De olho na Rio + 20 governo quer estimular produção orgânica

27, janeiro, 2012 Sem comentários

Canal Rural, 27/01/2012

 

Produtividade da soja convencional ultrapassa a do grão transgênico

26, janeiro, 2012 Sem comentários

FAMASUL, 26/01/2012

A cada mil hectares plantados, uma lucratividade extra de até R$ 200 mil reais. Esses são os resultados da comercialização das cultivares de soja convencional apresentadas pela Fundação Meridional de Apoio à Pesquisa e Pecuária e pela Embrapa durante a 16ª edição da Showtec, que acontece na sede da Fundação MS, em Maracaju (MS), até o dia 27.

De acordo com o presidente da Fundação Meridional, Almir Montecelli, das variedades de soja que foram plantadas na sede da Fundação MS, a soja BRS 284 rendeu 74 sacas por hectare. A média de produtividade é de 50 a 60 sacas. “As sojas convencionais apresentadas aqui são mais resistentes a doenças como a neumatóide, por exemplo”, explica Montecelli. “O preço das cultivares da soja convencional testadas aqui também tem um valor de R$ 3 reais a mais por saca”, complementa Ivan Pagui, diretor técnico da Associação Brasileira de Produtores de GRÃOS Não Geneticamente Modificados (Abrange).

A Fundação Meridional trabalha com um grupo de 64 produtores de sementes nos estados de Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Goiás e Rondônia. A apresentação feita na Showtec faz parte do programa Soja Livre que conta com a parceria da própria Fundação Meridional, Embrapa, da Abrange e da Importação e Comércio Paraná (Imcopa).

- Informações sobre evento podem ser obtidas pelo site www.fundacaoms.org.br, pelo telefone (67) 3454-2631 ou pelo e-mail fundacaoms@fundacaoms.org.br

Lançamento no Fórum Social Mundial

25, janeiro, 2012 2 comentários

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Mutirão Agroecológico do Verdejar

24, janeiro, 2012 Sem comentários

para chegar ao local de metrô, ver este mapa: http://g.co/maps/4kjvs

 

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23 mil protestam na Alemanha contra modelo agroindustrial

24, janeiro, 2012 Sem comentários

PULSAR BRASIL, 23/01/2012

Cerca de 23 mil pessoas participaram ontem (21) de uma grande marcha contra a política agrária da Alemanha e da Comunidade Europeia. Mesmo sob chuva e muito frio em Berlim, a manifestação conseguiu mandar um forte sinal de protesto às autoridades.

O protesto da capital alemã teve como lema “Basta. Agricultura Familiar em vez de Agroindústria!”. A Ministra de Agricultura, Ilse Aigner, foi alvo das críticas. Dias antes, ela causou indignação entre muitos camponeses e consumidores ao dizer que a fome no mundo “só pode ser combatida pela intensificação da agricultura europeia”.

Organizações de política de desenvolvimento e de camponeses afirmaram que é inaceitável usar a fome no mundo para defender a agricultura industrial. Eles defendem a agricultura familiar e em pequena escala como modelo sustentável para a produção de alimentos.

Também lembram que são os danos ecológicos causados pelo agronegócio que dificultam a segurança alimentar em muitos países. Presente na manifestação, King David Amoah, representante da redes camponesas em Gana e na África Ocidental, afirmou que a causa da fome não se deve à falta de alimentos, mas a falta de terra e meios de produção.

Os manifestantes na Alemanha também acusavam a exportação agrícola, por parte dos países industrializados, por dificultar o desenvolvimento de uma agricultura local em muitos países do sul. (pulsar)

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RUMO A RIO+20: POR UMA OUTRA ECONOMIA

23, janeiro, 2012 Sem comentários

Seminário

Porto Alegre, 23 e 24 de janeiro de 2012

Convidamos as organizações e movimentos sociais, preocupados com a grave crise socioambiental planetária provocada pela expansão da globalização capitalista, e críticos da “economia verde” proposta pelas corporações e pela agenda oficial da Rio+20 a participarem do seminário Rumo a Rio+20: Por uma Outra Economia, que será realizado nos dias 23 e 24 de janeiro de 2012, em Porto Alegre.

