas shuar cometidos na zona. No último ano, houve contínuas ações de expulsão e retirada forçada para entregar os territórios a empresas de mineração chinesas”.  A organização destaca ainda “a inoperância e inclusive a conivência do Estado equatoriano nas agressões sofridas”.

Conhecida a nível nacional e internacional pela sua defesa dos direitos coletivos dos povos e os direitos da natureza, a organização ambiental equatoriana Acción Ecológica está agora, segundo denúncias, sob ameaça de fechar as portas, devido a pressões do governo e da transnacional chinesa e por seu apoio ao povo shuar.

Território sob tensão e violência

O estado de tensão e confronto continua na área, com desdobramentos imprevisíveis. No dia 14 de dezembro passado, houve um ataque às instalações da empresa mineradora chinesa, no qual morreu um policial.

O governo tem responsabilizado as comunidades indígenas pela violência. O informativo oficial El Ciudadano afirmou que “o presidente Rafael Correa fez um apelo no sentido de se rejeitar atos de extrema violência”. Segundo o periódico, o que aconteceu foram “atos de violência em Nankints, na província de Morona Santiago, contra os policiais que executavam a retirada de cidadãos que haviam tomado pela força as instalações do projeto mineiro de Ecuacorriente”. Tanto o Ministério da Defesa, quanto o de Interior têm insistido que a expulsão foi feita de acordo com ordens judiciais, já que a zona foi concedida à empresa chinesa. O governo de Pequim não se pronunciou sobre o caso.

-com informações de:

http://lahistoria.ec/2016/10/12/desalojo-de-comunidad-shuar/

https://twitter.com/PepeAcacho/status/763777888084787200

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Em janeiro: curso de biologia Goetheanística

22, dezembro, 2016 Sem comentários

cursogoethejan

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Estudo aponta conflitos de interesse em pesquisas sobre cultivos OGM

19, dezembro, 2016 Sem comentários

casa branca e cientistas

Mais de metade dos estudos financiados pelas empresas de biotecnologia apresentou resultados favoráveis às plantas Bt.

via UOL, 16/12/2016

Washington, 16 dez 2016 (AFP) – Pelo menos 40% dos artigos publicados sobre estudos com cultivos de organismos geneticamente modificados (OGM) mostraram conflitos de interesse financeiros, afirmaram pesquisadores franceses.

As conclusões, publicadas na edição de 15 de dezembro da revista US Journal PLOS ONE, se baseiam em centenas de artigos de pesquisas difundidas em publicações científicas.

“Encontramos que foram comuns os vínculos entre os pesquisadores e a indústria do cultivo OGM, com 40% dos artigos considerados em conflitos de interesse”, destacou o estudo.

Os pesquisadores franceses encontraram que os estudos que têm conflitos de interesse foram mais favoráveis às empresas do setor de cultivos geneticamente modificados que os estudos que não receberam financiamento que pudesse interferir.

O estudo se concentrou em artigos sobre a eficácia e a durabilidade dos cultivos que são modificados para ser resistentes a pragas com uma toxina chamada Bacillus thuringiensis.

Thomas Guillemaud, diretor do estudo do Instituto de Pesquisas Agronômicas da França (INRA), disse à AFP que a equipe revisou originalmente 672 estudos antes de reduzi-los a um lote de 579 que mostrou claramente se havia ou não um conflito de interesse com o financiamento.

“Deste total, 404 foram estudos americanos e 83, chineses”, disse.

Para determinar se houve conflito, os pesquisadores examinaram a forma como os estudos foram financiados.

Os conflitos de interesse se determinaram nas pesquisas nas quais um dos autores declarou ter filiação com uma empresa de biotecnologia ou de sementes ou nos que receberam recursos para a sua realização.

“O ponto mais importante foi como nós também mostramos que existe um vínculo estatístico entre a presença dos conflitos de interesse e um estudo que chegará a uma conclusão favorável para o cultivo OGM”, disse Guillemaud.

“Quando os estudos apresentaram conflito de interesse, isto aumentou em 49% a probabilidade de que suas conclusões fossem favoráveis a colheitas de OGM”.

Entre os 350 artigos que não apresentaram conflito de interesse, 36% foram favoráveis a empresas do setor de cultivos OGM.

