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Textos com Etiquetas ‘NK603’

A Monsanto dentro das revistas científicas

20, maio, 2013 2 comentários

FCT

Em setembro de 2012 pesquisadores franceses publicaram na revista científica Food and Chemical Toxicolgy pesquisa mostrando que ratos alimentados com o milho NK 603 da Monsanto, com e sem o herbicida glifosato, apresentaram mortalidade mais alta e frequente, sendo que as fêmeas desenvolveram numerosos e significantes tumores mamários, além de problemas hipofisários e renais. Os machos morreram, em sua maioria, de graves deficiências crônicas hepato-renais.

Pois então, a mesma Monsanto acaba de emplacar um ex-funcionário num cargo recém criado no comitê editorial da revista. Richard E. Goodman, que trabalhou para a empresa entre 1997 e 2004, é seu novo Editor Associado para Biotecnologia.

Qual a chance de que um nova pesquisa monstrando impactos dos transgênicos venha a ser publicada pela Food and Chemical Toxicolgy?

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Com informações de

The Goodman affair: Monsanto targets the heart of science

Independent Science News and Earth Open Source, 20 May 2013

Former Monsanto employee put in charge of GMO papers at journal

New article exposes industry attempts to control scientific publishing

Independent Science News and Earth Open Source, 20 May 2013

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Ainda sobre o tema, veja Confiabilidade em crise, reportagem da revista Ciência Hoje de maio.

“Por trás da aparente objetividade da literatura científica, esconde-se um universo repleto de aleatoriedade, fontes de viés e conflitos de interesse”

 

 

Monsanto ameça processar EFSA

14, março, 2013 Sem comentários

A Monsanto ameaçou processar a EFSA Agência Europeia de Segurança dos Alimentos por ter publicizado os dados usados para autorizar a comercialização de seu milho NK 603.

Em entrevista ao jornal francês Le Monde, Corinne Lepage, que é advogada e membro do Parlamento Europeu disse que é improvável que a empresa tenha sucesso no judiciário, uma vez que a legislação do bloco estipula a transparência como princípio para o tratamento de dados relativos à saúde humana e ao meio ambiente.

Fossem consistentes os estudos a empresa não estaria preocupada com sua divulgação.

Com informação do GMWatch

OGM, Alerta Mundial

8, março, 2013 Sem comentários

Vídeo apresenta o trabalho inédito realizado por pesquisadores franceses que demonstraram que o milho transgênico NK 603 da Monsanto aumenta a ocorrência de tumores em ratos e sua taxa de mortalidade.

EFSA libera dados oficiais sobre riscos de milho transgênico

7, fevereiro, 2013 Sem comentários

OGM: sem riscos!

Globo Rural, 05/02/2013

Órgão regulador da UE adota política de transparência para aprovação de organismos modificados

A Agência Europeia de Segurança Alimentar (EFSA, na sigla em inglês) passará a divulgar para cientistas interessados e o público em geral todos os dados usados na avaliação de risco de organismos geneticamente modificados. O primeiro produto atingido pela medida é o milho NK603, da Monsanto. Os dados apresentados pela empresa para obter a liberação do milho, em 2003, já estão disponíveis online (em inglês).

De acordo com nota emitida pela EFSA, a liberação marca o “lançamento de uma ampla iniciativa para facilitar o acesso aos dados” e “é parte (…) de um compromisso contínuo com a abertura”, além de responder às sugestões de uma avaliação independente para “aprofundar a transparência em seu processo de tomada de decisões”.

Citada na nota, a diretora executiva da agência, Catherine Geslain-Lanéelle, disse que, ao tornar os dados usados no processo de avaliação de riscos disponíveis para o público em geral, a EFSA espera ajudar a ciência por trás dessas avaliações a evoluir, na medida em que as informações divulgadas poderão ser usadas por pesquisadores de diferentes áreas para enriquecer a literatura sobre o assunto.

“Isso tornará as conclusões das avaliações de risco ainda mais fortes para garantir a proteção da saúde pública”, afirmou.

Câncer em ratos

A decisão de abrir a série de divulgações com o material acerca do milho NK603 foi tomada por conta da polêmica gerada ano passado, quando um estudo francês sugeriu que essa variedade estaria ligada a uma maior incidência de câncer em ratos de laboratório. O trabalho francês foi duramente criticado na comunidade científica, por conta de falhas de metodologia. Na época, a EFSA afirmou que “o projeto, a descrição e a análise do estudo, descritos no artigo científico, são inadequados” e que o trabalho francês “não tem qualidade científica suficiente para ser considerado uma avaliação de risco”.

De acordo com a revista Nature, Gilles-Eric Séralini, autor do estudo polêmico, vinha exigindo que a EFSA liberasse seus dados brutos sobre o milho e, também, sobre o pesticida glifosato, antes de divulgar os dados por trás de seu trabalho. As autoridades europeias, por sua vez, vinham cobrando de Séralini a publicação de informações mais completas.

Após a publicação dos dados oficiais sobre o milho transgênico, Séralini afirmou, de acordo com a agência de notícias France Presse, que iria liberar o material relativo à sua pesquisa, e declarou a iniciativa de transparência da EFSA uma “meia vitória”, já que as informações sobre o pesticida, ao qual o milho NK603 é resistente, não foram divulgadas. Ele também pretende processar por calúnia os críticos que o acusaram de fraude.