O seminário pretende se somar aos esforços de construção de um diagnóstico crítico da economia verde e do contexto em que a Rio+20 se realizará, visando fortalecer um campo de organizações e movimentos sociais que possam, através de seus acúmulos, reflexões e práticas contra-hegemônicas, contribuir para a construção da resistência às teses dominantes e para o fortalecimento das alternativas que emergem das práticas baseadas no olhar feminista, agroecológico, da economia solidária e de outras práticas baseadas na não-mercantilização e nos bens comuns.

Programa:

23 de janeiro

9:30 h – Trajetória de lutas desde a Eco 92, crise global e a necessária desconstrução da economia verde no caminho para a Rio+20.

Coordenação – Jean Pierre Leroy – FASE

Jean Marc von der Weid, AS-PTA Agricultura Familiar e Agroecologia

Lucia Ortiz – Amigos da Terra Internacional

Fundação Boell – Camila Moreno

Pablo Bertinat – Argentina, Cono Sur Sustentable

Silvia Ribeiro – Grupo ETC

13:00 h – Almoço

14:30 h – Premissas de Outra Economia – não-mercantilização, estratégias coletivas e não-individuais, direitos e justiça ambiental, bens comuns.

Coordenação – Nalu Faria – SOF/Marcha Mundial de Mulheres

Patricia Amat – REMTE – Rede Mulheres Transformando a Economia

Jean Pierre Leroy – FASE

Beatriz Busaniche – Argentina, Cono Sur Sustentable

24 de janeiro – Manhã – Reflexões a partir das experiências e práticas das organizações e movimentos sociais.

Coordenação – Denis Monteiro – ANA – Articulação Nacional de Agroecologia

Maria Emilia Lisboa Pacheco FASE/ANA

Maiana – Rede Brasileira de Justiça Ambiental

Lyda Fernanda – TNI – Transnational Institute

Florencia – Via Campesina Chile e Cono Sur Sustentable

Marcos Arruda – PACS

13 h – almoço

14 h – Estratégias de ação: o que fazer rumo a Rio+20 e depois.

16 h – Encerramento

Local:

IAB-RS – Instituto de Arquitetos do Brasil – Departamento do Rio Grande do Sul CENTRO

CULTURAL IAB-RS | SOLAR CONDE DE PORTO ALEGRE

Rua General Canabarro, 363 esq. com Rua Riachuelo

Centro – Porto Alegre, RS

Organizadores:

ANA Articulação Nacional de Agroecologia

AS-PTA Agricultura Familiar e Agroecologia

FASE – Solidariedade e Educação

Fórum Brasileiro de Economia Solidária

Fórum Brasileiro de Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional

Núcleo Amigos da Terra Brasil

SOF – Sempreviva Organização Feminista

Apoio – Fundação Heinrich Boell

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Campanha mobiliza pela agricultura ecológica e familiar na Alemanha

20, janeiro, 2012 Sem comentários

Pulsar Brasil, 20/01/2012

Neste sábado (21) cerca de 15 mil pessoas participarão de uma manifestação na capital da Alemanha, Berlim, com o objetivo de mudar o padrão de política de agricultura no país.

A manifestação está sendo organizada pela Campanha “Minha Agricultura”, que aglutina mais de 90 organizações dos movimentos de ecologia e do campo. Com o lema “Basta. Agricultura Familiar em vez de Agroindústria!” acontecerá no inicio da Semana Verde, uma das maiores feiras de agricultura do mundo.

Essa feira conta com a presença de uma delegação brasileira, formada entre outros pelo ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Mendes Ribeiro Filho, e representantes da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Entre as exigências do movimento está o fim do uso de antibióticos na criação de porcos e bovinos, que cada vez mais prejudicam os alimentos com resíduos nocivos para a saúde humana. Outra crítica se faz à expansão das monoculturas, responsáveis pela diminuição da biodiversidade e a exploração da terra.

Segundo a campanha “Minha Agricultura”, a alternativa à agroindústria seria uma agricultura ecológica e familiar, baseada em princípios da sustentabilidade. O novo caminho da agricultura seria importante também frente ao desafio da crise climática e das necessidades de uma proteção real dos consumidores.

Stig Tanzmann, agrônomo do EED (Serviço das Igrejas Luteranas da Alemanha), e integrante da Campanha explica que, enquanto a Alemanha importa seis milhões toneladas de soja de países do sul para alimentar o gado, exporta produtos agrícolas para a África à preço abaixo do mercado. Para ele, se trata de “um favorecimento arbitrário ao agronegócio por parte do governo” do país.