Enquanto isso, de 229 pesquisas com conflito de interesse, 54% se mostraram favoráveis a este tipo de companhias.

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OAB/RJ discute danos dos agrotóxicos e retrocessos na legislação ambiental

19, dezembro, 2016 Sem comentários

 

AS-PTA, 18/12/2016

A Comissão de Bioética e Biodireito da OAB/RJ promoveu, no dia 9 de dezembro, um debate sobre os danos dos agrotóxicos ao meio ambiente e à saúde humana, durante o qual também foi discutida a questão dos transgênicos e os retrocessos na legislação ambiental.

Com o tema “Agrotóxicos – uso, exposição e legislação: avanço ou retrocesso?”, o evento reuniu especialistas em direito e meio ambiente, que destacaram a importância da população ter mais informações sobre as consequências do uso de pesticidas. “É importante a sociedade saber o que está acontecendo em relação a essa questão. Precisamos ampliar o debate e a mobilização, e tomar medidas concretas para reverter o quadro atual”, afirmou Mariana Picanço, secretária-geral da Comissão de Bioética da OAB/RJ.

A defensora pública Elida Seguin concordou: “Estamos jogando para debaixo do tapete a discussão sobre os efeitos do uso de agrotóxicos. E quando não conhecemos algo, somos presas fáceis de manipulação. É através da informação que capacitamos as pessoas a debater essas questões”.

Para ela, não existe a menor dúvida que os agrotóxicos afetam a saúde das pessoas, direta ou indiretamente, e que seus efeitos nocivos passam, inclusive para os descendentes, com a malformação de fetos. “Paramos de falar em justiça ambiental!”, lamentou. Também destacou que os trabalhadores são os mais afetados pela falta de uma Política Nacional de Saúde Ambiental: “Não há interesse em jogar luz sobre doenças profissionais resultantes de problemas ambientais”, afirmou Elida.

Durante o debate, Virgínia Guimarães, professora da PUC-RJ de Direito Ambiental, criticou a PL 3.200/2015, que pretende mudar a atual legislação sobre os agrotóxicos. “A atual lei, promulgada em 1989, um ano após a Constituinte, foi uma conquista dos movimentos sociais”, lembrou. E destacou que ela estabelece, entre outras medidas, o registro prévio de todos os agrotóxicos; a proibição das empresas de substituírem no mercado um pesticida por outro, que seja mais maléfico; a garantia dos direitos difusos; o descarte adequado das embalagens; e regras para a publicidade desses produtos.

Segundo explicou, nesse PL estaria incluída a criação de uma Comissão Nacional de Fitossanitários, nos moldes da CTNBio, que teria a competência exclusiva de opinar sobre a liberação de agrotóxicos: “Um órgão assim teria os mesmos problemas que já vemos na CTNBio: falta de transparência e de independência”, afirmou Virgínia.

A professora da PUC também criticou que, nesse projeto de lei, esteja previsto o conceito de “risco aceitável”: “Isso é uma novidade, já que essa ideia não existe na atual legislação sobre agrotóxicos. E aí surgem duas questões: o que é ´risco aceitável´? E quem vai defini-lo?”, questionou. E acrescentou: “Se esse PL for aprovado, a primeira mudança será a substituição do termo ´agrotóxico´ por ´defensivo fitossanitário´. Essa mudança teria várias consequências práticas. Vou citar apenas duas: afetaria a forma como a comunicação seria feita ao consumidor e tiraria vários produtos da lista de agrotóxicos regulados hoje em lei”, destacou.

Fernanda Bianco, presidente da Comissão de Bioética e Biodireito da OAB/RJ (CBB), também criticou a PL 3.200 e assinalou que “a expressão ´fitossanitário´ dá a conotação de que é saudável, para o meio ambiente e o homem”. Lamentou ainda que a Adin (Ação Direta de Inconstitucionalidade) que questionou no Supremo Tribunal Federal a criação da Lei de Biossegurança esteja aguardando há mais de dez anos a designação de um relator para ser analisada.

