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Arquivo de dezembro, 2013

Milho guaxo amplia custo

28, dezembro, 2013 Sem comentários

Diário de Cuiabá, 15/12/2013

MARIANNA PERES
Da Editoria

Plantas de milho que sobreviveram à entressafra, em Mato Grosso, e germinaram nos campos, foram batizadas de milho guaxo, aquele que como a soja, nasce de forma voluntária e fora de época, e que acaba sendo um problema aos produtores. Os pés que não deixam de ser uma planta daninha estão presentes em meio às lavouras de soja e a sua difícil eliminação começa a trazer preocupações, pois acaba sendo uma a mais para disputar espaço, nutrientes e água com a soja e que vai demandar recursos para seu banimento. O milho guaxo se apresenta como ameaça à lavoura e às margens dos sojicultores.

Como explica o diretor técnico da Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado (Aprosoja/MT), houve relatos da existência e da resistência dele na safra passada. Esse milho guaxo é transgênico e por isso há uma dificuldade maior para destruição. “O milho guaxo resulta dos grãos perdidos durante a colheita da segunda safra. Ele cresce em meio à soja em estágio vegetativo que caminha para o estágio produtivo. A resistência foi constatada na safra passada, mas este ano a situação se agravou. Já estamos alertando há duas safras sobre o problema e os prejuízos que podem causar”.

Conforme alerta a entidade, essa ocorrência é séria e essa presença indesejada preocupa por três grandes motivos. Primeiramente, pelo custo que o produtor terá com a aplicação de herbicidas, pois o milho RR (transgênico) é resistente ao princípio ativo do glifosato. Em segundo, o milho invasor funciona como uma planta hospedeira, tornando-se uma boa fonte para disseminação de pragas, servindo de alimento e proteção para a lagarta Helicoverpa, por exemplo. E terceiro, pelo milho se tornar uma planta daninha que acaba competindo com a soja pelos nutrientes e água.

Saindo do campo, o prejuízo pode ser ainda maior. Da porteira para fora o maior temor é o de que haja mistura de grãos de soja com os de milho durante a colheita e isso irá sem dúvida acarretar em maiores descontos pelas empresas (tradings). E quanto maior o desconto, menos o produtor recebe. O aumento do índice de impurezas em meio à soja seria uma consequência da presença do milho guaxo.

ATENÇÃO – Nas visitas realizadas pela equipe técnica da Aprosoja/MT às lavouras de soja, em Mato Grosso, a maior concentração do problema foi constatada em locais onde houve o cultivo de segunda safra com o milho RR, e até mesmo em híbridos não RR. Dentre os possíveis motivos estão: a polinização do milho “não RR” por híbridos RR, cultivados em áreas próximas, e a mistura de sementes de milho RR em híbridos não RR.

PRESSÃO DE CUSTOS – A Aprosoja/MT alerta: o já elevado custo de produção pode ficar ainda maior para o produtor ao lidar com pragas, doenças e plantas daninhas. E é nesse ponto que as ações de monitoramento e orientação técnica profissional fazem a diferença.

Os dados levantados pela quinta edição do Circuito Tecnológico – expedição realizada pela entidade em outubro – mostram que a necessidade do uso de inseticidas para o combate das pragas é uma preocupação, tanto pela presença generalizada da Helicoverpa, como de outras pragas que são velhas conhecidas dos produtores. Nos questionários, a Lagarta-falsa-medideira (Chrysodeixis includes) aparece em 73% das menções, os percevejos em 53%, a Helicoverpa em 45%, a lagarta do gênero Spodoptera em 26%, a Lagarta-da-soja (Anticarsia gemmatalis) em 9%, e outras pragas são mencionadas em 42% das entrevistas.

A elevação no preço dos defensivos é de 22%, segundo dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), somando um custo aos produtores de R$ 419,53 por hectare. Esse valor pode sofrer alterações ainda maiores no decorrer da safra, em ocasião da ocorrência da lagarta Helicoverpa que pode gerar uma possível elevação nas aplicações específicas para esta praga.

Segundo Nery Ribas, considerando que duas aplicações seriam avaliadas como normais para lagarta, não haveria alterações no custo de produção, entretanto, a partir da terceira aplicação feita especificamente para Helicoverpa, o produtor estaria elevando em média 1,2% seu custo de produção por aplicação. “O produtor precisa monitorar a sua lavoura e ter o acompanhamento de um técnico, para que haja um bom controle de pragas e para que não ocorra um desequilíbrio nutricional, e com isso, o custo de produção tenha elevação maior”.

Os dados do Circuito Tecnológico também mostram a preocupação com doenças na soja. A ferrugem asiática aparece em 86% das propriedades visitadas como a principal doença, seguida pela antracnose com 69%. Com os recentes diagnósticos de ferrugem em várias localidades do Estado, a orientação é para que o produtor fique atento e monitore as lavouras, evitando assim as perdas econômicas geradas pela queda no rendimento de grãos. (Com assessoria)

MPF-DF dá 180 dias para Anvisa concluir reavaliação de herbicida

28, dezembro, 2013 Sem comentários

R7, 24/12/2013

A Procuradoria da República no Distrito Federal (PR/DF) aconselhou à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) que termine, em até seis meses, a reanálise de toxicologia do herbicida sal ou éster amina do ácido 2,4 diclorofenoxiacético (2,4-D), usado contra ervas daninhas de folha larga. A PR/DF indicou também à Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), que protele, pelo mesmo tempo, qualquer resolução a respeito da autorização para o comércio de grãos geneticamente modificados de milho e soja que resistem ao defensivo agrícola.

As recomendações foram enviadas na quinta-feira, 19. Apurações em andamento na Procuradoria-Geral da República (PGR) mostram a presença de incertezas científicas a respeito dos resultados prejudiciais da substância na natureza e no corpo humano. Pesquisas e estudos recentes, por exemplo, estabelecem uma correspondência potencial da utilização do defensivo a mudanças na genética, formação anômala do embrião, contaminação do leite materno, alterações dos hormônios e tumores malignos, entre outras doenças.

A exigência de reexame do registro do 2,4-D no País foi admitida pela própria Anvisa, em 2006, em encontro com funcionários do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Ministério da Agricultura, Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Agrícola (Sindiveg) e PGR.

AE

A natureza reage às monoculturas

22, dezembro, 2013 Sem comentários

Superinteresssante, 18/12/2013

por Lydia Cintra

No último dia 12, pesquisadores, professores universitários, representantes de órgãos públicos e cidadãos se reuniram em Brasília em encontro promovido pelo Ministério Público Federal e expuseram suas visões sobre os riscos da liberação para uso comercial de sementes de milho e soja geneticamente modificadas tolerantes ao herbicida 2,4-D.

