XI Feira Regional de Sementes Crioulas e da Biodiversidade em Defesa da Vida

18, junho, 2013 Sem comentários

Feira de Sementes Sao Mateus jul2013

 

GOVERNOS DEVEM LIMITAR O USO DE AGROTÓXICOS ENCONTRADO EM HUMANOS

18, junho, 2013 Sem comentários

Amigos da Terra Internacional

COMUNICADO DE IMPRENSA

17 de Junho de 2013

WASHINGTON / BRUXELAS (BÉLGICA) 17 de junho de 2013 – Amigos da Terra Internacional demandou hoje aos governos do mundo a que limitem o uso do pesticida glifosato, depois que resultados de análises de laboratório publicados na semana passada demonstraram a presença de restos do pesticida em pessoas de 18 países europeus. [1]

As análises sem precedentes, que realizou Amigos da Terra Europa, revelaram que 44% das amostras de 182 voluntários de 18 países europeus continham restos do pesticida[2].

O glifosato é um dos pesticidas mais utilizados no mundo por agricultores, governos locais e jardineiros, e se aplica de forma extensiva nos cultivos geneticamente modificados (GM).

Nos Estados Unidos e na América Latina, os agricultores estão utilizando cada vez maior quantidade de pesticidas (entre eles o glifosato), em grande medida devido a adoção em grande escala de cultivos geneticamente modificados [3].

A empresa de biotecnología estadunidense Monsanto, a maior produtora de glifosato no mundo, vende o produto com o nome de “Roundup”.

Lisa Archer, diretora do programa Alimentos e Tecnología de Amigos da Terra Estados Unidos, declarou:

“Descobrir restos de glifosato e, pessoas na Europa nos coloca varias perguntas graves: Como chegou lá? Por que os governos não estão analisando sua presença em humanos? Também pode encontrar-se em cidadãos americanos? A diferença de Europa, os Estados Unidos planta grandes quantidades de cultivos resistentes ao glifosato, o que tem provocado uma utilização massiva de pesticidas e as denominadas ‘superpragas’. Algumas delas já estão fora de controle. A recente descoberta de trigo geneticamente modificado (não autorizado) da Monsanto em plantações nos Estados Unidos soou o alarme e confirma a necessidade de impor controles mais estritos aos agronegócios”.

Em maios de 2013, um tipo de trigo geneticamente modificado resistente ao glifosato foi encontrado em uma granja em Oregon, Estados Unidos. O trigo foi desenvolvido pela Monsanto, que o submeteu a análises entre 1998 e 2005, mas nunca foi aprovado nem comercializado. Desde então os sócios comerciais dos Estados Unidos tem imposto restrições ou tem submetido a análises o trigo importado de Estados Unidos [4].

Adrian Bebb, porta-voz de Amigos da Terra Europa, afirmou:

“O agronegócio que promove os cultivos geneticamente modificados e os pesticidas quer fazer de conta que tem a situação sob controle, mas a descoberta de restos deste pesticida na urina de pessoas sugere que estamos sendo expostos ao glifosato em nossas vidas cotidianas e, assim mesmo, não sabemos de onde vem, que tão ampla é sua presença no meio ambiente, nem como está afetando nossa saúde”.

“Os governos de todo o mundo devem limitar o uso de glifosato, aumentar as investigações e garantir que se coloquem os interesses das pessoas e do meio ambiente frente aos de algumas poucas empresas”, acrescentou.

Segundo cifras de 2010, 70% de todo o milho plantado nos Estados Unidos foi modificado geneticamente para resistir ao pesticida, igual que 78% do algodão e 93% da soja [5].

Na Europa tem havido oposição generalizada aos cultivos transgênicos. Se bem somente um cultivo geneticamente modificado tem sido cultivado para fins comerciais, há 14 solicitações para a plantação de cultivos resistentes ao glifosato que a Unión Europea está considerando.

Na Argentina se utilizam 200 milhões de litros de pesticidas a base de glifosato ao ano, somente em plantações de soja[6]. O Brasil é o maior consumidor agrotóxicos do mundo desde 2009, quando o volume de herbicidas vendidos no país foi de 430 milhões de litros, sendo 280 milhões de litros apenas de glifosato.

PARA MAIS INFORMAÇÃO CONTATAR:

Adrian Bebb, Amigos da Terra Europa, Tel: + 49 1 609 490 1163, email adrian.bebb@foeeurope.org

Lisa Archer, diretora do programa de alimentos e tecnologia de Amigos da Terra Estados Unidos, Tel: +1 510 900 3145, email larcher@foe.org

O Informe sobre o glifosato e os motivos de preocupação está disponível em: www.foeeurope.org/glyphosate-reasons-for-concern-briefing-130613

 

NOTAS

[1] É a primeira vez que se realiza um seguimento em toda a Europa da presença do l pesticida em humanos. Os participantes do estudo, que proporcionaram amostras de forma voluntaria, vivia em cidades e nenhum dele havia manipulado nem utilizado produtos com glifosato antes das análises.Para mais informac a leia o aetigo de Wall Street Journal: http://blogs.wsj.com/brussels/2013/06/13/study-youre-in-trouble-roundup/

[2] Foram coletadas amostras de urina de 182 voluntários da Alemanha, Áustria, Bélgica, Bulgária, Chipre, Croácia, Espanha, França, Geórgia, Holanda, Hungria, Letônia, Macedônia, Malta, Polônia, Reino Unido, República Checa e Suíça. Os voluntários viviam em cidades e tinham dietas vegetarianas e não vegetarianas. Nao foram tomadas duas amostra de um mesmo lugar. As amostras foram analisadas pelo Dr. Hoppe de Medizinisches Labor Bremen na Alemania (http://www.mlhb.de/).