A Campanha a “Minha Agricultura” na Alemanha visa influenciar a reformulação da política agrária da Comunidade Europeia, prevista para 2013. Essa política tradicionalmente favorece as grandes empresas no campo e gasta bilhões de euros com o subsídio da produção agrícola. (pulsar)

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Selo para não transgênicos

19, janeiro, 2012 Sem comentários

Revista Época, 16/01/2012

A legislação atual obriga os produtos transgênicos a ser identificados com um selo característico. A Associação Brasileira de Produtores de Grãos Não Geneticamente Modificados – ABRANGE considera essa medida insuficiente. Por isso, lançará ainda neste ano um selo específico para os alimentos livres de transgênicos. A marca poderá ser usada por derivados de soja e milho convencionais, como óleos, e por carnes de frangos e porcos alimentados por eles.

 

 

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Mercado dos transgênicos foge da Europa por rejeição social

19, janeiro, 2012 Sem comentários

A Europa não é um continente para transgênicos. A rejeição social e política em muitos países deixou a União Europeia muito atrasada nesse campo. E o anúncio de que a multinacional alemã BASF transferirá para os EUA e para a América do Sul a maior parte de suas pesquisas sobre transgênicos é o último sintoma da vitória dos ecologistas e dos grupos de consumidores nessa dura batalha. Das grandes do setor, só a Bayer mantém centros de pesquisa na Europa.

Reportagem é de Juan Gómez e Rafael Méndez. Tradução de Moisés Sbardelotto [Via IHU-Unisinos]

EL PAÍS, 18/01/2012.

A gigante química alemã BASF justifica a sua decisão na baixa demanda por esses produtos na Europa. Segundo a porta-voz Julia Meder, a multinacional continuará suas pesquisas genéticas no continente americano. A BASF fecha seus três laboratórios genéticos com a consequente redução de quadro e transfere a sua sede central de biotecnologia de Limburgerhof (Renânia) para Raleigh (Carolina do Norte). Os produtos geneticamente modificados “não encontram suficiente aceitação na Europa” para justificar os investimentos. Só a Espanha, diz, “é aparentemente a exceção”. Mas, em conjunto, “o mercado europeu é muito reticente” para que seja rentável.

Em 2004, a suíça Syngenta tomou uma decisão similar. Como a Monsanto, Dow e DuPont não mantêm centros de pesquisa na Europa, isso implica que, das grandes empresas do setor, só a Bayer mantêm centros na UE.

Carel du Marchie Sarvaas, diretor de Biotecnologia da Europa Bio, associação empresarial do setor, considera que a situação é desastrosa. “Falamos de postos de trabalho para doutores, bem remunerados, e as empresas europeias vão levá-los para os EUA. É a típica coisa que deveria fazer com que as pessoas refletissem”. A BASF não fornece os valores sobre os investimentos cancelados, mas assegura que pesquisou a um custo de mais de um bilhão de euros nos últimos 15 anos.

As dificuldades de implementação na Europa não se devem tanto a restrições legais para a pesquisa e o cultivo, mas sim à rejeição do consumidor. Um inquérito Eurobarômetro de 2010, com 16 mil enquetes, constatou um incremente na rejeição aos transgênicos: havia subido de 57% em 2005 para 61%. Enquanto isso, o apoio caiu de 27% para 23% (na Espanha, de 66% em 1996 para 35%). “Ao contrário da indústria e dos cientistas, os europeus consideram que os transgênicos não oferecem benefícios e são inseguros”, concluiu. Isso, apesar de que nas quase duas décadas de uso dos transgênicos até a Organização Mundial da Saúde (OMS) aprovou a sua segurança. Então, só seis países cultivavam transgênicos: Espanha (líder em milho resistente à praga do caruncho), a República Tcheca, Portugal, Romênia, Polônia e Eslováquia. Na Europa, havia apenas cerca de 100 mil hectares, comparadas com os 134 milhões no mundo.

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Mais um exemplo de porta giratótia

19, janeiro, 2012 Sem comentários

Ministro-chefe da Casa Civil de FHC é o atual presidente da Bunge.

