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Conheça os impactos por trás da fusão entre Monsanto e Bayer

23, setembro, 2016 Sem comentários

Pulsar Brasil, 19/07/2016

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O anúncio da compra da norte-americana Monsanto pela alemã Bayer na semana passada trouxe um alerta para o perigo que a fusão de grandes empresas do setor agroquímico pode causar para o meio ambiente e saúde da população.

O negócio, orçado em 66 bilhões de dólares, cria a maior fornecedora de químicos e sementes agrícolas do mundo. Com um histórico de forte lobby político,  manipulação de pesquisas científicas e prejuízo aos pequenos agricultores, a Monsanto se consagrou, ao longo de 115 anos de existência, como uma das mais danosas corporações do mundo.

Com a fusão ocorrida na última quarta-feira (15) entre Bayer e Monsanto e considerando apenas o mercado de plantas transgênicas, as corporações terão, juntas, o controle de mais de 90 por cento do setor, se classificando como um dos maiores monopólios do mundo.

A Pulsar Brasil conversou com o agrônomo e consultor técnico da AS-PTA agricultura familiar e agroecologia, Gabriel Fernandes, para entender o risco  que  a fusão das duas empresas pode gerar no mercado agrícola. (pulsar)

Confira a entrevista

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Para Kátia Abreu, se é Bayer, é bom

6, novembro, 2015 1 comentário
Katia Bayer

Ministra da Agricultura Kátia Abreu, ao lado do presidente da Embrapa Mauricio Lopes, inaugura laboratório de agrotóxicos da Bayer (04/11). Na ocasião a ministra falou em preconceito com relação aos agroquímicos no Brasil

 

Ministério da Agricultura, 04/11/2015

 

Katia Abreu participa de inauguração de laboratórios em São Paulo

 

Ministra representou a presidenta Dilma Rousseff na solenidade

A ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Kátia Abreu, disse nesta quarta-feira (4) que existe preconceito em relação ao uso de agroquímicos. “Isso só será vencido se nos unirmos à ciência, que é objetiva e cristalina”, assinalou ela, ao defender o emprego desses produtos na lavoura. Kátia Abreu representou a presidenta Dilma Rousseff na inauguração de dois novos laboratórios da Bayer CropScience, na cidade de Paulínea, em São Paulo, quando falou sobre a necessidade de o setor atuar estrategicamente para combater esse preconceito.

“Virá uma campanha muito organizada contra o uso do agroquímico”, comentou a ministra. Ela citou vários dados que demonstram que o Brasil é um país com uma das legislações mais severas em relação ao uso de agroquímico. “Temos uma lei que proíbe o registro de qualquer produto com características carcinogênicas”, afirmou.

A ministra citou que o sistema Agrofit, acessado pelo portal do Mapa, tem relacionado 2.500 pragas cadastradas e 475 pragas chamadas quarentenárias ou exóticas, que não existem no país. Lembrou, ainda, os trabalhados de pesquisa e inovação realizados pela Embrapa. “Há 40 anos, o Brasil era um importador de alimentos. Agora, exportamos alimentos e frutas para países europeus, que atestam a qualidade e sanidade quando compram produtos brasileiros.”

Durante sua palestra, a ministra rebateu críticas de que os agroquímicos são prejudiciais à saúde, como foi citado ontem em um programa de televisão. Ela se referiu à cidade cearense de Limoeiro do Norte, apontada pelo programa como detentora de um dos maiores índices de câncer, para afirmar que os dados estatísticos comprovam que esse município está abaixo do índice nacional. Da mesma forma, relacionou a cidade de Lucas do Rio Verde, no Mato Grosso, também citada por seu alto índice de casos de câncer.

“A lei brasileira proíbe o registro de qualquer produto com características carcinogênicas”, afirmou. “Precisamos tratar esse assunto com seriedade”, sugeriu a ministra, ao defender uma ação estratégica do setor para vencer o preconceito contra os agroquímicos. Lembrou que muitas pessoas falavam que a produção agropecuária iria “dilacerar” o bioma da Amazônia. “Fizemos o Código Florestal, que antes era ameaçador e agora é citado como referência de uma legislação séria.”

Obs: Matéria atualizada às 19h06.

Mais informações para a imprensa:
Assessoria de comunicação social
imprensa@agricultura.gov.br

Apicultores processam Syngenta e Bayer no Canadá

18, setembro, 2014 Sem comentários

adaptado de The Globe and Mail, 03/09/2014.

Apicultores de Ontario ingressaram na Justiça com uma ação contra duas gigantes do agronegócio alegando que seus agrotóxicos têm causado ampla mortalidade das abelhas, aumentando os custos e reduzindo a produção de mel.

Segundo a associação de apicultores de Ontario, Syngenta e Bayer foram negligentes no desenvolvimento, comercialização e distribuição dos produtos à base de neonicotinóides, que são usados nos plantios de milho e soja, entre outros.

Na ação os autores pedem indenização de 450 milhões de dólares pelos danos sofridos e pela perda de enxames.

 

Pesticidas que matam insetos também estão diminuindo a população de aves, alerta estudo

16, julho, 2014 Sem comentários

Se é Bayer…

O Globo, 10/07/2014

Cientistas holandeses mostraram que número de espécies diminuiu, com o aumento do uso de neonicotinoides

Um polêmico pesticida que se tornou um dos mais utilizados no mundo foi, pela primeira vez, associado diretamente à redução do número de aves em áreas agrícolas. Cientistas mostraram que a população de 15 espécies que se alimentam de insetos, como andorinhas e estorninhos, têm diminuído significativamente na Holanda, ao longo dos últimos 20 anos, com o aumento do uso de pesticidas neonicotinoides, ou neônicos, que começaram a ser utilizados nos anos 1990.