Os agrotóxicos ganharam destaque especialmente a partir da Segunda Guerra Mundial, com investimentos massivos em armas químicas. Muitos dos produtos desenvolvidos para conflitos foram posteriormente destinados à agricultura. Um dos exemplos mais emblemáticos é o agente laranja, usado como desfolhante pelos Estados Unidos na Guerra do Vietnã (1959-1975). Quando pulverizado nas densas florestas vietnamitas, arrancava as folhagens das copas das árvores e aumentava o campo de visão dos soldados norte-americanos. Um dos seus princípios ativos é justamente o 2,4-D, autorizado no Brasil em plantações como arroz, cevada, café, cana-de-açúcar, milho, soja e trigo.

engenheiro agrônomo Leonardo Melgarejo, Mestre em Economia Rural e Doutor em Engenharia de Produção pela Universidade de Santa Catarina (UFSC), esteve presente no encontro. Melgarejo é representante do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) na Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), responsável pela aprovação de transgênicos no Brasil, e faz parte do Núcleo de Estudos Agrários e Desenvolvimento Rural do MDA.

Nessa entrevista, ele explica porque o sistema agrícola baseado em monoculturas é problemático e defende um olhar crítico em relação à aprovação sistemática de sementes transgênicas no país. “Faço parte da CTNBio como membro de um grupo minoritário que é derrotado. Frequentemente pedimos informações e estudos não detalhados nos processos, mas não contamos com a compreensão da maioria, que tende a se satisfazer com os dados gerados pelas empresas, elaborados de forma alinhada aos interesses corporativos”, diz. Leia a entrevista completa abaixo.

Em breve, a gravação da audiência pública estará disponível no site da TV MPF.

Abaixo a entrevista: Leia mais…

Qual a quantidade que cada pessoa pode consumir de agrotóxico?

22, dezembro, 2013 Sem comentários

Superinteressante, 19/12/2013

por Lydia Cintra

Ao entrar em um supermercado e caminhar entre frutas, verduras e legumes, é possível que você já tenha notado gôndolas destinadas apenas a alimentos orgânicos, que, dentre outras coisas, são cultivados sem o uso de agrotóxicos – assunto que vem ganhando destaque ao longo dos últimos anos no Brasil.

As atenções dos holofotes direcionam-se a constatações como a da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco): um dos maiores problemas no Brasil é o uso de muitos princípios ativos que já foram banidos em outros países. De acordo com um dossiê da Associação, dos 50 produtos mais utilizados nas lavouras brasileiras, 22 são proibidos na União Europeia, o que faz com que o país seja o maior consumidor de agrotóxicos já banidos em outros locais do mundo. “Quando um produto é banido em um país, deveria ser imediatamente em outros. Quando chega ao Brasil para fazer o banimento é um luta enorme das entidades sanitárias”, diz a médica toxicologista Lia Giraldo, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz/ Ministério da Saúde).

Em 2011, uma pesquisa conduzida pela Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT) em parceria com a Fiocruz comprovou que até mesmo o leite materno pode conter resíduos de agrotóxicos. O estudo coletou amostras em mulheres do município de Lucas do Rio Verde/MT, um dos maiores produtores de soja do país. Em 100% delas foi encontrado ao menos um tipo de princípio ativo. Em algumas, até 6 tipos.

Hoje, é difícil dissociar safras recordes e indústria química, responsável pela fabricação de herbicidas, inseticidas e fungicidas que matam e controlam a disseminação de plantas daninhas, insetos e fungos nas plantações. Só em 2012, 185 milhões de toneladas de grãos foram colhidas no Brasil. Números tão expressivos se justificam para além das extensões continentais do território brasileiro. Um sem-fim de opções tecnológicas para evitar perdas de produção está disponível aos agricultores. Dentre elas, mais de 1.640 agrotóxicos registrados para uso.

Um dos pontos importantes do processo político de incentivo ao uso de venenos no Brasil aconteceu na época do regime militar, quando, em 1975, foi instituído o Plano Nacional de Defensivos Agrícolas, que condicionava a obtenção de crédito rural pelos agricultores ao uso dos produtos químicos nas lavouras. “Foi também nesta época que apareceram as primeiras denúncias de contaminação de alimentos e intoxicação de trabalhadores rurais”, explica engenheiro agrônomo e consultor ambiental Walter Lazzarini, que teve participação ativa na formulação da Lei dos Agrotóxicos brasileira (7.802) em 1989.

A lei vigora até hoje, com algumas mudanças no texto original. O gargalo, porém, fica visível nocumprimento do que prevê a legislação. “Existe um descompasso entre a regra e os mecanismos para cumpri-la. O país investe menos do que deveria em fiscalização e monitoramento”, comenta Decio Zylbersztajn, professor e criador do Centro de Conhecimento em Agronegócios da FEA/USP.

Um estudo da USP revela que, entre 1999 e 2009, o Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas (Sinitox) registrou 62 mil intoxicações por agrotóxico no país – uma média de 15,5 por dia. Apesar de altos, os números não refletem totalmente a realidade, já que projeções do próprio Sistema indicam que para cada caso de intoxicação notificado, 50 acabam no desconhecimento. “Faltam dados de registro das intoxicações para suportar a necessidade de uma política de fiscalização na aplicação”, alerta Lazzarini.

A repercussão dos números levanta debates entre movimentos civis e órgãos regulatórios. Aumentar a rigidez das fiscalizações e proibir o uso dos produtos químicos já banidos em outros países são algumas das exigências da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida, que reúne entidades, organizações civis e comunidade científica em Comitês Populares presentes em quase todos os estados brasileiros. Outra proposta da Campanha é a rotulação dos produtos alimentícios com as informações sobre os agrotóxicos utilizados.

 

Saúde é quantificável?
Para a aprovação de novos agrotóxicos, são obrigatórios estudos conduzidos em animais de laboratório, que supostamente indicam a quantidade máxima de resíduos que uma pessoa pode consumir por dia. É o IDA: Índice Diário Aceitável.

De acordo com a Anvisa, a ingestão dentro do índice não causa dano à saúde. Mas a médica Lia Giraldo contesta a sua eficiência, uma vez que os testes não levam em conta concentrações prolongadas, mesmo que baixas. “Criou-se uma teoria de que o efeito é decorrente da quantidade e não do produto, das reações químicas. É uma teoria científica muito linear, dose-efeito, como se tudo dependesse só da quantidade. Essa ideia ainda está vigente na regulamentação”, explica. “O que se faz para aceitar os agrotóxicos no mercado são estudos experimentais em animais que tem vida muito curta. Não há tempo para eles desenvolverem as doenças crônicas degenerativas que os humanos manifestam por viverem mais”.