[3] Leai o artigo da Reuters (en inglés): “Pesticide use ramping up as GMO crop technology backfires: study” em: http://www.reuters.com/article/2012/10/02/us-usa-study-pesticides-idUSBRE89100X20121002

[4] USDA APHIS, 29 de maio de 2013. ‘USDA Investigating Detections of Genetically Engineered (GE) Glyphosate-resistant wheat in Oregon”, em: http://content.govdelivery.com/bulletins/gd/USDAAPHIS-7d0c5e

[5] Para mais informação, visite: http://usda.mannlib.cornell.edu/usda/nass/Acre/2010s/2010/Acre-06-30-2010.pdf

[6] Para mais informação, consulte:http://www.keine-gentechnik.de/fileadmin/files/Infodienst/Dokumente/2012_08_27_Lopez_et_al_Pesticides_South_America_Study.pdf

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Comida. Patrimônio histórico, cultural e imaterial. Entrevista especial com Vanessa Schottz

14, junho, 2013 Sem comentários

 IHU-Unisinos,  14 de junho de 2013

“A crise alimentar não é uma crise apenas alimentar, mas uma crise de sistema, ou seja, estrutural, que está relacionada com a concentração da produção de commodities e com o abastecimento de alimentos nas grandes cadeias de supermercados”, afirma a Secretária Executiva do Fórum Brasileiro de Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional – FBSSAN.

Questionar “que alimentos estamos comendo ou não estamos comendo” permite entender “como o sistema alimentar se estrutura e determina o que as pessoas comem ou deixam de comer”, aponta Vanessa Schottz à IHU On-Line. Secretária Executiva do Fórum Brasileiro de Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional – FBSSAN, ela chama a atenção para a “padronização dos alimentos, que passam por um processo de industrialização crescente, tornando esses alimentos artificiais”.

Na entrevista a seguir, concedida por telefone, ela propõe rediscutir o conceito de qualidade e segurança em voga no código sanitário brasileiro. A qualidade dos alimentos, ressalta, “não pode ficar restrita a essa visão de assepsia e de somatória de nutrientes. (…) Temos de pensar numa perspectiva de assegurar o acesso das pessoas à alimentação em quantidade, mas também em qualidade. Não podemos falar de qualquer alimento, mas sim de alimentos que promovam a saúde, a segurança alimentar e nutricional. Por isso, enxergamos a Política Nacional de Agroecologia, lançada recentemente, como uma política que precisa ser fortalecida para apoiar a transição desse modelo”.

Vanessa Schottz é secretária Executiva do Fórum Brasileiro de Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional – FBSSAN.

Confira a entrevista.

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Seminário: Bioética e Direitos Humanos

14, junho, 2013 Sem comentários

seminario CBB-OAB-RJ

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Mais pragas já resistem a plantas com gene transgênico, diz estudo

13, junho, 2013 Sem comentários

Plantas com mutação que repelem insetos já não são tão eficazes.

Estudos foram feitos em oito países, de cinco continentes.

Da France Presse, via G1, 12/06/2013

Mais espécies de pragas têm se tornado resistentes aos tipos mais populares de cultivos transgênicos que repelem insetos, exceto em regiões onde os fazendeiros seguem os conselhos dos especialistas.

Um estudo publicado na edição da revista “Nature Biotechnology” desta semana aborda um aspecto importante dos chamados milho e algodão Bt – plantas que carregam um gene cuja finalidade é exalarem uma bactéria denominada Bacillus thuringiensis, tóxica para os insetos.

Cientistas franceses e americanos analisaram as descobertas de 77 estudos realizados em oito países de cinco continentes, a partir de dados de monitoramentos de campo.

Das 13 principais espécies de pragas examinadas, cinco eram resistentes em 2011, em comparação com apenas uma em 2005, afirmaram. O marco de referência foi uma resistência em mais de 50% dos insetos em uma área determinada. Das cinco espécies, três eram pragas de algodão e duas, de milho.

Três dos cinco casos de resistência foram registrados nos Estados Unidos, que respondem por menos da metade dos cultivos de Bt, enquanto os outros foram encontrados em África do Sul e Índia.

Sinais de alerta

Os autores disseram ter descoberto um caso de resistência precoce, em menos de 50% dos insetos, em outra praga de algodão americana. E houve “sinais de alerta” precoces (1% de resistência ou menos) em outras quatro pragas de algodão e milho em China, Estados Unidos e Filipinas. Os cientistas encontraram grandes diferenças na velocidade com que se desenvolveu a resistência Bt.