Segundo os pesquisadores, os resultados sugerem que os neonicotinoides, que também são associados à diminuição do número de abelhas e outros insetos polinizadores, pode ter impactos ainda mais negativos sobre o meio ambiente, em relação ao que já se acreditava.

O estudo é o primeiro a encontrar uma correlação direta entre o produto, fabricado pela empresa alemã Bayer Cropscience, e o declínio de aves. A expectativa é que os resultados aumentem a pressão sobre o governo do Reino Unido para mudar sua postura tolerante em relação a neonicotinoides, considerados, até então, seguros para o meio ambiente.

Ecologista da Universidade de Radboud, na Holanda, Caspar Hallmann disse que havia uma ligação forte e estatisticamente significativa entre os níveis de concentrações de uma substância química chamada imidacloprida, encontrada em águas de superfície, e o registro de diminuição de diversas espécies de aves, como a toutinegra, cotovias e tordos, compilado anualmente por ornitólogos.

– Em locais onde a concentração de imidacloprida na água passa de 20 nanogramas por litro, as populações de aves tendem a diminuir em 3,5%, em média, a cada ano. Isto significa que, dentro de dez anos, 30% da população dessas aves estaria em declínio – disse ele. – Esta não é, definitivamente, a prova de que o produto causa as mortes. No entanto, há uma linha de evidência sendo construída para explicar o que está acontecendo. Sabemos que o número de insetos também caiu nestas áreas e que os mesmos são um alimento importante para estas aves.

No mês passado, um grupo de pesquisadores analisou centenas de estudos publicados sobre neonicotinoides e descobriu que estavam ligados ao declínio de uma grande variedade de vida selvagem – de abelhas a minhocas e borboletas – que não são as pragas-alvo dos inseticidas.

O estudo mais recente, publicado na revista Nature, procurou analisar as variações das populações de uma grande variedade de espécies de aves em diferentes zonas da Holanda, antes e depois da introdução do imidacloprida em 1995.

– Também levamos em consideração outros fatores que possam estar relacionados ao declínio destas aves. Mas nossa análise mostra que o imidacloprida foi de longe o melhor fator explicativo para as diferentes tendências registradas nas áreas – disse o professor Hans de Kroon of Sovon, do Centro Holandês para Campo Ornitologia, que supervisionou a pesquisa.

– Os neonicotinóides sempre foram considerados toxinas seletivas. Mas nossos resultados sugerem que eles podem afetar todo o ecossistema. Este estudo mostra o quão importante é ter bons dados de campo, e analisá-los com rigor – disse o professor de Kroon.

Os pesquisadores não conseguiram encontrar um declínio comparável em aves antes da introdução do imidacloprida e não foram capazes de vincular os declínios em aves a mudanças nos métodos de cultivo ou uso da terra. Eles acreditam que a explicação mais provável é que os neonicotinóides estão causando escassez de alimentos para as aves que comem insetos, especialmente quando estão alimentando seus filhotes.

A União Europeia introduziu uma moratória de dois anos sobre determinados usos de neonicotinóides. No entanto, estes pesticidas são amplamente utilizados no tratamento de sementes para cultivos aráveis. Eles são criados para serem absorvidos pela muda em crescimento e são tóxicos para o sistema nervoso central de pestes que prejudicam o plantio.

Ao comentar o assunto, representantes da Bayer disseram que a pesquisa não apresenta argumentos aceitáveis.

 

 

Justiça proíbe venda de milho transgênico da Bayer no Norte e Nordeste

17, março, 2014 Sem comentários

Agência Brasil, 13/03/2014

O Tribunal Regional Federal da 4ª Região proibiu a venda do milho transgênico Liberty Link, produzido pela Bayer, nas regiões Norte e Nordeste do país. A venda só poderá ocorrer após estudos serem apresentados à Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio). O relator da decisão, desembargador Alfredo Silva Leal Júnior, destacou que não foram feitas pesquisas suficientes e que, por terem diferenças em seus ecossistemas, as duas regiões deveriam ter sido analisadas de acordo com suas características específicas.

“Os estudos não foram feitos em todos os biomas brasileiros e nem tiveram abrangência geográfica capaz de dar conta dos aspectos relacionados à saúde humana, à saúde dos animais e aos aspectos ambientais em todas as regiões brasileiras. Não é possível escolher apenas alguns pedaços do território nacional, segundo a conveniência comercial ou o interesse econômico do interessado para as pesquisas sobre a biossegurança do milho transgênico”, destacou Leal Júnior em sua decisão.

A sentença refere-se a uma ação civil pública ajuizada em 2007 contra a União pela Assessoria e Serviços a Projetos em Agricultura Orgânica (AS-PTA), Associação Nacional de Pequenos Agricultores, Terra de Direitos e Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec). Na ocasião, as entidades argumentaram que os estudos feitos com milho transgênicos eram insuficientes, principalmente com relação a possíveis danos à saúde humana. A ação pedia que a comercialização fosse proibida em todo o Brasil.

 

Após uma primeira sentença proibir a venda apenas no Norte e Nordeste, as autoras recorreram. A sentença foi reformada e a comercialização acabou sendo liberada em todo o país. No entanto, como o acórdão não foi unânime, foi possível um segundo recurso, chamado embargos infringentes, que resultou na decisão atual.

Na decisão, o desembargador acatou ainda pedido das entidades de ampla publicidade dos documentos apresentados nos requerimentos de liberação comercial do milho à CTNBio. Ele terminou que a comissão edite norma quanto aos pedidos de sigilo das empresas sobre informações de interesse comercial, prevendo um prazo para analisar os dados e decidir quais devem ser resguardados. “O objetivo de proteger as informações de interesse comercial não pode impedir aos interessados, aos demais agentes públicos e à sociedade em geral o direito e informação e participação”, disse.