Na sua opinião, “não podemos esquecer que o país é recordista no uso de agrotóxicos. E não é só o trabalhador rural que sofre os impactos do seu uso. Os efeitos são sentidos, em alguma medida, por toda a população. Infelizmente, temos lidado com a lógica do ´fato consumado´. Mas não podemos pensar que este é um problema sem solução”, afirmou a presidente da CBB.

A questão dos transgênicos

O agrônomo da AS-PTA Gabriel Fernandes durante o debate destacou que, em relação aos transgênicos, há muitas controvérsias, incertezas, ocultamento de informações, medidas insuficientes de controle e de acompanhamento, além de avaliações científicas contraditórias. “Vários estudos mostram que os resultados da modificação genética são diferentes dos esperados. A hipótese do determinismo genético é polêmica. É muito difícil controlar e prever como o metabolismo das plantas modificadas vai funcionar. Por exemplo, no caso do feijão transgênico, apenas dois tipos, dos 22 desenvolvidos ´funcionaram´. No entanto, essas duas espécies, após serem aprovadas pela CTNBio, foram posteriormente deixadas de lado pela Embrapa”.

Gabriel assinalou que, segundo a Agência Internacional de Pesquisa do Câncer, órgão ligado à Organização Mundial da Saúde (OMS), o “Roundup é potencialmente cancerígeno. E, apesar disso, é o mais usado no Brasil”, acrescentando que as regiões onde há avanço da monocultura baseada no uso de sementes transgênicas é “onde mais se usam agrotóxicos”.

Também chamou atenção para a iniciativa de revisão do papel regulatório da Anvisa e para a proposta que está na Câmara dos Deputados no sentido de converter em PL uma Política Nacional de Redução de Agrotóxicos, apresentada aos congressistas por iniciativa da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida.

O agrônomo contestou a ideia de que os produtos orgânicos são, necessariamente, mais caros: “O preço tem a ver com sistemas de transporte e de logística, entre outros fatores, e não com o fato de serem orgânicos”. Mas reconheceu o desafio de tornar esses alimentos mais acessíveis à população, sobretudo nas grandes cidades. Para isso, na sua opinião, entre outras medidas, é preciso mudar nossos hábitos cotidianos. “Temos que repensar a lógica da praticidade, que nos faz querer comprar todos os alimentos no mesmo lugar e ao mesmo tempo, ou seja, tudo em um grande mercado, que muitas vezes não oferece produtos orgânicos”.

Retrocessos na legislação ambiental

Para Virginia Guimarães, o PL 3.200, sobre os agrotóxicos, se insere em um conjunto de iniciativas que pretendem desmanchar a legislação de proteção ambiental, que vem da década de 1930. “O discurso, nos últimos anos, é de ´aperfeiçoamento´ da legislação. Falam em ´flexibilização´ e ´regulamentação para diminuir a burocracia´. Na verdade, o que vemos é uma ofensiva contra os direitos sociais e os direitos difusos. São tantas iniciativas com esse objetivo que a sociedade mal consegue acompanhar”, lamentou.

Destacou que os setores mais conservadores “estão a cada dia mais fortes no Congresso e pautando a agenda ambiental do país. Não é ´teoria conspiratória´. Eles são muito organizados. E não participam só das comissões que tratam de temas diretamente ligados à questão ambiental, como a de Meio Ambiente ou Saúde. Também estão em outras comissões, como a de Educação. O fato é que setores da economia entendem que o direito de propriedade é absoluto”.

Virginia Guimarães também lembrou que a primeira grande vitória dos que defendem esses retrocessos na legislação ambiental foi a aprovação da Lei de Biossegurança, em 2005, “que tem servido para liberar o uso e comercialização de transgênicos”. E acrescentou que, “sete anos depois, a bancada ruralista ruralista teve uma nova vitória, com a aprovação do Código Florestal, apesar da rejeição da área acadêmica e científica e da própria população, como mostraram pesquisas de opinião na época”, afirmou.

Por último, criticou a PEC 65/2012, que “pode detonar o licenciamento ambiental no Brasil. É um retrocesso enorme. E não se trata de ´apego a leis antigas´. A questão é que esse PL coloca em risco direitos sociais e difusos arduamente conquistados”, destacou a professora da PUC.

 

– por Cláudia Guimarães

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