Em um caso, levou dois anos para os primeiros sinais aparecerem. Em outros, os cultivos Bt permaneceram tão eficientes em 2011 como eram 15 anos atrás. O que fez a diferença foi que os fazendeiros separaram “refúgios” suficientes de cultivos não Bt, afirmaram os autores do estudo.

A ideia por trás deste refúgio vem da biologia evolutiva. Os genes que conferem resistência são recessivos, o que significa que os insetos podem sobreviver em plantas Bt só se tiverem duas cópias de um gene resistente, uma de cada progenitor.

Possível solução

Plantar refúgios perto de cultivos Bt reduz as chances de dois insetos resistentes copularem e passarem o duplo gene para seus descendentes. “Modelos de computador mostraram que os refúgios devem ser bons para retardar a resistência”, afirmou o coautor do estudo Yves Carriere, entomologista da Universidade do Arisona, em Tucson, em um comunicado.

A evidência prática disto é demonstrada no caso de uma praga do algodoeiro denominada lagarta rosada (Pectinophora gossypiella), explicou seu colega, Bruce Tabashnik. Os cultivos Bt no sudoeste dos Estados Unidos, onde os fazendeiros trabalham com cientistas para projetar uma estratégia de refúgio, não têm problema de resistência.

Na Índia, no entanto, as lagartas rosadas se tornaram resistentes no prazo de seis anos, simplesmente porque os fazendeiros não seguem as diretrizes ou obtêm aconselhamento. Os cientistas alertam que a resistência a cultivos Bt é mera questão de tempo, pois todas as pragas acabam, eventualmente, se adaptando à ameaça que enfrentam. Mas os refúgios foram feitos para retardá-la.

Só em 2011, 66 milhões de hectares de terra foram cultivadas com plantios Bt. Naquele ano, o milho Bt respondeu por 67% do milho plantado nos Estados Unidos e o algodão Bt entre 79% e 95% do algodão cultivado em Estados Unidos, Austrália, China e Índia.

Os plantios transgênicos encontram oposição na Europa e em outras partes do mundo, onde ambientalistas afirmam que são uma ameaça potencial à saúde humana e ao meio ambiente.

Monsanto afirma que revê valor de royalty

12, junho, 2013 Sem comentários

Entenda-se por “segunda geração de transgênicos de soja” o mero cruzamento da soja Roundup Ready com uma soja que leva o Bt, toxina que mata alguns tipos de lagarta. RR e Bt respondem por 100% dos transgênicos cultivados desde sua introdução na agricultura em meados da década de 1990. Portanto, para além da marquetagem, onde está de fato a inovação? Com a forcinha que deu o ministro da agricultura a Monsanto ganhou novo prazo de validade de suas patentes sobre a soja transgênica para cobrar royalties dos produtores.

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VALOR ECONÔMICO, 12/06/2013

Por Fernando Lopes e Luiz Henrique Mendes | De São Paulo

O presidente da Monsanto no Brasil, Rodrigo Santos, declarou ontem que a companhia está revendo o valor dos royalties que pretende cobrar sobre o uso da segunda geração de transgênicos de soja no Brasil. A declaração foi dada ontem durante o seminário “Caminhos da Soja”, promovido pelo Valor em parceria com a multinacional.

A nova tecnologia, que recebeu o nome comercial de Intacta RR2 PRO, começa a ser comercializada na safra 2013/14, com pelo menos um ano de atraso em relação à meta inicial, devido à demora da China em aprovar o produto. A liberação foi anunciada na segunda-feira.

Em 2012, a Monsanto manifestou a intenção de cobrar o equivalente a R$ 115 por hectare pelo uso da semente, que torna as plantas resistentes ao herbicida glifosato e ao ataque de algumas lagartas. Segundo Santos, o valor refletia as condições do mercado à época e, por isso, está sendo revisto. A nova quantia deve ser anunciada até a semana que vem.

O executivo disse ainda que a Monsanto e as sete sementeiras hoje autorizadas a reproduzir a tecnologia dispõem de aproximadamente de 3 milhões de sacas da variedade a nova safra, que começa a ser plantada. O volume deve ser suficiente para cobrir uma área de 2,5 milhões de hectares (pouco menos de 10% da área total cultivada em 2012/13).

A adoção da segunda geração de transgênicos pode gerar um ganho médio de produtividade de aproximadamente 5,84 sacas de 60 quilos por hectare, de acordo com estudo de campo apresentado durante o evento pela consultoria MB Agro (braço de agronegócios da MB Associados) e patrocinado pela Monsanto.

De acordo com a MB Agro, o acréscimo de produtividade levaria a um aumento de renda ao produtor de R$ 292 por hectare, mantidos os atuais níveis de preço. Ainda segundo a consultoria, a adoção da nova tecnologia em pelo menos metade da área plantada aumentaria em 4,8 milhões de toneladas a produção potencial do país e em R$ 4,2 bilhões o valor bruto da produção, mantidos os patamares atuais de área e preço.

Ainda durante o seminário, o secretário-executivo do Ministério dos Transportes, Miguel Masella, declarou que, no que depender da infraestrutura rodoviária, o Brasil poderá começar a exportar grãos por meio de corredor BR-163-Tapajós já em 2014. Segundo ele, até o fim deste ano, 90% da rodovia estará pavimentada no trecho até o distrito de Miritituba, no Pará, um entreposto para o escoamento da produção por meio de barcaças para os portos da Região Norte.