A assessoria de comunicação da Bayer informou que aguardará notificação oficial da decisão da Justiça para se manifestar sobre o assunto.

Veto a milho transgênico não afeta mercado

17, março, 2014 Sem comentários

Gazeta do Povo, 15/03/2014

A proibição de venda do milho transgênico Liberty Link nas regiões Norte e Nordeste do Brasil, tomada pela Justiça Federal na última quinta-feira, não terá impacto no mercado de grãos brasileiro. Apesar de aprovada pela Comissão Técnica de Biossegurança (CTNBio) desde 2008, a tecnologia desenvolvida pela Bayer Seeds ainda não é comercializada no país.

De acordo com a decisão da 2.ª Seção do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), a empresa alemã só pode comercializar o produto após realizar estudos que permitam à CTNBio certificar que a produção do cereal geneticamente modificado não é nocivo ao ecossistema do Norte e Nordeste.

Mesmo sem efeitos práticos nos negócios, o setor avalia a decisão com um retrocesso da agricultura brasileira. Para o presidente executivo da Associação Brasileira dos Produtores de Milho (Abramilho), Alysson Paolinelli, o veto implica na redução de tecnologias à disposição dos produtores.

“A variedade é cultivada nos Estados Unidos, Argentina e países da Europa. Aqui seria mais uma opção tecnológica”, aponta. Resistente ao herbicida glufosinato de amônio, o Liberty Link foi o primeiro milho transgênico aprovado no Brasil.

Em nota, a Bayer informou que não recebeu oficialmente a decisão judicial e, somente após notificada, irá se pronunciar sobre o assunto.

Bayer e Syngenta tentam derrubar proibição de inseticidas tóxicos a abelhas na Europa

22, dezembro, 2013 Sem comentários

Greenpeace Espanha, 16/12/2013.

ONGs intervêm na justiça em favor da proibição

Greenpeace Internacional, o Bee Life European Beekeeping Coordination e outras quarto organizações ambientais e de defesa dos consumidores (Pesticides Action Network Europe, ClientEarth, Buglife e SumOfUs) solicitaram intervir ante o Tribunal de Justiça da União Europeia em defesa da proibição parcial a três agrotóxicos em toda a UE, como resposta à ação judicial impetrada pelas empresas químicas Syngenta e Bayer, que querem anular a proibição. O Greenpeace considera esta proibição necessária e que deve ser ampliada dadas as evidências existentes.

“A Bayer e a Syngenta lançaram seus advogados para atacar uma proibição que é cientificamente rigorosa, juridicamente correta e que ajuda a proteger os interesses gerais dos agricultores e dos consumidores europeus. A proibição parcial destes três inseticidas é só um primeiro passo, mas necessário, para proteger as abelhas na Europa. Deve ser defendida dos ataques das empresas que perseguem seus interesses particulares em detrimento do meio ambiente”, afirmou Marco Contiero, diretor de Política Agrícola da UE do Greenpeace.

proibição, que entrou em vigor em 01 de dezembro, recai sobre três inseticidas produzidos pela Syngenta (tiametoxam) e Bayer (imidacloprido e clotianidina) que pertencem a uma classe de substâncias químicas conhecida como neonicotinoides. A Comissão Europeia adotou a proibição baseando-se nas avaliações científicas da Autoridade Europeia de Segurança Alimentar (EFSA, na sigla em inglês) que demonstram os impactos negativos destes inseticidas sobre as abelhas. A proibição recebeu um forte apoio político dos governos da UE.

O Greenpeace Internacional publicou em 16 de dezembro os resultados de um estudo científico piloto de campo que proporciona uma prova mais sobre as vias de exposição das abelhas à contaminação. O estudo mostra que a água exudada por plantas cujas sementes tenham sido tratadas com certos neonicotinoides contêm concentrações muito altas destes inseticidas, o que dá lugar a uma exposição potencialmente mortal para as abelhas que bebem este líquido, denominado água de gutação. (…)

CADE vai ou não barrar monopólio sobre as sementes?

16, julho, 2013 Sem comentários

As patentes sobre a soja RR já expiraram e agora a Monsanto se prepara para mudar para a soja RR2 seu monopólio. Para isso buscar contratos com Bayer, Syngenta, Nidera, Coodetec e Don Mario Sementes. Essas empresas incluiriam nas suas variedades os genes da soja RR2.

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VALOR ECONÔMICO, 16/07/2013

Cade pode reavaliar licença concedida pela Monsanto à Bayer

Por Thiago Resende | De Brasília

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) pode reavaliar a concessão de licença pela Monsanto para que a Bayer CropScience (divisão agrícola da múlti alemã) reproduza sua nova variedade de soja transgênica.

No início do mês, uma decisão da Superintendência Geral do Cade permitiu que a operação fosse realizada sem a necessidade de notificação ao órgão antitruste. Mas a decisão poderá ser suspensa para que o negócio seja analisado novamente, desta vez, pelo plenário do órgão.

Os conselheiros vão definir se as empresas devem submeter à aprovação do Cade contratos que envolvam transferência de tecnologia antes que sejam válidos no mercado.

O contrato entre Monsanto e Bayer CropScience permite que a companhia alemã reproduza a tecnologia batizada comercialmente de Intacta RR2 Pro em suas variedades de soja no Brasil. As sementes Intacta possuem duas modificações genéticas, que protegem a planta do ataque de lagartas e a tornam resistente à aplicação do herbicida glifosato.