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Por dentro da Bunge: com o tanque cheio

segunda, 19 dezembro 2011 . Isto É Dinheiro

Exclusivo: a gigante do setor de alimentos e do etanol, comandada pelo executivo Pedro Parente, prepara sua estreia no varejo de combustíveis ao adquirir 50% da ALE, depois de comprar as rivais Etti e Salsaretti.

O escritor americano James Dale Davidson, em seu livro The Sovereign Individual (O Indivíduo Soberano), previu há mais de uma década que as empresas do futuro só resistiriam às rápidas mudanças da economia mundial se desenvolvessem a capacidade de diversificar seus ramos de atuação sem negligenciar a atividade principal. A multinacional americana Bunge, gigante dos setores de alimentos, commodities agrícolas e etanol, tem seguido à risca a cartilha de Davidson. Na última semana, em uma ofensiva sincronizada, a companhia, presidida pelo ex-ministro Pedro Parente, comprou as fabricantes de molho de tomate Etti e Salsaretti, ambas da Hypermarcas, por R$ 180 milhões, e intensificou a disputa com a rival PepsiCo pela aquisição da biscoitos Marilan – em uma batalha ainda indefinida. A jogada que mais caracterizou a nova estratégia da Bunge de acelerar suas frentes de ataque, no entanto, foi a aquisição de 50% da ALE Distribuidora, a quarta maior rede de combustíveis do mercado nacional, com 1,8 mil postos de serviços espalhados por 21 Estados do País.

- O restante da reportagem por ser lido em www.biodieselbr.com

 

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Os benefícios dos agrotóxicos no “Mundo de Veja”

19, janeiro, 2012 Sem comentários

“A revista Veja afirma que chamar os venenos da agricultura de “agrotóxicos” seria uma imprecisão ultrapassada.”

RADIOAGÊNCIA NP, 18/01/2012. [clique para ouvir o áudio da matéria]

A revista Veja publicou uma matéria buscando “esclarecer” os brasileiros sobre os alegados “mitos” que vêm sendo difundidos sobre os agrotóxicos desde a divulgação pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), dos dados Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos referentes ao ano 2010. A revista se propõe a tranquilizar a população, certamente alarmada pelo conhecimento dos níveis de contaminação da comida que põe à mesa.

Os entrevistados na matéria são conhecidos defensores dos venenos agrícolas, alguns dos quais com atuação direta junto a indústrias do ramo – como é o caso do Prof. José Otávio Menten, que já foi diretor executivo da ANDEF (Associação Nacional de Defesa Vegetal), que reúne as empresas fabricantes de veneno.

A revista afirma que chamar os venenos da agricultura de “agrotóxicos” seria uma imprecisão ultrapassada e injustamente pejorativa, alertando os leitores que “o certo” seria adotar o termo “defensivos agrícolas”. Não menciona que a própria legislação sobre a matéria refere-se aos produtos como agrotóxicos mesmo.

A Veja passa então para a relativização dos resultados apresentados pelo relatório do Programa de Análise, elaborado pela Anvisa, fundamentalmente minimizando a gravidade da presença de resíduos de agrotóxicos acima dos limites permitidos. Para isso, cita especialistas alegando que os limites seriam “altíssimos”, e que, portanto, quando “um pouco ultrapassados”, não representariam qualquer risco para a saúde dos consumidores.

A verdade é que a ciência que embasa a determinação desses limites é imprecisa e fortemente criticada. Evidência disso é o fato de os limites comumente variarem ao longo do tempo – à medida que novas descobertas sobre riscos relacionados aos produtos são divulgadas, os limites tendem a ser diminuídos. Os limites “aceitáveis” no Brasil são em geral superiores àqueles permitidos na Europa – isso pra não dizer que aqui ainda se usa produtos já proibidos em quase todo o mundo.

A revista também relativiza os riscos de longo prazo para a saúde dos consumidores, bem como os riscos para os trabalhadores expostos aos agrotóxicos nas lavouras. Mesmo diante de tantas provas, a Veja alega que, não haveria comprovações científicas nesse sentido.