A agência europeia informou que o processo para a liberação de dados de outras avaliações de risco ainda se encontra nos estágios iniciais, de conversações com as partes interessadas. Críticos do uso de organismos geneticamente modificados temem que, como a parte dos dados considerada segredo comercial permanecerá secreta, as divulgações acabem tendo pouco efeito prático.

Medicina

A iniciativa da EFSA se segue ao anúncio, feito em dezembro de que a Agência Europeia de Medicamentos (EMA) estava aprofundando discussões com o setor farmacêutico para tornar mais transparentes os dados produzidos por testes clínicos.

Chamada de “política proativa de de publicação de dados” – em contraste com a chamada “política reativa”, pela qual as informações são divulgadas apenas quando solicitadas – a nova diretriz deve entrar em vigos no início de 2014.

Sua elaboração final ainda depende da preparação de relatórios de grupos de trabalho sobre questões como a proteção à privacidade dos pacientes, formatação dos dados e melhores práticas para análise de dados. Esse material deve ser apresentado até abril deste ano.

Com informações da Agência Unicamp

 

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Milho transgênico causa câncer em ratos e reacende debate

22, novembro, 2012 Sem comentários

Revista Galileu

Imagens de ratinhos com tumores imensos inundaram a Europa no fim de setembro. Os animais comeram por dois anos uma espécie de milho transgênico por pesquisadores da Universidade de Caen, na França. Primeiro estudo de longo prazo feito com a semente NK603 — uma das mais vendidas do mundo —, ele retomou com toda a força o debate sobre os riscos desse tipo de alimento.

Na pesquisa, os ratinhos foram separados em grupos que comiam só milho transgênico, milho normal com herbicida [Roundup] ou transgênico com herbicida. A mortalidade entre essas cobaias foi até 3 vezes maior, no caso das fêmeas, em comparação com os animais do grupo de controle — que comiam milho normal e nada de herbicida.

O estudo foi publicado no Food and Chemical Toxicology Review, importante publicação científica, e acompanhou os animais por 24 meses, enquanto os testes para aprovar transgênicos costumam exigir apenas 3 meses. “Os primeiros grandes tumores apareceram entre o quarto e o sétimo mês, ressaltando que o padrão atual de triagem não é adequado”, dizem os autores da pesquisa, no artigo.

Parte da comunidade científica e os fabricantes de transgênicos, é claro, questionaram as conclusões da pesquisa. Alegam, por exemplo, que ela não descreve detalhadamente a dieta normal dos ratos de controle e inclui poucos animais nesse grupo. Por isso, a Autoridade Europeia de Segurança dos Alimentos pediu mais dados aos pesquisadores para emitir uma posição definitiva.

“O relatório deixa várias questões em aberto”, diz Helaine Carrer, professora da Escola Superior de Agricultura da USP, lembrando que os transgênicos estão há quase duas décadas no mercado. “Mas as consequências que o estudo levanta são suficientemente graves e não podem ser ignoradas.”

 

A voz do dono e o dono da voz

31, outubro, 2012 Sem comentários

A CTNBio publicou em sua página eletrônica, em português e inglês, “Resposta da presidência da CTNBio aos questionamentos sobre os trabalhos de Séralini com milho transgênico“. O parecer é assinado por quatro presquisadores convocados para este fim, mas ainda não foi discutido e avaliado pelo conjunto da Comissão. Ou seja, não vale como posição da CTNBio.

É interessante notar que o parecer é anunciado por carta de 24 de outubro direcionada ao Ministério das Relações Exteriores, que em 21 de outubro pedira posicionamento da CTNBio acerca do estudo que demonstrou forte ocorrência de tumores decorrentes do consumo de milho transgênico, com ou sem o herbicida Roundup. A carta leva a assinatura do presidente Flavio Finardi Filho e informa que para responder à demanda do ministério ele “indicou em caráter de urgência uma comissão extraordinária para exame do artigo”.

Acontece que o parecer já estava pronto antes mesmo do pedido do MRE, tanto é que foi colocado na pauta da reunião realizada dia 18 de outubro. A discussão acabou sendo adiada para a próxima reunião do órgão, que será realizada em Brasília nos dias 7 e 8 de novembro. Curiosamente, Finardi agora informa que o item não entrará na pauta, conforme nota abaixo e a própria agenda divulgada pela CTNBio.

No início do mês, 30 organizações e redes da sociedade civil pediram ao governo uma reavaliação independente da autorização emitida pela CTNBio para plantio e consumo do milho NK 603 da Monsanto no Brasil.

 

Correio do Povo, 30/10/2012

p.s.: Note que o jornal ouviu duas fontes, ambas com a mesma opinião sobre o tema. Esqueceram do contraditório. A Monsanto, uma das entrevistadas, patrocina dois eventos recentes em que a CTNBio é convidada, o encontro das CIBios e o seminário do ILSI.

Por uma reavaliação do milho NK 603

29, outubro, 2012 Sem comentários

O artigo conjunto de três ex-ministras francesas de Meio Ambiente foi divulgado neste domingo pelo portal 20 minutes.

Tradução livre: Pratoslimpos

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Corinne Lepage, ex-ministra do Meio Ambiente | foto: Mychele Daniau AFP/Archives

 

Por uma reavaliação do NK603

“Nós, ex-ministras do Meio Ambiente, tomamos conhecimento da polêmica gerada a partir do estudo do professor Séralini. Nós nos somamos ao desejo manifestado pelo governo, seguindo a decisão de 2008 do conselho de ministros de meio ambiente da União Europeia, de recolocar em discussão os sistemas de avaliação de OGMs e agrotóxicos e de exigir testes de toxicidade de longo prazo, ou seja, sobre todo o ciclo de vida do animal.