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Etanol celulósico é crucial para atender a demanda

5, junho, 2013 Sem comentários

Valor Econômico, 05/06/2013

A demanda brasileira por etanol só poderá ser atendida ao longo desta década se o país fizer deslanchar a produção do etanol celulósico – o chamado etanol de segunda geração -, afirmou o empresário Bernardo Gradin, no seminário “agricultura como Instrumento de Desenvolvimento Econômico”, realizado ontem pelo Valor e pela Bayer CropScience, braço agrícola da multinacional alemã, em São Paulo.

Citando projeções da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), o executivo disse que o consumo de etanol saltará dos atuais 22 bilhões de litros para algo entre 47 bilhões e 68 bilhões de litros em 2020. Nessas estimativas, a Unica considera que os carros flex representarão entre 80% e 85% da frota do país. “Mas o etanol de primeira geração não vai conseguir suprir essa demanda”, afirmou Gradin.

Gradin é um dos fundadores da GranBio, empresa que detém um megaprojeto de produção de etanol celulósico. A companhia é uma das maiores apostas dos Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES)* para tornar viável economicamente a produção de etanol de segunda geração. A empresa está construindo uma unidade de etanol celulósico no Estado de Alagoas. Com previsão de entrar em operação em fevereiro de 2014, a planta terá capacidade para produzir 82 milhões de litros de etanol por ano, segundo o empresário. Trata-se da maior unidade voltada à produção de etanol celulósico do país.

Bernardo Gradin acredita que o etanol de segunda geração terá viabilidade econômica num prazo relativamente curto – de três a cinco anos. “A tecnologia já está mais presente do que os formuladores de políticas públicas pensam”, disse o empresário.

Nesse contexto, projeta ele, o biocombustível de segunda geração contribuirá com um aumento de 45% na produção de etanol. O executivo faz esses cálculos considerando uma colheita de 80 toneladas de cana por hectare. Atualmente, essa quantia é capaz de produzir 3,3 mil litros de etanol. Com o celulósico, o bagaço dessa mesma cana produziria 500 litros, enquanto que a palha da cana contribuiria com mais 1,1 mil litros.

Mas o otimismo do fundador da GranBio não é compartilhado por Pedro Mizutani, vice-presidente de etanol, açúcar e bioenergia da Raízen (joint venture entre Cosan e Shell), líder na produção de açúcar e etanol no país. Segundo ele, a tecnologia pode levar até dez anos para se tornar viável, uma vez que os custos, principalmente de enzimas, ainda são impeditivos. (LHM)

* Não custa lembrar outra grande aposta como essa em que o Estado brasileiro injetou muito dinheiro e o resultado final foi parar na mão da Monsanto:

Ministro Sérgio Resende critica venda de Alellyx e Canavialis para a Monsanto

“Não sei quanto a Votorantim colocou nessas empresas ao longo desses anos, mas o setor público colocou muito dinheiro”, disse Rezende. “A venda para qualquer grupo estrangeiro é decepcionante. Como é que eles foram vender duas jóias como essas, tão importantes para o País?”

Segundo Rezende, a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), aprovou R$ 49,4 milhões em subvenção econômica (investimento a fundo perdido) para pesquisas nas empresas nos últimos três anos – dos quais R$ 6,4 milhões já foram desembolsados. “São duas empresas que receberam investimentos do governo e, justo quando esse investimento estava amadurecendo, foram vendidas por um preço bastante módico”, disse. A venda para a Monsanto foi fechada por US$ 290 milhões (R$ 616 milhões).

O investimento público já desembolsado representa cerca de 6% do que foi investido pela Votorantim nas empresas – entre R$ 95 milhões e R$ 100 milhões. Os convênios com a Finep foram firmados por meio de editais públicos, em que muitas empresas foram beneficiadas. (…)

O Estado de S. Paulo, 05/11/2008.

Parcerias entre rivais marcam investimento em transgênicos

3, junho, 2013 Sem comentários

VALOR ECONÔMICO, 03/06/2013

Por Gerson Freitas Jr. | De São Paulo

Com a patente do primeiro transgênico de soja prestes a vencer – e, com ela, a hegemonia da tecnologia Roundup Ready (RR), da Monsanto – o mercado de sementes geneticamente modificadas aponta para o acirramento da concorrência entre as gigantes do setor, com o lançamento esperado de uma série de novas sementes geneticamente modificadas nos próximos anos. Contudo, a nova era da transgenia impõe uma lógica aparentemente estranha ao mercado: para sobreviver à disputa, as rivais vão ter, cada vez mais, de cooperar em si.

O fenômeno não é novo, mas vem ganhando força: desde o fim do ano passado, o mercado tomou conhecimento de pelo menos cinco acordos de cooperação nas áreas de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) e comercialização em nível global, envolvendo as americanas Monsanto, DuPont e Dow AgroSciences, a alemã Bayer CropScience e a suíça Syngenta. Juntas, essas empresas buscam racionalizar custos, acelerar o desenvolvimento e assegurar acesso a mercado para seus novos produtos.

A tendência é favorecida pela própria natureza desse negócio – sobretudo no atual estágio de evolução da tecnologia. De modo geral, as biotecnologias são complementares e não concorrentes. Um transgênico feito para resistir à aplicação de um herbicida não disputa mercado com um transgênico resistente ao ataque de insetos ou tolerante à seca. Pelo contrário, sua eficiência – e o apelo junto aos agricultores – será significantemente maior se as três características forem combinadas.

Eduardo Leduc, da Basf: união é necessária pois custo de tecnologia é grande

“As parcerias nos permitem oferecer uma gama de soluções mais ampla, abrir novos programas de pesquisa e avançar sobre a base existente. Assim aceleramos o desenvolvimento de tecnologias com horizontes diferentes”, afirma André Buran, gerente de licenciamento da Monsanto no Brasil.