“Com 90% asfaltado, já podemos exportar na próxima safra”, disse Masella. O novo corredor é visto como a principal esperança para aliviar os portos de Santos (SP) e Paranaguá (PR), por onde sai a maior parte da produção.

Já o diretor do departamento econômico do Itamaraty, Paulo Estivallet, afirmou, no seminário, que a Rússia pode se tornar um mercado “interessante” para a exportadores de grãos do Brasil. Segundo ele, a busca dos russos pela autossuficiência na produção de carnes pode abrir espaço para as importações de grãos.

“Há potencial para que a Rússia se torne um mercado interessante, mas ainda está em fase de elaboração do processo regulatório para aprovação de transgênicos”, disse Estivallet.

 

Custos aumentam na safra 2013/14

12, junho, 2013 Sem comentários

Dados para o MT:

Custo médio de produção subiu 21%

Preço das sementes subiu 53%

Agrotóxicos subiram 20%

O último levantamento da safra divulgado pela Conab indica produtividade média de 3,06t/ha de soja para o MT, mantendo o valor dos últimos três anos.

Considerando os dados baixo de custos de produção (equivalente a 2,4t/ha) e preço da saca de soja (R$57,50), o produtor ficará com o equivalente a meros 600 kg/ha. Assim, boa parte dos R$ 136 bi que o governo acabou de anunciar para o Plano Safra vai para empresas como Monsanto, Cargill etc.

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VALOR ECONÔMICO, 12/06/2013

A escalada nos custos de produção e o risco de desvalorização da soja na safra 2013/14 estão tirando o sono dos agricultores de Mato Grosso, que já consideram como certa uma nova queda na rentabilidade no atual ciclo.

Segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), o custo médio total de produção no Estado subiu 21% neste ano, para R$ 2.315,47 por hectare. “O aumento é considerável, uma vez que a cotação da soja só vem caindo”, afirma Daniel Latorraca, gestor da entidade. Só o custo com sementes subiu quase 53%, segundo ele.

Para agravar o cenário, a tendência é de queda para os preços da soja. Desde novembro, a cotação da oleaginosa em Rondonópolis recuou cerca de 18%, de R$ 70,26 para R$ 57,50 por saca.

A tensão cresce em meio à perspectiva de uma supersafra nos EUA e de mais um aumento de área em Mato Grosso, que poderia levar a produção a superar a barreira das 25 milhões de toneladas. “Todos esses números nos dão a projeção de preços menores”, concluiu Latorraca.

De acordo com a Agroconsult, a rentabilidade média sobre os custos diretos em Mato Grosso pode cair mais de 30%, para R$ 620 por hectare, se as projeções em relação ao tamanho da produção se confirmarem. “Se contabilizarmos itens como depreciação e preço de arrendamento, o produtor pode ficar muito perto do “break even”, afirma André Pessôa, sócio-diretor da consultoria.

O presidente da Associação dos Produtores de Soja no Brasil (Aprosoja), Glauber Silveira, afirmou ontem, durante o Seminário “Caminhos da Soja”, promovido pelo Valor, estar “apreensivo” com o cenário que se desenha. “Se a safra americana se consolidar, podemos ter problemas”. Segundo ele, a logística deve pressionar ainda mais as margens do setor.

André Pessôa, da Agroconsult, lembra que as tradings arcaram com a alta dos fretes rodoviários na safra 2012/13, mas a conta vai ser repassada para o produtor no novo ciclo. Ele estima que o prejuízo com a alta desse custo oscilou entre R$ 50 e R$ 100 por tonelada.

A alta dos defensivos também preocupa. De acordo com Silveira, o insumo já subiu 20% em dólar. Segundo ele, os agricultores de Mato Grosso devem gastar até nove sacas de soja na compra de agrotóxicos na próxima safra, ante sete na última.

Diante das incertezas, a comercialização da nova safra está mais lenta. Analistas estimam que apenas 25% da produção esperada já tenha sido vendida, ante mais de 50% há um ano. Com isso, as operações de barter (troca de insumos por sacas de soja) também estão travadas.

Por isso, os produtores têm preferido as compras de insumos à vista. Segundo o Imea, eles já fecharam a aquisição de mais de 60% dos insumos (sementes, fertilizantes e defensivos) para a safra 2013/14, sendo 40% com pagamento à vista e apenas 20% em sistema de troca. “O atraso na comercialização é ruim porque aumenta o risco do produtor, que está exposto às oscilações de preço nos próximos meses”, afirma Pessôa.