É da mesma forma indispensável que sejam tornados públicos todos os estudos existentes sobre o impacto dos organismos transgênicos sobre a saúde assim como seus dados brutos (isto é, os resultados das análises) para que um verdadeiro debate científico possa ser aberto no seio da comunidade científica em seu conjunto.

Aguardando que sejam realizados novos estudos e a fim de assegurar a proteção da saúde humana, na ausência da medida de suspensão do NK603 e do Roundup, nós demandamos que sejam revisados, conforme previsto nas leis locais e nacionais, os estudos que embasaram a autorização para comercialização do NK603 e do Roundup. Para nós é indispensável que a leitura crítica feita sobre os resultados estatísticos do estudo de Séralini seja aplicada a esses estudos como forma de se assegurar sua confiabilidade estatística. Desejamos que esta análise possa ser feita por especialistas escolhidos por sua ausência de conflitos de interesses e por não terem se pronunciado anteriormente a respeito desses produtos.

Por fim, reforçamos nossa ligação com o princípio da precaução, que deve levar em consideração a presunção de não toxicidade desses produtos.”

Corinne Lepage
Ancienne ministre de l’Environnement
Deputée européenne

Ségolène Royal
Ancienne ministre de l’Environnement
Présidente de la Région Poitou Charentes

Dominique Voynet
Ancienne ministre de l’Environnement
Maire de Montreuil

 

Voir l’interview de Corinne Lepage, par ici

CTNBio revisa licença do milho transgênico

25, outubro, 2012 2 comentários

Correio do Povo, 25/10/2012

A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) irá avaliar, na reunião do dia 7 de novembro, o pedido de suspensão do plantio, comercialização e consumo do milho transgênico (NK603), da Monsanto, e de outras cinco variedades que incorporaram a tecnologia. O requerimento é assinado por 30 entidades, entre elas a Associação Nacional dos Procuradores da República e o Instituto Nacional da Defesa do Consumidor, além de movimentos sociais do campo (MPA e MST). O alerta quanto a possíveis ‘danos irreparáveis à saúde humana e à segurança alimentar’ vem um mês após publicação de estudo de pesquisadores da Universidade de Caen, na França, que associa o consumo do grão ao câncer em ratos. O documento, também enviado à Casa Civil, Secretaria-Geral da Presidência, Anvisa e Consea, considera inadmissível que pesquisas de relevância à saúde sejam conduzidas apenas pelas empresas proponentes de pedidos de liberação de transgênicos. A Rússia suspendeu a importação, e a França avalia o tema.

Membro da CTNBio, Leonardo Melgarejo, representante do Ministério do Desenvolvimento Agrário, espera que o NK603 seja vetado. Segundo ele, que votou contra a tecnologia em 2008, assim como o Ministério da Saúde, tanto os estudos apresentados na época quanto os disponíveis hoje não são suficientes para atestar segurança ao consumidor. ‘As pesquisas são de curto prazo, não levam em conta o impacto das condições de estresse nas plantas e ignoram os resíduos do herbicida glifosato.’

O presidente da Abramilho, ex-ministro da Agricultura Alysson Paolinelli, disse que os prejuízos serão enormes caso a suspensão ocorra, já que 90% da safra é transgênica. Procurada, a Monsanto limitou-se a criticar a credibilidade do estudo francês.

 

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Entidades pedem a suspensão do milho transgênico NK 603 da Monsanto

23, outubro, 2012 2 comentários

IDEC, 22/10/2012

Estudo comprovou maior incidência de câncer e morte em ratos alimentados com transgênicos; produto amplamente utilizado no Brasil foi liberado em 2008, com base em estudos de curto prazo

O Idec assinou junto a outras entidades um ofício de urgência pedindo a suspensão da liberação comercial do milho trangênico NK603 no Brasil após a publicação do primeiro estudo de longo prazo sobre os efeitos do produto no organismo.

Confira a íntegra do documento.

Realizado na Universidade de Caen, na França, o estudo foi realizado ao longo de dois anos com 200 ratos de laboratório. Os ratos foram separados em três grupos, cada um alimentado de maneira diferente: apenas com milho NK603, com milho NK603 tratado com Roundup (o herbicida mais utilizado do mundo) e com milho não alterado geneticamente tratado com Roundup. Tanto o milho quanto o herbicida são propriedade do grupo americano Monsanto.

O milho em questão foi autorizado no Brasil em 2008 e está amplamente disseminado nas lavouras e alimentos industrializados. O Roundup é também largamente utilizado em lavouras brasileiras, sobretudo as transgênicas.

Os resultados revelaram mortalidade mais alta e frequente quando se consome esses dois produtos. As fêmeas desenvolveram numerosos e significantes tumores mamários, além de problemas hipofisários e renais. Os machos morreram, em sua maioria, de graves deficiências crônicas hepato-renais. O estudo foi publicado no dia 19/9 em uma das mais importantes revistas científicas internacionais de toxicologia alimentar, a Food and Chemical Toxicology.

De acordo com o coordenador do estudo, o professor Gilles-Eric Séralini, os efeitos do milho NK603 só haviam sido analisados até agora em períodos de até três meses. No Brasil, a CTNBio (Comissão Técnica Nacional de Biossegurança) autoriza o plantio, a comercialização e o consumo de produtos transgênicos com base em estudos de curto prazo, apresentados pelas próprias empresas que requisitam o registro.