Eduardo Leduc, vice-presidente sênior da unidade de Proteção de Cultivos da Basf no Brasil, afirma que o processo de descoberta, desenvolvimento e registro de um único princípio ativo ou semente geneticamente modificada pode consumir até € 250 milhões e uma década de trabalho para chegar aos consumidores, o que inviabiliza uma corrida solo. “O custo de gerar uma tecnologia é muito grande, então as empresas precisam se unir para otimizar os recursos, maximizar os lucros e garantir acesso a mercado”, afirma.

No mais emblemático dos acordos anunciados nos últimos meses, a Pioneer (divisão de sementes da DuPont) aceitou pagar US$ 1,75 bilhão em royalties à arquirrival Monsanto em troca do acesso à segunda geração de soja transgênica da companhia de Saint Louis. O pacote inclui a soja “Genuity Roundup Ready 2 Yield”, uma variedade resistente ao herbicida glifosato e com maior potencial produtivo, e a “Roundup Ready 2 Xtend”, resistente também ao herbicida dicamba. O acordo também dá à Monsanto acesso a algumas patentes da DuPont.

Brett Begemann, da Monsanto: busca de ações para complementar oferta

Em troca, as duas companhias concordaram em colocar fim a uma longa disputa sobre patentes na Justiça. “Queremos focar no mercado e fugir dos tribunais” declarou na ocasião o presidente da Pioneer, Paul Schickler, em entrevista reproduzida pela Dow Jones Newswires. Em agosto do ano passado, a DuPont havia sido condenada a pagar US$ 1 bilhão para a Monsanto por fazer testes não autorizados com a soja RR, cuja patente expira em 2014. A DuPont, por sua vez, acusava judicialmente a Monsanto de adotar práticas anticoncorrenciais.

Em abril, a Monsanto fechou ainda acordos para a troca de tecnologias com a Dow e Bayer. Em meio aos problemas crescentes com a resistência de ervas daninhas ao seu herbicida, o glifosato, a companhia tem procurado ampliar o acesso a genes que tornem as plantas resistentes a outros produtos químicos. Pela parceria firmada com a Dow, a Monsanto terá acesso à tecnologia do milho “Enlist“, um transgênico resistente ao herbicida 2,4-D. Em contrapartida, a Dow poderá licenciar uma nova tecnologia da Monsanto para o combate de pragas do milho.

O acordo é, na verdade, a segunda etapa de uma parceria iniciada em 2007, quando Dow e Monsanto deram início ao desenvolvimento do “SmartStax“, uma variedade de milho na qual as empresas “empilharam” oito diferentes tipos de genes resistentes a insetos e defensivos. “Continuamos a procurar por modos adicionais de ação que ofereçam benefícios para nossos clientes e complementem nossa oferta atual”, declarou Brett Begemann, presidente global da Monsanto.

Paul Schickler, da DuPont: com foco nos mercados e distante dos tribunais

A Monsanto também licenciou sua segunda geração de transgênicos de soja para a Bayer, que busca de todas as formas crescer no mercado de sementes e reduzir a distância em relação às principais concorrentes. “Estamos empolgados com o fato de que, com a combinação de tecnologias das duas companhias, seremos capazes de oferecer opções adicionais de controle de pragas e um pacote completo de resistência a herbicidas na soja”, declarou, em nota, Rudiger Scheitza, chefe de estratégia e gerenciamento de negócios da companhia alemã. Em troca, os alemães concederam à Monsanto licenças para avaliar tecnologias para o controle de pragas no milho e de resistência a herbicidas.

Vários desses acordos começam a render frutos. Na semana passada, Basf e Monsanto anunciaram que pretendem lançar até 2014, nos Estados Unidos, a primeira variedade geneticamente modificada de milho com tolerância à seca. O produto é fruto de um acordo nas áreas de pesquisa e desenvolvimento firmado em 2007 com o objetivo de desenvolver tecnologias nas áreas de tolerância à estiagem com investimentos conjuntos da ordem de US$ 2,5 bilhões.

A Basf também pretende colocar no mercado brasileiro, até 2014, a soja “Cultivance“, um transgênico resistente a herbicida desenvolvido em parceria com a Embrapa – empresa com quem mantém ainda acordos de cooperação nas áreas de defensivos biológicos e absorção de nutrientes. Finalmente, Syngenta e Bayer anunciaram em março que deram início ao processo de registro de uma nova soja geneticamente modificada para resistir a três diferentes herbicidas, fruto de uma parceria firmada em 2011.

Para o presidente da Embrapa, Maurício Lopes, as parcerias também são uma forma de atrair recursos privados e driblar o orçamento apertado para pesquisa. Segundo ele, dos 980 projetos atualmente em desenvolvimento pela empresa, 350 são financiados com dinheiro de fora do setor público. “Somos provavelmente a única empresa pública do mundo a ter desenvolvido e registrado um transgênico comercial, e que é fruto de uma acordo de inovação aberta”, afirma, referindo-se à parceria com a Basf.

Lopes também aposta na integração com a universidade. “Trata-se de um movimento inevitável. Nos programas mais sofisticados de pesquisa, centrados em mercados competitivos, o custo inicial de desenvolvimento é gigantesco. Para reduzir o custo, é preciso acessar o conhecimento fundamental, que é o mais caro e está na academia”. Em dezembro, a Embrapa firmou um acordo com a Unicamp para a criação de uma unidade de pesquisa mista com foco no desenvolvimento de genes destinados a melhorar a adaptação das plantas a condições climáticas desfavoráveis.