O ritmo de comercialização também está lento no Sul. De acordo com José Aroldo Gallassini, da Coamo, apenas 5% da próxima safra já foi vendida pelos produtores ligados à cooperativa. “Na última safra, as vendas antecipadas começaram a R$ 49 por saca, e depois subiram a R$ 64. No momento, os produtores estão vendendo com valores entre R$ 51 e R$ 54, na expectativa de que haja ainda algum ganho”, concluiu. (MC, GFJ e LHM)

 

Auxílio de Brasília na liberação de soja da Monsanto pela China

11, junho, 2013 1 comentário

VALOR ECONÔMICO, 11/06/2013

Por Mauro Zanatta | De Brasília

Na liberação comercial da soja Intacta, produzida pela americana Monsanto, sem dúvida pesou o lobby favorável dos produtores rurais do Brasil, que foram à Pequim solicitar o sinal verde do gigante asiático. Mas a situação só mudou realmente quando o governo brasileiro, por meio do Itamaraty, resolveu intervir e negociar com autoridades chinesas.

A visita do ministro Antônio Andrade ao país, sobretudo pelo “timing”, além das gestões do Ministério do Desenvolvimento, também contaram a favor, apurou o Valor. O chanceler Antonio Patriota entrou pessoalmente nas conversas. Nem mesmo a troca do embaixador do Brasil em Pequim atrapalhou – Valdemar Carneiro Leão substituiu Clodoaldo Hugueney.

O principal argumento das autoridades brasileiras nas negociações bilaterais foi que a variedade beneficiaria especificamente o mercado nacional, ainda que algumas áreas do norte da Argentina possam utilizar a nova semente. Além disso, os argentinos também entraram na arena para reivindicar a liberação. Isso pesou de forma significativa para a aprovação, segundo fontes brasileiras.

No início, os chineses encaravam a nova tecnologia como um assunto de interesse restrito apenas dos Estados Unidos. O governo brasileiro relatou o avanço da variedade Cultivance, desenvolvida pela estatal Embrapa em parceria com a alemã Basf, para realçar se tratar de uma questão de Estado para o país. Esse “escudo” teria auxiliado a arrefecer a rejeição do governo chinês.

Mesmo com a demora na aprovação pelo principal cliente das exportações brasileiras, a Monsanto teria condições de atender, já na safra 2013/14, a 10% da área plantada de soja aqui, ou algo próximo de 2,8 milhões de hectares. Haveria 1,8 milhão de sacas disponíveis no Brasil. O principal atrativo da variedade é a resistência ao herbicida glifosato e a lagartas, cujo prejuízo acumulado superou R$ 1 bilhão na safra 2012/13, segundo os produtores.

A semente está aprovada no Brasil desde agosto de 2010. Mesmo com a aprovação, a China ainda precisa emitir um certificado de biossegurança para sacramentar a decisão e abrir caminho ao produto nacional. Normalmente, uma autorização comercial demora 270 dias.

No início de maio, uma comitiva oficial que deveria ter sido liderada pelo ministro Antonio Andrade fez, sem sucesso, gestões junto a autoridades chinesas. Estiveram no grupo, chefiado pelos secretários Celio Porto (Relações Internacionais) e Enio Marques (Defesa Agropecuária), o diretor-executivo da associação dos produtores de sementes, José Américo Rodrigues, e o gerente de assuntos industriais da Monsanto, Otávio Cançado.

China libera importação de 3 tipos de soja transgênica

11, junho, 2013 Sem comentários

Ministério da Agricultura, 10/06/2013

O governo chinês aprovou três variedades de soja geneticamente modificadas de interesse do Brasil [????], conforme informou nesta segunda-feira o ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Antônio Andrade, que está em visita oficial à China. Ele participou, neste domingo, em Beijing, do Foro China-America Latina e Caribe de Ministros da Agricultura.

A aprovação das variedades geneticamente modificadas foi comunicada à Andrade pelo ministro da Agricultura da China, Han Changfu, durante encontro bilateral. Foram aprovadas a Intacta RR2 PRO [Monsanto], que tem a propriedade de supressão da população de lagartas que causam muitos danos às lavouras de soja no Brasil e a CV127 [BASF/Embrapa] e Liberty Link [Bayer], tolerantes a herbicidas.

O ministro brasileiro, que fez o pedido da liberação, agradeceu a decisão das autoridades locais e aproveitou para esclarecer ao seu colega chinês que a agricultura tropical é mais sujeita ao ataque de pragas e ervas daninhas, por essa razão é mais dependente da contínua introdução de novas tecnologias.

Antônio Andrade lembrou, ainda, que a aprovação torna-se ainda mais significativa em função da propagação da lagarta Helicoverpa armigera em vários Estados do Brasil [só faltou dizer que o uso de sementes transgênicas é apontado como fator que desencadeou a explosão dessa praga]. Conforme o ministro, as novas sementes aprovadas pelo governo chinês já tinham seu uso autorizado no Brasil e em outros mercados, mas os produtores de soja e a empresa detentora da tecnologia estavam aguardando a aprovação chinesa, pelo fato de a China ser o principal mercado comprador da soja brasileira [e porque não há segregação].

Em abril de 2013, o Brasil exportou 7,154 milhões de toneladas de soja em grãos, equivalente a US$ 3,797 bilhões. Deste total, 5,604 milhões de toneladas (US$ 2,966 bilhões) tiveram a China como destino.

“Essa decisão era ansiosamente aguardada pelos sojicultores brasileiros, visto que as empresas têm poucas semanas para embalar e distribuir o produto, a tempo do plantio da nova safra”, destacou Andrade.