A reportagem termina tentando colocar em cheque as reais vantagens do consumo de alimentos orgânicos, a eficácia dos sistemas de certificação e mencionando supostos “riscos” do consumo de orgânicos. A revista alega que esses alimentos “podem ser contaminadas por fungos ou por bactérias como a salmonela e a Escherichia coli.” Só não esclarece que, ao contrário dos resíduos de agrotóxicos, esses patógenos – que também ocorrem nos alimentos produzidos com agrotóxicos – podem ser eliminados com a velha e boa lavagem ou com o simples cozimento.

Da revista Veja, sabemos, não se poderia esperar nada diferente. Trata-se do principal veículo de comunicação da direita conservadora e dos grandes conglomerados multinacionais no País. Mas podemos destacar que a publicação desse suposto “guia de esclarecimento” revela que o alerta sobre os impactos do modelo da agricultura industrial está se alastrando e informações mais independentes estão alcançando mais setores da população – ao ponto de merecerem tentativa de desmentido pela Veja e pela indústria.

Flavia Londres é engenheira agrônoma e consultora da AS-PTA Agricultura Familiar e Agroecologia.

 

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Dilma cogita defensor dos transgênicos para o MCT

18, janeiro, 2012 1 comentário

foto: brazilianspace

A informaçao foi divulgada hoje pelo jornal O Globo. Preferindo nomes “técnicos” a quadros políticos dos partidos, a presidente anunciou que pretende nomear Marco Antonio Raupp para o lugar de Mercadante, que deixará o Ministério de Ciência e Tecnologia para assumir a pasta da Educação. Logo que assumiu a presidência da SBPC, em 2008, o matemático Raupp publicou artigo n’O Estado de São Paulo apelando para os ministros aprovarem a liberação comercial do milho transgênico. Na ocasião, o Conselho Nacional e Biossegurança, sob presidência de Dilma, estava para deliberar a respeito dos recuros do Ibama e da Anvisa que alegavam a ausência de dados suficientes e de estudos confiáveis sobre a segurança do produto. Deu no que deu.

Para Raupp, “Parte da cultura contra os transgênicos tem raízes obscurantistas e está causando muitos danos à ciência e à economia brasileiras, bem como ao meio ambiente, pelo uso indiscriminado de defensivos agrícolas.”

Com a palavra o quase futuro ministro:

O ESTADO DE SÃO PAULO

Domingo, 10 fevereiro de 2008

Uma decisão de grande responsabilidade

Marco Antonio Raupp, presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência – SBPC

Na terça-feira próxima, sob a presidência da ministra Dilma Rousseff, reúne-se o Conselho Nacional de Biossegurança (CNBS), para apreciar recursos da Anvisa e do Ibama contra decisões da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio). É importante que se reafirme para a sociedade civil a qualidade científica e tecnológica dos membros da CTNBio. São nomes da mais alta relevância, reconhecidos nacional e internacionalmente pela excelência da pesquisa que desenvolvem, muitos deles propostos pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). Esses cientistas se dedicam a avaliar as solicitações encaminhadas às quatro áreas de atuação da comissão: ambiental, vegetal e saúde humana e animal.

Trata-se de trabalho constante e dedicado, que muitas vezes acaba sendo questionado não pelo mérito da decisão, mas pela falta de informação ou por razões ideológicas. Recentemente, o ministro de Ciência e Tecnologia, Sérgio Rezende, fez um balanço muito positivo dos trabalhos da CTNBio no último biênio. Esse trabalho, no entanto, vem sendo sistematicamente contestado por organizações não-governamentais (ONGs), principalmente quanto às liberações comerciais, e o próprio ministro destacou que o governo acompanha os numerosos recursos judiciais interpostos contra algumas decisões da CTNBio. A mais recente envolve o milho, contestado pelas ONGs e agora por setores do governo ligados aos Ministérios da Saúde e do Meio Ambiente.

O milho é uma das mais importantes fontes de alimento no mundo. Na cadeia produtiva de suínos e aves se consomem de 70% a 80% do milho brasileiro. O Brasil é o terceiro maior produtor mundial, com produção de aproximadamente 35 milhões de toneladas (em 2005), atrás somente dos EUA (282 milhões de toneladas) e da China (139 milhões). No País é plantado em duas safras e cultivado em quase todo o território nacional – 92% da produção se concentra nas Regiões Sul (47%), Sudeste (21%) e Centro-Oeste (24%).