O estudo coloca um fim à dúvida sobre os riscos que os alimentos transgênicos representam para a saúde da população e revela a frouxidão das agências sanitárias e de biossegurança em várias partes do mundo responsáveis pela avaliação e autorização desses produtos.

Idec alerta sobre o assunto desde 2007

No início de outubro foi adiado o julgamento que deveria decidir sobre uma apelação da ação proposta em 2007 pelo Idec que questionava a legalidade do parecer técnico emanado pela CTNBio aprovando a liberação de outro milho geneticamente modificado, o Milholl (Milho Liberty Link), da empresa multinacional Bayer.

A decisão técnica da CTNBio que autorizou a liberação do Milholl foi objeto de recurso administrativo interposto pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e pelo Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), sustentando tecnicamente a contrariedade à liberação do produto geneticamente modificado em razão da precariedade da avaliação de riscos realizada.

A ação foi julgada parcialmente procedente para anular a autorização para liberação comercial no Norte e Nordeste do Brasil e determinar que a União edite a norma no que se refere aos pedidos de sigilo de informações pelos proponentes de liberação de OGMs (Organismos Geneticamente Modificados). A norma deve passar a prever o acesso completo do teor dos documentos solicitados, com exceção apenas das informações que tiverem sigilo deferido.

Ainda não há nova data prevista para o julgamento.

Um amálgama entre Ciência e Ideologia, artigo de Daniel Ferreira Holderbaum

7, outubro, 2012 Sem comentários

JC e-mail 4597, de 04 de Outubro de 2012

Daniel Ferreira Holderbaum é engenheiro agrônomo e mestre em Recursos Genéticos Vegetais pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Artigo enviado ao JC Email pelo autor.

Sobre a controvérsia da biossegurança de organismos geneticamente modificados e o recente caso do estudo de ratos alimentados com milho transgênico tolerante a herbicida.

 

Posições ideológicas podem influenciar a compreensão a respeito de informações científicas sobre as mais diversas áreas do conhecimento. E isto é válido para ambos os “lados” de debates altamente polarizados, como o da biossegurança de organismos geneticamente modificados (OGMs). Segundo Lacey (1), os valores científicos de neutralidade e, especialmente autonomia, estão seriamente comprometidos atualmente, mantendo-se somente a imparcialidade de modo concreto. Ainda mais quando se trata de opiniões, é impossível se falar em neutralidade e ausência de viés ideológico, já que na medida em que interesses se tornam presentes, a neutralidade tende a se esvair.

No que se refere ao debate sobre a tecnologia do DNA recombinante ou seus produtos, pessoas inevitavelmente têm diferentes perspectivas, o que influencia o modo como ideias são organizadas e opiniões emitidas; e interesses pessoais, os mais diversos, também pesam no modo de agir e se expressar, quer seja admitido ou não.

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Agência europeia critica estudo sobre milho transgênico

5, outubro, 2012 3 comentários

A Agência Europeia para Segurança Alimentar (EFSA) divulgou nota nesta última quinta (4) afirmando ter concluído que ”a publicação recente que levantou preocupações acerca da potencial toxicidade do milho NK603 e de um herbicida contendo glifosato é de qualidade científica insuficiente para ser considerado válido como avaliação de risco”. E segue: “para ser capaz de entender o estudo de forma completa a EFSA convidou os autores Séralini e seus colegas a compartilhar informações adicionais consideradas críticas”. Não custa lembrar que a mesma EFSA aprovara a variedade de milho em questão considerando-a segura para consumo.

A equipe do Prof. Séralini já havia publicado estudos toxicológicos mostrando os impactos do herbicida Roundup e de seu ingrediente ativo glifosato (Gasnier et al. 2009; Benachour et al. 2007; Benachour & Seralini 2009).

Os mesmo cientistas também já haviam avaliado dados que as empresas apresentam a órgãos reguladores como a EFSA. Ao analisar de forma independente os dados brutos fornecidos pela Monsanto, eles encontraram sinais de toxicidade após 90 dias de consumo de três variedades de milho transgênico, entre elas a NK 603, alvo do estudo publicado na Food and Chemical Toxicology, e liberada aqui no Brasil (de Vendomois et al. 2009; Seralini et al. 2007; Seralini et al. 2011).

A reação da EFSA fica mais fácil de ser compreendida quando lembramos as ligações de alguns de seus membros com a indústria da biotecnologia, especialmente por meio do ILSI – International Life Science, organização estadunidense financiada, entre outras por Monsanto, Basf, Bayer, ADM, Cargill, DuPont, Kraft, Mars, Syngenta e Unilever.

Quem tiver interesse pode buscar ramificações do ILSI-Brasil na CTNBio e já tentar adivinhar qual será a manifestão que esta prepara sobre a segurança do NK 603, aqui liberado em 2008.

p.s. G1 e UOL publicaram notas a respeito do posicionamento da EFSA.

SERALINI E CIÊNCIA: CARTA ABERTA

3, outubro, 2012 8 comentários

http://independentsciencenews.org/health/seralini-and-science-nk603-rat-study-roundup/#more-1087

Gilles-Eric Seralini, coordenador do estudo

 

Tradução: Paulo Cezar Mendes Ramos; Analista ambiental/ICMBio; Membro da CTNBio; e Coordenador do GT sobre transgênicos e agrotóxicos da ABA

 

Um novo estudo do grupo francês de Gilles-Eric Seralini descreve efeitos nocivos em ratos alimentados com dietas contendo milho geneticamente modificado (variedade NK603), com e sem o herbicida Roundup, bem como com o Roundup sozinho. Este estudo “peer-reviewed” (Seralini et al., 2012), tem sido criticado por alguns cientistas cujas opiniões têm sido amplamente relatadas na imprensa popular (Carmen, 2012; Mestel, 2012; Revkin, 2012; Worstall, 2012).