O ministro propôs ainda a Han Changfu o aumento da cooperação entre a Embrapa e a Academia de Ciências Agrárias da China no campo da biotecnologia e falou sobre as oportunidades de investimento para empresas chinesas nas novas fronteiras agrícolas do Brasil, principalmente no Mato Grosso e na região conhecida como Matopiba.

A região traz novas opções de escoamento da produção no sentido norte, por hidrovias e ferrovias, viabilizadas a partir da recente aprovação da Medida Provisória dos Portos. Esses temas serão novamente abordados por ocasião da visita do vice-ministro da Agricultura da China ao Brasil, nos dias 20, 21 e 22 deste mês. Leia mais…

Ministro da Argentina também faz lobby por transgênicos na China

10, junho, 2013 Sem comentários

Argentina diz que China aprovou compra de mais soja e milho transgênicos

BUENOS AIRES, 8 Jun (Reuters) – O ministro da Agricultura da Argentina disse neste sábado que a China aprovou três nova variedades de soja geneticamente modificada (GM), e uma nova variedade de milho transgênico para importação, o que deve impulsionar o comércio entre os dois países. [sojas resistentes a imidazolinonas e glufosinato de amônia e milho 1161 - as duas variedades de soja já foram liberadas no Brasil mas não estavam sendo plantadas justamente pelas restrições dos compradores, sobretudo a China. Se a informação da matéria estiver correta, tudo indica que essas variedades passarão a ser cultivadas por aqui. Já o ministro da agricultura Antonio Andrade pede na China a liberação da soja RR2, da Monsanto]

O argentino Norberto Yauhar fez o anúncio após uma reunião com o ministro chinês da Agricultura, Han Changfu, em Pequim, segundo um comunicado publicado no website da presidência da Argentina.

O país sul-americano é o terceiro maior exportador mundial de soja e milho, e o principal fornecedor de óleo e farelo de soja. Praticamente toda a soja argentina é transgênica, assim como boa parte do milho do país.

(Reportagem de Hilary Burke)

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China aprobó tres sojas transgénicas y un maíz de Argentina

http://www.lapoliticaonline.com

Fue en un encuentro entre Norberto Yauhar y su par de China, Han Chang Fu. Las sojas son resistentes a la imidazolidonas y al gufosinato y el maíz el 1161. “Es una de las noticias más importante para el país en términos de comercio exterior de los últimos tiempos”, dijo el ministro de Agricultura.

El ministro de Agricultura, Ganadería y Pesca de la Nación, Norberto Yauhar, informó hoy que la República Popular de China aprobó tres sojas transgénicas y un maíz, que incluyen la soja RR2BT, una soja resistente a las Imidazolidonas, una resistente al glufosinato y el maíz 1161.

Lo hizo al término de un encuentro mantenido con su par chino, Han Chang Fu, durante la jornada inicial del Primer Foro de Ministros de Agricultura entre China y América Latina, que se realiza en el país asiático.

Al respecto, Yauhar expresó que: “Es una de las noticias más importante para el país en términos de comercio exterior de los últimos tiempos”, y agregó que “el Ministro chino nos acaba de confirmar la aprobación de todos los eventos de maíz y de soja que teníamos pendientes, incluida la Intacta de Monsanto”.

Estos nuevos eventos permitirán producir y comercializar nuevos productos como estas tres variedades de soja y una de maíz que derivarán en significativos beneficios para la cadena productiva argentina.

Asimismo, el funcionario nacional confirmó la compra por parte de China del primer barco de maíz argentino, lo que implica la venta de las primeras 60.000 toneladas de este cultivo a través de una empresa privada nacional.

“En la próxima campaña ya vamos a poder estar utilizando estas semillas aprobadas y obviamente podremos comercializar más producción”, manifestó el jefe de la cartera agropecuaria nacional.

Por otra parte, en el marco de este foro internacional de agricultura, ambos funcionarios analizaron la relación bilateral, las oportunidades de inversión y comercio, y los estudios de factibilidad para construir zonas de desarrollo y procesamiento de productos agrícolas.

Al respecto Yauhar expresó que “se hizo una revisión de todos los programas que estamos llevando adelante.

En la mañana de hoy tuvimos una muy buena reunión con el vicepresidente del Banco de Desarrollo de China y todo su equipo con miras a futuros emprendimientos”.

El funcionario argentino adelantó que la entidad bancaria “está de acuerdo en acompañarnos en un proyecto que estamos presentándoles para reconvertir un millón de hectáreas alternativas a través de la aplicación de nuestros equipos de riego y toda la tecnología para que comiencen a ser productivas.

Para ello estaremos presentándole al Banco de Desarrollo de China un programa del que a priori hemos interiorizado al ministro Han Chang Fu, que dio su aval para que podamos seguir adelante con el proyecto”.

 

Agricultores do Polo da Borborema lançam Programa de variedades crioulas

7, junho, 2013 Sem comentários

Cerca de 120 agricultoras e agricultores de 14 municípios da região da Borborema e representantes da Rede Sementes da ASA Paraíba, participaram neste dia 23 de maio, do lançamento do Programa de Sementes da Paixão do Polo da Borborema. O evento foi promovido pela Comissão de Sementes do Polo da Borborema em parceria com a AS-PTA Agricultura familiar e Agroecologia. O lançamento aconteceu na sede do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Queimadas.