A intoxicação crônica, que se desenvolve ao longo de meses, anos ou até décadas, pode levar a doenças hepáticas e renais, câncer, malformação congênita, problemas de fertilidade, reprodução, além de distúrbios neurológicos, mentais e endócrinos. “Considero que os indicadores fazem uma inversão de complexidade. É anticientífico. Um ser humano é diferente do outro, cada organismo vai manifestar as alterações na sua singularidade. A saúde plena não pode ser garantida, mesmo se o indicador for respeitado”, diz Lia.

Um exemplo: o índice chega a um valor que permite que as pessoas comam um tomate e não morram intoxicadas. “Mas isso não quer dizer que se você comer um tomate todos os dias ao longo de anos você não desenvolva um câncer”, explica a médica. “Não existe quantidade ‘menos pior’. Temos que ser críticos. Há uma convenção baseada em um indicador que não tem sustentabilidade científica, embora se utilize de uma determinada ciência pra justificar sua existência”.

Além disso, analisar e identificar os efeitos combinados de diferentes substâncias químicas, em situações distintas de exposição (ar, água, solo, alimentos), são verdadeiros desafios para a ciência chegar a números que possam ser considerados seguros. “No cozimento quanto é degradado e se transforma em outras substâncias que podem ser até mais tóxicas? O ideal é garantir que não tenha resíduos, e pra isso seria necessário não ter agrotóxicos”.

Leonardo Melgarejo, engenheiro agrônomo que representa o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) na Comissão Nacional de Biossegurança (CTNBio), também defende que “é equivocado supor que pequenas doses de veneno devem ser aceitas nos alimentos porque causam pequenos danos”. Para ele, a alternativa é buscar produtos orgânicos, que devem (e podem) ser disponibilizados para todos. “A produção em policultivo é maior por unidade de área, mais intensiva em mão de obra e menos demandante de insumos externos. Com ela é possível gerar ocupações produtivas, ampliar a oferta de alimentos e minimizar riscos de intoxicação, custos com a saúde”. (Leia a entrevista com Leonardo Melgarejo na íntegra no post anterior).

Lavar os alimentos resolve? Na verdade, a prática é importante apenas para higienizá-los, mas não retira os produtos químicos, já que os resíduos circulam nos tecidos vegetais pela seiva. “O agrotóxico é utilizado por todo o ciclo da produção e atinge a planta sistemicamente”, explica a médica.

A Anvisa também alerta que mesmo os chamados agrotóxicos “de contato”, que agem externamente no vegetal, podem ser absorvidos pelas porosidades da planta. A Agência aconselha que produtos in natura devem vir de fornecedores qualificados pelo cumprimento das Boas Práticas Agrícolas, como o respeito ao período de carência (intervalo entre a aplicação do agrotóxico e a colheita).

Este texto é um complemento à reportagem “Comida Química”, publicada na edição verde da Superinteressante, que está nas bancas este mês.

Leia mais:
Lavar os alimentos remove todos os agrotóxicos?
Anvisa proíbe substância utilizada na fabricação de agrotóxico de veneno de rato

Transgênicos: a importância de abrir o debate

22, dezembro, 2013 Sem comentários

Audiência promovida pelo Ministério Público Federal revela que persistem dúvidas sobre “segurança” das plantas modificadas e expõe necessidade de romper silêncio sobre temas nacionais relevantes

Outras Palavras, 19/12/2013

Por Elenita Malta Pereira

O Ministério Público Federal (MPF) realizou em 12 de dezembro de 2013, em Brasília, uma audiência pública sobre a iminente liberação de sementes transgênicas de milho, soja e algodão resistentes ao herbicida 2,4-D, componente do famoso “Agente Laranja” que tanto prejuízo causou ao Vietnã. O MPF, a AGAPAN e o Instituto de Defesa do Consumidor (Idec) já haviam solicitado à Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTN-Bio) a realização da Audiência, para discutir com maiores detalhes os riscos da utilização dessa tecnologia. No entanto, a comissão recusou a proposta, e o MPF decidiu realizar o evento em suas próprias dependências.

Na audiência, transmitida pela TVMPF ao vivo, foram ouvidos representantes a favor e contra os transgênicos, de forma democrática. Em três mesas temáticas, foram abordados as pesquisas sobre o 2,4-D; aspectos da avaliação toxicológica do produto no Brasil e exterior – aqui ele é considerado “Extremamente tóxico”; riscos à saúde humana e animal, danos ao ambiente; a estrutura e composição da CTN-Bio, implicações éticas de suas ações e sugestões para melhorar seu funcionamento.

Os dois primeiros expositores defenderam o uso da tecnologia de transgênicos + agrotóxicos (agricultura convencional). Ivo Carraro, representante da CNA, começou citando a chamada de uma reportagem: “o agronegócio fez a sua lição de casa”, para reforçar supostos ganhos em produtividade. Segundo ele, o agronegócio é responsável pelo superávit da balança comercial brasileira, e tem conseguido isso superando uma equação difícil: produzir alimento e, ao mesmo tempo, preservar o ambiente.

Para justificar seu apoio à tecnologia OGM, comparou dados da agricultura dos anos 1970 com o cenário atual, afirmando que houve um crescimento de 317% na produção, enquanto a área plantada aumentou em apenas 47%. Isso comprovaria para ele que esse modelo de “agricultura é eficiente, preserva o ambiente e alimenta o vivente”. Para Carraro, como a alta produtividade dessa tecnologia, não haveria necessidade de desmatamento, por isso, ela promoveria a preservação do ambiente.

Leia mais…

Bayer e Syngenta tentam derrubar proibição de inseticidas tóxicos a abelhas na Europa

22, dezembro, 2013 Sem comentários

Greenpeace Espanha, 16/12/2013.

ONGs intervêm na justiça em favor da proibição

Greenpeace Internacional, o Bee Life European Beekeeping Coordination e outras quarto organizações ambientais e de defesa dos consumidores (Pesticides Action Network Europe, ClientEarth, Buglife e SumOfUs) solicitaram intervir ante o Tribunal de Justiça da União Europeia em defesa da proibição parcial a três agrotóxicos em toda a UE, como resposta à ação judicial impetrada pelas empresas químicas Syngenta e Bayer, que querem anular a proibição. O Greenpeace considera esta proibição necessária e que deve ser ampliada dadas as evidências existentes.