Nos últimos anos, os insetos da ordem Lepidoptera (lagartas) se têm tornado pragas limitantes na cultura do milho no País, com danos de até 34% na produção desse grão. Com o aumento da área cultivada na chamada safrinha (3 milhões de hectares) o problema se agravou. Em algumas áreas são necessárias dezenas de pulverizações com inseticidas num único ciclo da cultura. O Brasil é o terceiro maior consumidor de defensivos agrícolas do mundo. Temos, hoje, 142 agrotóxicos registrados para milho, 107 só para lagartas. Já existem vários casos de resistência pelo uso constante e indiscriminado de inseticidas na cultura do milho no País. Além disso, um dos fatores que mais afetam a saúde dos agricultores no Brasil é o uso de defensivos agrícolas, altamente agressivos, responsáveis pela intoxicação de 1 milhão de pessoas anualmente, além do lixo tóxico resultante do descarte das embalagens.

Um dos produtos aprovados pela CTNBio é o milho modificado para resistir ao ataque das lagartas. Esse milho transgênico, cultivado e comercializado na União Européia e em mais 13 países – Argentina (desde 1998), Austrália, Canadá, China, Japão, Coréia do Sul, Filipinas, México, África do Sul, Suíça, Taiwan, Uruguai e EUA (neste último, desde 1995) -, expressa uma proteína responsável, especificamente, pela morte das lagartas, sem efeito tóxico para outros insetos, como abelhas, besouros ou joaninhas. Essa proteína é idêntica à encontrada em bactérias do solo que são pulverizadas nas culturas há mais de 40 anos, técnica amplamente utilizada pelos agricultores orgânicos. Outro processo em discussão é o do milho que ganhou um gene que o torna resistente a herbicida produzido por uma bactéria de solo, permitindo a eliminação de plantas daninhas com menor agressão ao solo no processo de aragem, além de outras vantagens. É importante ressaltar que nenhuma dessas variedades causou dano algum ao meio ambiente, aos animais ou aos seres humanos. No Brasil, exaustivos experimentos controlados no campo provaram sua inocuidade para o ambiente.

Somando os aumentos na renda de todos os agricultores que adotaram um dos seis principais cultivos transgênicos, o ganho mundial em dez anos foi de US$ 26,85 bilhões. O total de ganho em cada país variou de acordo com o número de cultivos e com a taxa de adoção da nova tecnologia. Os EUA foram o país que obteve maior ganho, quase US$ 13 bilhões em dez anos, e a Argentina, US$ 5,5 bilhões. A nossa participação no ganho mundial foi de apenas 5% e se deve ao fato de o País produzir, em grande escala, apenas soja tolerante a herbicidas.

Em ganhos ambientais se prevê que, em dez anos, a adoção do plantio de soja transgênica economizará 42,7 bilhões de litros de água, 300 milhões de litros de óleo diesel, com redução de emissões para a atmosfera de aproximadamente 1 bilhão de toneladas de dióxido de carbono, o equivalente a plantar 6,8 milhões de árvores. Para algodão e soja se estima uma redução de uso de mais de 77 mil toneladas de agrotóxicos. A nossa indústria é a mais prejudicada com o ingresso de sementes piratas, em razão da demora na adoção de sementes transgênicas.

Apelamos ao CNBS que não dê provimento aos recursos interpostos, reconhecendo que existe uma lei aprovada pelo Congresso Nacional (Lei 11.105/05) que atribui somente à CTNBio a responsabilidade de deliberação sobre organismos transgênicos e seus derivados. Anvisa e Ibama são órgãos de fiscalização, e não elaboradores de políticas de Estado.

Parte da cultura contra os transgênicos tem raízes obscurantistas e está causando muitos danos à ciência e à economia brasileiras, bem como ao meio ambiente, pelo uso indiscriminado de defensivos agrícolas. A sociedade tem de se posicionar de forma esclarecida, sem emoções, levando em consideração a qualidade técnico-científica do parecer e a credibilidade desses brasileiros que se dispõem a trabalhar para manter a rigidez de critérios na emissão de laudos fundamentados em ciência, não em crenças.

 

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Basf deixará de produzir transgênicos para a Europa

17, janeiro, 2012 Sem comentários

G1, 16/01/2012 – Atualizado em 16/01/2012

Empresa vai focar em mercados como Estados Unidos e Brasil.