Assistam às matérias:

http://vimeo.com/67578611

http://vimeo.com/67581576

http://vimeo.com/67586698

http://vimeo.com/67588941

Milho transgênico causa danos no Paraná

7, junho, 2013 Sem comentários

por Rafael Zanvettor | Caros amigos, 06/06/2013

Um dos principais debates que ressoaram no Brasil e no mundo na última década foi o da produção e uso de alimentos geneticamente modificados, os chamados transgênicos. No decorrer dos anos o debate foi se tornando cada vez mais silencioso, enquanto que, por outro lado, a produção de alimentos transgênicos aumentou. O Brasil promulgou uma série de leis, como a 11.150/05, que reestruturou a Comissão Técnica Nacional de Biosegurança (CTNBio), responsável por emitir pareceres autorizando ou não o uso comercial de transgênicos; através das monoculturas de soja e milho geneticamente modificado, o País passou a ocupar o segundo lugar mundial na prdução de alimentos transgênicos, ficando atrás apenas dos EUA.

A fim de trazer este importante debate de volta ao espaço público, o site da Caros Amigos publica uma série de 3 reportagens sobre os transgênicos no Brasil, abordando diferentes temas, para que se possa medir as consequências do uso desses alimentos para a agricultura e saúde do País.

Confira a primeira das reportagens: http://carosamigos.terra.com.br/

 

Lobby de alto nível

7, junho, 2013 2 comentários

Dilma ainda não teve uma audiência sequer com os indígenas desde que assumiu seu mandato. Enquanto isso, a alta cúpula do governo realiza sua segunda missão à China em menos de dois meses para viabilizar aqui os interesses da Monsanto. Como indica a matéria abaixo, a empresa não pode mais cobrar royalties sobre sua soja RR, apesar das tentativas pela via judicial. Criou então a soja RR2, com novas promessas tecnológicas, mas com o fito de ganhar novo prazo para cobrança da taxa.

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Ministro visita o país asiático

VALOR ECONÔMICO, 06/06/2013

Por Gerson Freitas Jr. e Tarso Veloso | De São Paulo e Brasília

O ministro da agricultura, Antônio Andrade, vai engrossar o lobby dos produtores rurais pela aprovação de uma nova variedade de soja transgênica da Monsanto pela China. Andrade embarca para o país asiático no fim de semana em uma viagem oficial de dois dias.

Andrade vai pedir que o governo chinês libere o consumo da soja “Roundup Ready 2 Intacta”, uma variedade resistente à aplicação do herbicida glifosato e ao ataque de lagartas, desenvolvida pela Monsanto para substituir a soja Roundup Ready – sobre qual está impedida de cobrar royalties – no país.

A aprovação da China, maior importador mundial de soja, é o último obstáculo para que a múlti comece a vender as novas sementes. A Monsanto esperava lançar o produto ainda a tempo do plantio do ano passado, mas teve de adiar os planos diante da demora chinesa. Agora, corre contra o tempo para não perder também o cultivo da safra 2013/14.

Em nota, o presidente da Aprosoja, Carlos Fávaro, afirmou que a intervenção do ministro da agricultura era um pleito da entidade. “É de extrema importância que novas tecnologias estejam acessíveis e com garantia de venda ao produtor”.

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Etanol celulósico é crucial para atender a demanda

5, junho, 2013 Sem comentários

Valor Econômico, 05/06/2013

A demanda brasileira por etanol só poderá ser atendida ao longo desta década se o país fizer deslanchar a produção do etanol celulósico – o chamado etanol de segunda geração -, afirmou o empresário Bernardo Gradin, no seminário “agricultura como Instrumento de Desenvolvimento Econômico”, realizado ontem pelo Valor e pela Bayer CropScience, braço agrícola da multinacional alemã, em São Paulo.

Citando projeções da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), o executivo disse que o consumo de etanol saltará dos atuais 22 bilhões de litros para algo entre 47 bilhões e 68 bilhões de litros em 2020. Nessas estimativas, a Unica considera que os carros flex representarão entre 80% e 85% da frota do país. “Mas o etanol de primeira geração não vai conseguir suprir essa demanda”, afirmou Gradin.

Gradin é um dos fundadores da GranBio, empresa que detém um megaprojeto de produção de etanol celulósico. A companhia é uma das maiores apostas dos Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES)* para tornar viável economicamente a produção de etanol de segunda geração. A empresa está construindo uma unidade de etanol celulósico no Estado de Alagoas. Com previsão de entrar em operação em fevereiro de 2014, a planta terá capacidade para produzir 82 milhões de litros de etanol por ano, segundo o empresário. Trata-se da maior unidade voltada à produção de etanol celulósico do país.

Bernardo Gradin acredita que o etanol de segunda geração terá viabilidade econômica num prazo relativamente curto – de três a cinco anos. “A tecnologia já está mais presente do que os formuladores de políticas públicas pensam”, disse o empresário.