“A Bayer e a Syngenta lançaram seus advogados para atacar uma proibição que é cientificamente rigorosa, juridicamente correta e que ajuda a proteger os interesses gerais dos agricultores e dos consumidores europeus. A proibição parcial destes três inseticidas é só um primeiro passo, mas necessário, para proteger as abelhas na Europa. Deve ser defendida dos ataques das empresas que perseguem seus interesses particulares em detrimento do meio ambiente”, afirmou Marco Contiero, diretor de Política Agrícola da UE do Greenpeace.

proibição, que entrou em vigor em 01 de dezembro, recai sobre três inseticidas produzidos pela Syngenta (tiametoxam) e Bayer (imidacloprido e clotianidina) que pertencem a uma classe de substâncias químicas conhecida como neonicotinoides. A Comissão Europeia adotou a proibição baseando-se nas avaliações científicas da Autoridade Europeia de Segurança Alimentar (EFSA, na sigla em inglês) que demonstram os impactos negativos destes inseticidas sobre as abelhas. A proibição recebeu um forte apoio político dos governos da UE.

O Greenpeace Internacional publicou em 16 de dezembro os resultados de um estudo científico piloto de campo que proporciona uma prova mais sobre as vias de exposição das abelhas à contaminação. O estudo mostra que a água exudada por plantas cujas sementes tenham sido tratadas com certos neonicotinoides contêm concentrações muito altas destes inseticidas, o que dá lugar a uma exposição potencialmente mortal para as abelhas que bebem este líquido, denominado água de gutação. (…)

Estudo aponta descontrole com inseticidas

22, dezembro, 2013 Sem comentários

Folha de S. Paulo, 06/12/2013.

Parte dos produtores está deixando para trás as boas práticas de combate ao percevejo, um inseto que ataca as vagens da soja.

Referência mundial na década de 1980 por boas práticas no combate ao percevejo e redução no número de aplicações de inseticidas, o país volta a elevar o número de pulverizações.

Nos anos 1980, o produtor se destacou ao utilizar o chamado “Manejo Integrado de Pragas”, quando reduziu as aplicações de inseticidas de cinco para duas vezes. Agora, as aplicações chegam a até sete por safra.

Os dados fazem parte de estudo feito pela Embrapa Soja em áreas de produtores da cooperativa Coamo. O estudo, feito em lavouras de Santa Catarina, Paraná e Mato Grosso do Sul, mostra um descontrole nas aplicações de inseticidas no campo.

O resultado traz preocupações tanto econômicas como ambientais. A empresa constatou que os produtores que ainda se utilizam de boas práticas para o controle das pragas necessitam de apenas duas aplicações por safra.

O estudo constatou ainda que é comum a aplicação preventiva de inseticida. “Essas aplicações não resultam em benefícios para a produtividade ou qualidade dos grãos, além de não reduzir a intensidade do ataque da praga na fase crítica da soja”, diz Samuel Roggia, pesquisador da Embrapa e um dos responsáveis pela pesquisa.

Daniel Ricardo Sosa-Gomez, da Embrapa Soja, diz que a aplicação de inseticidas antes do período crítico do ataque dos percevejos elimina os inimigos naturais da praga, favorece o desenvolvimento de insetos resistentes, além de elevar custos.

Esse manejo inadequado por parte do produtor no combate às pragas permite, ainda, o aparecimento de outras espécies que antes eram consideradas secundárias, como lagartas e ácaros.

Roggia diz que a pesquisa apontou que o monitoramento das lavouras dever ser o subsídio básico para o controle da praga. “Há a necessidade do uso de amostragens para o momento correto das aplicações”, diz ele.

Para a pesquisadora Clara Beatriz Hoffmann Campo, da Embrapa Soja, apesar desse certo descontrole no combate à praga, há informações disponíveis para o produtor reverter esse quadro.

 

Defensivos de piretroides eliminam inimigos naturais da Helicoverpa

22, dezembro, 2013 Sem comentários

Agrolink, 16/12/2013.

Alguns defensivos utilizados no combate à Helicoverpa armigera mais prejudicam do que auxiliam, pois afastam os predadores naturais dessa lagarta. É o que aponta o engenheiro agrônomo Ricardo Heinz, ouvido pela Rádio Grande Lago AM – 580, de Santa Helena (PR).

“O produtor precisa ter a consciência de que o uso de substâncias pesadas, à base de piretroides, precisa ser eliminado. Isso porque essas aplicações afetam não só as lagartas, mas todo o complexo de organismos que estão vivos nessa área, ou seja, acaba eliminando os inimigos naturais”, explica o especialista.

“Eu presenciei (em pesquisa) vários inimigos naturais que ajudam a combater essas lagartas. Vi algumas delas infectadas por esses predarores que estavam sendo eliminadas exatamente por essa ação desses ‘inimigos’ que estão presentes nas lavouras e favorecem o produtor”, conclui Heinz.

Um piretroide é um composto químico sintético similar às substâncias naturais piretrinas produzidas pelas flores do “filo” Pyrethrum (Chrysanthemum cinerariaefolium e C. coccineum). São comuns em produtos como inseticidas domésticos e repelentes, sendo venenos axônicos que trabalham por manter os canais de sódio abertos nas membranas neurais dos insetos.

 

Helicoverpa já foi confirmada em lavouras de mais nove cidades gaúchas

22, dezembro, 2013 Sem comentários

Zero Hora, 16/12/2013.

A presença da Helicoverpa armigera no Estado [do RS] está levando ao campo um batalhão de agrônomos e outros profissionais ligados a questões fitossanitárias, agora que a lagarta foi detectada em mais nove cidades. Hoje, por exemplo, começam a pegar a estrada rumo ao Interior cerca de 30 servidores só da Secretaria Estadual da Agricultura. Eles seguem para as principais regiões produtoras de soja, onde participarão de encontros com produtores, sindicatos rurais e outras entidades. O trabalho é basicamente falar, falar e falar, repetindo exaustivamente qual é a melhor forma de combater a praga: monitorar e só usar inseticida na forma e nos casos recomendados.

Conversar para esclarecer o sojicultor sobre o uso de inseticida, por sinal, será uma estratégia cada vez mais necessária. Concluído ontem pelo pesquisador Jerson Guedes, da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), o relatório das novas análises de amostras de mariposas recolhidas em armadilhas espalhadas por lavouras gaúchas será encaminhado hoje para o Ministério da Agricultura.

– O resultado deu positivo para mais nove cidades – antecipa o pesquisador, que já confirmou a presença da mariposa da Helicoverpa armigera em 15 cidades gaúchas entre as 47 monitoradas no Rio Grande do Sul.