Do G1, com informações da France Presse [veja também matéria do New York Times]

Ante a desconfiança persistente na Europa sobre os alimentos transgênicos, a empresa alemã Basf vai abandonar o desenvolvimento de novos produtos destinados ao mercado europeu, centrando suas atividades em mercados mais permissivos como Estados Unidos e Brasil.

“Estamos convencidos de que as biotecnologias verdes são cruciais para o século XXI, mas não são suficientemente aceitas em muitas regiões da Europa pela maioria dos consumidores, agricultores e responsáveis políticos”, disse em um conferência telefônica Stefan Marcinowski, membro do diretório da Basf encarregado da área de biotecnologia vegetal.

“É por isso que não faz sentido econômico seguir investindo nestes produtos, que devem ser exclusivamente cultivados neste mercado”, disse. “Vamos, portanto, concentrar-se nos mercados atraentes para a biotecnologia de plantas na América do Norte e do Sul e os mercados de crescimento na Ásia.”

Batata transgênica

O grupo alemão, número um do setor químico, havia lutado durante uma década para obter em 2010 a autorização de comercializar na União Europeia a Amflora, uma batata transgênica reforçada com amido.

Contudo, pouco tempo depois, a Basf cultivou por engano em um campo de Amflora na Suécia outra de suas batatas OGM, a Amadea, que ainda não foi autorizada pelas autoridades europeias.

Após o escândalo, “o sentimento europeu sobre os transgênicos foi deteriorado”, disse Marcinowski, que não espera uma “mudança rápida nas mentalidades”.

Por esta razão, a Basf decidiu suspender nesta segunda-feira (16) totalmente o cultivo e a comercialização da Amflora para 2013.

O desenvolvimento de outros produtos transgênicos dedicados exclusivamente ao mercado europeu, como uma batata com amido resistente ao mildiu, um fungo, e uma variedade de trigo resistente também aos fungos, vai ser abandonada.

Em troca, o grupo decidiu prosseguir com o processo de demanda de autorização da União Europeia das batatas transgênicas já desenvolvidas: Amadea, Modena e Fortuna.

Inseticidas dizimam polinizadores

16, janeiro, 2012 Sem comentários

Um estudo publicado na revista PLoS One comprova que inseticidas agrícolas são os principais responsáveis pela morte de abelhas na natureza.

O Estado de S. Paulo, 14/01/2012 (via IHU-Unisinos)

O trabalho identificou produtos como neonicotinoides, clotianidina e tiametoxam nos corpos de abelhas mortas ou agonizantes próximas a plantações. Vários cientistas alertam para o risco de um perigoso declínio causado por inseticidas no número de polinizadores naturais, essenciais para os ecossistemas selvagens e também para as culturas agrícolas.

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ABSTRACT: The development of insecticides requires valid risk assessment procedures to avoid causing harm to beneficial insects and especially to pollinators such as the honeybee Apis mellifera. In addition to testing according to current guidelines designed to detect bee mortality, tests are needed to determine possible sublethal effects interfering with the animal’s vitality and behavioral performance. Several methods have been used to detect sublethal effects of different insecticides under laboratory conditions using olfactory conditioning. Furthermore, studies have been conducted on the influence insecticides have on foraging activity and homing ability which require time-consuming visual observation. We tested an experimental design using the radiofrequency identification (RFID) method to monitor the influence of sublethal doses of insecticides on individual honeybee foragers on an automated basis. With electronic readers positioned at the hive entrance and at an artificial food source, we obtained quantifiable data on honeybee foraging behavior. This enabled us to efficiently retrieve detailed information on flight parameters. We compared several groups of bees, fed simultaneously with different dosages of a tested substance. With this experimental approach we monitored the acute effects of sublethal doses of the neonicotinoids imidacloprid (0.15–6 ng/bee) and clothianidin (0.05–2 ng/bee) under field-like circumstances. At field-relevant doses for nectar and pollen no adverse effects were observed for either substance. Both substances led to a significant reduction of foraging activity and to longer foraging flights at doses of ≥0.5 ng/bee (clothianidin) and ≥1.5 ng/bee (imidacloprid) during the first three hours after treatment. This study demonstrates that the RFID-method is an effective way to record short-term alterations in foraging activity after insecticides have been administered once, orally, to individual bees. We contribute further information on the understanding of how honeybees are affected by sublethal doses of insecticides.