Seralini et al. (2012) estende o trabalho de outros estudos demonstrando toxicidade e/ou impactos endócrinos-baseado do Roundup (Gaivão et al., 2012; Kelly et al., 2010; Paganelli et al., 2010; Romano et al., 2012), como revisto por Antoniou et al. (2010).

A publicação de Seralini e sua repercussão na mídia levantam o perfil dos desafios fundamentais da ciência em um mundo cada vez mais dominado pela influência corporativa. Estes desafios são importantes para toda a ciência, mas raramente são discutidos em espaços científicos. Leia mais…

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França pode pedir banimento do milho da Monsanto

3, outubro, 2012 Sem comentários

Com informações da NATURE, 25/09/2012.

Ratos alimentados com milho transgênico e/ou roundup apresentaram tumores mais precocemente e em maior intensidade

O primeiro ministro francês Jean-Marc Ayrault disse que, se os resultados [da pesquisa inédita que demosntrou graves danos à saúde causados pelo consumo de milho transgênico e/ou Roundup] forem confirmados, o governo pressionará para que o milho NK 603 seja banido em toda a Europa.

Pesquisadores pró-transgênicos têm alegado que a espécie de rato utilizada no experimento não seria a mais adequada pois ela é naturalmente mais propensa ao desenvolvimento de tumores. Contudo, rebatem os autores da pesquisa, essa mesma espécies foi usada nos testes que a Monsanto apresentou para pedir às autoridades a liberação do milho. Os estudos da empresa foram de 90 dias, enquanto a pesquisa da equipe de Gilles-Eric Séralini durou avaliou 200 ratos por 2 anos, praticamente toda sua vida.

Nature 489, 484 (27 September 2012) doi:10.1038/489484a

Grãos transgênicos voltam a assustar a Europa

29, setembro, 2012 Sem comentários

obs: pena que a reportagem esqueceu de avisar aos leitores que a Anbio é entidade financiada por empresas como Monsanto, Cargill etc. e sempre defendeu a liberação facilitada dos transgênicos

 

CARTA CAPITAL, 28/09/2012.

O debate sobre os possíveis malefícios dos alimentos transgênicos voltou com força depois que uma pesquisa científica francesa relacionou o aparecimento de tumores cancerígenos em ratos com o consumo de milho geneticamente modificado. O estudo causou alvoroço e o primeiro-ministro francês, Jean-Marc Ayrault, chegou a anunciar medidas de incentivo à proibição dos OGM (organismos geneticamente modificados) em toda a Europa, caso se confirme o resultado da nocividade do produto.

Na pesquisa, publicada pela revista “Food and Chemical Toxicology”, 200 ratos foram alimentados durante dois anos de formas distintas: o primeiro grupo com grãos de milho NK603 geneticamente modificados e o pesticida Roundup; o segundo com o OGM, mas sem o pesticida; o terceiro sem o OGM, mas com o pesticida; e o quarto sem OGM nem pesticida. O resultado apontou uma alta taxa de mortalidade dos três primeiros grupos causada por grande incidência de câncer.

As imagens divulgadas eram impressionantes: tumores do tamanho de bolas de pingue-pongue que chegavam a representar 25% do peso dos ratos. As fêmeas foram mais afetadas nas glândulas mamárias e os machos, nos rins e no fígado.

Na prática, o alimento trangênico não é consumido sem o pesticida, já que os grãos são modificados justamente para se tornarem mais resistentes ao produto, que acaba matando apenas as pragas, não a planta. Segundo o coordenador do projeto, Gilles-Eric Seralini, professor da Universidade de Caen, essa foi a primeira vez que os efeitos a longo prazo tanto do transgênico quanto do pesticida Roundup foram avaliados em tal profundidade.

A norte-americana Monsanto, empresa responsável pelos dois produtos e maior produtora de transgênicos do mundo, anunciou em comunicado que seus pesquisadores vão revisar o documento, mas adiantam que “alegações similares foram feitas pela mesma pessoa e por outros grupos de pressão contra a biotecnologia” e que foram “sistematicamente refutadas por artigos avaliados por pares, bem como pela Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos”. A empresa também questiona o autor do trabalho, que “já foi amplamente refutado pela comunidade científica mundial no passado”.

Uma das principais críticas à metodologia foi a utilização dos ratos albinos Sprague Dawley. “O animal utilizado é inadequado, já que tem uma tendência natural ao câncer. E também eram em número abaixo do recomendado”, alega Leila Oda, presidente da Associação Nacional de Biosegurança, a ANBio. O uso dos ratos albinos também foi questionado na Europa, mas de acordo com pesquisadores do Centre National de Recherche Scientifique, sua presença é frequente em laboratórios.

A representante da ANBio também criticou o sensacionalismo em torno da notícia: “Os responsáveis pela pesquisa deveriam ter contatado os órgãos reguladores imediatamente, ao invés da mídia como foi feito”. Ela alega também que os testes foram feitos em apenas um tipo de milho transgênico, ou seja, mesmo se o resultado for real, o problema pode estar naquele OGM específico – o que não é o caso do pesticida Roundup, um dos mais usados no mundo.