Diretor de defesa vegetal da Secretaria Estadual da Agricultura, José Candido Motta passou a última semana circulando por diferentes municípios gaúchos e avalia que o produtor gaúcho, em geral, tem seguido o que é recomendado pelos técnicos.

– Estamos nos reunindo com o máximo de produtores para deixar claro que, com monitoramento e atenção às indicações técnicas, a praga é plenamente controlável. Não estamos em situação preocupante. A lagarta se desenvolveu em outras regiões do país por condições que não ocorrem aqui. O uso de inseticida não é solução. Tanto que, mesmo onde foi autorizado o benzoato de emamectina, o produto não foi utilizado. Pelo menos não há registro, até agora, de nenhuma compra legalizada do produto – avalia Motta.

O representante do Estado ressalta, ainda, que ao longo da semana viu exemplos práticos de que seguir o que dizem os técnicos é a melhor forma de combater a lagarta:

– Há produtor que seguiu as orientações, fez uso correto do inseticida e resolveu o caso. Já o vizinho que dobrou a dose e aplicou sem cuidado piorou a situação, acabando com o predador natural da lagarta.

Quem também percorreu o Estado de leste a oeste com a caravana contra a lagarta, na semana passada, foi o entomologista Paulo Pereira, da Embrapa Trigo, de Passo Fundo. Ao contrário do diretor de defesa vegetal do governo do Estado, ele avalia que o produtor tem utilizado inseticidas demais e na hora errada.

– Tem gente fazendo coisas absurdas. O produtor tem que ter calma. Alguns mal ficaram sabendo da presença da lagarta no Estado e já saíram aplicando inseticidas. Alguns, em pânico, estão tomando decisões irracionais. Também há estímulo por vendedores. Ao serem procurados, claro, querem oferecer uma solução. E, com o produtor assustado, a oferta de inseticida é feita e aceita, erradamente – alerta Pereira.

 

Niemeyer

15, dezembro, 2013 Sem comentários
Laranjeiras, Rio de Janeiro

Laranjeiras, Rio de Janeiro

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Fundação Oswaldo Cruz diz que agrotóxico vinculado a sementes transgênicas causa danos à saúde

13, dezembro, 2013 Sem comentários

EBC, 12/12/2013

075075075075Brasília – Um levantamento da Fundação Oswaldo Cruz mostra que a maior parte dos estudos conduzidos de 2006 para cá por universidades e institutos aponta o agrotóxico 2,4-D, usado para combater ervas daninhas de folha larga, como causador de danos à saúde humana, animal ou ao meio ambiente. Segundo a pesquisadora e toxicologista Karen Friedrich, responsável pelo levantamento, os resultados contrastam com os encontrados por empresas privadas em relação à substância. Os dados foram apresentados durante audiência pública no Ministério Público Federal (MPF) para discutir a liberação no mercado de sementes transgênicas de milho e soja resistentes a esse tipo de agrotóxico.O MPF e alguns pesquisadores temem o aumento do uso de 2,4-D por produtores rurais caso esses organismos geneticamente modificados sejam autorizados no país.

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Para Karen, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) deveria reavaliar a permissão para uso do herbicida no país. Consequentemente, não poderiam, também, ser permitidas as sementes transgênicas resistentes a ele. “Um produto transgênico resistente ao 2,4-D só vai causar o aumento do consumo de um agrotóxico que era para ser proibido. Estudos de pesquisadores isentos mostram relação com danos como má-formação fetal, mutações genéticas, câncer. A maioria foi feita em animais de laboratório, mas alguns em população humana”, destacou a pesquisadora. De acordo com Karen, uma entidade da sociedade civil ou um parlamentar pode encaminhar o pedido de reavaliação à Anvisa. A substância foi reavaliada pela última vez em 2006, e mantida. No entanto, de acordo com a pesquisadora, de lá para cá foram feitas mais pesquisas sobre o 2,4-D.

Karen Friedrich ressalta ainda que a Anvisa enfrenta dificuldades nos processos de reavaliação, que são interrompidos por muitos recursos judiciais. “Em 2008, ela [Anvisa] indicou 14 [agrotóxicos para reavaliação] e ainda não conseguiu terminar a análise de todos. Proibiu quatro, manteve dois e os outros ainda estão aguardando”, informou. No Brasil, diferentemente do modelo adotado em países em que há reavaliação periódica, quando um agrotóxico é registrado, sua autorização é permanente. Ela pode ser revista, no entanto, caso estudos evidenciem que a substância pode trazer riscos à população ou ao meio ambiente.

Outro representante da Fundação Oswaldo Cruz, Luiz Cláudio Meirelles, destacou o fato de que o 2,4-D está na classe dos herbicidas que podem liberar dioxina em seu processo de fabricação. Trata-se de uma impureza suspeita de causar danos reprodutivos de alguns tipos de câncer. Há uma preocupação pelo fato de o Brasil não ter laboratório adequado para medir a dosagem de dioxina na sustância. “Acho que é um produto que, no mínimo, tem que ser descontinuado, caminhando para o banimento.”

Enquanto, na avaliação da Fundação Oswaldo Cruz, o 2,4-D não é adequado para uso, empresas privadas alegam que o herbicida não causa danos, desde que usado da maneira e na dosagem corretas. O médico toxicologista Flávio Zambrone, presidente do Instituto Brasileiro de Toxicologia e consultor da Força Tarefa, grupo formado por quatro empresas – Dow Agrosciences, Atanor, Milenia e Nufarm –, afirma que não há dados conclusivos vinculando o 2,4-D a danos à saúde e ao meio ambiente.
“O perigo é inerente à substância. Mas, se a exposição for em dose segura, não apresenta risco”, disse Zambrone. Segundo ele, o agrotóxico apresentou o mesmo pacote de dados que outros pesticidas e passou por testes em animais antes de ser aprovado no Brasil. “Quando você passa de animais para homens, as doses são em um valor 100 vezes menor.”

Outro argumento favorável ao 2,4-D apresentado toxicologista é que o herbicida está registrado em 70 países e, até o momento, não foi suspenso por eles. Recentemente, houve reavaliação no Canadá e nos Estados Unidos, com manutenção da permissão para o produto. Quanto à dioxina, ele acredita que a ausência de um laboratório que meça a dosagem no Brasil não é motivo para descontinuar o uso do agrotóxico. “É uma impureza séria, mas tem dose segura. Se não temos laboratório, temos que criar ou fazer [o teste da dosagem] fora”, defendeu.