 

Justiça confirma parecer da CTNBio

8, março, 2013 2 comentários

TRF-4, 07/03/2013

O Parecer da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) que liberou a comercialização do milho transgênico Liberty Link, produzido pela multinacional Bayer Seeds, foi considerado legal pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região. O julgamento da 3ª Turma ocorreu ontem (6/3) e negou recurso de associações civis que buscavam anular a autorização para venda do produto geneticamente modificado.

A Assessoria e Serviços a Projetos em Agricultura Alternativa (AS-PTA), a Associação Nacional de Pequenos Agricultores e a Terra de Direitos, juntamente com o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor ajuizaram a ação civil pública sob o argumento de que os estudos realizados com o milho transgênico são insuficientes, em especial, acerca dos potenciais danos à saúde humana. A ação pede ainda maior acesso às informações sobre a construção genética inserida no cereal.

Segundo a relatora do processo, desembargadora federal Maria Lúcia Luz Leiria, a CTNBio proferiu decisão técnica no exercício da competência legalmente a ela atribuída e cumpriu todas as exigências legais do procedimento administrativo.

“A decisão técnica do CTNBio é ato administrativo com forma e conteúdo disciplinados por lei, especificamente pela Lei de Biossegurança e por sua norma regulamentadora. Da leitura do parecer vê-se que os requisitos para a higidez da norma foram cumpridos”, afirmou a desembargadora”. [Em 2007, quando a CTNBio emitiu seu parecer, Ibama e Anvisa apresentaram recursos expondo a fragilidade e deficiência dos dados apresentados pela empresa. Não foram feitos estudos nas reiões Norte e Nordeste do país, entre outras omissões]

A CTNBio pertence ao Ministério de Ciência e Tecnologia. É formada por uma equipe multidisciplinar de 27 cidadãos brasileiros de reconhecida competência técnica e tem por atribuição avaliar os pedidos de liberação comercial de Organismos Geneticamente Modificados (OGM). Suas atividades seguem as normas da Lei de Biossegurança.

Ainda cabe recurso da decisão em instâncias superiores.

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Bayer CropScience dá novo passo para crescer em sementes

7, março, 2013 1 comentário

Assim avança o controle das multinacionais sobre as sementes, que definem as estratégias de melhoramento genético e lançamento de cultivares de acordo com seus interesses na venda de insumos. Restam cada vez menos opções para os agricultores.

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VALOR ECONÔMICO, 07/03/2013

Por Gerson Freitas Jr. | De São Paulo

A Bayer CropScience anunciou ontem mais um passo em sua estratégia para crescer em sementes de soja no Brasil – um mercado no qual ainda é incipiente.

A múlti alemã oficializou a aquisição do banco de germoplasma da Agropastoril, de Cascavel (PR), e um acordo para comprar a unidade de sementes de soja da Agrícola Wehrmann e a sua divisão de melhoramento genético (a Wehrtec), com sede em Cristalina (GO). A multinacional não revelou quanto desembolsou nos dois negócios.

A Bayer CropScience já havia adquirido outras duas companhias de perfil semelhante – a CVR, em 2010, e a Soytech, no ano seguinte. Com isso, a múlti tenta criar um banco de germoplasma que a permita acelerar o desenvolvimento de novas variedades e a sua pesquisa com transgênicos.

Desde que decidiu entrar no mercado de sementes, hoje dominado por Monsanto, DuPont e Syngenta, há apenas quatro anos, a gigante do setor químico elegeu como prioridades os mercados de soja e trigo, o que colocou o Brasil no centro de sua estratégia global.

“A área plantada com soja no Brasil deve alcançar cerca de 40 milhões de hectares até 2020, ante 28 milhões cultivados na última safra”, justificou o presidente da Bayer CropScience para a América Latina, Marc Reichardt, em entrevista ao Valor.

“Temos planos muito ambiciosos para expandir e finalmente ser um líder em sementes de soja no Brasil. Estamos muito bem posicionados para isso”. Segundo o executivo, a empresa possui um amplo portfólio de produtos geneticamente modificados em processo de desenvolvimento.

Entre eles, a Bayer estuda uma variedade de soja resistente ao nematoide (verme que ataca as raízes das plantas) e plantios tolerantes a novas classes de herbicidas. Ele não revelou, porém, quando esses produtos serão submetidos a registro no Brasil.

Apenas três meses depois de assumir a cadeira de CEO global da Bayer CropScience, o irlandês Liam Condon desembarcou ontem em São Paulo para sua primeira visita ao país. “O Brasil é um dos quatro “países-alvo” [mercados considerados prioritários do ponto de vista de investimento] para a Bayer. Acreditamos que o mercado de soja vai dobrar nos próximos 20 anos e queremos participar desse crescimento”, afirmou. Estados Unidos, Índia e China são os outros países-alvo da companhia.

No ano passado, as vendas da Bayer CropScience no Brasil cresceram 38% em moeda local, para R$ 3,085 bilhões (cerca de € 1,2 bilhão). Contudo, a maior parte da receita ainda está atrelada ao mercado de defensivos agrícolas. Em 2012, o segmento respondeu por quase 80% do faturamento global de € 8,4 bilhões, enquanto a participação das sementes foi inferior a 12%.

Em 2012, a Bayer CropScience registrou um crescimento nominal de 15% (12,4% considerando os ajustes de câmbio e portfólio). O resultado foi puxado pelas vendas para América do Norte e América Latina (bloco que inclui ainda os países da África e do Oriente Médio), que cresceram respectivamente 26,5% e 18,5%, em termos nominais, seguida por Ásia, com avanço de 11,4%, e Europa, com 8%.