Nesse contexto, projeta ele, o biocombustível de segunda geração contribuirá com um aumento de 45% na produção de etanol. O executivo faz esses cálculos considerando uma colheita de 80 toneladas de cana por hectare. Atualmente, essa quantia é capaz de produzir 3,3 mil litros de etanol. Com o celulósico, o bagaço dessa mesma cana produziria 500 litros, enquanto que a palha da cana contribuiria com mais 1,1 mil litros.

Mas o otimismo do fundador da GranBio não é compartilhado por Pedro Mizutani, vice-presidente de etanol, açúcar e bioenergia da Raízen (joint venture entre Cosan e Shell), líder na produção de açúcar e etanol no país. Segundo ele, a tecnologia pode levar até dez anos para se tornar viável, uma vez que os custos, principalmente de enzimas, ainda são impeditivos. (LHM)

* Não custa lembrar outra grande aposta como essa em que o Estado brasileiro injetou muito dinheiro e o resultado final foi parar na mão da Monsanto:

Ministro Sérgio Resende critica venda de Alellyx e Canavialis para a Monsanto

“Não sei quanto a Votorantim colocou nessas empresas ao longo desses anos, mas o setor público colocou muito dinheiro”, disse Rezende. “A venda para qualquer grupo estrangeiro é decepcionante. Como é que eles foram vender duas jóias como essas, tão importantes para o País?”

Segundo Rezende, a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), aprovou R$ 49,4 milhões em subvenção econômica (investimento a fundo perdido) para pesquisas nas empresas nos últimos três anos – dos quais R$ 6,4 milhões já foram desembolsados. “São duas empresas que receberam investimentos do governo e, justo quando esse investimento estava amadurecendo, foram vendidas por um preço bastante módico”, disse. A venda para a Monsanto foi fechada por US$ 290 milhões (R$ 616 milhões).

O investimento público já desembolsado representa cerca de 6% do que foi investido pela Votorantim nas empresas – entre R$ 95 milhões e R$ 100 milhões. Os convênios com a Finep foram firmados por meio de editais públicos, em que muitas empresas foram beneficiadas. (…)

O Estado de S. Paulo, 05/11/2008.

“A transgenia está mudando para pior a realidade agrícola brasileira”. Entrevista especial com Leonardo Melgarejo

3, junho, 2013 2 comentários

por IHU – Unisinos, 03/06/2013

“Existem abordagens contraditórias. De um lado há unanimidade quanto à importância dos avanços científicos e do potencial da engenharia genética para o futuro da humanidade. De outro lado, há uma grande divisão relativamente aos resultados obtidos até o presente momento”, pontua o engenheiro agrônomo.

Confira a entrevista.

Após retornar de uma série de reuniões sobre o desenvolvimento dos transgênicos no Brasil na CTNBio, Leonardo Melgarejo concedeu a entrevista a seguir à IHU On-Line por e-mail. Nela questiona o que chama de “decisões polêmicas” tomadas pelo colegiado que tem a finalidade de prestar apoio técnico ao governo federal na formulação, atualização e implementação da Política Nacional de Biossegurança relativa aos Organismos Geneticamente Modificados – OGM. De acordo com ele, entre os temas em pauta estava o sigilo sobre informações referente “à performance agronômica das lavouras transgênicas”. Ele explica: “Há um entendimento, entre os membros da maioria, de que até mesmo as informações sobre o rendimento das lavouras transgênicas devem ser mantidas em sigilo. Aliás, o entendimento é de que todas as informações obtidas nos ensaios de campo devem ser sigilosas. Há dois anos isso não era assim. De lá para cá, na opinião da minoria crescem as evidências de efeitos colaterais e, ao mesmo tempo, crescem os receios – das empresas – de que ocorra divulgação destes efeitos. Possivelmente, as campanhas de marketing seriam prejudicadas pelas evidências de campo caso isso se tornasse de conhecimento público. Assim, algumas empresas pedem sigilo sobre todos ou quase todos os resultados de boa parte de seus estudos. Alegam que o registro de novas cultivares só será possível na medida em que todas as informações sobre estas cultivares sejam sigilosas, desconhecidas, completamente inéditas”.

Melgarejo também chama atenção para uma nova agenda que está sendo trabalhada pelas empresas, referente à introdução de novas espécies transgênicas no mercado, como cana, sorgo, laranja e eucalipto. “Atualmente estão sendo criadas regras para testes de campo dessas culturas, que são etapas necessárias à posterior comercialização. Se tomarmos como exemplo soja, milho e algodão, a experiência mostra que esses milhares de experimentos realizados, sobretudo no centro-sul do país, geraram pouquíssimos dados sobre os potenciais impactos dessas plantas modificadas no ambiente e sobre a saúde. Até agora não há indicativo de que o quadro mudará para essas novas espécies. Como preocupação neste caso, temos a expectativa triste de que deverá se repetir a tendência de geração de dados agronômicos de interesse das empresas, mas que oferece escassa ou mesmo nula utilidade para as análises de biossegurança, que – afinal de contas – correspondem à razão de ser da CTNBio”, lamenta.

Leonardo Melgarejo é engenheiro agrônomo, mestre em Economia Rural e doutor em Engenharia de Produção pela Universidade de Santa Catarina – UFSC. É membro do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária – Incra, no Rio Grande do Sul.

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