Após a audiência pública de hoje, equipes técnicas do Ministério Público Federal vão redigir pareceres. A partir desse material é que o órgão vai decidir os próximos passos com relação ao 2,4-D e às sementes resistentes ao agrotóxico. Atualmente, estão em curso inquéritos civis instaurados pelo MPF, para avaliar irregularidades na liberação das sementes transgênicas pela Comissão Nacional de Biossegurança (CTNBio) e a segurança da permanência do 2,4-D no mercado brasileiro.
Edição: Nádia Franco

MPF quer avaliar impacto de liberar transgênico tolerante a agrotóxico

13, dezembro, 2013 Sem comentários

G1, 13/12/2013

Ministério Público quer analisar defensivo 2,4-D

Audiência sobre o assunto foi realizada nesta quinta-feira062

O procurador da República Anselmo Henrique Cordeiro Lopes solicitou nesta semana um estudo técnico sobre os possíveis impactos da liberação comercial de transgênicos tolerantes ao agrotóxico 2,4-D. O pedido foi enviado para a 4ª Câmara de Meio Ambiente e Patrimônio Cultural do Ministério Público Federal.

Para ajudar a discutir o tema, foi realizada nesta quinta-feira (13) uma audiência pública sobre o assunto. Um clima tenso marcou a audiência. Com um auditório lotado na Escola Superior do Ministério Público da União, a plateia se dividiu entre “contra” e “a favor” da liberação de produtos tolerantes ao defensivo. Vários argumentos foram usados pelas partes, entre os quais alguns contra outros agrotóxicos, como o glifosato.

Lopes disse que o estudo técnico deverá ficar pronto no primeiro trimestre do ano que vem. Segundo ele, a avaliação é necessária para saber se a pesquisa realizada pela empresa responsável pelo pedido de liberação comercial (Dow AgroSciences) analisou todos os aspectos necessários. “Precisamos analisar diversos aspectos do processo para saber os reais impactos dessa liberação na saúde e na natureza”, disse.

Mario Von Zuben, diretor da área de registros e relações governamentais, e representante da Dow no evento, mostrou-se incomodado com a intromissão do MPF e disse que a empresa aguarda a aprovação o mais rápido possível.

“Respeitamos as discussões, mas no Brasil já temos órgãos responsáveis por avaliar a biossegurança. Se não podemos confiar nessas agências, temos um problema. De qualquer forma, queremos que o produto seja aprovado o mais rápido possível”, disse.

Segundo ele, a autorização para a comercialização do produto traria uma nova opção ao uso cada vez maior do glifosato. “Com as plantas resistentes ao glifosato, os produtores estão usando cada vez mais [defensivos]. Com o 2,4-D, poderemos ter uma outra opção que reduziria o uso”, disse.

Aprovação pela Anvisa em xeque

Outro problema está na aprovação do 2,4-D pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O produto é autorizado para o uso em apenas algumas culturas e durante etapas da produção. No caso da soja, por exemplo, o agrotóxico não pode ser aplicado em cima da planta [pós-emergência].

A audiência pública foi realizada após o MPF pedir formalmente à Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), em setembro, que realizasse audiências públicas para consultar a população sobre os transgênicos. A sugestão, contudo, foi rejeitada pela CTNBio em novembro. O colegiado da comissão é responsável, no Brasil, por autorizar testes e comercialização dos produtos geneticamente modificados.

O presidente da CTNBio, Flávio Finardi, disse que a comissão aceita as discussões e negou que o assunto tenha sido retirado da pauta nas últimas três reuniões a pedido da empresa.

Essa possibilidade foi levantada por membros da própria comissão já que, desde setembro, quando o MPF começou a questionar o assunto, o processo vem sendo retirado da pauta.

“Ainda não foi a votação por falta de leitura de alguns pareceres. A pauta é extensa e possui outros assuntos prioritários”, disse Finardi. Segundo ele, é “necessário esclarecer” que a comissão não trabalha para defender os interesses das empresas.

Milho resistente a herbicida causa problema em lavouras de soja de MT

13, dezembro, 2013 Sem comentários

GLOBO RURAL, 11/12/2013

[assista ao vídeo da reportagem na página do Globo Rural]

Milho nasce de grãos que caíram no solo durante a colheita da safrinha.milho-soja-resistentes

Alto custo para destruir plantas invasoras prejudica agricultores.

Os produtores de soja de Mato Grosso estão enfrentando um sério problema: pés de milho estão crescendo no meio das lavouras. O controle fica mais difícil pelo fato de as plantas serem transgênicas.

No meio da lavoura de soja, um pé de milho. Aliás, um apenas não, tem milho para perder a conta e preocupar muitos agricultores de Mato Grosso.

“Virou uma dor de cabeça isso. A gente está convivendo com essas aplicações de herbicidas para matar milho no meio da soja”, diz o produtor Jader de Bortoli.

O milho que brota nas áreas de soja nasce dos grãos que caem no solo durante a colheita da safrinha. Hoje, muitos agricultores usam uma variedade transgênica conhecida como “RR”, que significa roundup read. Esse é o nome de um herbicida usado para limpar a lavoura de ervas invasoras e que tem como princípio ativo o glifosato.

O milho RR é resistente a este produto, ou seja, quando o agricultor aplica o glifosato nas lavouras de soja, que agora crescem no campo, o milho invasor não morre. O resultado é uma infestação de milho e um alto custo para destruí-lo.

O agricultor Jader de Bortoli está sentindo no bolso o problema. “Tinha programado duas aplicações, mas tive que fazer a terceira. Faltou ainda produto, tive que comprar mais. Não esperava que ia sair tanto milho assim, não”, lamenta.

O problema não acontece apenas nas áreas que estavam semeadas com milho RR durante a safrinha. Em uma área que estava ocupada com o milho convencional antes de receber as sementes de soja, em alguns pontos da lavoura, a impressão que se tem é de que se está em um milharal.

O agrônomo e consultor técnico Cláudio Gonçalves explica que o milho tem alta capacidade de cruzamento e que plantas transgênicas devem ter se cruzado com as convencionais, gerando plantas resistentes ao glifosato e provocando a infestação nas lavouras.

Além da despesa extra para fazer o controle, o milho compete com a soja por nutrientes do solo, água e luz e, por isso, pode prejudicar a produtividade da lavoura.