Embora cresça menos, a Europa ainda é o principal mercado da companhia em volume de vendas (€ 2,7 bilhões), seguida por América do Norte (€ 2,15 bilhões), América Latina (€ 2,13 bilhões) e Ásia (€ 1,3 bilhões)

“Ficamos muito felizes com esse desempenho. Foi um ano bom para o mercado, com os preços das commodities em patamares ainda elevados”, afirma Condon. Para 2013, pondera o executivo, o cenário é menos favorável. Segundo ele, os mercados de defensivos e sementes tendem a desacelerar ao longo do ano. “A expectativa é que cresçamos apenas um dígito ao ano”. “Estamos falando de um setor cíclico. Tivemos dois anos de crescimento na casa dos dois dígitos, o que é inédito, então achamos que em algum momento o mercado vai desacelerar”, afirma Condon.

Segundo ele, o mercado ainda deve se manter aquecido no primeiro semestre, mas pode perder força no segundo, caso a previsão de uma safra recorde nos Estados Unidos se confirme. “Se isso acontecer, os preços das commodities tendem a cair, o que pode desestimular os investimentos por parte dos produtores”, explicou.

Condon ponderou, no entanto, que as vendas de defensivos e sementes para a América do Sul e do Norte (sobretudo, os Estados Unidos) devem continuar a crescer de maneira acelerada, provavelmente na casa dos dois dígitos – “se o mercado concordar”. “Ainda é cedo para fazer qualquer avaliação sobre a safra americana”. “Se tivermos alguma desaceleração, será na margem”, concorda Reichardt.

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Ação contra a liberação de milho transgênico é julgada nesta quarta

5, março, 2013 Sem comentários

[veja na página da Terra de Direitos comentário sobre o julgamento de ontem, no qual dois (de uma turma de três) desembargadores deram razão aos argumentos da União, que no processo está do mesmo lado das empresas]

Terra de Direitos, 06/03/2013

Justiça Federal julga pedido de nulidade de liberação de milho transgênico

A contestação do cultivo de milho transgênico no Brasil terá novo capítulo na quarta-feira, 6 de março, com o julgamento na 3ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, no Rio Grande do Sul, da apelação originária da Ação Civil Pública (ACP) proposta em 2007 pela Terra de Direitos, Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor, a Associação Nacional de Pequenos Agricultores e a AS-PTA.

Estará em julgamento o pedido de nulidade do Parecer Técnico nº 987 de 2007, emitido pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança – CTNBio, que aprovou a liberação do milho geneticamente modificado Liberty Link, da empresa Bayer. O Parecer descumpre a Lei de Biossegurança (art. 14.) e o Princípio da Precaução no que diz respeito à previsão de riscos à saúde da população e ao meio ambiente, além de não apresentar normas para análise de riscos e negar acesso a informações do processo administrativo de liberação comercial do milho.

Para Fernando Prioste, assessor jurídico da Terra de Direitos que fará sustentação oral no julgamento em nome das entidades proponentes da ACP, a decisão da Justiça Federal coloca em jogo a seriedade dos estudos da CTNBio: “A liberação dessa variedade de milho foi feita em desacordo com regras básicas da lei, pois não foram feitos estudos de avaliação de risco do transgênico no Brasil, entre eles a possibilidade de indução de câncer. Outro ponto a ser debatido é a obrigatoriedade da CTNBio responder a questões feitas por especialistas e pela sociedade civil em audiência pública”

A partir da ACP de 2007, a CTNBio editou a Resolução Normativa 4 (RN 4), que supostamente deveria garantir a não contaminação de milhos convencionais pelos transgênicos. Apesar disso, estudos divulgados em 2012 pela Secretaria de Agricultura do Estado do Paraná – SEAB apontam a ineficácia das normas de coexistência para o milho, o que coloca em risco toda a sociedade pela falta de segurança no plantio transgênico. Em 2009, as organizações entraram com uma nova Ação Civil Pública questionando a insuficiência da norma (RN 4), mas até agora aguarda decisão judicial.

O debate acerca dos malefícios causados pelos transgênicos aos consumidores reacendeu em 2012 com o estudo do pesquisador francês Gilles-Eric Séralini, da Universidade de Caen. Em reação às constatações da pesquisa, em outubro do ano passado 25 organizações e movimentos sociais oficiaram a CTNBio, Ministério Público Federal e Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional – CONSEA e outros órgãos governamentais solicitando a reavaliação e imediata suspensão do milho geneticamente modificado NK 603, tolerante ao Glifosato (Milho Roundup Ready), de propriedade da transnacional Monsanto.

Contatos:
– Ednubia Ghisi, assessora de comunicação da Terra de Direitos
ednubia@terradedireitos.org.br | (41) 9827-5303
– Fernando G. V. Prioste, coordenador executivo da Terra de Direitos
fernando@terradedireitos.org.br | (41) 3232-4660
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UE suspeita de inseticidas por “sumiço” de abelhas

21, janeiro, 2013 1 comentário

As autoridades europeias informaram que três inseticidas há muito suspeitos de contribuir para a queda acentuada das populações de abelhas representam risco para os insetos, e defenderam que esses produtos químicos sejam submetidos a um exame mais detalhado.

Trata-se dos neonicotinoides clotianidina e imidacloprida, da Bayer, e do tiametoxam, da Syngenta. Exatamente os mesmos que aqui no Brasil o Ibama tentou restringir e depois acabou engolindo sua permissão para pulverização aérea formalizada em conjunto com o Ministério da Agricultura.

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The Wall Street Journal | Valor Econômico, 18/01/2013.

França, Alemanha, Itália e outros países europeus já proibiram ou suspenderam o uso de determinados inseticidas, conhecidos como neonicotinoides, que, segundo argumentam muitos agricultores e cientistas, são a causa principal da queda das populações de abelhas comuns. A indústria de pesticidas e outros cientistas dizem que as doenças e as mudanças ambientais é quem são os responsáveis.