Citation: Schneider CW, Tautz J, Grünewald B, Fuchs S (2012) RFID Tracking of Sublethal Effects of Two Neonicotinoid Insecticides on the Foraging Behavior of Apis mellifera. PLoS ONE 7(1): e30023. doi:10.1371/journal.pone.0030023

Nova norma para o uso de agrotóxicos

13, janeiro, 2012 Sem comentários

Com a mudança proposta pelo Ministério da Agricultura, culturas como pimentão e outras deixarão de apresentar problemas no monitoramento realizado pela Anvisa, mas esses produtos continuarão chegando à mesa do consumidor com a mesma quantidade de resíduo de agrotóxicos que vemos hoje.

Em tempo: por que o governo não usa a proposta de taxação sobre os agrotóxicos para promover o controle biológico e o manejo alternativo de pragas ao invés de retornar o dinheiro para a indústrias por meio do registro de agrotóxicos para os minor crops?

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Valor Econômico, 13/01/2012.

Sob críticas. É dessa maneira que os produtores de pimentão encerraram 2011. No início de dezembro, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) divulgou seu relatório anual de irregularidades no uso de agrotóxicos e, pelo terceiro ano consecutivo, o pimentão foi o campeão da lista.

Mas a implementação efetiva de uma norma do Ministério da Agricultura promete retirar o vegetal, bem como outras culturas, da ‘lista negra’ dos agrotóxicos.

Em fevereiro de 2010, o ministério publicou a chamada lei das ‘minor crops’, produções cultivadas em pequenas áreas e para as quais o número de agrotóxicos registrados é insuficiente. A legislação abriu a possibilidade de extrapolar o uso de defensivos agrícolas registrados para grandes culturas (‘major crops’) para pequenas culturas (‘minor crops‘) de uma mesma família, favorecendo a produção de frutas e hortaliças.

No caso do pimentão, por exemplo, a norma permitiria o uso de agrotóxicos registrados para o tomate, sua ‘major crop’. Na prática, é o que já acontece, mas, como os defensivos não são registrados para o pimentão, as análises de resíduos indicam irregularidade. No último relatório da Anvisa, 84,9% das amostras do vegetal indicaram o uso de defensivos não registrados para a cultura.

“É um tema complexo em todo o mundo. Depois da publicação, iniciamos uma peregrinação para explicar a norma”, afirma Luís Eduardo Rangel, coordenador-geral de agrotóxicos do Ministério da Agricultura. Conforme ele, tanto a indústria de defensivos, que temia pela integridade de suas patentes, quanto os produtores tinham dúvidas em relação ao tema.

Outra medida importante foi definir o corte toxicológico junto à Anvisa. “Não poderíamos permitir a extrapolação de registro de qualquer produto”. A partir daí, faltava reunir os principais interessados no tema.

No último mês de outubro, houve o primeiro seminário anual sobre o tema, com produtores, indústria de defensivos e Ministérios da Saúde, da Agricultura e Anvisa. O encontro serviu para que os produtores apresentassem suas reivindicações de extrapolação de registros paras as ‘minor crops’.

De acordo com Rangel, os resultados do seminário já apareceram. “Recebemos as primeiras solicitações de extrapolação em novembro”, relata, citando pedidos de empresas como FMC, Syngenta e Basf. Foram protocoladas cerca de 20 extrapolações, com previsão de alcançar 45 solicitações até fevereiro. “Devemos ter as primeiras aprovações entre março e abril”.

Entre as extrapolações de registros mais próximas de aprovação, segundo ele, estão produtos para controle de doenças e pragas de melancia, melão, manga, mandioca, abacate, caqui, kiwi e pera.

Após as primeiras aprovações, o ministério entrará na segunda fase do modelo preparado para as ‘minor crops’, que consiste na criação de um fundo destinado a custear registros de culturas pouco atraente às indústria de defensivos. A ideia é destinar um percentual das vendas de agrotóxicos ao fundo. “Ainda não temos previsão, depende de projeto de lei”, prevê.

O fundo é inspirado no modelo americano. Nos EUA, o fundo, cujo orçamento é de US$ 30 milhões, recebe contribuições do governo e da iniciativa privada.