Revolução agrágria

O primeiro-ministro francês já avisou a imprensa local que vai se opor aos alimentos transgênicos, caso seu perigo seja confirmado. “Pedi um inquérito rápido que permita verificar a validade científica deste estudo. Se os resultados forem conclusivos, (o ministro francês da Agricultura) Stéphane Le Foll defenderá a proibição dos OGM em nível europeu”, afirmou Ayrault. Os resultados são esperados para fim de novembro.

A União Europeia restringe com rigor o cultivo de alimentos trangênicos. Atualmente só é permitida a plantação de dois produtos do tipo: o milho 810, da Monsanto e a batata Amflora, da alemã BASF, que já não é mais cultivada no continente. No entanto, grandes quantidades de grãos geneticamente modificados são importadas para alimentar a criação de animais e servir de base para alimentos de consumo humano. É permitido o comércio de outros 44 tipos de OGM.

Na França, os criadores começam a se preocupar com a possibilidade da proibição à importação: “Nosso país importa 40% de toda proteína, principalmente a soja, cujo padrão no mercado mundial é OGM. Entre 75% e 80% do gado francês é alimentado a base de transgênico”, informou à Reuters Valérie Bris, responsável da alimentação animal de Coop de France, que representa mais de dois terços das empresas do setor.

Desta forma, proibir a entrada de transgênicos em território europeu seria fazer obrigatoriamente uma revolução agrária. “A União Europeia importa cerca de 40 milhões de toneladas de soja anualmente, praticamente toda a soja que consome. Gostaria de saber onde ela conseguiria substitutos para todo esse OGM”, questiona Lucílio Alves, professor do departamento de economia da Escola Superior de Agricultura da USP. O Brasil sozinho exportou quase 6 milhões de toneladas apenas de soja em grãos para o velho continente em 2010.

Não resta dúvidas de que seria extremamente complicado por em prática uma restrição dessa amplitude. E a questão não seria apenas o cultivo, mas o manuseamento da colheita. “Seria necessário fazer uma segregação entre os produtos OGM e não-OGM, senão esse último poderia ser contamidado. O armazenamento e o transporte também teriam que ser cuidados e limpos, para não haver resíduos durante todo o processo da colheita até a chegada na Europa”, explica o professor.

A importação de grãos sem modificação genética sairia consideravelmente mais cara, um aumento de 12% segundo Valérie Bris. “Se a medida fosse adotada apenas pela França, isso nos colocaria em uma situação de competitividade desastrosa em comparação aos outros países europeus”, diz a responsável.

No entanto, Alves acredita que se toda a União Europeia realmente determinasse a interdição dos OGM e pagasse um preço mais caro, os produtores se interessariam pelo negócio. “Será que a Europa estaria disposta a pagar um valor adicional por esse produto, por essa segregação? Se estivessem, seria possível sim”, conclui.

Equipe de Séralini rebate criticas

27, setembro, 2012 14 comentários

FAQ – da equipe de pesquisa do CRIIGEN

Protocolo – Resultados – Discussão

http://www.criigen.org/SiteEn/index.php?option=com_content&task=view&id=368&Itemid=130

Tradução: Paulo Cezar Mendes Ramos – Analista ambiental ICMBio; Membro da CTNBio; Coordenador do GT de Agrotóxicos e Transgênicos da ABA

 

SEÇÃO UM: PROTOCOLO

Por que não usar um alimento variado “referência” sobre seus controles, como fez a Monsanto?

Em ciência, devemos estudar uma variável de cada vez. Podemos assim comparar seriamente apenas a um controle geneticamente semelhante demonstrado ser substancialmente equivalente ao estudar precisamente o efeito do OGM.

Por que não ter usado um método estatístico padrão?

Esses métodos não tem sido julgados satisfatórios pelos organismos especializados para demonstrar a toxicidade para grupos de 10 ratos. No entanto, as diferenças máximas de mortes ou tumores com os controles (600 dias, 2 – 5 vezes mais) falam por si.

Além disso, há uma subestimação dos efeitos tumorigênicos no final de dois anos, comparados aos controles de acordo com os dados dessas curvas. Esta subestimação se deve ao fato de que os controles estão vivendo mais tempo e desenvolvendo patologias, incluindo tumores, no final da vida.

Qual o grau de confiança que existe em diferenças significativas encontradas pelo método estatístico OPLS-DA, não existem valores de p?

Este é um dos mais modernos métodos para tratar um grande número de variáveis, tais como em genómica, na verdade o significado não passa através do valor-p reservado para outros testes.

(Nota do tradutor: OPLS-DA – Análise Discriminante de Projecções Ortogonais para Estruturas Latentes – trata-se de método em Quimiometria Metabonômica e Metabolômica utilizada para análises metabólicas. Dados Metabolômicos podem dar uma visão imparcial de alterações no metabolismo durante as mudanças ambientais, genéticas ou de desenvolvimento. Em vez de rastreamento de somente alguns metabólitos, alterações nas quantidades relativas em 300 a 1000 ou mesmo mais metabólitos podem ser registrados e analisados, cobrindo todas as principais vias metabólicas.)

Por que mostraram as análises bioquímicas no mês 15?

Não poderíamos colocar tudo em um primeiro artigo. Este é o último ponto no tempo quando há mais ratos vivos, que demonstra significância.

Os ratos foram tratados durante o experimento por outras moléculas? Sanitizantes? Antibióticos?

Não. Não com as Boas Práticas de Laboratório em geral, caso contrário êles são excluídos do experimento.