A avaliação de risco, publicada anteontem, afirmava que três neonicotinoides – a clotianidina e o imidaclopride, fabricados principalmente pela Bayer, e o tiametoxam, produzido pela Syngenta – representam riscos para as abelhas por meio da presença de resíduos de terra e pesticida contaminados no néctar e no pólen. O órgão europeu vê “alto e grave risco” para as abelhas na forma pela qual os três inseticidas são aplicados a cereais, algodão, canola, milho e girassol.

Sua análise “propôs uma avaliação de risco muito mais abrangente para o caso das abelhas e introduziu, além disso, um nível mais alto de atenção na interpretação dos estudos de campo”, disse a EFSA. Mas a agência observou que não há dados para concluir que os inseticidas contribuem para o colapso das colônias de abelhas.

A Comissão Europeia, o braço executivo da União Europeia (UE), solicitará novas informações das fabricantes dos produtos químicos, disse um porta-voz da comissão. A UE está preparada para tomar “as medidas necessárias” se novos estudos revelarem a existência de ameaça definitiva imposta pelos produtos químicos às populações de abelhas, acrescentou.

Um alto executivo da Syngenta criticou o estudo. “Fica evidente para nós que a EFSA sofreu pressão política para produzir uma avaliação de risco apressada e imprópria, que ela mesma reconhece conter alto nível de incerteza”, disse John Atkin, diretor operacional da Syngenta. “Este relatório não é digno da EFSA e seus cientistas”.

A EFSA não respondeu a uma solicitação por seus comentários.

A Bayer diz que sustenta os dados anteriores apresentados aos órgãos reguladores, que demonstravam que os produtos químicos não causam danos às abelhas se usados da maneira pela qual foram aprovados na Europa. “Consideramos que os novos relatórios da EFSA não alteram a qualidade e a validade dessas avaliações de risco e os estudos subjacentes”, disse a companhia química alemã.

O Departamento de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA), que regulamenta o uso de pesticida, diz desconhecer dados que demonstrem que os neonicotinoides tenham contribuído para o colapso das colônias de abelhas. Pesquisadores do Departamento de Agricultura americano examinam a questão, mas dizem não ter encontrado prova que relacione pesticidas às mortes de abelhas.

A EPA rejeitou solicitações emergenciais de ambientalistas de que uma série de neonicotinoides seja retirada do mercado. Mas, em resposta à pressão pública, acelerou a análise periódica de segurança de produtos químicos para verificar a necessidade da adoção de restrições adicionais a seu uso.

Os grupos ambientais dizem que a EPA está se movimentando com excessiva lentidão e cogitam mover uma ação judicial para obrigar o órgão a agir. “A EPA tem um enorme problema de conformidade”, disse Jay Feldman, diretor-executivo do grupo antipesticidas Beyond Pesticides. A EPA não comentou de imediato o assunto.

Nos EUA os neonicotinoides substituíram pesticidas considerados mais perigosos, gradualmente retirados do mercado americano.

Ambientalistas pedem a suspensão de pesticidas da BAYER

17, dezembro, 2012 2 comentários

Coordinadora contra os perigos da BAYER, 17/12/2012

Ao revelar que no México se encontram 27 inseticidas altamente perigosos comercializados por Bayer, Basf e Syngenta, organizações ambientalistas enviaram carta aos executivos das transnacionais, exigindo a suspensão das vendas desses produtos “por seu impacto à saúde humana e ao meio ambiente”.

De acordo com um comunicado, “no dia internacional do Não uso de pesticidas, mais de 120 organizações e 10 mil pessoas mundialmente enviaram uma carta aos executivos das transnacionais Syngenta, Bayer e Basf, exigindo que deixem de vender pesticidas altamente perigosos à saúde humana e ao meio ambiente. Estas transnacionais fabricam, em seu conjunto, 50 inseticidas altamente perigosos que, em muitos casos, não são vendidos ou não estão registrados em seus países de origem e, no entanto, são comercializados em países da Ásia, África e América Latina”.

“A carta foi dirigida à suíça Syngenta, e as alemãs Bayer Cropscience e Basf porque elas são, em grande parte, responsáveis pelos envenenamentos e problemas ambientas causados pelos pesticidas. As três transnacionais foram beneficiadas, em 2012, com 47% das vendas do mercado mundial (seguidas das estadunidenses Monsanto, Dow e DuPont)”.

A carta foi uma iniciativa de Pestizid Aktions-Netzwerk e.V. – PAN Alemanha (rede de ação contra os pesticidas) e tem como título “Pesticidas altamente perigosos da Basf, Bayer e Syngenta. Resultados de uma investigação internacional”. Indica que há mais de 25 anos a indústria e os governos promovem o “uso seguro dos inseticidas”, no entanto, os problemas ocasionados pelos agrotóxicos continuam. Neste relatório, o PAN discrimina os produtos altamente perigosos que são divulgados em páginas eletrônicas das transnacionais em seu país e em nove países da Ásia, África e América Latina (Brasil e Argentina).

Referindo-se ao relatório, Fernando Bejarano, coordenador da Red de Acción em Plaguicidas y sus Alternativas no México (Rapam), informou que “no México encontramos 27 inseticidas altamente perigosos comercializados pela Bayer, Basf e Syngenta que estão incluídos no informe citado pelo PAN. Portanto, nos somamos à demanda internacional para que detenham sua comercialização”.


Por Juan Garciaheredia/ El Sol de México (http://www.oem.com.mx/eloccidental/notas/n2794299.htm)

Tradução: Sandra Luiz Alves

 

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