Pluralidade marca debate promovido pelo MPF sobre sementes transgênicas de milho e soja

13, dezembro, 2013 Sem comentários

MPF, 12/12/2013

Possível liberação para uso comercial de organizamos resistentes ao herbicida 2,4-D está em discussão na CTNBio

Pesquisadores, professores universitários, representantes de órgãos públicos e cidadãos expuseram suas visões sobre os riscos da liberação para uso comercial de sementes de milho e soja geneticamente modificadas tolerantes ao herbicida 2,4-D, utilizado para combater ervas daninhas de folha larga. O espaço foi promovido pelo Ministério Público Federal durante audiência pública realizada nesta quinta-feira, 12 de dezembro, em Brasília, que reuniu cerca de 150 pessoas. A decisão final sobre o uso comercial cabe à Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio).

O evento desta quinta foi transmito ao vivo na internet pela TV MPF . Em breve, a íntegra do vídeo estará disponível na mesma página.

audiencia MPF 13dez2013

Segundo o procurador da República Anselmo Henrique Cordeiro Lopes, a liberação do herbicida para uso comercial só é aceitável após uma avaliação aprofundada sobre os impactos diretos e indiretos que o aumento da utilização de um ingrediente ativo extremamente tóxico pode gerar no meio ambiente e no consumo humano. A audiência pública foi promovida justamente para contribuir nesse sentido.

Dividida em três mesas, buscou responder a perguntas como “O que dizem os estudos que subsidiam o pedido de liberação?”, “Qual a perspectiva de aumento de uso do herbicida 2,4-D se aprovado o uso comercial das sementes tolerantes a ele?”, “Quais os riscos à saúde humana e animal e ao meio ambiente em caso de utilização em larga escala do 2,4-D?” e “Como serão monitorados os resíduos do agrotóxico nos alimentos, para que se tenha certeza de que estão dentro de padrões aceitáveis?”. De acordo com o formato estabelecido, falaram primeiro expositores previamente definidos (veja a programação ), depois abriu-se espaço para intervenções da plateia e, ao final, os expositores responderam a questionamentos.

Confira as principais falas dos expositores previamente definidos para cada mesa:

MESA 1: EVENTOS DE MILHO E SOJA GENETICAMENTE MODIFICADOS TOLERANTES AO HERBICIDA 2,4-D

Mario Gisi, subprocurador-geral da República e coordenador da 4ª Câmara de Coordenação e Revisão do MPF
“Precisamos tornar público o trabalho que é desenvolvido na CTNBio, pensando no papel que o órgão está desempenhando e se está desempenhando adequadamente”

Ivo Marcos Carraro, representante da Confederação Nacional da Agricultura (substituiu a senadora Kátia Regina de Abreu)
“Temos um desafio: produzir alimentos e preservar o meio ambiente juntos, sem dicotomia. Temos que resolver essa equação”
“Com tecnologia e aumento de produtividade, ajudamos a preservar a natureza, entre outros, porque há menos desmatamento”

Leonardo Melgarejo, representante do Ministério do Desenvolvimento Agrário na CTNBio
“Não temos elementos suficientes para essa aprovação. Pelo contrário, temos elementos que sustentam que essa decisão está equivocada”
“A Dow [AgroSciences] fez pesquisas apenas em dois municípios, portanto não cobrem uma das normas básicas da CTNBio, que é o estudo em todos os biomas brasileiros. Precisamos de mais estudos e mais detalhados, em situações de estresse em todos os ambientes do Brasil em que vão ser utilizadas as sementes”

William José da Silva, pesquisador na Dow AgroSciences, uma das empresas que pede a liberação das sementes
“Não haverá aumento do nível de resíduo de 2,4-D nas culturas de soja e milho com o uso desta tecnologia. Além disso, a aplicação será tratorizada, não aérea”
“Não existem evidências biológicas de interações químicas entre os produtos de degradação”
“Interação entre os herbicidas: não existem interações químicas como potencialização ou aditivação entre 2,4-D, glifosato e o glufosinato de amônia”
“Os estudos realizados há mais de dez anos evidenciam a segurança dessa tecnologia”

Rubens Nodari, professor e pesquisador da Universidade Federal de Santa Catarina 
“Os dossiês são preparados pelos proponentes das tecnologias e a maioria dos estudos não são publicados. Somente os membros da CTNBio têm acesso e, mesmo assim, algumas partes ainda são sigilosas.”
“Não permite que pesquisadores independentes tenham acesso”
“É necessário desenvolver ações que garantam a análise completa dos resíduos nos alimentos”
“Devemos suspender tudo que está aí e repensar as formas de utilização dessa tecnologia”
“Estudos gerais sobre agrotóxicos mostram que, em um primeiro momento, há um declínio no uso de agrotóxicos, mas, passado um tempo, esse uso aumenta”

MESA 2 – REAVALIAÇÃO TOXICOLÓGICA E PERSPECTIVAS DE AUMENTO DO USO DO 2,4-D NO BRASIL

Jesus Aparecido Ferro, professor da Universidade Estadual Paulista Julio de Mesquita Filho
“Li estudos sobre a reação da utilização do herbicida 2,4-D em solo e ele foi considerando biodegradável e não persistente”

Karen Friedrich, pesquisadora e toxicologista da Fiocruz
“Existem vários estudos divulgados em revistas e publicações científicas que apontam danos ambientais provocados pelo contato com o 2,4-D. Foi comprovado que ele causa efeitos tóxicos como alterações genéticas e desregulação hormonal. Uma série de danos são possíveis de acontecer: alterações respiratórias e imunológicas, além de diversos tipos de câncer”

Ana Maria Vekic, gerente-geral de Toxicologia da Anvisa 
Explicou os critérios para avaliação de estudos toxicológicos na liberação de um novo agrotóxico. “O que se consome hoje no Brasil é 20,6% daquilo que seria preocupante. Mesmo se as sementes forem liberadas, não será necessário aumentar o limite regulatório do que pode ser ingerido pela população, pois mesmo com o aumento do uso do 2,4-D, o limite de consumo é aceitável. Se forem superadas todas as questões de registro, é preciso fazer o monitoramento e a rastreabilidade dos danos e, assim, tomar outras providências, se necessário”

Luiz Cláudio Meirelles, pesquisador em Saúde Pública da Fiocruz
“Fui gestor na Anvisa e, pela experiência que tenho, o 2,4-D já deveria ter sido banido. Esse herbicida é hoje o segundo mais vendido no Brasil, conforme relatório do Ibama. Os motivos da liberação, em 2006, do herbicida 2,4-D é que foi pouco discutido. Ele foi reavaliado por inúmeros motivos, como reavaliações internacionais do 2,4-D e ação civil pública no Estado do Paraná. Não existe hoje o controle de resíduos de 2,4-D em alimentos. Essa é uma dívida do governo que não faz estudos e acompanhamentos suficientes”