Por que você estava usando duas formulações diferentes do Roundup (com água contaminada e culturas)?

As formulações contém cerca de 500 g/L de glifosato. Elas têm nomes diferentes em países diferentes.

Onde você cultivou o milho e tratou os ratos?

Utilizamos o milho do Canadá porque lá a cultura desse OGM é permitida, ao contrário da França. A experiência com ratos foi realizada na França e as análises foram realizadas em laboratórios diferentes, na França e na Itália, alguns desejam manter o anonimato.

Os proponentes deste tipo de estudo são geralmente empresas industriais e o fato de que uma ONG e uma Universidade desenvolveram este estudo juntos significa que ele é independente e exclusivo.

O milho usado como controle é exatamente o mesmo que os OGM?

Uma identidade genética não é possível devido ao método de produção de sementes, mas é o mais próximo genética e fenotipicamente.

Os diferentes milhos foram cultivados ao mesmo tempo? As condições climáticas eram as mesmas?

Absolutamente sim e geograficamente muito próximas, embora evitando contaminação cruzada.

Quantas vezes os milhos foram tratados? Em que momento?

Uma vez durante a cultura com Roundup, quando tratados. Resíduos de glifosato e AMPA (ácido aminometilfosfônico, principal metabólito microbiano da biodegradação do Glifosato – considerado tóxico – nota do tradutor) em OGM são reconhecidos e regulamentados, mesmo nos tecidos dos animais que os consomem. Renúncias dos direitos para exceder são regularmente concedidas, infelizmente. Este não era o caso para nós.

Houve glifosato na água dos controles?

Não dentro de limites de detecção. Nós mudamos a água semanalmente e contaminamos com as doses precisas indicadas para os tratamentos.

Por que você usou uma média e não uma mediana para o limite de envelhecimento?

É o costume geral; há pouco dito da vida mediana dos franceses por exemplo. Não tiramos dela quaisquer cálculos estatísticos, mas uma marca gráfica.

SEÇÃO DOIS: OS RESULTADOS

Qual é a magnitude da diferença na mortalidade dos controles em relação à norma histórica?

Cada experimento tem suas próprias condições, a norma histórica é muito grande para ser um comparador relevante. Os controles estão na vida normal média, e as nossas diferenças são comparadas com os controles do experimento.

Como você explica a ausência de manifestação de distúrbios bioquímicos nos machos?

Ao contrário, há muitos. No entanto, não são apresentados todos os resultados no estudo, o que era impossível por causa de seu número. Há sempre uma diferença de tempo entre distúrbios bioquímicos, os primeiros a aparecer e lesões patológicas que observamos em ambos os sexos. Nos machos, as lesões patológicas foram anteriores e maiores do que nas fêmeas e essas lesões são as mais notadas.

As mesmas diferenças podem ser encontradas em todos os tratamentos, como você sabe que os controles não são os anormais? Ou que não é devido à sorte?

Nossos controles correspondem aos valores observados nas espécies. Achados patológicos têm explicações lógicas para todos os tratamentos, são consistentes e numerosos o suficiente para não ser relacionados ao acaso; extensivas estatísticas a nível bioquímico são consistentes e demonstram isto. Nossos estudos in vitro são consistentes.

Como você pode ter certeza de que uma depleção tão pequena em ácidos caféico e ferúlico explica também uma grande variedade de patologias?

Existem para nós indicadores compreensíveis para as alterações no metabolismo do milho que poderia ter acontecido, as pegadas lógicas muito interessantes da literatura científica e o nosso trabalho, eles em nenhuma maneira excluem a ação de outros metabólitos tóxicos devido aos OGM e é por isto que estamos a pedir financiamento para análise em proteômica, transcriptômica, a fim de saber detalhes chave mecanísticos dos eventos.

Você tem quaisquer resultados interessantes para as doses de Roundup em tecidos, microbiologia e dosagem transgene?

Sim, nós temos resultados que devem ser concluídos e que nos dão pistas muito interessantes que serão publicadas mais tarde. Várias publicações estão planejadas após este trabalho preliminar.

Por que usar o limite de 17.5 * 17.5 mm nos machos e 20 * 20 mm nas fêmeas para contagem de tumores?

Porque é o tamanho-limite em que mais de 95% dos tumores são não-regressivos.

O que é a base para determinar os critérios de patogenicidade utilizados na tabela 2? Que classificação você usa?

Por eliminação diferencial dos menores intervalos.

Mediram-se com resíduos de glifosato no NK603 ou o alimento seco?

Sim, nós checamos o seu uso e a presença de todos os pesticidas. Os valores foram abaixo os limites regulamentares. Os limites de quantificação em diversas matrizes são diferentes.

Você indica um efeito de estresse oxidativo em ratos devido a seus tratamentos, os marcadores de estresse oxidativo estão corrompidos?

Sim para os citocromos no fígado e o GST, por exemplo.

(Nota do tradutor: Glutationa S-transferase (GST) é uma família de enzimas que desempenham um papel importante na desintoxicação de xenobióticos.)

O milho tem sido pulverizado com outros pesticidas? Encontraram-se com outros resíduos?

Sim, normalmente, não eram culturas orgânicas que nós poderíamos testar daí por diante. Não há nenhum pesticidas acima do limite de quantificação em alimentos.

SEÇÃO TRÊS: DISCUSSÃO

Os resultados que você encontrou neste estudo são correspondentes aos distúrbios encontrados nos testes subcrônicos reanalizados anteriormente em suas publicações, que a Monsanto sub-interpretou?

Sim, há sinais de toxicidade hepatorrenal que foram publicados anteriormente depois de apenas 90 dias de tratamento, que são relatados firmemente como patologias em nossa experiência a longo prazo.

Você acha que essas patologias podem ser transmissíveis aos seres humanos?

Muito geralmente, sim, mas não todas. Na verdade, quaisquer sinais de toxicidade em ratos devem ser tomados em conta para a proibição de um produto. Há 50 anos os estudos são realizados em ratos ou células humanas para produtos que não são testados em seres humanos (onde eles testam apenas drogas, não testam OGMs, nem pesticidas e nem químicos). E, para drogas, testes em ratos ou 2-3 mamíferos precedem qualquer ensaio clínico. Se mostram efeitos graves, os seres humanos não são tratados em seguida. Distúrbios hormonais são certamente relevantes para as mulheres para contribuir para tumores de mama e efeitos hepatorrenais foram encontrados em células humanas in vitro.

Por que você cita Zhang et al. 2012 como referência? Esta referência não se relaciona com OGMs.

Uma hipótese é que novo micro RNA produzido por OGMs pode interferir com o metabolismo. Nós não poderíamos deixar isto não dito, mas temos outras hipóteses explicativas.

Como você explica que os efeitos não são encontrados nas populações humanas? Ninguém nunca notou um aumento no câncer de mama em populações expostas ao Roundup?

Há uma explosão no número de tumores de mama que não são explicados por estudos epidemiológicos. Lembramos-lhe que os OGMs não estão sendo rotulados, o consumo de OGM nos EUA não está listado, nem para o uso do Roundup ao redor do mundo.

Recomenda-se a experimentar em 50 ratos para estudo estatutório sobre a carcinogênese. Qual o valor de trazer seus resultados em 10 ratos?

Foram estudados 200 ratos, 10 ratos/grupo. Estudos bioquímicos legais são recomendados pela OCDE em no mínimo 10 ratos por grupo.

Nenhum estudo legal que permitiu a autorização dos OGM tinha mais de 10 ratos medidos por grupo.

Portanto, fizemos os testes mais robustos do mundo, especialmente porque estávamos a analisar a longo prazo.

Nós não poderíamos antecipar os resultados dos tumores, mas nós observamos e os registramos neste estudo, o que era normal, não é o estudo dos efeitos de carcinogênese específicos com 50 ratos/grupo que não teria permitido observar os efeitos hepatorrenal e outros.

As concentrações de ácido ferúlico encontradas são correspondentes as indicadas na experiência da Monsanto?

A Monsanto infelizmente não mediu as concentrações de ácidos hepatorrenais e mama-protetor diretamente na dieta, mas apenas uma vez o ácido ferúlico no milho e no controle de OGM.

Você diz que 76% dos parâmetros no rim estão perturbados, em que isto mostra toxicidade? Eu não entendo esse método.

Registramos todos os parâmetros perturbados em comparação aos controles e comparamos com o número de parâmetros relacionados com a atividade renal, sobre o conjunto de todos os parâmetros. Nós temos 48% dos parâmetros renais entre todos os parâmetros medidos, ainda 76% dos perturbados são marcadores da atividade renal! Qualquer médico iria entrar em pânico para um paciente neste caso. A distribuição não pode ser devido ao acaso. (Esta figura foi 42% em uma de nossas publicações anteriores, de parâmetros perturbados, 24,9% medidos no rim de machos e um consumo trimestral em média de 19 OGMs, normas de ensaios). O rim é 1,5 vezes mais afetado do que outros órgãos.

Roundup aumenta o tempo de vida em machos? Isso não é um melhor indicador da segurança deste herbicida? Esse aumento é dose-dependente do mesmo. Estranhamente você não falar sobre isso, por que?

Deixamos a você esta interpretação equivocada! Machos tratados eram mais doentes do que os controles em todos os casos, mesmo em um caso em cada 6 tratamentos (3 machos + 3 fêmeas) não havia nenhuma mortalidade extra em qualquer dose antes de espectativa média de vida. Porém, estes ratos perdem peso (discutido em outra publicação) e isso pode dar-lhes alguma resistência.

Você comparou os resultados com os do estudo japonês de Sakamoto, ou algum outro? Ao contrário do que você diz você não é o primeiro a estudar a segurança de um OGM por 2 anos.

Sim. Nenhum foi tão abrangente como o nosso, e nenhum é sobre o milho NK 603 além de 3 meses.

Por que você escolheu ratos Sprague Dawley?

Este é o modelo mais comum nesses estudos, o mais conhecido.

Você já fez o estudo em um ambiente de Boas Práticas de Labortório, é o estudo BPL? O fato de não sê-lo não o denigre?

Não havia nenhum protocolo padrão para este tipo de estudo muito longo com OGM, nós o estabelecemos enquanto o aprimoramos. Este é o primeiro no mundo. Assim, não poderia haver qualquer padrão previamente definido para esse tipo de teste. Além disso, esta pesquisa é um protocolo onde adicionamos juntamos análises, bioquímica e microscópica para entender o que estava acontecendo. Agora ele pode servir de exemplo para estabelecer padrões para BPL para OGMs, muito mais sérios do que o que as agências de saúde fazem hoje que não trabalham honestamente nem cientificamente. No entanto, nós fizemos isso em um ambiente de laboratório BPL, claro.

 

Produzido pela equipe do Prof. Séralini.