MESA 3 – O PAPEL DA COMISSÃO TÉCNICA NACIONAL DE BIOSSEGURANÇA NA SOCIEDADE

Flavio Finardi, presidente da CTNBio
“Temos seguido a Lei de Biossegurança: nós fazemos a avaliação técnica e estabelecemos normas de pesquisa relativas a OGMs e seus derivados. Não podemos avançar além disso”
“Também quanto aos aspectos de biossegurança de OGM e seus derivados, a própria lei delega a outras instituições, como Anvisa e Ibama, a fiscalização dos produtos que são liberados pela CTNBio e aceitos pelo CNBS [Conselho Nacional de Biossegurança]”

Solange Teles, membro da CTNBio e professora da Universidade Mackenzie
“A CTNBio tem, sim, que estimular o avanço científico, que pensar na proteção da vida, das variedades vegetais da biodiversidade e lutar pela aplicação do princípio da precaução, no entanto, tem uma atuação nem sempre tão fácil”
“Há muita dificuldade de consenso. Porque não é só uma questão de técnica. São decisões que têm um cunho político também”
“Poderiam ser divulgadas as degravações das reuniões da CTNBio”

Pablo Rubén Mariconda, professor e pesquisador da Universidade de São Paulo
“A CTNBio não tem competência técnica para avaliar as consequências sociais e ambientais que o herbicida 2,4-D pode causar na sociedade, mas ela será eticamente responsável por prováveis danos”

Ruy de Araújo Caldas, assessor especial do ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação
“Seria ideal a criação de um núcleo de pesquisa e desenvolvimento de agrotóxicos na Embrapa, com base genômica e proteômica, além do desenvolvimento de projetos de pesquisa e programas para formação de especialistas em monitoramento do uso do 2,4-D”

Saiba mais – A CTNBio é uma instância colegiada multidisciplinar, criada por lei em março de 2005 para prestar apoio técnico ao governo federal em relação à Política Nacional de Biossegurançarelativa a organismos geneticamente modificados. Atualmente, está em tramitação na comissão processos que visam à liberação comercial de sementes transgênicas de milho e soja resistentes ao herbicida 2,4-D.

Recentemente, o MPF solicitou à CTNBio que suspendesse qualquer deliberação sobre a liberação comercial de sementes transgênicas resistentes a agrotóxicos até que sejam realizadas audiências públicas e estudos conclusivos sobre o impacto da medida para o meio ambiente e a saúde humana. Além disso, o MPF apura, por meio de inquérito civil, possíveis ilegalidades na liberação comercial, pela CTNBio, de sementes de soja e milho geneticamente modificadas que apresentam tolerância ao agrotóxico 2,4-D e a outros herbicidas.

Glossário
Herbicida: substância (agrotóxico) empregada na destruição de ervas daninhas.
2,4D: é um tipo de herbicida específico para combater ervas daninhas de folha larga.
Organismo Geneticamente Modificado (OGM): são organismos manipulados geneticamente para que se obtenham características desejadas.
Assessoria de Comunicação
Procuradoria da República no Distrito Federal
(61) 3313-5460/5458
twitter.com/MPF_DF

Não há previsão para votação de sementes resistentes a agrotóxicos, diz presidente da CTNBio

13, dezembro, 2013 Sem comentários

Mariana Branco

Repórter da Agência Brasil, 13/12/2013

Brasília – Não há previsão para a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) colocar em votação a liberação comercial de sementes de milho e soja resistentes ao herbicida do tipo 2,4-D, informou hoje (12) o presidente do colegiado, Flávio Finardi. De acordo com ele, o processo de autorização, previsto em lei para durar 90 dias, está atrasado em mais de um ano.

O motivo são os questionamentos levantados sobre a segurança da comercialização das sementes, que são transgênicas, já que há o temor de que possam estimular o aumento do consumo do defensivo, o que pode causar danos à saúde humana e ao meio ambiente.

Finardi admite que há resistência à conclusão da análise dentro da própria CTNBio, composta de especialistas e representantes de ministérios do governo federal e órgãos públicos. Segundo ele, alguns membros estão protelando a entrega dos pareceres necessários à votação. O Ministério Público Federal fez hoje (12) audiência pública para debater a segurança da liberação das sementes e a adequação do próprio 2,4-D à utilização nas lavouras, já que há suspeita de que possa ser lesivo à saúde e ao meio ambiente.

O procurador da República Anselmo Henrique Cordeiro Lopes instaurou inquérito civil este ano para averiguar as duas questões e quer que a CTNBio faça um estudo das sementes abrangendo os eventuais perigos do 2,4-D. De acordo com Flávio Finardi, no entanto, isso não é possível. “Não podemos extrapolar nossa competência prevista em lei”, disse. O registro de agrotóxicos no Brasil compete à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Na audiência pública, pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz defenderam que o agrotóxico é danoso e que a Anvisa faça uma reavaliação da permissão. A última revisão foi feita em 2006 e a substância foi mantida. Flávio Finardi acha improvável que ela seja suspensa no Brasil. “O Canadá, os Estados Unidos e o Japão acabaram de fazer reavaliação e decidiram mantê-la”, disse.

Mario Von Zuben, diretor de Relações Institucionais da Dow Agrosciences, multinacional que submeteu o milho e a soja transgênicas à aprovação da CTNBio, rebateu o argumento de que as sementes aumentarão o uso do 2,4-D. “Se o agricultor usar acima do que vem usando, haverá custo. [A aplicação de agrotóxico] é feita seguindo critérios técnicos. Assim como o médico receita um remédio, há um receituário agronômico. Isso tem que ser seguido, não é algo que se possa utilizar como bem entender”, afirma.

Ele defende que, se o agricultor continuar unicamente dependente da tecnologia atual, de sementes resistentes ao herbicida glifosato, haverá aumento no uso de agrotóxicos pelo fato de as culturas desenvolverem tolerância e necessitarem cada vez mais da substância. Após a audiência pública, equipes técnicas do Ministério Público Federal vão redigir pareceres. A partir desse material, o órgão vai decidir os próximos passos com relação ao 2,4-D e às sementes resistentes ao agrotóxico.

De acordo com relatório no site da Embrapa, o herbicida do tipo 2,4-D é encontrado no mercado em diferentes formulações e marcas comerciais, conferindo ao produto características distintas quanto à seletividade, volatilidade, toxicidade e persistência no ambiente. O mecanismo de ação provoca divisão descontrolada das células da erva daninha. Segundo o documento, foi o primeiro herbicida seletivo descoberto para o controle de plantas latifoliadas.

Edição: Davi Oliveira

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